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Hoje na História – Calígula

No dia de hoje em 37dC, o senado Romano proclama Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus, vulgo Calígula, Imperador.

“Sou o amanhecer do mundo e a última estrela que cai na noite. Assim como tomei a forma de Caius Calígula eu posso tomar a forma de qualquer um. Sou todos os homens e não sou nenhum. Portanto, sou um deus.”
Não imaginaria tal animalesca persona, que seus seguidores brotariam com ratos ao longo da história pelos tempos que viriam.

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Imagem e Comunidade: Representações de Santos Militares no Mediterrâneo Oriental Medieval

Imagem e Comunidade: Representações de Santos Militares no Mediterrâneo Oriental Medieval

Por Heather A. Badamo

Resumo: A devoção a santos militares floresceu no Egito e no Levante nos séculos XII e XIII, a era das Cruzadas. Durante este período de conquista e expansão, ícones de santos guerreiros foram feitos em grande número. Os criadores de imagens responderam às preocupações locais, descrevendo os santos como soldados ferozes: St. Mercurios podia ser visto matando um inimigo da fé, St. George realizando um milagre da salvação, ou St. Theodore brandindo uma espada. Os cultos floresceram em zonas fronteiriças, áreas contestadas de limites inconstantes, onde os santos guerreiros lutavam para se proteger contra aqueles que mantinham crenças rivais.

O foco desta dissertação, que se baseia em material visual e textual, é o culto aos santos guerreiros no Egito e no Levante, como praticado nas comunidades cristãs orientais que vivem sob o domínio muçulmano. Este estudo trabalha contra as geografias disciplinares tradicionais, considerando ícones do Egito, Levante e Bizâncio em suas inter-relações. No centro do projeto estão imagens em vários meios (pinturas de parede, pinturas em painel, fichas de peregrinação, ilustrações de manuscritos e selos), examinadas em relação a uma variedade de fontes textuais (paixões, relatos de milagres, homilias, hinos, epigramas). , geografias, apocalipses, livros sobre mosteiros, textos polêmicos, relatos de viajantes e crônicas).

Os capítulos quatro e cinco tratam o fenômeno da militarização como revelado em imagens e relatos de milagres. O capítulo seis oferece um estudo aprofundado de imagens e práticas religiosas no Levante, com foco em um conjunto de ícones no Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, e nas pinturas de parede em Deir Mar Musa, na Síria. Este capítulo revela a instabilidade de formas e significados iconográficos na área caracterizada pela mudança de fronteiras e populações. A dissertação termina com uma análise focada no extenso programa no mosteiro de Santo Antônio no Egito, que posiciona os mártires militares como os predecessores dos monges, travando batalhas espirituais. Este capítulo revela o papel das imagens sagradas no fortalecimento da fé e da coesão comunitária.

Clique aqui para ler esta tese da Universidade de Michigan

Imagem superior: Detalhe de um balão do século VI ou Sétimo, representando São Sérgio a cavalo, rodeado pela inscrição: “Bênção do Senhor de São Sérgio”. Imagem do Walters Art Museum

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Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece

O silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios

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Manifestante em protesto contra o presidente em São Paulo no dia 13 de agosto. AMANDA PEROBELLI (REUTERS)

O Brasil está vivendo, segundo analistas nacionais e internacionais, um clima político de pré-nazismo, enquanto a oposição progressista e democrática brasileira parece muda. Somente nos últimos 30 dias, de acordo com reportagem do jornal O Globo, o presidente Jair Bolsonaro proferiu 58 insultos dirigidos a 55 alvos diferentes da sociedade, dos políticos e partidos, das instituições, da imprensa e da cultura.

E à oposição ensimesmada, que pensa que o melhor é deixar que o presidente extremista se desgaste por si mesmo, ele acaba de lhes responder que “quem manda no Brasil” é ele e, mais do que se desfazer, cresce cada dia mais e nem os militares parecem capazes de parar seus desacatos às instituições.

Há quem acredite que o Brasil vive um clima de pré-fascismo, mas os historiadores dos movimentos autoritários preferem analisá-lo à luz do nazismo de Hitler. Lembram que o fascismo se apresentou no começo como um movimento para modernizar uma Itália empobrecida e fechada ao mundo. De modo que uma figura como Marinetti, autor do movimento futurista, acabou se transformando em um fervoroso seguidor de Mussolini que terminou por arrastar seu país à guerra.

O nazismo foi outra coisa. Foi um movimento de purga para tornar a Alemanha uma raça pura. Assim sobraram todos os diferentes, estrangeiros e indesejados, começando pelos judeus e os portadores de defeitos físicos que prejudicavam a raça. De modo que o nazismo se associa ao lúgubre vocábulo “deportação”, que evoca os trens do horror de homens, mulheres e crianças amontoados como animais a caminho dos campos de extermínio.

Talvez a lúgubre recordação de minha visita em junho de 1979 ao campo de concentração de Auschwitz com o papa João Paulo II tenha me feito ler com terror a palavra “deportação” usada em um decreto do ministro da Justiça de Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro, em que ele defenda que sejam “deportados” do Brasil os estrangeiros considerados perigosos.

Bolsonaro, em seus poucos meses de Governo, já deixou claro que em sua política de extrema direita, autoritária e com contornos nazistas, cabem somente os que se submetem às suas ordens. Todos os outros atrapalham. Para ele, por exemplo, todos os tachados de esquerda seriam os novos judeus que deveriam ser exterminados, começando por retirá-los dos postos que ocupam na administração pública. Seu guru intelectual, Olavo de Carvalho, chegou a dizer que durante a ditadura 30.000 comunistas deveriam ter sido mortos e o presidente não teve uma palavra de repulsa. Ele mesmo já disse durante a campanha eleitoral que com ele as pessoas de esquerda deveriam se exilar ou acabariam na cadeia.

Inimigo dos defensores dos direitos humanos, dos quais o governador do Rio, Witzel, no mais puro espírito bolsonarista, chegou a afirmar que são os culpados pelas mortes violentas nas favelas, Bolsonaro mal suporta os diferentes como os indígenas, os homossexuais, os pacíficos que ousam lhe criticar. Odeia todos aqueles que não pensam como ele e, ao estilo dos melhores ditadores, é inimigo declarado da imprensa e da informação livre.

Sem dúvida, o Presidente tem o direito de dizer que foi escolhido nas urnas com 53% dos votos, que significaram 57 milhões de eleitores. Nesse sentido o problema não é seu. Os que votaram nele sabiam o que pensava, ainda que talvez considerassem seus desatinos de campanha como inócuos e puramente eleitoreiros. O problema, agora que se sabe a que ele veio, e que se permite insultar impunemente gregos e troianos começando pelas instituições bases da democracia, mais do que seu, é da oposição.

Essa oposição, que está muda e parece impotente e distraída, demonstra esquecer a lição da história. Em todos os movimentos autoritários do passado moderno, os grandes sacerdotes da violência começaram sendo vistos como algo inócuo. Como simples fanfarrões que ficariam somente nas palavras. Não foi assim e diante da indiferença, quando não da cumplicidade da oposição, acabaram criando holocaustos e milhões de mortos, de uma e outra vertente ideológica.

Somente os valores democráticos, a liberdade de expressão, o respeito às minorias e aos diferentes, principalmente dos mais frágeis, sempre salvaram o mundo das novas barbáries. De modo que o silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios.

Nunca existiram democracias sólidas, capazes de fazer frente aos arroubos autoritários, sem uma oposição igualmente séria e forte, que detenha na raiz as tentações autoritárias. Há países nos quais assim que se cria um governo oficial, imediatamente a oposição cria um governo fictício paralelo, com os mesmos ministros, encarregados de vigiar e controlar que os novos governantes sejam fieis ao que prometeram em suas campanhas e, principalmente, que não se desviem dos valores democráticos. Sem oposição, até os melhores governos acabarão prevaricando. E o grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário. Crescerá em seu autoritarismo e quando a oposição adormecida perceber, estará derrotada e encurralada.

Nunca em muitos anos a imagem do Brasil no mundo esteve tão deteriorada e causando tantas preocupações como com essa presidência de extrema direita que parece um vendaval que está levando pelos ares as melhores essências de um povo que sempre foi amado e respeitado fora de suas fronteiras. Hoje no exterior não existe somente apreensão sobre o destino desse continente brasileiro, há também um medo real de que possa entrar em um túnel antidemocrático e de caça às bruxas que pode condicionar gravemente seu futuro. E já se fala de possíveis sanções ao Brasil por parte da Europa, em relação ao anunciado ataque ao santuário da Amazônia.

O Brasil foi forjado e misturado com o sangue de meio mundo que o fizeram mais rico e livre. Querer ressuscitar das tumbas as essências de morte do nazismo e fascismo, com a vã tentativa da busca da essência e pureza da brasilidade é uma tarefa inútil. Seria a busca de uma pureza que jamais poderá existir em um país tão rico em sua multiplicidade étnica, cultural e religiosa. Seria, além de uma quimera, um crime.

Urge que a oposição democrática e progressista brasileira desperte para colocar um freio nessa loucura que estamos vivendo e que os psicanalistas confirmam que está criando tantas vítimas de depressão ao sentirem-se esmagadas por um clima de medo e de quebra de valores que a nova força política realiza impunemente. Que a oposição se enrole em suas pequenezas partidárias e lute para ver quem vai liderar a oposição em um momento tão grave, além de mesquinho e perigoso é pueril e provinciano.

Há momentos na história de um país em que se os que deveriam defender os princípios da liberdade e da igualdade cruzam os braços diante da chegada da tirania, incapazes até de denunciá-la, amanhã pode ser tarde demais. E então de nada servirá chorar diante dos túmulos dos inocentes.

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Negligenciadas e subvalorizadas: roupas íntimas na Idade Média

Por Madeleine Colvin

Apesar de ser uma das roupas mais importantes, a roupa íntima é a parte de roupas medievais que é frequentemente ignorada e inexplorada na ficção histórica e no figurino. Os trajes modernos e a moda parecem ter um fascínio pelos espartilhos e crinolinas da era vitoriana, mas têm pouco interesse no que veio antes. O que podemos dizer sobre esse elemento da moda, que tem sido negligenciado por muito tempo?

Embora os espartilhos possam estar relacionados a roupas de baixo modernas, como “spanx” e outras engenhocas de treinamento da cintura e modelagem do corpo, e quanto às roupas íntimas anteriores, elas são totalmente ignoráveis? E as roupas de baixo dos homens? Este artigo é uma breve visão geral de como era a cueca na Idade Média e como ela se compara ao que provavelmente usaremos hoje. Embora as roupas íntimas modernas pareçam estar em busca de diminuir e ficar menos visíveis a cada ano, na verdade ela teve grandes começos!

As roupas de baixo vitorianas e a silhueta com espartilho costumam ser o que vem à mente quando alguém pensa em roupas íntimas históricas … “Catálogo de moda ilustrado: verão de 1890” por Internet Archive Book Images, via Wikimedia Commons

A roupa de baixo dos homens é muito mais prevalente nas fontes históricas da arte do que a das mulheres, possivelmente porque a idéia de um homem sem roupa era considerada humorística em oposição à obscena. Havia dois itens comuns de roupas íntimas na idade média: braies e sob túnicas. Se quisermos pensar no que os homens vestem hoje em dia, eles podem ser comparados às camisetas e boxers modernas.

Um undertunic do estilo do século XIV dobrado em braies. Braies medievais para homens de ArmStreet.

As roupas de baixo e as camisas dos homens modernos geralmente são feitas de uma mistura de algodão ou algodão / poliéster e são elásticas para permitir que elas se ajustem à forma do corpo e não sejam visíveis sob a roupa exterior. As roupas íntimas medievais eram um pouco diferentes – embora elas não fossem visíveis, não era um insulto parecer espreitando em lugares que suas roupas externas não cobrem. As túnicas eram longas e onduladas, às vezes até o chão ou o joelho, dependendo do comprimento das roupas externas. Geralmente, as túnicas eram geralmente colocadas nas roupas íntimas de um homem.

Na Idade Média, calças como as conhecemos hoje não estavam na moda.  As interpretações modernas de trajes costumam considerar as calças da Idade Média como “calças justas”, mas na verdade eram feitas de duas peças de tecido separadas e não se tornaram um item singular que se assemelha a “calças” até o final do século XV. Em vez disso, os homens usavam meias compridas e ajustadas que iam dos pés aos quadris e criavam uma aparência geral semelhante às calças justas. Eles estavam amarrados na cintura para amarrar as cuecas (roupas íntimas) ou a um cinto de pano separado, usado sob as roupas. Devido à natureza dessas “calças”, os braiestinha alguns desenhos diferentes, variando de cuecas boxer curtas e semelhantes a longas e penduradas frouxamente sob o joelho em montes ondulados de tecido. Alguns dos exemplos mais famosos podem ser encontrados na Bíblia Maciejowski (Bíblia Morgan), que apresenta um número de homens sem roupa, dando-nos uma maior compreensão do que o homem comum na idade média usaria sob sua roupa.

Homens em um pátio vestindo Braies medievais, da Bíblia Maciejowski

Então, a roupa íntima masculina era um pouco mais volumosa, mas não tão diferente da atual. O que aconteceu antes para as mulheres, antes da cintura apertada e das roupas íntimas estruturadas? É uma resposta bastante simples: gloriosa falta de forma. Nos dias de hoje, a mulher pode optar por atingir sua figura preferida através de roupas íntimas ajustadas, mas as roupas íntimas iniciais eram mais propensas a ser apenas um vestido de linho folgado. As imagens de referência de mulheres em roupas íntimas na Idade Média são poucas (é mais provável que sejam retratadas como completamente nuas ou totalmente vestidas), mas esse vestido largo é o mais comumente observado. Essa peça era frequentemente chamada de “bata” ou “camisa” e era a roupa mais comum para mulheres há mais de 500 anos, desde o início do período medieval até o Renascimento.

Uma reconstrução moderna de uma camisa do século XIV pelo fabricante de roupas ArmStreet.

Alguns designs e materiais diferentes podem ser observados com a camisa, sendo o material mais comum o linho. Os civis mais pobres podem usar roupas de baixo feitas de tecido de cânhamo, enquanto as mulheres nobres são conhecidas por usar avental de seda. As roupas de baixo sempre foram descritas em manuscritos como sendo brancas ou esbranquiçadas, feitas de tecido opaco ou de material mais transparente e transparente (que provavelmente era de linho ou seda muito, muito fino). Alguns vestidos, como os usados ​​pelo coloquialmente conhecido “Bohemian Bathhouse Babes” na Bíblia Wenceslas, usam vestidos com cintas de espaguete com um torso mais ajustado que parece fornecer algum suporte comparável ao sutiã moderno.

O conhecido “Bohemian Bathhouse Babes” da Bíblia de Wenceslaus IV

Com roupas tão folgadas, é fácil supor que a moda do dia deve ter sido de silhuetas semelhantes, mas esse não foi o caso! Particularmente nos séculos XIV e XV, a moda parecia favorecer o ajuste apertado sobre os vestidos de lã de seda, exibindo um peito apertado e cintura justa, brilhando em uma saia reta e cheia. Um exemplo pode ser retirado do Livro da Cidade das Senhoras (1405), onde podemos ver mulheres usando vestidos lisonjeiros e contornados.

O Livro da Cidade das Senhoras – século XV

Você também pode estar se perguntando o que as mulheres fizeram por roupas íntimas na parte inferior do corpo. A resposta para isso é… ninguém sabe! Não há fontes históricas confiáveis ​​sobre o assunto, e é uma conclusão comum que as mulheres não usavam cuecas de nenhuma variedade. Se o fizeram, podemos assumir que eles eram semelhantes aos dos homens, parecendo pequenos shorts. Os pesquisadores tendem a discordar sobre esse assunto, e atualmente não há resposta definitiva para essa pergunta.

Nos tempos modernos, pode parecer contraproducente usar uma camisa solta e ondulada sob uma roupa apertada, mas a roupa de baixo era usada para mais do que apenas apoio na Idade Média. Também fornecia uma camada extra vital de calor e protegia a pele sensível das roupas externas de lã com coceira. Também protegeu roupas caras do suor e de outros desgastes, prolongando sua vida útil e exigindo muito menos lavagem, o que era especialmente importante em materiais delicados, como a seda.

Toda vez que fazemos uma descoberta histórica, aprendemos cada vez mais sobre a vida cotidiana na Idade Média. Há apenas alguns anos, descobrimos uma série de roupas íntimas do século XV que se assemelham a sutiãs , mudando completamente nossa perspectiva sobre roupas íntimas históricas. Assuntos domésticos, como roupas íntimas, podem parecer banais, mas entender coisas assim ajuda a aprofundar nosso conhecimento do passado e a entender quem nos tornamos hoje. É fácil esquecer que os itens que são frequentemente negligenciados e subvalorizados são os mais essenciais.

Refletindo sobre tudo, fica claro que o verdadeiro uso utilitário de roupas íntimas realmente não mudou muito nos últimos 700 anos. No entanto, não se pode deixar de notar que, enquanto as roupas íntimas medievais eram largas e largas, as roupas íntimas modernas parecem estar ficando cada vez menores. Sem mencionar que roupas íntimas e tiras parecem ter saído de moda há alguns anos, reservadas para serem usadas apenas com o mais puro dos vestidos. Há muito a dizer sobre a diferença nos padrões de beleza da Idade Média até hoje – mas talvez eu guarde isso em outro momento. Espero que este artigo tenha trazido alguma clareza à questão da roupa íntima e tenha despertado interesse no que normalmente permanece oculto – depois de tudo isso, é apenas uma breve visão geral, há muito mais a ser descoberto!

Nossos agradecimentos a Madeleine Colvin e Mykhaylo “Miha” Skorobogatov, da ArmStreet, por este artigo. A ArmStreet é uma empresa internacional com escritórios nos EUA, Austrália e Ucrânia. Sediada em Milwaukee, WI, EUA, foi fundada como uma cooperativa de vários mestres e designers de jogos LARP, e agora é líder mundial em trajes medievais de alta qualidade. Clique aqui para visitar o site deles . Você também pode gostar deles no Facebook ou segui-los no Twitter @armstreet .v

Filosofia,Literatura,Blog do Mesquita 05

Górgias de Leontinos – o pai da retórica

Górgias (480/378 a.C.) nasceu em na colônia grega de Leotinos, na Sicília e teria vivido mais de cem anos e morrido na cidade de Larissa. Visitou Atenas como embaixador em 427 e impressionou os seus habitantes pela sua capacidade retórica. Foi grande viajante, tendo visitado todas as outras cidades importantes da Grécia. Sua posição na história da Filosofia situa-se após os pré-socráticos, sendo considerado um dos mais importantes representantes dos sofistas juntamente com Protágoras.

Foi chamado de “o pai da sofística” por suas contribuições à retórica. Originalmente, a retórica era voltada para a persuasão, porém, acabou sendo associada à arte de falar com competência e efetividade. Para Górgias, não importa quem está “com a razão” ou “ao lado da verdade”, mas sim quem domina a retórica. Este sim terá razão, pois a “verdade” não existe. Os sofistas eram famosos pela habilidade retórica, e foi justamente essa a oposição de Sócrates a eles.

É atribuído a Górgias a introdução da retórica em Atenas, fato que contribuiu para as críticas de Sócrates e também para boa parte da filosofia de Platão. A cidade onde Górgias nasceu, Leotinos, é também chamada de terra natal da retórica grega.

Escreveu várias obras, sendo as mais importantes:

  • Sobre a natureza ou o não-ser,
  • A arte retóricaDefesa de Palamedes,
  • Elogio de Helena e
  • Elogio da cidade de Eléia

Górgias excedeu o relativismo de Protágoras em direção ao niilismo. Este niilismo foi elaborado na forma de uma crítica contundente às doutrinas da escola eleática, mais especificamente à Parmênides. Talvez essa tenha sido sua grande contribuição à Filosofia.

Parmênides formulou uma teoria na qual o ser é imutável e única realidade, daí a famosa frase deste filósofo: “O ser é, o não ser não é”.  No escrito que se intitulava, “Sobre o não-ser”, Górgias procurou desmontar as principais teses do eleatismo de Parmênides e seus seguidores, principalmente combatendo a doutrina de que há um vínculo necessário entre o ser e o pensar.

Aqui estamos falando do ser como essência imutável das coisas; aquela que se pode atingir através do pensamento e da razão. Para Górgias não há o ser, muito menos uma essência que se perceba através do pensamento, portanto, não existiria um vínculo entre ser e pensar, muito menos uma verdade imutável. Segundo Górgias:

  • não existe o ser;
  • mesmo que existisse não seria compreensível;
  • mesmo que fosse compreensível não seria comunicável aos outros.

Com isso, ele tenta excluir a possibilidade de uma verdade absoluta, objetiva e definitiva com base em uma suposta correspondência entre o ser e o pensar, pois não há verdade racional sobre o inexistente, sobre o que é incognoscível e sobre o que é inexprimível.

As três teses fundamentais de Górgias

O ser não existe: Esta tese é defendida mediante a utilização da técnica argumentativa empregada pelos representantes do eletatismo. Parmênides declarou que o devir e a multiplicidade são contraditórios e, portanto, ilusórios, concluindo que a realidade é uma ilusão e apenas o ser é verdadeiro e existe. Górgias, por sua vez, procurou demonstrar que qualquer posição a respeito do ser também é contraditória e, portanto, ilusória.

ser é incognoscível: Aqui Górgias combate o suposto laço necessário entre o ser e o pensamento. Parmênides afirmou que a referência do pensar é o ser e que este é sempre inteligível. Górgias procurou mostrar que estas afirmações não se sustentam, pois pode haver pensamento sobre o que não existe, como uma baleia voadora. Se a referência do pensamento é sempre o ser, todos os seus conteúdos deveriam corresponder a coisas existentes, o que não se verifica. Portanto, o pensamento não é garantia de verdade ou realidade.

O ser é inexprimível: Parmênides, além de ter afirmado a identidade entre o ser e o pensar, afirmou também a identidade dos dois com o dizer. Definir significa dizer o que é, sendo impossível definir o que não é. Górgias não aceita que a palavra tenha por si só o poder de significar ou mostrar o que é a realidade. Há um divórcio entre a palavra e o ser, pois aquele que diz algo não é capaz de transmitir uma experiência ou a realidade de algo que não foi experimentado pelo seu interlocutor. Por exemplo, a mera repetição da palavra “vermelho” para um cego de nascença, jamais terá o poder de transmitir o que é realmente o vermelho. Por outro lado, as coisas não são as próprias palavras e mesmo entre indivíduos saudáveis não se pode ter a certeza de que a palavra “vermelho” é representada da mesma maneira.

Górgias e as possibilidades da retórica

Com a separação entre o pensar, o ser e o dizer, Górgias abriu para a retórica infinitas possibilidades, pois não há uma realidade objetiva, nem tampouco qualquer conhecimento absoluto ou qualquer discurso que possa pretender representar a realidade ou a verdade.

Consequentemente, a habilidade retórica torna-se praticamente absoluta. Não importam os fatos ou o que é certo ou errado, pois a retórica é capaz de tornar tudo relativo. Aquele que domina a retórica conseguirá sempre manipular as coisas em seu próprio favor. Falando mais claramente: a retórica também estaria a serviço da mentira e da enganação, fato que lhe rendeu má fama, contudo, isso não diminui a grande importância dessa habilidade. Tal é o tema principal do diálogo “Górgias”, de Platão, que busca atacar esta postura retórica e relativista como imoral.

Górgias gabava-se de poder convencer qualquer um de qualquer coisa e responder a qualquer pergunta, pois tudo será de acordo com a maior ou menor capacidade de persuasão do retórico. Diz-se que ele conquistou uma grande riqueza, chegando a encomendar uma estátua de ouro de si mesmo.

Referências Bibliográficas


  1. DUMONT, J. P. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005
  2. HADOT, P. O que é a Filosofia antiga? São Paulo: Lisboa, 1999.
  3. REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1993
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Shakespeare a 17 mãos

‘Big data’ revela autoria mista em peças de ShakespeareBlog do Mesquita,Literatura,Teatro,Shakespeare

O célebre dramaturgo inglês recebeu ajuda para escrever 17 peças, inclusive de seu suposto arquirrival Christopher Marlowe; coautoria foi revelada em nova edição da obra do escritor inglês, baseada em pesquisa de dados complexos.

Ele pode ter sido o maior dramaturgo de todos os tempos, mas William Shakespeare (1564-1616) não trabalhou sozinho. Uma equipe internacional de pesquisadores concluiu que 17 de 44 obras do bardo de Stratford-upon-Avon resultaram de colaborações, informou a editora Oxford University Press.

Isso é mais que o dobro das oito de 39 peças que foram identificadas pela mesma editora, em 1986, como sendo de autoria mista.

Considerado desde o século 18 como sendo rival de Shakespeare, acredita-se agora que Christopher Marlowe (1564-1593) tenha sido coautor da trilogia sobre o rei Henrique 6°. Além disso, acredita-se que Thomas Middleton tenha adaptado a peça Tudo bem quando termina bem.

Desde janeiro de 2009, 23 especialistas de cinco países trabalharam na nova edição da obras de Shakespeare. A descoberta de que Marlowe não foi realmente um rival, mas um colaborador, pôs abaixo uma antiga crença sobre o relacionamento deles.

“Muitos acadêmicos suspeitavam disso desde o século 18, mas até bem recentemente, não tínhamos nenhuma maneira de comprovar isso de forma confiável”, declarou Gary Taylor, professor da Universidade da Flórida. “Agora podemos estar seguros que [Shakespeare e Marlowe] não só tiveram influências mútuas, mas também trabalharam juntos. Os rivais às vezes colaboram.”

Investigação

Segundo Taylor, a equipe de pesquisadores utilizou “big data” ou megadados – conjunto de dados muito grandes armazenados e analisados para otimizar tomadas de decisão – para realizar comparações precisas entre as obras de Shakespeare e alguns de seus contemporâneos. Essas bases de dados informatizadas somente ficaram disponíveis nas duas últimas décadas.

“Nós contamos quantas vezes determinadas palavras e frases apareceram nos textos de Shakespeare e outros autores de sua época. Esses padrões se revelaram bastante inconfundíveis”, explicou Gabriel Egan, da Universidade Montford em Leicester.

Ele disse que ainda não está claro como funcionava a cooperação entre os autores. É possível que Marlowe tenha escrito os textos e que Shakespeare os tenha editado posteriormente.

“Parte do que é interessante está na interação entre esses dois gênios bastante diferentes. É por isso que tais obras tocavam as pessoas como sendo diferentes de Shakespeare”, continuou Taylor, referindo-se à trilogia Henrique 6°.

“Podemos ver agora que essa diferença se deve a Marlowe, um escritor que era muito interessado em política, violência e no conflito religioso. Marlowe escreve sobre tais coisas num estilo diferente. Estas descobertas tornam essas peças mais interessantes, não menos”, acrescentou o professor da Universidade da Flórida.

Taylor afirmou ainda que a colaboração entre dramaturgos era algo inteiramente normal na época elisabetana e que nada apontava para um grande segredo ou conspiração em relação à cooperação entre Shakespeare e Marlowe. Em consequência, os nomes dos dois dramaturgos aparecerão agora juntos nos títulos de crédito das três partes da peça de teatro Henrique 6°.

CA/afp/dpa/lusa/dw

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Do aquecimento global a asteroides gigantes, as ameaças à vida humana até o fim do século

História,Catástrofes,Blog do MesquitaGETTY  IMAGES – Não é como se não tivesse acontecido antes…

Os humanos estão destinados a ter o mesmo futuro que os dodôs (aves extintas) ou os dinossauros?

No momento, a raça humana encara perigos potencialmente fatais, incluindo mudanças climáticas, guerra nuclear, uma pandemia e mesmo a possibilidade de o planeta Terra ser atingido por um asteroide gigante.

O filósofo e apresentador de rádio David Edmonds discute esses riscos com especialistas que dedicaram suas vidas profissionais a investigar como podemos mitigá-los e tenta responder à grande questão: os seres humanos vão sobreviver até o fim do século?

O que é um risco existencial?

DodôDireito de imagem GETTY IMAGES
Se as espécies se extinguem desde sempre, por que com os seres humanos seria diferente?

“Um risco existencial é uma ameaça à humanidade ou aos nossos descendentes que em suma os aniquilaria”, diz Anders Sandberg, pesquisador do Instituto do Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford.

Até o meio do século 20, pensávamos que vivíamos em um lugar bem seguro, mas isso não é mais o caso.

Os riscos existenciais que ameaçam trazer destruição à humanidade são muitos, e variados.

Asteroides

Asteroides indo em direção à TerraDireito de imagem GETTY IMAGES
Antes dos anos 1980, não achávamos que a Terra estava sujeita a catástrofes de escala global resultantes do choque contra o planeta de corpos rochosos vindos do espaço sideral

Antes de 1980, não achávamos que a Terra estava sujeita a catástrofes de escala global resultantes do choque contra o planeta de corpos rochosos vindos do espaço sideral.

Mas uma dupla de cientistas, pai e filho, Luis e Walter Alvarez, mudaram tudo naquele ano ao publicar sua hipótese de que dinossauros haviam sido mortos por asteroides que bateram na Terra.

A hipótese de Alvarez foi endossada recentemente por um painel internacional de cientistas, após a descoberta de uma cratera gigante na península de Yucatán, no México.

No entanto, dentro da comunidade que pensa sobre riscos existenciais, a chance de o mundo acabar com uma colisão com um asteroide é considerada remota comparada ao risco que nós mesmos estamos criando.

Superpopulação, esgotamento de recursos naturais e mudança climática

Crianças em paisagem de geloDireito de imagem GETTY IMAGES
A pesquisadora Karin Kuhlemann diz que, se a população não parar de crescer, será impossível deter a mudança climática

A pesquisadora da University College London Karin Kuhlemann estuda a relação entre a questão populacional e os riscos representados pelas mudanças climáticas – um assunto que raramente ganha as manchetes.

Assim como o esgotamento dos recursos naturais, é um tema que nos faz sentir mal, então preferimos não pensar sobre ele, reflete a cientista.

Apesar disso, os dois assuntos estão ligados, diz Karin – e a culpa é nossa.

“A mudança climática é uma consequência da superpopulação, assim como o esgotamento dos recursos naturais, e as duas coisas se retroalimentam. Os recursos estão se esgotando e aí usamos mais petróleo para compensar isso, o que piora a mudança climática”, diz a pesquisadora.

Se a população não parar de crescer, será praticamente impossível impedir o avanço das mudanças climáticas.

A destruição da biodiversidade

Uma abelha colhendo polén de uma florDireito de imagem GETTY IMAGES
Os insetos também estão desaparecendo lentamente, assim como algumas espécies de aves que se alimentam de insetos

Estamos vivendo como se a eliminação da vida selvagem fosse apenas “um infortúnio”.

Mas alguns pesquisadores dizem que, até o meio do século, não haverá mais peixes no mar em níveis suficientes para sustentar a pesca comercial. Isso quer dizer que não haverá mais peixe para comprar no mercado.

Os insetos também estão desaparecendo lentamente, assim como algumas espécies de aves – como as que se alimentam de insetos.

Não sabemos o impacto da erradicação da biodiversidade, diz Karin, mas é certo que ela não nos beneficia.

Pandemias

Vírus da gripeDireito de imagem GETTY IMAGES
O vírus da gripe e suas mutações são um desafio constante para os cientistas

Lalitha Sundaram trabalha no Centro de Risco Existencial, na Inglaterra, avaliando riscos biológicos.

Lembrando a Gripe Espanhola, de 1918, ela diz que se estima que a doença tenha matado entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas.

A pandemia aconteceu quando houve uma grande onda migratória após a Primeira Guerra (1914-1918) e as pessoas, enviadas de volta para casa após o conflito, passaram a viver em espaços confinados.

É por isso que, apesar de sermos melhores no desenvolvimento de vacinas hoje em dia, a globalização traz alguns perigos.

Durante a época da Gripe Espanhola, as pessoas viajavam de trem ou barco, mas na era da viagem aérea, as doenças podem se espalhar ainda mais rápido, com consequências potencialmente graves.

Ameaças de indivíduos

Em março de 1995, praticante de um culto realizou ataque com gás sarin em Tóquio, matando 12 pessoasDireito de imagem GETTY IMAGES
Em março de 1995, praticante de um culto realizou ataque com gás sarin em Tóquio, matando 12 pessoas

A maior parte dos riscos existenciais criados pelos seres humanos não é intencional.

Mas à medida que a ciência e a tecnologia avançam, nos preocupamos cada vez mais com a possibilidade de ataques propositais catastróficos, como, por exemplo, a criação de um vírus de laboratório usando biologia sintética.

Se houvesse um botão de fim do mundo que pudesse destruir a todos nós, um número preocupante de pessoas escolheria apertá-lo, diz o pesquisador Phil Torres, do Future of Life Institute.

Esses “apertadores de botões” poderiam ser extremistas religiosos que acreditam que foram enviados por Deus para destruir o mundo como uma maneira de salvá-lo, a exemplo do culto japonês Aum Shinrikyo.

No entanto, também corremos o risco do que Phil descreve como “atores idiossincráticos” – pessoas motivadas a provocar a extinção humana por motivos pessoais, como aqueles que cometem ataques armados.

Mas quantos “apertadores de botões” existem por aí? Especialistas estimam que haja cerca de 300 milhões de sociopatas no mundo hoje, muitos dos quais poderiam representar uma ameaça.

Guerra nuclear

Um cogumelo atômico sobre o PacíficoDireito de imagem GETTY IMAGES
Um cogumelo atômico sobre o Pacífico, algo que você certamente não quer ver

Uma guerra nuclear provavelmente não mataria a todos nós, mas os efeitos posteriores, talvez.

Seth Baum, do Global Catastrophic Risk Institute, diz que o incêndio resultante de uma explosão nuclear poderia mandar poeira até para acima das nuvens, na estratosfera.

Essa poeira poderia ficar lá por décadas, bloqueando a luz do sol.

A extinção humana que poderia advir de uma guerra nuclear seria uma combinação da devastação inicial, caos econômico e finalmente efeitos ambientais globais.

Inteligência artificial

Caveira feita com códigosDireito de imagem GETTY IMAGES
É apenas um código binário, mas poderia dar errado?

O risco da inteligência artificial vem em várias formas – o risco de algoritmos autônomos acidentalmente causarem um colapso do mercado de ações global, o que provocaria a implosão da economia, ou a ideia de que nós podemos perder controle sobre as máquinas.

Um cenário que preocupa especialistas é a criação de vídeos “deep fake”, onde imagens de pessoas públicas são manipuladas de modo que pareça que estão dizendo ou fazendo coisas que não fizeram.

Uma pessoa maliciosa poderia falsificar um vídeo no qual um líder mundial ameaça outro, elevando a tensão entre duas potências nucleares.

Essa tecnologia já existe e está ficando cada vez mais difícil de detectar.

Como reduzir os riscos existenciais?

Pessoa com um globo na mãoDireito de imagem GETTY IMAGES/NASA
Há esperança: o futuro não está determinado, há coisas que podemos fazer, se agirmos rapidamente

Afinal, o quão precária é nossa civilização? Bom, depende do risco em questão.

O mais importante é que o futuro não está determinado – há o que se possa fazer para ajudar, e o momento de agir é agora.

Anders Sandberg está estudando como máquinas vão ficar sob o controle humano.

Especialistas planejam como responder se houver um desastre, como uma pandemia.

Outros pesquisadores avaliam como impedir o avanço da mudança climática adicionando poeira à estratosfera, ou como sobreviver a um “inverno nuclear” com uma dieta de cogumelos.

Pra Karin Kuhlemann, a coisa mais importante é reverter o crescimento populacional: “precisamos mudar as normas sociais sobre tamanhos de famílias, deixando de lado a postura de que todos podemos ter vários filhos e consumir o quanto quisermos”, diz ela.

Nesse sentido, todos podemos prevenir uma catástrofe global.

Os seres humanos têm um histórico ruim no que diz respeito a ter uma perspectiva de longo prazo e nossas instituições não são voltadas para os interesses de gerações futuras.

Mas ela diz que se não quisermos que o século 21 seja nosso último, precisamos levar os riscos existenciais mais a sério.

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Brasil, um país do passado – Philipp Lichterbeck

No Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição. Seus representantes preferem Silas Malafaia a Immanuel Kant. Os ataques miram o próprio esclarecimento, escreve o colunista Philipp Lichterbeck.Jared Diamond,Colapso,Literatura,LivrosÉ sabido que viajar educa o indivíduo, fazendo com que alguém contemple algo de perspectivas diferentes. Quem deixa o Brasil nos dias de hoje deve se preocupar. O país está caminhando rumo ao passado.

No Brasil, pode ser que isso seja algo menos perceptível, porque as pessoas estão expostas ao moinho cotidiano de informações. Mas, de fora, estas formam um mosaico assustador. Atualmente, estou em viagem pelo Caribe – e o Brasil que se vê a partir daqui é de dar medo.

Na história, já houve momentos frequentes de regresso. Jared Diamond os descreve bem em seu livro Colapso: Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Motivos que contribuem para o fracasso são, entre outros, destruição do meio ambiente, negação de fatos, fanatismo religioso. Assim como nos tempos da Inquisição, quando o conhecimento em si já era suficiente para tornar alguém suspeito de blasfêmia.

No Brasil atual, não se grita “herege!”, mas “comunismo!”. É a acusação com a qual se demoniza a ciência e o progresso social. A emancipação de minorias e grupos menos favorecidos: comunismo! A liberdade artística: comunismo! Direitos humanos: comunismo! Justiça social: comunismo! Educação sexual: comunismo! O pensamento crítico em si: comunismo!

Tudo isso são conquistas que não são questionadas em sociedades progressistas. O Brasil de hoje não as quer mais.

Porém, a própria acusação de comunismo é um anacronismo. Como se hoje houvesse um forte movimento comunista no Brasil. Mas não se trata disso. O novo brasileiro não deve mais questionar, ele precisa obedecer: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Está na moda um anti-intelectualismo horrendo, “alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento”, segundo dizia o escritor Isaac Asimov. Ouvi uma anedota de um pai brasileiro que tirou o filho da escola porque não queria que ele aprendesse sobre o cubismo. O pai alegou que o filho não precisa saber nada sobre Cuba, que isso era doutrinação marxista. Não sei se a historia é verdade. O pior é que bem que poderia ser.

A essência da ciência é o discernimento. Mas os novos inquisidores amam vídeos com títulos como “Feliciano destrói argumentos e bancada LGBT”. Destruir, acabar, detonar, desmoralizar – são seus conceitos fundamentais. E, para que ninguém se engane, o ataque vale para o próprio esclarecimento.

Os inquisidores não querem mais Immanuel Kant, querem Silas Malafaia. Não querem mais Paulo Freire, querem Alexandre Frota. Não querem mais Jean-Jacques Rousseau, querem Olavo de Carvalho. Não querem Chico Mendes, querem a “musa do veneno” (imagino que seja para ingerir ainda mais agrotóxicos).

Dá para imaginar para onde vai uma sociedade que tem esse tipo de fanático como exemplo: para o nada. Os sinais de alerta estão acesos em toda parte.

O desmatamento da Floresta Amazônica teve neste ano o seu maior aumento em uma década: 8 mil quilômetros quadrados foram destruídos entre 2017 e 2018. Mas consórcios de mineradoras e o agronegócio pressionam por uma maior abertura da floresta.

Jair Bolsonaro quer realizar seus desejos. O próximo presidente não acredita que a seca crescente no Sudeste do Brasil poderia ter algo a ver com a ausência de formação de nuvens sobre as áreas desmatadas. E ele não acredita nas mudanças climáticas. Para ele, ambientalistas são subversivos.

Existe um consenso entre os cientistas conhecedores do assunto no mundo inteiro: dizem que a Terra está se aquecendo drasticamente por causa das emissões de dióxido de carbono do ser humano e que isso terá consequências catastróficas. Mas Bolsonaro, igual a Trump, prefere não ouvi-los. Prefere ignorar o problema.

Para o próximo ministro brasileiro do Exterior, Ernesto Araújo, o aquecimento global é até um complô marxista internacional. Ele age como se tivesse alguma noção de pesquisas sobre o clima. É exatamente esse o problema: a ignorância no Brasil de hoje conta mais do que o conhecimento. O Brasil prefere acreditar num diplomata de terceira categoria do que no Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, que estuda seriamente o tema há trinta anos.

Araújo, aliás, também diz que o sexo entre heterossexuais ou comer carne vermelha são comportamentos que estão sendo “criminalizados”. Ele fala sério. Ao mesmo tempo, o Tinder bomba no Brasil. E, segundo o IBGE, há 220 milhões de cabeças de gado nos pastos do país. Mas não importa. O extremista Araújo não se interessa por fatos, mas pela disseminação de crenças. Para Jared Diamond, isso é um comportamento caraterístico de sociedades que fracassam.

Obviamente, está claríssimo que a restrição do pensamento começa na escola. Por isso, os novos inquisidores se concentram especialmente nela. A “Escola Sem Partido” tenta fazer exatamente isso. Leandro Karnal, uma das cabeças mais inteligentes do Brasil, com razão descreve a ideia como “asneira sem tamanho”.

A Escola Sem Partido foi idealizada por pessoas sem noção de pedagogia, formação e educação. Eles querem reprimir o conhecimento e a discussão.

Karl Marx é ensinado em qualquer faculdade de economia séria do mundo, porque ele foi um dos primeiros a descrever o funcionamento do capitalismo. E o fez de uma forma genial. Mas os novos inquisidores do Brasil não querem Marx. Acham que o contato com a obra dele transformaria qualquer estudante em marxista convicto. Acreditam que o próprio saber é nocivo – igual aos inquisidores. E, como bons inquisidores, exortam à denúncia de mestres e professores. A obra 1984, de George Orwell, está se tornando realidade no Brasil em 2018.

É possível estender longamente a lista com exemplos do regresso do país: a influência cada vez maior das igrejas evangélicas, que fazem negócios com a credulidade e a esperança de pessoas pobres. A demonização das artes (exposições nunca abrem por medo dos extremistas, e artistas como Wagner Schwartz são ameaçados de morte por uma performance que foi um sucesso na Europa). Há uma negação paranoica de modelos alternativos de família. Existe a tentativa de reescrever a história e transformar torturadores em heróis. Há a tentativa de introduzir o criacionismo. Tomás de Torquemada em vez de Charles Darwin.

E, como se fosse uma sátira, no Brasil de 2018 há a homenagem a um pseudocientista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que defende a teoria de que a Terra seria plana, ou “convexa”, e não redonda. A moção de congratulação concedida ao pesquisador foi proposta pelo presidente da AL e aprovada por unanimidade pelos parlamentares.Jared Diamond,Colapso,Literatura,Livros,Brasil,Marxismo,Escola sem partido,Bolsonaro

Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para os jornais Tagesspiegel (Berlim), Wochenzeitung (Zurique) e Wiener Zeitung. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

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Por que Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, que Bolsonaro quer extinguir

Caso seja confirmada a extinção do Ministério do Trabalho no governo de Jair Bolsonaro, conforme anunciou o presidente eleito nesta semana, será a primeira vez em 88 anos que o país não terá uma pasta na área, desde que Getúlio Vargas (1882-1954) a criou após chegar ao poder.História,Política,Emprego,Previdência Social,Brasil,Getúlio Vargas,Ministério do Trabalho,Bolsonaro,Justiça (1)

Hoje, esse ministério é responsável por elaborar diretrizes para geração de emprego e renda, além de emitir documentos e fiscalizar as relações trabalhistas no Brasil, investigando denúncias de trabalho escravo e infantil e o cumprimento da legislação por parte das empresas. Mas sua criação teve outro propósito.

Quando surgiu, em 26 de novembro de 1930, a ideia era que a pasta fosse responsável por intermediar as relações entre trabalhadores e empresários, até então sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura.

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“Era uma política alinhada com o que se pensava então sobre o papel do Estado como um mediador das relações entre grupos e indivíduos”, explica Renan Pieri, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e do Insper.

“Vargas dá um golpe de mestre e assume a dianteira deste processo, estatizando estas relações.”

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A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio foi uma das primeiras iniciativas de Vargas ao assumir o governo por meio de um golpe, após a Revolução de 1930, que culminou com a deposição do então presidente Washington Luís (1869-1957) e o impedimento de que seu sucessor, Júlio Prestes (1882-1946), assumisse o cargo, dando fim à República Velha.

A pasta foi batizada de “ministério da Revolução” por Lindolfo Collor (1890-1942), seu primeiro titular e avô do ex-presidente Fernando Collor de Melo.

“Essa revolução se refere a uma ruptura com a velha oligarquia agrária por meio da criação de um Estado positivista, a instauração de um modelo legal e burocrático que passa a organizar as relações sociais por meio do monopólio da força através de um sistema normativo”, diz Marcelo Nerling, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP).

“O Estado passa a ser o protagonista, baseado na crença de que é possível mudar a realidade social por meio de normas criadas de cima para baixo.”

Nerling explica que não havia na época no Brasil um Estado como conhecemos hoje. “A administração pública só começa a se organizar a partir da década de 1930. Até então, as principais forças do país estavam concentradas nos municípios, comandados por coronéis. Era um modelo descentralizado e patrimonialista, em que não se separava o público do privado.”

Qual foi o impacto da criação do Ministério do Trabalho?
Uma das primeiras medidas do novo ministério neste sentido foi criar uma nova regulamentação da atividade sindical, com critérios para a criação de sindicatos.

Entre as novas regras, estava haver uma única representação para profissionais de uma categoria dentro de uma mesma região, um mínimo de 30 membros, com ao menos dois terços de brasileiros, veto a qualquer manifestação política e ideológica, punições a empresários que impedissem a sindicalização dos trabalhadores e a aprovação da entidade pelo ministério – até então, não se dependia de autorização do governo.

O ministro Collor declarava na época que enxergava os sindicatos como uma forma de mediar os conflitos e tinha como objetivo trazer estas organizações para a órbita do novo ministério para que passassem a ser controladas pelo Estado.

“Vargas queria que os sindicatos se tornassem satélites do governo, politizando as relações entre empresas e trabalhadores”, diz Pieri.

Na época, o Brasil ainda era um país extremamente rural, mas havia uma indústria nascente, que ganha força em reação ao crescente impedimento de importar produtos da Europa a partir da Primeira Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, a abolição da escravatura lançou um grande contigente de mão de obra ao mercado enquanto houve simultaneamente uma chegada massiva de imigrantes a partir do fim do século 19, facilitada pela Constituição de 1891, que, ao mesmo tempo, consagrou o direito de livre associação.

Surge, assim, uma classe de trabalhadores urbanos e de profissionais liberais, e se formam os primeiros movimentos sindicais, que foram reconhecidos e regulamentados em lei ao longo da primeira década do século 20, primeiro para os trabalhadores agrícolas e, depois, para os urbanos.

“Com a formação de uma economia de mercado, foi natural a formação de sindicatos especializados para representar os trabalhadores”, diz Pieri.

Ao mesmo tempo, nas questões relativas a direitos, o regime de Vargas buscava atender reivindicações históricas dos trabalhadores, alinhado com a ideia da outorga dos direitos trabalhistas pelo Estado.

“Vargas havia acompanhado o que ocorreu na Rússia a partir de 1917 com a revolução, quando, em meio ao conflito entre capital e trabalho, o proletariado assumiu o poder. Então, ele, que era um capitalista, sabia aonde isso poderia acabar”, diz Nerling.

“Vargas sabia que, se os trabalhadores fizessem greve atrás de greve para reivindicar direitos, poderiam quebrar o capital. Ele opta por chamar para si a responsabilidade de regular estas relações, cria leis que vinculam os cidadãos. Entrega os anéis para não perder os dedos.”

O que mudou a cada Constituição?História,Política,Emprego,Previdência Social,Brasil,Getúlio Vargas,Ministério do Trabalho,Bolsonaro,Justiça (2)
O ministério teve sob Vargas uma atividade legislativa intensa. Foram lançadas medidas importantes, como a criação da carteira profissional (precursora da atual carteira de trabalho e previdência social), a regulamentação do trabalho feminino e infantil e o estabelecimento de juntas de conciliação de conflitos entre patrões e empregados, que seria um embrião da Justiça do Trabalho, criada pela Constituição de 1934 e que passaria a atuar a partir de 1941.

Ministério criou a carteira profissional, precursora da atual carteira de trabalho e previdência social.
Também se destaca a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões, que mudaram o sistema previdenciário do país. Ainda seriam instituídos o salário mínimo, a jornada de trabalho de oito horas e o descanso semanal, as férias remuneradas e a indenização por dispensa sem justa causa.

Uma das iniciativas de maior peso foi a instituição em 1943 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unificou as leis trabalhistas existentes até então. O dia em que recebeu a sanção presidencial, 1º de maio, passaria a ser o Dia do Trabalho, feriado celebrado até hoje em todo o país.

As décadas após a primeira era Vargas foram marcadas por diversas mudanças nas leis e direitos trabalhistas.

Em 1946, a Assembleia Constituinte convocada após o fim da ditadura, acrescentou novos pontos como o direito à greve e o descanso remunerado aos domingos e feriados.

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) surge em 1966, já durante o regime militar, para proteger o trabalhador demitido sem justa causa com uma conta aberta em seu nome, vinculada a seu contrato de trabalho, na qual são depositados mensalmente o correspondente a 8% do salário.

A Constituição de 1967 instituiu a aplicação da legislação trabalhista a empregados temporários, a proibição de greve em serviços públicos e atividades essenciais e o direito à participação do trabalhador no lucro das empresas, entre outras medidas.

A partir da Constituição de 1988, passam a ser previstos medidas de proteção contra demissões sem justa causa, o piso salarial, a licença maternidade e paternidade, o veto à redução do salário, a limitação da jornada de trabalho a oito horas diárias e 44 horas semanais e proibição de qualquer tipo de discriminação quanto a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. Também foi criado o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), destinado em parte ao custeio do Programa de Seguro Desemprego.

“São políticas criadas e geridas dentro do Ministério do Trabalho, por ele oferecer um corpo técnico e orçamento dentro do governo para discutir essas relações, mas que têm muito mais a ver com o ambiente político de cada época, a pressão popular por mudanças e cada governo do que com o órgão em si”, avalia Pieri.

O economista destaca que a partir dos anos 1990, a pasta assume um papel cada vez mais de fiscalização do cumprimento das normas e leis trabalhistas e na gestão de recursos como os do FGTS e do FAT.

E se o ministério acabar?História,Política,Emprego,Previdência Social,Brasil,Getúlio Vargas,Ministério do Trabalho,Bolsonaro,Justiça (3)Direito de imagem REUTERS Presidente eleito anunciou a extinção do Ministério do Trabalho

Se sua extinção se confirmar, não será a primeira vez que o Ministério do Trabalho será fundido com outras áreas.

Ao surgir em 1930, a pasta também era responsável por indústria e comércio. Em 1960, passa ser Ministério do Trabalho e Previdência Social. Torna-se puramente Ministério do Trabalho em 1974. Em 1990, volta a incorporar a Previdência.

Dois anos depois, passa a ser o Ministério do Trabalho e da Administração Federal e, em 1999, do Trabalho e Emprego. Em 2015, vira mais uma vez Ministério do Trabalho e Previdência Social, até, em 2016, tornar-se novamente apenas Ministério do Trabalho.

Ao tratar do tema, Bolsonaro já declarou em entrevistas que o trabalhador terá de”decidir entre menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego”. “Os encargos trabalhistas fazem com que se tenha aproximadamente 50 milhões de trabalhadores brasileiros na informalidade”, disse à rádio Jovem Pan.

Pieri avalia que, com o anúncio do fim da pasta, surge uma “incerteza jurídica” sobre quem exercerá os papéis que hoje cabem ao ministério. “Isso é uma questão mais importante do que se terá ou não um status de ministério, que é algo secundário.”

Nerling discorda e acredita que a transformação da pasta em uma secretaria sinaliza quais serão as prioridades do novo governo.

“Isso representa uma mudança de paradigma. Quando você dá a uma área status de ministério, diz que as políticas públicas nesta área serão priorizadas. Em um governo, a tomada de decisões ocorre em camadas, e a alteração de status precariza o cumprimento das competências que hoje cabem ao ministério, retira força e abala a eficácia de suas políticas”, diz Nerling.

“Ao dizer que se deve escolher entre trabalho e direitos, o presidente eleito diz que os direitos são um problema, mas isso só é um problema para o capital. Se antes o Estado se posicionava para garantir os direitos dos trabalhadores, agora, ele pesa a mão para o outro lado e passa a priorizar o capital.”

Por sua vez, Pieri destaca que, com a Reforma Trabalhista, passou a prevalecer sobre as leis trabalhistas a negociação entre sindicatos e empresas.

“O fim do ministério pode sinalizar um novo tempo em que o Estado não mais intermedia a relação entre capital e trabalho. Isso teria no futuro o efeito de despolitizar os sindicatos”, diz Pieri.

“Será necessário entender o que o presidente quis dizer com o fim do ministério. Significa um relaxamento da fiscalização e que o governo não está mais pensando nestes problemas ou apenas uma mudança burocrática? Bolsonaro não pode dar uma canetada e tirar direitos, mas temos de debater se alguns benefícios previstos na lei de fato beneficiam o trabalhador.”
BBC