Tecnologia: vídeos em revista impressa

Anúncio ‘high tech’ colocará vídeo em revista impressa.

Tecnologia CHIP para inserir Vídeo em ImpressosChip tem 2,7 mm de espessura e vem com bateria de 75 min recarregável

Uma revista americana lançará na edição que chega às bancas no próximo mês um anúncio que tocará um vídeo.

A novidade é uma arma de marketing pioneira lançada pela rede de TV americana CBS e pela fabricante de refrigerantes Pepsi – um micro-chip contendo cerca de 40 minutos de áudio e vídeo que será incluído nas páginas da revista impressa Entertainment Weekly a partir do mês que vem.

O chip de 2,7 milímetros de espessura, com uma tela LCD de resolução de 320 x 240, começará a rodar assim que o leitor virar a página do anúncio.

Com um toque, será possível assistir a trechos de seriados novos e consagrados da CBS – como a comédia Two and a Half Men e o policial NCIS: Los Angeles – e um anúncio da Pepsi para promover seu novo refrigerante diet “para homens”.

A tecnologia, desenvolvida pela empresa Americhip, de Los Angeles, é a mais nova aposta dos marketeiros para fisgar um público cada vez habituado ao uso das novas tecnologias.

“A melhor maneira de ‘provar’ nossos novos programas é ver trechos, e isso nunca foi possível em um anúncio impresso”, disse o presidente do CBS Marketing Group, George Schweitzer.

“A Entertainment Weekly é o lugar ideal para esse anúncio de Video-in-Print (Vídeo-em-Impressão), que é divertido em si mesmo e particularmente apropriado para um grupo de leitores sintonizados com novas mídias.”

O chip virá com uma bateria capaz de durar até 75 minutos, que poderá ser recarregada através de um cabo USB que acompanha o anúncio.

Custos

Nem a Pepsi nem a CBS revelaram o custo da iniciativa. Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, Schweitzer evitou responder a perguntas de jornalistas nesse sentido: “Custará mais do que uma lata de Pepsi”, se limitou a dizer.

As cifras foram alvo de especulação nos jornais financeiros desta quinta. Citando, sem identificar, um executivo do mercado editorial familiarizado com a tecnologia, o britânico Financial Times estimou que para veicular tal anúncio em 100 mil cópias da revista seria necessário desembolsar uma “quantia de sete dígitos”.

“Isto significaria um custo de vários dólares por cópia. Em contraste, um anúncio a cores de página inteira na Entertainment Weekly custa cerca de 9 centavos de dólar por cópia”, disse o jornal.

Segundo a Pepsi e a CBS, apenas alguns leitores em Nova York e Los Angeles – “milhares”, segundo as empresas – receberão cópias da revista com o novo anúncio. A publicação tem uma circulação de 1,8 milhão de exemplares.

Entre as novidades de marketing que chamaram atenção no passado está a da revista Esquire, que celebrou seus 75 anos com uma capa feita com um tipo especial de tinta eletrônica que fazia brilhar partes do papel.

Em 2007, a CBS veiculou na revista Rolling Stone anúncios com “sabor” de mojito – o coquetel cubano à base de rum, açúcar e hortelã – para promover um programa sobre uma família no setor de açúcar e rum.

Em 2005, a empresa inclui nas páginas da revista People chips de áudio semelhantes aos de cartões de Natal para promover uma minissérie sobre Elvis Presley.

BBC

Supremo mantém monopólio postal dos Correios

Exclusividade é para entrega de cartas, cartões postais e malotes.
Segundo ministros, monopólio não é válido para impressos e encomendas.

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (5) manter o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em plenário, por maioria, os ministros negaram a ação protocolada pela Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraed), que pretendia restringir o monopólio postal dos Correios à entrega de cartas.

Por 9 votos a 1, os ministros se manifestaram favoráveis à exclusividade dos Correios sobre a entrega de cartas sociais. Já no que diz respeito ao monopólio sobre serviços como a entrega de boleto de cartão de crédito e malas direta, por 6 votos a 4 foi confirmada a exclusividade dos Correios.

A Abraed questionava a constitucionalidade da Lei .6.538/78, que regulamenta os serviços postais no país. A associação pedia a limitação do conceito monopólio à postagem de cartas com papel escrito, envelopado, selado e enviado a uma parte com informações de cunho pessoal, “produzido por meio intelectual, e não mecânico”. A associação alegou ainda que a Constituição prevê apenas que cabe ao estado manter o serviço postal do país, sem fazer referência a palavra monopólio.

No entanto, a maior parte dos ministros entendeu que a lei é sim constitucional. Segundo o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, “já não integra um monopólio a entrega de jornais, revistas e periódicos”. Ele lembrou que atualmente “os Correios não são exclusivos nesse serviço”.

Pela decisão, segundo o presidente do STF, Gilmar Mendes, todas as cartas, cartões postais e correspondências agrupadas (malotes) são exclusividade dos Correios. O conceito de carta engloba, além das correspondências pessoais, boletos de cartão de crédito, contas de água, luz e telefone, além de qualquer outro documento que seja de interesse pessoal do destinatário.

Durante entrevista coletiva após o término do julgamento, Mendes explicou que, conforme a interpretação da lei, só estará sujeita a punição criminal a empresa privada que realizar serviço de transporte e entrega de carta, cartão-postal e correspondência agrupada, além da fabricação e emissão de selos. Todas essas práticas constam no artigo 9º da legislação em vigor.

O advogado Dauro Dórea, autor da ação da Abraed, comemorou a decisão, apesar da derrota. “Ela [a decisão] tem cara de derrota, mas, na realidade, foi uma grande vitória, porque se definiu que as empresas de distribuição estão praticando uma atividade totalmente lícita, que é a entrega de encomendas e impressos. Foi um divisor águas”, disse ao G1.

Segundo a interpretação do advogado, qualquer encomenda poderá ser entregue pelas empresas distribuidoras, desde que não contenha correspondências pessoais. Ele citou como exemplo a possibilidade de entrega de um calendário de fim de ano ou de um produto comprado pela internet.
Plenário

No julgamento iniciado em 2005, os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello defenderam a manutenção dos serviços básicos sob exclusividade estatal, mas foram favoráveis a privatização de outros, como a entrega de boleto de cartão de crédito, material publicitário e malas diretas. Marco Aurélio Mello foi além, ao sugerir até o fim do monopólio dos Correios sobre as cartas sociais.

Na segunda-feira (3), quando o julgamento foi retomado, Carlos Ayres Britto havia acompanhado o voto dos colegas acima citados, mas, nesta tarde, após a análise ser retomada com o placar empatado, ele reapresentou seu voto, mostrando-se favorável ao fim do monopólio apenas aos impressos, como jornais e revistas.

O voto de Britto se juntou aos dos ministros Ellen Gracie, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Cármen Lúcia, que se manifestaram contrários ao pleito da associação, defendendo a manutenção do monopólio em todos os aspectos. Para eles, a lei que regulamenta o serviço é constitucional, pois a Constituição prevê que cabe ao estado manter o serviço postal e o correio aéreo nacional.

Na retomada do julgamento nesta tarde, após ampla discussão em plenário, os ministros chegaram ao consenso de que o monopólio definido por lei só se aplica às cartas, cartões postais e malotes, o que exclui encomendas e impressos. Assim, a interpretação da própria lei já tiraria a possibilidade de monopólio dos Correios sobre a distribuição produtos como jornais ou encomendas comerciais.

Independentemente da decisão desta tarde, Gilmar Mendes afirmou que se mostra necessária uma nova legislação para regulamentar a questão. “Foi importante mostrar que a legislação está carecendo de atualização e retirar esse tratamento penal. As empresas reclamavam que mesmo respeitando o monopólio, os Correios suscitavam a violação que poderia dar ensejo a um inquérito criminal”, destacou.

Fonte G1