Eleições 2010: Voto da classe média será decisivo nas eleições presidenciais

O aumento da renda levou a classe C, antes inexistente exceto nos índices de IDH, agora ater um papel de fiel da balança nas próximas eleições.

Os pré-candidatos da destinam discursos específicos para a classe média brasileira que chega, pela primeira vez, numa eleição como maioria.

Os Tupiniquins nas fileiras da nominada classe são 31,2 milhões que galgaram um andar na escala social.

Espera-se, com isso, o fim do indecente voto de cabresto

O Editor


Voto da classe média deve decidir eleição, dizem analistas

Ascensão social leva classe C a ser maioria em pleito.

Pré-candidatos já disputam votos do segmento e paternidade das mudanças.

Miolo da sociedade, a classe média representa hoje 53,6% da população brasileira, ou 103 milhões de pessoas. São famílias que recebem de R$ 1.115 a R$ 4.807 por mês, segundo cálculos do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Se toda a classe C pudesse votar, e o fizesse em apenas um candidato a presidente, decidiria sozinha a eleição. A hipótese é improvável, mas poucos duvidam do papel de fiel da balança que essa fatia da população terá em outubro.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

De olho nos votos dessa nova classe média, PT e PSDB _partidos que governaram o país nos últimos 16 anos_ já disputam a paternidade das mudanças. Qual será, contudo, o impacto nas urnas dessa transformação?

A pergunta divide especialistas consultados pelo G1. Como a classe C se encorpou durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, há quem aposte em um “voto de gratidão” à pré-candidata petista, a ex-ministra Dilma Rousseff.

Para Marcus Figueiredo, cientista político, “essa nova classe média é eleitora do Lula, porque se beneficiou de três elementos-chave: aumento real do salário mínimo e da massa salarial e expansão do emprego com carteira”, diz o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Essa nova classe média é eleitora do Lula“.

Outros analistas descartam que a classe média tenha fidelidade partidária. Relacionam o avanço social à manutenção, por Lula, da base do modelo econômico do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) _câmbio flutuante, metas de inflação e superávit fiscal (economia de recursos para pagar a dívida pública).

Um trunfo em potencial para o pré-candidato tucano, ex-ministro de FHC e ex-governador de SP, José Serra.

“Não se sabe se essa nova classe média vai manter a lealdade em relação a Lula e ao PT de seus estratos de origem”, afirma o sociólogo Antonio Lavareda, que trabalhou nas campanhas presidenciais de FHC e com candidatos do PSDB e do DEM.

O voto das classes

Autor do livro “Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais”, Lavareda analisou o voto por estrato de renda nas últimas cinco eleições presidenciais. Só encontrou um “voto de classe” em 1989, quando Fernando Collor perdeu na faixa superior a cinco salários mínimos, e em 2006, quando Lula perdeu entre quem ganhava mais de dez salários mínimos.

Todas as classes sociais votaram de forma semelhante em 1994, 1998 e 2002.

Embora avalie como incerto o comportamento eleitoral da classe média, Lavareda diz acreditar que a divisão do voto por classes sociais tenha voltado em 2006 para ficar.

“Vamos ter um voto sociologicamente diferenciado: votação expressiva do PT em camadas mais baixas e predomínio da oposição na parte superior da pirâmide social.”

Thiago Guimarães e Mariana Oliveira/G1