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Arte de Banksy em Bristol é vandalizada dias depois de aparecer

Uma nova arte vandalizada de Banksy
é vista em Barton Hill, Bristol, Inglaterra

Um morador disse sobre o vandalismo: ‘É uma pena’. Fotografia: Matt Hutson / PA

Uma foto compartilhada nas redes sociais mostrou “WCC” rabiscados em toda a obra de arte, que mostra uma jovem atirando um estilingue cheio de flores.

O artista que permanece anônimo confirmou que era o autor do grarfiti postando duas imagens da obra em sua conta e site oficial do Instagram nas primeiras horas do dia dos namorados.

Moradores da área de Barton Hill da cidade de Bristol admiraram a obra de arte, considerada por muitos como um aceno para o Dia dos Namorados.

A obra de arte apareceu em uma casa alugada de propriedade de Edwin Simons.

Sua filha, Kelly Woodruff, descobriu sobre isso depois do grafiti aparecer em um post no Facebook. Ela disse na sexta-feira que estava preocupada com o fato de a obra de arte ser danificada por Storm Dennis.

Um morador local que viu o vandalismo disse: “É uma pena, mas sempre acontecia, infelizmente”.

A ‘maré cinza’ de Doria toma São Paulo e revolta grafiteiros e artistas

Prefeitura apaga grafites da av. 23 de Maio e diz, agora, que fará seleção de novos artistas

Funcionário apaga pichação contra Doria em São Paulo.Funcionário apaga pichação contra Doria em São Paulo. FERNANDO CAVALCANTI

Para especialista, declarar “guerra ao picho” é “tiro no pé” do novo prefeito da cidade

O tucano não é o primeiro a encampar a batalha contra o que para uns é apenas vandalismo, e para outros é arte e expressão urbana. Todos os prefeitos da cidade, independentemente do partido e com menor ou maior afinco, colocaram em prática ações para apagar e coibir o que se convencionou chamar de “arte de rua não autorizada”.

Mas o tucano parece disposto a levar o embate com pichadores e grafiteiros a um novo patamar. “Se preferirem continuar pichando a cidade, terão o rigor da lei. É tolerância zero”, disse após apagar os grafites da 23 de Maio, que segundo ele já estavam antigos e haviam sido pichados. A ação desatou apoio, mas também uma chuva de críticas nas redes sociais e fora delas, onde artistas de várias áreas e paulistanos comuns criticaram a falta de diálogo na tomada de decisões e acusaram a gestão de apagar grafites mesmo sem estar, segundo os critérios da prefeitura, “danificados” por pichações.

A comoção foi tal que o secretário  da Cultura, André Sturm, disse em entrevista ao Estado de S. Paulo nesta terça que a avenida pode receber um Festival do Grafite, com artistas recrutados pela prefeitura e materiais fornecidos pela gestão. Tudo, explicou Sturm, para responder ao “ruído” provocado pela maré cinza. “Ficou muito cinza e há uma vontade de fazer”, disse o secretário.

Especialistas apontam que a cruzada do prefeito tem tudo para ser um tiro no pé – assim como ocorreu com seus antecessores. “O picho trabalha com a noção de perseguição e proeza. Então se ele diz que vai perseguir pichadores, isso pode servir como atrativo para que os jovens pichem mais ainda”, afirma Alexandre Barbosa Pereira, antropólogo e professor da Unifesp que fez seu mestrado sobre o tema.

De acordo com ele, desde que Jânio Quadros foi prefeito, em 1985, iniciativas de combate ao picho são implementadas “e são malsucedidas”. Nesta terça-feira, Doria teve mais um amostra do tipo de jogo de paciência que resolveu travar com os pichadores: os novos muros cinzas da 23 de Maio foram pichados com frases alusivas ao prefeito _e logo pintados de novo pela prefeitura. Dias antes, várias pichações específicas contra o prefeito surgiram na cidade.

Picho e Deic

Doria passa tinta cinza em mureta da 23 de Maio.
Doria passa tinta cinza em mureta da 23 de Maio. F. A. / SECOM-PMSP
O jovem RGS/BR, de 25 anos, foi um dos três pichadores que escreveu “Fora Temer” e “Doria Pixo é Arte” nas paredes de um prédio em frente ao Terminal Bandeira, no centro de São Paulo, já na esteira da “guerra do spray” reativada.
Ele afirma que o discurso de “tolerância zero” de Doria pode fazer com que a polícia “passe a ser mais violenta com os pichadores, uma vez que essa truculência tem o aval dos governantes”. Ele cita um caso ocorrido em 2014, no qual cinco PMs foram acusados de matar dois pichadores rendidos em um prédio no bairro da Mooca, na zona leste da cidade. Pixação diz também que mesmo grafiteiros famosos, como os Gêmeos, “que fazem rolê de burguês, em galeria de arte, também estão riscando a casa dos bacanas de forma ilegal”.

No Brasil tanto a pichação ou o grafite feito em prédios públicos ou privados sem autorização é crime, com pena prevista de três meses a um ano de prisão mais o pagamento de multa. A pena de prisão, no entanto, é geralmente convertida em serviços comunitários. Neste front legal, os pichadores também podem sentir os efeitos da nova cruzada. Doria já disse que quer aumentar o valor da multa e, na segunda-feira, o secretário da Segurança Pública do Governo Alckmin, Mágino Alves, o principal aliado de Doria, anunciou que o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) vai atuar contra o grupo de pichadores.


Vídeo feito pela artista plástica Barbara Goy mostra pintura dos grafites da av. 23 de Maio e foi compartilhado quase 60.000 vezes no Facebook.

Para antropólogo e professor da Unifesp Pereira, além da desigualdade social, espacial e da desorganização da cidade, uma parcela da população é levada para a pichação porque ela oferece “visibilidade e projeção social para o jovem periférico, que resolve circular e ocupar o centro da cidade”. “É preciso fomentar práticas e políticas públicas para que este jovem se expresse de outras maneiras que não o picho, e isso não tem sido feito”, diz o professor.

Guilherme Valiengo, um dos diretores do documentário Cidade Cinza, sobre a cena do grafite e da pichação em São Paulo, afirma que o prefeito precisa tentar entender quem é esse “transgressor”. “Se o cara está botando o nome dele no topo de um prédio ou na rua é porque ele quer dizer alguma coisa. Será que essa é a única oportunidade que ele tem de aparecer? É preciso entender quem são essas pessoas, se elas têm acesso a entretenimento, saúde e cultura. Apenas apagar é querer calar essa voz”, diz.

Em nota, o grupo Pixoação criticou as medidas de Doria. “O prefeito pede que os pichadores (sic) se tornem artistas. Primeiro podemos sugerir que ele estude um pouco mais sobre arte contemporânea”, diz o documento. “Já há alguns anos se sabe que não se fala de arte sem se falar de política, e que as obras que ocupam as bienais e principais mostrar pelo mundo não são dos artistas que decoram a sala dele”, segue o texto.

Nova York e Miami

Não é só no Brasil que a relação entre arte e urbana e zeladoria tem conflitos inerentes e linhas tênues entre convivência e exaltação. Doria tem insistido que é contra a pichação, e não o grafite, mas os dois aparecem muitas vezes em áreas não autorizadas. Enquanto se debate o que é arte ou não e o que deveria ser preservado ou não nos grafites apagados, o principal museu da cidade, o MASP, se prepara para receber no ano que vem uma exposição da obra do grafiteiro norte-americano Jean-Michel Basquiat (1960-1988), que, parte de uma dupla, se consagrou ao espalhar mensagens pelas ruas de Nova York nos anos 70.

Na Nova York de Basquiat ou na Londres do grafiteiro Ben Eine também há políticas repressivas com relação ao grafite (já o picho é considerado uma expressão artística brasileira). Nas cidades, ou em Berlim, a pintura é permitida apenas em alguns locais pré-determinados. Na Inglaterra as multas por grafitar espaços públicos ou privados sem autorização pode chegar a 5.000 libras (cerca de 20.000 reais). Na capital britânica, porém, a arte de rua é considerada um chamariz do turismo e, como tal, é promovida.

Doria disse ter interesse nesse apelo turístico do grafite. Anunciou a criação de um “grafitódromo”, inspirado em um bairro de Miami, onde a prática do grafite é liberada. O prefeito se refere a Wynwood Walls, alguns quarteirões da cidade com galpões antigos que foram adaptados para receber galerias e lojas, e tiveram seus muros pintados por grafiteiros famosos. A proposta também não escapa da polêmica. O antropólogo Pereira acredita que a medida é outro equívoco. “A tendência de ser algo para inglês ver é grande. Pegou mal para o próprio artista estar num espaço tão chapa branca quanto um grafitódromo, isso pode até gerar mais tensões e instigar mais práticas de subversão e mais picho”, diz o professor.

Quanto à proposta de fazer uma curadoria em alguns espaços da cidade para a realização e murais, ideia defendida por Doria, Valiengo, do documentário Cidade Cinza, afirma que isso sempre ocorreu na cidade. “Você pode até patrocinar alguns grafiteiros para pintar em regiões específicas, como ocorre nos túneis da avenida Paulista, ou na radial Leste. Só que a transgressão está no DNA da coisa”, diz. “E quanto aos milhares de grafiteiros e pichadores que existem e não foram chamados para participar? Eles vão pichar onde tiverem vontade, não adianta querer enquadrar”.

Djan Ivson, conhecido no mundo do picho como Djan Cripta, questiona as prioridades de Doria. “Será que a pichação é realmente o maior problema da cidade? São Paulo não tem problemas com moradia, saúde, educação, transporte publico?”, diz. “O picho pode até incomodar, porém está longe de ser o maior problema da cidade”, afirmou.

A igreja que trocou o crucifixo pela arte urbana

O artista Okuda nos fala de seu trabalho na igreja de Santa Bárbara, no norte da Espanha, agora um ‘skatepark’

A igreja de Santa Bárbara foi criada há pouco mais de cem anos em Llanera (em Astúrias, norte da Espanha) para dar trabalho aos funcionários da fábrica de explosivos de Santa Bárbara, que também moravam na região.

Depois da Guerra Civil espanhola, a empresa fechou e, a partir dos anos 60, só este templo permaneceu de pé. A vida útil do edifício sofreu, há alguns anos, uma reviravolta inesperada, que agora culmina com o trabalho do artista urbano Okuda.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Foi em 2007 que o coletivo Church Brigade decidiu montar uma rampa de skate neste edifício abandonado. A arte urbana de Okuda, nascido na Cantábria (norte da Espanha), pode ser vista em quase todo o mundo, mas quando descobriu pelo Facebook que esta igreja tinha sido dessacralizada e transformada em um parque de skate, quis registrar sua obra nela.

Sob o nome de Kaos Temple (Templo do caos), transferiu sua habitual explosão de cor a esse edifício religioso e de estilo clássico, que no século XXI perdeu suas credenciais religiosas para se transformar no templo do skate. É a simetria perfeita entre as abóbodas da igreja e as rampas de skate que fez com que Óscar San Miguel, conhecido como Okuda, se apaixonar por este projeto, conta ele por e-mail.

O artista entrou em contato com a Church Brigade através de um amigo comum e lançou uma campanha no site de financiamento coletivo Verkami. Com o dinheiro financiou os custos necessários para esta obra, criada no número bíblico de sete dias.

Havia um interesse especial para que a ideia fosse adiante. “Este projeto tem para mim um valor sentimental que o torna único. É bem do lado da minha terra, a uma hora da casa dos meus pais, enquanto quase todos os meus projetos grandes estão fora da Espanha”, explica.

O estilo peculiar de Okuda, que ele mesmo define como “colorista e geométrico” parece deslocar a linguagem própria dos vitrais da igreja para fora das janelas, colocando-a nos arcos e abóbadas do edifício. Sua intenção, explica, é a de representar sua própria religião, liberdade e estilo de vida.

Foto realizada por Rubén Pomares

Okuda está muito acostumado a obras de grande formato como a deste local, já que cria cerca de dois murais por mês de pelo menos três andares de altura. “Me sinto muito à vontade adaptando-me a suportes tão clássicos quanto uma igreja. Esse contraste entre pintura contemporânea multicolorida e a arquitetura clássica e crua da pedra é o que mais me impressionou e emocionou neste projeto”, diz.

Ainda que pareça não há mais o que conquistar para a arte urbana deste espanhol, ele ainda tem projetos pendentes. “Faz tempo que gostaria de dirigir videoclipes ou de colaborar com algum arquiteto”, confessa. Este ano participará da Art Beijing, em Pequim, e o único continente que resiste a ele até agora é a Austrália, para onde espera viajar no próximo ano. As imagens a seguir reúnem alguns dos trabalhos favoritos desse cantábrico.

Estação de metro Paco de Luzia em Madri (2015)

Gorki Park (Moscou)

Festival Bonaroo (Manchester) 2013

Grafiteiras árabes que derrubam muros

Artistas de rua do Egito e da Síria refletem o olhar feminino em espaços públicos

A grafiteira palestina Laila Ayawi durante participação na Jordânia, em 2014.
A grafiteira palestina Laila Ayawi durante participação na Jordânia, em 2014. Mia Gröndahl

Os muros nem sempre escondem realidades.

Nas ruas de Alexandria, Sanaa ou Amã, as mesmas paredes capazes de engessar papéis de gênero também podem, graças ao grafite, dar visibilidade às mulheres.

Com essa intenção, nasceu em 2013, no Egito, o Sit al-hita (as mulheres das paredes, em dialeto árabe egípcio) um grupo de cerca de 60 grafiteiros — principalmente mulheres, mas também há homens — de várias partes do mundo árabe que se reúnem a cada ano para levar o universo feminino ao espaço público através da arte de rua.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Até agora, pintaram muros no Cairo, Copenhague e Amã, a última vez em novembro de 2015, graças ao financiamento dos Governos sueco e dinamarquês.

Os grafites políticos ganharam força na paisagem urbana do Egito com a eclosão da Primavera Árabe, em 2011. Com a revolta contra Hosni Mubarak, os muros começaram a refletir mensagens contrárias ao regime ou em homenagem aos mortos na repressão. Faltava, no entanto, metade da população.

A jornalista e fotógrafa sueca Mia Gröndahl documentou os grafites no país para seu livroRevolution Graffiti: Street Art of the New Egypt (Revolução Grafite: Arte de Rua do Novo Egito) e descobriu que, de 17.000, somente cerca de 250 ilustrações eram representadas por mulheres. Foi então quando decidiu fundar o Sit al-hita com o egípcio-canadense Angie Balata.

Os grafites que surgem dos encontros nem sempre trazem reivindicações ou mensagens feministas. Os exemplos vão desde uma mulher amordaçada e amarrada até uma simples borboleta colorida. Às vezes, tem a ver apenas em permitir que o olhar feminino ocupe espaços que normalmente são negados.

Dina Saadi, por exemplo, ilustrou um coração alado com uma fechadura, o símbolo da mulher e o slogan “Liberte sua paixão”. “Como feminista convicta, sempre tento encorajar as mulheres a superar limites com minha arte”, explica Saadi, que nasceu na Rússia, cresceu na Síria e, logo após o início da guerra civil, se mudou para Dubai, onde agora trabalha como diretora artística.

“Não se trata apenas de representar as mulheres. O simples fato de que os homens vejam uma mulher pintando na rua em cima de um guindaste de 50 metros acima do solo envia uma mensagem”, diz Gröndahl.

Muitas das grafiteiras do grupo também criam em formatos tradicionais, mas a força da arte de rua é precisamente não necessitar do papel ativo do espectador (ir ao museu ou à galeria), podendo ser visualizada por todos os pedestres, incomodando-os ou não. É o caso dos slogans com spray contra o assédio sexual no Egito, abuso sofrido por 99,3% das mulheres no país.

A palestina Laila Ayawi não pretende perturbar com seus traços os homens do campo de refugiados de Irbid, na Jordânia. Pelo contrário. “Sei que vivo em uma sociedade conservadora e não vejo minha comunidade como inimiga”, diz. Ayawi sempre pede permissão antes de usar o spray e evita representar o corpo feminino em espaços públicos.

Sua revolução particular tem a ver com “pintar mulheres fortes”. “Gosto de focar no positivo. Não nos representar como vítimas ou frágeis, e sim dizer às outras mulheres: ‘Você tem uma voz no mundo e deve ser ouvida’”, afirma.

Nur Qussini prefere os símbolos. As cadeiras que desenha representam, diz, a tradição das sociedades da Jordânia e do Catar, nas quais passou seus 27 anos de vida.

“Falo por meio de conceitos, mas sobre histórias reais. Falo, por exemplo, de duas de minhas amigas agredidas por seus maridos que não podem se divorciar, porque seria uma vergonha para suas famílias. Por isso gosto tanto de pintar na rua, porque não tem a ver apenas em acrescentar beleza, mas também enviar uma mensagem.”
Fonte:El País