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Henrique Meirelles & JBS. Um Esquecimento conveniente

A conveniente ausência de Henrique Meirelles na delação da JBS

Brazilian Finance Minister Henrique Meirelles speaks during a ceremony to announce measures to make access to labour rights more flexible at Planalto Palace in Brasilia on February 14, 2017.The Government expects the injection of R$ 40 billion (around U$ 13 billion) in the economy with the access of workers to amounts retained in the guarantee fund. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)
 Foto:AFP/GettyImages
 Dos nomes cogitados até aqui para suceder Michel Temer, como nome de “consenso” – ou, se preferir, com a chancela do mercado –, um deles não apenas já disputou eleições, esteve no comando de parte importante da economia do país por quase uma década e, apesar de ostentar uma farda de tecnocrata, sempre teve ambições políticas. Ele já passou por três partidos (PSDB, PMDB e PSD) e, em sua única incursão eleitoral, mostrou força: foi eleito deputado federal por Goiás, com a maior votação no Estado. Seu nome é Henrique Meirelles.

A solução Meirelles agrada a muitos atores relevantes numa possível queda de Michel Temer: o empresariado, o setor financeiro, o PMDB, o PSDB, aqueles que empunham a bandeira do “Brasil não pode parar”. Agrada, de certa forma, até mesmo ao ex-presidente Lula – depois de comandar o Banco Central durante os oito anos de governo do petista, ainda foi alvo de lobby do ex-presidente junto a Dilma Rousseff para que ele voltasse a ocupar um cargo de relevo na área econômica.

Depois da eclosão da crise política na semana passada, Meirelles limitou-se a dizer a empresários e investidores algo que, ao menos, já serviu de alívio: mesmo num mandato-tampão ou num novo governo até 2018, ele está disposto e confortável para seguir no comando do Ministério da Fazenda, ditando os rumos da economia do país.

Num cenário de eventual estabilização econômica e política, Meirelles fica em condições de disputar o comando do país no voto direto, seguindo, 24 anos depois, o caminho de outro de seus avalistas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Se alguma coisa nessa linha se concretizar, Meirelles terá alguém a agradecer: Joesley Batista e outros integrantes do grupo JBS.

O nome do ministro da Fazenda passou incólume nas 41 delações narradas a procuradores pelo alto escalão da JBS. A única exceção é a conversa que Joesley gravou com o presidente Michel Temer, no porão do Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março. Naquilo que é possível discernir do áudio de péssima qualidade, Joesley relata intimidade e acesso fácil a Henrique Meirelles. Temer não se mostra surpreso. Mais que isso, o empresário conta para o presidente da República sobre suas agruras na tentativa de emplacar nomes de interesse do grupo J&F em postos-chave de órgãos de controle da atividade econômica.

Temer, em um de seus potenciais crimes praticados naqueles 30 minutos de conversa e agora investigados pela Procuradoria-Geral da República, diz para Joesley que, se Meirelles ficasse resistente aos pleitos, poderia usar seu nome e dizer ao ministro que ele, Temer, dera aval para que os pedidos da JBS e outras empresas do grupo J&F fossem considerados.

Batista – É só isso que eu queria, ter esse alinhamento. Pra gente não ficar e pra ele perceber que nós temos

Temer – (Inaudível)

Batista – Uhum, uhum. Quando eu digo de ir mais firme no Henrique é isso, é falar “Henrique, você vai levar, vai fazer isso? Então tá bom”. Porque aí ele vem, então pronto, é esse alinhamento só que eu queria ter.

Temer – Pode fazer isso.

A origem dessa proximidade entre Joesley e Henrique Meirelles vem de 2012. Apesar de toda essa relação de mais de cinco anos com o ministro da Fazenda, que poderia fazer brilhar os olhos de procuradores interessados em limpar a administração pública, ela sequer é questionada pelos membros do Ministério Público que tomaram os depoimentos de Joesley.

Em uma semana, Meirelles respondia apenas a Joesley e demais integrantes da família Batista. Na semana seguinte, seu chefe passou a ser Michel Temer.

No início de 2012, o dono da JBS convenceu o homem que presidiu o Banco Central ao longo de todos os oito anos de governo Lula a assumir o cargo de presidente do conselho consultivo do grupo J&F – a cabeça de um império que se estende do processamento de carnes até materiais de limpeza.

Em entrevista à revista Exame na época, Joesley Batista tratou de explicar que o posto de Meirelles em sua empresa estava longe de ser o de rainha da Inglaterra. “O Meirelles não vai ser apenas um consultor. Vai cobrar resultados dos executivos e traçar estratégias para a expansão do negócio.”

Dito e feito. Meirelles comandou o crescimento da companhia ao longo dos quatro anos seguintes. Banqueiro de origem, em 2016 assumiu a presidência do Banco Original, também do grupo J&F, com a ousada promessa de transformar a instituição no primeiro banco brasileiro 100% digital.

Não teve tempo de cumprir a promessa porque, em maio de 2016, cedeu às investidas de Michel Temer e aceitou retornar ao governo federal – desta vez para assumir o Ministério da Fazenda em meio à maior crise econômica da história do país.

Em uma semana, Meirelles respondia apenas a Joesley e demais integrantes da família Batista. Na semana seguinte, seu chefe passou a ser Michel Temer. As menções a Meirelles não escapariam, evidentemente, de uma conversa entre os dois patrões do banqueiro.

Uma leitura que se poderia fazer dessa conversa é que o atual ministro da Fazenda seria incorruptível. De fato, não existem evidências de que Meirelles tenha recebido propina. Mas isso também não foi investigado com profundidade pelo Ministério Público. Convém lembrar que, se a desconfiança sobre o governo do presidente Michel Temer provocou um curto-circuito financeiro na Bolsa de Valores, imagine o que poderia acontecer se Meirelles, o ponto de sustentação da parca confiança do empresariado na retomada econômica, também constasse como delatado.

Ou Joesley mente ao dizer que tem falado com Meirelles, ou a atribulada agenda de compromissos oficiais de Henrique Meirelles não é transparente.

Essa imagem de distanciamento pode ser reforçada pelo fato de que, oficialmente, não existe registro, desde que assumiu o Ministério da Fazenda, de nem um único encontro entre Henrique Meirelles e Joesley ou com quaisquer outros representantes de uma das maiores empresas do Brasil ou do grupo J&F. A rigor, a única vez que um representante da JBS pisou no Ministério da Fazenda durante o governo Temer foi, conforme os registros oficiais, disponíveis ao público, em 20 de outubro de 2016, quando um integrante do terceiro escalão do governo, o subsecretário de Crédito e Garantias às Exportações, Guilherme Laux, recebeu “representantes da JBS”.

Mas a conversa com Temer indica algo bem diferente.

O já histórico diálogo traz uma confirmação do trânsito de Joesley junto ao ministro da Fazenda e dos contatos que mantinha com Henrique Meirelles, a quem se refere como “Henrique”. O empresário diz ao presidente que “tem uma relação ótima comigo” e que “já andei falando com ele alguns assuntos”, dando a entender que isso havia acontecido recentemente.

Isso já é indicativo de que, ou Joesley mente ao dizer que tem falado com Meirelles, ou a atribulada agenda de compromissos oficiais de Henrique Meirelles não é transparente. Se seguiu o exemplo de Michel Temer, que recebeu Joesley Batista em sua residência oficial tarde da noite e ainda fez questão de orientá-lo a não se identificar na guarita do Palácio do Jaburu, não é implausível que Meirelles possa ter feito o mesmo.

Entre as defesas de Temer no caso, está a afirmação de que Joesley não conseguiu o que queria junto a Meirelles e ao governo. O diálogo entre Temer e o empresário indica que o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que, segundo Joesley, deveria ser um “ponta firme”, já tinha sido trocado em janeiro deste ano. Mas, na verdade, o novo presidente do órgão somente foi indicado pelo presidente Temer em 20 de abril, cinco semanas após a conversa entre os dois, junto com a indicação de mais um nome para o conselho. Não há evidências de que esses novos integrantes do Cade, que ainda serão sabatinados, sejam “abençoados” pela JBS.

Uma outra mudança importante pleiteada por Joesley a Meirelles e a Temer, e ainda em aberto, é no comando da CVM, órgão responsável por coibir fraudes na bolsa de valores. O atual presidente do órgão está no cargo desde 2012. Seu mandato termina em julho deste ano.

Banqueiro político

A ausência de perguntas sobre Meirelles nos depoimentos prestados por Joesley e outros integrantes da JBS aos procuradores da República chama a atenção. Em parte porque o ministro é nominalmente citado no áudio mais importante da delação – a conversa entre Joesley e Temer – como alguém que estaria em vias de ser corrompido para usar seu cargo em defesa de interesses do grupo J&F. Meirelles não está em nenhum dos anexos da delação. Também não foi alvo, ao que se sabe, de nenhuma gravação do empresário, nem antes nem depois do início da ação controlada.

Complementarmente, está o fato de que o ministro, embora muito respeitado pelo setor financeiro, está longe também de ser simplesmente um “nome técnico”. Ele sempre teve aspirações políticas clássicas, e circulou com frequência em meio a um universo em que a regra é caixa dois, como as delações da JBS e da Odebrecht deixaram claro.

Em 2002, foi eleito o deputado federal mais votado por Goiás, pelo PSDB. Meirelles sequer exerceu o mandato legislativo, no entanto. Em janeiro de 2003, já tinha na mão as chaves do Banco Central, dando respaldo ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto a um desconfiado setor financeiro.

Em 2010, com a era Lula chegando ao fim, Meirelles se filiou ao PMDB e cogitou concorrer ao governo de Goiás, onde fatalmente iria se expor à indústria do caixa dois – alimentada por empresas como a JBS. Acabou seguindo à frente do Banco Central. Anos depois, já como presidente do conselho da J&F, voltou a trocar de partido. Assinou a ficha de filiação do PSD de Gilberto Kassab (que, segundo a JBS, recebeu durante cerca de dois anos, um “mensalinho” de R$ 350 mil). Disputaria uma vaga no Senado, mas, novamente, acabou desistindo e optou por seguir na vida privada.

Agora, no ocaso da gestão Temer, ele aparece como nome preferido do mercado para, na eventualidade de uma eleição indireta, surgir como consenso para assumir o comando do país ou, ao menos, como ele mesmo já disse a investidores e empresários, permanecer à frente do Ministério da Fazenda.

Ao preservar Meirelles, o grupo J&F mantém potencialmente aberto um canal de diálogo na hipótese de Michel Temer deixar o governo. Figuras como ele e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha provavelmente nunca mais comprarão um bife da Friboi, mas Meirelles não teria muito do que reclamar. A delação de Joesley Batista, ao preservá-lo, pode elevá-lo de patamar no cenário político brasileiro.

Mantega

Se o material das delações não traz mais detalhes sobre a relação entre a JBS e o atual Ministério da Fazenda, de Henrique Meirelles, o mesmo não pode ser dito sobre a relação da empresa com a pasta nos governos anteriores, de Lula e Dilma, sob o controle do ex-ministro Guido Mantega.

Brazilian Finance Minister Guido Mantega speaks during a meeting of the Council of Economic and Social Development at the Palacio do Planalto in Brasilia on June 5, 2014. At one week of the start of the FIFA World Cup Brazil 2104, the government faces threats of strikes in various sectors like transportation, public safety and education, besides protests in all the host cities of the World Cup. AFP PHOTO/Evaristo SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Ex-ministro Guido Mantega – Foto: AFP/Getty Images

Conforme o Termo de Colaboração de Joesley Batista ao Ministério Público Federal, a partir de 2004 a JBS passou a pagar propina a um intermediário de Mantega, Victor Sandri, para obter grandes financiamentos. Na época, Mantega ainda era Ministro do Planejamento – ao qual o BNDES é vinculado. Ao assumir a Fazenda, o esquema de corrupção adquiriu proporções ainda maiores.Joesley Batista cita financiamento do BNDES de US$ 80 milhões, em 2005, para a JBS; US$ 580 milhões em 2007; US$ 500 milhões em 2008; US$ 2 bilhões por aquisição de debêntures, em 2009; e US$ 2 bilhões em favor da empresa Eldorado, em 2011.

Joesley conta que pagava uma porcentagem do valor dos financiamentos como propina, depositada em contas no exterior destinadas a Lula e Dilma. Em 2009, passou a negociar as tratativas diretamente com o então ministro Guido Mantega, com quem tinha contato frequente – a exemplo de Meirelles, raramente registrado em agenda oficial.

Os homens do presidente

Maiores aliados de Michel Temer, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, também não são alvos das delações da JBS. Ambos os ministros são investigados pelo Ministério Público Federal na Lava Jato, suspeitos de cobrarem propina da Odebrecht para o PMDB.

Conforme os delatores da Odebrecht, Eliseu Padilha era importante nas tratativas criminosas com a empreiteira e participou de negociações nos governo de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma – nos quais abocanhou ministérios – tendo arrecadado R$ 11,5 milhões em propina.

Moreira Franco, também conforme os delatores, cometeu crime de corrupção ao favorecer a empreiteira por meio de edital de concessões aeroportuárias, na época em que comandava a Secretaria de Aviação Civil, tendo recebido em troca R$ 4 milhões em propina.

Ambos os ministros, que possuem foro privilegiado em função do cargo, são os maiores defensores da permanência de Michel Temer na Presidência, e divulgaram vídeos com mensagens alinhadas à de Temer ao destacar melhorias na economia e enfatizar que “o Brasil não pode parar”.

Ao ficarem preservados da delação da Odebrecht, poderiam seguir, num governo tampão, atuando como articuladores políticos de um eventual novo governo no Congresso – especialmente Eliseu Padilha, que assumiu toda a condução política da reforma da Previdência.

A falta de informações a respeito da relação entre Eliseu Padilha e a JBS é questionável, levando em consideração que o ministro é criador de gado e foi fornecedor da empresa recentemente. Conforme reportagens publicadas na imprensa de Mato Grosso em março deste ano, a JBS teria desrespeitado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e comprado 240 cabeças de gado da Fazenda Cachoeira, da qual Padilha é um dos sócios e que está embargada por crime ambiental desde o ano passado.
Alline Magalhães, Jéssica Sbardelotto

Brasil, corrupção e divagações filosóficas

Imaginem que um marciano, desses que visitam a terra com frequência a convite dos teóricos dos antigos astronautas, pousem no Brasil com a incumbência de estudar a realidade política e sociológica do país.

 Teriam que se basear em paradigmas preliminares, presentes em todo o universo, como o silogismo elementar segundo o qual se A implica B e B implica C, A implica C!
A regra clássica seria: se o PSDB pediu a cassação da chapa Dilma-Temer, e se Temer, do PMDB, pertencia à chapa como aliado do PT, é óbvio que Temer, agora aliado do PSDB, teria efetivamente que ser cassado se a chapa encabeçada pelo PT o fosse.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
Haveria, obviamente, um embrulho dos diabos no que se refere à sucessão. Contudo, lei é lei. Não se diz que ela é feita para todo mundo?
Em termos práticos, o que o marciano observou foi o seguinte: o PSDB pediu a cassação da chapa Dilma-Temer para atacar o PT, e a então possível cassação de Temer, do PMDB, agora em aliança com o PSDB, acabou batendo nos novos interesses do PSDB.
Aliaram-se assim, efetivamente, ao PT, o que acabou numa curiosa situação em que os três grandes partidos inimigos se viram do mesmo lado, entregues ao arbítrio do TSE.
Suponhamos agora que Gilmar Mendes dirigisse seu voto de minerva para a cassação.
Ele teria batido de frente com o PMDB, o PSDB e o PT, simultaneamente. Atenderia, por outro lado, ao reclame das massas em favor das eleições diretas. Com isso um dos ministros do STM mais odiados pela população em função de sua atuação heterodoxa dentro e fora do Supremo Tribunal Federal assumiria imediatamente a função de grande defensor do povo.
Outras coisas surpreenderiam os marcianos. Como o PT, inequivocamente o partido político brasileiro que mais se aproximou do povo e que mais significativos programas sociais realizou em seu tempo de gestão, pode ter nomeado Henrique Meirelles presidente do Banco Central, Antônio Palocci ministro plenipotenciário da Fazenda, e Joaquim Levy para esse posto? Por certo que não foi por maldade. Mas foi uma ingenuidade que nos custou caro demais.
Por que o Governo, com a cumplicidade da grande imprensa, insiste em sustentar que a economia retomou o crescimento quando os dados atuais, e as analises prospectivas, revelam inteiramente o contrário? Por que os idiotas da TV Globo insistem em dizer que o projeto de lei de abuso da autoridade é contra a Lava Jato, como se, para existir livremente, promotores e juiz da Lava Jato dependem de poder cometer abusos de autoridade impunemente?
Enfim, no meio de tantas contradições, fica evidente que mergulhamos mesmo no caos. Dele só se sai, milagrosamente, pela ação de um Atrator Estranho. Sua função será, no momento devido, devolver ao país alguma racionalidade.
E não se diga que, nas circunstâncias mundiais, essa seja característica apenas do Brasil. Donald Truman acabou com o Acordo Transpacífico de Cooperação com 11 países em defesa dos trabalhadores americanos, mas o que fez mesmo foi proteger da devastadora tecnologia americana os mercados dos demais signatários.
José Carlos de Assis/Tribuna da Imprensa

Corruptos: Temer é meio e Meirelles é total

O presidente Michel Temer não é um sujeito totalmente ruim, nem totalmente corrupto, nem totalmente mal intencionado. Como quase todo mundo, está na média.

Onde ele se revela absolutamente deletério é na sua entrega total, pelas mãos de Henrique Meirelles, à banca interna e internacional. Como é ignorante em economia, seguiu a onda dos neoliberais, notadamente dos tucanos, e entregou a economia brasileira a Henrique Meirelles. Acho que Temer se afundaria de qualquer forma. Mas essa entrega precipita sua queda.
Meirelles é um mandanete do capital vadio. Assim como Temer, assim como Antônio Palocci, assim como Joaquim Levy, não é economista. Fez lá algum curso de ciências afins em universidade de direita norte-americana e, certamente valorizado pela perícia na manipulação de dinheiro vadio, saltou para uma gerência de banco, onde, pelas mãos de Palocci e do vigarista Mário Garnero, foi apanhado por Lula – outro que nada entende de economia -, para o mais proeminente posto na economia brasileira, a presidência do Banco Central.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
Ali Meirelles encontrou o mais perfeito ambiente para manipulação financeira em favor da banca privada. Fora preparado por Armínio Fraga, assessor de Soros, o mega-especulador que quase quebrou a Inglaterra. Com o falso propósito de defender as reservas internacionais, Armínio inventou o swap cambial para ajudar a financiar a campanha presidencial tucana em 2001. Esse jogo, conforme explicarei, seria aproveitado pelo não menos vigarista que o sucedeu, agora com propósito exclusivamente privado.
Você sabe o que é swap cambial ou swap cambial reverso? Certamente não. Eu próprio não sabia até ser advertido por jovens do BC revoltados com a tramoia. Espantando com o prejuízo que a operação estava dando ao país, resolvi dar conhecimento dela ao vice-presidente José Alencar. Ele já estava doente, com dificuldade de concentração mental. Não entendeu. Decidi propor aos funcionários do BC que me acompanhassem para denunciar a operação na Polícia Federal e na Procuradoria da República. Eles foram comigo.
Mas vamos à operação. Ela é relativamente simples. É um jogo com um dado de apenas dois lados: um é a taxa de juros, outro a taxa de câmbio. Combinando as duas, você ganha ou perde. Até aí tudo bem. Há swap no mundo inteiro. Acontece que, diferentemente do mundo onde o jogo é entre dois privados – e se um ganha, o outro perde -, aqui o jogo é com o BC, que arbitra direta ou indiretamente a taxa de juros e a taxa de câmbio. Assim, ele escolhe quem ganha e quem perde no jogo de cartas marcadas.
Esse jogo tem dado prejuízo de centenas de bilhões de reais ao Brasil. Não há nada parecido em qualquer despesa pública no mundo real. Eventualmente, com Meirelles no BC, o jogo aparentemente virou. Mas virou com carta marcada, porque a virada atingiu exclusivamente o setor produtivo, e não setor financeiro. Dessa forma quase foram para o vinagre a Sadia, a Aracruz e a Votorantim, grandes grupos produtivos brasileiros atingidos brutalmente pelo swap. Saiu no lucro, do outro lado, a banca e os especuladores.
Normalmente, esses prejuízos seriam absorvidos pelo próprio BC na gestão da política monetária. Entretanto, Meirelles manejou para que fosse assinada uma medida provisória que transferia ao Tesouro – como está transferido até hoje – o prejuízo com o swap cambial. A Fazenda aceitou com a aparente resistência de Nélson Barbosa, mas que nada fez. Quanto a mim, que na época era assessor do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, tive exigida minha cabeça por Meirelles, que acabou sendo segura com a intervenção de Gilberto Carvalho.
Para contornar ainda mais o perfil de “nosso” ministro da Fazenda, convém dizer que as operações de swap continuam à solta. O senador Capiberibe entrou com requerimento no Senado nesta semana para uma investigação sobre o assunto. Espero que tenha sorte. Na minha tentativa, embora pelo menos dois senadores tenham sido procurados por mim, ninguém se atreveu a enfrentar o poderoso Meirelles, mesmo porque não entenderam a operação. Agora, junto com a de Meirelles, acho que também a cabeça de Temer está no jogo perde-ganha do swap.
Diante disso tudo, há alguma coisa a mais a fazer senão propor ao povo ocupar ruas e praças para limpar o Brasil da corrupção institucionalizada e de sua entrega à banca e às petroleiras internacionais?
José Carlos Assis

Brasil: Eleições 2018

O pulverizado tabuleiro político da sucessão presidencial em 2018

Palácio do Planalto iluminado com as cores da bandeira brasileira por conta da Olimpíada do Rio, em abril.

Resultado das eleições municipais dá a largada para a corrida pelo Palácio do Planalto

Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Ciro Gomes, Henrique Meirelles, José Serra, Marina Silva, Ronaldo Caiado, Flavio Dino, Jair Bolsonaro. As eleições municipais deste ano ampliaram as chances de alguns desses nomes pleitearem candidaturas presidenciais em 2018. A hecatombe política com o fracasso retumbante do PT no pleito municipal abriu uma avenida de possibilidades para outros nomes, seja à esquerda ou à direita.

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda vinha liderando as intenções de voto para o próximo pleito presidencial em pesquisas de diferentes institutos feitas nos últimos meses: Datafolha, Vox Populi, CNT/MDA. Mas, a rejeição à legenda nas urnas e o fato de Lula ter sido três vezes indiciado pela Lava Jato mostra que são poucas as chances de o ex-presidente sobreviver politicamente até 2018. O partido conquistou a prefeitura em 254 cidades neste ano, com derrotas simbólicas como no ABC paulista, berço do partido. Em 2012, obteve vitória em 638.

Por ora, o grande destaque que emerge após as eleições municipais é, sem sombra de dúvidas, o governador de São Paulo. O tucano Alckmin já tinha sido consagrado no primeiro turno com a eleição em primeiro turno de João Doria (PSDB) em São Paulo, seu afilhado político, o que o fez largar na frente com folga na corrida para 2018. Neste segundo turno, além de eleger aliados em cidades estratégicas do PT, como São Bernardo e Santo André, o PSDB de Alckmin chegou a 167 prefeituras do Estado.

A vitória de seus afilhados dá musculatura ao governador para lidar com a disputa pela candidatura presidencial dentro do seu próprio partido. O PSDB segue sob o comando do senador Aécio Neves, que perdeu por pouco a eleição de 2014 para Dilma Rousseff e vinha sustentando algum protagonismo na oposição até a chegada de Michel Temer (PMDB) ao Palácio do Planalto. A competição interna chegou a levar a boatos de que Alckmin poderia se lançar à presidência pelo PSB.

Mas, para sorte de Alckmin, Aécio amargou neste domingo a derrota de seu afilhado político João Leite, para o empresário Alexandre Kalil, em Belo Horizonte, base política do senador. Resta agora a disputa com outro tucano, José Serra, atual ministro das Relações Exteriores do Governo Temer, que também tem pretensões presidenciais.

Se o PSDB, o segundo partido que mais ampliou o número de prefeituras nesta eleição – 807 em todo país, 16% a mais do que em 2012 –, bate cabeça na hora de encaminhar a sucessão presidencial, a situação do PT é ainda mais complicada. Refém da figura do ex-presidente Lula, o partido deixa 2016 sem perspectivas para 2018. A grande baixa neste xadrez municipal foi Fernando Haddad, que não chegou nem para o segundo turno em São Paulo.

É nesse vácuo petista que entra o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), que se apresenta como alternativa de esquerda e tem feito várias aparições públicas na tentativa de reunir partidos desse espectro político em torno de seu nome. A reeleição neste domingo do seu aliado em Fortaleza, Roberto Claudio, dá fôlego para novas investidas de Gomes, que já se declara pré-candidato à presidência. Ao todo, o PDT obteve 335 prefeituras no país.

Outra alternativa de esquerda que se apresenta é o governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), que tem se estabelecido como alternativa de poder à família Sarney em seu Estado e ajudou a triplicar o número de prefeituras comunistas por lá na última eleição. “Não teremos no Brasil uma ‘onda conservadora’ duradoura. Por várias razões. Uma delas que isso fortaleceria a desigualdade, já absurda”, tuitou ele nesta segunda, à luz dos resultados eleitorais que apequenaram a esquerda. Seu partido conquistou 81 prefeituras, 50% a mais que em 2012. “A esquerda deve olhar menos para trás e mais para frente. Novo programa sustentado por uma frente ampla”, defende o governador maranhense. Falta a Dino, entretanto, a amplitude nacional que Ciro Gomes conseguiu ao ter atuado como ministro nos Governos Itamar Franco e Lula e por já ter concorrido à Presidência duas vezes, em 1998 e 2002.

Quem também depende de uma maior exposição nacional, caso venha a pleitear a cadeira de presidente da República como se cogita, é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, filiado ao PSD. Para se viabilizar, Meirelles dependeria ainda do sucesso do Governo Michel Temer na tentativa de retomar o crescimento da economia nacional, uma incógnita diante de uma política de austeridade que entra com a PEC 241. Do sucesso do Governo Temer também dependeria um eterno presidenciável: José Serra, que embarcou no Governo via Ministério das Relações Exteriores de olho em 2018. Apesar de ter perdido espaço no PSDB, poderia migrar de partido – o PMDB seria a legenda – para se lançar ao Palácio do Planalto. Além de Serra, o PMDB cogita outros nomes, inclusive o de Temer, ou ainda entrar em aliança com o PSDB. O partido que o governa o país atualmente elegeu 1.038 prefeitos, um pequeno crescimento em comparação com 2012 (1.021).

Os planos do Partido Republicano Brasileiro (PRB) para 2018 ainda são uma incógnita, mas não há dúvidas que a legenda passa a ambicionar um protagonismo nacional, depois de eleger Marcelo Crivella no Rio, e conquistar 105 prefeituras, 31% a mais do que em 2012. O candidato derrotado à prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, já avisou que pretende encarar essa disputa dentro da legenda.

Na outra ponta do tabuleiro, entre aqueles que saíram menores do processo eleitoral, está a ex-senadora Marina Silva, idealizadora e grande nome da Rede Sustentabilidade, que ficou de fora das prefeituras e câmaras das maiores capitais do país em sua estreia nas urnas, com exceção de Macapá. Clécio Luis foi reeleito prefeito da capital do Amapá e firmou o nome do partido entre os grandes municípios. No balanço nacional, a Rede conquistou sete cidades, mas esperava-se um desempenho muito melhor pelo tamanho de Marina na última eleição presidencial, quando obteve 22 milhões de votos.

Outras legendas correm por fora, como o Democratas. Na esteira do impeachment de Dilma Rousseff, o DEM ressurgiu após as eleições municipais com a expressiva reeleição de ACM Neto na prefeitura de Salvador logo no primeiro turno. Conquistou, ainda, outras 265 prefeituras no país. Um dos nomes mais importantes do partido hoje, Neto defende que o partido discuta um projeto nacional a partir deste segundo turno e já sugeriu o nome do senador Ronaldo Caiado (GO) para concorrer ao Planalto. Candidato à Presidência em 1989, Caiado se destacou nos últimos anos como opositor ferrenho do Governo Dilma, o que lhe credenciou como alternativa para o eleitorado de direita.

Um nome de sucesso entre os eleitores direitistas é o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que foi o parlamentar mais votado do Rio de Janeiro em 2014 e tem sido recebido por apoiadores em diversos aeroportos do país. Uma candidatura Bolsonaro, porém, está muito longe de se provar competitiva, mas o entusiasmo de seus apoiadores deve contribuir para tumultuar, ao longo dos próximos dois anos, o já conturbado cenário político brasileiro que levará à eleição do próximo presidente da República.
Rodolfo Borges

PEC 241 é um meteoro preste a cair no Brasil

Imagine-se a trágica notícia de que um meteoro está prestes a cair no Brasil! Embora o exemplo de um desastre natural possa parecer exagerado, é o que se deduz de uma simples leitura da proposta de Emenda à Constituição 241, apresentada pelo Governo Temer, no mês de junho de 2016.

PEC 241 é um meteoro preste a cair no Brasil

Vejamos os problemas específicos da PEC 241. Primeiro, ela se propõe a congelar o orçamento por até vinte anos. Exemplificando, um casal que gasta por mês R$ 600,00 em saúde e educação com um único filho e planeja ter um segundo, por óbvio sua despesa dobrará, totalizando assim R$ 1.200,00. Caso se aplicasse a regra semelhante da PEC 241, o valor a ser gasto seria apenas R$ 600, atualizado com o índice da inflação, o que resultaria em pouco menos de R$ 700,00 para ambos os filhos.

Imagine-se a possibilidade de se congelar essa despesa por até vinte anos? A população brasileira irá crescer. Segundo o IBGE, no ano 2000 o Brasil tinha pouco mais de 173 milhões de habitantes, encontrando-se atualmente com 206 milhões, com uma perspectiva de atingir a marca de 220 milhões em 2027 (dez anos após a vigência da PEC 241), significando que o Estado precisará aumentar os gastos com a prestação de serviços públicos.

Segundo, foi escolhido o orçamento do ano de 2016 como parâmetro. Ora, esse ano é trágico, marcado por um agressivo corte orçamentário, atingindo as áreas de Educação, Saúde e Judiciário.

O Ministério da Saúde sofreu um corte de R$ 2,5 bilhões, em um orçamento bastante semelhante ao ano anterior, enquanto que a Justiça Federal teve um corte de quase 40% e a Justiça do Trabalho de cerca de 45%. Já o Ministério da Educação teve um bloqueio de R$ 1,3 bilhão. Definir um ano deficitário como paradigma do congelamento não é nada razoável!

O Governo se defende. Pretende, com a PEC 241, diminuir os gastos públicos, para fins de gerar superávit primário, permitindo o pagamento dos juros da dívida e melhorando a letra de crédito do Brasil. Mas como diminuir as despesas públicas de educação, saúde e outros serviços em um país com tamanha concentração de renda?

No Brasil, 1% dos mais ricos detém 27% de toda a renda, um dos maiores índices de concentração do mundo. Isso tem consequências: aumento da pobreza e, por isso, também da necessidade de criação de políticas públicas, implicando em crescimento das despesas do Estado. Conforme a Agência Nacional de Saúde, 75% dos brasileiros são usuários do SUS. Além disso, a atual crise econômica e o desemprego aumentarão esse número, visto que outros brasileiros cancelarão seus planos de saúde.

No Brasil, 1% dos mais ricos detém 27% de toda a renda, um dos maiores índices de concentração do mundo. Isso tem consequências: aumento da pobreza e, por isso, também da necessidade de criação de políticas públicas, implicando em crescimento das despesas do Estado.

Mas não é só! Caso seja descumprido os limites propostos pela PEC 241, as consequências serão, entre outras, a vedação a reajustes dos servidores públicos e a proibição de concurso público. Será praticamente impossível cumprir tais metas e isso terá um grave preço aos servidores, que sofrerão com salários ainda mais defasados, reduzindo sua qualidade de vida. Será um verdadeiro sucateamento dos serviços públicos.

Em tempos de tratamentos privilegiados aos superávits primários, resta questionar o Governo se educação e saúde geram retorno ao país, afinal não é com educação que se pretende emancipar um povo, qualificando-o para o emprego e a consequente geração de renda? Não deveríamos melhorar a educação oferecida, como grande investimento do Brasil?

Neste ritmo, com tantas reformas apresentadas de forma brusca e impensada, a Constituição Federal de 1988 corre o sério risco de se transformar, definitivamente, em uma “mera folha de papel” (Lassale), contrariando o seu objetivo fundamental (art. 3, III) de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

Fruto de um belo trabalho da Constituinte de 86, a qual absorveu os desejos democráticos da população, a Constituição apresentou um extenso leque de direitos sociais. Saúde e educação foram alçados como direito de todos e dever do Estado.

Não se está aqui a advogar a desnecessidade de um ajuste fiscal nas contas públicas, porém a forma escolhida pelo Governo Temer pretende amputar direitos, penalizando uma população numerosa e necessitada, ao invés de colocar a conta para as elites do país. Por que não priorizar a cobrança da dívida dos devedores com o Governo federal que, aliás, ultrapassou R$ 1 trilhão? Um dos diretores da Fiesp, por exemplo, possui uma dívida de cerca de R$ 6,9 bilhões. Por que não taxar as grandes fortunas do país?

A corda está arrebentando do lado mais fraco, como sempre!

Antônio José de Carvalho Araújo é Juiz Federal em Alagoas.

Ataque ao lado B de Temer visa salvar Meirelles

Ccoincidência ou não, Veja e Época circularam com capas parecidas nessa semana.

Ambas tratam do choque entre o que seria um Michel Temer moderno e virtuoso contra um Temer arcaico e cercado de corruptos.
Época foi mais explícita e se inspirou no livro “Dr. Jekyll e Mr. Hide” (“O Médico e o Monstro”), de Robert Louis Stevenson, sobre um médico em cuja personalidade convivem o bem e um lado monstruoso.
As duas capas refletem a dificuldade que os meios de comunicação brasileiros, que se engajaram no projeto Temer, vêm tendo para defender um governo que perdeu três ministros em menos de 40 dias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Romero Jucá, do Planejamento, caiu por tramar contra a Lava Jato.
Fabiano Silveira, da Transparência, idem. E Henrique Eduardo Alves pediu para sair depois que a procuradoria-geral da República descobriu suas contas secretas na Suíça.
Se isso não bastasse, a PGR pediu inquérito contra Mendonça Filho, da Educação, e o Ministério Público também requereu o bloqueio dos bens de Eliseu Padilha, da Casa Civil.
Além disso, Geddel Vieira Lima foi citado na delação da OAS – o que também pode vir a ocorrer com o chanceler José Serra.
Com tantos dissabores, o governo Temer se torna praticamente indefensável pelo ângulo da ética pública.
Por isso mesmo, ao denunciar o lado B do presidente interino, Veja e Época tentam salvar o lado A, que seria a escolha de nomes ortodoxos na economia, como Henrique Meirelles, na Fazenda, e Ilan Goldfajn, no Banco Central.
Ou seja: Temer não foi abandonado, ainda, pelos meios de comunicação que se tornaram sócios do projeto de impeachment. Para essa turma, o que importa é levar adiante o Plano Meirelles.
Tribuna da Imprensa

Economia – Dívida Externa; A dívida impagável e censurada

Dívida externa. Do Prudente (de Moraes) ao imprudente (FHC). Chegando ao censurado (Meirelles). E a impossibilidade de pagar.

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 Em 120 anos de 1896 a 2016, passou de divida externa para divida publica. Mudou também de irrelevante, para degradante, aviltante, humilhante. E responsável por todas as crises brasileiras, sem que os governantes e adjacentes, percebessem. Agora dá para perceber, mas com uma conclusão lancinante: não ha possibilidade de pagar. Ou melhor: amortizar os juros, fazendo crescer assustadoramente a divida propriamente dita.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os “emprestadores” de dinheiro,como se dizia antigamente, investem muito pouco, no inicio. Mas rapidamente recuperam o investimento, passam a emprestar e reimprestar os juros. Vão acumulando lucros, que reinvestem, naturalmente garantindo parte substancial para compra de imóveis e obras de arte, por prazer e exibicionismo. O volume de dinheiro é tão grande, que sempre existe margem de negociação sem execução.

Prudente assumiu em 1894, com uma divida que parecia irrisória, mas fora agigantada pelos gastos da espantosa, estranha e extravagante Guerra do Paraguai. E pela inflação dos últimos 20 anos, insuflada pelos gastos nababescos, que palavra, da Monarquia. Rui Barbosa, o primeiro Ministro da Fazenda da Republica, sempre se queixava.

Em 1896, um dos Rotschilds, pediu audiência a Prudente, para falar sobre a divida. Mas foi tão imprudente e inábil, que em 10 minutos, Prudente tocou a campainha, apareceu um continuo, recebeu a ordem: “Acompanhe o senhor Rotschild até á porta, ele está de saída”.

O sucessor foi Campos Salles, inteiramente diferente. Aceitou convite do mesmo Rotschild, foi a Londres. Andou de carro aberto pela Old Bond Street. (O centro financeiro da capital). Renegociou a divida de forma vergonhosa. Essas renegociações foram aumentando durante toda a “republica velha”, a ditadura do Partido Republicano, 1889 a 1930. Sucedida pelo golpe que tentaram transformar em Revolução. Que redundou na ditadura Vargas, até 1945.

De 1937 a 1945, a dívida não cresceu por causa da pré-guerra e da guerra propriamente dita. Com o mundo inteiro voltado para a fabricação de armamentos, o Brasil se transformou num grande vendedor.

Não recebia, acumulava saldos, “para serem liquidados depois”. Dutra assumiu com um saldo formidável, que esbanjou desastradamente. Os americanos, mestres em vender matéria plástica como se fosse ouro, e comprar ouro pagando como se fosse matéria plástica, devoraram tudo.

10 anos depois, em 1955, Juscelino se elegeu, assumiu com uma divida já acumulada. No ultimo ano do governo inicio de 1960, chamou Roberto Campos, presidente do BNDE (não tinha o S de social, hoje tem o S mas sem se preocupar com o social) pediu para ele “consolidar” a divida.

Estava em 180 milhões de dólares, foi “consolidada” em 200 milhões. Daí foi crescendo desmesuradamente, por causa dos juros e a falta de pagamento. Ou amortização. Mas atingiu o apogeu nos governos FHC, “o retrocesso de 80 anos em 8”. (Como chamei, com ele no poder).

Foi inacreditável, incompreensível, inaceitável, mas o país aceitou. Os juros chegaram a 40 por cento ao ano. O que significa o seguinte: uma divida de 1 bilhão, em 1 ano passa a 1 bilhão e 400 milhões. No ano seguinte vai para o limite de quase 2 bilhões. E assim incontrolavelmente; (Os juros são verdadeiros, o total de 1 bilhão, singelo e simbólico, apenas para o calculo.

FHC foi tentando reduzir os juros, mas entregou a Lula com 25 por cento ao ano. Juro calamitoso para uma divida estratosférico).
Lula criou o que se chamou de “superávit primário”. Chegou a amortizar 90 bilhões no primeiro ano, depois não deu mais No entanto, reduziu os juros de 25 para 11 por cento.

Dona Dilma trouxe para 7 por cento. Mas não demorou a devastação, os juros foram crescendo, até os inimagináveis 14,25 de hoje. “Justificados” pela alta da inflação, que continuou subindo, até ultrapassar os dois dígitos. E a divida publica, chegou ao limite de hoje: 2 TRILHÕES e 900 BILHÕES.

A media dos juros é de 10 por cento ao ano, uma combinação entre a Selic, o contratado e o cobrado. Daria então 290 bilhões, rigorosamente IMPAGAVEL. Só que no vernáculo, essa palavra tem duas leituras. È o que não pode ser pago. Ou o que provoca enorme gargalhada. Que não é o caso da divida brasileira.

No primeiro dia depois de ser convidado para Ministro da Fazenda, Meirelles, por conhecimento e relacionamento, falou sobre a tragédia da divida publica. Assustado quando soube do total, de dentro para fora, comentou sobre a forma de equacionar a divida. Ha muito tempo não se falava nisso.

Imediatamente foi chamado por Temer. Que naquele estilo entre o dúbio e o melifluo comentou: “Gostaria que você não falasse mais nessa questão da divida”. Lógico, Meirelles atendeu, não quer surrupiar suas imagináveis chances presidenciais, seja quando for. Pode ou deveria ser dentro de 60 dias, se o TSE, assumir ou compreender sua enorme responsabilidade. Ou esperar que um notável documentarista como Silvio Tendler, faça um documentário, que teria o titulo obrigatório: “A divida impagável e censurada”.
Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

O ajuste fiscal e a interinidade de Michel Temer

Em cerca de duas semanas o Brasil terá novo governo, pois o Senado deve aprovar o afastamento de Dilma Rousseff.

O ajuste fiscal e a interinidade de Michel Temer

Prazo de validade

André Singer – Folha de S. Paulo

O vice, no entanto, assume em condições inéditas, pois o julgamento da atual presidente, em até 180 dias, acabará por ser, também, um veredito sobre a própria interinidade de Michel Temer.

A sorte pode resolver os complicados problemas postos para o líder do PMDB, mas trata-se de verdadeira, passe o trocadilho, temeridade contar com ela.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E até aqui, nada indica a existência de plano razoável para evitar que novo ajuste fiscal aprofunde a recessão; que a Operação Lava Jato atinja o interino na Presidência; que a proximidade com Eduardo Cunha macule ainda mais a imagem do homem que traiu Dilma.

O senador José Serra (PSDB-SP), óbvio candidato à Presidência, apresentou-se para realizar a difícil missão de produzir rápida retomada do crescimento sem perder o apoio do “mercado”.

Se desse certo, Temer teria carimbado o passaporte para ficar até 2018 e o ex-governador paulista, por sua vez, repetiria a trajetória de Fernando Henrique Cardoso com o real. Ambos ganhariam.

O voo do tucano, contudo, foi abatido pelo veto do seu colega de partido,Geraldo Alckmin, e pelo medo do próprio Temer de desagradar as finanças.

Ao escolher Henrique Meirelles, vinculado aos bancos, opta pela proposta de fazer cortes estruturais que irão deprimir mais a atividade econômica, em busca das chamadas “condições fiscais sustentáveis”.

A guerra de classes promete esquentar, pois as tesouradas incidirão diretamente sobre o bolso e os direitos dos trabalhadores.

Além disso, livre do fardo de ter que defender uma política indefensável, o PT trará o discurso classista à tona, voltando a ter o que dizer na disputa pelas prefeituras. Como ficará o ânimo popular, quando perceber que os empregos continuam a sumir?

Enquanto isso, acusações como a de que a campanha do presidente interino recebeu propina de R$ 1 milhão em 2014, segundo afirmou um dos donos da Engevix; ou de que o peemedebista indicou diretor corrupto da Petrobras; ou de que foi beneficiário de pagamento de R$ 5 milhões, conforme disse um dos sócios da OAS, continuarão no noticiário.

Qualquer iniciativa de aplacar a sanha da República de Curitiba, como foi o virtual convite a um dos advogados de acusados para ocupar a pasta da Justiça, pode ter resultado bumerangue.

As revelações voltarão mais fortes.

Para completar, existe a sombra do aliado Eduardo Cunha.

Trata-se do clássico caso em que o executor do trabalho sujo precisa ser eliminado, pois ameaça conspurcar a reputação do mandante.

A quem achou que o domingo 17 representava o fim da crise, recomenda-se reforçar o estoque de Rivotril.

Lula: a criação de Golbery

Escrevi vários textos, ao longo dos 8 anos desse blog, sobre essa “invenção do Lula”.

Tenho dito, e naturalmente levado na cabeça, que o Lula só foi eleito por que a avenida Paulista precisava de um, vá lá, “esquerdista”, para implementar medidas econômicas que não seriam assimiladas se as fossem de origem de um presidente de direita.

Já para alguns historiadores, Lula foi “criado” como contraposição à liderança de Brizola, que, com a anistia no horizonte, voltaria ao Brasil como um líder fortíssimo entre os trabalhadores.

A “intelligentzia”, planejou muito bem essa complexa operação política/econômica.

Deram um avião e uma pasta de mascate ao Lula, e disseram: vai Lula viajar e ser um “gauche” de vitrine! E aí, colocaram o Henrique Meirelles para governar.
Simples assim!
José Mesquita – Editor


Reflexões sobre Lula, uma liderança criada pelo general Golbery

Ao contrário do que se pensa, Lula não foi contemporâneo de Joaquinzão no sindicalismo.

Lula surgiu com apoio de Golbery e da Federação das Indústria do Estado de São Paulo para tirar de Joaquinzão a liderança que exercia através da CGT (Comando Geral dos Trabalhadores).

Lula não é o ignorante que muitos pensam, senão vejamos: Lula passou em 1968 pelo IADESIL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre), escola de doutrinação mantida desde 1963 em São Paulo pelos norte-americanos da ALF-CIO (American Federation of Labor Congresso Industrial Organization), que surgiu em 1955 e é a maior Central Sindical dos EEUU.

Tanto a IADESIL como a ALF-CIO ministram cursos contra-revolucionarios de liderança sindical.

Lula aproximou-se dos militares por intermédio do empresário Paulo Villares (Indústrias Villares).

Posteriormente, em 1972/73, fez um Curso de Sindicalismo na Johns Hopkins University, em Baltimore, nos EEUU. Isso foi registrado no livro “Jogo Duro”, de Mario Garnero, e nunca foi desmentido, por Lula e o PT.

O professor Chico de Oliveira, um dos fundadores do PT, disse no programa “Roda Viva” que ninguém conhece o Lula e que ele não tem caráter. Chico Oliveira deve saber de muita coisa para poder dizer isso.

As idéias de Lula para o sindicalismo são as teses da ALF-CIO.

O sindicalismo brasileiro está sendo dia a dia desfigurado.

Agora mesmo haverá uma reforma da legislação trabalhista que vem para prejudicar os trabalhadores.

Esta é a realidade.
Antonio Santos Aquino/Tribuna da Imprensa 

Tópicos do dia – 05/02/2012

09:42:12
Brasil: da série “O tamanho do buraco”!
No Brasil carros são mais essenciais que livros. Senão vejamos:
O governo de Dona Dilma reduziu em 30 pontos percentuais a alíquota dos IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – que incide sobre a produção de veículos. São 18 as montadoras que se beneficiaram da mamata até o dezembro de 2012.

A “benesse” fiscal, que certamente irá contribuir para entupir mais ainda as já congestionadíssimas ruas das cidades brasileiras, não alcançou o material escolar.

Uma simplória caneta esferográfica, pasmem, é taxada com 47% de impostos. Como se vê, em relação a educação o governo, digamos, carrega na tinta.

E mais:
agenda escolar (43,19%); apontador (44,39%); borracha escolar (43,19%); caderno universitário (34,99%); caneta (47,49%); cola branca (42,71%); estojo para lápis (40,33%); fichário (39,38%); lápis (36,19%); livros escolares (15,12%); mochilas (39,62%); papel pardo (34,99%); papel sulfite (37,77%); pastas plásticas (40,09%); régua (44,65%); tinta guache (36,13%); e tinta plástica (36,22%).

12:31:54
Brasil: ainda há quem acredite que partidos políticos mandam
Vira e mexe aparece alguém dizendo que isso ou aquilo é culpa/mérito de tal partido.
Isso não tem nada a ver com partido. Precisamos parar com essa mania de pensar que algum partido decide alguma coisa. Aqui ou alhures, nesse tempo ou sempre. Quem está no poder, está por que o capital decide que nesse momento, é mais “interessante” tal partido no poder.
A revolução francesa, tão incensada, na realidade foi conseqüência do capital sustentar um Estado governado pela monarquia e pelo clero. Aí, o capital resolveu que “se eu sustento, eu tenho que mandar”. Por aí.
Vejam aqui na taba dos Tupiniquins. Precisavam de medidas econômicas que jamais conseguiriam ser efetivadas por alguém da chamada direita. Aí elegeram o Lula, pra viajar e dizer besteiras, enquanto o Henrique Meirelles, em nome da banca, governava.
Quem era o grande gurú do Lula? Delfim Neto. Ele mesmo.
Agora com dona Dilma, entre os que dão as cartas, está aquele senhor, barão da siderurgia, de nome alemão. O mais são antolhos ideológicos que obstruem uma análise imparcial do caso concreto.


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