Gonçalves Dias – Versos na Tarde – 23/05/2014

Poema
Gonçalves Dias ¹

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, – mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande

Amo em ti. – Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.

O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!

Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas

¹ Antônio Gonçalves Dias
* Caxias, MA. – 10 de Agosto de 1823 d.C
+ Gumarães, Portugal – 13 de Novembro de 1864 d.C

>>biografia de Gonçalves Dias


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Gonçalves Dias – Versos na tarde

Seus olhos
Gonçalves Dias ¹

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;

seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a flauta quebrando a soidão.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!

Ás vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante, às vezes do céu
cai doce harmonia duma harpa celeste,
um vago desejo; e a mente se veste de pranto co’um véu.

Que sejam saudades, que sejam desejos da pátria melhor;
eu amo seus olhos que choram sem causa um pranto sem dor.

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, de vivo fulgor;
seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
que falam de amores com tanta poesia, com tanto pudor.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
eu amo esses olhos que falam de amores com tanta paixão.

¹ Antônio Gonçalves Dias
* Caxias, MA. – 10 de Agosto de 1823 d.C
+ Guimarães, Portugal – 13 de Novembro de 1864 d.C

->> biografia

Sarney e o auxílio moradia: o Maranhão na lama

Brasil: da série “só dói quando eu rio”!

O Maranhão, berço de Gonçalves Diasbiografia de Gonçalves Dias -, de Ferreira Gullar, Josué Montello e tantos outros grandes nomes da história e da literatura brasileira, não mereceria, nesse momento em que a população sofre com as implacáveis inundações – passam de 300 mil o número de desabrigados -, ainda ser aferroado pelo marimbondo de fogo do atraso.

Os descendentes da brava e altiva nação Timbira assistem abismados as estripulias nepotistas do cacique Sarney.

Um povo que tendo Alexandre de Moura, à frente de uma expedição de 600 soldados, em 1º de novembro de 1614 tomou o forte de São Luís e expulsou os franceses que ocupavam o Maranhão. Que foi capaz de dar um ultimato ao comandante francês La Ravardiére para evacuar a ilha, não deve se sujeitar a novas,velhas, oligarquias.

Sua (dele) ex-celência, Zé Sarney, pegue com a mão na botija do imoral, e indevido, auxílio moradia, tem a desfaçatez de considerar os Tupiniquins, Tapuias, Aimorés, Xingus, Atroaris, Bororos, Caipós e demais habitantes da terra brasilis, todos um bando de idiotas.

O cidadão em questão, vestuto membro da Academia Brasileira de Letras, ex-presidente da República e atual Presidente do Senado,vem recebendo, mensalmente, mais de R$ 3.000,00 de auxílio-moradia, verba essa destinada para aqueles parlamentares que não possuem residência em Brasília. O senador em questão, além de possuir residência própria na capital federal, ainda goza do direito de residir na residência oficial reservada para quem esteja na presidência do senado.

José Sarney pediu desculpas e alegou que não pediu auxílio-moradia e que “alguém” o teria feito em seu lugar.

Essa, nem Zé Bêdêu – o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza – engole. É muito marimbondo pra quem já foi vítima das ferroadas do estelionato eleitoral do plano cruzado. Não esqueceremos.

Ao contrário do Sarney, o povo do Maranhão vem pagando um “aluguel” oneroso para essa elite que transformou o estado em capitania hereditária.

Abaixo transcrição de artigo da jornalista Lucia Hippolito

Sarney, o escorregadio
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Francamente, Excelência!

Apanhado com a boca na botija recebendo mais de R$ 3.000,00 de auxílio-moradia, sendo proprietário de uma confortável residência em Brasília e dispondo ainda da residência oficial da Presidência do Senado, José Sarney pediu desculpas e alegou que não pediu auxílio-moradia e que “alguém” vem depositando em sua conta o auxílio-moradia desde meados de 2008.

(Na última terça-feira Sarney afirmara categoricamente que não recebia auxílio-moradia. Pelo visto, a memória voltou subitamente.)

O que dizer de um cidadão brasileiro que, checando sua conta bancária, encontra depósitos mensais de mais de R$ 3.000,00 e não tem a curiosidade de conhecer a identidade desse benfeitor anônimo que todo mês pinga um “capilé” em sua conta?

Sarney é um fofo!

E dizer que uma pessoa assim foi presidente da República por cinco longos anos!

José Sarney não é um iniciante na política. Bem ao contrário. Deputado federal em 1958 (há 51 anos!), governador em 1965 (com uma ajudinha do recém-criado SNI), senador, presidente da República, três vezes presidente do Senado. Sarney já foi tudo neste país.

Criou uma dinastia. Tem a filha e o filho na política.

Será que Sarney não sabe o que é certo e o que é errado? O que pode ser legalmente aceitável mas é eticamente inaceitável? Ou sabe e não se importa?

Um senador da República, presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, que tem residência em Brasília e tem ainda ao seu dispor a residência oficial do Senado, não lê seu contracheque ou não sabe que auxílio-moradia não se aplica?!

Desde a terceira eleição de Sarney para presidente do Senado, em 2009, os cidadãos brasileiros já tomaram conhecimento de que ele requisitou seguranças do Senado para fazer a segurança de sua residência em São Luís (MA), embora ele seja senador pelo Amapá.

Os cidadãos brasileiros também tomaram conhecimento de que, das 181 diretorias descobertas no Senado, pelo menos 50 foram criadas por José Sarney.

Os cidadãos brasileiros tomaram conhecimento, ainda, de que uma assessora para as campanhas de Sarney e da famiglia Sarney era também, nas horas vagas, diretora do Senado.

Flagrado, Sarney afastou a diretora… E a nomeou como assessora especial.

O que será que o senador Sarney pensa de nós, eleitores? Que somos um bando de bobos. Que aceitamos qualquer coisa.

Francamente, Excelência. Isto é inadmissível.

O melhor a fazer é renunciar à presidência do Senado. Além de devolver o dinheiro público, naturalmente.

blog da Lúcia Hippolito