“Estamos na véspera de um genocídio”: o Brasil pediu para salvar as tribos amazônicas da Covid-19

Carta aberta do fotojornalista Sebastião Salgado e figuras globais alertam que doença pode dizimar povos indígenas.

Os líderes do Brasil devem tomar medidas imediatas para salvar os povos indígenas do país de um “genocídio” do Covid-19, afirmou uma coalizão global de artistas, celebridades, cientistas e intelectuais.

Em uma carta aberta ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, figuras como Madonna, Oprah Winfrey, Brad Pitt, David Hockney e Paul McCartney alertaram que a pandemia significava que comunidades indígenas na Amazônia enfrentavam “uma ameaça extrema à própria sobrevivência”.

“Cinco séculos atrás, esses grupos étnicos foram dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores europeus … Agora, com esse novo flagelo se espalhando rapidamente pelo Brasil … [eles] podem desaparecer completamente, pois não têm como combater o Covid-19”, escreveram eles.

O organizador da petição, o fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, disse que invasores, incluindo garimpeiros e madeireiros ilegais, devem ser expulsos imediatamente de terras indígenas para impedir a importação de uma doença que já matou mais de 240.000 pessoas em todo o mundo, incluindo 6.750 no Brasil.

“Estamos às vésperas de um genocídio”, disse Sebastião Salgado, que passou quase quatro décadas documentando a Amazônia e seus habitantes.

Mesmo antes de Covid-19, os povos indígenas do Brasil estavam presos no que os ativistas chamam de luta histórica pela sobrevivência.Amazônia,Desmatamento,Grilagem,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecocologia,Fauna,Flora,Pecuária,Biodiversidade,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita 0

Críticos acusam Bolsonaro, um populista de extrema direita no poder desde janeiro de 2019, de estimular a invasão de reservas indígenas e desmantelar as agências governamentais que deveriam protegê-las.

“As comunidades indígenas nunca foram tão atacadas … O governo não tem nenhum respeito pelos territórios indígenas”, disse Sebastião Salgado, apontando para cortes orçamentários incapacitantes e o recente saque de vários dos principais funcionários ambientais que tinham como alvo garimpeiros e madeireiros ilegais.

Mas a carta dizia que a pandemia tinha uma visão já sombria de Bolsonaro ainda pior, paralisando os esforços de proteção restantes.“Como resultado, não há nada para proteger os povos indígenas do risco de genocídio causado por uma infecção introduzida por estrangeiros que entram ilegalmente em suas terras”, argumentaram os signatários, que também incluem as supermodelos Gisele Bündchen e Naomi Campbell, autor Mario Vargas Llosa, o artista Ai Weiwei, o arquiteto Norman Foster e o ator Meryl Streep.

Sebastião Salgado, que documentou o genocídio de Ruanda em 1994, alertou que os 300.000 indígenas da Amazônia brasileira enfrentam aniquilação.

“Em Ruanda, vimos um genocídio violento, um ataque, onde as pessoas foram mortas fisicamente. O que acontecerá no Brasil também significará a morte dos indígenas ”, disse o homem de 76 anos que passou os últimos sete anos fotografando a região para seu grande projeto final.

“Quando você endossa ou encoraja um ato que você sabe que irá eliminar uma população ou parte de uma população, esta é a definição de genocídio … [Será] genocídio porque sabemos que isso vai acontecer, estamos facilitando … entrada de coronavírus … [e, portanto] está sendo dada permissão pela morte desses povos indígenas. ”

“Isso significaria a extinção dos povos indígenas do Brasil”, acrescentou Sebastião Salgado.

O medo de que o Covid-19 pudesse devastar as comunidades indígenas cresceu no mês passado, quando a morte de um adolescente Yanomami reviveu memórias horríveis de epidemias causadas por construtores de estradas e garimpeiros nas décadas de 1970 e 1980.

Sebastião Salgado – FacebookTwitterPinterest

 Sebastião Salgado: ‘[Permitir que o coronavírus entre nas comunidades amazônicas] significaria a extinção dos povos indígenas do Brasil’ ‘. Foto: David Fernandez / EPA
“Em algumas aldeias, eu sabia que o sarampo matou 50% da população. Se Covid fizer a mesma coisa, seria um massacre ”, disse Carlo Zaquini, um missionário italiano que passou décadas trabalhando com os Yanomami.

A cidade brasileira até agora mais afetada pelo coronavírus é Manaus, capital do Amazonas, estado onde parte da reserva Yanomami está localizada.

Sebastião Salgado – que está pedindo a criação de uma força-tarefa liderada pelo exército para despejar invasores de áreas protegidas – admitiu que Bolsonaro não agiria por sua própria vontade. Mas ele acreditava que a pressão internacional poderia forçar o governo a fazê-lo, como aconteceu no ano passado, quando a indignação global resultou na mobilização de militares para extinguir incêndios na Amazônia.

“Apenas na Amazônia brasileira, temos 103 grupos indígenas que nunca foram contatados – eles representam a pré-história da humanidade”, disse Sebastião Salgado. “Não podemos permitir que tudo isso desapareça.”

Sexo, beleza e decisão

Estímulo sexual afeta poder de decisão do homem, diz estudo. Olhar para Gisele Bundchen pode acabar com a concentração.

Uma nova pesquisa sugere que olhar uma mulher bonita é mesmo o suficiente para acabar com a capacidade de um homem de tomar decisões.

De acordo com estudo realizado por pesquisadores belgas e publicado na revista especializada The Proceedings of the Royal Society B, quanto mais testosterona, mais desatento fica o homem.

Os autores do estudo realizaram uma experiência e constataram que os homens induzidos a imagens de mulheres bonitas ou vestidas apenas com lingerie tiveram um desempenho pior do que os que não tinham visto imagens com conotação sexual.

Os resultados indicam que imagens com conotação sexual distraem o raciocínio dos homens e impedem que eles se concentrem adequadamente nas suas tarefas, especialmente aqueles que já têm altos níveis de testosterona.

Experiência
Os pesquisadores da Universidade de Leuven selecionaram 176 voluntários heterossexuais, com idades entre 18 e 28 anos, e deram a eles um jogo financeiro que avalia a capacidade de decidir se uma proposta é justa ou não.

Antes disso, imagens com conotações sexuais eram mostradas para metade dos homens.
Divididos em grupos, os homens recebiam estímulos diferentes, com alguns deles vendo imagens de mulheres atraentes ou dando opiniões sobre sutiãs, enquanto outros viam fotografias de paisagens ou de mulheres idosas.

No jogo, os participantes atuavam em pares e tinham de fazer escolhas entre ofertas, aceitando-as caso as considerassem justas.
O desempenho dos homens nos testes mostrou que aqueles expostos a imagens de conotação sexual ficaram mais propensos a fazer escolhas ruins do que os que tinham visto imagens neutras.

Os níveis de testosterona também foram testados a partir de uma comparação do tamanho dos dedos anular e indicador.
Homens com o dedo anular maior do que o dedo indicador têm um alto índice de testosterona e são mais vulneráveis às imagens.

Sensibilidade
“Gostamos de pensar que somos seres racionais, mas a pesquisa sugere que pessoas com altos índices de testosterona são muito sensíveis a estímulos sexuais”, afirma Sigdried DeWitte, um dos autores do estudo.

“Sem tais estímulos, o comportamento é normal, mas, diante de imagens com conotação sexual, eles se tornam impulsivos”, acrescenta o pesquisador.

“Trata-se de uma tendência, o que significa que as pessoas não estão à mercê desses impulsos. É possível lidar com esses níveis hormonais.”

De acordo com DeWitte, testes similares estão sendo conduzidos em mulheres, mas até agora ainda não foi possível estabelecer uma relação entre estímulos visuais e o comportamento.

George Fieldman, professor de psicologia na Buckinghamshire Chilterns University College, falou ao site da BBC.
“O fato de que homens se distraem mais com estímulos sexuais do gênero se encaixa com a própria experiência da evolução”, afirma George Fieldman, professor de psicologia de uma universidade britânica.

“É o que se espera deles”, acrescenta Fieldman. “Eles procuram oportunidades de passar seus genes adiante.”
BBC

Super Bowl: um super negócio

Tom Brady - New England Patriots

Super Negócio
Karina Vieira ¹
Todo ano a gente escuta a mesma história: o Super Bowl, o último jogo da liga de futebol americano, está para os Estados Unidos como a final da Copa do Mundo está para o Brasil.

Será que é verdade?

Não sei. Afinal, na Copa o país inteiro torce pelo mesmo time.

Mas aí lembrei que tenho um irmão suficientemente fanático pelo futebol local pra saber que isso não quer dizer nada.

Ele mesmo já cansou de dizer que prefere ver o Santa Cruz ganhar o campeonato pernambucano a ver o Brasil conquistar a Copa.

Por outro lado, o mundial de futebol só acontece a cada quatro anos. É mais dramático. Final de campeonato de futebol americano tem todo ano.

Então comecei a pensar que o Super Bowl é mais comparável ao campeonato brasileiro. Este ano, a final que acontece amanhã, é entre os Giants de Nova York e os Patriots de Boston (e de Tom Brady, marido de Gisele Bündchen).

Seria o equivalente a uma partida do maior time do Rio contra um time grande de São Paulo.

Mas as semelhanças ficam por aí.

O Super Bowl vai muito além de um acontecimento esportivo.

Cerca de 35% das mais de 100 milhões de pessoas que assistem ao evento, não o fazem pelo jogo, mas sim pela festa.

Na verdade, é uma espécie de feriado americano. E como qualquer bom feriado, tem o seu próprio cardápio. Nada de hambúrguer.

A boa do dia é asinha de frango e chilli com carne (basicamente, carne moída com pimenta).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É o segundo maior dia de consumo de alimentos nos Estados Unidos. Só perde pro dia de Ações de Graças.

Por aqui dizem que o domingo do Super Bowl está para a indústria alimentícia como o Natal está para o setor do varejo.

Este ano, o Conselho Nacional da Galinha (sim, isso existe) estima que sejam consumidas mais de 1,25 bilhão de asinhas de frango no país. Alinhadas, elas poderiam dar duas voltas na Terra.

Pra acompanhar o prato principal, batata, pipoca e cerveja. Muita cerveja.

Outros números do Super Bowl são igualmente impressionantes.

É de longe o evento de maior audiência da TV americana. Ano passado, foram 111 milhões telespectadores. Veicular uma publicidade de 30 segundos durante o jogo pode chegar a 3,5 milhões de dólares.

Há quem se importe mais com os comerciais que com o próprio jogo.

Tem também o aguardado show do intervalo. Nele, já tocaram Michael Jackson, Rolling Stones e U2.

Neste domingo, a festa vai ficar pro conta de Madonna.

Vou assistir ao Super Bowl este ano mesmo sem entender muito do que acontece naquele jogo.

E a Gisele que me desculpe, mas vou torcer por Nova York. Go Giants!

¹ Karina Vieira é pernambucana e mora em Nova York há 10 anos.
Formada em Mídia e em História pela City University of New York, tem mestrado em Jornalismo pela Columbia University. Escreve aqui sempre aos sábados.