O ataque cibernético “incomumente agressivo” que a Microsoft acusa a China.

Por que não é apenas uma nova crise de segurança cibernética

Dezenas de milhares de usuários do Microsoft Exchange podem ser afetados.

Um poderoso hack no serviço de e-mail da Microsoft coloca dezenas de milhares de organizações em risco.

E a escala da filtragem só começa a ser dimensionada, segundo especialistas.

A Microsoft afirma ter “alto nível de confiança” de que por trás disso está um grupo de atacantes patrocinados pela China, algo que Pequim nega.

Na semana passada, quando o ataque foi lançado, pensava-se que ele havia sido limitado, mas depois foi relatado um aumento no uso dessas táticas, talvez porque outros hackers estejam se aproveitando de fraquezas do sistema que foram tornadas públicas. De acordo com Gordon Corera, Correspondente de segurança da BBC.

Joe Tidy, um jornalista de tecnologia da BBC, diz que embora muitos possam pensar nisso apenas como mais uma crise de segurança cibernética, na verdade é um hack “extremamente sério”.

Brian Krebs, especialista em segurança de computadores, classificou o ataque como “excepcionalmente agressivo”.

Como o primeiro tweet da história gerou um leilão de um milhão de dólares
A princípio, foi dito que cerca de 30.000 organizações nos Estados Unidos poderiam ter sido afetadas.

Agora, no entanto, estima-se que poderia haver cerca de 60.000 vítimas, de acordo com um relatório da agência Bloomberg citando uma fonte anônima do governo dos Estados Unidos.

Os especialistas consideram um ataque “extremamente sério”.

As vítimas já foram relatadas fora dos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira, a Autoridade Bancária Europeia confirmou que seus servidores de e-mail foram comprometidos devido a esse hack.

Entre os alvos do que a Microsoft considera um ataque podem estar governos locais, pequenas empresas e também grandes bancos.

O Microsoft Exchange é um serviço de e-mail amplamente utilizado por grandes empresas e governos, mas até agora poucas organizações admitiram ser as vítimas do ataque.

Como a falta de acesso aos componentes está sufocando a Huawei
No fim de semana, as autoridades americanas alertaram que a situação ainda representa uma “ameaça ativa”.

O que se sabe sobre o ataque?
Desde 2 de março, a Microsoft informou que seus sistemas estavam sob ataque.

O vazamento explora uma vulnerabilidade do Microsoft Exchange, ou roubo de senha, para se passar por alguém com acesso autorizado ao sistema.

Se você conseguir entrar dessa forma, o invasor poderá assumir o controle da conta de e-mail remotamente e roubar dados.

O vazamento pode permitir o acesso aos dados privados da vítima.

Acusações contra a China
A Microsoft apontou um grupo conhecido como Hafnium como responsável pelo ataque com o apoio do governo chinês.

A China negou as acusações.

Porta-vozes da Microsoft disseram que o Hafnium “visa principalmente entidades dos EUA”, roubando informações de organizações como “pesquisadores de doenças infecciosas, escritórios de advocacia, instituições educacionais, empresas de defesa, grupos de reflexão de políticas públicas e ONGs”.

A empresa de segurança cibernética Huntress, porém, afirma que 300 de seus parceiros que não atendem a esse perfil foram afetados.

Entre eles, ele menciona governos locais, centros de saúde, bancos e empresas de eletricidade, mas também outros “menos sexy” como uma sorveteria, pequenos hotéis e casas de repouso.

Fora dos Estados Unidos, a Autoridade Bancária Europeia relatou que havia sido infiltrada e que os invasores podem ter tido acesso a dados pessoais.

O que a Microsoft está fazendo?
A notícia do hack levou a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (Cisa) a publicar uma diretiva de emergência pedindo às agências e departamentos que tomem medidas urgentes.

Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, pediu aos Estados Unidos que baixem os patches de segurança o mais rápido possível.

Jake Sullivan, o consultor de segurança nacional da Casa Branca, também pediu aos proprietários desses sistemas que baixem os patches de segurança o mais rápido possível.

A Microsoft não confirmou o número de vítimas relatadas, mas diz que está trabalhando em estreita colaboração com o governo dos Estados Unidos.

Ele informou a seus usuários que a “melhor proteção” é “fazer atualizações o mais rápido possível em todos os sistemas afetados”.

Ele também disse que estava implementando algumas técnicas de mitigação projetadas para ajudar aqueles que não podem atualizar rapidamente, mas alertou que elas não são “uma solução se seus servidores Exchange já foram comprometidos, nem são uma proteção total contra ataques”.

A Microsoft afirma que o ataque não está de forma alguma relacionado ao ataque SolarWinds, que atingiu as agências governamentais dos Estados Unidos no ano passado.

Análise de Joe Tidy, jornalista de tecnologia da BBC
Um leitor desavisado será perdoado se considerar que esta é apenas mais uma crise de segurança cibernética.

Afinal, o governo dos EUA ainda está lidando com os ataques generalizados à SolarWinds que ocorreram em dezembro.

Mas o hack do Microsoft Exchange é extremamente sério por uma série de razões.

O ataque ao SolarWinds foi direto. Era sobre a Rússia roubando inteligência de segurança nacional dos EUA.

No caso do Microsoft Exchange, uma equipe de hackers chinesa chamada Hafnium é culpada, mas seus motivos são menos claros.

Algumas pequenas agências governamentais podem ser afetadas, mas as vítimas aqui são um grupo muito mais diversificado de organizações, de grandes bancos a pequenas empresas.

Além disso, o número de hackers aproveitando as novas técnicas desenvolvidas pela Hafnium parece estar se multiplicando.

Os ataques relatados são tão numerosos que já há indícios de que outros grupos, incluindo gangues cibercriminosas, também podem estar se envolvendo.

É um desastre.

 

Fatos & Fotos – 13/02/2021

Expectativa & Realidade


Bolsonaro gastou 9% da verba para vacina contra COVID-19. Para alguns, sério é debater a etimologia de “genocídio” o politicamente correto na filosofia! Por que falar do decreto miliciano das armas, né?


Quando você se sentir um idiota, lembre-se que tiveram pessoas que acreditaram que esses dois salvariam o Brasil da “corrupssaum”.


Auto Union Type D #4 – Com esse carro o piloto italiano Tazio Nuvolari ganhou o
GP da Itália em 1938.


É inacreditável! Isso é insuportável! Não bastassem as 700 toneladas de picanha e as milhares de garrafas de cerveja, agora – vocês sabem quem – compraram 140 mil quilos de bacalhau por até R$ 150 o quilo, quatro vezes mais que nos atacadistas.


O filósofo – é, vá lá que seja – Luis Felipe Pondé diz que Carnaval é uma festa fedorenta, suja, invasiva e destrói a cidade. A pobreza de ideias desse “sujeitin” se esconde no excesso de adjetivos que usa pra qualquer discussão. Décadas de academia não acrescentam nada a gente medíocre, que raciocina com o fígado


Parte da elite (política e econômica) brasileira arrisca uma séria deterioração democrática, social e ambiental do país por interesses em uma agenda econômica que já deveria ter ficado claro que o governo de Bolsonaro não tem como realizar


Brasil com pandemia totalmente descontrolada. Incompetência. Muita incompetência. Muitas mortes poderiam ser evitadas. Falta liderança, falta conhecimento e falta capacidade de execução de um plano de controle da pandemia.
O apedeuta – o que tem uma ignorância profunda – à cada dia cava mais o buraco para arrastar o país para baixo.


Shamsia Hassani

A artista urbana afegã tem popularizado sua arte nas ruas de Kabul. Ela mostra em suas ilustrações a realidade das guerras no local em que vive.
Este grafiti com fundo de cores escuras e terrosas, com desenhos de prédios com aparência conturbada. À frente uma mulher com vestimentas pretas e um círculo vermelho sobre o peito esquerdo. O seu rosto está coberto por um tecido delicado azul que deixa um espaço para seus olhos.


Não há dúvidas: nova variante pode reinfectar quem já teve COVID, e vacina protege melhor que a imunidade natural. Precisamos vacinar o maior número possível de pessoas, o mais rapidamente possível. Vacinação a conta-gotas não vai ter o impacto que é necessário.


Steampunk XXXIII

O movimento steampunk, misto de ficção científica e arte, foi adotado por artistas no anos 80 e, para alguns, a partir da “atmosfera” do magnífico “Blade Runner”.
Muito dos objetos desembocaram em peças que adornaram filmes como Mad Max e, mais sofisticadamente elaborados, na série Guerra nas Estrelas.
Quem quiser conhecer melhor o movimento “steampunk” há uma matéria no Boston Globe, que disserta sobre o movimento.
Como obra de arte o movimento steampunk faz uma especulação sobre o que aconteceria se a tecnologia da informação tivesse surgido no século XIX e, em vez da #eletrônica, usasse o #vapor.



Foto do dia – Flickr


“Em primeiro lugar, devemos deixar de praticar as pequenas corrupções do nosso dia a dia, que acabam gerando uma tolerância com a grande corrupção”. Deltan Dallagnol, membro do MPF, que recebe salários acima do teto constitucional e compra imóveis do programa MCMV para revender.



Engraçado né? A Lava Jato do Moro acabar justamente quando as investigações estavam batendo à porta dos tucanos. Contra a corrupção? Nunca foram.


A operação Lava a Jato fez o que fez com o patrocínio financeiro de quem se beneficiaria com a entrega de nossas riquezas… o ex-juiz de Curitiba foi motivado por promessas de favorecimento pessoal… não é um problema moral… é o sistema que precisa ser superado..


O México se tornou o país com a maior taxa de mortalidade por Covid-19 no mundo. A população está aflita atrás de vacinas – muitos caem em golpes ao comprar vacinas falsas pela internet.


Da série:”só dói quando eu rio”.


Doria quis fazer propaganda levando Padre Julio pra vacinar ao vivo e ele na hora da vacina, sacou o cartão de vacina. Ele recebeu a vacina na São Martinho, junto com os irmãos de rua. Longe dos holofotes.


Dante Gabriel Rossetti,Water Willow, 1871
Oil on canvas glued onto wood panel
33.0 x 26.7 cm


Destaques do mentirômetro da semana do hospício: Mesmo não tendo vacina, Pazuello garantiu ao Senado vacinar metade da população até o final do semestre. Já o procurador O. Martelo justificou os diálogos da Lava Jato como conversas de botequim. Mentira. Eram de trabalho.


Lucien Victor Guirand de #Scevola,
um pintor #simbolista genial
“The-white-dress”

Na primeira hora a “acusação”‘ controlava o “juiz”, na outra hora o “juiz” controlava a “acusação”. Não cursei essa disciplina nas Faculdade de Direito do “Não Faça Isso Jamais”? mesmo.



Maurice de Vlaminck
“Landscape near Martigues”, 1913
Oil on canvas, 65.1 x 81.9 cm. Tate, London, UK

Tecnologia,Economia,Amazon,Internet,Brasil,Blog do Mesquita

Como a tecnologia impactará sua vida em 2021, de acordo a Amazon

Dr. Werner Vogels, Vice-Presidente e Diretor de Tecnologia da Amazon.com (MARK RALSTON/AFP/Getty Images)

2020 foi um ano diferente de qualquer outro. Tanto empresas grandes e pequenas, quanto governos novos e antigos, tiveram de mudar completamente o que fazem e como funcionam. E a tecnologia nos ajudou a gerenciar essa transformação drástica. Seja com o Zoom virando nossa sala de reuniões de negócios (e nosso barzinho) ou o Netflix assumindo o papel de cinema, nós usamos a tecnologia para ajudar a alimentar nossa família, ensinar nossos filhos, trabalhar com nossos colegas e até conseguir um pouco de diversão após passarmos mais um dia em casa. Em vez de causar uma desaceleração, 2020 impulsionou nossa transição para um mundo digital, e imagino que não voltaremos tão cedo a como éramos antes. Na minha opinião, 2021 será o ponto de partida para todos os tipos de mudança graças a essa aceleração, e aqui estão algumas áreas que serão pioneiras nisso.

A nuvem será onipresente
A época em que todos os recursos da nuvem ficavam centralizados em data center está começando a sumir. Hoje já é possível encontrar aplicações de cloud que ajudam a potencializar o desempenho de navios, aeronaves, carros e casas. O acesso à computação e ao armazenamento da nuvem está passando de data centers robustos e chegando em comunidades rurais, áreas remotas e até órbitas próximas à Terra. Na prática, a nuvem está chegando em todos os lugares.

Hoje em dia, os avanços possibilitam colocar as tecnologias de nuvem mais próximas do que nunca dos clientes do mundo inteiro. Conforme vemos a expansão das redes 5G, as operadoras começam a implementar zonas de comprimento de onda para que o tráfego das aplicações dos dispositivos 5G possa aproveitar ao máximo a latência baixa e a largura de banda alta dessas redes modernas. Quando as conexões rápidas com a nuvem são expandidas para os pontos mais distantes da rede, muitas coisas boas podem acontecer.

Ao remover a latência e executar mais processamento no dispositivo localizado na extremidade da rede (ou edge), estamos começando a superar a única limitação que ainda afeta todas as tecnologias na Terra: a velocidade da luz. Operações que exigem uma latência muito baixa, incluindo carros autônomos, processamento de linguagem natural e o gerenciamento ativo de infraestruturas vitais, já não precisam depender de um deslocamento das informações dos confins do planeta para um servidor central. Agora, é possível executar as tarefas onde os resultados são mais necessários. E sabe qual é o efeito disso? Carros autônomos viram realidade; fábricas, casas e escritórios ficam cada vez mais eficientes e resilientes; e quem gosta de jogar videogame poderá contar com uma representação fiel da obra, onde quer que esteja.

Conforme a nuvem expande de locais centralizados para os ambientes em que moramos e trabalhamos, veremos cada vez mais o software executado na nuvem rodando perto de você, o que levará a melhorias em todos os aspectos da vida, incluindo nas áreas de saúde, transporte, entretenimento, fabricação e muito mais. Em 2021, essa transição para o edge do sistema será acelerada.

A internet do machine learning
Estamos passando por uma explosão de dados. Hoje em dia, geramos mais dados em uma hora do que durante todo o ano de 2000, e mais dados serão criados nos próximos três anos do que nos últimos 30 anos. Em 2020, vimos os sinais dessa curva crescente conforme pesquisadores, farmacêuticas, governos e instituições de saúde direcionaram recursos para o desenvolvimento de vacinas, novos tratamentos e outras formas de ajudar o mundo a permanecer saudável durante a pandemia. Esses esforços demandaram a geração e o processamento de grandes quantidades de dados. Seja na área da saúde ou em outras aplicações, a única maneira realista de lidar com todas as informações que estamos gerando é usar ferramentas de processamento e agregação junto com modelos de machine learning (ML) que nos ajudem a compreendê-las. Não é à toa que o machine learning se popularizou em 2020.

Historicamente, o ML sempre foi uma carga de trabalho pesada em termos computacionais, e não era possível executá-la em qualquer lugar, exceto nos hardwares mais potentes. Conforme conseguirmos avanços nos softwares e no silício, isso começará a mudar. E, por estarmos chegando mais perto das bordas, o que veremos no próximo ano é uma aceleração da adoção dos modelos de ML em todos os setores e governos. Na manufatura, será incorporado às linhas de produção, conseguindo detectar anomalias em tempo real, e na agricultura, modelos ajudarão a gerenciar de forma mais inteligente recursos valiosos, como o solo e a água.

Também veremos uma explosão das conexões entre máquinas (M2M). Em 2018, segundo o relatório anual de internet da Cisco, apenas 33% das conexões existentes na internet eram do tipo M2M. Se você tiver um assistente de voz, contar com qualquer dispositivo doméstico inteligente ou estiver acompanhando a evolução rápida dos carros e caminhões, já imagina o que vem por aí: uma proliferação de sensores e dispositivos conectados à nuvem e também uns aos outros. Em 2021, as conexões M2M devem atingir 50% de todas as conexões.
Fonte:Exame

A uberização da vida

Quando há mais ou menos dez anos o Vale do Silício começou a oferecer aplicativos de geolocalização, ninguém sabia bem para que serviria aquilo.

E, como aconteceu com outras tecnologias, o uso inicial foi pífio. No primeiro momento, alguns poucos usuários registravam a chegada em bares e restaurantes que frequentavam e até a Google chegou a fracassar com o Latitude, uma rede social cujo status era a posição do usuário no globo. Quase uma década mais tarde, 2018 chega ao fim marcado pelo uso de aplicativos de geolocalização cujo melhor exemplo é o Uber. O sistema de transporte, hoje com 20% de capital da Arábia Saudita, virou paradigma para a desregulamentação, ou o que está sendo classificado por diferentes autores de “uberização”.

Minha implicância com os aplicativos de transporte privado vem da percepção de que os veículos aumentaram a quantidade de carros nas ruas, desmontando qualquer possibilidade de política urbana de mobilidade, substituída por uma barafunda de automóveis guiados por pessoas que, por não conhecerem o lugar em que trafegam, seguem o aplicativo de geolocalização sem terem ideia do que estão fazendo. A tecnologia pode ser muito útil, por exemplo, quando é usada para geolocalizar o transporte coletivo e oferecer ao usuário a possibilidade de saber onde está o ônibus em que pretende embarcar, como faz o Moovit e outros apps de transporte coletivo, exemplo que prova de que a tecnologia não é em si boa ou ruim, depende de a serviço de quem está operando.

No caso específico do Uber, a tecnologia está operando a favor da precarização do trabalho. No Brasil, seja pelas altas taxas de desemprego, seja pela possibilidade de complementação de renda – há muitos motoristas de aplicativos que fazem apenas viagens de ida e volta ao local de trabalho –, ou pela simples suposição de oferta de liberdade, maior dos paradoxos da geolocalização. Se até um certo momento a internet oferecia a seu usuário a possibilidade de não estar em lugar nenhum – fazendo da presença virtual quase uma experiência de desmaterialização –, hoje quase tudo na rede funciona exatamente ao contrário, justamente a partir da localização.

Se é verdade que 2018 intensificou a “uberização” da vida, talvez seja verdade também que o ano começou há uma década, mais precisamente em outubro de 2008, momento da crise do mercado financeiro norte-americano, cujos desdobramentos se vê nas insurgência das ruas de Paris ou nos resultados das diferentes eleições que levaram a extrema-direita a ocupar o lugar de “antissistema”, como tão bem analisa o filósofo Marcos Nobre na revista piauí.

A mim interessa pensar a oposição entre sistema e antissistema não a partir do sistema político, como faz Nobre, mas tomando o termo “sistema” com a sua designação mais abrangente e, por isso mesmo, capaz de nos ajudar a pensar mudanças cotidianas sutis que certos “sistemas” nos trouxeram. O Whatsapp, por exemplo, surgiu como forma de burlar as altas tarifas cobradas pelas operadoras por mensagens de texto. Justo por serem caras, eram usadas de forma contida, apenas para pequenos avisos. Hoje, mesmo que cada assinante de telefonia celular tenha direito a trocas de SMS gratuitos, o sistema entrou em completa decadência ou foi dominado pelo mundo do spam.

Aos poucos, e em 2018 mais do que nunca, passamos a mediar afetos e a gerir a vida cotidiana a partir do aplicativo. Era para ser antissistema – operadoras de telefonia e suas tarifas – e em muito pouco tempo virou o grande sistema. A torção faz com que a ideia de ser antissistema seja difundida como forma de impulsionar o sistema e permitir a sua existência. Combinamos geolocalização com uberização – só possível graças ao funcionamento de sistemas muito complexos – e com a estranha difusão da ideia de que a cada adesão a um novo sistema estamos agindo contra um sistema.

No exemplo do Uber nas ruas do Rio, cada motorista está de fato agindo contra uma forma de concessão pública de autonomia para taxistas que se transformou em feudo político para prefeitos e deputados federais. Prevalece a lógica de que vale tudo contra um inimigo poderoso. É no mínimo curioso que hoje, pelo menos no Rio, a melhor forma de se locomover em veículo privado voltou a ser o táxi que, via aplicativo da prefeitura, oferece descontos, não cobra preço dinâmico, dispensa a geolocalização porque conhece o trajeto e ainda pode transitar nas faixas exclusivas. Com alguma sorte, nos próximos anos, vamos poder dizer o mesmo dos partidos de esquerda, a serem reabilitados no gosto popular pelos atuais estragos da uberização da vida.

Por Carla Rodrigues

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Megavazamento de 223 milhões de CPFs será investigado em inquérito da recém-criada agência de proteção de dados

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informou que abriu um inquérito para investigar a veracidade, origem e forma que aconteceu o megavazamento que expôs dados pessoais e financeiros de 223 milhões de brasileiros ―muitos deles já mortos. O caso é a primeira prova de fogo da ANPD, recém-criada a partir da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em agosto do ano passado. O megavazamento tornado público na semana passada pela empresa de segurança digital PSafe pode ser o maior na história do país e um dos maiores do mundo.

“A ANPD está apurando tecnicamente informações sobre o caso e atuará de maneira cooperativa com os órgãos de investigação competentes para apurar a origem; a forma em que se deu o possível vazamento; as medidas de contenção e de mitigação adotadas em um plano de contingência; as possíveis consequências e os danos causados pela violação”

“Concluída esta etapa, a ANPD sugerirá as medidas cabíveis, previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para promover, com os demais órgãos competentes, a responsabilização e a punição dos envolvidos”, conclui.

Segundo Rafael Zanatta, advogado e diretor da Associação Data Privacy Brasil, que estuda a privacidade dos dados no país, a LGPD lida com casos como esse de uma perspectiva administrativa e não criminal. “Não há tipos penais ou crime envolvido, mas há uma violação de direitos”, afirma. “Para o responsável pelas informações que foram vazadas, abre-se a possibilidade de sanções como advertência, multas e, em casos, graves, de suspensão das atividades de tratamento de dados”, diz. De acordo com o advogado, o Código de Defesa do Consumidor prevê crimes contra a ordem econômica, mas foi criado nos anos 1990 e não foi desenhado para lidar com incidentes de segurança como esse. Ele afirma que em tese é possível uma colaboração da ANPD com outros órgãos como Polícia Federal e Ministério Público que queiram identificar o autor do vazamento de dados, mas que não lhe parece um bom caminho em termos de funções institucionais. Para ele, a ANPD tem uma missão e outros órgãos que queiram entrar no caso, outra.

Nesta quinta-feira, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) cobrou a abertura de investigação do megavazamento por parte da ANPD. Para a OAB, o vazamento “submete praticamente toda a população brasileira a um cenário de grave risco pessoal e irreparável violação à privacidade e precisa ser investigado a fundo pelas autoridades competentes”, em particular a ANPD. A OAB também ressalta que “ao tempo em que a lei estabelece aos agentes de tratamento o dever de zelar pela proteção dos dados pessoais, também lhes impõe a responsabilização decorrente do tratamento irregular e do dano causado ao cidadão titular dos dados”.

A lista com milhões de nomes completos, CPFs e datas de nascimento —de pessoas vivas e mortas— estava disponível para download gratuito a partir de um fórum de discussão na deep web – cópias do arquivo original foram feitas e podiam ser encontradas por qualquer um a partir de buscadores de internet. Em troca de bitcoins, o perfil anônimo responsável pelo vazamento dizia ser possível obter ainda retratos, endereço, telefone, declaração do Imposto de Renda, listas de familiares, renda mensal, score de crédito e muito mais dos alvos em questão. Na terça-feira, após a repercussão do caso, o material foi retirado do ar no fórum de livre acesso com qualquer navegador, mas continua em negociação na deep web.

Na lista há dados de gente famosa e autoridades públicas. De acordo com a PSafe, cibercriminosos também tiveram acesso a informações detalhadas sobre mais de 104 milhões de veículos e dados sigilosos de 40 milhões de empresas. O hacker que colocou os dados na internet diz que roubou a base da Serasa/Experian, mas a empresa nega.

China lança investigação anti-monopólio no Alibaba

A investigação surge logo após um IPO no Ant Group, uma subsidiária do Alibaba, ser interrompido por Pequim. A China disse que está reprimindo empresas que podem considerar monopólios.

Órgãos de controle chineses anunciaram na quinta-feira que estavam iniciando uma investigação antimonopólio no gigante do comércio eletrônico Alibaba.

A Administração Estatal de Regulação do Mercado disse em um comunicado que estava investigando o Alibaba por “suspeitas de práticas monopolistas”. O órgão regulador do mercado disse que estava examinando especialmente a política do Alibaba de “escolher um entre dois”, que exige que os parceiros de negócios evitem trabalhar com concorrentes.

Os reguladores acrescentaram que também manterão conversas de “supervisão e orientação” com a subsidiária de serviços financeiros do Alibaba, Ant Group, poucas semanas depois de seu IPO recorde ter sido interrompido por Pequim.

O Ant Group divulgou um comunicado dizendo que iria “estudar diligentemente e cumprir estritamente as solicitações dos departamentos reguladores”.

As ações do Alibaba caíram 8% no comércio de Hong Kong após o anúncio.

Gigantes se expandem

Os líderes chineses disseram anteriormente que reforçariam sua aplicação antimonopólio. Eles estavam especialmente preocupados com o Alibaba e outras grandes empresas de internet que estão se expandindo para finanças e saúde.

O Ant Group tornou-se massivo graças ao seu produto principal, Alipay, uma plataforma de pagamentos online que se consolidou na economia chinesa. Ela se expandiu oferecendo empréstimos, crédito, investimentos e seguros para centenas de milhões de pessoas e pequenas empresas.

A mídia estatal também pediu uma supervisão mais rígida. O jornal estatal People’s Daily divulgou um comentário na quinta-feira, dizendo: “Esta é uma medida importante para o nosso país fortalecer a supervisão antimonopólio no setor da Internet, o que conduz a … promover o desenvolvimento de longo prazo e saudável da economia de plataforma.”

Jack Ma, founder of Alibaba, has previously expressed his frustration at China’s financial systems before

Jack Ma, Alibaba founder and China’s richest man, previously showed his frustration with China’s financial system. Ma called state-owned banks “pawn shops” in an October speech that led him to be summoned for regulatory talks just before Ant Group’s IPO was suspended.

Os desafios e potenciais da educação à distância, adotada às pressas em meio à quarentena

“Alunos: ‘Tia, mandei uma mensagem no chat’. ‘Tia, tem gente com áudio e vídeo ligados’. ‘Tia, qual é a página mesmo?’. Um minuto depois. ‘Tia, cheguei agora, qual é a página mesmo?’. ‘Tia, não vou responder não’. ‘Tia, tem de ser o que está escrito aqui embaixo?’. ‘Tia, I´m over’.

Tia: Cheguei, gente. Demorou porque não tava conseguindo entrar.”

Esses foram os dez primeiros minutos da aula remota de inglês de Vicente, 9, aluno de uma escola particular no Espírito Santo, narrados por seu pai Fabio Malini no Facebook. Sobrariam 15 minutos para fazer a atividade de leitura em si, e outros dez minutos para o encerramento da aula:

“Aluno: Ai, tia, às vezes você está ficando verde no vídeo. A imagem fica estranha.’

Tia: ‘Ai, tô virando Hulk. KKKKK Gente, a (aluna). voltou. Você está aí? Vamos corrigir o exercício, então…

Aluno: ‘Posso falar no lugar de A., tia?’

Tia: ‘Espera aí um pouquinho’.

Aluno: ‘Deixa eu, tia.’

Tia: ‘Eu, quem?’

Aluno: ‘Eu. J’.

Tia: ‘Tá bom. Então, o resultado das palavras circuladas é isso. Gente, nossa aula acabou!'”

As circunstâncias um pouco caóticas e improvisadas talvez soem familiares para muitos pais e filhos diante das primeiras tentativas de aulas online de suas escolas. O mesmo vale para professores, muitos dos quais estão pela primeira vez se aventurando no ensino à distância ou online, e conciliando isso com o cuidado de seus próprios filhos em casa.

Não são poucas as famílias do mundo vivendo circunstâncias parecidas em meio à pandemia do novo coronavírus. Segundo a Unesco (braço da ONU para educação), até 25 de março, 165 países haviam fechado suas escolas por causa da pandemia, interrompendo as aulas presenciais de 1,5 bilhão de estudantes e mudando a rotina de 63 milhões de professores de educação básica.

Unesco estima que 1,5 bilhão de crianças estejam sem aulas regulares em escolas; acima, menina estudando em casa na Eslováquia
CRÉDITO,AFP

Não há nenhum precedente para isso na história.

No Brasil, as respostas para a situação têm sido diversificadas, a depender de cada rede ou escola. Algumas anteciparam as férias e se preparam para estruturar ensino à distância caso a quarentena se estenda, que é o mais provável; outras já estão, em diferentes graus e com diferentes métodos, produzindo conteúdo e enviando tarefas e aulas para os alunos fazerem de casa.

Na rede pública, Estados e municípios preparam aulas virtuais ou via transmissões de televisão aberta, às vezes complementadas por material enviado às casas dos alunos pelo correio ou transporte escolar. Alguns montam grupos de WhatsApp com alunos e professores, trocando vídeos e áudios com atividades.

Na quinta-feira (16), o governo de São Paulo afirmou que o período letivo para os 3,5 milhões de jovens matriculados na rede estadual paulista recomeça em 27 de abril, com aulas ao vivo e vídeoaulas, mesmo para estudantes que não tenham 4G em casa ou no celular.

Experiência no ensino superior

Até agora o Brasil só tinha a experiência de ensino à distância (ou EaD) na educação superior. E, embora as perspectivas sejam de crescimento nesse setor – no qual predominam as instituições privadas de ensino -, os resultados até agora não são todos satisfatórios.

Segundo o mais recente Censo da Educação Superior, feito pelo Inep (órgão do Ministério da Educação), em 2018, pela primeira vez na história, o número de vagas ofertadas em cursos universitários à distância (7,1 milhões) foi maior do que o número de vagas em cursos presenciais (6,3 milhões).

Mas o que espanta é a ainda baixa quantidade de estudantes que conseguem se formar. Em 2018, o Brasil teve 990 mil formandos universitários no ensino presencial, menos da metade da quantidade (2 milhões) de alunos que se matricularam em universidades presenciais naquele mesmo ano.

Jovens da Costa do Marfim tendo aulas pela televisão, que está sendo usada por redes estaduais e municipais do Brasil para chegar aos alunos
CRÉDITO,AFP

No ensino à distância, isso cai para um quinto: houve apenas 274 mil alunos formandos, em comparação com os 1,3 milhão que se matricularam no mesmo ano.

“Muita gente se matricula achando que o curso à distância vai ser mais fácil, porque o professor não vai estar lá todos os dias”, diz à BBC News Brasil Fredric Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação à Distância (Abed) e professor emérito da USP.

“Quando na verdade é mais difícil, porque depende da motivação e da maturidade do aluno” em se dedicar o suficiente aos estudos sem a presença física dos docentes, agrega.

Do lado das instituições de ensino, o avanço da EaD foi uma forma de ganhar escala e baratear os cursos, deixando-os mais acessíveis a alunos distantes ou de baixa renda. O problema, diz Litto, é que “uma boa porcentagem das escolas fez isso para baratear (o ensino) e ganhar mais dinheiro, demitindo, por exemplo, o corpo docente com doutorado, que é mais caro de manter. É bom fugir desse tipo de instituição, porque ela provavelmente não vai investir no enriquecimento de seus cursos e materiais e não vai além (do básico).”

Dito isso, Litto acha que o momento atual, que força alunos e professores a ficarem em casa, pode oferecer boas oportunidades para enriquecer o ensino básico com ferramentas de qualidade da educação à distância.

Jovem estudando em casa em Burkina Faso
CRÉDITO,AFP

Como transpor o universo do ensino à distância para a educação básica, período em que a presença física faz enorme diferença no processo de aprendizagem?

‘Melhor lugar para criança é na escola’
Mas, antes, como transpor o universo do ensino à distância para a educação básica, período em que a presença física, o relacionamento com colegas e a proximidade com os professores fazem enorme diferença no processo de aprendizagem?

“Naturalmente, o melhor lugar para a criança é na escola. Não vamos agora ter soluções (que seriam ideais) para os tempos normais, mas vamos poder aprender para aperfeiçoar a educação quando voltarmos aos tempos normais”, diz à BBC News Brasil Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (Ceipe-FGV), que está assessorando redes estaduais e municipais a se adaptarem às circunstâncias atuais.

Soma-se a isso o fato de que, no Brasil, a qualidade da escola costuma ter o papel de redução – ou, em situações negativas, de aprofundamento – das desigualdades sociais.

Por isso, especialistas em educação temem que estudantes de redes ou escolas menos estruturadas, particularmente em regiões carentes, acabem ficando para trás ou perdendo motivação em estudar e, futuramente, em retomar as aulas presenciais.

“No pior dos cenários, se a escola não tiver estrutura (de criar uma aula online), precisa pelo menos mandar tarefas para o aluno fazer em casa, para não desaquecer o processo de aprendizagem”, opina Costin.

“Neste momento, a única certeza é de que temos de fazer algo para que não aumentem as desigualdades educacionais. Porque muitas escolas particulares estão mandando suas atividades, e nelas estão as famílias com mais letramento” – e, portanto, em teoria com mais facilidade em manter os filhos estimulados no processo de aprendizagem.

Família em Santo André fazendo educação à distância com as filhas
CRÉDITO,REUTERS

Conselho Nacional de Educação prepara diretrizes para escolas

Incertezas das escolas

Por conta da pandemia, o Ministério da Educação permitiu que as escolas não cumpram os 200 dias letivos previstos em lei, desde que mantenham as 800 horas de aula obrigatórias para a educação básica.

Mas como encaixar as horas em um período letivo menor? Todas as aulas online durante a quarentena contarão como dia letivo? Como exigir o mesmo aprendizado de crianças que tenham diferentes condições (de tablets e acesso à internet a escrivaninhas, por exemplo) dentro de casa? Como avaliar, na volta às aulas, o que foi ensinado virtualmente?

Essas perguntas, por enquanto, permanecem sem uma resposta definitiva. O Conselho Nacional de Educação (CNE, órgão independente ligado ao MEC) está preparando uma resolução com orientações às escolas para lidar com esses desafios.

“A grande dificuldade no Brasil, assim como nos demais países, é a situação imprevisível em uma área que não tem tradicionalmente a cultura do digital, do trabalho remoto ou da educação à distância. Isso é novo e complexo para quem trabalha com educação básica nas escolas públicas e particulares”, afirmou Maria Helena Guimarães de Castro, conselheira do CNE, em um seminário virtual realizado em 8 de abril pelo conselho, pela organização Todos Pela Educação e pelo Banco Mundial, para discutir a nova realidade do ensino.

A Unesco, por sua vez, fez um chamado para que instituições educacionais públicas e privadas de todo o mundo sigam uma lista de recomendações em meio à pandemia:

1) preservem empregos e salários dos funcionários, dizendo que “a crise não pode ser um pretexto para baixar os padrões e desmerecer direitos trabalhistas”;

2) priorizem a saúde e o bem-estar de professores e alunos, em meio ao estresse e à crescente exposição da população global ao coronavírus;

3) deem voz aos professores no processo de planejamento das respostas educacionais, além de oferecer-lhes treinamento adequado para lidar com as circunstâncias;

Menina estudando em casa na França
CRÉDITO,AFP

“A grande dificuldade no Brasil, assim como nos demais países, é a situação imprevisível em uma área que não tem tradicionalmente a cultura do digital, do trabalho remoto ou da educação à distância”

4) coloquem a igualdade no centro dos debates. “Soluções tecnológicas que assegurem a continuidade do ensino frequentemente exacerbam as desigualdades”, afirma documento da Força-Tarefa Internacional de Professores pela Educação, da Unesco. “Educação à remota e virtual só são eficientes para professores, estudantes e famílias com eletricidade adequada, conexão à internet, computadores e tablets, e espaço físico para trabalhar.”

Para alguns dos especialistas ouvidos, diante das deficiências educacionais acumuladas pelo Brasil até mesmo em condições normais e da possibilidade de que não seja possível transmitir todo o conteúdo esperado no modelo virtual, será preciso fazer preparos extras para que a volta às aulas presenciais compense as defasagens.

Isso não significa, porém, que não dê para fazer muito pelos alunos neste momento. A percepção dos educadores ouvidos pela reportagem é de que não apenas é possível ensinar habilidades e conteúdos, como tirar lições que podem melhorar a educação presencial no futuro.

‘Não é só transformar a aula presencial em online’

Para Fredric Litto, da Abed, um erro comum é achar que basta gravar a aula do professor e transmiti-la online para fazer os alunos aprenderem.

“O aluno provavelmente vai ouvir dez minutos e desligar. Não dá para repetir (virtualmente) o ambiente da sala de aula presencial. Tem que fazer algo diferente, e esse ‘diferente’ pode ser enriquecedor e eficaz se for bem feito. O sucesso da aula presencial depende muito da inspiração do professor naquele dia, e a vantagem da boa aula remota é que isso não acontece, se tiver uma equipe por trás, pensando no conteúdo, no audiovisual, na avaliação a ser feita daquilo depois”, afirma.

O curioso é que Litto tem ouvido da filha, que mora na região altamente informatizada do Vale do Silício, na Califórnia, que seu neto de 14 anos está enfrentando desafios semelhantes aos de alunos brasileiros neste momento.

“Nem lá eles estavam preparados”, relata.

Para as escolas e professores que pela primeira vez estão tendo de trabalhar plenamente em ambientes virtuais, Litto sugere pensar em formas de enriquecer o aprendizado com conteúdos interativos e disponíveis para qualquer um que tenha acesso à internet.

“Um professor pode, por exemplo, propor uma atividade com base em uma visita virtual (dos museus) Louvre e Hermitage. Ou com base em arquivos históricos online, filmes de animação, etc. A vantagem é que um aluno do interior (com conexão à internet) pode ter acesso à equipamentos online da USP, mesmo estando longe.”

Menina de 5 anos com seus livros escolares e de literatura em Santo André (SP), em meio à quarentena
CRÉDITO,REUTERS

Preparar volta às aulas presenciais preocupa especialistas

“O ideal é não só depositar conteúdo e arquivos PDF para as crianças lerem, mas sim estimular pesquisas e pensar em temáticas criativas” para engajar os alunos, sugere Helena Faro, especialista de educação integral do Instituto Ayrton Senna.

“Uma ideia é estimular as crianças a transformar as situações vividas em casa em histórias em quadrinhos, a partir dos relatos deles próprios. As escolas estão sendo convidadas a pensar em outros tipos de estratégia e projetos que motivem os estudantes a usar o celular para algo além da diversão e das redes sociais”, diz ela.

E para as crianças pequenas, ainda incapazes de se concentrar por muito tempo em uma atividade virtual – e para quem o ensino presencial faz uma diferença ainda maior?

“Tenho visto algumas redes fazerem trabalhos colaborativos interessantes nessa fase, por exemplo, mandando um vídeo do professor pedindo aos alunos pequenos que contem o que gostam de comer ou de fazer. Depois o professor junta as respostas e todos conversam a respeito em uma live de Facebook”, conta Faro.

Na educação infantil, Claudia Costin diz que alguns professores têm usado grupos de WhatsApp para passar orientações aos pais de como realizar atividades com as crianças e bebês. “Depois, uma vez por semana esse professor manda um vídeo individualizado para cada aluno, para manter o contato afetivo entre eles.”

Ir além de conteúdo – e ensinar habilidades

E, se está difícil transpor o ensino de alguns conteúdos para o modelo virtual, o atual momento desafiador – de pandemia e confinamento – pode ajudar a ensinar habilidades importantes às crianças, desde a concentração nos estudos até a autonomia e o hábito de leitura.

Um bom começo, diz Helena Faro, é o letramento emocional, algo que é difícil até mesmo para adultos: aprender a reconhecer e nomear os próprios sentimentos – que, no momento, podem ser tédio, medo e insegurança.

Além disso, “uma habilidade importante atualmente é a de resolução colaborativa de problemas com criatividade. Então as famílias podem envolver as crianças no processo decisório de seu cotidiano, organizando um quadro de tarefas domésticas e estimulando-as a arrumar sua cama e cozinhar”, sugere Costin.

“É também o momento de fortalecer o vínculo familiar, contando histórias de família e lendo para as crianças. Sugiro reservar 20 minutos para que cada um leia um livro, todos juntos, e saia das telas, para lembrar que a leitura é um hábito de lazer.”

Costin sugere, também, “baixar as expectativas”, porque recriar o ambiente de aprendizado da escola em casa vai ser mesmo muito difícil. “O importante é as crianças lembrarem deste período como um de convivência familiar, mais do que um de estresse.”

‘Não vai ser igual volta das férias’
Isso nos leva aos preparativos para a volta às aulas, período que também desperta preocupação em observadores da educação.

“As crianças não vão voltar às aulas como se tivessem voltado das férias”, afirmou no seminário de 8 de abril Priscila Cruz, presidente do Todos Pela Educação. “Muitas vão voltar com marcas do estresse, porque suas famílias terão perdido renda ou terão perdido pessoas queridas durante a pandemia.”

Outras crianças talvez desistam da escola, desmotivadas dos estudos ou forçadas a trabalhar para contribuir para o orçamento doméstico. Assim, muitas escolas terão de se organizar para buscar novamente esses alunos e encontrar formas de manter as turmas engajadas nesse intervalo. Até quando, ninguém sabe por enquanto.

Nesse cenário complexo, opinou Cruz, é primordial “não deixemos que este seja um ano letivo de faz de conta. Porque o prejuízo disso ao país será gigantesco”.

A pré-história da internet – e a palavra bíblica que deu seu pontapé inicial


O Pentágono nos anos 60; a partir dali, nasceu a rede precursora da internet

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Na década de 1960, Bob Taylor, um engenheiro que já havia estudado psicologia, trabalhava no Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA na capital, Washington DC.

Ele ficava no terceiro andar, perto do secretário de Defesa e do chefe de uma agência fundada em 1958 como parte desse setor: a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Darpa, na sigla em inglês).

Estava agência tinha entrado inicialmente na corrida espacial, mas a Nasa, criada alguns meses depois, a eclipsou.

Tudo parecia indicar que a Darpa não tinha futuro, mas ela se reergueu e teve um papel fundamental em tecnologias transformadoras.

Bob Taylor – CRÉDITO,GARDNER CAMPBELL/WIKIPEDIA

Taylor estudou psicologia na universidade antes de trabalhar como engenheiro aeronáutico, passar pela Nasa e chegar à Darpa

Três terminais espalhados pelos EUA

A ressurreição começou em 1966, quando Taylor e a Darpa plantaram a semente de algo grande.

Ao lado do escritório do engenheiro, havia uma sala de terminais, um pequeno espaço no qual havia três terminais de acesso remoto com três teclados diferentes, um do lado do outro.

Cada terminal permitia que Taylor emitisse comandos para um computador mainframe (de grande porte, responsável por processar um volume grande de informações) distante.

Um deles estava no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a mais de 700 km de distância dali.

Outros dois estavam do outro lado do país, na outra costa: um na Universidade da Califórnia e o outro no Comando Aéreo Estratégico de Santa Mônica (também na Califórnia), chamado AN / FSQ32XD1A — ou Q32, para abreviar.

Cada um desses enormes computadores exigia um procedimento de login e uma linguagem de programação diferente.

Era, como definiram os historiadores Katie Hafner e Matthew Lyon, como “ter uma sala lotada de várias televisões, cada uma dedicada a um canal diferente”.

Ainda que Taylor pudesse acessar esses computadores remotamente por meio de seus terminais, eles não podiam se conectar facilmente entre si ou com outros computadores financiados pela Darpa nos Estados Unidos.

Era quase impossível compartilhar dados, fazer conjuntamente um cálculo complexo ou até enviar uma mensagem entre esses computadores.

‘Comece, você terá US$ 1 milhão a mais’

O próximo passo era óbvio, diz Taylor.

“Tínhamos de encontrar uma maneira de conectar todas essas máquinas diferentes”, propôs Taylor.

Taylor falou com o então chefe da Darpa, Charles Herzfeld, sobre seu plano.

“Já sabemos como fazer isso”, assegurou ele, embora não estivesse claro se alguém realmente sabia como conectar uma rede nacional de computadores mainframe.

“Ótima ideia!”, exclamou Herzfeld. “Comece. Você terá US$ 1 milhão a mais em seu orçamento.”

A reunião levou 20 minutos.

Desafio formidável

Havia algo nascendo, só talvez não se sabia o quão grandioso
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Larry Roberts, do MIT, já havia conseguido que um de seus computadores mainframes compartilhasse dados com o Q-32: dois supercomputadores conversando por telefone.

Chegar a isso foi um processo lento e desafiador.

Mas Taylor, Roberts e seus colegas visionários tinham algo muito mais ambicioso em mente: uma rede à qual qualquer computador pudesse se conectar.

Como Roberts disse na época, “quase todos os elementos concebíveis de hardware e software de computadores estarão na rede”.

Foi uma grande oportunidade, mas também um desafio enorme.

Motor de Ferrari para aquecer… um bife?

Os computadores eram raros, caros e frágeis para os padrões de hoje.

Geralmente, eram máquinas programadas manualmente pelos cientistas que as usavam.

Quem convenceria aqueles poucos privilegiados a deixar de lado seus projetos para escrever um código a serviço da troca de dados com outras pessoas?

Era como pedir ao dono de uma Ferrari que desligasse o motor para aquecer um bife que o cachorro de outra pessoa iria comer.

Felizmente, outro pioneiro da computação, o físico Wesley Clark, surgiu com uma solução.

Desenhos feitos por Larry Roberts em 1969 projetando a Arpanet

Novas oportunidades com os minicomputadores

Clark vinha acompanhando o surgimento de uma nova geração de computadores.

O minicomputador era modesto e econômico em comparação com os mainframes do tamanho de uma sala instalados nas universidades dos EUA.

Clark sugeriu a instalação de um minicomputador em cada ponto desta nova rede.

O mainframe local, o enorme Q-32, por exemplo, se comunicaria com um minicomputador perto dele.

O PDP-8, o primeiro minicomputador, fabricado pela DEC
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O minicomputador ficaria encarregado de se comunicar com todos os outros minicomputadores da rede. Ele seria responsável também pelo novo e interessante desafio de transportar pacotes de dados de forma confiável para que chegassem a seu destino.

Todos os minicomputadores funcionariam da mesma maneira; portanto, se você escrevesse um programa de rede para um, ele funcionaria em todos.

Adam Smith, o pai da economia, teria ficado orgulhoso da maneira como Clark estava se aproveitando da especialização e divisão do trabalho.

Os mainframes existentes continuariam a fazer o que já faziam bem. Já os novos minicomputadores seriam otimizados para gerenciar a rede de maneira confiável, sem falhas.

À prova de estudantes

A beleza da ideia de Clark era que cada unidade central local tinha que simplesmente se comunicar com a pequena caixa preta ao lado: o minicomputador local.

Essa era a única coisa necessária para conectar-se a toda a rede.

As “pequenas caixas pretas” eram na verdade grandes e cinza e foram chamadas de IMP (Interface Message Processors).

Os IMPs eram versões personalizadas dos minicomputadores Honeywell, que tinham tamanho de geladeiras e pesavam mais de 400 kg.

Outro superlativo: custavam US$ 80 mil cada, cerca de US$ 500 mil em valores de hoje (cerca de R$ 2 milhões).

Os projetistas da rede queriam processadores de mensagens que trabalhassem em silêncio, com supervisão mínima e que resistissem à ação de calor ou frio, vibrações ou oscilações, mofo, ratos e, o pior, de estudantes curiosos armados com chaves de fenda.

Os computadores Honeywell, na época usados pelo setor militar, pareciam um ponto de partida ideal, embora a blindagem das máquinas fosse, talvez, um pouco excessiva.

‘Lo!’

Um mapa com pontos, destinos e conexões da Arpanet inicial
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O protótipo, IMP 0, estava pronto no início de 1969. Mas não funcionou.

Um jovem engenheiro tentou consertá-lo por meses, desenvolvendo e enrolando manualmente fios em torno de palitos de metal separados por uma distância de aproximadamente 1 milímetro.

Somente em outubro daquele ano, é que o IMP 1 e o IMP 2 estavam prontos para uso na Universidade da Califórnia e no Stanford Research Institute, a mais de 500 km de distância um do outro.

Em 29 de outubro de 1969, dois computadores centrais (mainframe) trocaram sua primeira palavra por meio de seus IMPs complementares.

A palavra foi: “Lo”, uma interjeição de supresa que significa algo como “veja!” e que aparece em traduções para o inglês da Bíblia.

A verdade é que a intenção inicial do operador era escrever “Login”, mas a rede caiu após as duas letras surgirem.

Um começo difícil, mas a Arpanet estava ligada.

Outras redes se seguiram, e o projeto da década seguinte foi interconectá-las em uma rede de redes, ou simplesmente a “internet” — “net” em inglês quer dizer “rede”.

Finalmente, os IMPs foram substituídos por dispositivos mais modernos chamados roteadores. No final dos anos 80, aqueles já eram peças de museu.

Mas o mundo que Roberts havia previsto, no qual “quase todos os elementos concebíveis de hardware e software de computadores estarão na rede” estava se tornando realidade.

E os IMPs abriram e mostraram o caminho.

E a Darpa? Graças ao sucesso desta missão, da qualidade de seus funcionários e à confiança em seus projetos, a agência continua hoje tendo papel fundamental no desenvolvimento tecnológico, como na criação do sistema de posicionamento global, o GPS e, mais recentemente, nos carros sem motorista.

Tim Harford escreve a coluna “Economista clandestino” no jornal britânico Financial Times. O Serviço Mundial da BBC transmite a serie 50 Things That Made the Modern Economy. Você pode encontrar mais informações sobre as fontes do programa e escutar todos os episodios, ou ainda al seguir o podcast da serie (em inglês).

Rede 5G, o Brasil diante de um falso dilema

Na implementação da rede de telefonia móvel de quinta geração, país não precisa optar por China ou EUA, mas seguir sua tradição de permanecer independente.

Poucos assuntos têm sido tão debatidos nos meios da política e economia brasileiras quanto a concorrência para a rede 5G, a quinta geração do padrão de telefonia móvel.

No país, como em outros tantos por todo o mundo, o que está em jogo é se a operadora chinesa Huawei deve ser admitida ou não como fornecedora das multinacionais de telecomunicações. Os Estados Unidos pressionam todos os seus aliados ocidentais – portanto também o Brasil – contra a participação da Huawei, sob a alegação de que a China empregaria a tecnologia da firma para fins de espionagem.

No entanto, a decisão pró ou contra Pequim ou Washington é um falso dilema. O Brasil deveria seguir dialogando com ambos. Em sua história, o país provou repetidamente que também é capaz disso sob pressão, e na maioria dos casos se saiu bem.

Esse foi o caso antes da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil conseguiu se manter neutro entre os Aliados e as potências do Eixo. Seus parceiros industriais importantes foram, sucessivamente, os EUA (indústria de base), depois a Europa (automóveis) e, em seguida, Japão (mineração), sem que, apesar da competição ferrenha, eles entrassem em atrito no país.

Na década de 70, os militares, apesar de próximos aos EUA, entregaram à Alemanha o contrato para a usina atômica de Angra dos Reis – uma afronta a Washington. O alcance dessa decisão na época é, em parte, comparável ao atual, entre a Huawei e as operadoras ocidentais.

Também na época estava em jogo o estabelecimento de padrões internacionais e, portanto, da predominância industrial. Quem quer que controle o padrão global para novas tecnologias tem, a seguir, uma enorme vantagem estratégica em diversos setores, possivelmente por décadas.

Assim foi, na época, com a usina nuclear. Hoje, com o 5G, a coisa é ainda mais dramática, pois a rede será a base para o desenvolvimento de novas tecnologias. Tão mais importante, portanto, é o Brasil defender seus interesses perante os EUA e a China. Pois o país é capaz disso, já que, diferente de outros, joga numa categoria própria:

– O Brasil está entre as 12 maiores economias mundiais. Em superfície e população, ocupa o quinto e sexto lugares.

– É um dos poucos Estados que têm um grande superávit da balança comercial com a China. Isso o fortalece e torna menos chantageável.

– Também os EUA são um importante investidor e parceiro comercial e tecnológico do Brasil. Num mundo polarizado entre chineses e americanos, um Brasil neutro ganha automaticamente mais peso.

– O Brasil é um mercado-chave para a 5G. A concorrência para a rede de telefonia móvel será uma das maiores entre os mercados emergentes. Desde já, o país possui uma densidade de conexões de banda larga maior do que a maioria das economias fora dos EUA e Europa.

Resumindo: a neutralidade brasileira estabeleceria um sinal geopolítico. Não é de espantar que Pequim e Washington adotem a política de “cenoura e pau” perante o governo e autoridades do país: por um lado, atraem com financiamentos e parcerias estratégicas; por outro, ameaçam com a suspensão dos investimentos.

Isso é normal, e o Brasil não deve se deixar impressionar. Até porque é ingênuo crer que operadoras ocidentais automaticamente reduziriam o risco de espionagem ou hackeamento. Afinal, os serviços secretos dos EUA monitoraram tanto a presidente Dilma Rousseff quanto a Petrobras.

Além disso, de 30% a 40% do equipamento da rede móvel brasileira já se compõe de peças da Huawei. A eliminação destas e exclusão do conglomerado chinês atrasaria em anos o urgentemente necessário impulso de produtividade com a implementação da rede 5G. Uma competição acirrada entre os fornecedores, por outro lado, possivelmente tornaria mais fácil controlar as redes.

O Brasil deve tentar procurar parceiros por todo o mundo – na Ásia, América Latina, mas, acima de tudo, na Europa – que igualmente se vejam diante de um falso dilema e se preocupem com a polarização crescente.

Contudo, resistir à pressão e encontrar um caminho do meio é trabalho árduo, sobretudo para os diplomatas brasileiros. “O Brasil vai ter que usar na diplomacia algo que não está acostumado a fazer de uns tempos para cá”, comenta Marcos Azambuja, ex-embaixador e decano dos diplomatas do Brasil: “A cabeça…”

Apps de relacionamento: saiba como se proteger de golpes

Encontrar uma nova amizade ou um parceiro ideal pode estar a um match de distância. É por esse motivo que apps de relacionamento, como o Tinder e o Happn, figuram entre os mais instalados nas lojas de aplicativos.

Com a impossibilidade de realizar encontros físicos, devido às medidas para combater o avanço do coronavírus, a busca por esses recursos ganhou ainda mais força.

Segundo um levantamento realizado pela Match Group, empresa responsável pelo Tinder e outros apps do segmento, em abril, a quantidade de mensagens diárias enviadas foi 27% superior, se comparada à última semana de fevereiro. Em todo o mundo, os aplicativos líderes no ranking também registraram um crescimento no número de usuários e interações.

Ao redor do mundo, a estimativa é que cerca de 330 milhões de usuários estarão conectados nestes apps até 2023. Créditos: Unsplash

Apelidado pelo público de “carentena”, o período de isolamento social demanda o fortalecimentos das relações pessoais. Assim, qualquer recurso tecnológico que nos auxilie no desenvolvimento da vida afetiva é válido. No entanto, é preciso ter cautela. Golpistas continuam a enxergar esse tipo de aplicativo como mais uma oportunidade para manipular as vítimas.

Daniel Cunha Barbosa, especialista em segurança da informação e pesquisador da ESET no Brasil, alerta para vulnerabilidade de usuários que se deixam levar pela ansiedade em conhecer alguém especial. “É justamente nesses momentos que os cibercriminosos se aproveitam, tirando vantagem em conquistar a confiança da pessoa que está do outro lado da tela e, com isso, ter acesso a informações pessoais sigilosas, como endereço, círculo familiar e de amizade da vítima e até dados bancários”, comentou.

Veja como se proteger:

Não forneça dados privados, como seu endereço residencial ou de trabalho;
Faça uma breve pesquisa na web para se certificar da veracidade das fotos/vídeos recebidos;
Desconfie caso as informações ditas pela pessoa não corresponde àquelas compartilhadas nas redes sociais;
Fique atento se houver manifestação de sentimentos profundos após um curto período de conversa;
Não envie nenhuma foto/vídeo que poderia te comprometer posteriormente.
Recomendações para o seu dispositivo:
Instale uma solução de segurança no seu computador pessoal, smartphone e em qualquer outro equipamento que você usa em casa ou no trabalho;
Mantenha atualizado o sistema operacional;
Utilize a autenticação de dois fatores em aplicativos que dispõem deste recurso;
Não clique em links suspeitos.