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Facebook e sua moeda, a Libra, põem em xeque a soberania monetária

A criptomoeda da rede social dispara o alarme nos bancos centrais do mundo todo.

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Faz tempo que o Facebook perdeu a confiança do mundo. Faz tempo que quer ser um país. A empresa de Mark Zuckerberg tenta conectar dois vértices que se repelem como cargas magnéticas de sinais opostos. Mas o que a física nega é substituído pela ambição, que é tão grande quanto um oceano sem margem.

A rede social pretende se transformar em uma nação rica, superpovoada, com cerca de 2,4 bilhões de usuários (somando WhatsApp, Instagram e Facebook Messenger) habitando seu território digital. Uma geografia conectada 24 horas por dia, que transforme uma torrente de trilhões de dados em rios de dinheiro; uma nova superpotência nascida da tecnologia, não da geopolítica do ser humano.

Zuckerberg acordou há 18 meses com esse sonho. Desde então, na sede central da empresa em Menlo Park, Califórnia, uma equipe trabalha em segredo para recriar a identidade econômica e social de um país: sua moeda. O resultado é a libra. Uma criptomoeda que a rede social planeja lançar em 2020 com o apoio de 27 empresas, entre elas Visa, MasterCard e Uber, e que pode ser um cavalo de Troia geoestratégico e financeiro. Se (porque esta história deve ser escrita no condicional) os 2,4 bilhões de usuários da plataforma utilizassem essa ciberdivisa para comprar e enviar dinheiro (como se faz no PayPal e no WeChat), ela poderia se tornar a maior entidade financeira do planeta.

Se cada poupador ocidental destinasse um décimo de seus recursos à libra, ela valeria 2 trilhões de dólares (7,5 trilhões de reais). O alvorecer de um colosso − e seu potencial desestabilizador − no mercado de títulos. “Esta moeda tem muito impacto e é preciso agir com grande cautela”, alerta Emilio Ontiveros, presidente da empresa espanhola de consultoria Analistas Financieros Internacionales (AFI). “É como se um Estado novo, e poderoso, emitisse uma moeda que estivesse entre as dez mais importantes do mundo.” Uma moeda que, além disso, tem a capacidade de afetar a soberania monetária de países frágeis.

A criptomoeda do Facebook e seus parceiros oculta dentro dela um “tique-taque” que ultrapassa os limites da economia. Porque, até agora, a forma como o dinheiro e os pagamentos são estruturados era função exclusiva das instituições democráticas, não das grandes empresas de tecnologia. Agora, os reguladores se perguntam se as velhas ferramentas de política econômica servirão para controlar esses gigantes. Usurpadas as funções, acendem-se os alertas vermelhos.

“Todos os bancos centrais do mundo vão se opor à libra, e Mark Zuckerberg, que tem um patrimônio líquido de 73,6 bilhões de dólares [275 bilhões de reais], pode correr o risco de fazer isso. No entanto, tem grandes possibilidades de sair perdendo”, reflete Guillermo de la Dehesa, presidente honorário do Centre for Economic Policy Research (CEPR) de Londres. Por enquanto, aumenta a cautela recomendada por Ontiveros.

O Bundesbank alerta para o “retorno ao Velho Oeste dentro do sistema monetário” e o Banco da Inglaterra encara o assunto “com a mente aberta, mas não com a porta aberta”. Uma desconfiança que atinge os próprios donos da plataforma. “Temo que a libra faça à indústria financeira o que o Facebook fez à privacidade e ao debate público”, alerta Jonas Kron, vice-presidente sênior da firma de investimentos Trillium Asset Management, que tem 53.000 ações da rede social.

Mais uma vez a tecnologia no século XXI é parte do problema, não da solução; mais uma vez o Facebook precisará dar explicações ao Congresso dos EUA. Na próxima quarta-feira, a pedido da democrata Maxine Waters, presidenta do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, o diretor-executivo da libra, David Marcus, fará provavelmente um relato que pode ser assim:

— Por que criaram a libra? − talvez pergunte Waters.

— Queremos empoderar 1,7 bilhão de adultos no mundo que não têm acesso a serviços bancários — responderá a empresa.

— Por que devemos confiar no Facebook? Recordo-lhe o escândalo da Cambridge Analytica.

— Reforçamos os controles e a criptomoeda é respaldada por meios de pagamento (PayPal, Visa, MasterCard) com décadas de experiência em segurança digital.

Esse poderia ser o início do interrogatório. Mas a aceitação da moeda será uma batalha. E o Facebook sabia disso. Eis as pistas: em janeiro, a empresa contratou o ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido Nick Clegg como responsável por Assuntos Globais e Comunicação e, segundo o Financial Times, em setembro Edward Bowles, do banco inglês Standard Chartered, vai se unir a ela para cuidar dos problemas regulatórios na Europa.

Zuckerberg previa a tempestade. Mas principalmente a fragilidade que a tecnologia provocou em muitas instituições financeiras. “O que as grandes plataformas, como Facebook, Google e Amazon, pretendem é tirar negócios dos bancos, assim como o Alibaba na China. A libra é o primeiro ataque”, afirma Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional.

Volatilidade
Isso porque a moeda de Zuckerberg − o “Mark”, como Steve Forbes, editor da Forbes Media, propõe ironicamente que seja chamada − está bem cunhada. Não é um bitcoin. É o que se chama de stablecoin (“moeda estável”). É respaldada por uma cesta de moedas “tradicionais” e por títulos. Com essa arquitetura, evita-se a volatilidade das criptomoedas. E, ao ser de código aberto, qualquer um (pensemos na Amazon) pode criar aplicativos baseados nela.

Tudo com um só anseio: controlar os dois trilhões de dólares movimentados pelas transferências no planeta. O Facebook quer enviar dinheiro ao custo de um WhatsApp. “Provavelmente começará cobrando pequenas taxas das empresas pelas transações”, prevê Joaquín Robles, analista da corretora XTB. Inicialmente, os consumidores poderiam economizar 25 bilhões de dólares (93,5 bilhões de reais) em comissões. Em troca, isso sim, de entregar mais dados e confiar em uma empresa que já mostrou muitas vezes não ser digna de confiança. Nem Fausto concordaria em queimar assim no inferno.

Se os 2,4 bilhões de usuários da plataforma utilizassem essa ciberdivisa para comprar e enviar dinheiro, ela poderia se tornar a maior entidade financeira do planeta.

“A libra precisa convencer de que não invadirá os bancos centrais do mundo, de que não está aperfeiçoando ainda mais sua captura em massa de dados, de que não é um novo canal para a lavagem de dinheiro”, afirma Kevin Werbach, professor da escola de negócios Wharton e referência em tecnologia digital. É claro que se a plataforma quiser recuperar a confiança (essência dos serviços bancários, do comércio e das relações humanas) da sociedade lançando a libra, terá de justificar seus contrassensos.

“As promessas do Facebook de dar as boas-vindas à responsabilidade e à regulação soam vazias. Basta pensar na decisão de estabelecer a sede da criptomoeda [a Libera Association] na Suíça: a pior jurisdição secreta do mundo. Em termos de transparência, é o mesmo que abrir um café vegano dentro de um matadouro”, compara Alex Cobham, diretor-executivo da Tax Justice Network, uma organização ativista especializada em assuntos fiscais.

A desconfiança é a verdadeira moeda que o Facebook controla. Entre seus 27 parceiros não há nenhum banco. Por quê? A plataforma se aproximou, conta o The New York Times, de grandes empresas de investimento, incluindo Goldman Sachs, JP Morgan Chase e Fidelity, mas elas se negaram a participar, em parte pelos problemas regulatórios e talvez porque a aventura anda muito concorrida. “A JP Morgan está preparando sua própria moeda e 13 dos maiores bancos do mundo lançarão suas stablecoins no próximo ano. Confiaremos mais no Facebook do que nos bancos?”, pergunta Giles Alston, analista da firma de consultoria britânica Oxford Analytica.

A viagem de Zuckerberg atravessará densos bancos de nevoeiro. Evasão fiscal, lavagem de dinheiro, privacidade, preocupações regulatórias e a possibilidade de que − aponta a Standard & Poor’s − a libra seja vista como um pseudodepósito bancário. Inclusive o tempo lhe volta as costas. Até o tempo lhe vira as costas. O consórcio global Swift, líder mundial de serviços seguros de mensagens financeiras, “demorou mais de 40 anos para construir uma rede de 11.000 bancos que adotassem sua solução”, lembra Meng Liu, especialista da Forrester Research.

Mas o Facebook não tem a virtude da paciência. Seu antigo lema, “Move fast and break things” (“mova-se rápido e quebre coisas”), revela sua relação com a sociedade e as horas. Castigado por seus erros, muito poucos defenderão “o ator mais terrivelmente irresponsável do panorama tecnológico”, afirma Enrique Dans, professor da IE Business School. Então, o que restará depois de tanta porcelana quebrada? Os reguladores provavelmente frearão a entrada da libra nos créditos hipotecários, nos empréstimos e na compra e venda de ações.

“No entanto, a ameaça para o negócio das transferências já está aí”, aponta Ontiveros. Um perigo que testa suas fronteiras. “A moeda funciona bem como meio de pagamento, mas não é um risco para o dólar, porque por trás dele estão o peso do contribuinte americano e o maior poderio militar do mundo”, diz Miguel Otero Iglesias, pesquisador principal do Real Instituto Elcano. Uma batalha que nem Zuckerberg ousaria travar.

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Entenda por que a internet está se desintegrando

Sombra de pessoa sobre códigos de programaçãoDireito de imagem GETTY IMAGES
Rússia e China começaram a falar publicamente sobre uma ‘internet soberana’ por volta de 2011

Em 1648, foi assinada uma série de tratados conhecidos em conjunto como Paz de Vestfália, encerrando 30 anos de guerra na Europa e levando ao surgimento dos Estados soberanos. O direito estatal de controlar e defender seu próprio território tornou-se a base fundamental de nossa ordem política global e permaneceu inconteste desde então.

Em 2010, uma delegação de países – incluindo a Síria e a Rússia – chegou a uma obscura agência das Nações Unidas com um pedido estranho: levar essas mesmas fronteiras soberanas ao mundo digital.

“Eles queriam permitir que os países atribuíssem endereços de internet fossem atribuídos país por país, da mesma forma que os códigos de país eram originalmente designados para números de telefone”, diz Hascall Sharp, consultor de política digital que era na época diretor de políticas da gigante de tecnologia Cisco.

Depois de um ano de negociações, o pedido não deu em nada: criar tais fronteiras teria permitido que as nações exercessem rígido controle sobre seus próprios cidadãos, contrariando o espírito aberto da internet como um espaço sem fronteiras, livre dos ditames de qualquer governo individual.

Quase uma década depois, esse espírito parece uma lembrança antiga. As nações que saíram da ONU de mãos vazias não desistiram da ideia de colocar uma parede ao redor do seu canto no ciberespaço. Elas simplesmente passaram a última década buscando formas melhores de tornar isso uma realidade.

A Rússia já explora uma nova abordagem para criar um muro de fronteira digital e aprovou dois projetos de lei que exigem medidas tecnológicas e legais para isolar a internet russa. O país faz parte de um número crescente de nações insatisfeitas com uma internet construída e controlada pelo Ocidente.

Embora os esforços russos dificilmente sejam a primeira tentativa de controlar quais informações podem e não podem entrar em um país, sua abordagem representa uma mudança em relação ao que foi feito no passado.

“As ambições da Rússia vão mais longe do que as de que qualquer outro país, com as possíveis exceções da Coreia do Norte e do Irã, no sentido de fraturar a internet global”, diz Robert Morgus, analista de segurança cibernética do centro de estudos americano New America Foundation.

Protesto na RússiaDireito de imagem GETTY IMAGES
As políticas de internet cada vez mais restritivas da Rússia provocaram protestos em todo o país

A abordagem da Rússia é um vislumbre do futuro da soberania na internet. Hoje, os países que buscam o mesmo não são mais apenas os suspeitos autoritários de sempre – e estão fazendo isso em níveis mais profundos do que nunca.

Seu projeto é auxiliado tanto pelos avanços da tecnologia quanto pelas crescentes dúvidas sobre se a internet aberta e livre foi uma boa ideia. Os novos métodos abrem a possibilidade não apenas de países construírem suas próprias pontes levadiças, mas também de alianças entre países que pensam da mesma forma para criar uma internet paralela.

O que há de errado com a internet aberta?

É sabido que alguns países estão insatisfeitos com a coalizão ocidental que tradicionalmente dominou a governança da internet.

Não são apenas as filosofias defendidas pelo Ocidente que os incomodam, mas o modo como essas filosofias foram incorporadas na própria arquitetura da rede, que é famosa por garantir que ninguém possa impedir que alguém envie algo a outra pessoa.

Isso se deve ao protocolo-base que a delegação que foi à ONU em 2010 tentava contornar: o TCP/IP (protocolo de controle de transmissão/protocolo de internet) permite que as informações fluam sem nenhuma ressalva quanto a geografia ou conteúdo.

Não importa qual informação esteja sendo enviada, de que país ela esteja vindo ou as leis do país que vai recebê-la. Tudo o que importa é o endereço de internet ao final da comunicação. É por isso que, em vez de enviar dados por caminhos predeterminados, que podem ser desviados ou cortados, o TCP/IP envia pacotes de informações do ponto A ao ponto B por qualquer via necessária.

É fácil rejeitar objeções a essa configuração como os gritos agonizantes de regimes autoritários em face de uma força global de democratização – mas os problemas que surgem não afetam apenas eles. Qualquer governo pode se preocupar com códigos maliciosos como vírus chegando a instalações militares e redes de água e energia, ou com a influência de notícias falsas sobre o eleitorado.

Protesto na RússiaDireito de imagem GETTY IMAGES
Embora governos possam alegar que a soberania na internet protege seus cidadãos contra vírus e outras ameaças, muitos temem perder a liberdade da ‘internet aberta’

“Rússia e China só entenderam um pouco mais cedo do que os demais o possível impacto que um ecossistema de informação massivo e aberto teria sobre os humanos e a tomada de decisões, especialmente no nível político”, diz Morgus.

A visão destes países é que cidadãos de um país são uma parte tão crítica de sua infraestrutura quanto usinas de energia e precisam ser “protegidos” de informações supostamente maliciosas – neste caso, notícias falsas, em vez de vírus.

Mas não se trata de proteger os cidadãos tanto quanto de controlá-los, diz Lincoln Pigman, pesquisador da Universidade de Oxford e do Centro de Política Externa, em Londres.

Uma internet soberana

Rússia e China começaram a falar publicamente sobre uma “internet soberana” por volta de 2011 ou 2012, quando uma onda de protestos começava a se consolidar em território russo e as revoluções nascidas abalavam regimes autoritários.

Convencidos de que essas revoltas haviam sido instigadas por Estados ocidentais, a Rússia buscou impedir que influências revolucionárias atingissem seus cidadãos – essencialmente criando postos de controle em suas fronteiras digitais.

Mas instaurar uma soberania na internet não é tão simples quanto se desligar da rede global. Isso pode parecer contraintuitivo, mas, para ilustrar como esse movimento seria contraproducente, não é preciso olhar além da Coreia do Norte.

Um único cabo conecta o país ao resto da internet global. Você pode desconectá-lo com o apertar de botão. Mas poucos países considerariam implementar uma infraestrutura semelhante. De uma perspectiva de hardware, é quase impossível.

“Em países com conexões ricas e diversificadas com o resto da internet, seria virtualmente impossível identificar todos os pontos de entrada e saída”, diz Paul Barford, cientista da computação da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que mapeia a rede de tubos e cabos por trás da internet global.

Mesmo que a Rússia pudesse de alguma forma encontrar todos os pontos pelos quais as informações entram e saem do país, não seria muito interessante bloqueá-los, a menos que também quisessem se separar da economia mundial. A internet é agora uma parte vital do comércio no mundo, e a Rússia não pode se desconectar desse sistema sem prejudicar sua economia.

Cabo de internet é instaladoDireito de imagem GETTY IMAGES
A internet na maioria dos países depende de muitos pontos de entrada físicos

A solução parece ser manter alguns tipos de informação fluindo livremente enquanto se impede o fluxo de outras.

Mas como esse tipo de soberania na internet pode funcionar, dado a natureza do TCP/IP?

A China tem tradicionalmente liderado esse controle de conteúdo online e emprega filtros com o chamado “Grande Firewall” para bloquear certos endereços de internet, palavras, endereços de IP e assim por diante. Esta solução não é perfeita: é baseada em programas de computador, o que significa ser possível projetar formas de contorná-la, como as redes privadas virtuais e sistemas de prevenção de censura, como o navegador Tor.

Além disso, o sistema chinês não funcionaria para a Rússia. Por um lado, “depende muito das grandes empresas chinesas retirarem esse conteúdo de circulação”, diz Adam Segal, especialista em segurança cibernética do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, enquanto a Rússia é “mais dependente de empresas de mídia social americanas”.

Grande parte da vantagem da China também se resume à estrutura física com a qual internet é construída. A China, desconfiada da nova tecnologia ocidental desde o início, só permitiu que pouquíssimos pontos de entrada e saída para a internet global fossem feitos em suas fronteiras, enquanto a Rússia foi inicialmente bastante receptiva e, hoje, está repleta destas conexões. A China simplesmente tem menos fronteiras digitais para ficar de olho.

Chineses olham para seus celulares no metrôDireito de imagem GETTY IMAGES
O ‘Grande Firewall’ da China permite que o governo tenha algum controle sobre as informações que entram no país, mas isso pode ser contornado

Tentativa russa de isolamento

A Rússia está, portanto, trabalhando em um método híbrido que não depende inteiramente de equipamentos nem de programas – em vez disso, manipula o conjunto de processos e protocolos que determinam se o tráfego da internet pode se mover de sua origem para o destino pretendido.

Os protocolos da internet especificam como todas as informações devem ser tratadas por um computador para serem transmitidas e roteadas pelos cabos globais. “Um protocolo é uma combinação de diferentes coisas – como dados, algoritmos, endereços de IP”, diz Dominique Lazanski, que trabalha na governança da internet e presta consultoria sobre desenvolvimento de seus padrões.

Um dos mais fundamentais é o padrão DNS – o catálogo de endereços que informa à internet como traduzir um endereço de IP, por exemplo, 38.160.150.31, para um endereço de internet legível como o bbcbrasil.com, e aponta o caminho para o servidor que hospeda esse IP.

É no DNS que a Rússia está mirando. O país previa testar em abril uma forma de isolar o tráfego digital de todo o país, para que as comunicações via internet por seus cidadãos permanecessem dentro dos limites geográficos do país, em vez de percorrer o mundo.

O plano – que foi recebido com ceticismo por grande parte da comunidade de engenheiros – é criar uma cópia dos servidores de DNS da Rússia (a lista de endereços atualmente sediada na Califórnia) para que o tráfego dos cidadãos fosse dirigido exclusivamente para sites russos ou versões russas de sites externos. Isso enviaria os russos para o buscador Yandex se quisesse acessar o Google, ou a rede social VK em vez do Facebook.

Para estabelecer as bases para isso, a Rússia passou anos promulgando leis que forçam empresas internacionais a armazenar todos os dados dos cidadãos russos dentro do país – levando algumas empresas como a rede LinkedIn a serem bloqueadas ao se recusarem a cumprir isso.

“Se a Rússia tiver sucesso em seus planos de um DNS nacional, não haverá necessidade de filtrar informações internacionais. O tráfego de internet russo nunca precisá sair do país”, diz Morgus, analista da New America Foundation.

“Isso significa que a única coisa que os russos – ou qualquer um – poderiam acessar de dentro da Rússia seria a informação que está hospedada dentro da Rússia, em servidores fisicamente presentes no país. Isso também significaria que ninguém poderia acessar informações externas, seja isso dinheiro ou o site da Amazon para comprar um lenço.”

A maioria dos especialistas reconhece que o principal objetivo da Rússia é aumentar o controle sobre seus próprios cidadãos. Mas a ação também pode ter consequências globais.

Site exibe produtos em tela de tabletDireito de imagem GETTY IMAGES
Governos que buscam ter ‘soberania digital’ precisam achar uma forma de controlar quais informações entram no país sem bloquear transações econômicas

As abordagens adotadas pela Rússia e pela China são muito caras para países menores, mas isso não significa que isso não os influencie. “A disseminação, particularmente de políticas repressivas ou da arquitetura iliberal da internet, é como um jogo de imitação”, diz Morgus.

Sua observação é confirmada por uma pesquisa feita por Jaclyn Kerr no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, um centro de pesquisa federal dos Estados Unidos baseado na Universidade da Califórnia.

A extensão e alcance do controle da internet por regimes autoritários são determinados por três fatores. Primeiro, pelas soluções que estão disponíveis. Segundo, se o regime pode se dar ao luxo de implementar qualquer uma das opções disponíveis. A terceira variável – “as políticas selecionadas pelos Estados que são uma referência para este regime” – é o que explica por que isso é descrito como um jogo de imitação: quais recursos os parceiros endossaram ou escolheram? Isso muitas vezes depende da atitude destes países de referência ao controle da internet.

Em relação à primeira variável, os vizinhos da Rússia, como as repúblicas da Ásia Central, poderiam se conectar apenas à versão russa da internet. Isso expandiria as fronteiras desta rede para sua periferia, diz Morgus.

Os tomadores de decisão digitais

Em relação à terceira variável, a lista de países que se sentem atraídos por uma governança da internet mais autoritária parece estar crescendo.

Nem todos se enquadram perfeitamente entre os que defendem uma “internet aberta” e os “autoritários repressivos” quando se trata de como eles lidam com a internet.

Israel, por exemplo, encontra-se nitidamente entre os dois extremos, como Morgus destacou em um artigo publicado no ano passado. Esse estudo mostra que, nos últimos quatro anos, os países que são os “maiores tomadores de decisão digitais” – Israel, Cingapura, Brasil, Ucrânia, Índia, entre outros – têm se aproximado cada vez mais de uma abordagem mais soberana e fechada quanto à circulação de informação.

As razões para isso são variadas, mas vários desses países estão em situações semelhantes: Ucrânia, Israel e Coreia do Sul, que vivem em um estado perpétuo de conflito, dizem que seus adversários estão usando a internet contra eles.

Alguns especialistas acham que o uso estratégico da rede – em especial, das mídias sociais – se tornou como a guerra. Mesmo a Coreia do Sul, apesar de sua reputação de nação aberta e global, desenvolveu uma técnica inovadora para reprimir informações ilegais online.

Mas os tomadores de decisão podem realmente copiar o modelo da China ou da Rússia? Os meios tecnológicos da China para sua soberania são muito idiossincráticos para países menores seguirem. O método russo ainda não está totalmente testado. Ambos custam no mínimo centenas de milhões para serem criados.

Indiano lê jornalDireito de imagem GETTY IMAGES
A Índia é considerada um dos ‘ tomadores de decisão digitais’ que podem influenciar o destino da internet

Dois dos maiores países dentre estes, Brasil e Índia há muito tempo buscam uma maneira de lidar com a internet global de forma independente dos “valores de abertura” do Ocidente ou das redes nacionais fechadas.

“Sua internet e valores políticos estão no meio do caminho deste espectro”, diz Morgus. Durante a maior parte da última década, ambos tentaram encontrar uma alternativa viável para as duas versões opostas da internet que vemos hoje.

Essa inovação foi sugerida em 2017, quando o site de propaganda russo RT informou que Brasil e Índia se uniriam a Rússia, China e África do Sul para desenvolver uma alternativa que eles chamavam de internet dos Brics. A Rússia alegou que estava criando a infraestrutura para “protegê-los da influência externa”.

O plano fracassou. “Tanto a Rússia quanto a China estavam interessadas em promover os Brics, mas os demais estavam menos entusiasmados”, diz Lazanski. “Em especial, a mudança de liderança no Brasil fez isso sair dos trilhos.”

A internet que está sendo construída pela China

Alguns veem bases sendo lançadas para uma segunda tentativa sob o disfarce do projeto de “Rota da Seda do Século 21” da China para conectar a Ásia à Europa e à África com a construção de uma vasta rede de corredores terrestres, rotas marítimas e infraestrutura de telecomunicações em países como Tajiquistão, Djibuti e Zimbábue.

Segundo estimativas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, a China está envolvida em cerca de 80 projetos de telecomunicações em todo o mundo – desde a instalação de cabos até a construção de redes centrais em outros países, contribuindo para uma rede global significativa e crescente de propriedade chinesa.

Pessoa olha para mapa em telaDireito de imagem GETTY IMAGES
Alguns países podem se separar e construir sua própria infraestrutura independente da internet ocidental

Uma possibilidade é que um número suficiente destes países se una à Rússia e à China para desenvolver uma infraestrutura semelhante a ponto de poderem se sustentar economicamente sem fazer negócios com o resto do mundo, o que significa que poderiam se isolar da internet ocidental.

Os países menores podem preferir uma internet construída em torno de um padrão não ocidental e uma infraestrutura econômica construída em torno da China pode ser a “terceira via” que permitiria aos países participar de uma economia semiglobal e controlar certos aspectos da experiência de internet de suas populações.

Sim Tack, analista do grupo de inteligência Stratfor, nos Estados Unidos, argumenta que uma economia da internet autossustentável, embora possível, é “extremamente improvável”.

Maria Farrell, da Open Rights Group, uma organização dedicada a promover a liberdade na internet, não acha que isso é exagero, embora uma internet isolada possa ter uma forma ligeiramente diferente.

A iniciativa da China, diz ela, oferece aos países “tomadores de decisão” pela primeira vez uma opção de acesso online que não depende da infraestrutura de internet ocidental.

“O que a China tem feito é criar não apenas um conjunto inteiro de tecnologias, mas sistemas de informação, treinamento de censura e leis para vigilância. É um kit completo para executar uma versão chinesa da internet”, diz ela.

É algo que está sendo vendido como uma alternativa crível a uma internet ocidental que cada vez mais é “aberta” apenas no nome.

“Nações como Zimbábue, Djibuti e Uganda não querem entrar em uma internet que é apenas uma porta de entrada para o Google e o Facebook” para colonizar seus espaços digitais, diz Farrell.

Esses países também não querem que a “abertura” oferecida pela internet ocidental seja uma forma de prejudicar seus governos por meio da espionagem.

Juntamente com todos os outros especialistas entrevistados para este artigo, Farrell reiterou como seria insensato subestimar as reverberações em curso das revelações feitas Edward Snowden sobre a coleta de informações feita pelo governo americano – especialmente porque elas minaram a confiança dos países “tomadores de decisão” em uma rede aberta.

“Os países mais pobres, especialmente, ficaram muito assustados”, diz ela. “Isso confirmou que tudo que nós suspeitávamos é verdade.”

Assim como a Rússia está trabalhando para reinventar o DNS, a internet autoritária da iniciativa chinesa oferece aos países acesso aos protocolos de internet da China. “O TCP/IP não é um padrão estático”, aponta David Conrad, diretor de tecnologia da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números, que emite e supervisiona os principais domínios de internet e administra o DNS. “Está sempre evoluindo. Nada na internet é imutável. ”

Mas a evolução da internet global é cuidadosa e lenta e baseada em consenso. Se isso mudar, o TCP/IP pode seguir por outros caminhos.

Por mais de uma década, China e Rússia têm pressionado a comunidade da internet a mudar o protocolo para permitir uma melhor identificação de emissores e destinatários, acrescenta Farrell, algo que não surpreenderá ninguém que esteja familiarizado com a adoção em massa do reconhecimento facial para rastrear cidadãos no mundo físico.

Contágio ocidental

Mas talvez os países autoritários tenham menos trabalho a fazer do que imaginam. “Cada vez mais países ocidentais são forçados a pensar sobre o que significa a soberania na internet”, diz Tack.

Na esteira da recente interferência eleitoral nos Estados Unidos e da prática bem documentada dos governos russos de semear discórdia nas mídias sociais ocidentais, os políticos ocidentais acordaram para a ideia de que uma internet livre e aberta pode realmente prejudicar a própria democracia, diz Morgus.

“A ascensão paralela do populismo nos Estados Unidos e em outros lugares, somada a preocupações com o colapso da ordem internacional liberal, fez muitos dos tradicionais defensores da internet aberta recuarem.”

Cartaz de protesto contra mudanças na internetDireito de imagem GETTY IMAGES
 Ameaças à ‘internet aberta’ continuam a gerar respostas acaloradas – mas alguns especialistas acreditam que a mudança é inevitável

“Não se trata de classificar países como ruins ou bons – isso diz respeito a qualquer país que queira controlar suas comunicações”, diz Milton Mueller, que dirige o Projeto de Governança da Internet na Universidade Georgia Tech, nos Estados Unidos.

“A pior coisa que vi ultimamente é a lei britânica de danos digitais.” Esta proposta inclui a criação de um órgão regulador independente, encarregado de estabelecer boas práticas para as plataformas de internet e punições caso elas não sejam cumpridas.

Essas “boas práticas” limitam tipos de informação – pornografia de vingança, crimes de ódio, assédio e perseguição, conteúdo carregado pelos prisioneiros e desinformação – de forma semelhantes às recentes leis russas sobre internet.

De fato, as próprias multinacionais temidas pelos países “tomadores de decisão” atualmente podem estar ansiosas por serem recrutadas para ajudá-los a alcançar suas metas de soberania da informação.

O Facebook recentemente capitulou diante de uma pressão crescente, exigindo regulamentação governamental para determinar, entre outras coisas, o que constitui conteúdo prejudicial, “discurso de ódio, propaganda terrorista e muito mais”.

O Google está trabalhando fornecer uma internet aberta no Ocidente e um mecanismo de busca com censura no Oriente. “Suspeito que sempre haverá uma tensão entre os desejos de limitar a comunicação, mas não limitar os benefícios que a comunicação pode trazer”, diz Conrad.

Sejam as fronteiras da informação elaboradas por países, coalizões ou plataformas globais de internet, uma coisa é clara: a internet aberta com a qual seus criadores sonharam já acabou. “A internet não tem sido uma rede global há muito tempo”, diz Lazanski.

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Facebook lança aplicativo para acessar dados de usuários em troca de dinheiro

O aplicativo Study from Facebook.
O aplicativo Study from Facebook.

Facebook já sabe o tempo que seus usuários passam no aplicativo, os anúncios em que clicam e quais são seus amigos na rede social. Também tem dados sobre sua atividade no WhatsApp e no Instagram. Mas quer ir mais longe. A empresa de Mark Zuckerberg lançou o aplicativo Study from Facebook com o objetivo de coletar dados sobre o uso de outros apps por usuários maiores de idade. “Acreditamos que este trabalho é importante para nos ajudar a melhorar nossos produtos para as pessoas que usam o Facebook”, afirma a gigante da tecnologia em um comunicado publicado em seu site. O Facebook que não especifica quanto dinheiro pagará, garante que não venderá os dados a terceiros nem os usará para oferecer publicidade dirigida.

O Study from Facebook é, segundo a empresa, um aplicativo de pesquisa de mercado. Estará disponível primeiro para os usuários de dispositivos Android nos Estados Unidos e na Índia, e depois poderá ser baixado também em outros países. Entre os dados solicitados por esse novo app estão a lista de todos os aplicativos instalados no telefone, o tempo que o usuário os usa e informações sobre o país, o dispositivo e o tipo de rede de acesso. O Facebook garante que não coletará o ID de usuário, senhas e nenhum outro tipo de conteúdo, como fotos, vídeos ou mensagens.

Borja Adsuara, advogado especializado em direito digital, considera que com essas informações a empresa “vai querer ver as migrações que ocorrem do Facebook para outras redes sociais, principalmente dos jovens para aplicativos como o TikTok”. “As estatísticas das redes sociais contêm o número de usuários, mas não o tipo e a evolução do uso”, acrescenta. Ele ressalta que alguns internautas continuam mantendo um perfil no Facebook, mas o usam cada vez menos.

O aplicativo estará disponível primeiro para os usuários de dispositivos Android nos EUA e na Índia, e depois poderá ser baixado nos outros países

A empresa informa que publicará anúncios para incentivar as pessoas maiores de idade a participar desse programa de pesquisa de mercado. Quando alguém clicar em um anúncio, terá a opção de se registrar, e a empresa o convidará a baixar o aplicativo na Google Play Store. “À medida que se inscreverem, as pessoas verão uma descrição de como funciona o aplicativo e quais informações compartilharão conosco, para que possam confirmar que desejam participar”, explica a companhia, ressaltando que todos os usuários poderão optar, a qualquer momento, por deixar de participar. A empresa Applause, especializada em pesquisa de mercado, será a encarregada de administrar tanto o processo de registro como as compensações econômicas.

O lançamento do novo aplicativo ocorre após meses de críticas, depois que o site TechCrunch revelou que o Facebook oferecia uma quantia mensal a menores em troca de espionar seus telefones. Desde 2016, a empresa pagou até 20 dólares (77 reais) por mês a usuários entre 13 e 35 anos pela instalação do Facebook Research, uma VPN (rede privada virtual) que lhe permitia conhecer todas suas atividades na Internet.

Agora o Facebook assegura que só coletará dados de maiores de idade. E fará isso com seu consentimento, depois de informar adequadamente quais dados serão coletados e como serão utilizados: “Aprendemos que o que as pessoas esperam quando se inscrevem para participar de pesquisas de mercado mudou, e criamos este aplicativo para atender a essas expectativas. Estamos oferecendo transparência, compensando todos os participantes e mantendo as informações das pessoas a salvo e seguras”.

A importância do consentimento

Para Adsuara, “a base de tudo é o consentimento”. Existem várias confusões em termos de proteção de dados, assinala o especialista: “Não se trata de proteger os dados, e sim de proteger as pessoas no uso de seus dados pessoais. Nas pessoas, o que se protege é o direito à privacidade. O terceiro nível é que não se protege a privacidade das pessoas contra elas mesmas, e sim a liberdade das pessoas de fazer o que quiserem com sua privacidade”.

O especialista faz uma comparação com a liberdade sexual: “O que a lei protege é que você possa fazer o que tiver vontade com seu corpo. Protege tanto quem quer ser casto como quem quer ser promíscuo”. Da mesma forma, assinala que a Agência Espanhola de Proteção de Dados protege a liberdade do usuário de fazer o que quiser com seus dados. “Você compartilha sua intimidade física com quem quiser, quando quiser e pelo preço que quiser, e seus dados também. E a única coisa que tem de ficar clara é que é que isso seja feito livre e voluntariamente. Se não for assim, haverá uma violação da intimidade”, afirma.

Mas será que é possível garantir que o consentimento seja totalmente livre e não esteja condicionado quando se oferece uma compensação econômica em troca? “É um assunto delicado e polêmico”, reconhece. Ele sustenta que “assim como há uma prostituição da intimidade física, também há uma prostituição da intimidade não física de seus dados”, acrescentando: “Existem pessoas que fazem menos objeções a transformar seus dados do que seu corpo em mercadoria. Se vejo que existe gente disposta a pagar por meus dados e eu preciso do dinheiro, é minha decisão. Não se pode negar a uma pessoa que faça, de forma livre e voluntária, o que achar conveniente”.

Existem empresas que oferecem há anos serviços ou descontos em troca de poder coletar e utilizar dados dos usuários. Adsuara cita como exemplo a AT&T, que anunciou em 2013 um plano chamado Internet Preferences, pelo qual oferecia a seus clientes em Austin (Texas) um desconto na conta da fibra óptica em troca de poder utilizar seus dados de navegação para lhes oferecer publicidade adaptada a seus interesses, com o compromisso de não repassá-los a terceiros. “Os serviços pagos só podem solicitar os dados imprescindíveis para prestar o serviço ao cliente e cobrar por esse serviço, porque você está pagando por ele. Mas se outras empresas lhe oferecem serviços gratuitos, podem pedir como moeda de troca dados dos quais não necessitam para esse serviço, mas que elas podem oferecer, por exemplo, a anunciantes”, explica.

No caso do Study from Facebook, a empresa afirma que não venderá os dados a terceiros nem os usará para oferecer publicidade dirigida. Depois de ser atingida por vários escândalos devido à forma como lida com os dados dos usuários, o Facebook diz ter “a responsabilidade de manter a informação das pessoas a salvo”, assinalando: “Com este aplicativo, estamos coletando a quantidade mínima de informação necessária para nos ajudar a desenvolver melhores produtos”.

Além disso, o Facebook garante que recordará periodicamente aos participantes que eles estão inscritos no programa e lhes oferecerá a oportunidade de revisar as informações que compartilham com a empresa. “A transparência e o tratamento responsável das informações das pessoas orientaram a forma como criamos o Study from Facebook. Planejamos adotar, no futuro, esse mesmo enfoque em outros projetos de pesquisa de mercado que nos ajudem a compreender como as pessoas usam diferentes produtos e serviços”, explica a empresa.

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O Instagram será a solução para os problemas do Facebook?

Rede criada por Zuckerberg envelhece, mas irmã mais nova está no auge entre jovens e anunciantes.
Mudança experimental na plataforma do Instagram para celulares causou furor nesta quinta-feira
Instagram,Facebook,Tecnologia,Internet,Redes sociaisEvento de ‘instagramers’ em Los Angeles em novembro.

Evento de ‘instagramers’ em Los Angeles em novembro. TIFFANY ROSE GETTY IMAGES / INSTAGRAM

O Instagram será a solução para os problemas do Facebook? Facebook compartilhou dados sensíveis de seus usuários com mais de 150 grandes empresas.

Circulam pela Internet vários memes chamados “Como sou no Facebook / como sou no Instagram”. Segundo eles (são mais engraçados nas fotos, claro), no Facebook somos a Beyoncé sorrindo em uma foto de grupo: responsáveis, comportados, discretos, olhando a câmera, provavelmente com nosso melhor look, certamente etiquetados por nossa mãe, nosso colega de trabalho, aquele amigo do colégio que não vemos há anos. No Instagram, entretanto, somos a Beyoncé divina no palco em pleno megashow, com o ventilador de frente: arrumados, sedutores, desafiantes, provocadores, modernos, fazendo algo divertido com a música no último volume e um controle férreo de nosso melhor ângulo.

A brincadeira faz mais sentido do que parece. Um estudo de setembro do instituto Reuters de Jornalismo pediu a norte-americanos, brasileiros, alemães e britânicos de 20 a 45 anos que descrevessem o Facebook e o Instagram. A primeira rede social, criada por Mark Zuckerberg em Harvard há 14 anos e com 2,2 bilhões de usuários mensais ativos, foi chamada de “egocêntrica” e “sociopata”, comparada a “uma pessoa pouco cool” e disseram que sofre uma “crise de meia idade” (entre as definições menos brutais estavam as de “profissional” e “genérica”). O Instagram, por sua vez, era “glamorosa”, “vibrante” e “de mente aberta”, ainda que também “exibicionista” e “assediadora”. Nos últimos tempos, além disso, são muitos os problemas de imagem do Facebook, com escândalos de privacidade como o da Cambridge Analytica (o Parlamento britânico publicou na semana passada dezenas de documentos internos que revelam como a empresa discutia vender dados de usuários), uma parada relativa em países desenvolvidos — preocupante já que é ali onde ainda se concentra grande parte de seu mercado publicitário e porque parece (não existem números oficiais) que afeta o número de páginas vistas e o tempo de uso – e um terceiro fator, fundamental: a rede social envelhece. O Instagram, cujo maior problema recente foi uma mudança na plataforma (para o modelo do Stories) que desagradou aos usuários nesta quinta-feira, para minutos depois ser revertida — não passou de um teste mal conduzido, segundo o CEO Adam Mosseri — pode ser a solução dos problemas do Facebook?

Se falamos de números, o Facebook ainda é um gigante incomparável. Poucas ferramentas tecnológicas o superam (para dar uma perspectiva, diante de seus 2,2 bilhões de usuários ativos a cada mês existem pouco mais de 5 bilhões de contas de e-mail no mundo) e é, em termos gerais, “uma rede ativa e saudável” com uma penetração sem precedentes, segundo a confirmação de estudos como o recente Uma análise em grande escala da base de usuários do Facebook e seu crescimento (Rubén Cuevas, Ángel Cuevas e Yonas Mitike Kassa). Ainda tem potencial para se expandir até em mercados da África e Ásia Central. Mas sua irmã mais nova criada há oito anos e comprada há seis por Mark Zuckerberg por 1 bilhão de dólares (4 bilhões de reais), parece ter se adiantado em prestígio em relação à mais velha. Especialmente entre os jovens.

Hoje, quando se pergunta a um grupo de adolescentes espanhóis quem tem Facebook, ficam em silêncio. Quando se pergunta se eles conhecem alguém que o use, alguns dizem, timidamente, que… seus pais. “E, como dizem algumas análises: nem você nem ninguém quer estar onde estão seus pais”, diz Ícaro Moyano, responsável por desenvolvimento e estratégia de distribuição da agência digital Wink. A tendência é clara em países como os EUA, onde, de acordo com o instituto Pew Research Center, o número de adolescentes que usa o Facebook diminuiu de 71% a 51% em somente três anos (72% usam o Instagram e 85% o YouTube). 44% dos pesquisados de 18 a 29 anos apagou o aplicativo de celular do Facebook no último ano, ao que parece estimulados, em parte, por temores relacionados à privacidade.

Alguns especialistas alertam do perigo de que o Facebook dê um “abraço de urso” mortal no Instagram

Na frente publicitária, o Instagram pode ser a resposta a esse envelhecimento, que é especialmente preocupante porque significa se afastar de um público jovem extremamente valioso para os anunciantes. “O Facebook funciona muito bem e é muito rentável. Os dados em questão de vendas continuam sendo excelentes”, diz Philippe González, fundador da comunidade Instagramers e autor de vários livros sobre redes sociais. “Mas o mercado da Bolsa não avalia você somente em função do que consegue hoje em vendas, e sim pelas expectativas de futuro”. Ou seja, ainda que o Facebook continue mandando em termos econômicos, o futuro parece estar em sua rede irmã, que nasceu para compartilhar fotos. E por isso, agora que o Instagram superou 1 bilhão de usuários ativos, o desafio é conseguir dinheiro, ou, como se diz nos mundos tecnológicos, monetizar. “Na última apresentação de resultados, onde foi vista essa certa parada no Facebook, o ideal é que Zuckerberg acalmasse o nervosismo dos acionistas com lucros bem-sucedidos no Instagram”, diz Philippe González. Esses resultados espetaculares não aconteceram, mas a missão vai de vento em popa, com um aumento de orçamento dos anunciantes de 177% em relação ao ano passado contra um aumento de 40% no Facebook, de acordo com um relatório recente da Merkle Digital Marketing. Entre as estratégias está, por enquanto, incluir anúncios nas Stories do Instagram e tornar mais atrativa a plataforma às lojas, com um botão de compra direta.

Mas nem tudo é cor de rosa no Instagram. São várias as críticas por ser um lugar superficial, muito centrado na estética, de consumo ultrarrápido, que cria expectativas de beleza, sucesso e realização pessoal tão irreais como surreais. Há pouco, uma instagramer norte-americana se queixou publicamente da pouca interação nas fotos de um de seus cinco filhos, culpou o algoritmo e pediu que, em seu aniversário de seis anos, os seguidores presenteassem o menino com “likes”. “Um oceano de falsidade”, disse sobre o Instagram Enrique Dans, professor de Inovação na IE Business School, em um artigo recente na Forbes, “um concurso de popularidade permanentes e exaustivo” em que abundam táticas esdrúxulas para conquistar seguidores. A mudança de 2016 na forma em que as atualizações são recebidas — passaram de ordem cronológica a ordem guiada por algoritmos — roubou parte da essência do Instagram, o aproximou do Facebook. E as empresas se queixam de que, da mesma forma que no Facebook, é cada vez mais difícil se destacar de maneira orgânica (não paga).

As preocupações são mais agudas desde junho, quando os fundadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, anunciaram que deixavam o barco porque, como sugerem alguns especialistas e mídia especializados, sentiram-se menos confortáveis com a crescente influência de Zuckerberg, a pressão para crescer e os desencontros em relação a como fazer crescer as duas redes sociais. O potencial do Instagram, alertam alguns, o expõe ao mesmo tempo ao risco de um “abraço de urso” mortal que retire sua essência e o force a uma estratégia agressiva de monetização.

Os especialistas afirmam que o Facebook continua sendo o rei. “É a televisão. Falar dos riscos do Facebook me lembra de quando se falava muito dos riscos da Microsoft há 15 anos: deixou de ser interessante em muitos aspectos, mas é o que acontece quando se é enorme”, diz Moyano. E, ainda que seja cada vez mais questionado, também foi, não podemos nos esquecer, o facilitador de um crescimento impressionante ao Instagram. Agora é preciso ver se sua ambição prejudica o aplicativo mais vibrante do momento, tanto em essência como em comunidade. Por enquanto, como diz outro meme, “meu Instagram está cheio de gente que não conheço e adoro. Meu Facebook está cheio de gente que conheço e evito”.

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Como o Instagram está revolucionando a indústria de restaurantes

A pizza é o alimento mais mencionado no Instagram, com cerca de 35 milhões de hashtagsEconomia,Comportamento,Instagram,Internet,Restaurantes,Comida,Redes SociaisDireito de imagem GETTY IMAGES

O tapete vermelho é estendido e centenas de câmeras de smartphones disparam. Mas o centro da atenção dos fotógrafos não é um cantor famoso ou uma personalidade de reality show. É uma pizza.

A pizza é o alimento mais mencionado no Instagram, com cerca de 35 milhões de hashtags. Isto é mais do que as menções a Beyoncé e Kim Kardashian juntas. E esse apetite insaciável por tirar fotos de comida está influenciando toda a indústria de restaurantes. Da decoração aos menus, tudo deve estar pronto para o Instagram.

Frances Cottrell-Duffield, dona da agência de marketing e relações públicas Tonic, organiza eventos para que tenham a melhor visibilidade possível nas redes sociais. Na noite de lançamento de um menu para a luxuosa cadeia de restaurantes Polpo, do Reino Unido, ela chega cedo para ter certeza de que todas as condições estão adequadas para os instagrammers.

“Fizemos parceria com uma marca de gim porque, embora a Polpo tenha uma comida deliciosa, nem sempre seus pratos são muito fotogênicos, e usar coquetéis bonitos traz um pouco de cor às fotos”, afirma Cottrell-Duffield.

Economia,Comportamento,Instagram,Internet,Restaurantes,Comida,Redes SociaisDireito de imagem DIRTY BONES

Os blogueiros de comida das mídias sociais sugerem fotos de close-ups e camadas de alimentos
Instagram em mente
Próximo ao bar, uma parede repleta de folhagens foi erguida. Isso, como tudo ali, foi criado com o Instagram em mente.

“Sabemos que as pessoas vão segurar seus coquetéis e tirar uma foto com a folhagem de fundo para colocar diretamente nas redes sociais”, acrescenta.

Cerca de meia dúzia de influenciadores do Instagram foram convidados para o almoço. Entre eles está Alex Fletcher, blogueiro de sanduíches com 20 mil seguidores e que teve duas mil curtidas em suas fotos mais populares. Então, segundo ele, o que sai bem na foto quando se trata de pão e recheio?

“Sanduíches que têm uma boa composição”, diz Fletcher. “Se você tem um sanduíche katsu japonês com um exuberante repolho em conserva, filé mignon e pão branco, é claro que vai ser fotogênico.”

Economia,Comportamento,Instagram,Internet,Restaurantes,Comida,Redes SociaisDireito de imagem ELIZABETH HOTSON

Bolo com gotas cor-de-rosa de ganache, macarons, beijos de merengue, pipoca de chocolate branco e pirulitos retorcidos, uma criação da confeiteira Georgia Green

Aumento de vendas
A influenciadora Rebecca Milford, que edita o website do Bar Chick, diz que uma boa foto pode provocar um aumento direto das vendas do restaurante.

“Tenho amigos que vão ao Instagram do restaurante e escolhem o que comer com base no que veem”, ela diz. “Eles não perdem tempo olhando o menu. As fotos têm de ter o apelo da hashtag food porn; e tem ainda o #cheeseporn, #yolkporn; é tudo pela aparência.”

Natalie Seldon, estilista de comida e escritora, diz que a composição da imagem é fundamental.

“Quanto mais zoom, melhor; as pessoas amam ver alimentos grandes na tela. E as camadas são ótimas também, especialmente com hambúrgueres.”

Seldon planejou tirar fotos do celular, mas a pouca luz do evento deixou a tarefa mais desafiadora.

“Felizmente, há boas ferramentas de edição. Outro truque é usar algo como o iPad ou outro celular para trazer mais luz à composição”, acrescenta.

Economia,Comportamento,Instagram,Internet,Restaurantes,Comida,Redes SociaisDireito de imagem DIRTY BONES

Usar coquetéis coloridos próximo a pratos pode ajudar a trazer mais vida às fotos das redes sociais
Para ter certeza de que os clientes tirem ótimas fotos e gerem boa publicidade, a Dirty Bones, uma cadeia de cinco restaurantes no Reino Unido, oferece até kits gratuitos de fotografia do Instagram em sua filial no Soho. Os kits contêm, entre outras coisas, um mini equipamento de iluminação, fonte de energia, lente do tipo olho de peixe e um bastão de selfie.

E embora a comida seja a grande estrela, o endosso de uma celebridade nas mídias sociais pode ser um divisor de águas. Georgia Green é confeiteira e decoradora de bolos, dona do Georgia’s Cakes, no norte de Londres. No início de seu negócio, ela recebeu um pedido para fazer um bolo para a modelo Cara Delevingne.

“Cara tinha cerca de cinco milhões de seguidores e, na época, eu tinha 100. Quando ela me marcou no Instagram, o número dos meus seguidores cresceu para 6 mil em um dia”, diz.

Um de seus projetos mais recentes é típico dos pedidos chamativos que ela recebe.

“É rosa e azul com uma pegada de Barbie rock star, com creme de manteiga texturizado, gotas de ganache cor-de-rosa, macarons, beijos de merengue, pipoca de chocolate branco, pedaços de chocolate, pirulitos contorcidos e detalhes de creme de manteiga, e eu vou finalizá-lo com algum glitter comestível.”

Ela admite que se sente pressionada a recriar desenhos de bolo que são tendências no Instagram e dos quais ela não necessariamente gosta.

Economia,Comportamento,Instagram,Internet,Restaurantes,Comida,Redes SociaisDireito de imagem NATALIE SELDON

Psicólogos experimentais da Universidade de Oxford dizem que o cérebro ‘imagina’ o gosto da comida
“Houve uma moda de bolos de unicórnios dormindo (um bolo redondo com olhos fechados, chifre e orelhas de unicórnio no topo), e eu me recusava a fazer isso. Eu pensava: ‘Isso não tem nada a ver comigo, isso não me reflete como pessoa ou marca’.”

Aparência, de fato, importa
O foco na aparência pode parecer superficial, mas o professor Charles Spence, psicólogo experimental da Universidade de Oxford, diz que a apresentação realmente importa.

“A aparência da comida e a forma como ela está disposta no prato têm grande impacto porque geram expectativas. Nosso cérebro imagina o gosto, e isso influencia a experiência”, diz ele.

Spence conduz experimentos tanto teóricos quanto práticos em faculdades. “Damos a todos a mesma comida, mas para metade deles o produto vem simples num prato. Os demais recebem os mesmo elementos, mas artisticamente dispostos para parecer uma pintura de Kandinsky. Os que recebem o alimento com uma imagem melhor dão uma nota maior ao sabor e estão dispostos a pagar mais pelo prato.”

Mas embora uma apresentação bonita seja importante, Amanda Bechara, dona do café Carthage Must Be Destroyed, no Brooklyn, desencoraja manifestações de entusiasmo fotográfico em seu estabelecimento.

“Também pedimos que a pessoa não filme, porque isso é muito intenso, especialmente quando outras estão tendo conversas privadas (no ambiente).”

A ironia é que quando Bechara descreve o interior de Carthage Must be Destroyed, ele parece um dos locais mais fotogênicos que se possa imaginar.

“É uma espécie de fantasia de conto de fadas moderno em um cenário rosa, com tetos muito altos e tijolos e pratos cor-de-rosa”.

Com um interior que parece gritar para ser fotografado, por que ela recusa esta forma moderna de se apreciar a comida?

“Não entendo por que a única reação que as pessoas podem ter à beleza é tirar uma foto dela. Apenas relaxe, coma sua comida, beba seu café, converse com seus amigos e divirta-se!”

Bechara pode querer manter as redes sociais à distância, mas uma rápida olhada no Instagram sugere que ela é exceção. O que é uma boa notícia para fatias de pizza famintas por fama.
BBC

8 passos para apagar seus rastros na internet

A internet não tem memória curta

Tecla "delete"Direito de imagemGETTY IMAGES

A internet é como uma memória infinita, eterna e coletiva que guarda tudo: de suas buscas mais vergonhosas a comentários e fotos inapropriadas.

Muitas vezes nem sequer nos lembramos de tais momentos – afinal, quem é que se recorda do perfil no MySpace ou de mensagens no Facebook enviadas há dez anos?

Mas a verdade é que, a não ser que façamos alguma coisa, nossas recordações digitais ficarão no cyberespaço para sempre.

Com alguns passos simples, porém, é possível evitar que nosso passado digital nos persiga.

Mais precisamente, oito passos:

Google

Google é o ‘rei’ das buscas online, mas não se esqueça de buscar a si mesmo nos concorrentes – os resultados podem te surpreender…1. Busque-se nas ferramentas de busca 

O primeiro passo antes de qualquer limpeza na internet é ter muito claro o que quer eliminar. Você pode começar com uma busca por seu nome e sobrenome no Google e analisar os resultados que aparecem. Inclua também outros buscadores, como Bing, Yahoo, Bipplex e Ask, por exemplo. Quanto mais, melhor.

É possível que você não encontre todas as menções de primeira e que precise fazer uma busca mais profunda. Mas dedique tempo.

Uma vez que encontre o que deseja apagar, acesse diretamente as plataformas e páginas da web onde está o conteúdo postado por você. E comece a limpeza.

2. Releia suas mensagens

CelularDireito de imagemGETTY IMAGES
Além do WhatsApp, que outras plataformas você já usou para mandar fotos e mensagens?

É importante revisar mensagens, incluindo plataformas que já não utiliza, para assegurar-se de que não está deixando para trás algo que possa te deixar em apuros.

Estamos falando, é claro, de aplicativos de mensagens, mas também de redes sociais e fóruns.

Mesmo os locais em que você não usou seu nome real.

3. Apague suas contas em redes antigas

Logo do MySpaceDireito de imagemGETTY IMAGES
O que será que aconteceu com aquela conta do MySpace que você não acessa há anos?

Você se lembra do MySpace? Foi lançado em agosto de 2008. Antes de Instagram, Facebook, Twitter e Snapchat se alçarem como favoritos, o site era o espaço escolhido por muitos internautas para o compartilhamento de fotos.

Portanto, fotos do seu passado ainda podem continuar na rede, como algumas da cantora Taylor Swift e do ator Tom Hardy, para a alegria dos fãs deles.

O MySpace continua ativo – e tem 38 milhões de usuários.

A exemplo dele, há dezenas de ferramentas “antigas” que ainda existem. As plataformas fotográficas Fotolog e Flickr, as redes sociais Hi5 e Faceparty e apps de relacionamento são alguns exemplos.

Muitos sofreram grande êxodo com a chegada de novos sites e redes sociais, mas ainda podem servir de baú do “tesouro” de fotos embaraçosas. Revise estes perfis.

4. Troque de nome

ArrobaDireito de imagemGETTY IMAGES
Se você não quer ter que apagar depois todas as mensagens que já escreveu em fóruns online e sites, use um pseudônimo que não seja de fácil identificação

Muitas sessões de comentários em sites são geridos por gigantes da internet, como o Facebook e o Disqus – este último anunciou, em 2012, que sofreu um grande ataque de hackers.

Se você usou seu nome real em alguns fóruns e sites, e não quer eliminar todos os comentários que já fez, pode optar por trocar seu nome e a foto associada ao seu perfil.

Escolha um pseudônimo que ninguém possa identificar.

5. Ponha em prática o ‘direito ao esquecimento’

Cabo atado a um dedoDireito de imagemGETTY IMAGES
Revise as leis existentes e exija o direito de desaparecer de certos sites de busca

Em alguns países, as empresas de internet têm que cumprir com uma série de normas que garantem ao usuário o “direito ao esquecimento”.

O Tribunal de Justiça da União Europeia determinou em maio de 2014 que Google, Bing e outros buscadores devem permitir que os internautas escolham se querem que sejam apagados os resultados que aparecem em buscas relacionadas a eles.

Postagens antigas nas redes sociais, por exemplo, podem ser ocultadas dos resultados de buscas.

Isso pode ser especialmente útil se a pessoa está buscando emprego, já que cada vez mais as empresas fazem buscas online sobre os candidatos.

Essa medida também é importante para vítimas de violência doméstica (os agressores muitas vezes continuam perseguindo a vítima) e para pessoas com condenações prescritas ou penas já cumpridas.

Alguns lugares onde já houve decisões judiciais garantindo o “direito ao esquecimento” são México, Brasil e Colômbia. Portanto, pesquise as leis e exerça o seu direito.

6. Peça que eliminem sua conta

FacebookDireito de imagemGETTY IMAGES
Facebook é obrigado a oferecer a possibilidade de o usuário eliminar a conta por completo, se assim desejar

Algumas redes sociais complicam o procedimento ao usuário que quer apagar a conta de forma permanente. Em troca, oferecem desativar “temporariamente”.

Mas se você quer que o serviço de “limpeza” seja efetiva, o melhor é apagar a conta por completo.

O Facebook tem uma página com essa finalidade. No caso do Twitter, a eliminação é concluída depois de 30 dias.

Ao eliminar as contas do Facebook e Twitter, suas publicações desaparecerão. No entanto, algumas cópias podem continuar aparecendo nos resultados dos buscadores.

7. Proteja suas contas

Telefone com imagem de cadeado na telaDireito de imagemGETTY IMAGES
Uma senha mais complexa pode ajudar a proteger a conta

O material que compartilhamos por meio de mensagens privadas – como no WhatsApp e no Messenger – geralmente é mais sensível e confidencial do que o que publicamos em fóruns e redes sociais.

É sempre uma boa ideia proteger essas contas com contrassenhas complexas e originais. Se a página na web te dá esta opção de senha adicional, faça a verificação e siga os passos.

Assim, será muito mais difícil para outros entrarem na sua conta sem permissão, pois precisarão da contrassenha, além da senha inicial de acesso ao celular.

8. Um conselho final…

Nada do que você compartilha na internet é completamente privado. Uma vez publicado, nem sempre poderá ser eliminado.

Há, inclusive, sites como o Wayback Machine, que permitem “viajar no tempo” por meio de arquivos antigos da web. Isso inclui blogs e fóruns de internet.

Se você quer estar a salvo, tente não publicar conteúdos dos quais possa se arrepender posteriormente. E, de vez em quando, faça uma boa “limpeza” dos rastros deixados na rede.

Procura-se: homem, solteiro

Recrutamento onlineDireito de imagemGETTY IMAGES

Como headhunters podem estar perseguindo você no Facebook

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]Há quatro meses, a neozelandesa Lisa Dorahy navegava pelo Facebook quando viu um anúncio de emprego surgir em seu feed de notícias.

Ela não estava à procura de um novo trabalho e aquela era uma das poucas vezes em que Dorahy, uma ocupada mãe de três crianças, teve tempo de dar uma passeada pelas redes sociais.

Mas o post que procurava por uma assistente em meio-período em uma empresa de recrutamento parecia perfeito para ela.

Ela clicou no link e se candidatou. Três dias depois, foi chamada para uma entrevista, e na semana seguinte já começava no novo emprego. Hoje, Dorahy entende que o anúncio tinha como alvo alguém exatamente com seu perfil.

Recrutamento seletivo

Smartphone
Certas redes sociais contam com um movimento diário de 1 bilhão de usuários, o que atrai os headhunters – Direito de imagemALAMY

Anúncios de emprego no Facebook não são um fenômeno recente – você certamente já viu algum em sua página. Mas é possível que você também tenha notado anúncios para funções ou setores normalmente fora da sua área de atuação.

Isso provavelmente resulta da busca de headhunters por pessoas com habilidades e experiência como as suas, com base em informações que o Facebook “aprendeu” sobre você a partir do seu comportamento no site.

À medida que mais headhunters começam a usar esse recurso, alguns especialistas também alertam sobre o outro lado da moeda: a possibilidade de que o Facebook também seja usado para que os headhunters obtenham informações que podem servir para discriminar e eliminar possíveis candidatos, como idade, etnia, religião e gênero.

Tudo funciona da seguinte maneira: o Facebook Ads é um serviço que permite que empresas paguem para postar anúncios no feed de notícias ou nas laterais do feed dos usuários da rede social. Quando publica um anúncio, a empresa pode escolher o tipo específico de pessoa que ela quer atingir, com base em dados como idade, gênero, interesses, etnia, religião e muito mais.

A BBC Capital entrou em contato com o Facebook, mas a empresa se recusou a comentar sobre a prática de recrutamento seletivo na plataforma.

Mas o Facebook não é a única rede social que permite publicidade direcionada. Qualquer plataforma que colete dados sobre seus usuários pode oferecer esse serviço. O Google+ ou o Instagram (que pertence ao Facebook) são dois exemplos, enquanto o LinkedIn permite a headhunters criar anúncios com base na idade e no sexo, mas não na etnia nem na orientação sexual do usuário.

Um bilhão de possibilidades

Jorgen Sundberg
Segundo Jorgen Sundberg, especialista em marketing digital, 10% dos headhunters britânicos fazem anúncios direcionados – Direito de imagemLINK HUMANS

Jorgen Sundberg, fundados da agência de marketing digital Link Humans, em Londres, acredita que 10% das 20 mil empresas de recrutamento da Grã-Bretanha estejam usando os anúncios direcionados do Facebook para encontrar profissionais. “Dentre todas as empresas de tecnologia, o Facebook é, indiscutivelmente, o que possui mais informações sobre qualquer pessoa”, explica Sundberg.

Um porta-voz do Facebook afirmou que a empresa não divulga dados sobre o número de headhunters que utilizam a ferramenta, e se recusou a comentar mais sobre o assunto.

“Com 1,13 bilhão de usuários ativos por dia, o Facebook é um lugar onde você pode encontrar candidatos para todo tipo de emprego”, afirma Tony Restell, sócio da agência de mídias sociais Social-Hire, com sede na Grã-Bretanha. “Analistas do mercado financeiro têm as mesmas chances de querer se conectar com amigos do que motoristas de caminhão. Por isso, o Facebook tem uma penetração enorme em vários setores da economia.”

Essa grande variedade de usuários faz com que os anunciantes sejam específicos e precisos ao buscar seus alvos. Quando não o fazem, acabamos recebendo aqueles anúncios que não fazem o menor sentido para nós.

Mas, segundo Restell, o Facebook não quer dar margens a erros. A empresa compensa os anunciantes oferecendo preços mais baixos se a audiência estiver interessada no post, enquanto cobra mais daqueles cujos anúncios não são populares.

Procura-se: homem, solteiro

Emily Richards
A headhunter Emily Richards usa o Facebook para 30% das vagas que tem para preencher – Direito de imagemGRAHAM WARMAN PHOTOGRAPHY

A neozelandesa Emily Richards, chefe de Dorahy na firma de recrutamento Human Connections Group, usa o Facebook para preencher um terço das vagas disponíveis na empresa.

Por cerca de US$ 14 (ou R$ 46), um anúncio pode atingir até 10 mil pessoas, dependendo do perfil desejado – algo que, para Richards, é uma opção com uma ótima relação custo/benefício.

Mas a empresária também se diz “totalmente ciente” da capacidade das companhias de usar o direcionamento para acabar eliminando certos perfis “indesejados”. “Se colocada nas mãos erradas, a ferramenta pode ser extremamente prejudicial para a igualdade de gêneros, a igualdade racial e tudo aquilo para o qual trabalhamos tanto para evitar.”

Com o objetivo de testar a precisão de um anúncio direcionado, a BBC Capital fez uma simulação no Facebook. A primeira opção foi apenas por homens com idades entre 18 e 25 anos, morando em Nova York. Em seguida, excluímos todos os que têm filhos ou que são casados ou comprometidos. É possível até fazer escolhas por apenas algumas etnias. Excluímos ainda todos os vegetarianos, veganos e pessoas que “curtem” chocolate.

O anúncio final para uma “Superestrela das Redes Sociais” foi logo aprovado pelo Facebook e publicado para cerca de 430 mil homens jovens, solteiros, sem filhos e carnívoros.

O que diz a lei

Davida Perry, sócia do escritório de advocacia Schwartz & Perry, de Nova York, acredita que a prática de direcionar anúncios de emprego através do Facebook Ads pode levar à violação de várias leis.

Nos Estados Unidos, uma lei federal proíbe que o recrutamento seja feito de maneira a discriminar pessoas por sua idade, raça, religião, sexo, estado civil, saúde e orientação sexual.

Portanto, mesmo que os anúncios não sejam necessariamente discriminatórios, o processo de direcionamento – através de selecionar certos perfis e excluir outros – pode ser.

Mas para Perry, apesar de o processo usado para postar anúncios direcionados poder ser ilegal, é muito difícil provar que há discriminação.

A política de publicidade do Facebook diz que anunciantes “não devem usar as opções de direcionamento para discriminar, assediar, provocar ou denegrir usuários”. Esses anunciantes também são obrigados a assegurar que sua propaganda está de acordo com a lei.

Apesar dos riscos, especialistas em recrutamento online pedem para que as pessoas não pensem no cenário mais negativo.

Sundberg faz uma analogia com “a Força” da saga Star Wars: os anúncios direcionados podem ser usados pelo lado negro, mas também pode servir para um bem maior.

“Há todo tipo de gente no mundo, mas de maneira geral, trata-se de uma forma legítima de se conseguir o que se quer”, afirma.
Jessy Edwards/BBC

Robôs e Internet: uma dor de cabeça

O problema dos robôs na internetTwitter Logo Tastatur Bot Social Media (picture-alliance/dpa/J.Arriens)

Desde a eleição americana, manipulação da informação virou tema no ambiente político atual. Mas, com tantos “bots” nas redes sociais, como é possível encontrar a verdade na web?

Com o aumento da importância das redes sociais na formação da nossa visão de mundo, o modo pelo qual websites como Facebook e Twitter levam a informação aos usuários nunca foi tão significante.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Onde antes cidadãos comuns estavam acostumados a julgar a importância, a popularidade ou a credibilidade de políticos, modelos econômicos ou movimentos ideológicos baseados em reportagens profissionais, em pesquisas de opinião pública ou simplesmente através da propaganda de boca, eles estão agora à mercê daquilo que é tendência ou considerado aceito em seus feeds da rede social.

Perigosos falsos seguidores

É aqui que os bots (da palavra inglesa robots), os robôs das redes sociais, entram em ação. Usando bots pré-programados de uma variedade de empresas, da BMW a Spotify, é possível criar um software próprio para salvar todas as canções que se recomendou num aplicativo de música, para postar automaticamente fotos no Instagram ou numa conta do Twitter ou mesmo abrir o portão da garagem. No entanto, alguns criam seus bots com softwares maliciosos, os malwares.

A manifestação mais óbvia de tais projetos pode ser vista no Facebook e no Twitter, onde contas falsas estão configuradas com milhares de seguidores inexistentes para dar uma ilusão de veracidade. Aliada a um software de certo tipo de bot, tais contas podem alcançar pessoas por meio de tuítes e postagens com mensagens específicas ou até mesmo retuitar ou curtir os tuítes de alguém, aumentando assim a popularidade desse usuário.

Notícias falsas

A manipulação de dados é um tema quente no ambiente político atual. O ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, afirmou, em fins do ano passado, temer que notícias falsas possam espalhar desinformação antes das eleições parlamentares no final deste ano.

E ele tem bons motivos para se preocupar. Ainda que as notícias falsas sejam escritas e publicadas por seres humanos, muitas vezes, elas são distribuídas e apoiadas por milhões de contas-fantasma em sites populares como Twitter, Facebook, Reddit e através de email.

Um estudo realizado pelo portal Buzzfeed News logo após a vitória eleitoral de Donald Trump mostrou que mentiras sobre a votação conseguiram movimentar mais as plataformas de mídia social que as histórias verídicas de 19 grandes meios de comunicação juntos.

Uma reportagem realizada pelo Political Bots, uma equipe de pesquisadores das principais universidades do mundo, constatou que mais de 30 milhões de contas do Twitter pertenceriam a perfis falsos. Descobriu-se também que, antes das eleições presidenciais americanas, o número de bots pró-Trump, que promoviam notícias falsas, foi cinco vezes maior que os pró-Hillary Clinton.

Infografik DDos Angriff EN
Infografik DDos Angriff BRA

“Bots – programas de computador comandados através de algoritmos para fazer tarefas online específicas – invadiram as conversas políticas em todo o mundo”, advertiu a reportagem. “O uso generalizado de tais híbridos de softwares e humanos, como também a natureza obscura e muitas vezes discriminatória dos algoritmos por trás deles, ameaçam minar o potencial político – organizacional, comunicativo, entre outros – de sistemas de mídia social.”

Na internet, os bots são usados para realizar ataques DDos, que podem derrubar sistemas inteiros.

Combatendo o problema

Companhias como a Hoaxmap combatem as notícias falsas desde fevereiro de 2016, mas empresas de mídia social, autoridades e governos ainda tentam recuperar o tempo perdido.

Recentemente, o Facebook anunciou uma iniciativa para combater as notícias falsas em sua plataforma, por meio de novas ferramentas que tornarão mais fácil para os usuários marcar tais histórias em sua linha do tempo. Em parceria com a empresa berlinense Correctiv, um coletivo de jornalismo investigativo independente, apartidário e sem fins lucrativos, o Facebook espera usar um terceiro rosto avaliando o material marcado.

O governo alemão quer enfrentar o problema de frente, com um novo órgão ligado ao Ministério do Interior em Berlim, o chamado “Centro de Defesa contra a Desinformação.”

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no entanto, dizem que uma “vacina psicológica” protege as pessoas contra notícias falsas – mas, como acontece com outras vacinas, pode levar décadas até ser elaborada.
Com dados da DW

O curioso caso do milionário russo do Instagram que nunca existiu

Boris Bork tinha tudo, ao menos quando o assunto são bens materiais: andava de carros de luxo, comia em restaurantes premiados, tinha seu próprio helicóptero e, pelo jeito, vários dígitos em sua conta corrente.

Boris Bork, de roupão, em imagem postada no Instagram“Tomando um delicioso café da manhã. Hoje é um dia maravilhoso!”, diz a legenda desta foto publicada no Instagram de Boris Bork
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

Ele gostava de mostrar tudo isso no Instagram, compartilhando sua vida de moscovita milionário com seus mais de 18 mil seguidores. Chegou até a aparecer em um clipe de uma conhecida banda russa.

Parecia ter a vida que sonhava. Mas nem tudo que reluz é ouro – especialmente nas redes sociais.

A verdade é que Boris não era real, e sim um experimento de dois amigos que queriam provar que não é preciso ter muito dinheiro para criar um personagem que viralize na internet.

Foto de Boris Bork publicada no InstagramBoris Bork era um sucesso no Instagram: tinha mais de 18 mil seguidores
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM
Boris Bork em restaurante, em outro clique para o InstagramO “milionário” é, na verdade, o aposentado Boris Kudryashov
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

O consultor de marketing Roman Zaripov, de 23 anos, disse que a ideia surgiu depois de ler um artigo sobre o preço para criar uma estrela das redes sociais – segundo ele, o texto dizia que o valor poderia chegar a até oito dígitos.

Convencido de que poderia fazer isso por muito menos, procurou na rede social russa VKontakte alguém de meia idade – e que tivesse uma aparência “fresca” – para encarnar o papel de um milionário fictício.

Foi assim que encontrou Boris Kudryashov, um aposentado disposto a participar do experimento.

Eles passaram vários finais de semana tirando fotos e publicando no Instagram até transformar Kudryashov – que recebe apenas uma modesta pensão de US$ 195 mensais (R$ 616) – no milionário Boris Bork.

O plano incluiu até o envio, por Zaripov, de uma notícia falsa aos gestores da VKontakte.

Boris Bork em pose para o InstagramChofer para abrir a porta: vida de milionário –Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM
Boris Bork em loja para foto no Instagram“Escolhendo meu terno para a noite de hoje” era a legenda para esta foto
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

As fotos refletem um estilo de vida cheio de luxos e prazeres que corresponderia ao de uma pessoa com uma abastada conta corrente e de personalidade pretensiosa. Mas tudo não passava de um experimento social.

Zaripov disse que a conta recebia 30 mensagens diárias, algumas delas com sondagens para anunciar produtos e marcas de roupas em seu Instagram ou para o envio de presentes em troca de publicidade.

Roman Zaripov e Boris KudryashovRoman Zaripov (à dir.) com Boris Kudryashov em foto não publicada no Instagram – Image copyrightROMAN ZARIPOV

A revelação

Depois de seis meses, o jovem revelou em um post no Facebook a verdadeira história do famoso milionário.

“Me surpreendi como, gastando apenas US$ 800 (R$ 2,5 mil) em dois meses, pude fazer com que dezenas de milhares de adultos acreditassem em uma pessoa que não existe”, disse Zaripov.

O que mais o surpreendeu, segundo ele, foi a facilidade de enganar as pessoas, que “deveriam comprovar a veracidade da informação (que se publica nas redes sociais), e não parecem fazê-lo”.

Boris Bork exibe seus músculos no InstagramBork ganhou mais de 18 mil seguidores no Instagram em poucos meses
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

Nos últimos meses, algumas celebridades têm externado reticência quanto ao uso excessivo das redes sociais.

“Isso tem um grande impacto na autoestima das mulheres jovens, porque tudo o que fazem é criar uma imagem de si mesmas para agradar as pessoas. E isso vem acompanhado de que? Transtornos alimentares”, disse a atriz Kate Winslet.

A roteirista, diretora e atriz Lena Dunham decidiu deixar as redes sociais depois de receber uma série de comentários ofensivos que, segundo ela, “criam uma espécie de câncer dentro de você”.

Inspiração italiana

A inspiração de Zaripov para criar Boris Bork foi o milionário italiano Gianluca Vacchi – este real.

Gianluca Vacchi em foto postada nas redes sociaisGianluca Vacchi tem milhões de seguidores no Instagram
Image copyrightGIANLUCAVACCHI/INSTAGRAM

As publicações de Vacchi, de 49 anos, viraram um fenômeno do Instagram.

Em um de seus vídeos, que já acumula mais de três milhões de visualizações, ele aparece dançando a música La Mordidita, de Ricky Martin, em um enorme iate – ao lado, sua noiva de vinte e poucos anos, Giorgia Gabriele.

Vacchi é um empresário com investimentos em vários ramos – e dono de um estilo de vida extravagante. Assim como o fictício Boris Bork, que dizia querer “propagar a boa vida e sua forma de ver o mundo”.

Mas, ao menos neste caso, a fortuna é de verdade.

Menino de 10 anos ganha US$ 10 mil após identificar falha de segurança no Instagram

Um menino finlandês de dez anos de idade, identificado apenas como Jani, recebeu US$ 10 mil (mais de R$ 35 mil) depois de descobrir uma falha de segurança no Instagram.

Getty
O Facebook, dono do Instagram, já pagou mais de US$ 4 milhões para os ‘caçadores de bugs’

O menino, que tecnicamente não deveria poder sequer abrir uma conta no Instagram (a rede aceita usuários apenas a partir dos 13 anos), descobriu uma falha no site que permitia que ele apagasse comentários feitos por outros usuários.

O Facebook, dono do Instagram, informou que o problema foi consertado “rapidamente” depois da descoberta de Jani.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Logo em seguida, o menino recebeu o dinheiro e se transformou no ganhador mais jovem do prêmio de “caçador de bugs” criado pelo Facebook.

Alerta por email

Depois de descobrir a falha em fevereiro, Jani enviou um email com um alerta ao Facebook.

Engenheiros do setor de segurança da empresa abriram uma conta para Jani testar sua teoria e o menino comprovou a falha.

Jani, que mora em Helsinque, disse ao jornal finlandês Iltalehti que planeja usar o dinheiro para comprar uma bicicleta nova, equipamento de futebol e computadores para os irmãos.

O Facebook disse à BBC que já pagou US$ 4,3 milhões (mais de R$ 15 milhões) para os “caçadores de bugs” desde 2011.

Em 2014 um brasileiro, o engenheiro de computação Reginaldo Silva, recebeu US$ 33,5 mil do Facebook pela descoberta de um bug em seu sistema.

Muitas outras companhias oferecem incentivos financeiros como este para profissionais do setor de segurança – e para crianças também – descobrirem falhas como estas. É uma forma de tentar evitar que eles vendam estas informações para fins ilegais.
DavidLee/BBC