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O dia em que as grandes empresas de tecnologia deixaram de ser intocáveis

Os CEOs da Apple, Amazon, Google e Facebook testemunham juntos pela primeira vez nesta quarta-feira perante o comitê antitruste do Congresso dos EUA.

Chefes do Facebook, Mark Zuckerberg; do Google, Sundar Pichai; Apple, Tim Cook e Amazon, Jeff Bezos, testemunharão juntos pela primeira vez no comitê antitruste do Congresso dos EUA.

 BERTRAND GUAY TOBIAS SCHWARZ ANGELA WEISS MARK RALSTON / AFP

A regulamentação, o principal medo das grandes empresas de tecnologia, está se aproximando todos os dias. Após um ano de investigação, dezenas de entrevistas e centenas de milhares de documentos, os 15 membros do comitê antitruste do Congresso dos Estados Unidos estão prontos para seu maior exame: interrogar os presidentes executivos das quatro principais empresas de tecnologia nesta quarta-feira. Jeff Bezos, da Amazon; Tim Cook da Apple; Sundar Pichai, do Google, e Mark Zuckerberg, do Facebook, terão que se explicar e se defender sobre se suas empresas prejudicam a concorrência e os consumidores. Além do espetáculo, sua capacidade de condenação dependerá em parte se eles merecerem que novas leis regulem suas práticas.

Eles aparecerão juntos, mas o interrogatório será virtual, o que evitará a parafernália emblemática pela qual outras indústrias passaram ao se defender: empresas de tabaco, empresas farmacêuticas ou bancos, após a última crise. A maioria dos americanos acredita que o poder da tecnologia é excessivo e a sensação é de que algo deve ser feito: 77% acreditam que têm muito poder ou 60% acreditam que fazem mais para dividir a sociedade do que para uni-la, de acordo com dados de Gallup.

No entanto, quando perguntados sobre cada empresa em particular, quase todos obtêm uma boa nota, de acordo com dados anuais do meio digital The Verge: cerca de 70% dos americanos confiam na Netflix, Apple e Google, que estão atrás da Microsoft (75% ) e Amazônia (73%). Dos quatro primeiros, apenas o Facebook suspende com 41% de confiança.

O problema dessa longa batalha pela regulamentação não é apenas decidir se o poder de mercado dessas empresas prejudicou os consumidores e limitou seus rivais, mas como remediar a situação sem piorá-la. A principal solução que surge, por ser a mais simples, é quebrá-los: separar o WhatsApp e o Instagram do Facebook, o YouTube do Google ou o Amazon Web Services da Amazon. A situação recente mais semelhante foi a Microsoft há duas décadas e não deu em nada. Mas as soluções que acabam aparecendo também podem ser mais criativas. Nesta quarta-feira, às 18h00, uma longa batalha começou. Acima de tudo, é algo que até agora eles tinham pouca preocupação. Mas os tempos de crescimento como o único guia terminaram.Tecnologia,Internet,Redes sociais

Entre os que aparecem, estará a pessoa mais rica do mundo, Jeff Bezos, e o sétimo, Mark Zuckerberg, de acordo com a lista da Forbes. Zuckerberg também será o mais novo, aos 36 anos e, ao mesmo tempo, o mais velho veterano de aparições no Congresso. Será a quarta vez após suas declarações devido à interferência eleitoral e à privacidade. Para Pichai, 48, e Cook, 59, será o segundo. Apenas Bezos, aos 56 anos, estreará.

Apesar do ritual conjunto e da importância da aparência, os desafios e as estratégias de defesa de cada uma dessas empresas são diferentes. Desinformação, radicalização, comissões exageradas, obtenção ilegítima de dados da competição, decisões aleatórias sobre rivais ou a limitação da oferta são apenas alguns exemplos. Nessas empresas dominantes, há várias razões pelas quais elas podem estar explorando sua posição.

Essas são as críticas que cada uma dessas empresas recebeu. Durante a aparição, no entanto, alguns congressistas provavelmente postarão suas perguntas sobre supostos danos contra causas conservadoras ou outros problemas colaterais para ganhar pontos. No final, isso também é político.

Amazon e a nuvem

A Amazon cresceu mais, se possível, durante a pandemia. Apesar de sua reputação de ser um site de comércio digital, seu serviço de servidor em nuvem para governos e empresas, chamado Amazon Web Services (AWS), também é líder em seu setor.

Mas Bezos não estará perante o Congresso por isso, mas por abusar de seu papel dominante de fornecedor com seus fornecedores e de plataforma para terceiros. O frete grátis pelo Amazon Prime é uma opção tremendamente popular nos EUA, limitando as opções da concorrência. A Amazon possui informações detalhadas sobre o que outros produtos vendem melhor, para que possam ser fabricados com a sua marca. A empresa também controla logicamente a maneira como os produtos são exibidos na web. 49% das pesquisas de produtos começam na Amazon e apenas 22% no Google. A Amazon domina cerca de metade do comércio eletrônico nos EUA.

Apple e sua App Store

O grande debate da Apple está na App Store. Fora da China, Apple e Google, com sua plataforma Android, dominam o mercado global. A empresa Cupertino cobra uma comissão de 30% de todas as vendas de aplicativos e dentro de aplicativos de sua loja online. E publicou um relatório nesta semana em que diz que 30% é padrão no setor, sem notar que a própria empresa era um dos principais fatores desse padrão.

Mas esse não é o único problema da App Store: o Spotify iniciou uma longa guerra com a Apple sobre se a empresa beneficia seu próprio aplicativo, o Apple Music, em sua plataforma. O poder da empresa de Tim Cook se estende além da própria loja: até agora o navegador de seu sistema operacional era, por padrão, o Safari, o navegador da empresa. Com a nova versão de seu sistema, os usuários poderão escolher.

Google e um mecanismo de pesquisa em mudança

O Google é, junto com a Apple, a empresa que deve se defender mais. Seu monopólio nas plataformas móveis é quase inabalável. Além disso, ele ainda domina a pesquisa. Não apenas por causa do Google, mas porque o YouTube é o segundo mecanismo de pesquisa mais usado no mundo. O mecanismo de pesquisa do Google tradicionalmente servia para enviar usuários à web mais útil para sua pesquisa. Esse resultado ideal foi oculto ao longo dos anos sob uma ampla camada de anúncios, mapas, “coisas que as pessoas também procuram” e outros serviços que limitam a aparência dos resultados desejados.

Uma investigação do site de marcação das 15.000 pesquisas mais populares nos EUA resulta em 41% do principal espaço móvel ocupado por resultados oferecidos pelo próprio Google na mesma página, sem a necessidade de clicar para acessar outro site . O que anteriormente era um serviço para o usuário acessar o site mais adequado para sua pesquisa se tornou um espaço para o Google tentar fazer com que o usuário seguisse o Google.

O Google também possui uma plataforma essencial para colocar anúncios em sites, no navegador principal (Chrome) e na maior plataforma de vídeo (Youtube). Além disso, seu papel no Android oferece uma capacidade incrível de pressionar quando se trata de saber como outros aplicativos são usados ​​ou pressionar os desenvolvedores a usarem seu mecanismo de pesquisa em aplicativos.

Facebook e a desculpa perfeita

A empresa de Zuckerberg tem sido a mais analisada e odiada nos últimos anos. Seu principal serviço, o Facebook, é amplamente utilizado em todo o mundo, mas também tem sido um centro de críticas por razões tão diversas e terríveis quanto o suposto facilitador de genocídio ou trapaça eleitoral. Ao contrário do Amazon ou do Gmail, milhões de usuários veem o Facebook como uma ferramenta para espalhar desinformação e causar desunião, em vez de conectar pessoas.

A futura integração de mensagens diretas do Messenger, Instagram e WhatsApp provavelmente será uma das chaves para a aparência. Zuckerberg é claro, no entanto, sua desculpa perfeita hoje: TikTok. Se as empresas americanas que competem nas mídias sociais forem fragmentadas, elas terão mais dificuldade em competir com seus novos rivais, que também são chineses.

A luta anônima de três brasileiros contra sites de fake news

Atuando no anonimato desde maio, idealizadores do movimento Sleeping Giants Brasil estimam ter feito com que páginas propagadoras de notícias falsas tenham deixado de embolsar R$ 448 mil por mês.Fake News,Redes Sociais,Internet,Blog do Mesquita

Twitter e fake news

Em pouco menos de dois meses, Sleeping Giants Brasil acumulou 377,4 mil seguidores no Twitter

Principal plataforma de anúncios da internet, o Google Adsense é o que garante a saúde financeira de boa parte dos sites campeões de audiência mundo afora. E é justamente por meio desse sistema que ativistas do movimento Sleeping Giants Brasil pretendem sufocar propagadores de notícias falsas e fomentadores de discurso de ódio.

Inspirados pelo Sleeping Giants original – criado por um publicitário americano e em operação desde 2016 –, três brasileiros decidiram criar uma versão tupiniquim do movimento em 18 de maio deste ano. Passaram, então, a mirar os esforços em conhecidos sites de fake news, expondo publicamente, via redes sociais, empresas que apareciam como anunciantes nessas páginas, via AdSense.

Pelo sistema do Google, as empresas podem criar uma lista com todos os sites nos quais não querem aparecer de forma alguma. Essa é a ideia do Sleeping Giants: pressionar os anunciantes para que incluam sites de notícias falsas em suas listas e, assim, estes sejam desmonetizados.

A ideia parece estar funcionando. De acordo com balanço fornecido por um dos criadores do movimento, no primeiro mês de atividade o Sleeping Giants Brasil conseguiu que páginas propagadoras de fake news deixassem de embolsar 448 mil reais. O grupo contava com 377,4 mil seguidores no Twitter na manhã desta segunda-feira (13/07) e, no Instagram, com 126 mil seguidores, além de estar presente no Facebook e no Linkedin.

Por temerem ameaças como as sofridas pelo criador da versão original e sua família nos Estados Unidos, os idealizadores do projeto brasileiro não dão nenhuma pista de suas identidades. Eles só toparam conversar via mensagens diretas no Twitter, não aceitando passar nenhuma outra forma de contato.

Segundo eles, na maior parte das vezes, depois da exposição pública, as empresas respondem ao perfil e se comprometem a incluir os sites reconhecidos como propagadores de notícias falsas na lista de exclusão da plataforma AdSense.

“Recebemos mais de 400 respostas [de empresas anunciantes] em apenas um mês e meio de atuação”, afirmam. “Muitas empresas estão aderindo ao movimento, se conscientizando e passando a analisar melhor a forma como promovem sua publicidade e cedem espaços a perfis que promovem a desinformação e o ódio.”

Em um conturbado cenário político como o brasileiro atual, marcado por uma acirrada polarização, o grupo tem sido criticado por apoiadores do governo do presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente, classificou o Sleeping Giants como “a nova forma de censurar a direita”.Whatsapp,Facebook,Fakenews,Educação,Analfabetismo,Redes Sociais,Internet

“Somos contra todos os disseminadores de fake news e discursos odiosos, e sabemos que isso independe de espectro político”, defendem-se os idealizadores. “Mas no atual momento, a extrema direita concentra poder se utilizando de conteúdos falsos e odiosos. Além de que, em meio a uma pandemia, propagar desinformação é extremamente perigoso, visto que estamos falando de vidas sendo perdidas.”

Gigantes na mira

Os criadores do Sleeping Giants Brasil afirmam que os alvos são escolhidos com base na “proporção, relevância e alcance” de seus sites.

A partir de uma lista de empresas fornecida pelos criadores, a reportagem da DW Brasil buscou contato com Americanas, Nike, Spotify e MRV, as quatro mencionadas em primeiro lugar e que não responderam ao grupo, mesmo diante de constantes exposições públicas no Twitter. Nenhuma delas retornou o pedido de posicionamento da reportagem.

A DW Brasil apurou, contudo, que algumas das empresas expostas estão bloqueando sites de fake news de sua lista do AdSense, ainda que prefiram não assumir isso publicamente. Mais que isso, há empresas que, cientes da atuação do Sleeping Giants Brasil, estão se antecipando a uma provável exposição pública e adicionando sites propagadores de fake news a sua lista de exclusão da plataforma do Google.

“A liberdade de expressão é um direito de todos, não estamos aqui para contrariar isso”, afirmam os ativistas. “O movimento busca alertar as empresas de que estão contribuindo com o discurso de ódio e a desinformação, mas cabe a elas a escolha de retirar ou não seu anúncio do site. Só queremos seu posicionamento.”

Trabalho de formiguinha

E por que então não mirar os esforços diretamente na Google, em vez de fazer o trabalho de formiguinha? Segundo os idealizadores do Sleeping Giants, cobrar a responsabilidade da empresa de tecnologia não traria resultados.

“As grandes plataformas são, sim, responsáveis pelo espaço dado a disseminadores de conteúdos falsos e odiosos, mas é muito difícil ganharmos a atenção delas”, argumentam. “Em quatro anos de existência do perfil americano, nenhuma das grandes plataformas tomou medidas ou contatou o Sleeping Giants. Mas esperamos que isso mude e que elas entendam a responsabilidade que têm quando não há um selecionamento criterioso do que admitem ou não no ambiente virtual.”

Procurado pela Dw Brasil, o escritório da Google no Brasil se posicionou via assessoria de imprensa. “Temos políticas rígidas que limitam os tipos de conteúdo nos quais exibimos anúncios, como a que não permite que publishers busquem enganar o usuário sobre sua identidade ou produtos. Quando uma página ou site viola nossas políticas, tomamos medidas imediatas e removemos sua capacidade de gerar receita”, disse a empresa, em nota.

“Entendemos que os anunciantes podem não desejar seus anúncios atrelados a determinados conteúdos, mesmo quando eles não violam nossas políticas, e nossas plataformas oferecem controles robustos que permitem o bloqueio de categorias de assuntos e sites específicos, além de gerarem relatórios em tempo real sobre onde os anúncios foram exibidos”, acrescentou.

A Google afirmou que, apenas em 2019, encerrou mais de 1,2 milhão de contas e retirou anúncios de mais de 21 milhões de páginas “por violação de políticas”.

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Joseph Schumpeter; O homem que previu o fim do capitalismo e que ajuda a entender a economia de hoje

“O capitalismo pode sobreviver?”, se perguntou Joseph Schumpeter. “Não, acho que não”, foi a resposta dele.

Joseph Schumpeter nasceu em 1883 e morreu em 1950.
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A reflexão foi feita em uma de suas principais obras: Capitalismo, Socialismo e Democracia, de 1942.

O influente economista austríaco não acreditava na ditadura do proletariado nem na revolução de Karl Marx. Pelo contrário, ele rejeitava o que entendia como os elementos ideológicos da análise marxista.

Para ele, o que levaria ao fim do capitalismo seria o seu próprio sucesso. “Considero Schumpeter o analista mais aguçado do capitalismo que já existiu. Ele viu coisas que outras pessoas não viram”, disse Thomas K. McCraw, professor emérito da Escola de Negócios da Universidade de Harvard, ao Working Knowledge, o site da universidade.

Schumpeter “está para o capitalismo assim como Freud está para a psicologia: alguém cujas ideias se tornaram tão onipresentes e arraigadas que não podemos separar seus pensamentos fundamentais dos nossos”, disse o acadêmico.

A tragédia

Schumpeter nasceu em 1883 em uma cidade da República Tcheca, que na época fazia parte do império austro-húngaro.

Schumpeter falava diversos idiomas.
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Ele era filho único e perdeu o pai aos 4 anos de idade. Sua educação ficou a cargo de sua mãe e seu novo marido, que frequentavam a aristocracia local.

Embora estudasse direito, o tema que o atraiu foi a economia — Schumpeter se tornaria um dos melhores alunos da Escola Austríaca de Economia.

“Schumpeter era um excelente aluno, leitor incansável, tinha uma mente viva e curiosa, era um mestre em várias línguas”, escreveu Gabriel Tortella, professor emérito de História e Instituições Econômicas da Universidade de Alcalá, no artigo Um profeta da social-democracia, publicado na revista Book.

Ele tinha uma personalidade carismática, era mulherengo e amava cavalos. Viveu por um tempo na Inglaterra, onde teve um relacionamento com uma mulher 12 anos mais velha que ele.

Sylvia Nasar, em seu livro “Grande Busca: A história do Gênio Econômico, conta que se casou com o economista, mas que, com o tempo, ambos reconheceram que o casamento fora um erro. Em 1913, eles se separaram e anos depois se divorciaram oficialmente.

Schumpeter se casou novamente em 1925, desta vez com uma mulher muitos anos mais nova. Mas, um ano depois, uma tragédia abalaria sua vida: sua esposa morreu enquanto dava à luz seu filho, que também morreu pouco tempo depois. Nesse mesmo ano, ele ainda perderia a mãe.

Entre luxo e academia

Schumpeter morou em Viena após a Primeira Guerra Mundial e a queda do império austro-húngaro.

Schumpeter viveu a Primeira Guerra Mundial, que causou grandes estragos na Europa. Direito de imagem GETTY IMAGES

Schumpeter foi ministro da economia do governo socialista que governou a Áustria em 1919. Depois, morou em sete países, em alguns dos quais foi professor e trabalhou como banqueiro de investimentos, o que lhe permitiu fazer uma fortuna — que depois desapareceria.

Antes de seu segundo casamento, por algum tempo, Schumpeter levou uma vida de muitos luxos e parecia não se importar de ser visto em público com prostitutas, diz Nasar.

“Schumpeter era um acadêmico brilhante que fracassou retumbantemente como ministro das Finanças da Áustria”, escreveu Pearlstein, vencedor do prêmio Pulitzer, em uma resenha do livro de Nasar publicada no jornal americano The Washington Post.

O economista se estabeleceu nos Estados Unidos em 1932, onde lecionou na Universidade de Harvard pelo resto da vida. Em sua nova casa, diz Tortella, Schumpeter se apaixonou e se casou com uma historiadora de economia chamada Elizabeth Boody, 15 anos mais nova que ele.

Foi ela quem compilou e editou os textos dele sobre a história do pensamento econômico, publicados postumamente (ambos morreram antes da publicação do livro em 1954: ele em 1950 e ela em 1953) no monumental History of Economic Analysis (História da Análise Econômica, em inglês).

Schumpeter analisou a Grande Depressão dos anos 1930
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Destruição criativa

Durante a Grande Depressão da década de 1930, disse Thomas K. McCraw, “muitas pessoas inteligentes da época acreditavam que a tecnologia havia atingido seu limite, e que o capitalismo atingira seu auge “.

“Schumpeter acreditava exatamente no oposto e, é claro, estava certo”, afirmou McCraw, foi o autor do livro Profeta da Inovação: Joseph Schumpeter e Destruição Criadora.

O conceito de destruição criativa foi um dos que Schumpeter ajudou a popularizar. E, segundo Fernando López, professor de Pensamento Econômico da Universidade de Granada, essa ideia é uma espécie de darwinismo social.

“É a ideia de que o capitalismo destrói empresas não criativas e não competitivas”. “O processo de acumulação de capital continuamente os leva a competir entre si e a inovar e apenas os mais poderosos sobrevivem”.

Uma ansiedade constante

Essa dinâmica ideal do capitalismo significa que os empreendedores nunca podem relaxar. “Esta é uma lição extremamente difícil de aceitar, principalmente para pessoas de sucesso. Mas os negócios são um processo darwiniano e Schumpeter frequentemente o vincula à evolução”, afirmou McCraw.

Novos produtos aparecem constantemente para substituir os antigos, que se tornam obsoletos.

“É um processo contínuo de aprimoramento, e essa é a característica número um do capitalismo”, segundo Pep Ignasi Aguiló, professor de economia aplicada na Universidade das Ilhas Baleares, na Espanha.

A dinâmica dos negócios leva à “única maneira de sair da competição, que é muito dura, é através de tentativas de redução de custos, o que exige processos de inovação na produção ou através do desenvolvimento de novos produtos preferidos pelos consumidores em relação aos anteriores “, diz o doutor em Economia.

No entanto, as tentativas de redução de custos também podem levar a superexploração de trabalhadores, lobby para regulamentação e práticas nocivas para o ambiente — temas que muitas vezes são “esquecidos” quando se fala do assunto.

O fim do capitalismo e das meias femininas

Schumpeter usava dois exemplos para explicar suas teorias foi o das meias femininas.

Schumpeter explicava suas teorias dando como exemplos produtos como meias femininas – Direito de imagem GETTY IMAGES

No início do século 20, apenas mulheres da classe alta podiam comprá-las. Mas, após a Segunda Guerra Mundial, eles se tornaram mais acessíveis aos consumidores de diferentes grupos sociais.

“Tornar algo acessível a todos leva a mentalidade socialista a entrar gradualmente nos poros do sistema capitalista e desacelerar sua característica essencial, que é a competição entre produtores”, diz o professor.

O raciocínio do austríaco era que, ao “apaziguar a concorrência e acabar gerando igualdade no acesso aos produtos”, o capitalismo chegaria ao fim.

Schumpeter fixou um prazo para isso: o fim do século 20.

“Ele estava errado sobre isso. Acreditava que até então as condições de disseminação da produção em massa e de produtos entre toda a população fariam todas a pessoas viverem melhor do que o rei da França do século 18 e, portanto, o clamor pelo socialismo seria grande”.

Vítima de seu próprio sucesso

“A ideia era a de que o capitalismo leva à produção em massa, a produção em massa leva a uma riqueza extraordinária que se espalha por uma parte muito importante da população, o que aumentaria o desejo de igualdade”, explica Aguiló.

O automóvel, por exemplo, deixou de ser um produto que apenas uma elite poderia adquirir e passou a estar disponível para milhões de pessoas. “O preço cai, as quantidades aumentam, e isso acontece repetidas vezes com todos os produtos”, diz o professor.

Essa circulação em massa de produtos significa que os padrões de vida dos consumidores aumentam, que há uma “demanda por mais igualdade” e que isso acaba dificultando a essência do sistema: a concorrência”, explica Aguiló.

Questões como os problemas ambientais se tornaram mais evidente desde a época de Schumpeter
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“Esse grande sucesso da abundância compartilhada, ao alcance de todos, é o que levaria ao fim do capitalismo”.

No entanto, embora a riqueza seja mais bem distribuída em alguns países, o que se viu no mundo desde então foi o contrário: apesar de muitos produtos estarem acessíveis para grande parte da população, o que se vê é uma concentração cada vez maior da riqueza produzida.

Virtude e perigo

Seguindo a lógica de Schumpeter, a concorrência se tornaria, ao mesmo tempo, uma virtude e um problema para as empresas.

Segundo López, Schumpeter acreditava que “o processo de acumulação incessante de capital levaria, em algum momento, ao que Marx chamava de tendência decrescente da taxa de lucro”.

“O capitalismo é um sistema incomparável em termos produtivos, é um sistema que, no nível produtivo, eu uso Marx novamente, é o mais progressista da história, mas tem o problema de que a acumulação incessante de capital o leva a competir também incessantemente.”

“Essa competição força as empresas a estar em uma guerra constante para inovar, obter novos mercados, novos produtos. E aí mora o perigo”.

Harry Landreth e David C. Colander, em seu livro História do Pensamento Econômico, explicam que “enquanto Marx havia previsto que o declínio do capitalismo derivaria de suas contradições, Schumpeter especulou que seu fim seria produto do seu próprio sucesso”.

Sua ideia de uma sociedade socialista

Em seu trabalho Capitalismo, Socialismo e Democracia, Schumpeter imaginou o tipo de sociedade socialista que surgiria depois que o capitalismo perecesse.

Guillermo Rocafort, professor da Faculdade de Ciências Sociais e Comunicação da Universidade Europeia, inclui o pensador austríaco no grupo de economistas pessimistas ou fatalistas, desiludidos com o capitalismo de sua época.

Enquanto Marx via uma luta de classes entre a burguesia e a classe trabalhadora, Schumpeter percebia uma grande tensão entre um grupo de empreendedores, aqueles que provocam “vendavais capitalistas que levam a um grande crescimento econômico” e outro composto de empreendedores “que implementam um capitalismo não tão pioneiro, mas calculista, mais conservador “, diz Rocafort.

Na sociedade imaginada por Schumpeter, a distribuição da riqueza seria mais justa ainda existiria mercado.

Seria uma sociedade em que o valor da igualdade estaria acima de tudo, segundo Aguiló, “o que levaria a um status quo que desacelera a inovação para e na qual, portanto, o peso do mercado na distribuição dos recursos é menor, e o peso do Estado aumenta.”

Landreth e Colander citam Schumpeter: “Os verdadeiros promotores do socialismo não foram os intelectuais ou agitadores que o pregaram, mas os Vanderbilts, Carnegies e Rockefellers (famílias ricas do início do século 20)”.

Ciclos econômicos

Rocafort explica que Schumpeter reforçou a teoria dos ciclos econômicos como forma de evolução do capitalismo.

“Como se fosse uma montanha-russa, subindo e descendo, (…)Schumpeter refere-se a ciclos econômicos que têm sua origem em inovações tecnológicas e financeiras. Elas causam momentos de grande boom, depois estabilização e depois uma depressão ou recessão”, diz o professor.

O especialista cita como exemplos a quebra da bolsa de 1929 e a crise financeira de 2008.

Schumpeter nos faz ver o capitalismo como “um processo histórico e econômico que não tem crescimento contínuo, o que seria desejável, mas um crescimento bastante volátil, e que, em última análise, tem consequências para a sociedade em termos de, por exemplo, desemprego”.

No século 21

“Vários economistas, incluindo Larry Summers e Brad DeLong, disseram que o século 21 será ‘o século Schumpeter’ e eu concordo”, disse McCraw.

Schumpeter e John Maynard Keynes (na foto) são considerados os principais economistas do século 20
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“O motivo disso é que a inovação e o empreendedorismo estão florescendo em todo o mundo de uma maneira sem precedentes, não apenas nos casos bem conhecidos da China e da Índia, mas em todos os lugares, exceto em áreas que tolamente continuam a rejeitar o capitalismo.”

“A destruição criativa pode acontecer em uma grande empresa inovadora (Toyota, GE, Microsoft), mas é muito mais provável que isso aconteça nas start-ups, especialmente agora que elas têm muito acesso ao capital de risco”, afirmou McCraw.

De fato, segundo o autor, Schumpeter foi um dos primeiros economistas a usar esse termo: ele o fez em um artigo que escreveu em 1943, no qual falava de capital de risco.

Os inovadores

Schumpeter, suas idéias e, acima de tudo, o conceito de destruição criativa ganharam uma importância especial nas últimas duas décadas.

“É essencial para entender nossa economia”, diz Aguiló. Essa competição de negócios nem sempre significa “dominar o mercado com um produto, mas com uma idéia, com um tipo ou modelo de negócios”.

Rocafort destaca que nessa destruição criativa, inovadores e empreendedores são os principais protagonistas.

Um exemplo é como a indústria de tecnologia e seus gigantes como Google e Microsoft ocuparam o espaço de um setor que nas décadas de 20, 30, 40 e 50 era um dos principais: a indústria automotiva.

“Se você observar o preço das ações, as empresas de tecnologia são as mais importantes e são todas americanas”, diz ele.

Hoje, muitos setores da sociedade pedem uma mudança no sistema econômico
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Um alerta

Por outro lado, especialistas como López pedem cautela na aplicação das idéias de Schumpeter para explicar a economia atual. “Não é conveniente usar categorias históricas porque são sociedades diferentes. As velhas teorias não funcionariam para nós “, diz ele.

Schumpeter é o produto de uma época e “seu capitalismo não é o capitalismo de hoje”, alerta.

A acumulação de capital era diferente e não tinha nem o alcance global nem o impacto ecológico de hoje. Segundo o professor, o sistema está atravessando barreiras que antes pareciam impensáveis: se um país se industrializa, o emprego aumenta, mas o meio ambiente se deteriora.

“Isso não estava na mente de Schumpeter, nem John Maynard Keynes. [Na época,] a industrialização era o elemento fundamental do desenvolvimento.”

Mas López reconhece que “aspectos parciais do trabalho de Schumpeter [como destruição criativa] podem nos ajudar a entender o sistema”.

Em transição?

Rocafort também concorda que o trabalho de Schumpeter é sua visão pessoal da realidade em que ele viveu. “Agora temos um contexto macroeconômico que não existia na época: paraísos fiscais, fundos de investimento especulativos, endividamento excessivo das nações”, explica.

No entanto, ele esclarece que dada a situação de incerteza que enfrentamos diante da economia mundial, faz sentido procurar explicações nos grandes clássicos da economia. “É preciso tentar ver o que se aplica de cada teórico, porque não pode haver ortodoxia ou dogmatismo na economia. Nós idolatramos Keynes e o resultado, como vimos nos últimos 15 anos, está sendo um fracasso”, diz Rocafort.

O economista acredita que Schumpeter e suas ideias como “ciclos econômicos e destruição criativa” podem ajudar a esclarecer alguns pontos do momento que vivemos. “Talvez o modelo econômico atual esteja esgotado e estejamos precisando de novas inovações tecnológicas e financeiras”.

“Ele fala de destruição criativa como aquele novo ciclo causado por um grande desenvolvimento tecnológico. Talvez um ciclo esteja colidindo com outro, como placas tectônicas”, reflete.

Coronavírus dos meios de transporte da Peste Negra para a Amazon com a cobertura-19: mostra as pandemias impulsivas às megacorporações

Em plena Idade Média na Europa, em junho de 1348, os cidadãos da Inglaterra começaram a ter sintomas misteriosos. No início, eram leves e difusas: dor de cabeça, mal-estar e náusea.

“O triunfo da morte” representa o que aconteceu no século XIV.

Isso foi seguido pelo aparecimento de inchaços negros dolorosos, ou bolhas, que cresceram nas axilas e na virilha, que deram à doença o nome: peste bubônica.

O último estágio da infecção foi febre alta e morte.

Originados na Ásia Central, soldados e caravanas trouxeram as bactérias que causavam o vírus, a Yersina pestis, e que carregavam pulgas que viviam em ratos, aos portos do Mar Negro.

O comércio de mercadorias no Mediterrâneo causou a rápida transmissão da praga, através de navios mercantes que chegaram primeiro na Itália e depois em toda a Europa.

A Peste Negra matou entre um terço e meio da população da Europa e do Oriente Médio.

Esse grande número de mortes foi acompanhado por devastação econômica geral.

“A alternativa para os próximos 20 anos é uma forma sustentável de capitalismo. Ele continuará sendo capitalismo, mas não será visto como tal.”
Desde que um terço da força de trabalho morreu, as colheitas foram deixadas sem coleta e as conseqüências para as comunidades que nelas viviam foram devastadoras.

Uma em cada dez cidades da Inglaterra (como muitas na Toscana e outras regiões da Itália) desapareceu e nunca foi re-fundada.

As casas se tornaram ruínas e estavam cobertas de grama e sujeira. Somente as igrejas foram deixadas de pé.

Portanto, se você se deparar com uma igreja ou capela solitária no meio do campo, é provável que esteja vendo os últimos remanescentes de uma das aldeias perdidas da Europa.

Havia uma cidade ao redor daquela igreja em ruínas?

A experiência traumática da Peste Negra, que matou talvez 80% das pessoas infectadas, levou muitas pessoas a escrever para entender o que haviam experimentado.

Em Aberdeen, John de Fordun, um cronista escocês, registrou que:

“A doença afetou a todos, mas principalmente as classes média e baixa, raramente os nobres.”

“Isso gerou tanto horror que as crianças não ousaram visitar seus pais moribundos, nem os pais seus filhos, mas fugiram por medo de contágio, como lepra ou cobra”.

Essas linhas quase poderiam ter sido escritas hoje.

Yuval Noah Harari: “Esta não é a peste negra. Não é como se as pessoas morressem e não tivéssemos ideia do que as mata”
Embora a taxa de mortalidade da covid-19 seja muito menor que a da Peste Negra, as consequências econômicas foram severas devido à natureza globalizada e altamente integrada das economias modernas.

E, como isso foi adicionado à mobilidade da população, a pandemia se espalhou pelo mundo em questão de meses, não anos.

Mão de obra

Embora a Peste Negra tenha causado danos econômicos a curto prazo, as consequências a longo prazo foram menos óbvias.

Antes de começar a se espalhar, o crescimento da população havia causado um excedente de trabalho há séculos, que foi abruptamente substituído por uma escassez de mão-de-obra quando muitos servos e camponeses livres morreram.

Os historiadores argumentam que essa escassez de mão-de-obra permitiu que os camponeses que sobreviveram à pandemia exigissem melhores salários ou procurassem emprego em outro lugar.

Apesar da resistência do governo, a epidemia corroeu o sistema feudal.

Muita literatura foi escrita sobre o que aconteceu com a peste negra.

Mas outra conseqüência da Peste Negra foi a ascensão de empresários ricos e o estreitamento dos laços entre governos e o mundo dos negócios.

Embora a doença tenha causado perdas de curto prazo para as maiores empresas da Europa, elas concentraram seus ativos no longo prazo e permaneceram com uma participação maior no mercado, enquanto aumentavam sua influência nos governos.

Isso tem fortes paralelos com a situação atual em muitos países do mundo.

Embora as pequenas empresas dependam do apoio do governo para evitar o colapso, muitas outras, principalmente as maiores ou aquelas que entregam em casa, estão se beneficiando generosamente das novas condições do mercado.

O que a peste negra pode nos ensinar sobre as conseqüências econômicas globais de uma pandemia.
A economia de meados do século XIV e hoje são muito diferentes em tamanho, velocidade e interconexão para fazer comparações exatas.

Mas certamente podemos ver paralelos com a forma como a Peste Negra fortaleceu o poder do Estado e acelerou o domínio do domínio das megacorporações sobre os principais mercados.

O negócio da morte

A perda repentina de pelo menos um terço da população da Europa não levou a uma redistribuição uniforme da riqueza para todos os outros.

Em vez disso, as pessoas reagiram à devastação mantendo dinheiro dentro da família.

A peste negra matou de 75 a 200 milhões de pessoas em todo o mundo.
Ao mesmo tempo, o declínio do feudalismo e o surgimento de uma economia baseada em salários, seguindo as demandas camponesas por melhores condições de trabalho, beneficiaram as elites urbanas.

O pagamento em dinheiro, e não em espécie (na concessão de privilégios como o direito de coletar lenha) significava que os camponeses tinham mais dinheiro para gastar nas cidades.

Essa concentração de riqueza acelerou bastante uma tendência pré-existente: o surgimento de empresários mercantes que combinavam o comércio de bens com sua produção em uma escala disponível apenas para aqueles com quantidades significativas de capital.

Por exemplo, a seda, uma vez importada da Ásia e Bizâncio, agora era produzida na Europa.

Mercadores italianos ricos começaram a abrir oficinas de seda e tecido.

Esses empresários estavam em uma posição única para responder à súbita falta de mão-de-obra causada pela Peste Negra.

Diferentemente dos tecelões independentes, que careciam de capital, e diferentemente dos aristocratas, cuja riqueza vinha da terra, os empresários urbanos podiam usar seu capital líquido para investir em novas tecnologias, compensando a perda de trabalhadores com máquinas.

Paradoxalmente, ao reduzir a população, a vida dos sobreviventes melhorou.
No sul da Alemanha, que se tornou uma das áreas mais comercializadas da Europa nos séculos 14 e 15, empresas como a Welser (que mais tarde administrou a Venezuela como colônia privada) combinaram o cultivo de linho com posse dos teares.

Nesses teares, o linho era trabalhado para produzir um tecido que a empresa posteriormente vendeu.

Após a Peste Negra, nos séculos XVI e XV, a tendência era de poucas empresas concentrarem todos os recursos: capital, habilidades e infraestrutura.

A era da Amazon

Avançando para o presente, existem algumas semelhanças claras.

Certas grandes organizações aproveitaram as oportunidades oferecidas pela pandemia da covid-19.

Em muitos países, pequenos restaurantes, bares e lojas fecharam subitamente.

O mercado de alimentos, o varejo em geral e o entretenimento tornaram-se digitais e o dinheiro praticamente desapareceu.

Com os restaurantes fechados, grande parte desse suprimento de alimentos foi absorvida pelas redes de supermercados.

A Amazon é vista como um dos vencedores da pandemia.
Eles têm muitas áreas de vendas e muitos funcionários, além da capacidade de acelerar a contratação e no momento em que muitas pessoas ficam sem emprego.

Eles também têm armazéns, caminhões e capacidade logística complexa.

O outro grande vencedor foram os gigantes do varejo on-line, como a Amazon, que possui serviços de vendas de alimentos nos Estados Unidos, Índia e em muitos países europeus.

Quem está ganhando dinheiro com o coronavírus?

As lojas do nível da rua sofrem com a concorrência de preços e a conveniência da Internet há anos, tornando comuns as notícias de fechamentos e falências.

Empresas em ascensão

Agora, grande parte do espaço de negociação “não essencial” está encerrado, e nossos desejos só podem ser realizados através da Amazon, eBay, Argos, Screwfix e outros.

Houve um claro aumento nas compras on-line, e os analistas se perguntam se essa é uma reviravolta definitiva no mundo virtual e demonstra maior domínio das grandes corporações.

A indústria de streaming de entretenimento, um setor de mercado dominado por grandes corporações como Netflix, Amazon Prime (novamente), Disney e outras, nos mantém distraídos enquanto aguardamos nossos pacotes em casa.

Outros gigantes online como Google (dono do YouTube), Facebook (dono do Instagram) e Twitter fornecem as outras plataformas que dominam o tráfego da Internet.

A paralisação das atividades pelo coronavírus elevou o número de desempregados nos Estados Unidos para 22 milhões.

Pandemias do governo

No nível estadual, a Peste Negra provocou uma aceleração da centralização, aumento de impostos e dependência do governo de grandes empresas.

Na Inglaterra, o declínio no valor da terra e a consequente queda na renda levaram a Coroa, o maior proprietário de terras do país, a tentar limitar os salários aos níveis anteriores à Peste Negra com o Estatuto dos Trabalhadores de 1351, e impor impostos adicionais à população.

Anteriormente, os governos se financiavam e impunham impostos para despesas extraordinárias, como guerras.

Mas os impostos estabelecidos após a Peste Negra estabeleceram um precedente importante para a intervenção do governo na economia.

Esses esforços do governo resultaram em um aumento significativo na participação da Coroa na vida cotidiana.

Nos surtos subsequentes de peste, que ocorreram a cada 20 anos ou mais, o movimento das populações foi restringido por toque de recolher, proibição de viagens e quarentena.

“Obrigado, tio Sam”: os US $ 1.200 que os EUA paga milhões de pessoas para combater o impacto econômico do coronavírus.
Isso fez com que o Estado concentrasse ainda mais poder e substituísse a distribuição regional de autoridade por uma burocracia centralizada.

Muitos dos homens que dirigiram o governo após a praga, como o poeta Geoffrey Chaucer, vieram de famílias mercantes inglesas, algumas das quais ganharam poder político.

Detalhe de uma tapeçaria florentina com dois anjos segurando o brasão de Médici.

O exemplo mais proeminente disso foi o da família De la Pole, que em duas gerações passou de comerciante de lã a detentor do título de Suffolk County.

Com o colapso temporário do comércio e das finanças internacionais após a Peste Negra, Richard de la Pole se tornou o maior prestamista da Coroa e amigo íntimo de Richard II.

Quando as megaempresas italianas reapareceram nos séculos 14 e 15, também se beneficiaram da crescente dependência da coroa de empresas comerciais.

A família Medici, que acabou governando Florença, é o exemplo mais impressionante.

Os comerciantes também ganharam influência política comprando terras, cujo preço havia caído após a Peste Negra.

Possuir terras permitiu que se tornassem nobres e aristocratas e casassem seus filhos com os filhos de senhores com problemas de liquidez.

Com seu novo status e com a ajuda de sogros influentes, as elites urbanas ganharam representação política no Parlamento.

No final do século XIV, o controle estatal do governo e seus estreitos laços com empresas mercantis levaram muitos nobres a se voltar contra Ricardo II.

Depois que Ricardo II levantou impostos para arrecadar dinheiro para continuar sua campanha no exterior, os camponeses pegaram em armas em 1381.

Eles transferiram sua lealdade ao primo, que se tornou Henrique IV, na (vã) esperança de que ele não seguisse as políticas de Ricardo.

Isso e as subsequentes Guerras das Rosas foram impulsionadas em parte pela hostilidade da nobreza em relação à centralização do poder do governo.

A derrota de Enrique a Ricardo III em 1485 não apenas terminou a guerra, mas anulou qualquer tentativa da nobreza inglesa de recuperar a autoridade regional, abrindo caminho para o crescimento contínuo das empresas e do governo central.

O estado em que estamos

O poder do estado é algo que assumimos amplamente no século XXI.

Em todo o mundo, a idéia de nação soberana tem sido central na política e na economia imperiais nos últimos séculos.

Mas a partir da década de 1970, tornou-se comum os intelectuais sugerirem que o Estado era menos importante, seu monopólio sobre o controle do território começou a ser disputado por empresas multinacionais.

Em 2016, das 100 maiores entidades econômicas, 31 eram países e 69 eram empresas.

O Walmart era maior que a economia da Espanha, a Toyota, maior que a da Índia.

A capacidade dessas grandes empresas de influenciar políticos e reguladores já foi clara o suficiente: basta olhar para o papel das empresas de petróleo em negar as mudanças climáticas.

E que Margaret Thatcher, primeira ministra do Reino Unido de 1979 a 1990, declarou que pretendia “reverter o Estado” também trouxe mudanças.

Desde então, mais e mais ativos que antes eram estatais começaram a ser operados como empresas ou como agentes privados em um mercado regulamentado pelo estado.

Aproximadamente 25% do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, por exemplo, possui contratos com o setor privado.

O sistema de saúde do Reino Unido tem sofrido muita pressão durante a pandemia – Direitos autorais da imagem GETTY IMAGES

Em todo o mundo, transportes, serviços públicos, telecomunicações, dentistas, oftalmologistas, correios e muitos outros serviços costumavam ser monopólios estatais e agora são administrados por empresas.

É comum ouvir-se que as indústrias nacionalizadas ou estatais são lentas e precisam de disciplina no mercado para se tornarem mais modernas e eficientes.

Mas, graças ao coronavírus, o estado voltou novamente como um tsunami.

Seus gastos foram direcionados aos sistemas nacionais de saúde, abordaram os problemas dos sem-teto, forneceram renda básica universal para milhões de pessoas e ofereceram garantias de empréstimos ou pagamentos diretos a um grande número de empresas.

Essa é a economia keynesiana de larga escala, na qual os títulos nacionais são usados ​​para emprestar dinheiro lastreado em impostos futuros dos contribuintes.

As idéias sobre o equilíbrio orçamentário parecem ser, por enquanto, históricas, dado o número de setores que dependem de resgates públicos.

Políticos de todo o mundo tornaram-se repentinamente intervencionistas, usando metáforas da época da guerra para justificar gastos gigantescos.

Também não se fala muito da restrição surpreendente das liberdades pessoais. A autonomia do indivíduo é fundamental para as idéias neoliberais.

Os “povos amantes da liberdade” contrastam com aqueles que vivem suas vidas sob o jugo da tirania, de estados que exercem poderes de vigilância como um Big Brother sobre o comportamento de seus cidadãos.

Quase metade da população da Inglaterra desapareceu devido à peste negra.

No entanto, nos últimos meses, estados ao redor do mundo restringiram o movimento para a grande maioria das pessoas e estão usando a polícia e as forças armadas para impedir multidões em espaços públicos e privados.

Teatros, bares e restaurantes estão fechados.

Também parques estão fechados, e até sentar em bancos pode motivo para levar uma multa, ou bem correr muito perto de alguém.

Um rei medieval ficaria impressionado com esse nível de autoritarismo.

O poder do Estado está agora sendo exercido de maneiras nunca vistas desde a Segunda Guerra Mundial, e tem havido amplo apoio público a ele.

Resistência popular

Para retornar à Peste Negra, o crescimento da riqueza e a influência de comerciantes e grandes empresas agravaram seriamente o sentimento anti-comércio que já existia.

O pensamento medieval, intelectual e popular, sustentava que o comércio era moralmente suspeito e que os comerciantes, especialmente os ricos, eram propensos à ganância.

A Peste Negra foi amplamente interpretada como a punição de Deus pelo pecado da Europa, e muitos escritores pós-epidêmicos culparam a Igreja, os governos e as empresas ricas pelo declínio moral da cristandade.

O famoso poema de protesto de William Langland, Piers Plowman (“Peter, o Labrador”), era fortemente anti-comercialista.

Lutero ficou indignado com o monopólio da Igreja Católica.

Outras obras, como o poema de meados do século XV, o Libelle de Englysche Polycye, toleraram o comércio, mas o desejavam nas mãos dos comerciantes ingleses e fora do controle dos italianos, que, segundo o autor, empobreceram o país.

Com o avanço dos séculos XIV e XV, e as corporações ganharam maior participação no mercado, a hostilidade popular e intelectual aumentou. A longo prazo, isso teria resultados incendiários.

Já no século XVI, a concentração do comércio e das finanças nas mãos das empresas havia se tornado um monopólio próximo dos bancos reais e papais.

Essas empresas também tinham o monopólio ou quase as principais matérias-primas da Europa, como prata, cobre e mercúrio, e importações da Ásia e das Américas, principalmente especiarias.

Martin Luther (o teólogo que promoveu a reforma religiosa na Alemanha e cujos ensinamentos foram inspirados pela Reforma Protestante) ficou indignado com essa concentração e principalmente com o monopólio da Igreja Católica.

Em 1524, ele publicou um tratado argumentando que o comércio deveria ser conduzido em nome do bem comum (alemão) e que os comerciantes não deveriam cobrar preços altos por seus produtos.

Este sinal foi colocado em cemitérios para alertar sobre a Peste Negra.

Juntamente com outros escritores protestantes, como Philip Melancthon e Ulrich von Hutten, Luther apontou o sentimento anti-mercado existente de criticar a influência dos negócios no governo, acrescentando injustiça financeira ao seu pedido de reforma religiosa.

Max Weber associou o protestantismo ao surgimento do capitalismo e do pensamento econômico moderno.

(Recomendo a leitura de “A ética Protestante e O Espírito do Capitalismo”, de Weber)

Mas os primeiros escritores protestantes se opuseram às corporações multinacionais e à comercialização de suprimentos básicos, apontando para o sentimento anti-comercial que teve suas raízes na Peste Negra.

Essa oposição popular e religiosa acabou levando à ruptura com Roma e à transformação da Europa.

Pequeno é sempre bom?

No século 21, nos acostumamos à idéia de que as empresas capitalistas produzem concentrações de riqueza.

Quer se trate de industriais vitorianos, aristocracia, ladrões americanos ou bilionários pontocom, as desigualdades geradas pelos negócios e a capacidade de corromper governos moldaram o debate comercial desde a revolução industrial.

Para os críticos, as grandes empresas costumam ser caracterizadas como cruéis.

Um gigante que esmaga as pessoas comuns sob as rodas de suas máquinas ou extrai vampiricamente os lucros do trabalho das classes trabalhadoras.

Como vimos, o debate entre pequenas empresas locais e aqueles que favorecem corporações e poder estatal remonta há muitos séculos.

Poetas e radicais românticos lamentavam como os “moinhos satânicos escuros” estavam destruindo o campo e produzindo pessoas que nada mais eram do que apêndices em máquinas.

As populações dos países ocidentais foram alimentadas por grandes redes de supermercados durante a pandemia.

A idéia de que o artesão honesto estava sendo substituído pelo empregado alienado, um escravo assalariado, é comum tanto aos críticos nostálgicos quanto aos progressistas do capitalismo primitivo.

Na década de 1960, a fé nos negócios locais, combinada com suspeitas sobre empresas e o estado, deu origem a movimentos ecológicos, como o Occupy ou o Extinction Rebellion.

Consumir comida local, usar dinheiro local e tentar aumentar o poder de compra de “instituições âncoras”, como hospitais e universidades, em direção a pequenas empresas sociais tornou-se o senso de muitos ativistas econômicos contemporâneos.

Mas a crise do covid-19 questiona esse “pequeno é bom e grande é ruim” de algumas maneiras fundamentais.

Do Washington Post a uma cadeia de supermercados: os tentáculos do império de Jeff Bezos além da Amazon.

Parece ser necessário uma organização em larga escala para lidar com a grande variedade de problemas que o vírus gerou, e os estados que parecem ter tido mais sucesso são aqueles que adotaram as formas mais intervencionistas de vigilância e controle.

Até o mais ardente pós-capitalista teria que reconhecer a incapacidade das pequenas empresas sociais de equipar um hospital gigantesco em poucas semanas.

E, embora existam muitos exemplos de empresas locais envolvidas na entrega de alimentos e uma quantidade louvável de ajuda ao cidadão, a população dos países ocidentais está sendo amplamente alimentada por redes de supermercados com operações logísticas complexas.

Após o coronavírus

O resultado a longo prazo da Peste Negra foi o fortalecimento do poder das grandes empresas e do Estado. Os mesmos processos ocorreram durante a quarentena de coronavírus e muito mais rápidos.

Mas devemos ser cautelosos com as fáceis lições históricas.

A história nunca se repete realmente.

As circunstâncias de cada época são únicas e simplesmente não é aconselhável tomar as “lições” da história como experimentos que testam certas leis gerais.

O coronavírus não matará um terço de qualquer população, portanto, embora seus efeitos sejam profundos, eles não causarão a mesma escassez de trabalhadores. Na verdade, reforçou o poder dos empregadores.

A diferença mais profunda é que a causada pelo vírus coincide com outra crise, a das mudanças climáticas.

Existe um risco real de que as políticas de recuperação econômica simplesmente substituam a necessidade de reduzir as emissões de carbono.

Este é o cenário de pesadelo, em que o covid-19 é apenas um prenúncio de algo muito pior.

O coronavírus está afetando o planeta.

Mas as enormes mobilizações de pessoas e dinheiro que governos e empresas implementaram também mostram que as grandes organizações podem se reformar e ao mundo notavelmente rapidamente, se quiserem.

Isso fornece um motivo real de otimismo em relação à nossa capacidade coletiva de redesenhar a produção de energia, transporte, sistemas alimentares e muito mais – o novo acordo ecológico que muitos formuladores de políticas têm patrocinado.

A Peste Negra e o covid-19 parecem ter causado a concentração e centralização dos negócios e do poder do Estado.

É interessante saber disso.

Mas a questão mais importante é se essas forças podem ajudar a combater a crise que se aproxima.

Eleanor Russell é Doutor em História na Universidade de Cambridge e Martin Parker é professor na Universidade de Bristol, ambos no Reino Unido.

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Twitter bane mais de 170 mil perfis ligados ao governo da China

Segundo a rede social, perfis disseminavam informações falsas para difamar movimento pró-democracia em Hong Kong e espalhar críticas aos EUA e Taiwan.

Contas também publicavam notícias falsas sobre pandemia de covid-19.

Twitter cancelou mais de 170 mil perfis associados a campanhas chinesas de desinformação

O Twitter informou nesta sexta-feira (12/06) que cancelou mais de 170 mil perfis ligados ao governo da China que propagavam campanhas de desinformação que tinham como alvo o movimento pró-democracia em Hong Kong, além de disseminar propagandas antiamericanas.

Após uma análise realizada juntamente com grupos de pesquisadores, o Twitter disse que desmantelou redes associadas ao governo chinês administradas por um núcleo bastante ativo de 23.750 contas, além de outros 150 mil perfis que funcionavam como “amplificadores” desse conteúdo.

“Eles tuitavam predominantemente no idioma chinês e disseminavam narrativas geopolíticas favoráveis ao Partido Comunista da China, ao mesmo tempo em que empurravam narrativas sobre a dinâmica política em Hong Kong”, afirmou a rede social em sua análise.

O Twitter foi banido na China, assim como as plataformas Youtube, Google, Instagram e Facebook, com a imposição do chamado “Grande Firewall”, que restringe o acesso a sites de notícias e de informação de fora do país. Mesmo assim, diplomatas chineses e a imprensa estatal do país costumam recorrer a esses meios para difundir a narrativa de Pequim.

Além de disseminar a narrativa chinesa sobre os protestos em Hong Kong, os tuítes chineses também espalhavam informações falsas sobre a pandemia de covid-19 e críticas ao governo de Taiwan. Analistas e alguns governos ocidentais já vinham alertando sobre as suspeitas de que a China manipula perfis e contas controladas pelo Estado, disfarçados de usuários normais, para disseminar os pontos de vista do governo e espalhar desinformação.

Um analista do Instituto Australiano de Políticas Estratégicas (Aspi), que estudou os dados antes do anúncio feito pelo Twitter, disse que os perfis chineses lançavam críticas à reação do governo americano aos protestos antirracistas no país, no intuito de “criar uma percepção de equivalência moral com a supressão dos protestos em Hong Kong”.

“Nossa análise mostra que, ao mesmo tempo em que não permite que os cidadãos utilizem o Twitter, o Partido Comunista chinês gosta de utilizá-lo para disseminar propaganda e desinformação internacionalmente”, disse Fergus Hanson, diretor do Aspi.

O especialista observou também que as postagens da rede chinesa eram feitas, na maioria das vezes, durante o horário de expediente no país e nos dias úteis. Esse padrão, segundo Hanson, “demonstra claramente a não autenticidade e a coordenação” da divulgação de informações falsas.

O anúncio do Twitter veio no mesmo dia que o aplicativo Zoom, de conversas em grupo, acatou exigências impostas pelo governo chinês e fechou contas de ativistas pró-democracia dos Estados Unidos e de Hong Kong. A plataforma, que ganhou milhões de novos usuários durante a pandemia do novo coronavírus, foi utilizada para relembrar o massacre promovido pelo regime na Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Privacidade na WEB; Como apagar dados pessoais que não deveriam estar na rede

À medida que navega e compartilha informações na web, você deixa uma trilha que qualquer pessoa no mundo pode acessar sem se levantar do sofá.

É provável que se você digitar seu nome no Google encontre registros que nem sabia que existiam. De páginas da web com dados pessoais, como seu endereço ou telefone, a fotografias que na época você não se preocupou em postar na Internet. E até contas que criou em aplicativos que mal chegou a usar.

À medida que navega e compartilha informações na web, você deixa uma trilha que qualquer pessoa no mundo pode acessar sem se levantar do sofá. Apagar por completo a pegada digital é complicado. Mas existem opções para eliminar e controlar as informações pessoais que aparecem sobre você na Internet.

Tudo o que um usuário escreve em redes sociais, blogs, fóruns ou outros serviços pode aparecer na Internet. É possível editar ou excluir grande parte desta pegada de forma manual.

 “Para localizar esse conteúdo, o mais recomendável é ir ao Google e pesquisar por si mesmo, escrevendo seu nome e sobrenome entre aspas, e depois, com muita paciência, eliminar todas essas informações”, explica Fernando Suárez, presidente do Conselho de Faculdades de Engenharia da Computação (CCII, na sigla em espanhol), da Espanha.

Ex-funcionário avisa que Google pode acessar todos os documentos dos usuários de sua nuvem.Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

O usuário pode excluir uma a uma cada conta que criou nas redes sociais e outros serviços. Mas há ferramentas que facilitam o trabalho. Por exemplo, o Deseat.me oferece uma lista de todas as contas que uma pessoa criou com um email específico e permite solicitar a exclusão bastando pressionar um botão.

Já o AccountKiller compila links diretos para facilitar a qualquer usuário excluir sua conta em sites como Gmail, Instagram, Netflix e Microsoft. “Você quer se livrar da sua conta online? Não deveria ser um problema, certo? Infelizmente, em muitos sites, incluindo os populares, como o Facebook, apagar sua conta pode ser uma verdadeira dor de cabeça”, explica ele em seu próprio site.

É provável que se você digitar seu nome no Google encontre registros que nem sabia que existiam.
“Eliminar completamente a pegada digital é praticamente impossível: depois que publicamos informações na Internet, perdemos o controle sobre elas e não sabemos quem pode acessá-las e para qual finalidade”, alerta Suárez. Ele dá o seguinte exemplo: “Se postamos uma foto em uma rede social e posteriormente a excluímos, não podemos ter certeza de que as pessoas que tiveram acesso a essa fotografia não a publicaram em outras páginas e, portanto, sua exclusão seria muito mais complicada. “

Como apagar a informação que aparece na Internet

A lei europeia do direito ao esquecimento permite que você peça diretamente ao Google que desindexe determinadas informações. Ou seja, que quando alguém usar o mecanismo de pesquisa, um site específico não apareça entre os resultados. Existe um formulário para isso. O usuário deve assinalar um por um os links que deseja remover e indicar o motivo.

O Google pode retirar informações pessoais que representem um risco significativo de roubo de identidade, fraude financeira ou outros tipos de danos específicos. Suárez explica: “Por exemplo, números de identificação, como o do documento de identidade ou informações de cartões de saúde, números de contas bancárias ou de cartões de crédito, históricos médicos, imagens de assinaturas ou fotografias de conteúdo sexual explícito postado na Internet sem o nosso consentimento”.

Mas a opção de pedir ao Google que exclua determinadas informações tem limitações. Juana María Perea, reitora da Faculdade Oficial de Engenharia da Computação das Ilhas Baleares, observa que o preenchimento do formulário não garante que os dados sejam desindexados.

A empresa de Mountain View analisa os links um por um e escolhe se os desindexa ou não. “Quando você envia uma solicitação, no Google procuramos o equilíbrio entre os direitos à privacidade dos usuários afetados, o interesse público que essas informações podem ter e o direito de outros usuários de distribuí-las”, afirma a gigante da tecnologia em seu site.

A empresa pode se recusar, por exemplo, a retirar informações sobre fraudes financeiras, negligência profissional, condenações criminais ou conduta de funcionários públicos. Além disso, este formulário apenas garante a remoção de dados na União Europeia. Portanto, os dados continuarão a aparecer nas versões internacionais do mecanismo de busca.

Outros buscadores

O Google é o líder indiscutível dos mecanismos de busca. Em 2018, totalizou 96% das pesquisas de usuários, segundo a Statista. São seguidos pelo Bing, com 3%, e o Yahoo, com 1%. Mesmo assim, os especialistas também recomendam controlar o que aparece nesses alternativos. “O processo mencionado só se aplica ao Google. O Yahoo e o Bing têm seu próprio formulário para que exerçamos nosso direito de desaparecer da rede”, diz Perea. Nos dois mecanismos de busca, se aceitarem a solicitação, o conteúdo será removido apenas na Europa.

Tanto Perea como Suárez concordam com a importância de controlar em quais sites você se registra. O presidente do CCII aconselha, antes de tudo, “a prudência ao usar as ferramentas da Internet”: “Não apenas aquelas em que publicamos informações diretamente, como blogs ou redes sociais, mas também a própria trilha que deixamos, por exemplo, ao pesquisar ou navegar “. Nesse sentido, é recomendável excluir periodicamente os cookies, usar VPNs (rede virtual privada, na sigla em inglês) ou optar por mecanismos de busca alternativos ao Google, projetados para navegar sem deixar vestígios.

Covid-19; apó a pandemia os giganjtes da tecnologia terão ainda mais controle sobre o que você vê e pensa

Os algoritmos do Vale do Silício estão controlando seu mapa cognitivo, e os governos estão deixando isso acontecer. O Covid-19 está fornecendo a cobertura perfeita para reforçar esse controle – bem a tempo das eleições de 2020.

O neoliberalismo foi a cobertura perfeita para os oligarcas desencadearem guerras ideológicas para proteger os bilhões que saquearam dos contribuintes. Trilhões de dólares fluíram para o Vale do Silício, o berço da censura digital – censura que, sob muitos aspectos, é mais perigosa e insidiosa do que o golpe fracassado d’état de um presidente dos EUA apoiado no discurso com a farsa rússia e a farsa do impeachment.

Nas últimas duas décadas, as sociedades democráticas foram manipuladas pelos gigantes não-regulamentados de alta tecnologia do Vale do Silício, que agora controlam o fluxo de notícias e atacam com a Amazon, Facebook, Google, Twitter, YouTube, Instagram, Netflix, PayPal, Reddit, TikTok, Microsoft e Amazon, Apple e a perigosa Internet Of Things (acelerada pela 5G).FOTO DE ARQUIVO: Sheryl Sandberg do Facebook, uma forte defensora dos Clintons © Reuters / Philippe Wojazer
É difícil encontrar provas concretas, pois você nunca pode pegar os gigantes da tecnologia em flagrante. A maneira como eles propositalmente ocultam todos os seus dados e algoritmos de marca registrada serve apenas para reforçar as suspeitas e as evidências dispersas. Mas seus motivos têm sido transparentes em suas próprias declarações e ações públicas.

Covid-19 é a diversão perfeita.

Enquanto o Congresso passa movimentadamente mais resgates de bilhões de dólares para bilionários, a alta tecnologia furtivamente garante que as futuras gerações se tornem viciados em digital que cegamente aceitam e abraçam, como ovelhas, o surgimento da tirania digital. Os estudantes de hoje tropeçam como zumbis em transe, com os olhos fixos nos celulares, com medo de perder as atualizações em tempo real do Instagram ou os memes mais recentes do TikTok. O desenvolvimento do 5G pode resultar em uma Segunda Guerra Mundial silenciosa que garante o rápido desaparecimento de uma sociedade ocidental zumbificada sem que um único tiro seja disparado.

Os algoritmos do Vale do Silício determinam o conteúdo que você vê, quando o vê, como o vê ou se o vê. Se os “moderadores” sombrios e sem rosto discordam do seu ponto de vista ou se opõem à narrativa neoliberal oficial, ela desaparece e você é banido das sombras. Por exemplo, acredito firmemente que meu feed do Twitter do @PlanetPonzi é de sombra. O CEO do Twitter, Jack Dorsey, endossou um artigo como uma “ótima leitura”, no qual os autores refletiram como a política dos EUA ficou tão ruim (sob a Casa Branca Trump) que “não havia um caminho bipartidário a seguir … e o país está à beira de uma guerra civil.”

Eles continuaram: “Neste período atual da política americana, neste momento de nossa história, não há como um caminho bipartidário fornecer o caminho a seguir”. O apoio de Dorsey a este artigo estabelece um precedente que permite uma cultura tóxica no Twitter, o que provavelmente se refletiu na seleção de contas dos funcionários para o shadowban. Vice conduziu uma investigação que revelou como as famosas vozes conservadoras que usavam o Twitter eram constantemente suprimidas mais do que as contas liberais.

O Twitter nunca abordou os resultados do Vice e mais tarde negou alegações dizendo que era um erro ou que “sinais baseados em comportamento” aumentam a visibilidade de certas contas, enquanto suprimem a visibilidade de outras pessoas como parte do objetivo do Twitter “de melhorar a saúde das conversas públicas em Twitter.” Então, para reiterar, vozes conservadoras, incluindo membros existentes do Congresso dos EUA, como Matt Gaetz, foram suprimidas no Twitter.

Devido à natureza opaca do Twitter, é impossível afirmar que o Twitter aumenta as contas individuais, garantindo que as postagens com as quais os moderadores do Twitter discordam nunca sejam vistas, mas é altamente provável. As avaliações estratosféricas “baseadas em fraudes por clique” das empresas sem fins lucrativos de zumbis do Vale do Silício continuam extraordinárias. A avaliação de US $ 20 bilhões do Twitter é hilária. A Elliott Management, de Paul Singer, é um investidor corajoso que acredita e confia no modelo de negócios do Twitter.

Outro exemplo pode ser encontrado simplesmente olhando os comentários direcionados a Boris Johnson, enquanto ele está sentado no hospital lutando contra o Covid-19. As pessoas estão pedindo sua morte e afirmando que ele merece estar nessa situação. Esses comentários ainda apareceriam se eles pedissem a morte de um liberal? Tudo bem, simplesmente porque Johnson é um conservador?

E não é apenas o Twitter.

Apesar de seu testemunho juramentado, a Pesquisa do Google foi flagrada manipulando dados de pesquisa, ocultando dados e criando algoritmos que fazem exatamente isso e não deixam evidências. Por exemplo: os artigos que escrevo são ocultados pela Pesquisa do Google (tente pesquisar no Google ‘Feierstein’, ‘Mitchell Feierstein’, ‘Feierstein rt.com’ e ‘Mitchell Feierstein rt.com’ e compare os resultados).

Cientistas de dados e psicólogos têm a mesma opinião. Dê uma olhada nos estudos de Ronald E. Robertson sobre o Efeito de manipulação de mecanismos de pesquisa publicados nos Anais da Academia Nacional de Ciências, que são fascinantes e condenadores.

Esses porteiros digitais têm o poder de controlar e manipular populações por meio da coleta de big data. Seu perfil digital contém um registro de tudo que você faz. Você está sendo rastreado e todos os seus movimentos e ações são gravados. Esses dados valiosos são compilados e armazenados pelas empresas listadas acima. Esses dados são valiosos e baseiam-se em suas preferências e em todos os itens que você pesquisou ou comprou na Internet, nas lojas que você visitou e nos lugares pelos quais viajou, seja de carro, ônibus, trem ou avião. Google, Amazon, Facebook e outros. estão gravando todos os seus movimentos. Todas essas são, pelo menos nominalmente, funções de exclusão – mas as empresas estão contando descaradamente que as pessoas não estão sendo incomodadas o suficiente para vasculhar as configurações e desmarcar todo isenções de responsabilidade de pequenos scripts.Tecnologia,Internet,Redes sociais

Parece assustador? Bem, é sim. O pior é que o controle total dos dados do consumidor – e o poder resultante de influenciá-lo – é combinado com preferências políticas claramente expressas.

Teddy Goff, estrategista de campanha digital de Hillary Clinton em 2016, enviou o seguinte email a Clinton e John Podesta, gerente de campanha de Clinton:

“As relações de trabalho com o Google, Facebook, Apple e outras empresas de tecnologia foram importantes para nós em 2012 e devem ser ainda mais importantes para você em 2016, dadas as posições ainda em ascensão na cultura. Essas parcerias podem trazer uma série de benefícios para a empresa. uma campanha, do acesso a talentos e possíveis doadores ao conhecimento antecipado de produtos beta e convites para participar de programas-piloto. Começamos a ter conversas discretas com algumas dessas empresas para entender suas prioridades para o próximo ciclo, mas encorajamos você, assim que sua liderança em tecnologia estiver no lugar, a iniciar discussões mais formais. ”

Você se lembra do slogan do Google “Não seja mau”? Bem, o Google é mau. É um dos maiores doadores da classe política irresponsável e paga de Washington.

A China contratou Eric Schmidt, do Google, para criar um sistema de crédito social chinês que espionasse e censurasse grande parte da população chinesa. Em resposta, os funcionários do Google publicaram a seguinte declaração: “Nos recusamos a criar tecnologias que ajudem os poderosos a oprimir os vulneráveis, onde quer que estejam.” Enquanto Schmidt representou esse Sistema de Crédito Social como estando apenas no estágio de desenvolvimento e não estaria concluído por anos, relatórios recentes afirmam que isso é uma mentira total e que o sistema está totalmente funcional.

“Nós sabemos onde você está. Nós sabemos onde você esteve. Podemos saber mais ou menos o que você está pensando.”
ex-CEO do Google, Eric Schmidt.

O presidente Obama se reunia com Schmidt com freqüência, e o Google exercia influência sobre a administração e as políticas de Obama. Os registros da Casa Branca mostram que, entre 2009 e 2015, enquanto o presidente Obama estava no cargo, funcionários do Google e suas entidades associadas visitaram a Casa Branca 427 vezes.

Em 2016, os relatórios da mídia sugeriram que os resultados de pesquisa do Google ocultaram más notícias sobre Clinton e retrataram Hillary de uma maneira muito mais favorável que Trump. Schmidt respondeu: “Não tomamos posição na eleição presidencial americana e nem espero que o façamos”.

Além do trabalho de Schmidt nas estratégias de tecnologia da campanha, ele também secretamente financiou um fornecedor da campanha de Hillary Clinton. Em outubro de 2016, Goff transmitiu um e-mail enviado a Clinton: “A palavra de Schmidt eclipsaria facilmente a operação de tecnologia de qualquer oponente de Clinton”.

Primeira quarentena, agora sinos de leprosos digitais: quanta liberdade os britânicos estão dispostos a se render em um ataque de pânico do Covid-19?
O ás de Mark Zuckerberg, COO do Facebook, Sheryl Sandberg, também estava trabalhando ativamente com John Podesta, gerente de campanha de Clinton, na campanha de Clinton. O político informou que Sandberg foi colocado na lista de Clinton para se tornar secretário do Tesouro dos EUA depois que Clinton venceu, embora Sandberg mais tarde tenha negado.

No entanto, as esperanças foram frustradas quando o mundo ficou chocado com a perda inesperada de Clinton. Por que eu trago isso à tona? Bem, Google, Facebook e Vale do Silício tiveram quatro anos para aperfeiçoar um sistema que garante que seu candidato vença e Trump perca. Eric Schmidt aprendeu com seus erros de 2016 e se opôs a tudo o que Trump. Schmidt não é o único que quer Trump fora, o mesmo acontece com 98% do Vale do Silício, o que garantirá que 2020 será diferente.

Conhecimento é poder e quem controla a mídia controla o fluxo de informações e controla o poder. É assim que essas empresas de tecnologia se propõem a atingir um objetivo comum: controlar seu mapa cognitivo. Não é sobre o que foi dito e debatido, é sobre o que está enterrado e deixado de fora.

Por que parece que a censura digital do Vale do Silício é a mesma censura digital da China? Simples, é o mesmo. Enquanto o Covid-19 destrói o mundo, a tirania digital está matando a democracia, enquanto o Congresso dos EUA fica em silêncio e deixa acontecer. Para ser claro, o Vale do Silício precisa de regulamentação e precisa agora. O congresso precisa acordar.

Coronavírus: Apple e Google se unem para o rastreamento Covid-19

A Apple e o Google estão desenvolvendo tecnologia para alertar as pessoas se entraram recentemente em contato com outras pessoas infectadas com coronavírus.

Eles esperam ajudar inicialmente aplicativos de rastreamento de contatos de terceiros a executarem com eficiência.

Mas, em última análise, eles pretendem acabar com a necessidade de baixar aplicativos dedicados, para incentivar a prática.

As duas empresas acreditam que sua abordagem – projetada para manter os usuários, cuja participação seria voluntária e anônima – aborda questões de privacidade. Seu método de rastreamento de contatos funcionaria usando os sinais Bluetooth de um smartphone para determinar a quem o proprietário esteve recentemente por tempo suficiente para estabelecer um risco de contágio. Se uma dessas pessoas testasse positivo mais tarde para o vírus Covid-19, um aviso seria enviado ao proprietário original do aparelho.

Nenhum dado de localização GPS ou informações pessoais seriam gravados.

“Privacidade, transparência e consentimento são de extrema importância nesse esforço e esperamos desenvolver essa funcionalidade em consulta com as partes interessadas”, disseram Apple e Google em comunicado conjunto.

“Publicaremos abertamente informações sobre nosso trabalho para que outras pessoas analisem.”

O presidente Trump disse que seu governo precisava de tempo para considerar o desenvolvimento.

“É muito interessante, mas muitas pessoas se preocupam com isso em termos de liberdade de uma pessoa”, disse ele durante uma entrevista coletiva na Casa Branca.

“Vamos dar … uma olhada muito forte e informaremos em breve.”

O supervisor de proteção de dados da União Européia pareceu mais positivo, dizendo: “A iniciativa exigirá uma avaliação mais aprofundada, no entanto, após uma rápida olhada, parece marcar as caixas certas em relação à escolha do usuário, proteção de dados por projeto e interoperabilidade pan-européia”.

Mas outros observaram que o sucesso do empreendimento pode depender da obtenção de pessoas suficientes testadas.

Apple é o desenvolvedor do iOS. Google é a empresa por trás do Android. Os dois sistemas operacionais alimentam a grande maioria dos smartphones em uso.

Alguns países – incluindo Cingapura, Israel, Coréia do Sul e Polônia – já estão usando aparelhos celulares para emitir alertas de contágio por coronavírus.Tecnologia,Internet,Redes,Computadores,Blog do Mesquita,Informática

Outras autoridades de saúde – incluindo o Reino Unido, França e Alemanha – estão trabalhando em iniciativas próprias. E alguns governos municipais nos EUA estão prestes a adotar um aplicativo de terceiros.

Os dois gigantes da tecnologia visam trazer coerência a tudo isso, permitindo que os aplicativos de terceiros existentes sejam atualizados para incluir sua solução.

Isso tornaria os aplicativos interoperáveis, para que o rastreamento de contatos continuasse a funcionar à medida que as pessoas viajassem para o exterior e entrassem em contato com pessoas usando uma ferramenta diferente.

A Apple e o Google estão trabalhando no esforço há cerca de duas semanas, mas não revelaram seus planos externamente até sexta-feira.

Se for bem-sucedido, o esquema poderá ajudar os países a relaxar os bloqueios e as restrições nas fronteiras.

Correspondências por telefone
As empresas pretendem lançar um bloco de construção de software – conhecido como API (interface de programação de aplicativos) – até meados de maio.

Isso permitiria que os aplicativos de outras pessoas fossem executados na mesma base.Ciência,EUA,China,Tecnologia,Computação Quântica

Os registros das identificações digitais envolvidas seriam armazenados em servidores remotos, mas as empresas dizem que elas não poderiam ser usadas para desmascarar a verdadeira identidade de um indivíduo específico.

Além disso, o processo de correspondência de contatos ocorreria nos telefones e não centralmente.

Isso permitiria que alguém soubesse que deveria entrar em quarentena, sem que ninguém mais fosse notificado.

As duas empresas divulgaram detalhes das especificações de criptografia que planejam usar para proteger a privacidade e detalhes do papel que o Bluetooth desempenhará.

Eles esperam que isso convença os ativistas de que sua abordagem pode ser confiável.

A Apple e o Google dizem que outro benefício de sua solução é que os desenvolvedores não arriscariam que as versões iOS e Android de seus aplicativos se tornassem incompatíveis devido a uma atualização de buggy.

Além disso, eles acreditam que seria menos oneroso para a vida útil da bateria do que os atuais sistemas de rastreamento de contatos.

Nenhum aplicativo necessário
A segunda fase da iniciativa envolve a criação de recursos de rastreamento de contato nos sistemas operacionais iOS e Android. Os usuários poderiam ativar e desativar o recurso novamente sem precisar baixar um aplicativo.

Aplicativos de terceiros aprovados ainda poderão interagir com o recurso, se desejado.

A instalação seria entregue por meio de uma futura atualização de software do sistema. Mas as empresas ainda não disseram quando isso aconteceria.

“Esta é uma solução mais robusta”, dizem eles, sugerindo que haveria uma adoção mais ampla se os usuários não precisassem baixar software adicional para si mesmos.Celular,Tecnologia,Economia,Blog do Mesquita

Ele também fornece às empresas a capacidade de desativar facilmente o rastreamento em uma base regional quando a pandemia terminar.

Embora a Apple e o Google esperem que outras pessoas vejam os benefícios de adotar sua abordagem, isso não é garantido.

Um esforço independente – a iniciativa de rastreamento de proximidade de preservação de privacidade pan-europeia (PEPP-PT) – revelou sua própria tentativa de fornecer uma solução centrada na privacidade em 1º de abril.

Cerca de 130 tecnólogos e cientistas estão envolvidos e o grupo já fez contato com vários governos europeus.

Coronavírus: Como trabalhar em casa da maneira certa

Empresas de todo o mundo lançaram trabalho remoto obrigatório. Seja você um novato ou um veterano da WFH, eis o que você precisa fazer para se manter produtivo.

Google, Microsoft, Twitter. Hitachi, Apple, Amazon. Chevron, Salesforce, Spotify. Do Reino Unido aos EUA, Japão e Coréia do Sul, essas são todas as empresas globais que, nos últimos dias, implementaram políticas obrigatórias de trabalho em casa em meio à disseminação do Covid-19.

E é realista supor que a mudança para o ‘escritório em casa’ se tornará o novo normal para muitos de nós por um tempo, dado o anúncio de quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde de que o coronavírus atingiu oficialmente o status de ‘pandemia’.

Alguns funcionários trabalharão em casa pela primeira vez, o que significa descobrir como permanecer na tarefa em um novo ambiente que pode não ser adequado à produtividade. Mas existem maneiras de obter resultados e evitar enlouquecer, desde a criação de um bom espaço de trabalho até a maneira como você conversa com sua equipe.

Aumente a comunicação

Com coronavírus ou não, a chave para trabalhar em casa é uma comunicação clara com seu chefe – e saber exatamente o que você espera de você.

“Tenha expectativas muito claras para as comunicações dia a dia”, diz Barbara Larson, professora de administração da Northeastern University, em Boston, que estuda trabalho remoto. “Pergunte ao seu gerente se eles não se importam de ter uma ligação de 10 minutos para começar o dia e encerrar o dia. Muitas vezes, os gerentes simplesmente não pensam nisso.”

Empresas de pequeno e grande porte em todo o mundo começaram a implementar esquemas obrigatórios de trabalho remoto para promover o distanciamento social para impedir a expansão do Covid-19 (Crédito: Getty Images)

A maioria das pessoas passa seus dias nas proximidades de seu chefe, o que significa que a comunicação é fácil e sem esforço. Mas tudo fica fora da janela com o trabalho remoto, e a falha na comunicação é ainda mais provável se o seu local de trabalho não estiver acostumado a trabalhos remotos. Seu gerente pode não estar acostumado a gerenciar pessoas virtualmente, por exemplo, ou sua empresa pode não ter um conjunto pronto de ferramentas para trabalhadores remotos, como o aplicativo de bate-papo Slack ou o aplicativo de videoconferência Zoom, diz Larson.

Mas mesmo para os que estão acostumados, trabalhar em casa pode parecer desestruturado e isolado. No ano passado, um estudo com 2.500 funcionários remotos da agência de desenvolvimento de marcas online Buffer descobriu que a solidão era o segundo desafio mais relatado, vivido por 19% dos entrevistados. A solidão pode fazer com que as pessoas se sintam menos motivadas e menos produtivas.

Fora da vista, fora da mente pode ser um problema real para trabalhadores remotos – Sara Sutton
Então, quando você se comunica com seu chefe e equipe em casa, ajuda se o máximo possível puder ser uma comunicação “mais rica”, cara a cara e instantânea, Larson diz: videochamadas, Skype, Zoom.

“Fora da vista, esquecer pode ser um problema real para os trabalhadores remotos”, diz Sara Sutton, CEO e fundadora do FlexJobs, um site remoto de listagem de empregos. “Os melhores funcionários remotos chegarão regularmente a colegas e gerentes” através de uma variedade de ferramentas.

“Trate como um trabalho de verdade”

Existem também algumas dicas atemporais da WFH para recorrer. Por exemplo, só porque você pode descansar de pijama não significa que você realmente deveria. “Tome um banho e se vista. Trate-o como um trabalho de verdade ”, diz Larson.

Se você não possui um escritório em casa, faça o máximo possível para criar um espaço ad hoc personalizado, exclusivo para o trabalho. “Não ter um escritório em casa bem equipado quando [as pessoas] começam a trabalhar remotamente pode causar uma diminuição temporária da produtividade”, explica Sutton. Ela diz que monitores duplos, teclado e mouse sem fio a tornam mais produtiva em casa.

Um ciclista na Itália treina em casa em uma bicicleta ergométrica para evitar sair de casa, pois o país continua com um bloqueio nacional em meio à pandemia de Covid-19 (Crédito: Getty Images)

Então, em vez de deitar na cama com um laptop, tente algo mais deliberado. A solução pode ser algo tão simples quanto mover uma mesa de cabeceira para um canto longe das distrações, desligar o computador e sentar em uma cadeira ereta, como faria na mesa do escritório. No entanto, lembre-se do “pescoço tecnológico” e de outras necessidades ergonômicas.

Isso também serve como um sinal importante para quem mora com você de que você está no trabalho. “Crie limites dentro de sua casa que os membros de sua família entendam: ‘Quando a porta estiver fechada, finja que não estou lá'”, diz Kristen Shockley, professora associada de psicologia da Universidade da Geórgia.

Com um espaço de trabalho dedicado onde você pode se concentrar, fica mais fácil desbloquear os benefícios do trabalho remoto. Em uma pesquisa com 7.000 trabalhadores no ano passado pela FlexJobs, 65% disseram que são mais produtivos trabalhando em casa, citando benefícios como menos interrupções de colegas, políticas mínimas no escritório e redução do estresse no deslocamento.

“Seguimentos psicológicos”, como um exercício matinal de café ou tarde de 20 minutos, podem colocar você na mentalidade de trabalho correta
No entanto, também é importante reservar o seu dia. Naquela pesquisa do Buffer, a reclamação WFH mais citada foi a incapacidade de desconectar após o trabalho. Se você não pode se deslocar ou entrar e sair de um escritório físico, o que fornece limites mais claros para a jornada de trabalho, Shockley sugere “seguimentos psicológicos” que podem ajudar a colocar você na mentalidade certa: como um café de 20 minutos pela manhã e depois exercite-se logo após o trabalho para abrir e fechar o dia.

“Mesmo que o cuidado das crianças não seja um problema, ainda é fácil quando você está em casa [para pensar]: ‘tenho roupa para lavar, deixe-me fazer isso muito rápido'”, diz ela. “Você precisa se colocar em um estado de espírito que realmente está trabalhando”.

Evite sentir-se isolado

Mesmo assim, mesmo com essas ferramentas, a natureza imposta e abrupta da transição de um escritório para um ambiente doméstico pode deixar alguns problemas para se acostumar com a mudança.

“O coronavírus está empurrando todos para esse tipo de trabalho extremo em casa”, diz Nicholas Bloom, professor de economia da Universidade de Stanford, na Califórnia, que ministra palestras ao TED sobre trabalho remoto. Ele diz que existem dois tipos de trabalho em casa: trabalho a curto prazo ou ocasional em casa e trabalho permanente ou em período integral em casa. “É como comparar exercícios leves com treinamento de maratona”, diz ele.

O último ainda é bastante raro – Bloom diz que apenas 5% da força de trabalho dos EUA, por exemplo, informa que são trabalhadores remotos em período integral. Com o coronavírus, não está claro quanto tempo as pessoas ficarão em casa, o que apresenta problemas adicionais. Os pais, por exemplo, acharão mais difícil trabalhar se as crianças estiverem em casa porque as escolas estão fechadas, o que significa que uma comunicação próxima com os gerentes – que precisam entender – é vital.

Especialistas dizem que a comunicação de “alta fidelidade”, como videochamadas, enquanto trabalha em casa combate o isolamento, salvaguarda a unidade e a produtividade da equipe (Crédito: Getty Images)

O isolamento prolongado também pode impactar potencialmente no moral e na produtividade. É por isso que Larson sugere que as equipes tentem manter uma aparência de normalidade e camaradagem de maneiras não convencionais, como festas virtuais de pizza ou happy hours remotas, onde as pessoas discam e compartilham um coquetel no Slack ou Skype.

“É uma boa maneira de se relacionar – é meio estranho, mas todo mundo está se sentindo estranho, então é divertido”, diz Larson, descrevendo a mentalidade de “estamos todos juntos nisso”. “Isso adiciona um pouco de leveza e leveza ao ambiente difícil.”

Sutton também apóia a idéia de traduzir as atividades sociais no escritório para um ambiente online. “Comemore aniversários, elogie o público por metas alcançadas e projetos concluídos”, diz ela. “Arranje tempo para conversas casuais e bate-papo com ‘bebedouros’.”

“Mantenha o ânimo”

Não se engane, estes são tempos estressantes. Manchetes negativas, preocupação com entes queridos ou idosos e luta contra o desejo de entrar em pânico comprando papel higiênico podem colocar todos os e-mails de trabalho em resposta. Porém, quanto mais esforço você faz para se comunicar com os colegas, maior a chance de evitar sentimentos de isolamento, o que pode levar à depressão.

“No geral, um período curto de, digamos, duas a quatro semanas trabalhando em casa em tempo integral, acho que seria econômica e pessoalmente doloroso, mas suportável”, diz Bloom. “Um período mais longo de, digamos, dois ou três meses em tempo integral trabalhando em casa pode levar a sérios custos econômicos e de saúde”.

As soluções para as armadilhas do trabalho em casa incluem o máximo de interação online possível.

Ele concorda que as soluções para isso incluem o máximo de interação online possível através de videochamadas, check-ins regulares para gerentes – especialmente para os funcionários que moram sozinhos e que podem se sentir mais isolados – e reuniões regulares sem agenda, como agendar café ou uma bebida.

Se você é gerente, cabe a você fornecer uma comunicação clara e também é crucial manter o moral. “É fácil ficar estressado ou deprimido hoje em dia”, diz Larson. Se você é gerente, “reconheça que há estresse e dificuldade. Seu trabalho é ser líder de torcida da equipe. ”

Isso é particularmente importante se as pessoas acabam trabalhando em casa por mais de algumas semanas, o que é uma possibilidade distinta. “Estabeleça algum tipo de norma”, diz Larson. “Mantenha o ânimo das pessoas.”

Economia,Blog do Mesquita

Facebook e Google são investigados por práticas antitruste

Facebook,Google,Tecnologia,Redes Sociais,Internet,Blog do Mesquita

Nos Estados Unidos, procuradores-gerais de vários estados abrem inquéritos para apurar se gigantes da internet agiram de maneira irregular no mercado, sufocando a concorrência e ferindo os direitos dos consumidores.

As gigantes da internet Facebook e Google se tornaram alvo de investigações por suspeitas de violação da lei antitruste nos Estados Unidos, que apuram se as empresas agiram irregularmente para sufocar os concorrentes e ferir os direitos dos consumidores.

Alguns críticos acusam o Facebook de esmagar a concorrência adquirindo essas empresas concorrentes ou utilizando enormes somas para copiar os produtos que elas oferecem. Isso pode resultar na diminuição das opções de escolha para os consumidores.

Companhias menores podem acabar tendo que pagar mais para anunciar nessas plataformas, tendo menos chances de atingir seu público alvo entre os consumidores online.

As ações se juntam a outras iniciativas do governo americano para investigar as grandes companhias de tecnologia. As empresas que trabalham no desenvolvimento de redes sociais, buscas na internet, comércio eletrônico e outros setores tecnológicos vêm sendo constantemente acusadas de inflar sua participação no mercado, além de outras queixas, que incluem falhas nas políticas de privacidade aos consumidores.

Os dados pessoais dos usuários são considerados bens valiosos para essas companhias, que os utilizam para práticas comerciais e para aumentar seu poder de mercado.

“Estou iniciando uma investigação sobre o Facebook para determinar se suas ações colocam em perigo os dados dos consumidores, reduzem a qualidade das escolhas ou aumentam os preços dos anúncios”, disse nesta sexta-feira (06/09) a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

O inquérito liderado por Nova York inclui ainda outros sete estados – Colorado, Flórida, Iowa, Nebraska, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee e o distrito federal de Columbia. “As maiores plataformas de rede social do mundo devem seguir a lei”, acrescentou James no Twitter.

Outro grupo de procuradores-gerais estaduais deve anunciar na próxima semana, em Washington, novas investigações sobre “comportamentos anticompetitivos que sufocaram a concorrência, restringiram o acesso e feriram os consumidores”, segundo informou na sexta-feira a procuradoria-geral do Texas. Segundo os jornais The Wall Street Journal e The Washington Post, o alvo dos inquéritos seria o Google.

Estima-se que essa investigação possa reunir procuradores-gerais de cerca de 40 estados. Os dois grupos encarregados das investigações incluem membros dos partidos Democrata e Republicano.

O descontentamento com a atuação das autoridades federais americanas pode ser considerado o fator que levou os estados a agirem e abrirem suas próprias investigações, possivelmente com a imposição de punições mais pesadas.

Recentemente, uma decisão da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) de multar o Facebook no valor de 5 bilhões de dólares foi criticada por defensores dos direitos dos consumidores, além de algumas autoridades públicas, como sendo demasiadamente branda.

Na quarta-feira passada, o FTC impôs multas no valor de 170 milhões de dólares à plataforma de vídeos YouTube, que pertence ao mesmo grupo empresarial do Google, por coletar ilegalmente dados pessoais de crianças sem o consentimento dos pais. O valor também foi considerado baixo.

Há poucos meses, o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma ampla investigação de práticas antitruste atribuídas às gigantes da tecnologia. A FTC e o Subcomitê Judiciário do Congresso americano também realizam inquéritos semelhantes.

O Facebook disse que deseja trabalhar “construtivamente” com os procuradores-gerais e que vê com bons olhos futuras conversas com as autoridades sobre a competição no mercado. O Google afirmou que acolhe a supervisão do governo para assegurar o cumprimento da lei por parte das empresas.

RC/ap/rtr