Globalismo,Mundo,História,Economia,Blog do Mesquita

Somos globalistas? Vamos examinar o pacote.

¹Nos discursos presidenciais na Assembleia da ONU em NYC, ouviu-se o slogan nacionalista (parecia anos 50) com Trump reiterando que sua política é “América First” e Bolsonaro grunhindo “A Amazônia é nossa”.

Pelo menos nos anos 50 o nacional-desenvolvimentismo fazia algum sentido, e pasmem era a contraparte do suposto “imperialismo ianque”. Era ainda anti-imperialista, nos anos seguintes, o mantra dos militares “integrar para não entregar”. A Amazônia era vista como vazio geográfico na iminência de ser tomado dos brasileiros. Naqueles anos, tais aventuras tiveram seu apelo e houve quem embarcasse à direita e à esquerda.

Hoje, tanto Donald Trump quanto Bolsonaro parecem – no curto prazo – leões que rugem em reinados despedaçados. O primeiro tenta com bazófias segurar um ciclo econômico de fôlego e data de validade prestes a vencer. Há quase unanimidade entre especialistas no prognóstico de que a América do Norte caminha para uma recessão.

O segundo, o nosso Capitão Viva a América, quer fazer caixa já, pagar as contas do dia seguinte e para tanto torra o patrimônio nacional, vendido a preço de banana.

No longo prazo ambos nos parecerão ratos que roeram a roupa do rei de Roma. E com seu nacionalismo populista de direita deixarão triste e malfadada lembrança.

Os dois, Trump e Bolsonaro – apresentam seu nacionalismo falacioso e acusam seus opositores de GLOBALISTAS. Inclui no pacote esquerda e ambientalistas.

Somos globalistas? Acho que não. É pura mistificação.

Vejamos: a globalização se deu via mercados e via doutrina neoliberal nos anos 80. A falência do estado de bem-estar social que predominava na Europa livre e a derrocada do socialismo soviético, fortaleceram o projeto de um capitalismo universal. Quem não se globaliza se trumbica, mais ou menos assim. Nunca foi um projeto da esquerda, muito menos ambientalista.
Globalismo? É mais um “ismo” em que se apoia o discurso do ódio.

Ao contrário, frequentando as várias edições do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e depois em outras praças, o slogan era “Outro Mundo é Possível”.

Ali como em outros lugares se fizeram presentes os “descontentes da globalização” (assim chamados por J. Stiglitz, ex-economista do Banco Mundial e prêmio Nobel de Economia). Os que sobraram no processo de globalização econômica feita aos trancos e barrancos. O processo foi tão brutal que gerou Davos e os Objetivos do Milênio.

Por isso é risível imputar à esquerda o epíteto de globalista.

No caso dos ambientalistas a mistificação também não se sustenta.

Sabemos desde os anos 70, enquanto comunidade científica, elites dirigentes, governantes ilustrados, tecnocracia competente e mídia informada – que a poluição de rios e oceanos e as mudanças climáticas não respeitam fronteiras. É só lembrar de Chernobyl nos anos 80.

Chuva ácida, radiação, animais migratórios, genes de plantas, vírus e pestes não fazem chek-in nem obedecem a processos aduaneiros. Simple like that!

Há muito tempo sabemos que existem problemas ambientais globais. O Planeta Terra é um só embora as culturas humanas possam ser diferentes.

Temos um encontro inadiável entre a História e a biologia da Terra.

A visão de que devemos construir uma governança global para administrar os problemas que afetam a todos, indistintamente, pode ser tudo menos ideologia de quinta.

Precisamos de lideranças visionárias e responsáveis.

As mudanças climáticas em curso não podem ser tratadas com fanfarronice. Ou com ferramentas políticas do século passado.

Nós ambientalistas falamos de Humanidade, de Civilização, dos direitos das gerações futuras.

Falamos sobretudo de responsabilidade e da preservação da vida.

Globalismo? É mais um “ismo” em que se apoia o discurso do ódio.

Triste ver governantes minúsculos em momento tão grave.
¹Por Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”.

A banca, a farsa e a ditadura invisível

George Orwell e a novilíngua

liberalismo

Pedro Augusto Pinho*

O romance 1984 de George Orwell, pseudônimo do súdito nascido na Índia Eric Arthur Blair, lançado em 1949, é uma crítica a Stalin e à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, de modo sutil, a glorificação de Winston Churchill, nome do herói – Winston – do romance.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Logo no início do livro travamos conhecimento da existência do Ministério da Verdade e da Novilíngua, graças aos quais se difundiam lemas governamentais: “liberdade é escravidão”, “ignorância é força”.

Parece ridículo a você, caro leitor, que alguém fosse atingido por tais farsas? Mas outra coisa não lhe é feita, desde os anos 1980, com as palavras e expressões tais como globalização, mercado livre, política ou decisão inevitável, modernização trabalhista, ações indispensáveis, contenção de despesas públicas, superavit fiscal, déficits públicos e baboseiras semelhantes.

A ensaísta e premiada escritora francesa Viviane Forrester publicou, em 2000, Uma Estranha Ditadura (UNESP, 2001) que desmascara a novilíngua neoliberal, que tomou conta de todas as notícias da imprensa, das análises supostamente técnicas e mesmo da academia, como demonstra com precisão e objetividade o filme de Charles Ferguson, Trabalho Interno (Inside Job), lançado em 2010.

Vamos analisar os verdadeiros significados destas palavras, os objetivos desta farsa e, como é óbvio, quem é beneficiado com este reeditado “1984”.

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Tomemos um caso concreto – a reforma da previdência social no Brasil. Como já foi sobejamente demonstrado esta previdência é superavitária, mesmo sem a cobrança de milhões de reais devidos por empresas privadas.

O economista J. Carlos de Assis, nas páginas do jornal Monitor Mercantil e em vários blogs e portais virtuais, lançou o desafio a qualquer membro do governo, economista chapa branca ou independente, analista de jornal, rádio e emissora de televisão e doutos acadêmicos para debater com ele o “déficit previdenciário”. Ninguém se ofereceu a este repto que já completa dois meses.

Vejamos alguns elementos desta novilíngua. Primeiro este “pensamento único”, por si já prova do sentido ditatorial, que se autodenomina neoliberal. Que magnífica composição: neo, dando a ideia de novo, de atual, e liberal, que lembra imediatamente liberdade, independência.

Mas significando efetivamente a selvageria do cada um por si, de nenhuma restrição ao abuso, da satisfação de desejo, o mais iníquo, e a competitividade destruidora de pessoas e bens.

Resultado de imagem para a ditadura invisivel da economia

Viviane Forrester levantou, para março de 1996, sete grandes empresas multinacionais que tiveram cotações em bolsa elevadas com a divulgação da demissão de empregados. O resultado desta “competitividade” foi transferir o dinheiro de salários para os maiores lucros dos acionistas, um processo de concentração de renda e de expansão da miséria.

Mas a competitividade parece atender a voz divina que manda os ricos ficarem mais ricos e os pobres ainda mais pobres. Ou você não havia notado esta novilíngua?

Para que serve a economia? Para promover concentração de riqueza ou existência digna para as pessoas?

Em Londres e em Nova Iorque houve manifestações (peço atenção do golpista Ministro da Educação (sic) – “houveram” remete-lo-ia (!) ao ensino Fundamental I) de mestres de escolas de economia em defesa do real estudo desta disciplina, pois, em suas próprias palavras, estava sendo transformada apenas e simplesmente em engenharia financeira. Mas a imprensa mundial, dominada pela banca (sistema financeiro), fez-se surda e muda.

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Outro vocábulo da novilíngua é globalização. Viviane Forrester chama “obra-prima do gênero” farsante.

Escreve esta crítica francesa: “seu nome por si só cobre todos os fatos de nossa época e consegue camuflar, tornando-a indiscernível no interior desse amálgama, a hegemonia do ultraliberalismo: um sistema político que, sem estar oficialmente no poder, comanda o conjunto daquilo que os poderes têm a governar, obtendo uma plenipotência planetária”.

Este avanço da banca à economia, à política, à comunicação social, a toda sociedade já é descrito até por seus executivos e membros de um organismo da banca: o Fundo Monetário Internacional (FMI).

E a imprensa, mesmo quando combate ações da banca, divulga a novilíngua, como se fosse inevitável a discussão nos seus termos e significados. É uma escolha a qual também devemos combater.

Afinal expropriação privada é tirar de alguém, sem que haja interesse público, algo que lhe pertence, seja o salário, no exemplo dado por Viviane Forrester, seja o direito à saúde ou à educação.

Chame-se de déficit público, de custo irrecuperável, de administração perdulária (como se altos juros não fosse o mais perdulário dos gastos públicos), de futura insolvência, como se alardeia às aposentadorias e pensões, sempre é você que está sendo tungado.

Já pensou o caro leitor quem vai receber suas contribuições previdenciárias se não for o Estado? e que garantia você terá da própria permanência da seguradora ou banco daqui a 30 ou 40 anos quando você resolver se aposentar?

É a farsa da banca que nos coloca nesta ditadura da própria linguagem, muito mais difícil de se insurgir do que a da censura, dos tanques nas ruas ou de um Estado totalitário. É a ditadura invisível que nos oprime neste século XXI. E que os coxinhas, batedores de panela ou simplesmente ignorantes colocaram no Poder no Brasil.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Zukenberg e redes sociais

Zuckerberg publica manifesto em prol de “comunidade global”Manifesto foi publicado na página de Zuckerberg no FacebookManifesto foi publicado na página de Zuckerberg no Facebook

Criador do Facebook defende a globalização e apresenta estratégias para o futuro da rede social, cada vez mais acusada de permitir a disseminação de notícias falsas e estimular a polarização.

Promover uma comunidade global, evitar o isolamento e combater conteúdos enganosos são as novas metas do Facebook, segundo um manifesto em tom messiânico publicado por seu criador, Mark Zuckerberg, em resposta às críticas à plataforma, que tem quase 2 bilhões de usuários. Nos últimos anos, a rede social se tornou um espaço para a propagação de notícias falsas, disseminação do ódio e polarização.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No manifesto de cerca de 5,8 mil palavras, Zuckerberg, de 32 anos, reconheceu que a plataforma abriga informações errôneas e conteúdo enganoso e afirmou que estão sendo tomadas medidas para reduzir o número de notícias sensacionalistas.

Ele ressalvou, porém, que o foco da rede social não estará em banir informação errada, mas em oferecer outras perspectivas. O Facebook enfrenta pressões de governos que exigem que a plataforma se responsabilize por conteúdos publicados por usuários e combata a propagação de notícias falsas.

“Nosso objetivo precisa ser ajudar as pessoas a ver a imagem completa e não apenas alternar perspectivas. Precisamos tomar cuidado sobre como faremos isso. Pesquisas mostram que algumas das ideias mais óbvias, como apresentar um artigo pela perspectiva oposta, na verdade aprofunda a polarização ao marcar outras perspectivas como externas”, destacou Zuckerberg, no manifesto publicado nesta quinta-feira (16/02).

Perigosos falsos seguidores

No documento intitulado Construindo uma comunidade global, Zuckerberg afirmou que, ao redor do mundo, há pessoas deixadas para trás pela globalização e movimentos que defendem a exclusão da conexão global, sem citar grupos específicos.

“Em tempos como estes, a coisa mais importante que o Facebook pode fazer é desenvolver uma infraestrutura social que dê às pessoas o poder de construir uma comunidade global que funcione para todos”, disse.

O manifesto apresentou cinco estratégias de como a rede social pretende fomentar a inclusão, contribuir para uma sociedade mais informada, fazer do mundo um lugar mais seguro, fortalecer instituições e aumentar o engajamento social e político.

“O Facebook não tem todas as respostas, mas estou convencido de que podemos desempenhar um papel”, ressaltou Zuckerberg.

“Problemas como o terrorismo, os desastres naturais, doenças, crise dos refugiados e as mudanças climáticas precisam de respostas coordenadas e globais. Nenhuma nação poderá resolvê-los sozinha”, afirmou Zuckerberg, acrescentando que a rede social pode contribuir para solucionar essas questões, por meio da inteligência artificial.

“Minha esperança é que cada vez mais pessoas se comprometam em longo prazo a construir infraestruturas sociais para unir a humanidade”, disse o fundador da plataforma.

Segundo ele, a ideia é reforçar os laços de comunidades físicas e promover a participação política e social.

Para Zuckerberg, o Facebook pode ter um impacto positivo no mundo, fortalecer o consenso, reduzir a dissonância e o isolamento.

CN/rtr/efe/ap/afp

Crianças sírias ‘são exploradas em fábricas de grifes europeias na Turquia’, revela investigação da BBC

Refugiados sírios, incluindo crianças, estão sendo explorados em fábricas na Turquia que produzem roupas para marcas conhecidas, revelou uma investigação da BBC.

Etiquetas da Marks and Spencer
Etiquetas da Marks and Spencer foram encontradas em uma fábrica na Turquia

Os refugiados trabalham mais de doze horas por dia e ganham menos que os demais funcionários das fábricas, de acordo com revelações feitas pelo programa Panorama.

Foram encontrados refugiados menores de idade trabalhando em fábricas que produzem roupas vendidas nas lojas da britânica Marks and Spencer e da varejista online Asos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Refugiados adultos também foram encontrados pela produção do Panorama trabalhando ilegalmente na confecção de peças de jeans para a Zara e Mango.

A reportagem conversou com dezenas de trabalhadores sírios empregados de forma ilegal na indústria têxtil.

Todas as marcas negam responsabilidade e afirmam que monitoram cuidadosamente suas cadeias de produção. Elas dizem não ter informação sobre exploração de refugiados ou menores de idade.

Muitas roupas vendidas no Reino Unido são produzidas na Turquia devido à proximidade da Europa. A curta distância permite às marcas atender a pedidos de última hora e efetuar entregas com maior rapidez.

Segundo dados da ONU, há mais de 4,8 milhões de sírios fugindo da guerra e a Turquia acolhe 2,7 milhões deles – é o país que mais os recebe no mundo.

A maioria dos recém chegados não tem permissão de trabalho.

Investigação

Para investigar as denúncias de exploração, a reportagem da BBC utilizou câmeras escondidas.

Meninos sírios em uma fábrica na Turquia
Dezenas de menores de idade foram encontrados pela BBC em fábrica em Istambul

Foram encontrados quatro sírios menores de idade trabalhando em uma oficina têxtil que produz roupas para a loja britânica Marks and Spencer e para a cadeia Asos.

Em entrevista, os refugiados disseram ganhar um pouco mais de uma libra (R$ 3,82) por hora, um valor muito abaixo do salário mínimo na Turquia. Um intermediário realiza os pagamentos na rua, na clandestinidade.

Além disso, um dos refugiados relatou situações de maus tratos nessas fábricas. “As máquinas têm todos os direitos: se uma for quebrada, eles a consertam imediatamente. Se algo acontecer com um sírio, se desfazem dele como um pedaço de pano”, disse.

O mais jovem trabalhador em uma das fábricas visitadas que produz roupas para a Marks and Spencer tinha 15 anos e trabalhava 15 horas por dia engomando roupas que depois seriam enviadas ao Reino Unido.

“Eles falam de seus salários irrisórios e condições terríveis de trabalho. Sabem que estão sendo explorados, mas também sabem que não podem fazer nada a respeito”, disse o repórter do Panorama, Darragh MacIntyre.

‘Inaceitáveis’

Questionada pela BBC, a empresa Marks and Spencer – uma das mais importantes redes de varejo do Reino Unido – disse que não encontrou sequer um refugiado sírio em sua cadeia de produção durante as inspeções.

Etiqueta da Asos em roupa
A marca Asos negou ter responsabilidade pela exploração de refugiados sírios na Turquia

Um porta-voz da companhia afirmou que as revelações do Panorama são “extremamente sérias e inaceitáveis”.

A empresa insiste que emprega legalmente qualquer sírio que trabalhe em suas fábricas.

“Todos os nossos fornecedores estão contratualmente obrigados a seguir nossos princípios globais de abastecimento. Isto inclui o que esperamos e exigimos deles em termos de respeito aos trabalhadores”, disse o porta-voz.

Mas os funcionários sírios que trabalham na oficina que produz roupas para a marca afirmaram que as auditorias realizadas para checar o padrão de produção não funcionam porque os refugiados são escondidos antes da chegada dos investigadores. Somente na fábrica onde trabalham, eles já foram escondidos três vezes das 10h às 18h.

Já a Asos reconheceu que uma oficina visitada pelo Panorama em Istambul produz roupas para sua marca, mas não é “aprovada” pelo grupo. Na oficina – que produz e entrega roupas a uma das principais fabricantes da marca em Istambul, Hazar, através de subcontratos – as imagens mostraram uma criança de 10 anos de idade trabalhando.

Desde então, a companhia inspecionou as oficinas e encontrou 11 adultos e três menores sírios. A Asos disse que os menores encontrados receberam apoio financeiro para ir à escola e os adultos um salário até que encontrem um trabalho legal.

Um porta-voz da companhia disse ao Panorama que iniciou programas de recuperação “apesar de que o que acontecia na fábrica (onde foram encontrados os sírios) não tem nada a ver com a Asos”.

Zara e Mango

Homens produzindo jeans
Refugiados sírios também trabalham na produção de jeans para as lojas Mango e Zara

O programa da BBC também encontrou refugiados sírios que trabalham 12 horas por dia em uma fábrica de calças jeans para Mango e Zara. Os refugiados manuseavam produtos químicos para tingir as calças sem usar máscara.

A companhia Mango disse que a fábrica fazia subcontratos sem seu conhecimento e que em uma inspeção após o programa não encontrou trabalhadores sírios.

Mango disse que seus funcionários estão “em boas condições com exceção de algumas medidas de segurança pessoal”.

A empresa matriz da Zara, Inditex, disse à BBC que suas inspeções nas fábricas são “uma forma muito eficaz de seguir e melhorar as condições laborais” e que já havia sido informada sobre descumprimento de regras da oficina inspecionada pela BBC em junho, mas deu a ela um prazo até dezembro para a melhoria de condições de trabalho.

Exterior de uma fábrica em Estambul
A BBC usou uma câmera escondida para encontrar sírios explorados em fábricas de roupa na Turquia

Esta não é a primeira vez em que a Zara está envolvida em um caso de exploração de funcionários.

No Brasil, a empresa foi implicada em 2011 em um flagrante envolvendo 15 funcionários bolivianos e peruanos trabalhando em condições degradantes em uma oficina terceirizada em São Paulo e firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) se comprometendo a empreender medidas para combater o problema.

Contudo, segundo uma auditoria do Ministério do Trabalho em maio de 2015, a Zara Brasil descumpriu o acordo firmado – em fiscalização a fornecedores, foram verificados problemas como excesso de jornada de trabalho, atraso nos pagamentos e exclusão de imigrantes da linha de produção, o que levou o órgão a autuar a empresa com uma multa total de R$ 838 mil.

À época, a empresa negou o descumprimento e recorreu dos autos.

O Ministério Público do Trabalho analisa desde então o relatório dos fiscais – a apresentação dos resultados está prevista para novembro, quando também deve ser atualizado o valor da multa que a companhia pode ter de pagar.

Em nota enviada à redação, a Zara nega que tenha cometido qualquer violação das regras e que tenha em qualquer momento utilizado trabalho infantil na confecção de suas peças. A empresa acrescenta que está em tratativas com o Ministério Público do Trabalho para demonstrar que não descumpriu o TAC assinado em 2011.

Área de fábricas em Istambul
Cerca de 2,7 milhões de sírios chegaram à Turquia ao fugir da guerra

Para Danielle McMullan, do Centro de Direitos Humanos e Negócios de Londres, uma organização que investiga casos de exploração trabalhista em mais de 6 mil companhias no mundo, as marcas não entendem que têm responsabilidades.

“Não é o bastante dizer que não sabem nada a respeito e negar as irregularidades. Eles têm a responsabilidade de supervisionar onde suas roupas são feitas e em quais condições”, afirma McMullan.

Trump e o fantasma da globalização

Entre os temores decorrentes do resultado da eleição presidencial nos EUA está a oposição do candidato vencedor à globalização e ao livre-comércio.

Donald Trump durante campanha eleitoralCampanha de candidato republicano foi marcada por retórica antiglobalização

Um dos motivos por que Donald Trump venceu a disputa pela Casa Branca foi ter conquistado para si a classe média frustrada – o assim chamado angry white man (homem branco zangado).

A era Trump trará de volta o provincianismo econômico?

Muitos de seus discursos foram marcados por uma acirrada retórica antiglobalização. Ele colocou em questão a cooperação econômica com outros países; disse que pretende renegociar acordos de livre-comércio como o Nafta e impedir que o TTIP, com a União Europeia (UE), sequer se realize. E não só: ele também pretende trazer de volta para os Estados Unidos os postos de trabalho transferidos para a China.
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Palavras de ordem desse gênero encontram ressonância, sobretudo, entre a classe média branca. Enquanto os ricos ficavam cada vez mais ricos, também graças às interconexões mundiais, a globalização não trouxe maior prosperidade à classe média.

Para os operários do Rust Belt (cinturão da ferrugem), uma antes próspera região industrial do nordeste americano, é cada vez mais difícil garantir a subsistência. Isso, apesar de manterem vários empregos – mas que são mal pagos. Trump responsabiliza a globalização e o livre-comércio por tais desníveis sociais.

Antiglobalização, um instrumento do populismo contemporâneo

Os estereótipos de inimigos contam entre os instrumentos principais no repertório de um populista. Eles promovem identidade e coesão, desviando a atenção do próprio fracasso. Judeus, muçulmanos, bolcheviques, sionistas, americanos, social-democratas: sempre houve estereótipos hostis de que os populistas se servissem.

Hoje há outro inimigo em curso: a globalização. É cada vez mais comum reduzir-se a uma vaga ameaça esse fenômeno multifacetado. O neoprotecionismo de um Trump não abre um precedente. Os opositores da globalização já estão por toda parte, promulgando medidas protecionistas.

O Brexit (decisão pela saída do Reino Unido da UE) não foi apenas antieuropeu, mas também um rechaço à globalização, incluindo a imigração em massa. Também a Frente Nacional (FN), popular na França, defende um rigoroso protecionismo econômico. Menos populista, porém tão mais decidido, é o movimento na Alemanha contra acordos de livre-comércio como o TTIP ou o Ceta, com o Canadá.

O ex-diretor do Instituto de Economia Mundial (IfW, na sigla em alemão) Rolf Langhammer atribui esse desdobramento ao declínio das taxas de crescimento global nos últimos anos, que acirrou os conflitos de distribuição. Os populistas atribuíram esses problemas à globalização, embora, segundo o especialista, a fonte do mal seja, antes, o progresso tecnológico.

Ascensão e declínio de um mito

Será, então, que o início da presidência de Trump marca o começo do fim para a globalização econômica? O início de uma espiral descendente, gradativamente precipitando a economia mundial em direção ao provincianismo econômico?

É o que faz aponta o índice de globalização do grupo de logística Deutsche Post DHL, segundo o qual tanto os investimentos estrangeiros quanto os fluxos de transações e de capital vêm caindo constantemente desde o princípio da crise econômica, em 2007.

Gustav Horn, diretor do Instituto de Macroeconomia e Pesquisa de Conjuntura (IMK), responsabiliza sobretudo a China por essa conjuntura. Há muito, a economia mundial não roda macia, e medidas protecionistas à la Trump poderão emperrar ainda mais seu motor.

Alguns anos atrás, essa súbita “calmaria da globalização” seria considerada impossível. Há décadas era consenso que a dinâmica global resolvia os problemas do mundo, beneficiando os pobres e multiplicando a prosperidade.

Especialmente desde a abertura da China e a queda da Cortina de Ferro, o comércio internacional e os fluxos de capital vinham aumentando de forma constante. A integração vitoriosa do mercado interno da UE e a consolidação de uma classe média de alto poder aquisitivo na Índia, Rússia e China vieram confirmar a credibilidade de uma “globalização benéfica”.

Populistas europeus enaltecem vitória de Trump

Crescimento globalizado

No momento, essa quase euforia perante a globalização retrocedeu temporariamente. O comércio global estanca, a maior economia do mundo terá como presidente um adversário da globalização; por todo o mundo, populistas bradam contra a globalização e o livre-comércio. Será que essa dinâmica que vem crescendo desde a época da industrialização receberá agora o golpe de misericórdia?

É inegável que a globalização também trouxe efeitos positivos. Langhammer lembra que tanto as nações industriais como as emergentes se beneficiaram: centenas de milhões conseguiram escapar à pobreza nos países emergentes e em desenvolvimento, graças à abertura dos mercados nacionais.

Horn lembra que a China, o México e o Brasil, em particular, acusaram crescimento meteórico através do comércio mundial. Por outro lado, ele reconhece que a prosperidade proveniente à globalização deveria ser mais bem distribuída.

Também na Europa o livre-comércio teve efeito positivo. O mercado comum europeu promoveu prosperidade nos países do Sul e do Leste do continente. Da Espanha à Romênia, o padrão de vida melhorou em tempo recorde após a adesão à União Europeia – e, consequentemente, ao mercado comum.

Mais do que isso, o livre-comércio para além das fronteiras nacionais na Europa foi um catalisador da paz e da compreensão entre os povos. As interligações econômicas tornam quase impossível uma guerra. A globalização uniu seres humanos das mais diferentes culturas. Assim, quem se posiciona contra ela incentiva as iniciativas solitárias nacionalistas.

Protecionismo não é a solução

Trump gostaria de isolar os EUA e restringir o comércio em nível mundial. No entanto, o plano de colocar os acordos de livre-comércio sob sindicância nada traria à classe média americana frustrada.

Para Horn, a política econômica de Trump prejudicaria a real-economia e os mercados financeiros, a longo prazo. Mais importante, porém: ela não serve em absoluto à classe média. A redução do imposto sobre fortunas agravará ainda mais a desigualdade e reforçará a distribuição de capital de baixo para cima.

Tanto o diretor do IMK quanto Langhammer estão convencidos de que uma política econômica que prejudique os acordos de livre-comércio não resolverá os problemas da classe média americana.

O ex-diretor do IfW chama a atenção para o aspecto do avanço tecnológico: os EUA possuem, de fato, numerosas universidades de ponta, mas seu sistema de ensino é basicamente desigual. Num país caracterizado pela alta tecnologia e não pela indústria, a mão de obra bem treinada teria uma situação mais fácil. Além disso, deixou-se de realizar uma reforma estrutural em polos industriais como o Rust Belt.

A globalização proporcionou crescimento econômico, prosperidade e entendimento entre os povos. Devido ao alarmismo dos populistas e dos idealistas político-sociais, contudo, ela passou a ser associada antes a riscos do que a chances.

Em muitos casos, a insuficiente distribuição de capital, tanto nos países emergentes quanto nos industrializados, tem causas mais complexas, como reforma estrutural, corrupção, uma economia mundial vacilante – a lista é praticamente infinita.

Fazer retroceder a roda da globalização não é apenas pouco pragmático, mas fomenta, no fim das contas, o isolamento econômico e social – um desdobramento que definitivamente não é sinônimo de mais prosperidade.
BBC

Endividamento chinês e crise mundial preocupam economistas

economiachinablog-do-mesquita“Se a China despencar, não passaremos ilesos”, alerta especialista.

A China vem acumulando desequilíbrios financeiros e uma dívida crescente que podem se traduzir em um novo choque financeiro global.

O endividamento chinês no final de 2015 já correspondia a cerca de 255% do PIB, um acréscimo de 107% nos últimos oito anos.

Com uma carteira de empréstimos de US$ 28 trilhões, uma crise do setor financeiro chinês teria consequências globais. O economista da Simplific Pavarini e professor de economia do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, se diz preocupado com o endividamento das empresas chinesas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“Se você não paga o empréstimo do banco, ele tem prejuízo, e isso acarreta sim em um alerta”, disse. “Por que todo dia sai alguma coisa nova da China? Os analistas econômicos são como médicos que ficam com o dedo no gogó do paciente esperando algum sinal de sintoma. Tem que ficar de olho. Se a China despencar, vai ter um preço no mundo inteiro, e não passaremos ilesos”, completou o economista, acrescentando: “As economias estão interligadas por causa da globalização financeira. Aquela tese do descolamento não é factível. Então qualquer crise grande no mercado internacional afeta aqui, porque o canal que interliga as economias é a taxa de câmbio (dólar)”.

Crise na China pode afetar o resto do mundo

Segundo o diretor do Centro Chinês de Pesquisa Econômica e reitor da Escola Nacional de Desenvolvimento, ambos da Universidade de Pequim, Yao Yang, em um artigo publicado no Valor Econômico no mês passado, “a maior parte dessa dívida é detida por empresas estatais, responsáveis por apenas um terço da produção industrial, ao mesmo tempo em que recebem mais da metade do crédito concedido pelos bancos chineses. Embora a relação dívida sobre patrimônio do setor industrial como um todo tenha diminuído ao longo dos últimos 15 anos, a dívida das estatais chinesas aumentou desde a crise financeira mundial de 2008 para uma média de 66%, 15 pontos percentuais superior a de outras categorias de empresas”.

“A China tem um problema financeiro grave. Os bancos chineses emprestaram muito e não estão recebendo de volta, muitas empresas vão dar calote. E o quadro mundial já não está muito bom”, enfatizou o professor de economia da FGV/EPGE, Antonio Carlos Porto Gonçalves, que apesar da preocupação, demonstra otimismo na resolução do problema.

“Entretanto, as crises que não são previstas são muito mais complicadas. O governo chinês emite moeda e pode evitar essa crise. Na crise de 2008, o governo americano socorreu os bancos americanos, por que isso não poderia acontecer na China? Eu sou otimista”, exclamou Antonio.

Esse fenômeno pode não ter sido problema quando a economia chinesa estava crescendo, mas, para analistas em geral, pode representar, hoje, um grave risco econômico.

“Isso vai estar no radar dos mercados ao longo de 2017. Se a gente tiver uma pneumonia na China, o mundo vai ressentir”, completou o economista e professor do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo.

Gigante asiático

O impacto da China no nível internacional gera interpretações bem distintas. De uma perspectiva econômica, o crescimento acelerado da China e a expansão de suas exportações nas últimas décadas são tanto objetos de elogios quanto de críticas. Desde 1978 quando começou o processo de abertura do mercado, instaurada pelo secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Deng Xiaoping, tem havido um aumento contínuo do peso do mercado na economia chinesa, e conseqüentemente, especulações a respeito de uma eventual crise financeira.

“Apesar dessa abertura gradual da economia, o sistema financeiro chinês tende a ser mais controlado do que nos outros lugares do mundo, em teoria essa presença do estado deveria fazer que a instabilidade fosse menor”, defendeu o professor de economia Unicamp, Bruno De Conti.

Para Bruno, as especulações são comuns, mas é ainda distante a possibilidade de uma crise se instaurar na China.

“Há dois anos houve um problema com a bolsa de valores em Xangai, e aí se especulou sobre uma crise por lá. Mas quando a gente olha para os bancos, os cinco principais que estão entre os maiores do mundo, são todos públicos. E isso dá, portanto, ao estado uma capacidade maior de controle até mesmo em eventuais momentos de crise”, completou.

Hoje a economia chinesa é a segunda maior do mundo e o país é o maior exportador mundial de mercadorias com cerca de US$ 2,27 trilhões, ou seja, 14% das exportações mundiais em 2015. O segundo colocado são os Estados Unidos com cerca de 9% das exportações mundiais, e o Brasil aparece em vigésimo quinto lugar, com 1,2%. O interesse chinês no cenário econômico está concentrado numa aposta de continuidade do crescimento acelerado e na defesa do processo de globalização da economia. A economia chinesa se transformou no principal motor de crescimento da economia mundial.
Jornal do Brasil/Rebeca Lerieri

Comportamento – A exigente (e instável) geração do milênio

São confiantes, não se sentem presos aos seus empregos. É duro aprender a lidar com essa turma.

Geração Y,Educação,Comportamento,Blog do Mesquita

É cada vez mais difícil contratar e reter talentos. Os profissionais mais jovens estão chegando ao mercado com expectativas exageradas sobre sua carreira, que geralmente não coincidem com as de seus empregadores.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

São representantes da chamada geração do milênio, também conhecida como geração Y. Uma radiografia extensa desses jovens, nascidos entre 1980 e 2001, acaba de sair nos Estados Unidos sob o título The Troph Kids Grow Up: How the Millennial Generation Is Shaking Up the Workplace (“Os garotos premiados cresceram: como a geração do milênio transforma o ambiente de trabalho”), escrita pelo jornalista americano Ron Alsop, do Wall Street Journal.

Quem são esses jovens?

Segundo Alsop, eles cresceram num ambiente superprotetor. Mimados por pais e professores, foram habituados a receber troféus – eis a origem do título do livro – por suas conquistas infantis. Têm uma confiança elevada nas próprias competências e costumam se irritar quando o empregador não partilha dessa avaliação.

“Acham que têm condições de se tornar CEO de um dia para o outro”, diz Alsop. Esses jovens começam agora a ocupar as vagas deixadas pelos baby boomers – como são conhecidos os nascidos entre a Segunda Guerra e 1960 –, que estão se aposentando.

Suas expectativas são muito maiores do que as das gerações que os precederam. De acordo com uma pesquisa da CareerBuilder, o maior site de emprego dos Estados Unidos, eles querem de imediato salários altos (74%), horários flexíveis (61%), promoção antes de completar um ano na empresa (56%) e um pouco mais de tempo livre e férias (50%).

Exigentes, precisam da atenção constante de seus chefes. Avaliações anuais não são suficientes. Querem saber com freqüência como estão se saindo no trabalho. Ao mesmo tempo, ficam aborrecidos quando recebem críticas. Alsop sugere que sejam repreendidos de forma cuidadosa, sob o risco de que abandonem a empresa.

“Gostam de ser estimulados a toda hora, mas nem sempre recebem de forma positiva as sugestões para melhorar seu desempenho”, disse Steve Canale, gerente de recrutamento da General Electric, em entrevista a Alsop.

A hierarquia das empresas também não assusta esses jovens profissionais. “Querem ser tratados como colegas, não como subordinados, e esperam acesso livre a seus chefes, mesmo ao CEO, para defender suas idéias brilhantes”, afirma Alsop.

Apesar das exigências que fazem a suas empresas, os integrantes da geração do milênio não se sentem amarrados a elas. Se o trabalho deixa de ser gratificante, o abandonam sem pensar duas vezes, até porque não os incomoda a idéia de voltar para a casa dos pais, se necessário.

Num levantamento realizado pela Michigan State University e pelo site MonsterTrak, dois terços desses jovens afirmaram que, provavelmente, “surfarão” de um emprego para outro durante suas carreiras.

O autor de The Troph Kids Grow Up acredita que as empresas terão de se adaptar, em alguma medida, à geração do milênio para conseguir reter seus talentos. Precisam de suas habilidades tecnológicas, de sua capacidade de trabalhar em equipe e de sua competência para executar vários trabalhos ao mesmo tempo.

É fundamental, segundo Alsop, que mostrem claramente as oportunidades à disposição desses jovens, caso permaneçam na empresa.
da Época

Tempestade perfeita: podemos estar caminhando para uma nova crise global?

ReutersSobre a freada da economia da China, George Soros diz que o país ‘tem um grande problema de adaptação’ – Image copyright Reuters

Não faz nem uma década que as bolsas em todo o mundo desabaram com o anúncio da quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, e já há quem sinta as vibrações de um novo terremoto financeiro de proporções globais.

Diante da freada da economia chinesa, da brusca queda do preço do petróleo e da expansão do fenômeno dos juros negativos em países ricos, alguns economistas têm defendido que uma nova crise como a de 2008 estaria se avizinhando.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O megainvestidor George Soros, por exemplo, levantou essa possibilidade durante um evento no Sri Lanka, no mês passado. “Quando olho para os mercados financeiros há um sério desafio que me faz lembrar da crise de 2008”, disse.

Há, certamente, quem considere as comparações exageradas – ou mesmo perigosas, como afirmou o Secretário do Tesouro americano, Jacob Lew.

“Adoto um otimismo cauteloso ao olhar essas muitas áreas (da economia global) em que há riscos”, disse Lew em entrevista a BBC News. “Acho importante não permitir que esses riscos se tornem profecias autoanunciadas.”

No entanto, mesmo autoridades e economistas mais céticos sobre um novo crash global admitem que 2016 começou com um perigoso “coquetel” de ameaças econômicas – como definiu recentemente o ministro das Finanças britânico, George Osborne.

Mas, afinal, quais são os sinais que estão gerando tanta incerteza no que diz respeito à economia internacional? E como essas turbulências poderiam afetar o Brasil em um momento em que o país tenta superar dificuldades internas?

Para o professor de economia da PUC Antônio Carlos Alves dos Santos, a economia internacional enfrenta uma espécie de “tempestade perfeita”.

As dificuldades começaram com o desaquecimento da China e seu impacto sobre os preços das commodities.

No início do ano, uma grande instabilidade da bolsa de Xangai reforçou as suspeitas de que a economia chinesa poderia ter uma desaceleração drástica – o que no jargão econômico é conhecido como “hard landing”.

Soros, ao fazer o paralelo com 2008, mencionou justamente as incertezas sobre o gigante asiático.

“A China tem um grande problema de adaptação”, disse, explicando que o país está com dificuldades para encontrar um novo modelo de crescimento.

Petróleo e juros

ThinkstockQueda no preço do barril de petróleo amplia a incerteza para 2016
Image copyright Thinkstock

A queda do preço do barril de petróleo para abaixo dos US$ 30 também foi um fator que ampliou o clima de incertezas em 2016.

O produto já acumula uma desvalorização de 70% desde 2014. Primeiro, em função de uma demanda fraca – para a qual também contribuiu o desaquecimento chinês. Segundo, porque o período de bonança do setor impulsionou uma série de investimentos em novas áreas de exploração e fontes alternativas de combustível fóssil – o que acabou levando a uma superprodução.

“Agora, a incógnita é como as empresas do setor e seus credores serão afetados por esse novo patamar de preços”, diz Santos.

“Temos rumores, por exemplo, de que produtoras de gás de xisto nos EUA estão passando por sérias dificuldades financeiras”, completa Wilber Colmerauer, diretor do Emerging Markets Funding, em Londres.

“E também há dúvidas sobre o impacto desse novo cenário nos bancos que emprestam para empresas e países produtores.”

A terceira fonte de incertezas no cenário global são as taxas de juros negativas adotadas por alguns países para seus títulos e depósitos das instituições financeiras nos Bancos Centrais.

Colmerauer explica que essas taxas negativas comprimem as margens de lucro dos bancos – então há quem acredite que alguns deles podem ter problemas.

“A verdade é que nunca vimos tantos países adotarem essa política de juros negativos, trata-se de um fenômeno novo. Então há muita incerteza sobre quais podem ser suas consequências”, diz.

Segundo o banco J.P. Morgan, há hoje cerca de US$ 6 trilhões em títulos públicos com juros negativos, o dobro do que há dois meses.

Na semana passada, até o FED, o Banco Central americano, anunciou que deixaria em aberto a possibilidade de adotar os juros negativos em função das adversidades da economia global, gerando grande alvoroço nos mercados que esperam um aumento da taxa este ano.

Já praticam juros negativos em seus títulos ou como taxa de referência o Banco Central Europeu, a Suécia, a Dinamarca e a Suíça, além do Japão, que recentemente emitiu pela primeira vez um título de longo prazo com rentabilidade negativa.

Se um país adota os juros negativos, na prática os investidores têm de pagar para emprestar seu dinheiro – em vez de receber uma remuneração. Os bônus de dez anos do governo do Japão, por exemplo, foram negociados por -0,035%, o que significa que quem emprestar para o país hoje, daqui a uma década poderá reaver um pouco menos do valor investido.

O fenômeno é impulsionado por uma corrida por economias de baixo risco. A lógica é que há tanta instabilidade no mercado que os investidores não se importam em perder um pouco de dinheiro pela certeza de que seus ativos estarão seguros.

Do lado das autoridades financeiras, o objetivo é estimular investimentos na economia real e, em alguns casos, combater a deflação – ou seja, a queda sistemática dos preços.

BBCO fato de o FED ter mencionado taxa de juros negativa como opção é sinal de que banco não considera retomada da economia dos EUA segura

O problema é que muitos interpretam essa política como um sinal de que as autoridades financeiras do país em questão não acreditam que sua economia vá melhorar tão cedo – e continuam preferindo perder pouco sem risco a arriscar perder muito investindo em uma economia pouco dinâmica.

O fato do FED ter mencionado a taxa de juros negativa como uma opção, por exemplo, acabou sendo interpretado pelos mercados como um sinal de que o banco ainda não considera que a retomada da economia americana é segura.

Queda no crescimento

Recentemente, o Banco Mundial contribuiu para essas visões mais pessimistas ao revisar sua previsão de crescimento para a economia global este ano de 3,2% para 2,9%.

Para Santos, porém, o cenário complicado não quer dizer que haverá um crash. “Há uma compreensão dos líderes globais de que isso deve ser evitado e várias medidas podem ser tomadas nessa direção”, diz ele.

“Só para mencionar um exemplo: a Arábia Saudita pode ser convencida a cortar sua produção de petróleo e voltar a atuar com uma estabilizadora desse mercado.”

No que diz respeito ao impacto de um eventual aumento das turbulências externas no Brasil, parece haver certo consenso de que se já não estava fácil para o país voltar a crescer em função de fatores internos – como a crise política -, a tarefa ficaria ainda mais difícil com um vendaval lá fora.

O atual cenário, de desaceleração das economias do sul do globo, é bem diferente do da crise de 2008, quando países emergentes atraíram a atenção de investidores que não conseguiam mais ganhar dinheiro em países desenvolvidos.

Segundo Colmerauer, hoje uma nova crise global poderia gerar uma fuga de capitais do Brasil (embora, para ele, também não haja sinais claros de que caminhamos para um colapso).

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Nova crise global pode gerar fuga de capitais do Brasil e uma desvalorização ainda maior do real – Image copyright Thinkstock

O resultado seria uma desvalorização ainda maior do real que, ao afetar o preço de produtos importados ou exportáveis (que no geral seguem os preços do mercado externo), pressionariam a inflação.

As exportações poderiam ganhar competitividade com um real mais fraco. Por outro lado, com uma economia global menos aquecida, a demanda por produtos exportados também seria menor.

“Com essa onda de juros negativos, podemos dizer hoje que o crédito está barato para quem tem um bom nome na praça”, diz Colmerauer. “Fossem outros tempos o Brasil poderia se aproveitar disso e tomar recursos emprestados para investir em infraestrutura, por exemplo. Mas com as nossas dificuldades internas, problemas econômicos e a perda de grau de investimento estamos em um outro grupo de países: o dos que tem cada vez mais dificuldade para atrair recursos mesmo aumentando muito suas taxas de juros.”

Para Santos, um dos grandes problemas para o Brasil é que a falta de acordo entre os grupos políticos pode dificultar uma reação a qualquer situação mais complicada que possa surgir no cenário internacional.

“Em situações de crise global, muitas vezes é preciso dar respostas rápidas”, diz ele. “Mas o governo e a oposição estão demonstrando ter uma imensa dificuldade de chegar a consensos, em construir uma pauta mínima em nome de um bem comum”, opina.
Ruth Costas/BBC

Do terrorismo à obesidade: as epidemias mundiais mais rentáveis

Os desafios mais rentáveis da humanidade. Envelhecimento e câncer estão entre os problemas que geram mais negócios.

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Pessoas buscam água no campo de refugiados de Kabo, na República Centro-Africana.
Pessoas buscam água no campo de refugiados de Kabo, na República Centro-Africana. B. P.

O mundo nunca teve que enfrentar tantos desafios. Terrorismo, mudanças climáticas, desigualdade, escassez de água, concentração de terras, disrupção digital, pandemias como as de câncer e de obesidade.

Como se fosse pouco, o envelhecimento da população do planeta é o prelúdio de todas as grandes transformações que viveremos.

Essas forças estruturais podem levar a um panorama aterrador ou a uma era em que o ser humano dê o melhor de si: sua capacidade de inovação e sua magia para sonhar soluções.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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Há oportunidades econômicas na intersecção de todas essas forças de mudança e em todos esses desafios. Para o bem e para o mal, o mercado é capaz de transformar um problema num ativo financeiro. “Os horríveis ataques na Europa tristemente lembraram às pessoas que o terror não se detém em suas fronteiras. Por compromisso ético e social, não fazemos nenhuma recomendação sobre como lucrar com essa cicatriz, mas é impossível ignorar o uso da ciberguerra por parte desses grupos como estratégia para provocar danos no futuro”, reflete Fabiano Vallesi, analista do banco suíço Julius Bär. E a defesa nessa nova batalha é a cibersegurança.

O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) estima que o crime digital custe entre 375 e 575 bilhões de dólares (de 1,5 a 2,4 trilhões de reais) por ano. São números maiores que a riqueza de muitos países. Por isso “as empresas estão investindo mais do que nunca para se proteger”, observa Marc Martínez, especialista na área da KPMG. E isso é uma oportunidade para as empresas especializadas na nuvem e em análise de dados em grande escala (big data).

Mas nesta viagem para um novo mundo, a demografia continua a ser um destino. O planeta envelhece. Pela primeira vez na história a população com mais de 65 anos passará –em 2047- a das crianças com menos de 5 anos. “É a maior transformação social, política e econômica da nossa era”, avalia a Global Coalition on Aging. “Todos subestimam a importância dos idosos, como se fazer aniversário não fosse problema nosso”, queixa-se Francisco Abad, diretor da consultoria a Best Innovación Social.

Isso não combina com a matemática e com o tempo. Nos Estados Unidos, a economia da longevidade movimenta 7,1 trilhões de dólares (29 trilhões de reais). Se fosse uma nação, seria a terceira mais rica do planeta. Seus integrantes terão em 2020 no bolso um poder aquisitivo de 60 trilhões de reais. Parece impossível interromper esse movimento, entre econômico e malthusiano. Porque em 2050 já haverá no mundo mais de 2 bilhões de habitantes com mais de 65 anos de idade.

Os desafios mais rentáveis da humanidadepulsa en la foto
Mais tempo sobre a Terra significa também maior chance de adoecer. O câncer se tornou uma espécie de pagamento ao barqueiro pela travessia desse rio Estige representado pela vida longa. E é também um filão para a indústria farmacêutica. A tal ponto que os remédios para essa enfermidade já representam 10% do mercado farmacêutico mundial.

“E nos próximos cinco anos chegará uma gama de novas drogas que farão com que as vendas de fármacos contra esse mal superem o mercado generalista”, avalia o banco UBS. Essa química revolucionária é a esperança para lutar contra uma enfermidade responsável pela morte de 25% das pessoas com mais de 65 anos.

Cerca de 8,2 milhões de pessoas morrem por ano por sua culpa. Outro assassino cúmplice do tempo é a demência. A cada ano são diagnosticados 7,7 milhões de novos casos no mundo. E esse número vai triplicar em 2050. Entre todas as suas variantes, o Alzheimer é a patologia mais comum, e sua cura é considerada o santo graal da indústria farmacêutica.

Nos EUA, o mercado de terceira idade movimenta 29 trilhões de reais

E há outra epidemia global que ameaça ceifar milhões de vidas e custar bilhões: a obesidade. Pode ser o maior desafio na área de saúde enfrentado pelo planeta. O número de obesos e de pessoas com sobrepeso triplicou desde 1980. Nenhum país melhorou seus indicadores desde então, e a conta a pagar é astronômica. É calculada em mais de 8 trilhões de reais, o equivalente a 2,8% da riqueza do mundo. É o mesmo impacto provocado pela violência armada, pelo tabagismo, pelo terrorismo e pela guerra. Existem no planeta 671 milhões de obesos, e cerca de 2,1 bilhão de pessoas sofrem de sobrepeso. Com esses números, a doença é o parque de diversões das indústrias farmacêuticas, de empresas de alimentação e de dieta, de roupas esportivas e até de companhias aéreas. A Samoa Air foi a primeira empresa de aviação a cobrar dos passageiros em função de seu peso, e o a Airbus oferece nos aviões A320 poltronas especiais para obesos.

Nova classe média

Muitas dessas pessoas com sobrepeso farão parte de uma nova classe média aguardada para 2030. Nesse ano, 2 bilhões de seres humanos, metade deles na Índia, terão renda per capita de entre 10 e 100 dólares (de 41 a 410 reais) por dia. Isso significa que sua renda passará da mera subsistência, e o gasto será direcionado para o lazer, a compra de carros e o turismo. Uma vida diferente, que “abre oportunidades de investimento na indústria farmacêutica, especialmente no mercado de medicamentos genéricos de países emergentes”, relata Roberto Ruiz-Scholtes, diretor de estratégia do UBS. Afinal, o mundo terá a responsabilidade de cuidar de 10 bilhões de almas em 2050.

Além disso, o envelhecimento e o aumento da população são preocupantes porque se combinam a outra tendência: o aumento da dívida pública nas economias avançadas. Sete anos depois do início da Grande Crise, o déficit alcançou seu maior valor histórico – e continua a subir. “Com mais aposentados, menos trabalhadores em atividade para mantê-los e uma expectativa de vida maior, as economias mais desenvolvidas poderão ser pressionadas e ter que reduzir sua dívida cortando nos benefícios e na saúde”, é a análise da gestora Pioneer Investments.

Essa pressão, paradoxalmente, representa uma oportunidade de negócio para o universo privado da saúde e da aposentadoria. E, claro, as gestoras de fundos esfregam as mãos. “O patrimônio sob gestão dessas instituições aumentará com força durante as próximas décadas, assim como seus rendimentos”, prevê Jaume Puig, diretor geral da GVC Gaesco Gestión. Um ecossistema perfeito para investir em gestoras listadas na Bolsa e tentar evitar a incerteza. Porque “o desafio demográfico leva a um menor crescimento econômico global, especialmente no mundo desenvolvido. Nesse cenário será um desafio encontrar empresas [nas quais investir] com um crescimento estrutural e sustentável”, argumenta Rick Stathers, especialista da gestora Schroders.

Mas como vão viver os moradores desse mundo saturado e envelhecido? Com certeza, mais próximos. Em 2030, 9% da população do planeta estará em apenas 41 megacidades. A urbanização será um grande desafio e um grande negócio. Por dia mais de 250.000 pessoas se mudam para núcleos urbanos, estima o futurólogo norte-americano Alex Steffen. “Hoje há menos da metade dos edifícios que existirão em 2050”, disse ao jornal The Guardian. “Uma maior urbanização agrava todos os desafios que encaramos. Cedo ou tarde viveremos num planeta sem emissões. Como chegar lá representa uma profunda ruptura com o status quo.”

Mas o futuro já nos alcançou. Um aumento da população urbana se traduz em mais pressão sobre os preços de imóveis nas grandes cidades. Acontece em São Paulo, Dubai e Londres. Na cidade britânica, o valor das residências subiu 35% desde 2008. A Grande Crise provocou a chegada à City de milhares de trabalhadores em busca de emprego. Só que com salários insuficientes para comprar uma casa, o jeito é alugar. “A rentabilidade média do aluguel numa cidade desenvolvida fica em torno de 4,9%, e nos países emergentes vai a até 8%”, diz Joaquín Robles, analista da corretora XTB. Lucro superior, por exemplo, ao dos bônus soberanos.

Disrupção digital

Uma força que promete mudar o mundo e gerar enormes ganhos é a disrupção digital. A robótica, a imunoterapia, as impressoras 3D, a inteligência artificial, o turismo espacial; a aldeia global ligada por meio de 2 bilhões de conexões móveis de banda larga. Há mais smartphones no planeta que escovas de dentes. Sem dúvida, a tecnologia transforma a existência. “Porque afeta todos os negócios e todas as relações humanas”, ressalta José Antonio Herce, sócio da Analistas Financieros Internacionales (AFI). “Qualquer empresa hoje, não importa setor e tamanho, precisa ser tecnológica.” E as empresas e investidores que não perceberem isso ficarão para trás.

O cientista australiano Stefan Hajkowicz adverte em seu livro Global Megatrends: Seven Patterns of Change Shaping Our Future (Megatendências Globais: Sete Padrões de Mudança que Estão Moldando Nosso Futuro) que nosso mundo enfrenta transformações drásticas e que, se não dermos uma resposta, algumas sociedades poderão despencar em “queda livre”. E, como aviso aos navegantes reticentes à mudança, retoma o caso da Kodak. A empresa de filmes para câmeras fotográficas passou de controlar 90% do mercado norte-americano, em 1976, à quebra, em 2011. Isso porque não viu, nem entendeu, o advento da imagem digital.

No entanto, em Israel, o empreendedor Eden Shochat, de 38 anos, soube interpretar melhor o afã dos tempos. Há quatro anos, vendeu ao Facebook uma companhia que ajudou a fundar: Face.com, que lida com reconhecimento facial aplicando a tecnologia deep learning (aprendizado profundo). Esse saber nos aproxima da inteligência artificial e ajuda a resolver determinados problemas (como o reconhecimento de voz) impostos pelo big data. Com essa experiência, investiu em empresas que utilizam a linguagem profunda, como, por exemplo, a JoyTunes (que emprega essa tecnologia para identificar as notas tocadas em um piano) e a Windward (que analisa mais de 100 milhões de dados diários de carga e transporte marítimo).

A cura do mal de Alzheimer é o santo graal da indústria farmacêutica

Mas de onde virá o dinheiro? Simples, das pessoas. “Vivemos expostos ao poder do crowdfunding graças ao incrível êxito de plataformas como Indiegogo e Kickstarter. Através delas, conhecemos centenas de projetos e tecnologias revolucionárias que levantam bilhões de dólares”, afirma Shochat. Uma viagem em busca de fundos e negócios que um anglicismo (fintech) promete revolucionar. “São empresas tecnológicas — sobretudo start-ups — especializadas em serviços financeiros”, explica Rodrigo García de la Cruz, professor do Instituto de Estudos Acionários de Madri (IEB). E também representam o brilhante horizonte das finanças. “O investimento global direcionado a essas iniciativas passou dos 12 bilhões de dólares (cerca de 49 bilhões de reais), em 2014, para aproximadamente 20 bilhões de dólares (81,8 bilhões de reais), em 2015”, afirma Jay Reinemann, diretor da BBVA Ventures.

Claro, quem poderia prever que o mundo seria tão desafiante? O planeta surpreende inclusive os analistas da Goldman Sachs. Em seu relatório What if I told you… (E se eu te dissesse), preveem um futuro que soa como uma voz vinda de uma Terra distante. “E se eu te dissesse que o espaço é, mais uma vez, a nova fronteira, que o lítio é a nova gasolina, que o blockchain (um livro de contabilidade aberto e em rede) pode mudar tudo, ou que a nuvem poderia ajudar a curar o câncer”, diz a publicação. Vocês acreditariam?

O homem reinventa, a cada minuto, os ecossistemas dos investimentos. Os robôs estão, em seu terceiro ano consecutivo, mantendo o recorde de vendas. Cerca de 229.000 exemplares chegam anualmente ao mercado, e os analistas do Bank of America Merrill Lynch estimam que, em 2025, 45% das etapas de fabricação industrial serão realizadas por eles. Agora, esse número corresponde a apenas 10%. Beneficiada por um efeito multiplicador, a robótica repercute no setor aeroespacial e nos de defesa, transporte, finanças, saúde, indústria, serviços, mineração; e na vida. Em apenas quatro anos, o mercado para os robôs e as soluções de inteligência artificial chegarão a 153 bilhões de dólares (626,5 bilhões de reais).

A dúvida paira sobre quantos empregos “manuais” extinguirá. No entanto, é moralmente discutível sonhar com as estrelas e imaginar a inteligência artificial quando 805 milhões de pessoas no mundo sofrem com desnutrição crônica. Essa carestia coloca sob os holofotes a segurança alimentar. O aumento da renda, sobretudo nas classes médias de países emergentes, e as mudanças na dieta, significam que o mundo necessitará aumentar, em 70%, sua produção de alimentos, em 2050. No entanto, os campos secam e se debilitam. O rendimento dos principais cultivos de cereais está em queda, as terras potencialmente cultiváveis que restam são poucas (1,4 bilhão de hectares), e a agricultura consome 70% da água utilizada em todo o mundo.

A pressão é tão intensa que, pela primeira vez, a Europa sofre com o problema da concentração de terras de cultivo, ou seja, a compra de grandes extensões de campos (com prejuízos para os pequenos proprietários) por empresas estrangeiras, que não ficam apenas com a terra, mas também com a água que a mantém. Esse espólio vital ainda não é tão intenso no velho continente como na África ou na América Latina, mas o Parlamento Europeu alerta que é um “fenômeno crescente”, e também alarmante, sobretudo em um mundo com tantas frentes abertas que parece impossível ganhar todas as suas batalhas.
Fonte: El País

Tropeço da China pode abalar o mundo?

Economia,China,Blog do MesquitaQuando uma grande economia entra em crise, o resto do mundo sente as consequências. No caso da China, elas podem ser gigantescas. Está óbvio que a economia chinesa enfrenta sérios problemas.

O contágio global gerado por crises em economias importantes sempre acaba sendo pior do que o anunciado.
No caso da China, esse problema ganha proporções gigantescas.
Está óbvio que a economia chinesa enfrenta sérios problemas.O quão grande eles são é difícil dizer, já que as estatísticas oficiais da China não são tão confiáveis.

A fonte dos problemas financeiros da China é o modelo econômico adotado pelo país, que envolve poupanças muito altas e baixo consumo.

Este modelo só era sustentável enquanto o país crescia a um ritmo acelerado, o que gerava um alto investimento, estimulado pela ampla oferta de trabalhadores rurais mal remunerados.

Esse modelo entrou em choque e a China, agora, enfrenta o desafio de realizar a transição de uma economia de crescimento eufórico para moderado, sem cair em recessão. Esse processo pode ter sérias implicações para o resto do mundo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

George Soros chegou a comparar o cenário com a crise global de 2008, em um fórum econômico realizado esta semana, no Sri Lanka.

“A China enfrenta um grande problema estrutural. Eu diria que equivale a uma crise. Quando analiso o mercado financeiro, vejo um grande desafio que me lembra a crise que tivemos em 2008”, disse Soros.

Há duas possibilidades. A primeira é que o impacto das agruras chinesas será gerenciável. A China é uma grande economia que responde por um quarto da manufatura mundial e gasta mais de US$ 2 trilhões anuais em importação de bens e serviços.

É claro que tudo que ocorre lá afeta os demais países, mas o mundo é grande, com um PIB de US$ 60 trilhões anuais, excluindo a China.

Porém, a ameaça está nas ligações financeiras da China com os demais países, o que pode acabar tornando os problemas do país em uma crise global. O ciclo de negócios entre os países é mais sincronizado do que deveria.

Além disso, as crises têm o poder de contaminar o mercado financeiro mundial. Boas ou más notícias em uma grande economia afetam o humor de outra.

A grande preocupação é que a China exporte sua crise, fazendo o gasto com investimentos nos EUA, Europa e nos países emergentes despencar. Nenhum país está pronto para lidar com isso.

A maior aposta é que a China entre em crise, mas exporte apenas uma turbulência suportável para o resto do mundo.

A expectativa é que essa aposta se confirme, já que nenhuma economia do mundo tem um plano B para lidar com o contrário.

Fontes:
Bloomberg-George Soros Sees Crisis in Global Markets That Echoes 2008
The New York Times-When China Stumbles