Lava-Jato: Gim Argello negocia delação premiada

Ministério Público Federal ,Política,Brasil,Lava-JatoDelação Premiada,Petrolão,Corrupção,Formação de quadrilha,Lavagem de dinheiro,CPI,Petrobras,Gim Argello,Blog do MesquitaEx-senador, preso no dia 12 de abril na Operação Lava Jato, pode contar o que sabe para diminuir sua pena.

Defesa, oficialmente, nega. Ontem, a Justiça pediu mais 15 dias de prisão para ele.

Gim Argello era vice-presidente da CPI da Petrobras no Senado

O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) está negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal para tentar reduzir sua pena em uma eventual condenação na Lava Jato. As informações são do jornal Estado de S. Paulo. A defesa de Gim, porém, nega a informação.No último depoimento prestado aos investigadores, Gim optou por usar o seu direito de permanecer em silêncio. Caso a delação se consolide, o ex-senador terá que confessar o que sabe. Ele terá a obrigação de revelar outros nomes na estrutura e hierarquia da organização criminosa, comprovando seus depoimentos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na terça-feira, 26, a Justiça Federal estendeu a prisão de Gim por mais 15 dias para que a Polícia Federal conclua as investigações da 28ª fase da Lava Jato, que prendeu Gim. Ele é acusado de receber propina em troca de sua atuação política em comissões parlamentares de inquérito que investigavam a Petrobras.

No despacho, a juíza Gabrila Hardt, da 13ª Vara Federal em Curitiba, substituta do juiz Sérgio Moro, entendeu que a Polícia Federal precisa de mais prazo para finalizar a investigação.

“Apesar das provas já referidas na decisão em questão, apontando, em cognição sumária, provas de materialidade de crimes e indícios de autoria em relação ao investigado, afigura-se salutar conceder mais tempo à Polícia Federal para melhor análise do material apreendido”, decidiu a juíza.

A Operação Lava Jato investiga, em sua 28ª fase, denominada Vitória de Pirro, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado e a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que investigaram irregularidades na Petrobras em 2014.

Segundo os procuradores da Lava Jato, a prisão do ex-senador foi autorizada após terem sido recolhidas provas de que ele recebeu R$ 5 milhões em propina da empreiteira UTC Engenharia, conforme depoimento do dirigente da empresa, Ricardo Pessoa, em delação premiada.

Argello teria orientado o empreiteiro a destinar o dinheiro na forma de doações eleitorais aos diretórios nacionais de quatro partidos indicados por ele: DEM (R$ 1,7 milhão), PR (R$ 1 milhão), PMN (R$1,15 milhão) e PRTB (R$1,15 milhão).

Em 2014, as siglas integravam uma coligação com o PTB, partido pelo qual o ex-senador tentava a reeleição.

A defesa de Gim Argello alega que não há provas de que o ex-senador recebeu propina e que ele não tem mais influência política para interferir nas investigações.
Com informações da Agência Brasil

Eduardo Cunha, André Vargas e Gim Argello: a ponta do iceberg da escória brasileira.

Eduardo Cunha Blog do Mersquita

Eduardo Cunha, PMDB, a mais nefasta figura a contaminar a política de sarjeta no Brasil – se é que ainda sobra espaço para mais canalhices – “enfiou” de forma sorrateira uma emenda lobistas em uma Medida Provisória que a Câmara Federal aprovou à socapa.

A imoral, amoral, indecente e nociva emenda, beneficia da forma mais abjeta as operadoras de Planos de Saúde. Com a emenda esses açougues desumanos estão livres para matar seus associados impunemente pois as multas foram reduzidas à merrecas.

Enquanto os brasileiros morrem nas calçadas dos hospitais e são reduzidos a indigentes pelos planos de saúde, esse deputado foi capaz de oferecer recepção das mil e uma noites no Copacabana Palace na comemoração dos 15 anos de sua (dele) filha.

André Vargas Blog do Mesquita

André Vargas, PT, um ladravaz associado a um doleiro – atividade ilegal – já pediu licença do mandato para, hahaha!, tratar de assuntos pessoais. O poluto elemento alegou que embora convivendo com o doleiro há 20 anos nada sabia de suas (dele) atividades ilícitas. Eis um exemplo da desfaçatez alçada aos píncaros do cinismo.

Se renunciar ao mandato para escapar à cassação e à inevitável inexigibilidade, poderá ser beneficiado pela inusitada e inacreditável nova jurisprudência Azeredo do STF. Perderá o foro privilegiado, o que foi negado ao ex deputado Donadon, e terá o possível processo remetido à justiça comum, e de lá para as calendas da impunidade via prescrição.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Gim Argelo Blog do Mesquita

Gim Argello responde a diversos processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de crime contra a Lei de Licitações, crime eleitoral, peculato, crime contra a administração pública, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele chegou ao Senado como suplente e assumiu a vaga de Joaquim Roriz, outro ícone da corrupção Tapuia que renunciou para fugir da cassação.

Pois, essa tenebrosa criatura é indicado para ministro do tribunal de contas. Isso mesmo. Será Argello uma das ex-celências que irá fiscalizar as contas públicas.
Ante o clamor da mídia, os três nefastos, deram marcha a ré nos intentos escusos com os quais pretendiam assaltar o bolso do contribuinte.

A questão não é Dilma, Lula, FHC ou outro qualquer, o trágico é que a política brasileira está lotada de gente incompetente e desonesta, e a maioria aglutina esses dois adjetivos, são 500 anos e não temos nada. Parece que começamos ontem, cadê o metrô decente em toda grande cidade? Nos países civilizados foram feitos há 100 anos; cadê os portos e aeroportos feitos nos últimos 30 ou 40 anos?

E as estradas feitas de 80 pra cá? É uma sucessão de governos que só estão ali para se aproveitar em Brasília e em todos os Estados da federação das verbas públicas.

E já vivido décadas constato; enquanto o povo for aceitando eles vão fingindo que estão fazendo algo, e todos os anos trilhões de reais escoam na forma de imposto pelo escoadouro imundo da corrupção política partidária.

Enquanto tivermos bandidos sendo chamados de vossa excelência, não sairemos do lugar, nem deixaremos de ser o país de um futuro que nunca chega.

Senado quer colocar no TCU um senador denunciado no STF por desvio de verba

A Praça dos Três Poderes é o pedaço de um Brasil muito distante, uma democracia lá longe, onde a anormalidade é normal.

No momento, desenrola-se ali uma emboscada contra o interesse público. Os envolvidos se desobrigaram de maneirar.

Numa das laterais da praça, sob a cuia emborcada que esconde o miolo do Senado, trama-se a indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para o posto de ministro do TCU.

Assentado à esquerda, o Planalto aplaude. À direita, o STF estranha.

O Supremo faz cara de espanto porque guarda em seus escaninhos meia dúzia de inquéritos contra Jorge Afonso Argello, vulgo Gim Argello.

Num desses inquéritos, a Procuradoria Geral da República já ofereceu inclusive denúncia contra o senador.

Acusa-o de fraudar licitação (pena de 3 a 5 anos de cadeia, mais multa) e desviar verbas públicas à época em que presidiu a Câmara Legisaltiva do Distrito Federal (peculato, 2 a 12 anos de cana, mais multa).

processo aguarda desde 12 de setembro de 2013 pelo voto do relator, o ministro Gilmar Mendes.

Nos outros inquéritos, a lista de crimes atribuídos a Gim Argello faz dele um personagem apto para várias coisas, nada que se pareça com as atribuições de um ministro do TCU: apropriação indébita, corrupção (ativa e passiva), lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se o nome de Gim Argello for aprovado pelos seus colegas, ele pode vir a ocupar duas cadeiras simultaneamente: a de ministro do Tribunal de Contas e a de réu no Supremo Tribunal Federal.

À condição de suposto profanador das arcas públicas, o senador agregará a credencial de guardião do erário. Repetindo: Gim Argello está na bica de acumular os papeis de julgador e suspeito, mocinho e bandido.

O apoio do Planalto não é passivo, mas ativo. Para facilitar a busca de Gim Argello por um prontuário novo, os ministros palacianos Aloizio Mercadante e Ricardo Berzoini negociaram com o PTB uma dança de cadeiras.

Presidente do PTB federal, o ex-deputado baiano Benito Gama deixa a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil para pedir votos.

Quer voltar à Câmara. Para o lugar de Benito, Dilma deve nomear o ex-senador Valmir Campelo, que acaba de se aposentar do TCU. Campelo sairia apenas em outubro, ao completar 70 anos.  Fechando o círculo, Gim Argello iria ao TCU.

Para que o despautério avance, o nome de Gim Argello terá de ser aprovado, por maioria simples, nos plenários do Senado e da Câmara. Considerando-se a omissão da banda muda do Congresso e atuação dos ministros do ex-PT, a chance de fazer o pior da melhor maneira possível é enorme.

O bom senso desaconselha o envio ao TCU de alguém ainda sujeito a múltiplas condenações judiciais. Mas, se o Congresso fosse feito à base de sensatez, talvez faltaria material.
Blog Josias de Souza

Tópicos do dia – 18/09/2012

08:18:24
Vídeo compromete campanha de Mitt Romney

O candidato a Presidenete dos Estados Unidos pelo Partido Republicano teve abalada sua campanha a presidência por causa da divulgação de um vídeo. Mitt Romney foi flagrado declarando que ‘47% dos eleitores dependem do governo’ e que seu trabalho não é se ‘preocupar com essas pessoas’.
Romney, que quer ocupar o lugar de Barack Obama na Casa Branca, sede do governo dos USA, afirma que 47% dos americanos são “dependentes do governo”, “não pagam imposto” e acreditam possuir “direito a ter cobertura de saúde, alimentação, teto, tudo aquilo que vocês quiserem”.

O comitê do Partido Democrata de Obama soltou nota onde afirma que “é chocante que um candidato à Presidência dos Estados Unidos diga, a portas fechadas e a um grupo de doadores ricos, que a metade dos americanos se vê como ‘vítima’ e não é capaz de ‘cuidar de suas vidas com as próprias mãos'”, prossegue a nota.

08:58:55
Senador quer garantir laudo pericial único para pessoas com deficiência

O senador Gim Argello (PTB-DF) apresentou nesta segunda-feira (17) diversos projetos de sua autoria a serem analisados e debatidos pelo Senado no próximo mês.  Entre eles está o projeto que garante validade indeterminada a laudos médicos periciais que atestem deficiência permanente no paciente. Para o senador, é injusto que a pessoa com deficiência precise renovar periodicamente seus laudos médicos e periciais para ter acesso a benefícios previdenciários ou sociais. De todos os brasileiros, cerca de 15% têm algum tipo de deficiência – o que equivale a quase 30 milhões de pessoas. “Cabe ao Congresso ajudar a melhorar a qualidade de vida dessa parcela da população”, explica o senador.

09:50:20
Cadê a fita? Por que o PT silencia? Por que o PT não exige a publicação do áudio da fita?

Pois é! Fica a impressão que eles, Petistas, sabem que a fita existe e querem que o assunto caia no esquecimento. Agora, ainda não entendi porque a revista não divulga a fita. Nesse caso, fica a impressão, que a fita estaria sendo reservada para “quando o carnaval chegar”, o que, a parte a analogia carnavalesca, e se confirmada à intenção, exala odor de chantagem. Por outro lado, não entendo o que o Procurador Roberto Gurgel está aguardando para abrir inquérito para apurar o fato, que, se verdadeiro, terminará de enterrar o Lula e o que sobrou, uma “merrequinha” de nada, do PT. Aguardemos!

10:04:05
Privataria Tucana e O Chefe. Dois livros que todo brasileiro alfabetizado deveria ler.

10:17:33
Ministro Joaquim Barbosa joga pá de cal em tese de caixa dois
Ministro do STF se apoiou em sólidas provas periciais.
por: Wálter Maierovitch

16:32:22
Efeito mensalão faz gerente de Cachoeira tentar vender seus imóveis para fugir do país.

Está cada vez mais interessante o efeito moralizador do julgamento do mensalão pelo Supremo. Já registramos aqui que o governador Sergio Cabral e seu principal cúmplice, o secretário de Saúde Sergio Côrtes, vão deixar a política e se preparam para morar no exterior.

Eles têm razão em estarem apavorados. Em Brasília, o gerente do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, José Olímpio Queiroga Neto, também entrou em depressão e contratou corretores para vender as propriedades dele na região metropolitana da capital, as quais, segundo a polícia, foram compradas com dinheiro do crime. Seu objetivo seria fugir para os Estados Unidos.

Em Brasília, circula a informação de que o patrimônio de outros membros da quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está sendo vendido às pressas e pela metade do preço. Temendo uma possível ação da Justiça, o grupo criminoso articulou uma rede de vários corretores para “fazer dinheiro” o mais rápido possível e se livrar dos bens adquiridos a partir de atividades ilícitas.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

17:39:21
Toffoli aparece envolvido no Mensalão. Banco Rural põe nos autos do Mensalão documento que cita Toffoli

O advogado Celso Serra comunica ao Blog da Tribuna que o jornalista Felipe Patury acaba de disponibilizar no site da revista Època uma corrosiva informação sobre o ministro Dias Toffoli, que abala ainda mais as suas condições de legal e eticamente prosseguir no julgamento do mensalão. É por isto que o ministro anda tão nervoso. Afinal de contas, o julgador irá julgar-se ? Vale a pena ler:

Constrangimento
O Banco Rural juntou aos autos do mensalão um documento que cita Toffoli como delegado do PT

Uma certidão da comissão executiva do PT se destaca entre os documentos apresentados ao Banco Rural para compor o cadastro que o partido fez para obter o empréstimo de R$ 3 milhões, sob análise do Supremo Tribunal Federal. Na ata, constam nomes de dirigentes do partido que se tornaram réus no mensalão: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Aparece também, na condição de delegado do PT, o então advogado da legenda, José Antônio Dias Toffoli. O Rural inseriu a certidão nos autos do mensalão, analisados por Toffoli, agora na condição de juiz do Supremo Tribunal Federal. O ministro não se manifestou. Seus auxiliares dizem que a certidão foi expedida dois anos antes do empréstimo e que o fato de ele ter sido delegado do PT é conhecido.

Angustiado
Ainda no site da Época, uma nota de Igor Paulin assinala o seguinte:

Aos amigos, o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli tem dito estar angustiado com suas opções no processo do mensalão, que começa a ser julgado nesta quinta-feira pela Corte. O ministro acredita que sua imagem será arranhada em todos os cenários que se projetam para ele. Segundo suas projeções, considerar-se inepto para o julgamento ou votar pela condenação dos réus são situações que farão com que o ministro perca os amigos no PT. Se participar do julgamento e absolver os réus no processo, seu desgaste será com a opinião pública.
Tribuna da Imprensa 


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Roberto Jefferson ataca outra vez

O andar capenga da moralidade no governo atual, deixa aos analista uma descomunal dificuldade gramatical em adjetivar tal situação, sem o risco de vir a responder por ofensa à moralidade pública.

Agora aparece o caso da Casa da Moeda, onde o ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, é demitido por suspeita de receber propinas via “offshores”, que são empresas localizadas no exterior, normalmente em paraísos fiscais.

São usadas para remessa ilegal de dinheiro e manter sigilo sobre as referidas operações. O Luiz Denucci e a filha, Ana Gabriela, são donos de duas contas “offshores”.

José Mesquita – Editor


O presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse hoje à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) deve ir ao Congresso explicar a indicação e a demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda por suspeita de corrupção.

Segundo ele, Denucci é um nome do ministro da Fazenda e o PTB fez apenas um “favor” ao chancelar a indicação.

“O ministro Mantega, que é o padrinho, deve satisfações à opinião publica. Ele foi feito presidente da Casa da Moeda pelo ministro”, disse Jefferson, reafirmando que o governo foi alertado há dois anos sobre o fato de Denucci e a filha dele, Ana Gabriela, terem montado duas offshores no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, como a Folha revelou nesta semana.

“O governo já sabia desse problema e só tomou providências ao saber de uma matéria que a Folha preparava.”

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Um relatório da empresa londrina WIT, que faz transferência de dinheiro para o exterior, apontou que, por meio de transações complexas, os Denucci receberam U$ 25 milhões de comissão de empresas contratadas da Casa da Moeda. Ele confirma ter as offshores, mas diz que o documento é falso.

Ele criticou o papel do governo na apuração de irregularidades e disse que o Planalto quer deixar a conta pela indicação no PTB.

“O Mantega chamou o Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara] e pediu um aval. Ele não é do PTB. Ele é do Mantega. O PTB fez um favor ao Mantega e se deu mal.”

O presidente do PTB disse que não causa surpresa o envolvimento do partido no caso. “Eu não confio no PT. O PT é um amigo que trai o outro.”

Temeroso de que Denucci envolva o partido em mais denúncias, o presidente da legenda proibiu a bancada na Câmara de indicar um substituto. Até sábado, o governo elogiava a atuação de Denucci no cargo.

Vice-líder do governo e líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), não quis comentar o caso.

O Congresso reabre na tarde de hoje os trabalhos. Com isso, poderá ser protocolado um requerimento pedindo a presença de Mantega para tratar da demissão na Casa da Moeda.

Para que o ministro da Fazenda fale formalmente aos congressistas é necessária a aprovação de um requerimento em comissão permanente.
Tribuna da Imprensa

Renan Calheiros e Conselho de Ética do Senado

Não há muito do que se admirar.

Afinal o que esperar de um colegiado que pela “enésima” vez coloca Sarney na presidência do Congresso Nacional?

Nesse poder da República acredito que não mais existe o fundo do poço.
O Editor


Conceito de ética

Dora Kramer – O Estado de S.Paulo

Seria impreciso dizer que o Senado chegou ao fundo do poço quando decidiu constituir um Conselho de Ética ao arrepio do decoro indispensável à atividade parlamentar.

Isso porque o poço em que o Poder Legislativo resolveu já há algum tempo jogar sua credibilidade parece não ter fundo.

Entra ano, sai ano, entra escândalo, sai escândalo, os acontecimentos bizarros não têm fim, medida nem limites.

A presença de oito processados na Justiça entre os 15 titulares do conselho soa como uma contradição em termos.

Agride à lógica da vida normal, mas está absolutamente de acordo com as regras do Congresso.

Mais: compõe perfeitamente o cenário da degradação.

Todos os integrantes do conselho destinado a zelar pela ética na Casa são tão senadores quanto qualquer outro.

A partir do momento em que seus pares não impuseram reparos a condutas julgadas no passado e os eleitores lhes confiaram delegação, podem participar de todas as atividades sem restrição.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A questão não é o que Renan Calheiros, que trocou a renúncia à presidência do Senado pela absolvição em processos por quebra de decoro, ou Gim Argello, investigado pela Polícia Federal e obrigado recentemente a renunciar à relatoria do Orçamento da União por suspeita de desvios na distribuição de emendas, estão fazendo no Conselho de Ética.

A pergunta correta é o que esses e outros estão fazendo no Senado e o que o Senado faz consigo ao, entre outras façanhas, reconduzir à presidência da Casa José Sarney e seu manancial de escândalos, cuja mais recente leva data de dois anos atrás.

Esse episódio do conselho ganhou repercussão, é tratado como um grande problema, mas é apenas parte do infortúnio que assola o Parlamento e, em boa medida, a sociedade que não exerce ela mesma o voto limpo enquanto não se institui de vez a obrigatoriedade legal da ficha limpa: a indiferença à ética, ao conjunto de valores que disciplinam o comportamento humano como atributo essencial à vida civilizada. Pública ou privada.

Embora a completa ausência de pudor, ainda que em grau apenas suficiente para a manutenção das aparências em colegiado presumidamente ético, fira os espíritos mais sensíveis, não se configura uma novidade em face da revogação geral de quaisquer valores balizadores de condutas.

Em ambiente onde um senador pode roubar um gravador – como fez Roberto Requião ao surrupiar o equipamento pertencente à rádio Bandeirantes e apagar do cartão de memória uma entrevista que não lhe interessava ver divulgada – e ainda assim ser defendido pelo presidente da Casa, não há poço que seja fundo o bastante para delimitar a fronteira entre a civilidade de fachada e a selvageria total

Congresso nacional e o balcão de negócios

A falência da elite

Nunca foi tão verdadeiro o bordão da ex-senadora Heloisa Helena sobre o “balcão de negócios” que se instalara na Praça dos Três Poderes e comandava as relações políticas no Brasil.

O que há algum tempo era denúncia de uma personalidade rebelde hoje é voz corrente entre os parlamentares.

Amanhã poderá – não se duvide disso – vir a ser prática reconhecida oficialmente, tal a rapidez com que se deteriora o Poder Legislativo.

Há cinco anos a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara foi um ponto fora da curva.

Hoje, a escolha de deputado inexpressivo junto ao público para dirigir a Casa é fato aceito, padrão incorporado.

Amanhã poderá vir a representar o curso natural das coisas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Há dois anos causou espanto a quantidade de irregularidades reveladas a partir da eclosão do escândalo dos “atos secretos”, mediante os quais a diretoria do Senado fazia e desfazia ao arrepio da lei, do regimento e da transparência.

Hoje ainda não se reduziram os funcionários de confiança, afilhados políticos seguem em seus empregos, não houve punições significativas.

Da reforma administrativa prometida só se conhecem os R$ 500 mil pagos à Fundação Getúlio Vargas por um projeto que deu em nada e aumento de salários.

Hoje será eleito pela quarta vez o presidente que, ao assumir o posto pela terceira vez, em 2009, passou um ano como protagonista de uma crise que revelou desvios de conduta em série e só não resultou em renúncia por interferência do então presidente da República.

Sob incrédulo desdém geral e a tolerância desarticulada de suas excelências, José Sarney (PMDB-AP) consagra-se como o mais qualificado entre os 81 senadores.

Mal visto pela opinião pública, mas, no dizer dos nobres colegas, o melhor e mais indicado para presidi-los.

Aqui merecem destaque os parlamentares de oposição.

Muitos, não todos, clamaram pela regeneração da Casa.

Quando viram que não daria resultado, dobraram-se docemente às conveniências corporativas.

E isso sem o pretexto do dever de ofício frente às exigências de uma estratégia governista.

Um exemplo: nem um pio sobre a condução da Comissão de Orçamento.

É possível que tenha a ver com acerto feito com o então relator Gim Argello (antes da apressada e conveniente renúncia) para o aumento das verbas do fundo partidário? Muito provável.

Amanhã, quando surgirem novas denúncias nenhum senador poderá dizer que a cigana os enganou.

Mesmo entre os que chegam agora raros são os neófitos, todos sabem muito bem por onde andam as cobras e, ainda assim, aceitam as regras tais como elas são.

Dora Kramer/O Estado de S.Paulo

O DEMsalão

Que segredos detem o Governador José Roberto Arruda? Por que vários caciques da tribo do DEM procuram poupá-los no escândalo do mensalão em Brasília? É inquientante o silêncio e/ou a saída pela tangente de líderes tucanos, como José Serra, que até agora não se manifestou incisivamente sobre o episódio. O PSDB deveria aprender essa lição, mais uma, e se afastar desse apoio incondicional ao DEM. O partido dos tucanos não coaduna o discurso que faz com as alianças que mantém.

Aos Tupiniquins resta a esperança de que o Supremo Tribunal Federal, quando acionado, ponha toda a verdade à tona

O Editor


Brasília tem duas faces. De um lado, a “bolha”, onde moram o presidente da República, os ministros, os parlamentares, os embaixadores estrangeiros, os ministros de tribunais superiores, os jornalistas e a elite do funcionalismo público e da cidade.

É um mundo de excelente qualidade de vida.

Casas ou mansões à beira do Paranoá, amplos apartamentos nas quadras mais nobres do Plano Piloto.

A outra face é governada pelo GDF. Um povo trabalhador, que paga seus impostos, mora longe do Plano Piloto, muitas vezes nas cidades-satélites.

A condução é escassa, a violência é grande, as invasões de terrenos são frequentes, muitas vezes estimuladas por políticos inescrupulosos.

A “bolha” atrai as atenções de jornalistas e analistas políticos e econômicos. Mas quase ninguém presta atenção ao GDF.

(Washington também é assim. Existe a “bolha”, com tudo o que há de bom, e a prefeitura do D.C., eternamente envolvida com políticos populistas e corruptos. Volta e meia um prefeito é apanhado fazendo o que não deve, seja com prostitutas, seja cheirando crack, seja com a boca na botija da corrupção mais deslavada.)

Desde que conseguiu a emancipação política e passou a eleger seus governadores, Brasília não teve muita sorte. Com a honrosa exceção de Cristóvam Buarque, o GDF ficou entregue a Joaquim Roriz, que foi governador por quatro mandatos.

Nomeado por José Sarney em 1987, Roriz foi eleito em 1990, em 1998 e em 2002, graças a políticas clientelistas, que incluíam estímulo a invasões de áreas à beira do lago Paranoá.

Eleito em 2006 para o Senado, Roriz envolveu-se num rumoroso caso de corrupção – uma estranhíssima compra de bezerras – e renunciou para não ser cassado.

Seu suplente, Gim Argello, também envolvido no mesmo caso, não foi nem advertido. Hoje é vice-líder do governo e o mais próximo conselheiro político da ministra Dilma Rousseff.

Ah, é também candidato a governador em 2010.

José Roberto Arruda foi um dos senadores mais poderosos durante o governo Fernando Henrique. Líder do governo na casa, mandava e desmandava no Senado, de súcia com o então presidente da casa, senador Antonio Carlos Magalhães.

Em 2001, associou-se a ACM para fraudar o painel do Senado, no caso da votação secreta que cassou o mandato do senador Luís Estêvão.

Apanhado, negou. Da tribuna, fez patético discurso.

Ninguém acreditou. Em lance de puro cálculo político, voltou à tribuna, chorou, reconheceu sua participação na fraude. Pediu desculpas.

E tratou de renunciar rapidinho, para não ser cassado.

Saiu do PSDB, ingressou no PFL e desapareceu. E aí começou tudo de novo.

Em 2002 foi eleito deputado federal. Em 2006 rompeu com Joaquim Roriz, de quem era cria, e elegeu-se governador do Distrito Federal, no DEM (o PFL depois da plástica).

De Roriz herdou não apenas o governo, mas as práticas.

O mensalão do DEM (ou DEMsalão, como já está sendo chamado) teria começado ainda no governo Roriz, de quem o denunciante, Durval Barbosa foi secretário.

As denúncias atingem tudo e todos. Do governador e o vice, a deputados distritais, secretários e, parece, gente do Judiciário.

Claro que o governador deu declarações negando tudo. Mas o estrago já foi feito.

Na reunião com a cúpula do DEM, Arruda ameaçou contar para todo mundo que o DEMsalão do Planalto Central foi utilizado também para ajudar outros diretórios do partido.

Com isso, o DEM rachou. De um lado, pressionaram pelo desligamento de Arruda os senadores José Agripino (RN) e Demóstenes Torres (GO), além do deputado Ronaldo Caiado (GO), líder do partido na Câmara.

Mas o senador Adelmir Santana (DF), suplente do vice-governador Paulo Octávio (também envolvido no escândalo), o deputado ACM Neto (BA) e, pasmem, até o próprio presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, querem proteger o governador Arruda.

E os tucanos, como estão se comportando no episódio?

Afinal, o projeto estratégico da aliança PSDB-DEM era transformar Brasília num imenso canteiro de obras, fazer da capital uma cidade-modelo, aumentar ainda mais a enorme popularidade do governador Arruda e consolidar a aliança.

Serra para presidente e Arruda para vice.

E agora?

Até agora, os tucanos estão em silêncio.

E o governador José Serra, não tem nada a dizer?

E assim, um escândalo local se transforma em escândalo nacional.

A coisa promete.

blog da Lucia Hippolito

Senado: 70% do Conselho de Ética tem ficha com problemas

Ao menos 21 membros são alvo de inquérito, réus em ação ou têm ligação com nepotismo e atos secretos

A esperada benevolência do Conselho de Ética com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pode ser explicada, entre outras coisas, pela biografia de seus integrantes. Pelo menos 70% dos membros do conselho são alvos de inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), réus em ações penais e/ou envolvimento com nepotismo e atos secretos nos últimos anos. Caberá a esses senadores decidir na próxima terça-feira o destino dos pedidos de abertura de processo de cassação de Sarney.

Pressionado a renunciar, o peemedebista é acusado de ligação com boletins administrativos sigilosos, nomeação de parentes e afilhados, além de desvio de recursos da Petrobrás pela Fundação José Sarney. A fundação vive hoje a perspectiva de intervenção por parte do Ministério Público do Maranhão, por causa do desvio de cerca de R$ 500 mil de uma verba de patrocínio de R$ 1,34 milhão concedida pela estatal do petróleo.

O Estado cruzou a lista de integrantes titulares e suplentes do Conselho de Ética com escândalos recentes semelhantes aos que alcançaram Sarney. Poucos escapam. Dos 30 titulares e suplentes, ao menos 21 estão nessa malha fina.

A tropa de choque do PMDB, por exemplo, marcha unida nesse quesito. Os quatro titulares – Wellington Salgado (MG), Gilvan Borges (AP), Paulo Duque (RJ) e Almeida Lima (SE) – têm algum tipo de ligação com nepotismo, ato secreto ou investigação externa.

Outros quatro titulares aliados de Sarney também fazem parte desse grupo: Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Gim Argello (PTB-DF), João Durval (PDT-BA) e Romeu Tuma (PTB-SP). Juntos com João Pedro (PT-AM) e Inácio Arruda (PC do B-CE), eles somam votos suficientes – entre os 16 titulares – para barrar as cinco representações que já foram protocoladas contra Sarney.

Porta-voz do presidente do Senado em plenário, Wellington Salgado é alvo de três inquéritos no Supremo por sonegação fiscal e crimes contra a Previdência. É suspeito ainda de empregar funcionários fantasmas em seu gabinete. Anteontem o Estado revelou que o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque, emprega um assessor fantasma no próprio órgão desde novembro.

Leandro Colon – Folha de São Paulo