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A asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação

Na Venezuela, carne e frutas viraram produtos de luxo e lojas foram obrigadas a fechar. 48% das famílias são pobresAmérica Latina,Venezuela,Migrantes,Nicolas maduro,Inflação,EconomiaA asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação ONU aponta aumento dramático da desnutrição na Venezuela

Os números na Venezuela já não dizem mais nada. Em novembro do ano passado houve uma inflação recorde: os preços subiram naquele mês 57%, segundo o monitoramento feito pela Assembleia Nacional. A Venezuela entrou na temida hiperinflação que se previa havia dois anos. Embora o índice de novembro deste ano ainda seja desconhecido, em outubro já triplicou o registrado um ano antes, um percentual escandaloso para os economistas e que se torna sufocante na vida cotidiana. Na sexta-feira, 30, as autoridades venezuelanas anunciaram uma desvalorização de 43% do bolívar. Um dia antes, aumentaram o salário em 150%.

Karina Cancino, 42 anos, era até o ano passado gerente de sua produtora audiovisual. Ela não precisa de indicadores para medir a inflação: “Reduzi a qualidade de vida das minhas filhas. As aulas de inglês, dança e esporte terminaram este ano. Também o plano de saúde. Nós também não viajamos: desde dois anos atrás, quando fomos a Nova York, não saímos de férias. Trabalho apenas para manter as meninas”, acrescenta

Cancino vive agora do pequeno café que abriu em uma clínica em Caracas no começo do aterrorizante 2018 que os especialistas previram. Tinha ficado seis meses sem trabalho, depois de fechar a empresa que tinha com outros sócios residentes no exterior. “Todos os meses saía gente porque estavam deixando o país. Todo mês tínhamos que treinar novos funcionários, era impossível continuar trabalhando aqui. Era muito difícil ajustar salários, reter as pessoas, lidar com aumentos de aluguel e falhas de serviços.” As poucas economias em dólares que ela, o marido e as filhas de seis e 12 anos mantêm são guardadas como um seguro, para o caso de ocorrer uma emergência médica.

Karina Cancino, na segunda-feira, em seu café em uma clínica de Caracas F. S.A asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação Maduro aumenta o salário mínimo em 150% em plena hiperinflação
Para os venezuelanos, a hiperinflação, um fenômeno que a região não conhecia desde o início dos anos 90, quando o Peru sofreu um forte aumento nos preços – assim como enfrentavam os brasileiros – significou um empobrecimento ainda maior, jamais registrado antes na América Latina. Primeiro, porque a voracidade da escalada inflacionária ocorre em um país quase sem indústria e agricultura, e totalmente dependente de importações, o que agravou o desabastecimento, agora crônico. Em segundo lugar, porque um ano depois do problema — pelo menos na definição técnica de hiperinflação, porque a elevação de preços tinha começado muito antes – o Governo de Nicolás Maduro nem sequer se refere ao mal por seu nome, mas o coloca no saco da chamada “guerra econômica”, que enfrenta com medidas contraindicadas. Em uma economia infestada de liquidez, as autoridades continuam fazendo jorrar dinheiro, com aumentos consecutivos nos salários e bonificações, que o Tesouro não tem condições de respaldar, por isso é obrigado a imprimir cada vez mais notas. O cachorro que morde o rabo.

César Reina, de 45 anos, perdeu peso, mas com a receita extra diz que recuperou: come uma ou duas vezes por diaA asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação Maduro aumenta o salário mínimo em 150% em plena hiperinflação

César Reina, de 45 anos, faz milagres com o salário mínimo que ganha como mensageiro em uma empresa. “Antes, a gente podia economizar um pouco do salário e juntar para comprar algo, agora vivemos para o dia a dia.” Vive para o dia em um bairro em La Guaira, nos arredores de Caracas, e há dois meses começou a ocupar as horas livres com trabalhos de pedreiro por empreitada. “Pinto, conserto, faço qualquer coisa. Com isso pude pagar a matrícula e o material escolar da minha filha pequena, porque apenas as calças do uniforme da escola custaram 1.800 bolívares [o salário mínimo, que estava em vigor de agosto até quinta-feira, quando o Governo o aumentou para 4.500 bolívares soberanos].” A filha mais velha, 21 anos, emigrou para o Chile no início de novembro, mesmo sem ter terminado o curso de Comunicação Social. “Já tem trabalho e está melhor.”

Reina reconhece que perdeu peso, embora diz que se recuperou com a renda extra: come uma ou duas vezes por dia. A sardinha se tornou comum em sua refeição. “No meu bairro era tradição no domingo fazer uma sopa de costela e frango para dividir com os vizinhos, mas a gente já não consegue fazer sopa, e muito menos dividir.”

No populoso Petare, perto da capital, Maura García também faz mágica com a renda mínima que recebe para pagar as contas e ajudar filhos e irmãos. Na sua região chegavam com certa regularidade as cestas da Clap, o programa de alimentos de baixo custo que Maduro planejou para compensar as dificuldades de acesso à comida em um país onde as mortes por desnutrição estão aumentando. Há mais de um mês não chegam e durante o último ano ela gasta mais energia buscando obter alimentos do que no trabalho: na troca com amigos ou ficando em longas filas quando os produtos com preços controlados chegam aos supermercados. “Faz tempo que não sei o que é comer carne.” Com seu salário só consegue comprar 15 ovos. Como no caso de Reina, um de seus filhos emigrou para a Colômbia há um ano. Mesmo em uma situação irregular, pode enviar algum dinheiro para que a mãe possa comer.

Sem sinal de mudança
A Pesquisa de Condições de Vida, apresentada esta semana pela Universidade Católica Andrés Bello, mostra que 48% das famílias venezuelanas são pobres, 2 pontos porcentuais a mais do que um ano antes. Essa é uma das razões que levou à emigração: segundo estimativas, cerca de 700.000 pessoas só neste ano, um êxodo que também estimulou uma economia de remessas que dá alguma folga a um grupo da população. Como em todas as hiperinflações recentes, o dólar se tornou cada vez mais comum para as transações: as moedas estrangeiras substituíram o desvalorizado bolívar nas consultas médicas, serviços profissionais e técnicos, e até mesmo para comprar algo tão básico como a farinha de milho no mercado paralelo.

Maura García, na segunda-feira, no bairro de Petare, em CaracasAmérica Latina, Venezuela,Economia,Blog do Mesquita 3
“Quando entramos na hiperinflação, não imaginávamos que seria tão agressiva. Esperávamos algo como o que já havia acontecido na América do Sul, de 20.000% ou 50.000%, como na Bolívia, mas esta superou tudo”, explica o deputado José Guerra. A hiperinflação da Venezuela já é a terceira mais prolongada das que abalaram a América Latina, superada apenas pela da Bolívia na década de 80 — 18 meses —e a da Nicarágua, também no final daquela década — 58 meses.

O FMI prevê que a Venezuela encerre 2018 com inflação de sete dígitos, em torno de 2.500.000%, um número que é até difícil de pronunciar. As recentes medidas anunciadas por Maduro para aumentar os salários projetam uma espiral ascendente de preços: para honrar os compromissos, a massa monetária tem aumentado entre 15% e 20% a cada semana. “A hiperinflação continuará no ano que vem, porque as razões que a motivaram permanecem, e parece que o acesso ao financiamento externo para o Governo está mais fechado”, acrescenta Guerra.

Os irmãos Nil e Manuel Rodríguez Domínguez fecharam em novembro o bar da família que mantiveram por 28 anos em Chacao, numa área de entretenimento a leste de Caracas. Uma calorosa despedida com os clientes regulares marcou o fechamento de um ciclo. “No ano passado, ficou muito difícil acompanhar o ritmo dos preços.” O negócio vivia da cerveja, cujo preço começou a subir tão rapidamente que se tornou difícil oferecê-la por um valor que as pessoas pudessem pagar e que lhes proporcionasse receita para repor o estoque. Esses malabarismos se tornaram comuns entre os comerciantes, mas os irmãos jogaram a toalha: venderam o negócio e emigraram para a Galícia, na Espanha, para a terra de seus pais. Há um ano, o preço do dólar paralelo chegou a 100.000 bolívares (que agora equivalem a um bolívar soberano), o que permitia drenar a angústia da crise com até seis cervejas. Nesta semana, o dólar é trocado por quase 500 bolívares: não dá nem para duas.

Temer: Governo saldará 2017?

‘Financial Times’: Temer pode não chegar ao final do mandato em 2018A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses

 A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Reportagem fala que presidente e aliados estão sendo acusados de corrupção.

Matéria publicada nesta quinta-feira (15) pelo Financial Times comenta que o principal assessor de Michel Temer, José Yunes é a figura mais próxima do presidente a se afastar após ser acusado de participar do esquema de corrupção conhecido como Lava-Jato.

Reportagem do Times observa que em meio ao conturbado cenário do país, o presidente anunciou medidas para estimular a economia, enquanto ele luta para salvar sua administração das investigações sobre corrupção.

O pacote de medidas destinadas a ajudar as empresas e os consumidores a pagar as suas dívidas e a impulsionar áreas que vão desde o setor imobiliário até o varejo ocorre quando Temer está abaldo com a saída de José Yunes, seu assessor, figura-chave de seu governo, avalia o Financial Times.

A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses – principalmente por conta de escândalos envolvendo alegações de corrupção.

“Nos últimos dias, Senhor Presidente, vi o meu nome arrastado pela lama”, escreveu  Yunes na sua carta de demissão, publicada no jornal Valor Econômico.

“Eu repudio com toda a força de minha dignidade esta ignominiosa história.”

O diário britânico afirma que o partido do Movimento Democrático Brasileiro, de Michel Temer, é o maior do Congresso, mas está cada vez mais cercado pela investigação da Petrobras, que se baseia em alegações de que os políticos estavam alinhados com gerentes e contratados para extrair subornos da empresa.

Executivos da Odebrecht, maior construtora do Brasil, estão divulgando seus acordos de delação premiado com promotores como parte da sondagem da Petrobras, implicando Temer e muitas figuras importantes de seu governo e partidos aliados no Congresso.

Temer negou qualquer irregularidade. Mas os escândalos, combinados com a sua incapacidade de fazer progressos significativos em torno da economia, reduziram os baixos índices de aprovação de Temer, colocando em dúvida a capacidade de seu governo sobreviver até final do mandato, analisa o Financial Times.

De acordo com o Financial Times, o presidente agradou os mercados financeiros ao pressionar as reformas econômicas pelo Congresso a uma velocidade recorde desde que chegou ao poder este ano, após o impeachment de Dilma Rousseff mas isto não é tudo e será preciso muio mais para resistir a onda de delações da Odebrecht, que parece uma metralhadora potente, capaz de detonar o Congresso inteiro do Brasil,

“Medidas estão sendo tomadas para nos tirar da recessão, a recessão que encontramos quando entramos no governo”, disse Temer.

Alguns analistas acreditam que a impopularidade da administração de Temer é sua maior vantagem. O número de pessoas que classificam o governo como “bom ou excelente” caiu para 10 por cento em dezembro, contra 14 por cento em julho, de acordo com o analista Datafolha.

“Esse é um paradoxo que a maioria dos meios de comunicação ainda não percebeu”, disse Fernando Shüler, cientista político da escola de negócios Insper da capital paulista.

“Só um governo que não tem nada a perder, que tem poucas chances de reeleição, se dedicaria a tais reformas estruturais impopulares”.

Economia: A inflação não dá folga no neoliberalismo de Macri

Ah, a inflação. Os populistas não se preocupam com a inflação. Gastam mais, muito mais do que arrecadam.

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil 

Como decorrência, uma das sequelas é a inflação que pune exatamente os que vivem de salário. Já os neoliberais cuidam muito desse aspecto. Têm responsabilidade fiscal e não admitem explosões inflacionárias.

Isto posto vamos à realidade argentina do governo conservador de direita de Maurício Macri. Apesar da recessão e da queda de vendas, os aumentos se mantêm firmes.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Dentro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o novo cálculo da “inflação núcleo”, que exclui os serviços públicos e outros itens, se acelerou no mês passado. Escalou 3 por cento, contra 2,7 de maio.

O Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) informou que os preços aumentaram 0,3 pontos percentuais em junho em relação ao mês anterior. Os dados difundidos continuam sem dar conta do incremento acumulado no primeiro semestre, tampouco a variação interanual.

Os índices de preços ao consumidor publicados por órgãos provinciais, sindicatos e consultorias privadas exibem aumentos da ordem de 25 por cento entre janeiro e junho, alcançando só no primeiro semestre a meta autoimposta pelo ministro da Fazenda e Finanças, Alfonso Prat-Gay, para o ano todo.

Os distintos porta-vozes do governo e os economistas das consultorias privadas preveem uma desaceleração inflacionária no segundo semestre, que, no entanto, terá entre seus principais fatores a queda do poder aquisitivo e a contração das vendas. Os sinais de diminuição da alta dos preços ainda não aparecem.

Pelo contrário, o “IPC-Núcleo” registrou em junho 3 por cento, mais que os 2,7 por cento registrado em maio. Esse novo indicador do Indec exclui os preços da energia e os alimentos por sua elevada volatilidade de curto prazo para tentar mostrar uma tendência sobre como evolui a inflação. É um truque elaborado pelo Indec que recriou o conceito de “inflación núcleo” para tentar mostrar uma tendência descendente no custo de vida.

Para sua “core inflation”, como se denomina em inglês, o Indec deixa de fora a eletricidade, a água, o gás, os serviços de saúde, a educação, o transporte, os cigarros, as frutas, as verduras e as viagens, entre outros itens em que se observou uma marcante aceleração de preços ao longo deste ano.

O informe do Indec mostrou aumentos significativos em itens centrais do orçamento familiar durante junho: 11,1 por cento em verduras, que já haviam galgado 20,1 por cento no mês anterior, e 10,9 por cento em azeites, ao lado de fortes aumentos também nos itens Vivenda e Serviços Básicos e Atenção médica, de 7,1 e 7,0 por cento, respectivamente.

Também tiveram altas acima da média os preços dos medicamentos (5,1) e dos produtos panificados (3,8), o mesmo ocorrendo com o item Alimentos e Bebidas, com uma alta de 3,2 por cento, dentro do qual a carne registrou altas entre 0,4 e 4,8 por cento, segundo os cortes. Em Frutas e Verduras, a batata subiu 17,2 por cento; o tomate, 13,0; a cebola, 11,5 e a abóbora, 9,9, enquanto a banana subiu 9,5. O item Educação aumentou 2,2 por cento.

Todos os valores resultam da medição na área metropolitana de Buenos Aires, já que outra das novidades do novo IPC é que o Indec abandonou a tomada de preços no restante do território nacional, o que sinaliza que está tentando esconder que o ritmo da inflação nessas áreas é ainda mais rápido.

Os bens que representam 61,5 por cento da cesta, mostraram uma variação de de 2,2 por cento em junho, enquanto os serviços, que explicam os restantes 38,5 por cento, tiveram uma variação de 4,5 por cento com relação a maio.

Diante dos fatos, Alfonso Prat Gay, reavaliou a meta inflacionária que ele mesmo previu para 2016 de até 25 por cento: “Se não der entre dezembro e dezembro, a alcançaremos entre março e março”.

E eles acham que o povo argentino não está sentindo na própria pele, acompanhando a situação e cotejando as promessas eleitorais.
Por Max Altman

Henrique Meirelles não descarta criação de impostos “de modo temporário”

Temporários é? A ex-celência nos considera a todos uns imbecis? É? Então tá!
José MesquitaReforma da Previdência é prioridade do governo Temer, disse novo ministro da FazendaReforma da Previdência é prioridade do governo Temer, disse novo ministro da Fazenda


Ministro da Fazenda afirmou que presidente do BC será anunciado na segunda. 

O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse, nesta sexta-feira (13), durante entrevista coletiva, que o governo “tem pressa” na apresentação de resultados, mas que as medidas a serem anunciadas “não podem ter a finalidade de satisfazerem uma curiosidade natural”.

Meirelles afirmou que o novo presidente do Banco Central e a nova equipe econômica serão anunciados na próxima segunda-feira (16).

“Eu sou o primeiro interessado em saber quanto tempo vamos levar para termos uma visão da nossa real situação econômica. Espero que o mais rápido possível.

Vamos procurar trabalhar intensamente, mas apresentar os resultados com segurança”, disse o ministro, se recusando a fazer uma avaliação do trabalho de Alexandre Tombini à frente do Banco Central.

“Tenho um princípio, como ex-presidente do BC, de não comentar as questões de sucessores”.

>> Meirelles não descarta volta da CPMF

>> Presidente do Banco Central será anunciado na segunda-feira, diz Meirelles

Questionado sobre reformas que virão a ser realizadas pelo novo governo, Meirelles priorizou a reforma da Previdência, “uma necessidade evidente”, segundo ele.

“Na medida em que mais importante do que alguém saber em valor de moeda de hoje qual será o benefício em alguns anos, é saber se ele receberá a aposentadoria”, completou.

“Em relação a direitos da previdência, a ideia é que se respeite direitos claramente adquiridos, apesar de que esse conceito é muito preciso e não prevalece sobre a Constituição.

O importante é preservar o maior direito do cidadão, que é o de receber a aposentadoria. Os direitos sociais serão mantidos, não há dúvidas, questão do gasto da previdência é outra coisa”, argumentou.

Meirelles disse que o nível tributário do país é elevado e que precisa ser diminuído, mas não descartou a possibilidade de que o governo não descarta a implementação de novos impostos e que o equilíbrio fiscal é prioridade.

A tentativa da presidente Dilma Rousseff de recriar a CPMF teve grande resistência no Congresso Nacional.

“O nível tributário no Brasil é elevado. Para que a economia volte a crescer de forma sustentável é importante diminuirmos o nível da tributação da sociedade. A prioridade hoje é o equilíbrio fiscal. Caso seja necessário um tributo, ele será aplicado, mas de modo temporário.

Sabemos que o nível de tributação elevado e que isso atrapalha o crescimento econômico. A meta é a diminuição do nível tributário, no entanto, vamos dar prioridade à questão da dívida pública e a seu crescimento de maneira insustentável”.
JB


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Levy defende volta da CPMF e cita Grécia

Ministro da Fazenda Joquim Levy participa de evento com empresários em São PauloO ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu neste sábado a volta da cobrança da CPMF e alertou que o Brasil precisa lidar com a piora do quadro fiscal para não enfrentar uma situação parecida com a da Grécia.

“Acho que ninguém concorda que o aumento da despesa sem aumento de impostos é um caminho viável”, disse Levy, durante o 7o Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, promovido pela BM&FBovespa.

“Se a gente quiser dar uma de Grécia e disser não a todo tipo de imposto, vai ter consequências”, alertou. Em junho, o ministro havia dito que não estava cogitando a volta da CPMF.

Nesta semana, o governo federal começou a discutir a possibilidade de retomada da cobrança da CPMF, um tributo que ficou conhecido como imposto do cheque.

Instituída no ano 2000, a contribuição tinha alíquota de 0,38 por cento sobre movimentação em conta corrente e foi criada com o argumento de que os recursos seriam destinados a financiar gastos com saúde. Em 2007, a renovação da CPMF foi derrubada pelo Congresso Nacional.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para Levy, o principal motivo das dificuldades da Grécia, que há anos enfrenta uma grave crise fiscal e está alinhavando um novo socorro financeiro com a União Europeia, é a recusa do país em aceitar aumento de impostos. Segundo o ministro, essa é uma situação que deve ser evitada pelo Brasil.

Na sexta-feira o Banco Central anunciou que em 12 meses até julho, o setor público brasileiro registrou déficit primário equivalente a 0,89 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A meta do governo para 2015 é um superávit de 0,15 por cento do PIB.

“O que a gente tem que fazer é isso, enfrentar nossa realidade fiscal e ainda criar as bases para o crescimento”, disse Levy logo após o evento a jornalistas.

Para o ministro, se a CPMF puder ser uma fonte estável pelo menos por alguns anos para a saúde, “pode ser bom”. Ele evitou falar em alíquota para o tributo, mas disse que várias alternativas estão sendo avaliadas e que considera possível a aprovação pelo Congresso Nacional.

Porém lideranças do Congresso encaram nesta semana com ceticismo a possibilidade de um retorno da CPMF e a indústria avaliou como “absurda” a proposta em análise pelo governo de recriar o tributo.

PIB

Levy afirmou que recessão da economia brasileira reflete as incertezas dos agentes econômicos e que não decorre principalmente de medidas de ajuste das contas públicas.

“Não é o ajuste fiscal que está acabando com o PIB”, afirmou durante palestra no evento.

Em conversa com jornalistas na sequência, ele acrescentou que “se há um ambiente que não gera confiança, as pessoas obviamente vão ser mais cautelosas”.

Na sexta-feira, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país contraiu 1,9 por cento entre abril e junho sobre os três meses anteriores, configurando recessão técnica.

O ministro disse não acreditar em recessão por dois anos, citando principalmente o efeito de recomposição de estoques das indústrias, que vinham caindo. “Acho que a gente tem tudo para ir mais rápido…”, disse a jornalistas.

Na palestra, Levy também afirmou que as empresas vão começar a produzir de novo, exceto se houver uma grande incerteza.

“Já estamos vendo alguns setores da indústria retomando. Papel e celulose, metais não ferrosos, vidro (…) Até o final do ano, vários setores vão ter uma virada. Se não houver ruptura, uma coisa muito complicada, é isso que vai acontecer”, disse.

De acordo com o ministro, o que não pode acontecer é todo mundo ficar parado, “fazendo apostas” de quando o Brasil vai perder o rating grau de investimento, algo que, se acontecer, terá consequências muito duras para toda a população.

“Todo mundo ficar fazendo bingo do investment grade, não pode ser essa a nossa conversa”, disse Levy.
Aluísio Alves e Paula Arend Laier/Reuters

Delfim Netto defende ajuste fiscal adotado pelo governo

Economia, Ajuste Fiscal,Blog do MesquitaEx-ministro diz que é preciso propor programas que devolvam confiança a sociedade

O economista Delfim Netto, de 87 anos, concedeu uma entrevista ao portal Brasil247 onde falou sobre o governo Dilma.

O ex-ministro da Fazenda defendeu o ajuste fiscal, mas também recomendou maior diálogo da presidente Dilma com a sociedade para recuperar a confiança.

“O governo precisa dizer: eu existo. Propor programas factíveis que devolvam confiança a sociedade.

Economia é só expectativa. Desenvolvimento é um estado de espírito. Nós vamos voltar a crescer.

É preciso dar à sociedade um pouco mais de tranquilidade. Essa era a vantagem do Lula.

O Lula é um promoter“, aponta Delfim, que já foi também ministro do Planejamento e da Agricultura durante o governo Figueiredo.

O economista defendeu a necessidade de aplicar o ajuste fiscal, apesar do ‘problema moral’ do governo Dilma. “O ajuste fiscal é necessário.

No ano passado, ocorreu uma deterioração fiscal muito profunda.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Até dezembro de 2013, a situação era desagradável, mas não tinha gravidade. O desequilíbrio de 2014 foi deliberadamente produzido para a reeleição e atingiu seu objetivo”.

O ex-ministro comentou a diferença do discurso de Dilma durante a campanha presidencial de 2014 para a política que está sendo colocada em prática agora.

“Dilma fez uma mudança na política econômica equivalente à de são Paulo na estrada de Damasco. Essa é uma questão moral que abalou a credibilidade do governo, mas o importante é o conserto.”

Delfim afirmou que o setor industrial é fundamental para que o Brasil volte a crescer: “A indústria sofreu o efeito dramático da política cambial. Todos os estímulos foram incapazes de compensar o prejuízo de valorizar o câmbio para controlar a inflação. Nunca faltou demanda para produtos industriais. O que faltou foi demanda para produtos industriais feitos no Brasil. As importações aumentaram, substituindo produtos brasileiros, e as exportações caíram. Agora isso começa a ser revertido com o novo patamar do câmbio. Sem resolver o problema da indústria, não vamos voltar a crescer.”
Fonte Jornal do Brasil

Uma Carta Aberta a FHC que merece ir para os livros de história

FHC Blog do Mesquita PolíticosTheotonio dos Santos e a Carta Aberta a FHC: uma das manifestações públicas mais demolidoras da nossa história política recente.

Segue uma Carta Aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência.

Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor “notório saber” pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e rede UNU-UNESCO de Economia Global e Desenvolvimento sustentável – REGGEN.
Renato Rovai/blog Pragmatismo Político


Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população.

Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação.

Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO.
E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”.

ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE?
Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID.

Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações.

A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista.

E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.