Eleições 2014: Aécio dá uma mordida no recato na grande área

Política Justo Veríssimo Chico Anysio Blog do MesquitaNo futebol, costuma-se distinguir uma ‘falta necessária’ de uma ‘falta desnecessária’. A falta é tida por ‘necessária’, por exemplo, quando o zagueiro perde a bola e deixa o atacante rival na cara do gol. Troca-se o risco do cartão pela esperança de que o cobrador erre o chute ou o goleiro feche a trave.

A falta é ‘desnecessária’ quando se caracteriza pela maldade gratuita.

Nesses casos, ainda que o juiz não flagre, a infração expõe o transgressor ao julgamento instantâneo da arquibancada.

Na Copa do Mundo, nenhuma falta foi tão desnecessária quanto a dentada que o uruguaio Luiz Suárez cravou, traiçoeiramente, no ombro do italiano Chiellini.

O juiz deixou barato. Mas a execração do craque dentuço foi unânime e universal.

Pois bem. Nesta quarta-feira, Aécio Neves deu uma de Suárez. Desferiu uma mordida no recato dentro da grande área da peleja sucessória.

Mostrou os dentes ao comemorar, diante de câmeras e microfones, o drible que dera em Dilma Rousseff, atraindo para sua coligação o governista PTB, partido do presidiário Roberto Jefferson.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Muito mais gente já desembarcou e o governo ainda não percebeu”, disse o presidenciável tucano, preparando a dentada. “Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”, acrescentou, fechando a mandíbula.

Aécio reagia a um comentário de Dilma. Discursando horas antes na convenção do PSD de Gilberto Kassab, que confirmou a adesão à sua reeleição, a presidente da República criticara os políticos que firmam acordos por “conveniências” e não por “convicções”.

“É muito importante assumir e cumprir compromissos na política, isso é inegociável”, dissera Dilma, abespinhada com o fato de que alinhavara o apoio do PTB num almoço com a cúpula da legenda. Posara para fotos ao lado de personagens duros de roer, como Fernando Collor. E, no fim das contas, não levou o tempo de propaganda eletrônica do agora ex-aliado.

“Lealdade é uma das bases da política feita com grandeza”, queixou-se Dilma perante os convencionais do PSD, legenda nascida de uma costela do DEM. “Não é subordinação cega, é respeito mútuo e zelo pela palavra empenhada. Engana-se quem acha que essa espécie de esperteza funciona. Ela tem vida curta. Na vida política, não podemos prescindir do respeito e da civilidade”

Poucas vezes a questão de meios e fins foi tão presente como nessa fase em que os candidatos ao amor da República trocam caneladas na disputa pelo tempo de publicidade eleitoral no rádio e na tevê.

Dilma falou em “política feita com grandeza”, “convicções”, “respeito” e “civilidade” num dia em que, cedendo à chantagem do PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto, passou na lâmina o pescoço do ministro dos Transportes, César Borges. É um “acinte”, atacou Aécio. É “a mercantilização da política.”

De fato, aumentar a vitrine eletrônica devolvendo ao PR o acesso às arcas dos Transportes é um abracadabra para a caverna de Ali-Babá. Mas como qualificar o conselho de Aécio aos silvérios do governo senão como outro acinte?

Submetido à frase do candidato mais bem-posto da oposição —“Eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”— o eleitor olha ao redor e fica tentado concluir que a eleição virou uma loteria sem prêmio.

Troca-se a ilusão de que é possível começar tudo de novo pela convicção de que o voto é apenas um equívoco incontornável que se renova de quatro em quatro anos. Não chega a ser uma sucessão presidencial. No máximo, muda o chefe dos vampiros. No mínimo, nem isso.
blog Josias de Souza

Eleições 2014: Campos e Marina discutem aliança com Alckmin

Eduardo Campos e Marina Silva se reunirão nesta quinta-feira (5) na capital paulista.

O presidenciável do PSB e sua companheira de chapa tentarão superar suas divergências em relação aos rumos da campanha em São Paulo.

O PSB de Campos insiste em integrar-se à coligação do governador tucano Geraldo Alckmin, que disputa a reeleição.

Marina e sua Rede preferem o lançamento de um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.

Na expectativa de que o impasse seja dissolvido, o comando do PSB paulista convocou para esta sexta-feira (6) um encontro do diretório estadual. Nele, planeja-se aprovar um indicativo de apoio ao governador tucano.

A grossa maioria da legenda trabalha com a expectativa de acomodar na vice de Alckmin o deputado federal Márcio França, que preside o PSB em São Paulo.

Em público, Eduardo Campos insinuou que não cogita intervir no diretório paulista do PSB.

Em privado, ele sinalizou aos correligionários que dirá a Marina que se considera de mãos atadas. Havia concordado com a tese da candidatura própria.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O PSB indicara Márcio França. Mas a Rede torceu o nariz. Como não planeja uma intervenção, sugerirá que PSB e Rede caminhem separadamente em São Paulo.

Prevalencendo esse encaminhamento, o PSB, que já integra a atual gestão de Alckmin, ficaria à vontade para negociar sua incorporação ao projeto reeleitoral, dessa vez na condição de vice.

E a Rede, embora esteja hospedada no PSB, apoiaria outro candidato, possivelmente Gilberto Natalini, do PV.

A hesitação do PSB levou Alckmin a abrir negociação com Gilberto Kassab, do PSD, que também deseja ser seu vice. Mas o governador disse a correligionários que prefere ter como número dois de sua chapa um representante do partido de Eduardo Campos.

Precavido, Alckmin decidiu usar todo o tempo que o calendário da lei eleitoral lhe oferece.

Marcou a convenção em que o PSDB formalizará sua recandidatura para 28 de junho, dois dias antes do encerramento do prazo legal.

Até lá, espera que o PSB já tenha superado o drama existencial em que mergulhou depois que Marina se associou a Campos.
Blog Josias de Souza

Kassab, imprensa marrom e canalhice

Mídia,Humor,Cartuns,Millor Fernandes,Ainda estou abismado com o que assisti agora a pouco no JN. Puro desespero por audiência.

Não dou uma pataca pelo sr. Gilberto Kassab. Agora o JN jogar o nome do cidadão na lama a partir de um depoimento de alguém que diz ter ouvido de terceiro?

Isso não é mais nem imprensa marrom. É a mais pura canalhice.

A outra questão é o vazamento pelo MP. Observem que a testemunha é do tipo “ouvi alguém falar, que fulano disso…”

Ainda não abordei o mérito dos fatos, se falsos ou verdadeiros, mas um tipo de informação que independente da comprovação da inocência do cidadão, o estrago está feito.

Lembrar o Caso da Escola de Base de S.Paulo, do ex ministro Alceni Guerra, do ex-deputado Ibsen Pinheiro…

Convém a propósito citar Nietzsche: “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”.


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Corrupção no ISS em São Paulo

Nos tempos áureos da Máfia nos USA, o bando roubava um banco e a turma tinha que ficar uns cinco anos sem mexer na grana.

O primeiro que não obedecesse a essa regra e saisse gastando por aí, terminava no fundo do Rio Hudson com sapatos de concreto.

Já nas plagas Tapuias, mais especificamente no caso da gangue do ISS em S.Paulo, o ladrão tem logo que exibir que ficou rico.

No mínimo um Porsche e uma amante coberta de joias. Próxima cena;
1. Ninguém sabia de nada – o Lula deveria ter patenteado essa frase cínica;
2. Não aparecem os corruptores;
3. “Cherchez la femme” ensinava Dumas, o Alexandre.


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Eleições 2014: Serra avalia concorrer por outro partido político.

Queixando-se de isolamento dentro do PSDB, o ex-governador José Serra avalia com apoiadores sair da sigla para viabilizar sua candidatura à Presidência da República em 2014.

Segundo aliados, ele ainda não desistiu do sonho de chegar ao Palácio do Planalto, nem que para isso tenha de se filiar a outro partido.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Apesar das dificuldades operacionais, não foi descartada a fundação de uma nova sigla, a exemplo do PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab.

A hipótese de mudança foi objeto de discussão nos últimos dois meses, após derrota de Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Dentro do PSDB, o nome mais forte hoje para disputar a Presidência é o do senador Aécio Neves (MG), que é rival de Serra internamente.

Alguns serristas, porém, aconselham o tucano a permanecer na sigla e disputar a indicação com Aécio.

PRAZOS

Uma possível filiação de Serra a outro partido teria que acontecer até outubro –um ano antes das eleições.

Hoje, no entanto, o único abrigo disponível seria o diminuto PPS (13ª bancada da Câmara). Ainda assim, Serra enfrentaria resistência da ala que defende aproximação com Dilma Rousseff.

Presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP) conta que, desde o ano passado, discute com Serra o projeto de criação de um outro partido. “Poderíamos criar uma nova sigla. Isso foi conversado com Serra”, admite Freire, reconhecendo que a disputa pela Presidência ainda está em seu horizonte. “Serra continua ativo.”

Editoria de Arte/Folhapress

Já neste ano, após passar as festas do fim de ano na Bahia, Serra recebeu Freire para uma análise do cenário nacional. Para Freire, é desnecessário discutir a mudança agora. “Enquanto ele não decidir efetivamente [se é candidato], não adianta.”

Ainda segundo tucanos, Serra avisa que vai submergir até depois do Carnaval. Um de seus principais apoiadores –que foi seu vice no governo de São Paulo–, Alberto Goldman afirma que ele só deverá tomar uma decisão depois de maio, mês em que ocorrerá a eleição da nova Direção Nacional do PSDB.

Caso seu grupo saia enfraquecido da disputa, aumentam as chances de ele abandonar a legenda.

Segundo Goldman, a troca de partido já foi discutida. Mas ele “espera passar o tempo”. “Serra não pendurou as chuteiras. Está ouvindo os aliados”, diz Goldman.

“Serra ainda não verbaliza. O fato é que ele está amadurecendo. Teve 45% dos votos, tem capital”, acrescenta.

A hipótese de mudança não conta, porém, com adesão de todos os serristas. Aliados dizem não haver sigla com estrutura suficiente para uma campanha à Presidência nem tempo hábil para a criação de uma nova.

O ideal, argumentam, é que Serra tente se fortalecer dentro do PSDB como alternativa a Aécio.

A Folha não conseguiu falar ontem com o ex-governador, que é fundador do PSDB.
Catia Seabra/Folha  de S.Paulo

Dilma Rousseff cria o 39º ministério. Nós pagamos a conta!

Dona Dilma cria mais um ministério. O 39º! E nós, pagamos a conta.

Para acomodar Kassab, que deu uma “forcinha” pra eleger Haddad – aquele que não conseguiu administrar o ENEM, mas tem a pretensão de administrar São Paulo, a maior cidade da América Latina.

Não posso garantir, mas creio que a senhora em questão não sabe o “nominho” de todas as ex-celências, e nem recebe/fala com 90% deles.

Esse é um mal do sistema político brasileiro. “Presidencialismo parlamentarista”, uma aberração que obriga a qualquer governante – municipal, estadual, federal – fazer conchavos e balcão de trocas com ‘partidecos’ para poder governar. Desde a primeira república que é assim.

Penso que somente com o voto distrital, e o parlamentarismo, de fato se sairá desse buraco das negociatas políticas.
Como está no fundo do poço ainda há um porão.


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Eleições 2012. Marta Suplicy: um ponto fora da curva

Senadora marta Suplicy - PT

Há duas maneiras de se analisar a resistência da senadora Marta Suplicy em mergulhar fundo na campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo.

Uma trata da motivação da senadora para manter distância do processo e tem alcance local.

Outra transcende a eleição municipal e diz respeito ao modo petista de atuar, com base no pressuposto de que exista uma visão santificada imutável em relação a Lula que por isso gozaria de infalibilidade papal.

A desobediência civil da senadora Marta Suplicy obviamente não pode ser atribuída a “mágoa” decorrente do veto do ex-presidente Lula à candidatura dela a prefeita de São Paulo.

Quando dizem isso, os petistas simplificam a questão, põem as coisas no plano pessoal/emocional, desqualificam as razões políticas de Marta e fingem desconhecer a natureza do temperamento dela.

A senadora não é de obedecer por obedecer, notadamente se estão em jogo sua carreira, seus interesses e seu patrimônio político.

O fato de não ter sido candidata está profissionalmente digerido.

Ela não tem veleidades a acreditar que Lula possa recuar até a data da convenção. Seria uma crença excessivamente distanciada da realidade.

Ocorre que Marta Suplicy não concorda com a condução da campanha e, se é assim tão festejada como peça fundamental, gostaria de ser ouvida.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Como não é porque suas opiniões fogem ao roteiro escrito por Lula, faz gestos fortes.

E com eles atrai mais a atenção do partido do que se estivesse para cima e para baixo rodando a periferia de São Paulo com Haddad a tiracolo.

E quais os erros que ela aponta?

Primeiro, considera que Lula não levou a sério a hipótese de José Serra ser o candidato do PSDB e resolver fazer uma experiência.

Segundo, acha que de novo ele errou ao incentivar a aproximação com o prefeito Gilberto Kassab que, depois de provocar reação na base petista, ainda deixou Haddad no ora veja ao se aliar a Serra.

Como, de resto, avisara que faria.

Em terceiro lugar, a senadora vê equívocos na política de alianças.

Na opinião dela deveriam ter sido feitos investimentos mais pesados, por exemplo, na coalizão com o PMDB.
Dora Kramer/Estadão

Demóstenes Torres: a queda da última vestal do DEM

 

Justo Veríssimo, genial personagem criação do imortal Chico Anysio - O político sem nenhum caráter, mais atual que nunca.

O que se esperar de um senador que acusado de corrupção busca o apoio de Renan Calheiros?
Para quem já foi a voz mais tonitroante nas denúncias aos mal-feitos da cambada petista, agora, resta a Demóstenes, envolvido nas mais cabeludas transações com a máfia do jogo ilegal no Brasil, quase que unicamente a tarefa de dar uma resposta à sociedade.

Aguardemos o desenrolar dos inquéritos, e vejamos se a antes vestal figura do senador goiano irá ilustar a capa das revistas semanais com o título de “chefe de quadrilha”.

José Mesquita – Editor


A crise envolvendo o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) – e suas agora investigadas relações com Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia de caça-níqueis em Goiás – atinge em cheio um já cambaleante Democratas.

Um dos principais partidos do Brasil (e o único a defender de forma enfática o ideário liberal), o DEM tem sofrido uma agonia dolorosa nos últimos anos.

O processo parece ter se inciado com a morte de Antonio Carlos Magalhães, patrono da sigla, em julho de 2007.

O partido acabara de mudar de nome, deixando para trás o antigo PFL. Já havia sinais de perda de influência. De lá para cá, a legenda entrou em uma decadência assustadoramente rápida.

A tentativa de transição para as gerações mais novas, na figura do então presidente Rodrigo Maia, mostrou-se malsucedida. Isso, somado à alta popularidade do regime lulista e à revelação dos pecados cometidos por figuras de primeira grandeza na legenda, gerou um cenário de esvaziamento: o partido foi perdendo, uma a uma, suas figuras mais promissoras.

Em 2009, a operação Caixa de Pandora desmontou um amplo esquema de corrupção comandado pelo então governador José Roberto Arruda e seu vice, Paulo Octávio, no governo do Distrito Federal.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Até que os desmandos viessem à tona, a dupla vinha transformando a gestão local em uma vitrine para o partido. Arruda e Octávio, favoritos à reeleição no ano seguinte, eram jovens o suficiente para permitir sonhos maiores à cúpula do DEM. Acabaram varridos do mapa.

Restava, então, o prefeito paulistano Gilberto Kassab. A administração da maior cidade do país se tornou o principal posto do DEM no Executivo, já que Arruda era o único governador da legenda entre 2007 e 2010.

Mas, no ano passado, a falta de habilidade de Rodrigo Maia e a ambição de Kassab causaram um racha que motivou o nascimento do PSD.

O novo partido levou um bom pedaço do DEM. Entre outros nomes, o novo partido tirou do ex-PFL outras três  figuras que poderiam significar uma renovação no partido: a senadora Kátia Abreu, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, e o ex-deputado Indio da Costa, vice de José Serra na última eleição presidencial.

Debandada – A influente família Bornhausen acompanhou a debandada de Kassab. Outros nomes tradicionais do partido, como Heráclito Fortes e Marco Maciel, haviam ficado pelo caminho graças a derrotas eleitorais em 2010.

Neste cenário, Demóstenes Torres reinava como a mais promissora figura do partido. Articulado, o ex-promotor de Justiça se mostrava implacável ao cobrar o governo diante de deslizes éticos.

A projeção que o parlamentar acumulou levou alguns colegas a defender o nome dele como candidato do partido à Presidência da República. A ideia era começar em breve a percorrer o Brasil para, aos poucos, deixar o senador conhecido do eleitorado nacional.

Mas isso é passado.

O novo Demóstenes, recluso, foge da imprensa e pede ao antigo rival Renan Calheiros ajuda para não ser cassado. Mesmo se escapar, o parlamentar não conseguirá se recuperar dos danos sofridos pela proximidade com Carlinhos Cachoeira. Com Demóstenes sangrando, torna-se mais evidente a falta de quadros de peso no DEM para reerguer o partido em um futuro próximo.

Além de Demóstenes e do sobrevivente José Agripino Maia (que acumula a função de presidente do partido e líder da bancada no Senado), o reduzido time do partido no Senado é composto por dois suplentes (Maria do Carmo Alves e Clóvis Fecury) e um parlamentar de visibilidade limitada e idade avançada, Jayme Campos.

O único governo comandado pelo partido é o do Rio Grande do Norte. E a governadora Rosalba Ciarlini não empolga os correligionários.

Na Câmara, nomes como ACM Neto e Ronaldo Caiado dispõem de razoável influência. Mas, por ora, falta rodagem a um e a outro para permitir sonhos mais altos aos democratas.

Calvário – O senador Demóstenes Torres foi atingido pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal. As autoridades desmontaram uma extensa rede criminosa comandada por Carlinhos Cachoeira, empresário e controlador da máfia dos caça-níqueis no estado de Goiás.

Foram presos policiais militares, civis e federais que tinham participação no esquema. Mas a maior surpresa veio de conversas entre Demóstenes Torres e Cachoeira, interceptadas pelos policiais. Além de ter recebido do criminoso um presente de casamento no valor de 30 000 dólares, o senador foi flagrado pedindo auxílio financeiro e negociando o uso de um jatinho de Cachoeira.

Novas conversas de Cachoeira reveladas pelo Jornal Nacional desta quinta-feira tornaram a situação do senador ainda mais complicada.

O chefe da quadrilha aparece negociando recursos com comparsas e, em vários trechos, cita o nome do parlamentar. Carlinhos Cachoeira chega a falar em “um milhão do Demóstenes”.

Horas antes, o PSOL entregou ao Conselho de Ética do Senado um pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. E o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra o parlamentar.

Esperava-se que Demóstenes, sempre ágil para cobrar esclarecimentos do governo, se dispussesse a responder às denúncias publicamente.

Em vez disso, tem evitado a imprensa e, desde que as denúncias se agravaram, só se comunicou por uma carta evasiva enviada aos colegas.
Gabriel Castro/Veja

Cracolândia. Do populismo à incompetência. Liberada a tortura

Ao tempo da Liga das Nações tivemos uma conferência (1909) e três convenções sobre “drogas nocivas”, com foco especial no ópio, gerador de duas guerras diante do interesse monopolístico e da indústria farmacêutica. As duas guerras do ópio envolveram China e Grã-Bretanha (1839-42 e 1856-60). A ganhadora foi a Grã-Bretanha.

Na Organização das Nações Unidas (ONU), a principal convenção em face do fenômeno transnacional das drogas foi a de Nova York, em1961. Essa Convenção entrou em vigor em 1964. Na Convenção de 1988, realizada em Viena, comprovou-se que o sistema bancário e o financeiro internacional estavam sendo empregados para circulação e lavagem de dinheiro das drogas ilícitas da criminalidade organizada sem fronteiras.

A esse quadro deve-se acrescentar que nos últimos 25 anos a “guerra às drogas” implicou gastos estimados em US$ 25 bilhões. Mais ainda, nos últimos 20 anos, como comprovam fotografias aéreas e por satélites, nos países dos Andes, a área de cultivo da folha de coca, que representa a matéria-prima para a elaboração do cloridrato de cocaína (pó), continua com a mesma extensão de 200 mil hectares: os plantios andinos migram, mas continuam a atender a indústria da cocaína. Parêntese: a folha de coca é andina.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O panorama acima mostra, pelos múltiplos interesses e sem esquecer que insumos químicos necessários ao refino não são controlados, tratar-se de um fenômeno complexo. E se torna de difícil solução quando envolve a redução da demanda e as políticas sociossanitárias decorrentes do consumo e da dependência química e psicológica.

A situação criada pela aglomeração de dependentes químicos em centros urbanos, com todos os graves problemas decorrentes (crimes, violência, degradação humana etc), levou diferentes países a busca de soluções que atendessem as metas constitucionais de respeito à dignidade humana e aos compromissos internacionais. As primeiras medidas inovadoras e progressistas vieram da Confederação Helvética. A primeira delas, liberação de parques para consumo, restou em absoluto insucesso. As áreas livres de consumo foram ocupadas por gente vinda de outros países e fez-se a alegria dos traficantes, ou melhor, de operadores de redes de abastecimento que colocam traficantes nos denominados “nós da rede para ofertas”.

Dos ambientes abertos, a Suíça passou aos fechados. Os dependentes residentes passaram a receber a chamada “dose-oficial” em locais com assistência médica, primeiro passo tendente a cortar o cordão de ligação umbilical com os nacotraficantes. No ano de 1994, chamou a atenção da comunidade acadêmica internacional o programa sociossanitário implementado em Frankfurt, a quinta maior cidade da Alemanha. As narcossalas, com ações sociais, deram tratamento digno aos dependentes e, logo no segundo ano de implantação, o consumo de drogas pesadas caiu pela metade.

O discurso conservador de que as narcossalas levariam ao aumento do consumo foi desmentido pelas pesquisas realizadas pelas universidades, governo e organismos internacionais de saúde pública. As confederações do comércio e da indústria, na Alemanha, participam do programa de narcossalas e investem milhões de euros todos os anos. A vencedora do Nobel de Medicina, Françoise Barre Sinoussi, acompanhou e recomendou a implantação das denominadas “salas seguras para uso” (narcossalas) na França. Num caso de overdose, segundo cálculo das autoridades sanitárias de Frankfurt, os custos médico-hospitalares para cada usuário foi, quando da implantação das salas seguras de consumo, estimado em 350 euros. Com a queda de consumo, contatou-se economia e um grande avanço no trato humano para a questão da toxicodependência.

Nos EUA, apesar do desagrado do então presidente George W.Bush, continuaram a funcionar, com destaque para Nova York, os centros para emprego de metadona, droga substitutiva e indicada para controlar situação de abstinência por dependentes de heroína. Em outubro de 2011, a Suprema Corte do Canadá entendeu legítimas (constitucionalmente permitido) as políticas sociossanitárias voltadas a restabelecer a dignidade do dependente com a recuperação. Em outras palavras, liberou as narcossalas.

Na Espanha, depois da publicação no jornal de maior circulação do país de uma foto de um drogado, com agulha espetada no pescoço e seringa pendente, chegou-se à decisão de implantar as narcossalas, com resultados marcados por êxitos. Uma outra vertente consistiu em aberturas de comunidades terapêuticas ou centros modelares para tratamento. Um exemplo. Na cidade italiana de Rimini, com o maior porcentual de sucesso em tratamentos no mundo, funciona a comunidade terapêutica de San Patrignano: num grupo de 10 jovens, 7mabandonam as drogas com o tratamento. http://www.sanpatrignano.org/?q=it/ricerca_scientifica_oltre

Com o silêncio do governo federal que possui uma Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin, deram sinal verde e teve início, na quarta-feira 4, o Plano de Ação Integrada Centro Legal, com a ocupação pela Polícia Militar da região conhecida desde o início dos anos 90 por Cracolândia. Conforme escrevi na revista CartaCapital, o tal plano, sintetizado pela Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania de São Paulo e pela Coordenação de Políticas sobre Drogas, está baseado “na dor e no sofrimento” dos dependentes de crack. Dependentes que ocupam a chamada região da Cracolândia em fase de reurbanização e objeto de especulação imobiliária, com incentivos fiscais aos interessados em investimentos.

A polícia militar, já nas ruas, terá a tarefa de evitar a oferta do crack ao dependente e, caso escape o controle, não permitirá o uso no território da Cracolândia. Com os usuários sem acesso ao crack, entrarão na fase conhecida no campo médico por abstinência, produtora de sofrimentos e perturbações mentais. Aí, buscarão, na visão distorcida dos governos municipal e estadual, a rede de saúde para tratamento.

Em outras palavras, busca-se, pela tortura, uma eventual corrida do dependente às autoridades sanitárias, que ainda não possuem um posto no território da Cracolândia.

Com a sutileza de um “bulldozer”, a dupla Alckmin-Kassab substituiu a “tortura da roda” da Idade Média ou a tortura pelo silício, usada ainda por ordens religiosas, pela abstinência forçada e geradora de desumano padecimento.

Esqueceu-se que o Brasil aderiu à Declaração Universal de Direitos Humanos que proíbe a tortura e condena ações cruéis e castigos desumanos e degradantes.

A Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Estado e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos não se opuseram às ações voltadas à imposição de sofrimentos e às ações policialescas contidas no Plano, que resultam em migração de dependentes para outros bairros e reações violentas por parte desses toxicodependentes.

Já é a segunda vez que Kassab fere elementares princípios de direitos humanos. Na primeira vez conduziu à força usuários para desintoxicação em centros de saúde. Depois de desintoxicados estavam livres para voltar à Cracolândia. Agora, e em dupla com o governador do Estado, usa a tortura indireta. Mas, como alerta o especialista Marcelo Ribeiro, “a estratégia não tem lógica. A sensação de fissura provocada pela abstinência impede que o usuário tenha consciência de que precisa de ajuda. Ela causa outras reações, como violência. Além disso, nenhum lugar do mundo está livre das drogas”. O delegado Sérgio Paranhos Fleury e os comandantes do DOI-Codi eram menos sutis que Alckmin-Kassab, pois usavam direto o pau de arara, o trono do dragão e o capacete de choque elétrico. O método, no entanto, era igual ao do plano Alckmin-Kassab: torturar e, pelo sofrimento incontido, obter o resultado desejado.

Em resumo, Kassab começou com a internação compulsória e migrou para a tortura disfarçada. Alckmin e o Tribunal de Justiça, por meio do desembargador destacado para a área de Crianças e Adolescentes, embarcaram na onda do sofrimento.

Num pano rápido. A dupla Kassab-Alckmin executa um plano desumano e com a mais rudimentar das técnicas policiais, ou seja, impedir a oferta de crack acompanhando a movimentação dos consumidores. Enquanto isso, a ministra Maria do Rosário encolhe-se e mergulha no silêncio da conivência.
Por Wálter Fanganiello Maierovitch/Terra Magazine.

Eleições: Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo

Para a Senadora Marta Suplicy, que era uma das pretendentes ao cargo de prefeita de S. Paulo, sua (dela) saída da disputa – atendeu pedido de Lula para abrir passagem para a candidatura de Haddad, do PT – favoreceu a candidatura de José Serra.

A senadora petista declarou que: ”tenho certeza de que, agora mais do que nunca, o Serra está candidatíssimo a prefeito de São Paulo. Acompanhem os movimentos do Alckmin e vocês verão que o Serra também é o candidato do governador. Mas ele vai deixar para anunciar só no finalzinho. O Serra não precisa ter pressa. Ele já tem mídia suficiente.”
O Editor


O efeito foi um tanto retardado. Mas a saída da senadora petista Marta Suplicy da disputa pela Prefeitura de São Paulo e a definição do partido pela candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, já causaram pelo menos uma mudança importante no tabuleiro da eleição municipal na capital paulista.

A intensa movimentação do ex-governador José Serra nos últimos dias passou a ser interpretada como uma evidência de que o tucano está no jogo.

Serra até agora nega insistentemente que será o candidato do PSDB. Mas a prática não condiz com a fala.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Começou a acompanhar, com frequência, o governador Geraldo Alckmin, com quem travou – e perdeu – uma disputa ferrenha pelo controle da sigla no Estado, após ser derrotado na eleição presidencial do ano passado.

Serra saiu da condição de problema, um incômodo interno para Alckmin, e agora surge como solução para os planos do governador.

A desistência de Marta Suplicy, com quem Serra rivalizava na preferência do eleitorado, gerou duas consequências imediatas para os cálculos tucanos.

A primeira: seduz e pressiona Serra para assumir seu nome, num cenário onde as alternativas são novatos desconhecidos da maior parte da população. Sem Marta e ainda longe do período eleitoral, as próximas pesquisas deverão indicar o ex-governador como líder isolado da disputa, com percentual três ou quatro vezes maior que o do segundo colocado.

A segunda consequência: a demonstração de unidade do PT, que abriu mão da realização de prévias, assusta os tucanos, divididos em quatro pré-candidatos que não empolgam. Se Alckmin já buscava uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) – deixando de lado um passado de desavença – a parceria torna-se essencial diante da previsão de fracasso.

Alckmin precisa de Serra tanto para 2012 quanto para pavimentar sua própria reeleição em 2014. O ex-governador é o nome que mais facilmente poderia viabilizar a forte aliança entre as máquinas da prefeitura e do governo do Estado.

De um lado, Kassab já disse que se Serra entrar no páreo não tem como deixar de apoiá-lo. O prefeito é grato ao tucano desde a disputa municipal de 2008, quando Serra não fez campanha para Alckmin, candidato do PSDB.

De outro, no PSDB, se Serra e Alckmin – os dois caciques – decidirem, só restará a resignação aos quatro pré-candidatos (três dos quais são secretários estaduais).

A formação de uma aliança com Kassab protege duplamente Alckmin: consolida um apoio à sua reeleição e evita que o prefeito seja um adversário em 2014.

Kassab tem como opções lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos ou o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Deixar o prefeito solto na largada para 2012, por outro lado, é alternativa duplamente perigosa para Alckmin.

Se o candidato tucano – na hipótese de ser um dos quatro que defendem a prévia – não chegar ao segundo turno, Alckmin ficará com imagem fragilizada. Se chegar, corre o risco de Kassab cair no colo do PT e ver os dois grupos unidos para enfrentá-lo em 2014.

Por isso, a perspectiva para Alckmin é delicada. E Serra pode servir muito bem a seus propósitos. Curiosamente, numa situação inversa à que se viu nos últimos anos, Serra talvez seja hoje mais desejado por Alckmin do que por Kassab. Depois de fundar o PSD, que pode ser tudo, menos antigovernista, não cai bem andar de mãos dadas com um símbolo da oposição.

A construção de uma aliança Kassab/Alckmin, tendo Serra como candidato, poderá, por sua vez, gerar outro efeito no tabuleiro: forçar uma coligação entre o PT e o PMDB, que tem como pré-candidato o deputado federal Gabriel Chalita.

A união entre Kassab e os tucanos desequilibraria o jogo, ainda mais se o recém-criado PSD conseguir na Justiça o tempo de propaganda eleitoral correspondente à sua bancada de 56 parlamentares na Câmara dos Deputados.

O peso de uma aliança PSD + PSDB estimula a criação do outro pólo, PT + PMDB, por mais uma razão. Com um latifúndio de tempo de TV, Serra ganha espaço para fazer algo que já seria esperado dele: federalizar a disputa, que terá no outro lado um ex-ministro da Educação petista.

Desse modo, Serra na raia aumenta o peso e a influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como estrategista do PT.

Lula já foi responsável por tirar do caminho de Haddad seus adversários internos, como a senadora Marta Suplicy.

Caso José Serra concorra, terá nova oportunidade para completar a tarefa: voltar a sondar Chalita e o vice-presidente Michel Temer, líder nacional do PMDB, a desistirem da candidatura própria.

Desta vez, ficará mais difícil negar o pedido de Lula. Ainda mais num momento em que sua luta contra o câncer comove e os aliados evitam lhe causar aborrecimentos.

Por Cristian Klein/VALOR