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Uma abordagem inovadora para a energia solar

O céu azul no Reino Unido em abril foi uma grande vantagem para a energia solar. Uma das poucas partes da economia do Reino Unido que teve um bom abril foi a energia solar.

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O Met Office diz que provavelmente foi o abril mais ensolarado do mundo e a indústria de energia solar registrou a maior produção de eletricidade de todos os tempos (9,68 GW) no Reino Unido às 12h30 da segunda-feira, 20 de abril.

Com 16 painéis solares em seu telhado, Brian McCallion, da Irlanda do Norte, foi um dos que se beneficiaram com o bom tempo.

“Nós os temos há cerca de cinco anos e economizamos cerca de mil libras por ano”, diz McCallion, que vive em Strabane, perto da fronteira.

“Se eles fossem mais eficientes, poderíamos economizar mais”, diz ele, “e talvez investir em baterias para armazená-lo”.Direitos autorais da imagem Getty Images

Os painéis solares até fazem sentido na Irlanda do Norte nublada
Essa eficiência pode estar chegando. Existe uma corrida mundial, de San Francisco a Shenzhen, para criar uma célula solar mais eficiente.

O painel solar comercial médio de hoje converte 17-19% da energia luminosa que o atinge em eletricidade. Isso representa um aumento de 12% há apenas 10 anos. Mas e se pudéssemos aumentar isso para 30%?

Células solares mais eficientes significam que poderia obter muito mais do que os atuais 2,4% do suprimento global de eletricidade a partir do sol.

Energia Solar já é a tecnologia de energia que mais cresce no mundo. Dez anos atrás, havia apenas 20 gigawatts de capacidade solar instalada globalmente – um gigawatt sendo aproximadamente a produção de uma única grande usina elétrica.Direitos autorais da imagem Getty Images

Esta fazenda solar cobre 200 ha (500 acres) no sul da França
No final do ano passado, a energia solar instalada no mundo havia saltado para cerca de 600 gigawatts.

Mesmo com a interrupção causada pelo Covid-19, provavelmente adicionaremos 105 gigawatts de capacidade solar em todo o mundo este ano, prevê a empresa de pesquisa com sede em Londres IHS Markit.

A maioria das células solares é feita de fatias finas de cristais de silício, 70% das quais são fabricadas na China e em Taiwan.

Mas o silício cristalino está colidindo bem perto de sua máxima eficiência teórica.

O limite de Shockley-Queisser marca a eficiência máxima para uma célula solar feita com apenas um material, e para o silício isso é de cerca de 32%.

No entanto, combinar seis materiais diferentes no que é chamado de célula de múltiplas junções pode aumentar a eficiência em até 47%.

Outra maneira de romper esse limite é usar lentes para aumentar a luz do sol que cai sobre a célula solar, uma abordagem chamada solar concentrada.

Mas essa é uma maneira cara de produzir eletricidade e é principalmente útil em satélites.

“Nada que você veria no telhado de alguém na próxima década”, ri Nancy Haegel, diretora de ciência de materiais do Laboratório Nacional de Energia Renovável em Boulder, Colorado.Direitos autorais da imagem Getty Images

A tecnologia solar que mais cresce é chamada de perovskitas – em homenagem ao conde Lev Alekseevich von Perovski, mineralogista russo do século XIX.

Estes possuem uma estrutura cristalina específica que é boa para absorção solar. Filmes finos, cerca de 300 nanômetros (muito mais finos que um fio de cabelo humano) podem ser fabricados com soluções baratas – permitindo que eles sejam facilmente aplicados como revestimento em prédios, carros ou até em roupas.

Os perovskitas também funcionam melhor que o silício em intensidades de iluminação mais baixas, em dias nublados ou em ambientes fechados.

Você pode imprimi-los usando uma impressora a jato de tinta, diz o Dr. Konrad Wojciechowski, diretor científico da Saule Technologies, com sede em Oxford e Varsóvia. “Pinte em um substrato e você tem um dispositivo fotovoltaico”, diz ele.

Com um material tão barato, flexível e eficiente, você pode aplicá-lo a móveis de rua para abastecer sensores de carregamento de smartphones, wifi públicos e qualidade do ar gratuitamente, explica ele.

Ele está trabalhando com a empresa de construção sueca Skanska para aplicar camadas de perovskita em painéis de construção.Direitos autorais da imagem INSOLIGHT

A Saule Technologies está usando perovskitas em painéis solares
De acordo com Max Hoerantner, co-fundador da Swift Solar, uma empresa iniciante de São Francisco, existem apenas 10 empresas iniciantes no mundo trabalhando com tecnologia de perovskita.

A Oxford PV, uma divisão da universidade, diz que alcançou 28% de eficiência com uma célula solar comercial baseada em perovskita no final de 2018 e terá uma linha de produção anual de 250 megawatts em operação este ano.

Tanto a Oxford PV quanto a Swift Solar produzem células solares em tandem – são painéis de silício que também possuem uma fina camada de filme de perovskita.

Como são feitos de dois materiais, eles conseguem ultrapassar o limite de Shockley-Queisser.

O silício absorve a faixa vermelha do espectro de luz visível e a perovskita a bit azul, dando ao tandem maior eficiência do que qualquer um dos materiais isoladamente.

Um desafio é quando “você trabalha com um material que existe desde 2012, é muito difícil demonstrar que ele durará 25 anos”, diz Hoerantner.Direitos autorais da imagem INSOLIGHT

Os painéis Insolight usam lentes para concentrar a luz.
A Insolight, uma startup suíça, adotou uma abordagem diferente – incorporando uma grade de lentes hexagonais no vidro de proteção de um painel solar, concentrando assim a luz 200 vezes.

Para acompanhar o movimento do sol, o conjunto de células muda horizontalmente alguns milímetros ao longo do dia. É uma tentativa de tornar barato o concentrado solar.

“A arquitetura desses sistemas fotovoltaicos concentrados convencionais é muito cara. O que fizemos foi miniaturizar o mecanismo de rastreamento solar e integrá-lo ao módulo”, diz David Schuppisser, diretor de negócios da Insolight.

“Fizemos isso de uma maneira mais barata [que] você pode implantar em qualquer lugar que possa implantar um painel solar convencional”, diz ele.

O instituto de energia solar da Universidade Politécnica de Madri mediu o modelo atual da Insolight como tendo uma eficiência de 29%. Agora, ele está trabalhando em um módulo que espera atingir 32% de eficiência.

A atual tecnologia de silício ainda não está totalmente morta, e existem abordagens para obter pequenas e rápidas vitórias em eficiência. Uma é adicionar uma camada extra às costas de uma célula para refletir a luz não absorvida de volta através dela uma segunda vez. Isso melhora a eficiência em 1-2%.

Outra é adicionar uma camada externa, o que diminui as perdas que ocorrem onde o silicone toca os contatos de metal. É apenas um “pequeno ajuste”, diz Xiaojing Sun, analista da Wood Mackenzie, analista solar – adicionando 0,5-1% em eficiência -, mas ela diz que essas mudanças significam que os fabricantes precisam fazer pequenas alterações em suas linhas de produção.

Desde pequenos ganhos – ao uso de energia solar concentrada e perovskitas – a tecnologia solar está em uma corrida para aumentar a eficiência e reduzir os custos.

“Abrangendo esse número mágico em 30%, é aqui que a indústria de células solares pode realmente fazer uma diferença muito grande”, diz Max Hoerantner, da Swift Solar.

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Governo do Reino Unido suspende novos subsídios para parques eólicos em terra

Decisão chega quatro anos depois que ministros dispensaram o apoio a novos projetos.

Os planos para renovar o apoio à energia eólica em terra foram delineados para os ativistas verdes pelos assessores de políticas no n ° 10. Fotografia: Murdo MacLeod / The Guardian

O Reino Unido abandonou sua oposição ao subsídio de novos parques eólicos em terra, quatro anos depois que os ministros dispensaram o apoio a novos projetos.

O governo removerá um bloqueio aos projetos eólicos onshore, permitindo que os esquemas concorram por subsídios, juntamente com os desenvolvimentos de energia solar e os projetos eólicos offshore flutuantes, em um novo esquema de leilão anunciado na segunda-feira.

Apenas um novo parque eólico onshore começou sob as políticas atuais do Reino Unido em 2019

A inversão de marcha segue a promessa do governo de reduzir as emissões para praticamente zero até 2050, um feito que seus consultores oficiais de clima acreditam que exigirá que a capacidade de energia eólica em terra do Reino Unido triplique nos próximos 15 anos.

O leilão será realizado em 2021, permitindo que novos projetos de energias renováveis ​​entrem em funcionamento a partir de meados da década de 2020 se eles conseguirem um contrato que garanta um preço pela eletricidade limpa que geram.

Alok Sharma, secretário de Estado de negócios e energia, diz que acabar com a contribuição do Reino Unido para a crise climática “significa tornar o Reino Unido um líder mundial em energia renovável”.

O governo fará isso “de uma maneira que funcione para todos, ouvindo as comunidades locais e dando-lhes voz efetiva nas decisões que os afetam”, disse Sharma.

Os desenvolvedores de parques eólicos precisarão cumprir novas propostas difíceis, com o consentimento da comunidade, para se qualificar para o processo de leilão. Aqueles que desejam construir um parque eólico na Inglaterra também precisarão do consentimento da comunidade local através dos códigos de planejamento existentes.

Alethea Warrington, ativista da organização de mudanças climáticas possível, disse: “Podemos finalmente comemorar a nova fonte de energia mais barata do Reino Unido – a energia eólica em terra – sendo trazida do frio.

“Como nossa fonte mais barata de energia limpa, o vento onshore é extremamente popular entre as pessoas no Reino Unido, que entendem que precisamos usar todas as ferramentas incluídas na caixa para enfrentar a crise climática”.

As políticas de energia existentes levaram a um declínio acentuado no número de novos parques eólicos em terra desde que o bloqueio contra parques eólicos em terra foi implantado por David Cameron em 2016.

A implantação de novos projetos eólicos em terra caiu para o nível mais baixo desde 2011 no ano passado, alertando que o Reino Unido arriscou perder seus objetivos climáticos.

O executivo-chefe da Scottish Power, Keith Anderson, disse que a decisão de apoiar a energia eólica em terra foi “um dos primeiros sinais claros de que o governo realmente quer dizer negócios” para atingir suas metas climáticas.

“O vento em terra é uma ferramenta crucial para combater as mudanças climáticas – é barato, é limpo e é rápido de construir. Como desenvolvedor responsável, trabalhamos duro para garantir o apoio das comunidades locais.”

O Guardian revelou no final do ano passado que a Scottish Power havia iniciado planos para uma grande expansão de projetos de parques eólicos em terra, totalizando 3GW de nova capacidade em toda a Escócia, em antecipação a uma inversão de marcha do governo no apoio a projetos de energia eólica.

Hugh McNeal, executivo-chefe da Renewable UK, disse que a mudança ajudaria a acelerar a transição do Reino Unido para uma economia líquida zero e proporcionaria um “enorme impulso para empregos e investimentos nas economias locais em todo o Reino Unido”.

“O apoio a fontes renováveis ​​baratas é um exemplo claro da ação prática para combater as mudanças climáticas que o público exige”, afirmou.

O que é ‘imunidade de grupo’, a polêmica estratégia do Reino Unido para combater o coronavírus

Estratégia do governo Boris Johnson em relação a covid-19 é diferente da de todos os seus vizinhos europeus.

A estratégia do governo do Reino Unido para lidar com a pandemia de coronavírus é radicalmente diferente da de outros países.

Desde a última terça-feira (10 de março), toda a Itália está em quarentena, enquanto a Polônia se prepara para fechar suas fronteiras por duas semanas.

O governo da França ordenou o fechamento de todos os locais públicos não essenciais a partir da meia-noite deste sábado, 14 de março, e a Espanha decretou um estado de emergência que restringirá a circulação de cidadãos por 15 dias e só permitirá que eles saiam de casa por motivos essenciais, como ir ao supermercado ou trabalhar.

Neste sábado, centenas de cientistas pediram que o governo do primeiro-ministro Boris Johnson tomasse medidas mais duras para lidar com o surto de covid-19, como é chamada a doença causada pelo novo coronavírus.

Em uma carta aberta, um grupo de 229 cientistas de universidades britânicas diz que a atual estratégia do governo Johnson colocará o serviço de saúde britânico sob pressão adicional e “ameaçará mais vidas do que o necessário”.

Os signatários também criticaram os comentários feitos por Sir Patrick Vallance, o principal consultor científico do governo, que sugeriu que parte da estratégia das autoridades era gerenciar a propagação da infecção para tornar a população imune.

O Departamento de Saúde britânico notou mais tarde que os comentários de Vallance haviam sido “mal interpretados”.

A carta também critica a opinião do governo de que, se as restrições às atividades das pessoas forem impostas muito cedo, elas ficarão cansadas delas e deixarão de cumpri-las.

Em meio a críticas e crescente pressão, o primeiro-ministro se reúne nesta segunda-feira com seus ministros e especialistas em saúde e segurança nacional para discutir novas medidas de contenção do vírus. No domingo, o governo já dava sinais de que irá recomendar a todos acima de 70 anos que permaneçam em suas casas. A orientação será provavelmente estendida àqueles que tenham condições de saúde consideradas debilitantes.

O texto foi publicado no último sábado, 14 de março, no mesmo dia em que foi anunciado que outras 10 pessoas morreram no Reino Unido por causa do coronavírus, elevando o número total de mortes para 21. Já no domingo, novas mortes foram anunciadas pelo departamento de sa[ude britânico, elevando o total no país para 35, um crescimento de mais de 50% em único só dia.

Além disso, o Conselho Consultivo Científico para Emergências (Sage) do governo recomendou que medidas fossem implementadas em breve para proteger a população vulnerável, incluindo o isolamento dentro de suas casas.

Vallance e o principal consultor médico do governo Chris Whitty disseram que pretendem publicar os modelos de computador nos quais sua estratégia se baseia.Direito de imagemGETTY IMAGES
Luta contra coronavírus é retardar sua propagação e tentar contê-lo

Medidas insuficientes
Em sua carta aberta, os cientistas assinantes argumentam que medidas mais fortes de “distanciamento social” reduziriam “drasticamente” a taxa de contágio no Reino Unido e salvariam “milhares de vidas”.

O grupo disse que as medidas atuais são “insuficientes” e que “medidas adicionais e mais restritivas devem ser aplicadas imediatamente”, como está acontecendo em outros países.

A idéia de “gerenciar a disseminação” da doença para que a população ganhe imunidade, conhecida como “imunidade de grupo” ou “efeito rebanho”, também foi questionada.

De acordo com esse conceito, aqueles que estão em risco de infecção podem ser protegidos porque estão cercados por pessoas resistentes à doença.

A “imunidade de grupo” é normalmente usada por epidemiologistas para falar dos benefícios da aplicação de vacinas recebidos por pessoas que não as tomaram. Isso porque, uma vez vacinados, elas ganham imunidade contra um determinado patógeno, beneficiando indiretamente toda uma comunidade, inclusive aqueles que não tiveram acesso à vacinação.

Mas ainda não há vacina para o coronavírus.

Sendo assim, estimativas sugerem que a “imunidade de grupo” contra a covid-19 seria alcançada quando aproximadamente 60% da população for infectada pela doença.

Mas na carta aberta, os cientistas afirmam que “buscar ‘imunidade de grupo’ neste momento não parece ser uma opção viável”.

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Segundo OMS, 80% dos infectados desenvolverão sintomas leves, 14% graves e 6% gravíssimos.

Uma atitude de “deixar o vírus circular”
O problema da “imunidade de grupo” é que, para funcionar, seriam necessárias que cerca de 36 milhões de pessoas no Reino Unido sejam infectadas e se recuperem, de acordo com o professor Willem van Schaik, da Universidade de Birmingham.

“É quase impossível prever o que isso significaria em termos de custos humanos, mas, de maneira conservadora, estamos estimando que seriam dezenas de milhares de mortes e possivelmente centenas de milhares de mortes”, disse ele.

“A única maneira de tornar isso possível seria espalhar o contágio desses milhões de casos por um período relativamente longo, para que a saúde pública não seja prejudicada”, acrescentou.

Van Schaik enfatizou que o Reino Unido é o único país da Europa que está realizando o que descreveu como “uma atitude deixar o vírus circular”.

Além disso, especialistas não sabem dizer se os infectados com a doença ganham imunidade após se recuperarem – as primeiras evidências até agora apontam que sim, mas isso ainda não é uma certeza.

Eles acrescentam que uma mutação no vírus poderia tornar essa estratégia “completamente ineficaz”.

No entanto, um porta-voz do Departamento de Saúde afirmou que os comentários de Vallance foram mal interpretados.

“A imunidade de grupo não faz parte do nosso plano de ação, mas é um resultado colateral da epidemia. Nosso objetivo é salvar vidas, proteger os mais vulneráveis e reduzir a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês)”, disse ele.

“Agora passamos da fase de contenção para a fase de desaceleração e temos especialistas trabalhando permanentemente. Todas as medidas que introduzimos ou aplicaremos no futuro se baseiam nas melhores evidências científicas”, acrescentou.

“Nossa consciência dos níveis prováveis de imunidade no país nos próximos meses garantirá que nosso planejamento e resposta sejam os mais precisos e eficazes possíveis”, concluiu.

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Chris Whitty (à esquerda) e Patrick Vallance são considerados responsáveis ​​pela estratégia do Reino Unido para coronavírus

Medidas mais drásticas
Em uma carta separada ao governo, mais de 200 cientistas comportamentais questionaram o argumento do governo de que começar a implementar medidas drásticas muito em breve faria com que a população deixasse de cumpri-las exatamente no momento em que a epidemia estivesse em seu ponto mais alto.

“Apesar de apoiarmos totalmente uma estratégia baseada em evidências que formula uma política baseada na ciência do comportamento, não estamos convencidos de que se saiba o suficiente sobre ‘fadiga comportamental’ ou em que medida esse conhecimento é aplicado às circunstâncias. excepcional atual “, indica a carta.

“Essa evidência é necessária se quisermos basear uma estratégia de saúde pública de alto risco”, diz o texto.

“De fato, parece provável que mesmo as mudanças essenciais de comportamento necessárias atualmente (como lavar as mãos) sejam adotadas com muito mais facilidade à medida em que a situação seja percebida como mais urgente. Seguir adiante com normalidade pelo maior tempo possível enfraquece esse senso de urgência”, acrescentam.

Os cientistas observaram que uma “mudança radical de comportamento” poderia ter um efeito muito melhor e “salvar um grande número de vidas”.

“A experiência na China e na Coreia do Sul é encorajadora o suficiente e sugere que pelo menos essa possibilidade seja tentada”, acrescentam.

A segunda carta pede ao governo que reconsidere sua posição sobre “fadiga comportamental” e compartilhe as evidências nas quais está baseando sua estratégia.

Indústria nuclear é um risco e uma ameaça à meta climática da Inglaterra

Diante das reações o governo da Inglaterra pode abandonar um plano para pagar a construção de novas usinas nucleares através da cobrança de uma taxa sobre as contas de energia.


O governo pode abandonar um plano para pagar por novas estações nucleares através de uma taxa sobre as contas de energia.

O Reino Unido perderá sua meta de carbono zero líquido até 2050, a menos que encontre uma maneira de financiar usinas nucleares, disse a indústria nuclear.

A indústria enviou uma carta confidencial ao chanceler Rishi Sunak, que foi vista pela BBC.

A carta foi motivada por temores de que o governo use o orçamento da próxima semana para abandonar um plano de pagamento de novas usinas através de uma taxa sobre as contas de energia.

O esquema acrescentaria cerca de £ 6 por ano às contas de energia.

Foi apresentada pelo Tesouro no ano passado como forma de pagamento de uma nova usina planejada em Sizewell, em Suffolk.

Todas, exceto uma das usinas nucleares existentes no Reino Unido, que fornecem cerca de 20% da eletricidade do país, serão aposentadas até o final da década.

Críticas severas
Apenas um novo reator, em Hinkley Point, em Somerset, está em construção.

Ele está sendo pago pela empresa francesa de serviços públicos EDF e seu parceiro no projeto, China General Nuclear Power Corp (CGN).

A construção é apoiada pela promessa de que o Reino Unido pagará 92,50 libras por cada megawatt-hora que produz, mais que o dobro do preço atual de mercado.

A nova estação de Hinkley enfrentou críticas – Getty

O alto preço atraiu críticas severas e levou à busca de uma nova maneira de financiar usinas nucleares.
“Existe uma necessidade urgente de um novo mecanismo de financiamento robusto que garanta a confiança do investidor, reduz o custo de capital e ofereça um valor muito significativo ao consumidor”, afirma a carta da Associação da Indústria Nuclear ao chanceler.

“Sem a estrutura política adequada e o modelo de investimento na legislação, é impossível alcançar a substituição dessa capacidade e sustentar nossas necessidades futuras de energia”.

A associação acrescenta que o Reino Unido não pode contar com energia renovável “dependente do clima” – energia eólica e solar – para todas as suas necessidades futuras de energia. Nem poderia esperar o surgimento de tecnologias “inovadoras”.

“O relatório Net Zero do Comitê de Mudanças Climáticas recomendou que um futuro mix de energia fosse constituído por 38% de energia firme, da qual nuclear é a única opção comprovada e comercialmente viável”, diz a carta.

Também encontra falhas nas conclusões da Comissão Nacional de Infraestrutura sobre energia nuclear, dizendo que elas não levam em conta adequadamente os compromissos de mudança climática do governo – o mesmo motivo pelo qual o Tribunal de Apelação bloqueou recentemente a terceira pista planejada em Heathrow.

A comissão disse que o Reino Unido precisará de apenas mais uma nova usina nuclear do tamanho da que está sendo construída em Hinkley Point antes de 2025. “Essa conclusão é fundamentalmente falha – até porque a avaliação não leva em conta o comprometimento líquido agora legislado, “a carta diz.

‘Indústria falida’
No entanto, a organização de campanha nuclear CND disse que seria melhor se a taxa fosse descartada.

Kate Hudson, secretária geral da CND, disse: “Os subsídios do governo para a indústria nuclear – como uma taxa de 6 libras por cabeça para Sizewell – estão de fato sustentando uma indústria falida, motivo pelo qual congratulamo-nos com qualquer plano para descartá-los.

“Não apenas a energia nuclear é mais cara que as renováveis, como todas as usinas nucleares construídas desde 1951 tiveram perdas de £ 4 bilhões em média.

“A nuclear também cria um problema insolúvel em resíduos, e como o drama de TV Chernobyl revelou graficamente, os acidentes nucleares criam miséria humana e destruição ambiental.

“Parece que o governo pode finalmente estar acordando para essas realidades econômicas e ambientais”.

Excesso de custos
Executivos do setor nuclear disseram que o Tesouro estava adotando uma visão sombria do plano de financiar usinas através de uma taxa sobre as contas dos clientes.

Seus especialistas em contabilidade disseram que, como o plano levaria o governo a pagar a conta por grandes excedentes de custos, o custo total poderia contar como parte dos empréstimos do governo.

Na terça-feira, o governo mostrou vontade de abalar a política energética, abrindo as portas para a construção de novos parques eólicos em terra.

Na verdade, eles foram banidos por David Cameron quando primeiro ministro.

Personalidades alemãs pedem libertação de Assange

Ex-ministros, jornalistas e escritores argumentam que não há garantia de que o processo do australiano seja tratado de forma isenta pelas Justiças do Reino Unido e EUA. Relator da ONU vê “evidente perseguição política”.    

Manifestação de apoio a Julian Assange em LondresAssange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres

Mais de 130 políticos, jornalistas, escritores e artistas, a maioria da Alemanha, exigiram nesta quinta-feira (06/02) a libertação imediata do whistleblower Julian Assange, de 48 anos, que está preso no Reino Unido e pode ser extraditado para os Estados Unidos.

Os organizadores da ação argumentam que Assange deve ser libertado por razões humanitárias e porque não há garantias de que o caso transcorra em conformidade com os princípios do Estado de direito.

O jornalista investigativo Günter Wallraff, promotor da iniciativa, disse que não se trata apenas do destino do fundador do site WikiLeaks, mas da defesa da liberdade de imprensa e de opinião e, portanto, da democracia.

Walraff disse que, “se jornalistas e denunciantes precisam temer a perseguição, a prisão ou até mesmo por suas vidas ao revelarem crimes do Estado, então o quarto poder está mais do que em perigo”.

O ex-ministro alemão do Exterior Sigmar Gabriel declarou que, no caso específico de Assange, aparentemente não há garantia de um processo que respeite os princípios elementares do Estado de direito por causa de razões políticas, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido.

Gabriel disse que Assange não está em condições de se preparar física e mentalmente para a sua defesa e nem mesmo tem acesso adequado a seus advogados.

Entre os signatários da declaração em favor de Assange estão dez ex-ministros da Alemanha e uma vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, a austríaca Elfride Jelinek.

Os signatários se baseiam em declarações do relator especial das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, que fez graves acusações contra autoridades do Reino Unido, da Suécia, dos Estados Unidos e do Equador.

Para ele, as acusações da Suécia contra Assange careciam de fundamento, e o caso do australiano está sendo usado para servir de exemplo e intimidar jornalistas.

Melzer disse que a acusação de estupro feita contra Assange na Suécia foi inventada. “Basta arranhar um pouquinho a superfície para que as contradições aparecem”, declarou à emissora alemã ZDF. Segundo ele, protocolos de interrogatórios foram falsificados, e Assange não teve a chance de se defender.

A Suécia arquivou o caso em novembro passado, e os promotores disseram que, por isso, não comentariam as declarações de Melzer.

O relator da ONU criticou que, no Reino Unido, depois de deixar a embaixada do Equador, Assange foi condenado às pressas. “É evidente que se trata de perseguição política”, declarou ele a um site suíço. “As penas previstas superam em muito as do tribunal para crimes de guerra de Haia”, comentou, em referência às acusações nos Estados Unidos.

Em entrevista à DW, Melzer acusou a Suécia, o Reino Unido, os Estados Unidos e o Equador de manipularem a Justiça. “Eu relutei muito antes de vir a público com uma declaração como essa porque pensei que ninguém vai acreditar em mim. Mas eu tenho as evidências.”

Assange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres. Os Estados Unidos pediram a sua extradição. Ele é acusado de ajudar a whistleblower Chelsea Manning – que então ainda se chamava Bradley Manning – a divulgar material secreto das missões americanas no Iraque e no Afeganistão.

Assange pode pegar até 175 anos de prisão se for condenado em todas as 18 acusações nos Estados Unidos. A audiência sobre a sua extradição ocorrerá em 24 de fevereiro.

AS/dpa/lusa

A Globo e a Família Real Inglesa

São caboclos querendo ser ingleses. A frase é do Cazuza, a realidade nossa.familia,Inglaterra,Blog do Mesquita,retrato

 

Aquilo que o brilhante poeta de letras diretas, apaixonantes e personalidade singular nos disse em inflamadas performances se estende por mais décadas do que talvez o próprio Agenor de Miranda Araújo Neto acreditaria.

Meados de 1980: o militarismo se vai, as eleições diretas chegam, agora o Brasil melhora. Agora teremos menos desigualdades e a “fétida burguesia” não vai mais ditar tudo sozinha. Mais educação, mais saúde, mais emprego… Não foi assim.

Resquícios de uma elite atrasada, dominadora e parasita ainda existem no Brasil. Uma elite oligárquica, herdeira do velho e apático coronelismo da Primeira República, entre 1889 e 1930. Aquela que cultua o estrangeiro e se desfaz do Brasil. São caboclos querendo ser ingleses. No Brasil, o jornalismo e a grande mídia em geral também tem suas raízes fincadas em terras onde o elitismo foi semeado.

De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, no capítulo V, uma emissora só pode operar com o aval do Poder Executivo, através de uma concessão que é sabatinada pelo Congresso Federal:

Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.
§ 1º O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, §§ 2º e 4º, a contar do recebimento da mensagem.

O artigo diz ainda que esta concessão tem prazos pré-determinados: 10 anos para emissoras de rádio e 15 para as de televisão. Ainda no Capítulo V, o artigo 221 da Constituição diz que para as emissoras produzirem conteúdo elas devem obedecer a alguns critérios, já que a comunicação e o acesso à informação é um direito de todos os cidadãos e depende do espaço aéreo, que é protegido e regulamentado pelo Estado. São eles:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Creio, amigo leitor, que assim como eu, você também se questiona e sem me aprofundar nas inúmeras questões que envolvem o cumprimento daquilo que está determinado na Carta Magna de nosso país, percebemos que o texto está muito distante do que é colocado em prática.

O Brasil fala oficialmente português, idioma nativo de Portugal, obviamente por ter sido colonizado por portugueses e ter tido extrema influência cultural daquele país. Nosso idioma é um misto de português, palavras africanas e indígenas, uma verdadeira mistura que revela o quão multiculturais e multiétnicos nós somos.

O Brasil não tem o inglês como idioma oficial. Do inglês temos palavras absorvidas oriundas do consumo. São multinacionais que vendem seus produtos que possuem termos em inglês e que naturalmente, são agregados ao nosso cotidiano: “play”, “stop”, “ok”, “no break” e por aí adiante. E esta influência no idioma “nacionalizando” palavras da língua inglesa são muito mais por conta dos Estados Unidos do que da Inglaterra, diga-se de passagem.

Nosso primeiro jornal em circulação, o Correio Braziliense era editado e impresso em Londres; o Reino Unido teve participação no processo de independência do Brasil (porque tinha seus próprios interesses nisso, obviamente) e até o fim da escravidão teve a mão inglesa. Tivemos expedicionários, pensadores, padres e desbravadores que por aqui resolveram aparecer e trouxeram um pouco da cultura e infraestrutura. As influências inglesas no Brasil são tão poucas e tão despercebidas no dia-a-dia, que não justificam uma emissora brasileira dar tanto espaço a um casamento real inglês.

Nós não somos como Canadá, a Austrália ou Nova Zelândia que tem a Rainha Elizabeth como líder de Estado, ainda que de maneira diplomática e simbólica. Qual o interesse da Rede Globo em cobrir de maneira tão ampla um casamento real inglês? No sábado, dia 19 de maio de 2018, às 10h48, as 13 primeiras reportagens do site G1 eram sobre o assunto: vestidos usados, chapéus, celebridades que estavam presentes, ex-namoradas do príncipe. Cansativo, não? Pior que isso. Desnecessário e preocupante, afinal, qual a relevância para o público brasileiro assistir ao vivo, em pleno sábado a tarde um casamento tão distante fisicamente e culturalmente?

Historicamente o Brasil tem sim uma tímida ligação com os ingleses. Além do que citado anteriormente, as imigrações no Sul do país ou até mesmo o apreço pelo futebol. Mas não seria suficiente para a emissora mais popular do país, líder em audiência e de investimento em tecnologia, logística, recursos humanos e que mais gasta seu orçamento com jornalismo, transmita ao vivo uma cerimônia de uma família real britânica.

Trata-se de mero entretenimento: ocupar a metade do Jornal Nacional do dia 18 de maio de 2018 com o assunto, transforma o jornalismo em espetáculo, algo que nosso mestre, Alberto Dines, combateu, por entender que o jornalismo tem obrigações com a sociedade.

As empresas de comunicação, muitas vezes não cumprem o que a Constituição diz e usam do jornalismo para isso. Usam de um espaço cedido pelo Estado para promover valores e tendências que não condizem com os anseios do povo brasileiro e muito menos agregam algum tipo de conhecimento relevante. Não faço apologia ao nacionalismo cego, mas, precisando de respostas para questões bem mais importantes.

Temo em cair nas máximas das teorias da conspiração com isso: sinto-me como se estivessem querendo me distrair! Distrair por qual motivo? Com qual finalidade? O que querem nos impor? A sensação que me passam, ao transmitir um casamento real inglês é de futilidade banalizada. E ainda dizem que só o futebol é “pão & circo”. Sigamos como o Mestre Dines: observando e combatendo, usando a escrita como arma.

A burguesia ainda fede.

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Guilherme de Carvalho Lucas é jornalista formado pelo IESB- Brasília.

Como o serviço secreto britânico está usando o cinema para recrutar novos espiões

Mulher em anúncio do MI6Direito de imagemMI6
Amantes do cinema de diferentes gerações vêm acompanhando, ao longo de décadas, as incríveis proezas do agente secreto mais famoso do mundo: James Bond, o 007.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A série de filmes projeta uma imagem romântica, violenta, tecnológica e até cínica sobre o mundo da espionagem.

Essa, no entanto, é uma imagem da qual o SIS (sigla de Secret Intelligence Service, ou Serviço Secreto de Inteligência), órgão mais conhecido como MI6, quer se afastar hoje em dia.

E para isso, pela primeira vez, o serviço decidiu usar as mesmas telas de cinema frequentadas por Bond.

‘Esta mulher poderia’

O MI6 acaba de lançar em cinemas britânicos uma campanha com anúncios cujo objetivo é recrutar canditatos para trabalhar como espiões.

Uma mulher jovem de etnia indefinida é vista na tela em uma série de situações corriqueiras. Ela demonstra inteligência emocional e habilidade para lidar com pessoas.

“Esta mulher não trabalha para o MI6. Mas poderia”, diz a peça publicitária.

A julgar pelo anúncio, portanto, pessoas de olhos azuis, brancos e do sexo masculino que querem “licença para matar” não devem perder seu tempo com a candidatura.

“Existe por aí uma noção de que queremos um Daniel Craig (ator que interpretou James Bond no cinema) ou um Daniel Craig bombado”, disse ao jornal britânico The Guardian a chefe do setor de recrutamento do MI6, identificada apenas pelo nome de Sarah.

Sede do MI6 em LondresDireito de imagemGETTY IMAGES
Sede do MI6 em Londres, às margens do rio Tâmisa

“Mas ele não seria contratado pelo MI6”, afirmou.

A equipe de recrutamento do órgão há muito se preocupa com os efeitos negativos da imagem de James Bond, difundida primeiro pelos romances do escritor inglês Ian Fleming (1908-1964) e, mais tarde, pela maior franquia de cinema de todos os tempos. Foram 26 filmes produzidos em 54 anos.

O objetivo do anúncio do MI6 é afastar o público de um estereótipo enganoso. Em nota à imprensa, o órgão afirmou que o anúncio tenta “atrair pessoas que se excluiriam de uma carreira no MI6 baseadas em concepções errôneas”.

A estratégia é recrutar pessoas de diferentes setores da sociedade britânica, com ênfase em mulheres e minorias étnicas, que continuam subrepresentadas no serviço secreto, explicou ao Guardian o chefe de recursos humanos do MI6, identificado somente como Mark.

Grupo de elite?

Outra novidade na política de recrutamento é a volta do tradicional “tapinha no ombro”, um método de busca ativa por talentos usado há décadas, principalmente nas Universidades de Oxford e Cambridge.

O método pode ser o mesmo, mas os locais serão diferentes. O recrutamento se dará em “diversas organizações”, disse Mark, sem entrar em detalhes.

A revelação de que estudantes de universidades britânicas com notas acima de um certo patamar (o equivalente a notas entre 50 e 59 em uma escala de 0 a 100) se qualificariam para trabalhar no MI6 motivou críticas. O argumento é que a reputação de órgão de elite do serviço, integrado pelas melhores cabeças do país, ficaria manchada por esses critérios.

Mark disse, no entanto, que experiência profissional em outros setores às vezes é tão importante quanto um bom diploma.

Outra tática na nova estratégia de recrutamento do MI6 é convidar o público a fazer testes online para avaliar a habilidade de influenciar outros e a sociabilidade da pessoa.

Anúncios que não incluem o logotipo do MI6 convidam o internauta a fazer uma série de testes ou jogos. Somente os que são bem sucedidos descobrem, após jogar, que possuem as habilidades necessárias para uma carreira no serviço de inteligência.

Entre as aptidões avaliadas estão a capacidade de detectar emoções e de influenciar o outro. O teste, por exemplo, convida o participante a escrever um SMS para persuadir um amigo a ir a uma festa surpresa.

O anúncio do MI6 ficará em cartaz durante um mês em cinemas em Londres e nas regiões sudoeste e noroeste da Inglaterra.

O Reino Unido pós-Brexit e o modelo norueguês

Em meio a especulações decorrentes do voto britânico anti-UE, evoca-se o status adotado pela Noruega. Uma mistura complexa de privilégios e desvantagens – que exigiria improvável dose de tolerância de ambos os lados.

Bandeiras do Reino Unido e União Europeia

Na alentada discussão sobre os destinos do Reino Unido e da União Europeia (UE) após a consumação do assim chamado Brexit, tem-se ouvido com frequência crescente o conceito “modelo norueguês”.

Embora não seja membro da UE, a Noruega integra a Área Econômica Europeia (AEE). Assim, da mesma forma que a Islândia e Liechtenstein, ela está sujeita às normas do bloco, mas sem poder votar sobre elas. Suas exportações para a UE são igualmente passíveis de controles alfandegários, já que os noruegueses não são membros da União Aduaneira Europeia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A filiação à AEE – que também inclui os não membros da UE Andorra, Mônaco e San Marino – significa que mercadorias circulando dentro das fronteiras do bloco não são taxadas, e que seus membros aplicam uma taxa comum a todas as importações externas.

Os países também pagam contribuições anuais para manter a filiação. Segundo números publicados pelo governo em Oslo e pela Missão Norueguesa na UE, a quantia per capita desembolsada pela Noruega é equivalente à do Reino Unido.

A Noruega também paga aos países mais pobres da UE subsídios que são periodicamente renegociados, além de contribuir para programas da UE de que deseje participar, como, por exemplo, o Erasmus, de intercâmbios universitários.

Diante de tais dados, parece não haver razão para a Noruega não ser membro da UE. De fato, ultimamente parte da população argumenta que seria melhor o país se filiar ao bloco, já que está pagando contribuições equivalentes.

Desvantagens do modelo

Um relatório publicado por Londres em março aponta um dos problemas em adotar o modelo norueguês: “Se o Reino Unido negociasse o modelo, estaríamos subordinados a muitas das regras da UE, mas não teríamos direito de voto ou veto na criação dessas regras.”

Por que os mais velhos votaram pelo Brexit?

Não sendo membro, a Noruega tampouco tem representação ou direito de votação das leis europeias. O primeiro-ministro norueguês não participa do Conselho Europeu, e o país não integra o Conselho de Ministros nem ocupa assentos no Parlamento Europeu.

“A Noruega não tem um membro nacional na Comissão Europeia, nenhum juiz na Corte Europeia de Justiça, e seus cidadãos não têm direito de votar nas eleições da UE ou de trabalhar em suas instituições”, prossegue o relatório.

“Medidas de salvaguarda”

Ainda assim, talvez haja para o Reino Unido uma luz no fim do túnel do Brexit. O Capítulo 4º do acordo da AEE, intitulado “Medidas de salvaguarda”, permite aos Estados-membros “tomar unilateralmente medidas apropriadas” em casos de “sérias dificuldades econômicas, sociais ou ambientais […] com o fim de remediar a situação”.

Ou seja: em caso de emergência, os britânicos poderiam, em tese, evocar essas medidas de salvaguarda, declarando uma crise. A Islândia acionou esse mecanismo em 2008, em reação à crise econômica nacional.

Assim como a Noruega investe milhões de euros em programas conjuntos com a UE, o Reino Unido talvez também pudesse, então, escolher suas cooperações, permitindo que seus cidadãos trabalhassem e estudassem na UE. Algumas instituições financeiras também teriam permissão para operar no bloco – para alívio dos britânicos apreensivos em ambos os campos.

Renegociações complicadas

Em contrapartida, o relatório do governo britânico enfatiza que o modelo norueguês daria acesso considerável, mas não completo ao Mercado Único, de livre-comércio.

“Estaríamos fora da União Aduaneira e perderíamos acesso a todos os acordos comerciais da UE com 53 outros mercados por todo o mundo”, e “renegociá-los exigiria anos”, adverte a publicação de Londres.

Foto da semana: a desilusão do Brexit

A Suíça, por exemplo, mantém 120 diferentes pactos com a União Europeia, cuja negociação em parte levou vários anos, o que torna extremamente difícil reproduzir essa situação.

E o país não é o único com uma relação complexa com a UE. Ao contrário da Noruega, a Turquia pertence à União Aduaneira. Seus acordos com a UE cobrem mercadorias industriais e processadas, mas não serviços ou produtos agrícolas crus. E nas áreas em que os turcos têm acesso ao mercado europeu, eles têm que impor normas equivalentes às vigentes dentro do bloco.

Ficar com o bolo e comê-lo também?

Outra lacuna na aplicação do modelo norueguês ao Reino Unido seria o quesito da livre circulação de pessoas, que consta do acordo da AEE. A Noruega é obrigada a aceitá-la, e por isso optou por aderir ao Espaço de Schengen, em que estão abolidos os controles nas fronteiras internas.

A julgar pelos diversos incidentes recentes de xenofobia no Reino Unido, apelidados “racismo pós-Brexit”, parte da população dificilmente acataria uma imposição dessa parte do acordo.

Por fim, mesmo que o Reino Unido optasse por acionar as medidas de salvaguarda previstas no acordo da AEE, não está claro quanto tal situação poderia durar. E nem por quanto tempo os demais membros da União Europeia estariam dispostos a tolerar que os britânicos desfrutem das vantagens de ambos os sistemas.
Com dados do DW

Brexit:

Caso o “Brexit” seja mesmo implementado – o parlamento tem que criar e aprovar uma lei para fazer valer a ‘pool’ – , vai ser usado como “motivo” para fabricar a próxima crise econômica, a exemplo de 2008, já que a economia mundial está à beira do colapso.Brexit,União Europeia,Economia,UK,Inglaterra,Euro,Libra Esterlina,Blog do Mesquita

Como a economia mundial está à beira da explosão – o dólar não tem lastro. É papel pintado -, o cartel de banqueiros vai por a “culpa” no “Brexit”.

PS. E irão aproveitar para imprimir mais trilhões e trilhões de dólares americanos, a exemplo de 2008.


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