Eleição americana: Comportamento de Eduardo ratifica o seu despreparo para ser embaixador

Integrantes do Itamaraty avaliam que, se ainda restava dúvidas sobre o despreparo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para ocupar o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, estas acabaram de vez, durante a eleição presidencial entre Donald Trump e Joe Biden.

A atuação do filho “02” do presidente Bolsonaro, que resolveu questionar a legitimidade da apuração nos EUA, sem provas, reproduzindo o discurso de Trump, foi descrita como uma grande “gafe” para quem já teve (ou tem) a ambição de ocupar um posto diplomático. A avaliação de diplomatas é que Eduardo fere um princípio básico da boa diplomacia, de não interferir na política de outro país.

INTERFERÊNCIA – “Uma das boas práticas diplomáticas, já que ele queria ser embaixador, é não interferir em processos eleitorais de outros países, para manter a capacidade de interlocução com quem quer que seja eleito no fim do processo”, disse um integrante do Itamaraty.

No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que pretendia indicar o filho para o posto de embaixador dos EUA. Eduardo se movimentou e fez um beija-mão no Senado para garantir a aprovação de seu nome. O governo, porém, nunca teve a garantia que teria votos suficientes para aprová-lo. Eduardo acabou anunciando sua desistência da indicação em outubro de 2019.
Bela Megale
O Globo

Os superpoderes da Anajure, a associação de juristas evangélicos que quer um Brasil teocrático

Os superpoderes da Anajure, a associação de juristas evangélicos que quer um Brasil teocrático
Com apoio de Bolsonaro, entidade fundada por Damares tem influência decisiva na Defensoria Pública, no MEC e no Itamaraty.

Bolsonaro recebe em seu gabinete o defensor público-geral da União, Daniel Pereira, indicado pela Anajure. Foto: Reprodução

A DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO, órgão federal que presta assistência jurídica gratuita aos mais pobres, mudou a maneira como escolhe seu chefe após a chegada do bolsonarismo. Antes, os defensores públicos elegiam uma lista tríplice e a submetiam ao presidente da República, que obrigatoriamente deveria escolher um dos três nomes. Mas uma nova etapa foi introduzida nesse processo seletivo. Agora, os candidatos precisam passar pelo crivo de uma entidade representativa dos evangélicos, a Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), cuja fundação contou com a presença da ministra Damares Alves, que ocupou o cargo de diretora de Assuntos Legislativos no Conselho Diretivo Nacional da entidade.

Os três candidatos da lista tiveram que passar por uma sabatina terrivelmente evangélica promovida pela entidade. Essa sabatina, claro, não faz parte oficialmente do processo de escolha do novo chefe da DPU, mas isso não importa. O bolsonarismo não trabalha com esse tipo de formalidade. A chancela evangélica virou algo tão fundamental, que todos os três candidatos fizeram questão de participar e demonstrar alinhamento ideológico à turma. Após entrevistar os candidatos, a Anajure escolheu Daniel Macedo Pereira, o segundo da lista, e enviou um ofício ao presidente da República fazendo a recomendação. Bolsonaro acatou prontamente. A Anajure discorda que tenha “simbiose com o governo federal” ou “pretensões de aparelhamento estatal”, conforme nota enviada ao Intercept em resposta a esta coluna (leia a nota na íntegra abaixo).

Uma reportagem da Piauí deste mês contou em detalhes como funciona o lobby evangélico comandado pela Anajure e o alcance do seu poder dentro do governo Bolsonaro. Nesse ofício enviado ao presidente, fica claro que o principal critério de escolha dos juristas evangélicos para chefiar a DPU foi a defesa intransigente “do direito à vida desde a concepção” — a velha obsessão com o aborto. Informaram o presidente que Daniel Macedo tinha se comprometido a criar “um grupo de trabalho em defesa dos direitos do nascituro”. A DPU é um órgão que historicamente apoia mulheres em situação de risco que, muitas vezes, recorrem ao aborto legal. Esse é o principal motivo da predileção da Anajure pelo aparelhamento do órgão.

O grupo é tão obcecado com o tema aborto, que emitiu nota congratulando o presidente dos EUA pela escolha de uma juíza antiabortista para a suprema corte: “Dra. Barret é juíza de carreira, cristã, conservadora, mãe de sete filhos e defende que a vida deve ser protegida desde a concepção, posição que a Anajure tem defendido ao longo dos últimos anos.”

A Anajure tem cerca de 700 membros e não representa a totalidade dos evangélicos. É um grupo fundado por calvinistas, uma corrente evangélica que se difere das demais por entender que a cultura cristã deve se impor sobre a sociedade. A Anajure é controlada por líderes de igrejas conhecidas como protestantes históricas, principalmente a Presbiteriana, a Batista e a Metodista.

De acordo com o teólogo Ronilso Pacheco, “a diferença principal dos evangélicos calvinistas dos demais é sua compreensão de que o cristianismo deve reivindicar sua hegemonia sobre a cultura”. Nem todos os calvinistas pensam assim, mas esses grupos ligados a Bolsonaro, como a Anajure, pensam. Diferentemente dos neopentecostais, que são mais histriônicos e atuam de maneira ostensiva na política em defesa dos seus interesses, os calvinistas são mais discretos e silenciosos. Eles atuam nos bastidores não por cargos mais cobiçados, onde está o dinheiro, mas por cargos jurídicos nos quais valores morais são disputados, como é o caso da DPU, a PGR, a AGU e o STF. Enquanto a opinião pública se volta para a histeria de felicianos e malafaias, a Anajure vai silenciosamente pautando a esfera pública, aparelhando o judiciário e violando a laicidade do estado.

Os dois ministros da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro e o atual, André Mendonça, sempre tiveram boa relação com a Anajure e se tornaram figurinhas carimbadas nos eventos da entidade. Mendonça, que se tornou chefe da Advocacia Geral da União, a AGU com apoio da Anajure, era o nome preferido do grupo para assumir a última vaga no STF. Dessa vez, porém, Bolsonaro não seguiu a tropa evangélica e escolheu Kassio Nunes Marques, que não come na mão da turma.

uzi-anajureEx-ministro Sérgio Moro recebendo carta de apoio ao projeto anticrime das mãos do diretor executivo da Anajure, Uziel Santana. Foto: Divulgação/Anajure
Apesar de contrariá-los com a decisão, o presidente fez questão de mandar um afago: “A segunda vaga, em julho do ano que vem, com toda certeza, mais que um terrivelmente evangélico, se Deus quiser nós teremos lá dentro um pastor”. Detalhe: André Mendonça, o nome dos sonhos da Anajure, é pastor da Igreja Presbiteriana. Há poucos meses, a Anajure já tinha feito um lobby muito bem sucedido para um outro pastor da Igreja Presbiteriana comandar um cargo importante. Me refiro a Milton Ribeiro, outra figurinha carimbada desse convescote evangélico, que foi escolhido por Bolsonaro para comandar o MEC.

A Anajure tem uma máquina articulada criada para difundir seus valores e encontrar meios de boicotar a laicidade do estado.
Para ser escolhido como procurador-geral da República, Augusto Aras teve que beijar a mão da Anajure. Além de ser o único candidato a assinar a carta de princípios enviada pela entidade, Aras chegou a telefonar para o presidente da Anajure para confirmar seu alinhamento ideológico. Ao assinar a carta de princípios, Aras concordou que “a instituição familiar deve ser heterossexual e monogâmica, as doutrinas religiosas não podem ser enquadradas como discurso de ódio e todo homossexual deve ter liberdade para tornar-se paciente em tratamento de reversão sexual”.

Além de avançar sobre a área jurídica, a Anajure exerce forte influência sobre o Itamaraty. Não é de hoje que a entidade demonstra interesse em alçar voos internacionais em defesa do cristianismo que, segundo eles, é perseguido no Brasil e no mundo. Graças ao seu poderoso lobby, a Anajure se tornou a primeira entidade de juristas evangélicos a ter assento na Organização dos Estados Americanos (OEA), que conseguiu graças ao diálogo que manteve com o governo Dilma. A bandeira que ela diz defender nesses avanços internacionais é a da liberdade religiosa, mas, na prática, trata-se de uma luta pela hegemonia cultural dos valores cristãos sobre o mundo. Um diplomata com mais de duas décadas de carreira ouvido pela reportagem da Piauí afirmou: “A gente passa vergonha o tempo todo. Essa bandeira de liberdade religiosa não traz ganho objetivo nenhum, não amplia comércio, não produz nada. É algo que só funciona no campo da ideologia, da representação.”

O Itamaraty agora tem ajudado a Anajure no lobby diplomático por uma vaga no Comitê sobre ONGs da ONU, que ainda não foi conquistada graças às objeções levantadas pela China. Antes de aprovar a entrada do grupo, os chineses pediram explicações sobre as atividades exercidas por ela em países como Portugal, EUA e Jordânia.

Além da sua influência sobre o governo Bolsonaro, a Anajure tem uma máquina articulada criada para difundir seus valores e encontrar meios de boicotar a laicidade do estado. A Academia Anajure, criada há três anos, oferece um curso de “cosmovisão cristã” para estudantes e bacharéis em direitos. Em um dos textos do grupo sobre o assunto, há conceitos bizarros do ponto de vista jurídico, que colocam o cristianismo como o único caminho para a justiça entre os homens:

“Por que é tão importante ter uma cosmovisão cristã? Porque o cristianismo nos dá um mapa para a realidade, um esboço do mundo do jeito que ele realmente é: a ordem moral e física de Deus.”

“No caso do Direito, especificamente, somente a cosmovisão cristã pode erigir um sistema de justiça, igualdade e dignidade da pessoa humana.”

Na sede em Brasília, a Anajure tem um sistema que monitora todas os Diários Oficiais dos três poderes e as publicações de partidos e movimentos que eles consideram anticristãos. Segundo a reportagem da Piauí, um software vigia pemanentemente 600 sites e produz relatórios diários. Toda vez que o software detecta a publicação de uma palavra-chave considerada uma ameaça para os valores cristãos, a equipe jurídica do grupo é acionada. Eles não estão pra brincadeira.

Como se vê, a Anajure não é simplesmente uma entidade de juristas evangélicos em defesa da liberdade religiosa e dos interesses do seu grupo religioso, o que seria legítimo. Essa é só a fachada. Na realidade, trata-se de um lobby religioso poderoso, de caráter fundamentalista, que tem como objetivo impor seus valores ao conjunto da sociedade aparelhando o Judiciário e pisoteando a laicidade do estado. O avanço da entidade sobre os órgãos públicos é gravíssimo e, de pouquinho em pouquinho, vai se desenhando a formação de um estado teocrático.

Esclarecimento, 29/10, 15h16:

Em resposta ao Intercept, a Anajure alega que Damares não é uma fundadora do grupo por não ter assinado a ata de fundação. Essa informação estava no nosso texto. A ministra esteve presente na cerimônia de fundação e foi homenageada na ocasião. Diversas publicações na imprensa, como esta, esta, esta e esta, tratam Damares como fundadora da Anajure. Por meio de nota, a Anajure afirma que Damares “apenas manifestou apoio e esteve presente na solenidade de lanc?amento da associac?a?o, em 2012. Por breve peri?odo de tempo, ela chegou a ocupar o posto de li?der departamental de assuntos legislativos , cargo posteriormente deixado. Tais elementos, no entanto, na?o a caracterizam como membro fundadora, na?o sendo possi?vel lhe imputar a responsabilidade pela idealizac?a?o, articulac?a?o e conduc?a?o dos trabalhos iniciais executados pela Anajure.” O Intercept reformulou a frase.

Correção, 29/10, 15h16:

Diferentemente do publicado, a Anajure não é formada exclusivamente por calvinistas. Ela foi fundada por três advogados calvinistas, mas hoje é formada por diferentes vertentes teológicas, segundo a própria entidade. O texto foi atualizado.

Itamaraty,Ernesto Araújo,Diplomacia,Brasil,Idade Média

Novo Chanceler e a Idade Média

Nomeação de novo chanceler faria sentido se vivêssemos na Idade Média, diz professor da UFABC

Itamaraty,Ernesto Araújo,Diplomacia,Brasil,Idade MédiaErnesto Araújo, o novo ministro das Relações Exteriores, está há 29 anos na carreira diplomática e nunca comandou uma embaixada, apesar de já ter servido em Washington
Foto:Valter Campanato/Ag. Brasil

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anunciou na última quarta-feira (14/11) o diplomata Ernesto Araújo como novo ministro das Relações Exteriores. Para Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), a nomeação do novo chanceler representa “uma ofensa ao Itamaraty” e só faria sentido se “vivêssemos na Idade Média”.

“Ernesto Araújo faz uma defesa surreal da ‘fé em Cristo‘ como elemento norteador da política, seja lá o que isso signifique na prática. Sua indicação faria sentido se ainda vivêssemos na Idade Média, e não em pleno século 21″, diz Fuser.

Segundo o professor, “asneiras desse teor, misturadas com um antiesquerdismo patológico, no nível dos torquemadas mais delirantes do macartismo, constam publicadas em seu blog” e significam “exatamente o contrário de todo o pensamento de política externa que vem sendo construído pela diplomacia brasileira há mais de um século”.

O novo chanceler

Ernesto Araújo, que está há 29 anos na carreira diplomática, nunca comandou uma embaixada, apesar de já ter servido em Washington. O novo ministro, que fez campanha abertamente a Jair Bolsonaro, ocupa o cargo de diretor do departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty e assume a chancelaria no dia 1º de janeiro de 2019.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o novo chanceler possui um blog onde fez campanha a favor do presidente eleito e chama o Partido dos Trabalhadores (PT) de “Partido Terrorista”.

Na página, o novo ministro afirma que quer “ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista”, a qual ele categoriza como “a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural”.

Em artigo publicado em 2017, Araújo defende “uma visão do Ocidente” proposta por Donald Trump. Segundo ele, o presidente dos EUA “propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. (…) Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história”.

Para Fuser, “se o novo chanceler quiser tornar realidade apenas 5% das ideias delirantes que defende, ocorrerá tamanha sucessão de catástrofes na diplomacia brasileira que ele não permanecerá no cargo mais do que dois meses”.

O professor ainda questiona a capacidade diplomática de Araújo em relação ao Mercosul e negociações comerciais com a China. “Dá para imaginar um personagem que parece um recém-chegado da Idade Média negociando acordos do Brasil com a União Europeia e com o Mercosul? Dá para imaginar essa criatura sentada à mesa com os diplomatas comunistas da China? Se ele tentar colocar em prática o que tem dentro da cabeça, as elites empresariais brasileiras vão intervir para restabelecer a normalidade no Itamaraty. E Araújo seguirá para alguma embaixada, em algum país católico, com uma linda catedral e um arcebispo de extrema-direita com quem ele possa compartilhar suas ideias e preconceitos, de preferência em latim”, diz Fuser.

Ernesto Araújo, que está há 29 anos na carreira diplomática, nunca comandou uma embaixada
EUA e Venezuela

Para o advogado internacionalista Dorival Guimarães, coordenador do curso de Direito do Ibmec de Minas Gerais, as ideias de Araújo parecem concordar com temas propostos por Bolsonaro durante campanha, como a aproximação com os Estados Unidos, críticas à Venezuela e a mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Guimarães afirma que “há uma preocupação muito grande com relação à posição ideológica do diplomata indicado por Bolsonaro, justamente porque poderia indicar um alinhamento muito rápido, ou automático, com a política externa norte-americana. Isso porque Ernesto Araújo, que já viveu nos Estados Unidos, já manifestou em diversas vezes um apoio à política do governo Trump”.

“Segundo Araújo, Trump seria um líder de caráter mundial que representaria o ocidente na batalha contra extremismos religiosos, fazendo referencia tanto à questão do islamismo quanto, no âmbito político, no combate às iniciativas de esquerda”, destaca o advogado.

Guimarães também argumenta que uma aproximação contundente com Washington causaria “desconfortos” entre certas nações que possuem relações comerciais importantes com o Brasil, como a China.

“Essa aproximação mais intensa com os EUA pode representar uma mudança de percepção do Brasil por parte de outros países e parceiros econômicos do nosso país podem sinalizar certo desconforto com essa mudança. A China, por exemplo, nosso maior parceiro econômico, vê com certa desconfiança”, diz.

Na América do Sul, o advogado ressalta que os países vizinhos “podem temer que isso gere uma polarização e uma mudança de viés nas relações”, e espera que “o Brasil não perca o foco com seus parceiros do sul, dos BRICs e que possa manter um posicionamento de independência”.

“Se o caminho for esse [aproximação com os EUA], o Brasil intensificará as relações norte-sul, bilaterais, que são, é claro, um excepcional mercado consumidor, mas que, por outro lado, podem fazer com que o Brasil seja alinhado com o governo Trump. Existe sim essa preocupação”, conclui.

Com relação à Venezuela, Bolsonaro e seu chanceler dão indícios de que o Brasil assumirá a posição dos EUA no conflito.

Par o professor Fuser, “com Bolsonaro e seu chanceler americanófilo, com a cumplicidade do governo de extrema-direita da Colômbia e de outros atores internacionais, o Brasil se tornará ainda mais vulnerável às pressões de Washington para derrubar o governo do presidente Nicolás Maduro”.

“Os Estados Unidos estão dispostos a derramar até a última gota de sangue colombiano para pôr fim à Revolução Bolivariana e com o sangue brasileiro sua atitude não será diferente”, afirma o especialista.

Itamaraty

Segundo matéria publicada pela Reuters, a nomeação de Araújo causou uma reação negativa no Itamaraty. Fontes ouvidas pela agência de notícias afirmaram que houve “quebra de hierarquia e desrespeito à instituição”.

“Nunca um chefe de departamento, um cargo de terceiro escalão, foi alçado a chanceler”, avalia uma das fontes destacando que o novo ministro seria um diplomata “júnior” para ocupar o cargo.

A reportagem ainda destaca a preocupação de diplomatas com os posicionamentos muito próximos aos EUA. “Aos olhos do mundo, a política externa brasileira passará a ser comandada por um discípulo do trumpismo”, afirma uma das fontes.

Para Fuser, “Ernesto Araújo é o que em inglês se chama de ‘freak’, ou seja, um sujeito extravagante, adepto de ideias bizarras, aberrantes” e sua nomeação é “uma piada de mau gosto e uma ofensa aos diplomatas do Itamaraty e à sociedade brasileira em geral”.

Eleições 2014: Rosemary Noronha é espinho na candidatura de Lula

O jogo está sendo jogado. Não há mais blefe na mesa das eleições de 2014.Rosemary Noronha Nóvoa Blog do Mesquita

Fica claro diante das últimas cartas jogadas que os estrategistas da reeleição de Dilma Rousseff manobram para tirar Lula do jogo. E ás na manga atende pelo nome de Rosemary Noronha.

Colocada no pano verde, encardido, do jogo político, Rosemary pode inviabilizar “a mão” que Lula porventura tenha. Havia os que pensavam que o fator Rosemary estivesse esquecido.

Contudo, de repente não mais que de repente, e sem nenhum lirismo do poeta, a Rose é ressuscitada no noticiário. O dono da banca aquartelado no terceiro andar do Palácio do Planalto passou a alimentar o noticiário com material explosivo, após cinco meses de silêncio.

Os fatos, sempre os fatos, acabam se impondo.

Primeiro a Operação Porto Seguro entra na pauta da Comissão de Ética da Presidência.

Em seguida circulam “buchichos” segundo os quais Rosemary Noronha foi figura central em uma investigação sigilosa que partiu da casa Civil, na figura de sua titular a ministra Gleisi Hoffmann.

A ministra mandou instaurar um inquérito administrativo logo que recebeu o relatório da investigação. O Itamaraty também foi instado para apurar os episódios.

A Controladoria-Geral da União por seu lado deixa vazar que “técnicos do governo apuraram que a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República não foi a Roma a trabalho”. Essa apuração, evidentemente, trata da visita que a Rosemary Noronha fez a Roma, inclusive sendo hóspede da embaixada brasileira, no suntuoso Palazzo Pamphili.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Há ainda uma sutil – tão sutil quanto um elefante em uma loja de cristais – recomendação, também oriunda da Casa Civil, para que técnicos da receita investigassem um possível enriquecimento ilícito da privilegiada passageira de inúmeras viagens do “Aero Lula”.

No popular: azedar o angu com a exposição completa das estripulias de Rosemary Noronha. Até Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira em Fortaleza – a angelical criatura acredita até, vejam só, que Zé Sarney é escritor – sabe que o alvo verdadeiro é a possível candidatura de Lula em 2014.

Rosemary é a mira, mas o alvo é o ex-presidente.
O que antes acontecia nos bastidores da sarjeta política brasileira, agora vem a lume com todas as jogadas às claras.
É a luta do rochedo contra o rochedo.

Tópicos do dia – 27/06/2012

11:20:46
Paraguay, Brasil, Cuba e o princípio da não interveção em assuntos internos de outros países.

Brasil: da série “perguntar não ofende”!
1. Quando é instado sobre ‘distrupiços’ nos governos de Cuba, Venezuela, Equador, Irã e Bolívia, o governo brasileiro, na era petista, argumenta, muito acertamente, o princípio da não interferência nos assuntos internos daqueles países.
2. Por que então, no caso do golepe parlamentar que derrubou o presidente do Paraguai, o reprodutor Lugo, o Estado Brasileiro não só interferiu, deu opinião, palpites, articulou boicotes e demais manobras anti-diplomáticas, mandado aos pantanos da Laguna – lembrar a retirada da Laguna, aqui é pertinente – o princípio da não intervenção?

11:25:24
Sorvete chamado de Viagra faz sucesso na praia de Canoa Quebrada no Ceará.

A receita, do, digamos, gelado erótico, mas que promete manter o fogo acesso, leva, sem trocadilhos, por favor, mel de rapadura, giseng, catuaba, açaí, e outras misturas secretas.
Como perguntar não ofende, será que amolece ao sol?

11:33:59
Cachoeira administra crise conjugal de dentro do presídio da Papuda.

A privação da liberdade e as investigações da CPI não são os únicos problemas do contraventor Carlinhos Cachoeira. Dentro do presídio da Papuda, onde está preso, o contraventor tem que administrar uma crise familiar.

Sua atual mulher, Andressa Mendoça, tem reclamado de Cachoeira sobre as frequentes visitas feitas pela ex-mulher Andréa Aprígio de Souza. Além de ser sócia de uma empresa farmacêutica ligada ao bicheiro, Andréa tem carteira da OAB e pode visitar o ex-marido na condição de advogada. Ela já esteve na Papuda pelo menos seis vezes.

Segundo interlocutores da família Cachoeira, Andressa reclamou diretamente com o bicheiro por causa da presença constante de Andréa no presídio. Isso porque desde que ele chegou à Papuda, Andréa tem tido mais acesso à Cachoeira do que a própria Andressa. Ela só pode entrar no presídio em dia permitido para visita dos familiares.
blog do Camarotti/G1

11:42:50
Ministros do STF avaliam impedimento de Toffoli no mensalão

De forma reservada, alguns ministros do próprio Supremo Tribunal Federal já avaliam que o ministro José Antônio Dias Toffoli deveria tomar a iniciativa e se declarar impedido de participar do julgamento do mensalão.
Principalmente, porque ele foi assessor direto do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto.

Toffoli tem afirmado que não decidirá agora se vai ou não se declarar impedido. Mas, segundo avaliação de um ministro do STF ao Blog, ele teria dado uma sinalização de que analisa a possibilidade de impedimento ao não participar da reunião administrativa no início do mês que marcou para o dia 1º de agosto o início do julgamento do mensalão. Só Toffoli e Ricardo Lewandowski não participaram dessa reunião.

Nos bastidores, já há pressão de procuradores da República para que o procurador-geral, Roberto Gurgel,peça o impedimento do ministro Dias Toffoli no julgamento do mensalão. Para esse ministro, isso causaria um desconforto para o STF.

18:48:28
CPI do Cachoeira: jornalista admite ter recebido dinheiro de caixa dois de Perillo.

O jornalista Luiz Carlos Bordoni admitiu há pouco, em depoimento prestado à CPI do Cachoeira, que recebeu dinheiro de caixa dois durante a campanha do governador Marcoini Perillo (PSDB-GO), em 2010. Segundo ele, parte do valor foi pago pessoalmente por Perillo. O jornalista mostrou um documento da Artmidia onde revela que não foi contratado pela empresa para a campanha do tucano.

“Se os senhores identificarem em qual lugar desse papel está escrito o meu nome eu engulo essa folha”, desafiou. A declaração vai de encontro com a de Perillo, que afirmou que o pagamento do jornalista foi feito por meio da empresa. “Acertei pessoalmente com ele, contrato verbal entre amigos”, explicou Bordoni. “O que existiu, de fato, foi um pagamento de caixa dois […] esperava ter sido pago com dinheiro limpo, não com dinheiro da contravenção, de caixa dois”, completou. Pelo depoimento do jornalista, foram pagos a ele R$ 120 mil mais R$ 40 mil de bônus pela vitória de Perillo na eleição.


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Tópicos do dia – 27/01/2012

09:44:35
Cuba com Dona Dilma atravessada na garganta.
Ótimo sinal para Dona Dilma. Os genocidas decrépitos, Fidel e Raul Castro, não engoliram o fato do Itamaraty, a mando da presidente brasileira, ter concedido, com urgência máxima, o visto diplomático para ingresso no Brasil da censuradíssima blogueira cubana Yoani Sánchez.
A paleolítica e mofada ditadura que inferniza o povo cubano há mais de 50 anos, pretende retaliar retardando o visto a alguns jornalistas brasileiros que acompanharão Dilma Rousseff na visita que fará, na próxima terça feira, 31 – pra fazer o quê? – ao “paraíso” da censura e do “paredon”.
Fico com a impressão que os carniceiros Castro querem que seja mínimo a permanência de jornalistas “bisbilhotando” a mazelas do ‘Éden’ caribenho.

12:34:58
Pizza no CNJ
Em reunião “secreta” na tarde desta quinta-feira (26), o Conselho Nacional de Justiça rejeitou o parecer do promotor Gilberto Valente Martins, integrante do CNJ, determinando o cancelamento de licitação que gerou contrato de R$ 68,6 milhões com o consórcio de empresas de informática CDS/NTC, ligadas à multinacional Oracle.

Segundo nota divulgada há pouco pelo CNJ, os membros do Conselho “declaram não ter dúvidas em relação à legalidade e/ou regularidade do processo licitatório”, que foi colocado sob suspeita desde que o diretor de Informática do CNJ, Declieux Dantas, foi demitido por discordar da compra, que considerou desnecessária. A licitação foi realizada e concluída em apenas nove dias, um recorde. O CNJ só não explicou por que, se tudo foi correto, os vencedores da licitação tentaram subornar jornalistas da rádio BandNews FM para cessarem as críticas ao negócio. O assédio foi gravado. A diretora-geral Helena Azuma também teria sido afastada do CNJ pelo mesmo motivo.

Um projeto da diretoria de Dantas para ampliar a base de dados do CNJ foi estimado em R$ 5 milhões, mas, com a licitação, acabou custando R$ 68,6 milhões. Quando esta coluna e a rádio BandNews FM começaram a divulgar informações questionando a licitação, um “consultor” procurou um repórter da emissora com proposta de suborno para calar as críticas, inclusive desta coluna. Após ser denunciado publicamente, Geraldo Tavares Jr, o “consultor”, foi desautorizado pelo escritório de advocacia e pela empresa NTC, vencedora da licitação.
Mas é pouco provável que a proposta obscena fosse apresentada sem que o portador estivesse autorizado.
Coluna Claudio Humberto


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Tópicos do dia – 08/01/2012

14:15:37
Poesia de Dilma
Li, não lembro onde, uma reflexão que dizia que as pessoas que gostam de poesia e passarinhos, não costumam ser más pessoas.
Ivan Junqueira, o imortal, recebeu dias atrás um cartãozinho manuscrito de Dilma, cheio de elogios a seu livro ‘Poesia reunida’. Escreveu a presidente:
— Meu caro Ivan, a vida, como você escreveu, é pior que a morte; acreditar nisso nos dá força para compartilhar cultura e construir um país melhor…” O Globo
Salve!

14:18:58
Viva Lygia!
O Concurso Internacional de Monografias sobre Literatura Brasileira, do Itamaraty, terá como tema, em 2012, pela primeira vez, a obra de uma mulher: a grande romancista e imortal Lygia Fagundes Telles, 88 anos.
Podem concorrer estrangeiros ou brasileiros que vivem no exterior. Nas três versões anteriores, os temas foram as obras de Machado de Assis, Lima Barreto e Graciliano Ramos.

14:52:25
Brasil e Petróleo
O Brasil foi responsável por mais de 15% das descobertas de petróleo feitas no mundo nos três primeiros trimestres de 2011, revelou relatório do serviço de informações de mercado Global Data.
De um total de 109, o país contribuiu com 19 novas áreas, 17 delas no pré-sal, onde a Petrobras opera a grande maioria dos campos.
O Globo

18:34:31
De novo? Banga Bang petista.
Um crime em Chapecó, SC, semelhante ao da morte do prefeito Celso Daniel, de Santo André, SP, em 2002, mobiliza o PT nacional.
O vereador petista Marcelino Chiarello foi morto dia 28 de novembro dentro de casa e, até hoje, o caso não foi elucidado. Uma vigília de protesto no bairro onde morava foi iniciada quarta, às 19h30m, e deve durar nove dias. O PT acionou Luiz Eduardo Greenhalgh, que também atuou no caso Celso Daniel. O Globo


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Chávez incomodado com críticas do Brasil na ONU

Crítica brasileira na ONU incomoda Venezuela

Após ressalvas à política de direitos humanos e à separação de poderes, Caracas estima que relação com Dilma será diferente da que havia com Lula

As críticas feitas pelo governo de Dilma Rousseff à situação dos direitos humanos na Venezuela causaram irritação em Caracas, mas foram recebidas com alívio por ativistas de direitos humanos.

Na sexta-feira, a Venezuela passou por um exame completo de sua política de direitos humanos na ONU.

Na sessão, o Brasil abandonou a posição de aliado incondicional e criticou a situação de jornalistas e a falta de independência do Poder Judiciário, alertando que essas questões são fundamentais para a garantia dos direitos dos cidadãos.

Fontes do gabinete do presidente Hugo Chávez disseram ao Estado que a crítica do Brasil, apesar de discreta, foi “muito mal recebida” na capital venezuelana.

Ontem, depois de revisar dezenas de recomendações feitas por diversos governos na ONU, Caracas deu uma resposta sobre as propostas que aceitará pôr em prática.

A Venezuela, porém, se recusou a assumir compromissos com a liberdade de imprensa e a independência do Judiciário, por terem partido de governos que não são considerados como “amigos”.

Caracas também não incluiu duas das quatro propostas feitas pelo Brasil, indicando apenas que “estudaria” as sugestões.

Uma das propostas que até agora não foram aceitas é a de criação de um Plano Nacional de Direitos Humanos, como recomendou o Brasil.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Outra proposta feita pelo Itamaraty que não teve apoio por enquanto foi a de abrir a Venezuela para que seja investigada por relatores da ONU.

Altos funcionários do governo de Caracas revelaram ao Estado que a decisão do Brasil de questionar na ONU a situação dos direitos humanos na Venezuela foi recebida pelo governo Chávez como um alerta de que a relação que mantinha com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se repetirá com Dilma.

É mesmo um novo governo.

Não será a mesma relação que tínhamos com Lula”, comentou o alto representante, sob a condição de anonimato.

Oficialmente, o vice-chanceler venezuelano, Temir Porras, evitou entrar em polêmica.

“Vamos estudar as propostas”, disse ao Estado.

Quem comemorou a posição do governo brasileiro foram os ativistas de direitos humanos.

“A grande surpresa foi a posição adotada pelo Brasil, que ousou romper a aliança que existe no continente para deixar claro que a Venezuela enfrenta problemas de direitos humanos”, afirmou.

Ramón Muñoz, diretor da Rede Internacional de ONGs de Direitos Humanos.

“Uma posição mais forte do Brasil será fundamental para o trabalho das ONGs da Venezuela”, disse Muñoz.

“Um alerta de Brasília pode ter uma repercussão real na política venezuelana.”

Durante sua resposta às propostas, Caracas indicou que não aceitará ingerência de nenhum país.

No total, as 13 propostas para fortalecer a proteção à liberdade de expressão foram rejeitadas.

Países como Canadá, Alemanha, Indonésia, Eslovênia e outros pediram que Chávez “tome medidas para proteger a liberdade de expressão e opinião”.

Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Collor e Sarney: que segredos temem?

Os segredos de Sarney e Collor
Mary Saidan¹/blog Noblat

Então está tudo certo.

Não passou de mais um mal entendido da série de incompreensões que insiste em perturbar os primeiros meses do governo Dilma Rousseff.

A presidente, que antes não queria, depois queria, e agora não quer de novo, enterrou de vez essa história de sigilo eterno para documentos ultrassecretos.

Livrou-se da indução hipnótica dos ex-presidentes José Sarney e Collor de Mello, que queriam porque queriam trancafiar segredos para todo o sempre.

Quem estalou os dedos e quebrou o encanto foi o Itamaraty.

Assegurou que o Paraguai não reivindicará territórios de volta, que não há conflitos passados que perturbem o Acre nem qualquer outra fronteira geográfica ou de amizade entre os países com os quais o Brasil se relaciona ou se relacionou desde o descobrimento.

Só resta saber por quais sigilos Sarney e Collor tanto se bateram.

Queriam esconder o que?

Como vão guardar em segredo absoluto suas motivações, permite-se liberdade plena para qualquer tipo de conclusão. E, a julgar pela folha corrida de ambos, nada indica ser boa coisa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Não vamos descobrir nunca.

Talvez as próximas gerações até consigam, caso o Senado não modifique a proposta da Câmara de abrir os documentos ao público em, no máximo, 50 anos.

Mas a realidade não se pode esconder.

Donos e herdeiros de clãs que dominam seus estados e dão cartas em outros tantos, Sarney e Collor fizeram glória e fortuna exatamente nos maiores paraísos de miséria do país.

Em todos os indicadores sociais, o Maranhão de José Sarney só ganha das Alagoas de Collor de Mello.

Os dois estados têm os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) – Maranhão, 0,683, e Alagoas, 0,677 – ; lideram os rankings de analfabetismo e de mortalidade infantil – Alagoas com 66 mortes por mil de crianças até um ano de vida e o Maranhão com 39 em mil -, e o de menor expectativa de vida.

Somam-se aí taxas pornográficas de saneamento: o Maranhão tem apenas 1,4% de esgoto tratado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico.

Ao querer manter debaixo do tapete atos de quando ocupavam o Palácio do Planalto – único motivo plausível para tanto empenho no sigilo eterno de documentos – Sarney e Collor, que, como se vê, não têm qualquer apreço pela população de seus estados, condenando-as à pobreza eterna, perpetuam-se como símbolos do que há de mais nocivo ao país.

E isso não é segredo.

¹ Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan