Brasil não precisa de Copa do Mundo nem de Olimpíadas. Precisa de um vergonhódromo

A rejeição dos eleitores do Pará à criação de dois novos Estados, num plebiscito marcado pela ampliação do ressentimento nas áreas que desejavam se emancipar, representa um resultado positivo, em termos políticos, sociais e econômicos.

Como se sabe, cerca de 4,8 milhões de eleitores paraenses foram convocados a opinar se o território de 1,2 milhão de km² e repleto de diferenças culturais e econômicas deve ser repartido em três Estados – Carajás, Tapajós e Pará.

É claro que os Estados enormes, como Pará e Amazonas, precisam mesmo ser divididos.

O que se discute é a oportunidade, o momento, porque o Brasil é um país pobre que se julga rico e agora até tira uma onda, por ter voltado a estar entre as dez maiores economia do mundo.

Para ficar na média mundial, o país na verdade já deveria ser a sexta economia no mundo, porque tem a sexta maior população. Mas o PIB não é o indicador correto.

O que determina a riqueza de uma nação é seu Índice de Desenvolvimento Humano, o famoso IDH medido pela ONU. E o Brasil ainda tem IDH ridículo em relação a seu potencial.

Diante dessa realidade, o Brasil está longe de ser considerado um país de justiça social, pois somente uma pequena elite é rica e aqui a distribuição de renda permanece como uma das piores do mundo.

Para melhorar a qualidade de vida de seu povo, portanto, o Brasil deveria ter administrações austeras nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal. Mas não é isso que se vê.

Vamos promover uma Copa do Mundo e depois uma Olimpíada. Para quê? Para nada. Estamos jogando dinheiro pelo ladrão, literalmente.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nesse quadro, a criação de mais dois Estados somente iria aumentar a gastança estatal, com formação de mais dois governos, repletos de secretarias, mais dois judiciários e mais duas assembléias legislativas, com suas instalações suntuosas e respectivos cabides de empregos.

O tempo passa, e o Brasil continua à espera de que “cada um cumpra o seu dever”, frase atribuída ao almirante Barroso na Guerra do Paraguai.

Na verdade, é uma tradução de uma frase que teria sido dita pelo almirante Nelson, que derrotou Napoleão Bonaparte, mas ninguém sabe se foi inventada por algum jornalista ou historiador.

Portanto, é mais seguro lembrar Leonel Brizola, que há alguns cunhou uma frase muito oportuna para os dias de hoje:
“Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergonha, que ao verem a chance de chegar ao poder esquecem os compromissos com o povo”.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Dilma Rousseff, ano I

Um ano de governo, Dilma está na praia e o Brasil virou a sexta economia do mundo.
Sandro Vaia ¹

Vamos comemorar? Vamos, mas com cuidado e um pouco de zelo.

Dilma na praia não tem nada demais.

Chefes de Estado merecem e precisam tirar férias.

Vão dizer que é mesquinharia reclamar dos 650 mil reais usados para reformar a casa da base naval de Aratu onde ela está passando as férias, mas nas repúblicas é assim: a oposição reclama de tudo e é para prevenir-se disso e evitar esse falatório que a maioria dos chefes de Estado, cautelosamente, costuma passar as férias às suas próprias custas.

(Aliás, essas chiadeiras não acontecem apenas nas repúblicas. Os espanhóis descobriram agora que sua família real custa 8 milhões e 800 mil euros por ano e os quase 22% de desempregados do país não devem ter gostado muito da notícia.Ainda mais sabendo que o genro do rei andava se metendo em negócios suspeitos).

O que tivemos de inesquecível nesse primeiro ano do governo Dilma, além da ascensão do país ao posto de sexta economia do mundo (que os desmancha-prazeres querem atribuir à inflação e ao real valorizado) e à substituição de sete ministros, seis dos quais abatidos por suspeitas do que a Chefe chama de “malfeitos”?

[ad#Retangulos – Anuncios – Esquerda]Saindo da ressaca de uma farra fiscal de ano eleitoral que fez o País crescer 7,5% , voltamos aos parâmetros usuais, que limitam as fronteiras do nosso crescimento ao padrão dos 3 a 4% ao ano. É mais do que a Europa e EUA em crise, o que seria um consolo se esse número não estivesse abaixo da média de crescimento dos países emergentes, que é com quem devemos nos comparar.

A área econômica do governo tratou apenas de administrar o varejo, aplicando medidas pontuais para evitar a desaceleração da economia , reduzindo impostos sobre alguns itens de consumo e anunciando medidas protecionistas para alguns setores da indústria, correndo o risco de premiar a ineficiência e castigar o consumidor.

Na área política, mesmo enfrentando a menor oposição que um governo teve desde a redemocratização, não foi capaz de se livrar da armadilha da chantagem de uma base aliada construída não sobre compromissos programáticos, mas sobre as bases fisiológicas do loteamento das áreas da administração pública.

Chegar a sexta economia do mundo e provavelmente a quinta dentro de uns cinco anos, como prevê o ministro Mantega, terá um significado apenas simbólico se isso não vier acompanhado de uma revolução estrutural que retire o país de um melancólico 84º lugar no Indice de Desenvolvimento Humano.

Crescer porque os outros estão encolhendo não é um grande mérito.

O Reino Unido tem menos de um terço de nossa população e o PIB que conta, aquele que é medido por habitante, ainda é 3 vezes maior do que o brasileiro.Ser a sexta economia do mundo com 56% dos domicílios não ligados à rede de esgotos não chega a ser motivo de orgulho.

Em seu primeiro ano, Dilma impôs um estilo mais sóbrio e recatado do que aquele do seu antecessor.Será bom para todos se nos próximos 3 anos ela trocar de vez o triunfalismo oco pelo trabalho de construir um país que seja o sexto do mundo de verdade.

¹ Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

Maranhão. Enchentes nas terras da dinastia Sarney

O Maranhão detém os piores índices de IDH -Índice de Desenvolvimento Humano – do Brasil
O infelicitado povo maranhense, os Timbiras, tem sido “governado” nos últimos 40 anos pela dinastia da família Sarney.

Tá achando pouco, Tupiniquin? Pois saiba que um outro cara de pau do senado, o, argh!, beócio e verborrágico senador Mão Santa, – ou boba? -, alega que não vê nada de ilegal no fato do presidente do senado, que tem a regalia de morar em mansão pertencente ao senado, receber o indecente, imoral, amoral e fedorento auxílio moradia.

Enquanto o capitão-mor José Sarney diz que “não sabia que recebia auxílio moradia” – há, há, há, há, quá, quá, quá, -, eis um retrato de como está vivendo o  povo maranhense

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Enchentes no Maranhão,José Sarney,IDH,Índice de Desenvolvimento Humano,Política,Políticos,Comportamento,Corrupção,Fotografias,Flagrantes,BrasilFotos: BBC

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Congresso é o Castelo da Vergonha

Para o colunista Clóvis Rossi, o cafoníssimo castelo do corregedor da Câmara, Depufede Edmar Monteiro, em Minas Gerais, não é páreo para o monumento ao “desmantelo” erguido no Congresso Nacional.

Realmente, querem “castelo” mais indecente que a “renovação” conseguida com as eleições de Michel Temer e Zé Sarney para a presidência das casas legislativas nacionais? Que tal o “castelo de miséria” erguido no Maranhão pela oligarquia Sarneyana que infelicita a terra Timbira a exatos 49 anos? O Maranhão, capitania hereditária de Sarney, ostenta, sem pudor do companheiro de Renan Calheiros, o pior IDHÍndice de Desenvolvimento Humanodo Brasil.

O mais lamentável é que o projeto arquitetônico do Congresso não contemple, com soi acontecer nos castelos medievais, com masmorras e calabouços para agrilhoar a corja que por lá existe.

O castelo é Brasília
por
Clóvis Rossi

O escândalo do momento não deveria ser o castelo do deputado Edmar Moreira (DEM-MG) mas o fato de que o Congresso Nacional é, ele próprio, um grande castelo, se se tomar castelo como sinônimo de um sistema político mais próprio do absolutismo monárquico que da democracia.

Sob aquelas duas cuias da praça dos Três Poderes, vivem reizinhos, um punhado de barões e não mais que meia dúzia de gente que de fato faz política no sentido de atuação em favor da coisa pública.

É uma típica corporação medieval, que protege os seus integrantes contra vento e maré -nos raros momentos em que há vento e maré contra eles.

Não, não pense que a fase atual, em que há assanhamento a respeito do castelo, represente um incômodo sério para essa gente. Nada. A grande maioria sabe que sua reeleição não depende de a mídia apontar o dedo para eles, mas da capacidade de engabelação de súditos desprovidos de informação, muitas vezes desprovidos de condições mínimas de vida digna e que veem nos donos dos castelos -reais ou fictícios- seus suseranos.

Só assim se entende que barões e reizinhos busquem, segundo esta Folha, uma “saída honrosa” para Edmar Moreira, que seria retirá-lo do cargo de corregedor, sem afastá-lo da Mesa Diretora.

Posto de outra forma, Edmar Moreira não serve para zelar pela correção de seus pares, mas serve para participar do comando deles -uma maneira indireta de confessar que reis e barões não estão minimamente preocupados com a correção. Só querem que cesse o ruído de alguns aldeões.

da Folha de São Paulo