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Por que Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, que Bolsonaro quer extinguir

Caso seja confirmada a extinção do Ministério do Trabalho no governo de Jair Bolsonaro, conforme anunciou o presidente eleito nesta semana, será a primeira vez em 88 anos que o país não terá uma pasta na área, desde que Getúlio Vargas (1882-1954) a criou após chegar ao poder.História,Política,Emprego,Previdência Social,Brasil,Getúlio Vargas,Ministério do Trabalho,Bolsonaro,Justiça (1)

Hoje, esse ministério é responsável por elaborar diretrizes para geração de emprego e renda, além de emitir documentos e fiscalizar as relações trabalhistas no Brasil, investigando denúncias de trabalho escravo e infantil e o cumprimento da legislação por parte das empresas. Mas sua criação teve outro propósito.

Quando surgiu, em 26 de novembro de 1930, a ideia era que a pasta fosse responsável por intermediar as relações entre trabalhadores e empresários, até então sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura.

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“Era uma política alinhada com o que se pensava então sobre o papel do Estado como um mediador das relações entre grupos e indivíduos”, explica Renan Pieri, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e do Insper.

“Vargas dá um golpe de mestre e assume a dianteira deste processo, estatizando estas relações.”

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A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio foi uma das primeiras iniciativas de Vargas ao assumir o governo por meio de um golpe, após a Revolução de 1930, que culminou com a deposição do então presidente Washington Luís (1869-1957) e o impedimento de que seu sucessor, Júlio Prestes (1882-1946), assumisse o cargo, dando fim à República Velha.

A pasta foi batizada de “ministério da Revolução” por Lindolfo Collor (1890-1942), seu primeiro titular e avô do ex-presidente Fernando Collor de Melo.

“Essa revolução se refere a uma ruptura com a velha oligarquia agrária por meio da criação de um Estado positivista, a instauração de um modelo legal e burocrático que passa a organizar as relações sociais por meio do monopólio da força através de um sistema normativo”, diz Marcelo Nerling, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP).

“O Estado passa a ser o protagonista, baseado na crença de que é possível mudar a realidade social por meio de normas criadas de cima para baixo.”

Nerling explica que não havia na época no Brasil um Estado como conhecemos hoje. “A administração pública só começa a se organizar a partir da década de 1930. Até então, as principais forças do país estavam concentradas nos municípios, comandados por coronéis. Era um modelo descentralizado e patrimonialista, em que não se separava o público do privado.”

Qual foi o impacto da criação do Ministério do Trabalho?
Uma das primeiras medidas do novo ministério neste sentido foi criar uma nova regulamentação da atividade sindical, com critérios para a criação de sindicatos.

Entre as novas regras, estava haver uma única representação para profissionais de uma categoria dentro de uma mesma região, um mínimo de 30 membros, com ao menos dois terços de brasileiros, veto a qualquer manifestação política e ideológica, punições a empresários que impedissem a sindicalização dos trabalhadores e a aprovação da entidade pelo ministério – até então, não se dependia de autorização do governo.

O ministro Collor declarava na época que enxergava os sindicatos como uma forma de mediar os conflitos e tinha como objetivo trazer estas organizações para a órbita do novo ministério para que passassem a ser controladas pelo Estado.

“Vargas queria que os sindicatos se tornassem satélites do governo, politizando as relações entre empresas e trabalhadores”, diz Pieri.

Na época, o Brasil ainda era um país extremamente rural, mas havia uma indústria nascente, que ganha força em reação ao crescente impedimento de importar produtos da Europa a partir da Primeira Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, a abolição da escravatura lançou um grande contigente de mão de obra ao mercado enquanto houve simultaneamente uma chegada massiva de imigrantes a partir do fim do século 19, facilitada pela Constituição de 1891, que, ao mesmo tempo, consagrou o direito de livre associação.

Surge, assim, uma classe de trabalhadores urbanos e de profissionais liberais, e se formam os primeiros movimentos sindicais, que foram reconhecidos e regulamentados em lei ao longo da primeira década do século 20, primeiro para os trabalhadores agrícolas e, depois, para os urbanos.

“Com a formação de uma economia de mercado, foi natural a formação de sindicatos especializados para representar os trabalhadores”, diz Pieri.

Ao mesmo tempo, nas questões relativas a direitos, o regime de Vargas buscava atender reivindicações históricas dos trabalhadores, alinhado com a ideia da outorga dos direitos trabalhistas pelo Estado.

“Vargas havia acompanhado o que ocorreu na Rússia a partir de 1917 com a revolução, quando, em meio ao conflito entre capital e trabalho, o proletariado assumiu o poder. Então, ele, que era um capitalista, sabia aonde isso poderia acabar”, diz Nerling.

“Vargas sabia que, se os trabalhadores fizessem greve atrás de greve para reivindicar direitos, poderiam quebrar o capital. Ele opta por chamar para si a responsabilidade de regular estas relações, cria leis que vinculam os cidadãos. Entrega os anéis para não perder os dedos.”

O que mudou a cada Constituição?História,Política,Emprego,Previdência Social,Brasil,Getúlio Vargas,Ministério do Trabalho,Bolsonaro,Justiça (2)
O ministério teve sob Vargas uma atividade legislativa intensa. Foram lançadas medidas importantes, como a criação da carteira profissional (precursora da atual carteira de trabalho e previdência social), a regulamentação do trabalho feminino e infantil e o estabelecimento de juntas de conciliação de conflitos entre patrões e empregados, que seria um embrião da Justiça do Trabalho, criada pela Constituição de 1934 e que passaria a atuar a partir de 1941.

Ministério criou a carteira profissional, precursora da atual carteira de trabalho e previdência social.
Também se destaca a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões, que mudaram o sistema previdenciário do país. Ainda seriam instituídos o salário mínimo, a jornada de trabalho de oito horas e o descanso semanal, as férias remuneradas e a indenização por dispensa sem justa causa.

Uma das iniciativas de maior peso foi a instituição em 1943 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unificou as leis trabalhistas existentes até então. O dia em que recebeu a sanção presidencial, 1º de maio, passaria a ser o Dia do Trabalho, feriado celebrado até hoje em todo o país.

As décadas após a primeira era Vargas foram marcadas por diversas mudanças nas leis e direitos trabalhistas.

Em 1946, a Assembleia Constituinte convocada após o fim da ditadura, acrescentou novos pontos como o direito à greve e o descanso remunerado aos domingos e feriados.

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) surge em 1966, já durante o regime militar, para proteger o trabalhador demitido sem justa causa com uma conta aberta em seu nome, vinculada a seu contrato de trabalho, na qual são depositados mensalmente o correspondente a 8% do salário.

A Constituição de 1967 instituiu a aplicação da legislação trabalhista a empregados temporários, a proibição de greve em serviços públicos e atividades essenciais e o direito à participação do trabalhador no lucro das empresas, entre outras medidas.

A partir da Constituição de 1988, passam a ser previstos medidas de proteção contra demissões sem justa causa, o piso salarial, a licença maternidade e paternidade, o veto à redução do salário, a limitação da jornada de trabalho a oito horas diárias e 44 horas semanais e proibição de qualquer tipo de discriminação quanto a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. Também foi criado o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), destinado em parte ao custeio do Programa de Seguro Desemprego.

“São políticas criadas e geridas dentro do Ministério do Trabalho, por ele oferecer um corpo técnico e orçamento dentro do governo para discutir essas relações, mas que têm muito mais a ver com o ambiente político de cada época, a pressão popular por mudanças e cada governo do que com o órgão em si”, avalia Pieri.

O economista destaca que a partir dos anos 1990, a pasta assume um papel cada vez mais de fiscalização do cumprimento das normas e leis trabalhistas e na gestão de recursos como os do FGTS e do FAT.

E se o ministério acabar?História,Política,Emprego,Previdência Social,Brasil,Getúlio Vargas,Ministério do Trabalho,Bolsonaro,Justiça (3)Direito de imagem REUTERS Presidente eleito anunciou a extinção do Ministério do Trabalho

Se sua extinção se confirmar, não será a primeira vez que o Ministério do Trabalho será fundido com outras áreas.

Ao surgir em 1930, a pasta também era responsável por indústria e comércio. Em 1960, passa ser Ministério do Trabalho e Previdência Social. Torna-se puramente Ministério do Trabalho em 1974. Em 1990, volta a incorporar a Previdência.

Dois anos depois, passa a ser o Ministério do Trabalho e da Administração Federal e, em 1999, do Trabalho e Emprego. Em 2015, vira mais uma vez Ministério do Trabalho e Previdência Social, até, em 2016, tornar-se novamente apenas Ministério do Trabalho.

Ao tratar do tema, Bolsonaro já declarou em entrevistas que o trabalhador terá de”decidir entre menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego”. “Os encargos trabalhistas fazem com que se tenha aproximadamente 50 milhões de trabalhadores brasileiros na informalidade”, disse à rádio Jovem Pan.

Pieri avalia que, com o anúncio do fim da pasta, surge uma “incerteza jurídica” sobre quem exercerá os papéis que hoje cabem ao ministério. “Isso é uma questão mais importante do que se terá ou não um status de ministério, que é algo secundário.”

Nerling discorda e acredita que a transformação da pasta em uma secretaria sinaliza quais serão as prioridades do novo governo.

“Isso representa uma mudança de paradigma. Quando você dá a uma área status de ministério, diz que as políticas públicas nesta área serão priorizadas. Em um governo, a tomada de decisões ocorre em camadas, e a alteração de status precariza o cumprimento das competências que hoje cabem ao ministério, retira força e abala a eficácia de suas políticas”, diz Nerling.

“Ao dizer que se deve escolher entre trabalho e direitos, o presidente eleito diz que os direitos são um problema, mas isso só é um problema para o capital. Se antes o Estado se posicionava para garantir os direitos dos trabalhadores, agora, ele pesa a mão para o outro lado e passa a priorizar o capital.”

Por sua vez, Pieri destaca que, com a Reforma Trabalhista, passou a prevalecer sobre as leis trabalhistas a negociação entre sindicatos e empresas.

“O fim do ministério pode sinalizar um novo tempo em que o Estado não mais intermedia a relação entre capital e trabalho. Isso teria no futuro o efeito de despolitizar os sindicatos”, diz Pieri.

“Será necessário entender o que o presidente quis dizer com o fim do ministério. Significa um relaxamento da fiscalização e que o governo não está mais pensando nestes problemas ou apenas uma mudança burocrática? Bolsonaro não pode dar uma canetada e tirar direitos, mas temos de debater se alguns benefícios previstos na lei de fato beneficiam o trabalhador.”
BBC

Brasil e corrupção – O vergonhoso lamaçal do Império a Temer

Como o modelo de colonização lançou as bases para a difusão da corrupção, que seguiu encontrando terreno fértil para se manter na esfera pública, alimentada pela falta de punição e pela manutenção de elites no poder.

Quadro retrata a chegada de Pedro Álvares Cabral no BrasilQuadro retrata a chegada de Pedro Álvares Cabral no Brasil

A cordialidade da elite do município de Curuzu enganou Policarpo Quaresma. No início, o personagem central da obra de Lima Barreto chegou a pensar que a intimação assinada pelo simpático presidente da Câmara era apenas uma brincadeira. Mas o documento era uma vingança. Ao se recusar a entrar no jogo da corrupção local, Policarpo se tornou alvo de represálias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No romance de 1911, a corrupção na esfera pública não surge como fenômeno novo, mas aparece como mal característico da sociedade, o qual a República não demonstra interesse em suprir. As represálias sofridas por Policarpo escancaram o uso do patrimônio público para interesses privados.


Roubo das joias da Coroa

Em março de 1882, todas as joias da Imperatriz Teresa Cristina e da Princesa Isabel foram roubadas do Palácio de São Cristóvão. O roubo levou a oposição a acusar o governo imperial de omissão, pois as joias eram patrimônio público. O principal suspeito, Manuel de Paiva, funcionário e alcoviteiro de Dom Pedro 2º, escapou da punição com a proteção do imperador. O caso ajudou na queda da monarquia.


 A República e o voto do cabresto

Em 1881 foi introduzido no país o voto direto, porém, a maioria da população era privada desse direito. Na época, podiam votar apenas homens com determinada renda mínima e alfabetizados. Durante a Primeira República (1889 – 1930), institucionaliza-se no Brasil o voto do cabresto, ou seja, o controle do voto por coronéis que determinavam o candidato que seria eleito pela população.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]


Essa confusão tem sua origem séculos antes da publicação do romance. A ausência de distinção entre público e privado (patrimonialismo) e favorecimento de indivíduos com base nos laços familiares e de amizade (clientelismo) foram características do modelo de colonização aplicado no Brasil.

Tolerada pela Corte e ignorada pela Justiça, a corrupção encontrou, desta maneira, em solo brasileiro, condições propícias para sobreviver e se difundir na cultura do novo país durante a sua formação.

Sem uma ruptura real com as práticas patrimonialistas e clientelistas, depois das duas primeiras grandes mudanças no sistema político – a independência e a proclamação da República – a corrupção continuou ganhando terreno em instituições públicas e no cotidiano brasileiro.

“Desde a colônia, temos um Estado que nasce por concessão, no qual a instituição pública é usada em benefício próprio. A corrupção persiste no Brasil devido a essa estrutura de colonização”, diz a historiadora Denise Moura.


Mar de lama

Até década de 1930, a corrupção era percebida com uma vício do sistema. A partir de 1945, a corrupção individual aparece como problema. Várias denúncias de corrupção surgiram no segundo governo de Getúlio Vargas. O presidente foi acusado de ter criado um mar de lama no Catete.


Varrer a corrupção

Em 1960, o candidato a presidência da República Jânio Quadros conquistou a maior votação já obtida no país para o cargo desde a proclamação da República. O combate à corrupção foi a maior arma do político na campanha eleitoral, simbolizado pela vassoura. Com a promessa de varrer a corrupção da administração pública, Jânio fez sucesso entre os eleitores.


Plantando a semente

Diante da dificuldade de encontrar súditos dispostos a deixar o conforto da Corte em troca de aventuras no território selvagem recém-descoberto, a concessão de cargos foi o mecanismo usado por Portugal para garantir seu domínio e explorar as riquezas da nova colônia.

Para os que aceitavam vir ao Brasil, esses cargos trariam não somente prestígio social, mas, principalmente, vantagens financeiras. Durante o período colonial, o pagamento de propinas a governantes e funcionários reais era uma prática tolerada e até regulamentada por lei.

A colonização com as concessões institucionalizou na sociedade a percepção do bem público como privado. Ao ganhar um cargo público do rei, os beneficiários tornavam-se donos destes postos e, com o aval da Corte, os utilizavam para o favorecimento próprio, além de amigos e familiares.

Essas práticas foram se difundido por todo o país durante os mais de três séculos do período colonial e, com a manutenção da mesma elite no poder depois da independência do país, em 1822, elas continuaram a encontrar um terreno fértil para prosperar.

“A diferença em relação ao Antigo Regime era que a Coroa não concedia mais mercês que implicavam em gastos de dinheiro público. Ela usava apenas a moeda simbólica dos títulos de nobreza para premiar as pessoas. Mas as práticas clientelistas, ou seja, o favorecimento dos amigos à margem da lei, eram vistas pelos chefes políticos como indispensáveis para manter e conquistar apoio político”, afirma o historiador José Murilo de Carvalho.

Pouco mudou neste cenário 67 anos depois da independência, em outro grande momento da histórica política do Brasil: a proclamação da República, em 1889. De acordo com Carvalho, o patrimonialismo e o clientelismo, embora entrassem em conflito como os valores republicanos, continuaram presentes no novo sistema.

“Os valores republicanos, sobretudo a valorização da coisa pública e sua distinção da coisa privada, até hoje não foram totalmente absorvidos no Brasil por ricos ou pobres. A proclamação da República implicou mudança na forma de governo, não nos valores”, ressalta o historiador.

Fontes históricas sugerem, por exemplo, a continuidade da prática de pagamentos de propina, como no caso de concessões para construção de ferrovias durante a Primeira República.


 Ditadura e empreiteiras

Acabar com a corrupção foi um dos motivos usados pelos militares para justificar o golpe de 1964. Ao assumir o poder, porém, o novo regime consolidou o pagamento de propinas por empreiteiras na realização de obras públicas. Modelo que se perpetuou até os dias atuais e é um dos alvos da Operação Lava Jato.


Mesma prática, percepção diferente

Apesar da propagação de determinadas práticas, ocorreu ao longo da história uma mudança na maneira como essas ações eram vistas pela sociedade. Um exemplo seria o pagamento de propina: que foi tolerado no período colonial e que, mais tarde, passou a ser considerado corrupção. Há também uma transformação na percepção da própria corrupção em si.


Caça a marajás

Mais uma vez um presidente que partia em campanha eleitoral prometendo combater a corrupção foi aclamado com o voto da população. Fernando Collor de Mello, que ficou conhecido como “caçador de marajás”, por combater funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos, renunciou ao cargo em 1992, em meio a um processo de impeachment no qual pesavam contra ele acusações que ele prometeu combater.


Mensalão

Em 2005, veio à tona o esquema de compra de votos de parlamentares aplicado durante o primeiro governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que ficou conhecido como mensalão. O envolvimento no escândalo de corrupção levou diversos políticos do alto escalão para a prisão, entre eles, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino.


Lava Jato

A operação que começou um inquérito local contra uma quadrilha formada por doleiros tonou-se a maior investigação de combate à corrupção da história do país. A Lava Jato revelou uma imensa rede de corrupção envolvendo a Petrobras, empreiteiras e políticos. O pagamento de propinas por construtoras, descoberto na operação, provocou investigações em 40 países.


De acordo com a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, a partir da década de 1880, o Império passa pela primeira vez a ser acusado por prática de corrupção, com casos sendo noticiados na imprensa. As acusações dizem respeito, porém, ao sistema – e não ao indivíduo.

A percepção da corrupção associada ao sistema predominou durante o Império e a Primeira República. Segundo Carvalho, nesta época, na visão de quem denunciava a prática, a monarquia ou a república eram corruptas por não promoverem o bem público e serem consideradas despóticas e oligárquicas.

Somente a partir de 1930 começa uma mudança neste entendimento, que culmina na alteração do seu sentido, em 1945, com a criação da União Democrática Nacional (UDN), que passou a associar a corrupção a indivíduos. Anos depois, acusações de corrupção individual resultaram na queda de Getúlio Vargas, acusado de ter criado um mar de lama no Catete.

Mesmo com a mudança de percepção, com indivíduos sendo acusados nominalmente, a corrupção continuou encontrando terreno para se manter presente na esfera pública. Essa persistência, de acordo com especialistas, se deve principalmente à impunidade.

“Outro fator que contribuiu para a situação atual, inédita no que se refere à dimensão adquirida pela corrupção, foi a tradição de impunidade dos poderosos, essa sim, presente desde a Independência, e que atribuo à fragilidade dos direitos civis. Vários privilégios protegem os poderosos, como o foro privilegiado, a prisão especial, as múltiplas possibilidade de recurso e a capacidade de contratar advogados caros”, afirma Carvalho.

Segundo Moura, a impunidade, assim como a corrupção, também faz parte da cultura brasileira e impediu o combate a essas práticas ao longo da história. A historiadora afirma que estão ocorrendo avanços nos últimos anos, mas uma verdadeira mudança ainda deve demorar para acontecer.

“A sociedade avançou muito no sentido de punir, mas não dá para varrer em poucos anos uma cultura. Não devemos esperar que a corrupção, no caso brasileiro, será suprimida da noite para o dia. Para mudar uma mentalidade são necessários séculos”, ressalta Moura.
DW

Aécio Neves e geração de propinas

Aécio Neves neto do – ainda, intocável Tancredo Neves – aguou a conta bancária com a “mincharia” equivalente a uma Mega Sena, pelo canal de desvio das uma Usinas Hidrelétricas de St. Antônio e Jirau.

Aguardem só pra ver quando sair a Lista de Furnas.

E os patos que foram às ruas bradar contra a corrupção vestindo camisas e brandindo faixas com o retrato do ladravaz. Irão bater panelas?

Ou a questão era somente ódio contra a roubalheira da quadrilha do PT?
“Aos amigos tudo. Aos inimigos a lei.”
Como continua atual a frase do ditador Getúlio Vargas.

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Anticomunista e pró-ditadura, autor de impeachment de Vargas vive ‘esquecido’ e recluso

(Jean Manzon)Ex-presidente Getúlio Vargas foi alvo de um impeachment em 1954
Image copyright Jean Manzon

 Sem herdeiros, sua única companhia é a da mulher, com quem vive há cerca de duas décadas em um apartamento no bairro do Leme, zona sul do Rio de Janeiro.

Wilson Leite Passos em nada lembra a figura explosiva que marcou sua polêmica carreira política. Um dos fundadores da antiga UDN (União Democrática Nacional), ele entrou para a história como autor do primeiro pedido de impedimento aberto contra um presidente brasileiro.

O alvo era Getúlio Vargas (1882-1954), acusado de favorecer o jornal Última Horae tentar implantar o que chamavam de “República Sindicalista” no Brasil.

Anticomunista confesso, ele se retirou da vida pública em 2012, ano em que o câncer de intestino que descobrira três anos antes atingiu seu pulmão. Além disso, segundo conta sua mulher, acabou debilitado por um quadro de hidrocefalia (inflamação no cérebro), que afetou sua capacidade cognitiva e motora.

“Ele fala bem pouco e só se alimenta de comida pastosa. Todos os dias, leio o jornal para ele e assistimos à TV juntos. Tento mantê-lo a par dos desdobramentos do impeachment (da presidente Dilma Rousseff), mas ele já não reage mais a nada”, afirmou a mulher de Leite Passos, Maria Rocha, à BBC Brasil.

Uma das figuras mais incendiárias do Legislativo carioca, Passos exerceu oito mandatos não consecutivos como vereador no Rio de Janeiro e um como deputado federal. Sua última legislatura terminou no final de 2008. Tentou se reeleger em 2012, sem sucesso.

“Ele já estava bastante doente por causa da metástase do câncer. Hoje, por causa da hidrocefalia, alterna momentos de alienação e lucidez”, acrescenta sua mulher.

Primeiro pedido de impeachment

Formado em Administração Pública e em Relações Públicas, Leite Passos foi jornalista dos diários Correio da Manhã e A Notícia. Em 1945, teve o primeiro contato com a política, ao envolver-se diretamente na campanha do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência.

Quatro anos depois, organizou e presidiu o Movimento Nacional Popular Pró-Eduardo Gomes, que promoveu a segunda candidatura presidencial do militar.

Para seu desgosto, Getúlio Vargas foi, no entanto, o grande vitorioso, ao que Leite Passos decidiu entrar com um pedido de impeachment contra o então presidente.

Com a Câmara a seu favor, o “pai dos pobres” sobreviveu ao impedimento, mas não à crise política. Pressionado pelos militares após o atentado mal sucedido contra seu arqui-inimigo, Carlos Lacerda, ele suicidou-se em 1954.

Em outubro daquele ano, Leite Passos elegeu-se vereador pela primeira vez. Quatro anos depois, foi reeleito. Exerceu o mandato até 1962, quando a Câmara Municipal foi dissolvida com a criação do Estado da Guanabara, por ocasião da mudança para a capital federal, Brasília.

Pró-ditadura

(Crédito: Câmara Municipal do Rio de Janeiro)Wilson Leite Passos ficou conhecido por posições polêmicas, como a negação do Holocausto

Apoiador do golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o então presidente João Goulart e extinguiu os partidos políticos, decidiu filiar-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), base de sustentação do governo.

Leite Passos criou o Serviço Municipal de Eugenia, que funcionou de 1956 a 1975, oferecendo exames pré-nupciais, pré e pós-natais e orientação psicológica a casais, de forma a obterem “filhos sadios e famílias equilibradas”.

Com a redemocratização, ele voltaria a eleger-se vereador por outras seis vezes.

O restabelecimento do serviço era, inclusive, uma de suas plataformas eleitorais.

O polêmico projeto, conhecido como lei da eugenia, propunha criar privilégios fiscais e educacionais para famílias com pais e filhos sadios, em detrimento daquelas com algum portador de deficiência física ou mental ou com doente incurável. A iniciativa, comparada ao desenvolvimento da raça pura pregado por Adolf Hitler (1889-1945) nunca foi aprovada.

“Ele costumava chegar em casa irritado, dizendo que era uma donzela no meio de prostitutas tentando se manter virgem. Sempre foi muito correto”, defende sua esposa.

Mas não é o que pensam seus críticos.

Servidores antigos da Câmara Municipal contam que Leite Passos tinha “problemas com bebida e costumava assediar funcionárias da limpeza dentro dos elevadores”.

À BBC Brasil, a vereadora Teresa Bergher (PSDB) relembrou as disputas que os dois tiveram no Plenário da casa.

“Passos era um antissemita declarado e tinha posicionamentos atrasados”, afirma a vereadora.

“Quando propus meu projeto de lei para ensinar o Holocausto nas aulas de história da rede municipal de ensino, ele disse que o genocídio dos judeus nunca existiu. Não há dúvida de que era simpatizante do nazismo”, acrescenta.

O ex-vereador sempre negou ser nazista ou racista.

‘AntiNelson’

(WikiCommons)
Getúlio Vargas suicidou-se em agosto de 1954 – Image copyright Wikicommons

No entanto, Leite Passos vangloriava-se de manter azeitada, “pronta para ser usada”, uma pistola Walther, modelo PP, calibre 7.65, presente de “um oficial nazista que lutou na 2ª Guerra Mundial”.

Segundo ele, o revólver teria matado “muito russo, muito comunista”, como disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em 2006.

Nos anos 1950, Leite Passos costumava carregá-la à cintura, com medo de ataques de esquerdistas.

E foi um episódio envolvendo a pistola que o tornou célebre no final daquela década ─ e pelo qual ganhou o apelido de ‘antiNelson’.

Ao fim do terceiro e último ato da estreia da peça Perdoa-me por Me Traíres, escrita e encenada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, Leite Passos teria sacado a arma e gritado: “É um absurdo ceder o Teatro Municipal para um espetáculo com cenas que ofendem o decoro, a boa linguagem”.

O incidente é contado na biografia de Rodrigues, Anjo Pornográfico (Cia. das Letras, 1992), do jornalista Ruy Castro.

O ex-vereador, no entanto, sempre negou a história. Dizia que tudo não passou de uma invenção de Rodrigues.

Questionada pela BBC Brasil, a esposa de Leite Passos confirma que a arma permanece guardada em casa.

“É um objeto de valor sentimental imenso para ele”, diz Maria.
Luís Barrucho/BBC

Genoíno, Getúlio Vargas e cartas medíocres

Leio a carta de renúncia de José Genoíno ao mandato de deputado federal.

A mania de homens públicos no Brasil se arvorarem como literatos nessas cartas que pretendem históricas é patética.

A de Genoíno irá repousar nas gavetas da mediocridade, onde fará companhia a outro “besteirol renunciativo” – ‘d’après’ Odorico Paraguassu – cometido por Getúlio Vargas.

Esse pretendia sair da vida para a história. Aquele do parlamento para o o panteão das vítimas. Ambos obteriam o objetivo se calados permanecessem.


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Tópicos do dia – 15/05/2012

08:54:50
Estadão mostra que a Delta sempre foi uma empresa picareta.
Oportuna reportagem da Agência Estado mostra que a empreiteira Delta sempre foi uma empresa inidônea, que dava golpes na praça, prejudicando inclusive pequenos comerciantes do interior. Em Mauriti, uma cidade cearense de 45 mil moradores, a quase 500 quilômetros de Fortaleza, no sertão do Cariri, moram muitas vítimas da empresa, que tocava um dos principais canteiros da transposição das águas do Rio São Francisco.

Há três anos, a empresa iniciou a obra de um trecho de 39 quilômetros de canal e passou a dar o ritmo do comércio, da política e até da agricultura local. Quando o escândalo veio à tona, no começo de abril, a construtora demitiu 80% dos seus mil operários no município, encostou os 145 caminhões, escavadeiras e tratores e rompeu contrato com as empresas agregadas, que saíram da cidade sem pagar as contas nas oficinas, lojas de autopeças e imobiliárias familiares.

O Estadão mostra que, por causa do calote, a Delta e suas agregadas estão com nome sujo na feira da praça central, nas farmácias, nas mercearias e no setor mecânico. Vendas para diretores das empresas, só à vista.

Na Autopeças Mauriti, o dono proibiu a entrada dos homens do consórcio. Ericon Gomes de Lima, o proprietário, diz que sofreu um calote de R$ 27,6 mil, o que o teria obrigado a demitir um dos quatro funcionários da casa.

“Não foi uma surpresa ver a Delta envolvida nessa história. Eu já tinha recebido cano no ano passado. Voltei a dar bobeira e negociar. Agora, o consórcio me deu um calote de R$ 27 mil”, relata Lima. “Todas as agregadas chegavam para comprar em nome da Delta, que se nega a nos ajudar a receber. É um absurdo porque foi a Delta que trouxe para cá esse comboio de ladrões”, diz, acentuando: “Se meu funcionário rouba, eu sou o culpado.”
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

12:33:13
Congresso vai liberar mineração em áreas indígenas
As reservas indígenas do país poderão ser liberadas para a exploração de recursos minerais, o que hoje é proibido por lei. O tema polêmico ficou no limbo durante quase duas décadas e ressurgiu no início do ano, com a retomada, pelo Congresso, do Projeto de Lei 1.610, que trata da mineração em terras indígenas. Uma Comissão Especial foi criada na Câmara para tratar exclusivamente do assunto.

A previsão é que um substitutivo do texto original seja votado e encaminhado ao Senado na primeira quinzena de julho, para depois seguir à sanção presidencial. A proposta, se for adiante como está, deve alterar radicalmente o mapa da exploração mineral no país.

Segundo o projeto, a entrada de empresas nas terras indígenas ficará condicionada ao pagamento de royalties aos índios que tiverem áreas afetadas pela lavra. A empresa que explorar o minério terá de pagar algo entre 2% e 3% da receita bruta do negócio durante todo o tempo de exploração. Para administrar esse dinheiro, será criado um fundo específico.
A proposta em andamento também altera o modelo de autorização para exploração mineral. Hoje, a permissão de lavra é dada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ao primeiro empreendedor que apresentar o estudo técnico e o pedido de exploração da área, isto é, o critério é a ordem de chegada. No caso das reservas indígenas, essa exploração ficaria condicionada à realização de leilões.
A empresa interessada teria de ganhar uma concessão para explorar a região, a qual teria a sua viabilidade exploratória atestada por levantamentos preliminares feitos pelo governo. A licitação das áreas só ocorreria após a realização de audiências com as comunidades indígenas e a emissão de laudos antropológico, ambiental e mineral, além da emissão da Licença Ambiental Prévia concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
(Transcrito do Valor Econômico)

12:59:59
CPMI do Cachoeira: continua a cínica manobra para ocultar a verdade. Por quê?
Concluio entre governista e oposição pretende selecionar o que os Tupiniquins podem ou não podem saber sobre a lama que deságua cachoeira abaixo. O primeiro passo foi a instituição de sessões secretas. Ou nos mobilizamos, ou a pizza será reduzida a uma empada. Lewmbrem-se: um dos piazzaiolos é o Collor.

14:55:07
Brasil: da série “…e bate o bumbo!”
Dona Dilma, Projeto Carinhoso, Getúlio Vargas e Evita.
Mais um assistencialismo. Não mudou nada desde Getúlio, o famigerado ditador, – criador do execrável Filinto Müller/DIP – que com seu funesto assistencialismo, foi pranteado como o pai dos pobres, transformando o assistencialismo em política de governo. Continuam os clones de Evita. E bate o bumbo, desafinado, da política palanqueira, pra desespero dos ouvidos afinados de Pixinguinha.

15:05:39
O Euro e o Cavalo de Troia
Ah!, como a história da dominação não se alterou com os milênios.
Da Troia de Helena à Grécia do Euro, o circo, o cerco e o círculo permanecem.
Só o cavalo que mudou de forma.

17:13:56
Avião que levava Hollande a Berlim é atingido por raio e volta a Paris.
O avião que levava o novo presidente francês, François Hollande, para a Alemanha foi atingido por um raio e teve que retornar a Paris, informou nesta terça-feira a rede de TV americana CNN.

Hollande, que tomou posse na manhã de hoje, viajava a Berlim para se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel. Após o contratempo, ele já embarcou em uma segunda aeronave e está a caminho da Alemanha.

No entanto, o líder francês deve chegar a Berlim com cerca de uma hora e meia de atraso para o encontro com Merk.
Folha.com 


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Eleições 2010: Fernando Henrique Cardoso faz cobranças ao PSDB

Passada a segunda a terceira sucessão presidencial em que o legado de seu governo não foi defendido pelo próprio partido, Fernando Henrique Cardoso avisa:

“Não estou mais disposto a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história”.

FHC falou aos repóretes Maria Cristina Frias e Vinicius Mota. O resultado da conversa foi às páginas da Folha.

Abaixo, algumas das frases do ex-presidente:

– Serra e o 2º turno: “Serra foi fiel ao estilo dele. Tomou as decisões na campanha, com o [marqueterio Luiz] Gonzalez. Não fez diferente do que se esperaria de Serra como um candidato que define uma linha e vai em frente.”

– Rescaldo de 2010: “O PSDB, e não o Serra, tem outros problemas mais complicados. Precisa ter uma linguagem que expresse o coletivo. Os candidatos esqueceram a campanha e não definiram o futuro. O nosso futuro vai ser fornecer produtos primários? Ou vamos desenvolver inovação, a educação, a industrialização? Isso não foi posto”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

– Aécio e a fila do PSDB: “Eu não posso dizer que passou a primeiro lugar, mas que o Aécio se saiu bem nessa campanha, se saiu. Não posso dizer que passou a primeiro lugar porque o Serra mostrou persistência e teve um desempenho razoável. Não diria que existe um candidato que diga ‘Eu naturalmente serei’ [o presidenciável tucano em 2014]”.

– Sucessão e Método: “O PSDB também não pode ficar enrolando até o final para saber se [o candidato] é A, B, C ou D. Dentro de dois anos temos de decidir quem é e esse “é” tem de ser de todo mundo, tem de ser coletivo”.

– Legado da era tucana: “Não estou disposto mais a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história. Tem limites para isso, porque não dá certo. Tem de defender o que nós fizemos. A privatização das teles foi boa para o povo, para o Tesouro e para o país. Do ponto de vista econômico, as questões estão bem encaminhadas”.

– Lula e 2010: “O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Na cultura política, regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional -a eleição foi limpa. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal”.

– Marketing e eleições: “Nós entramos num marquetismo perigoso, que despolitiza. Hoje a campanha faz pesquisas e vê o que a população quer naquele momento. A população sempre quer educação, saúde e segurança, e então você organiza tudo em termos de educação, saúde e segurança. […] O que nós temos na campanha é a reafirmação dos clichês colhidos nas pesquisas. Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo. O líder muda, não segue.

– Os 16 anos de PSDB X PT: “O que o Chile fez na forma da Concertação [aliança entre Partido Socialista e Democracia Cristã que governou o país de 1990 a 2010], fizemos aqui sob a forma de oposição. Há muito mais continuidade que quebra. O pessoal do PT aderiu grosso modo ao caminho aberto por nós. Isso é que deu crescimento ao Brasil…”

– Lula e o Estado: “A nossa tradição é de corporativismo estatizante, e isso está voltando. É uma mistura fina, uma mistura de Getúlio, Geisel e Lula. O Lula é mais complicado que isso, porque é isso e o contrário disso. Como é a metamorfose ambulante, faz a mediação de tudo com tudo. Lula sempre faz a mediação para que o setor privado não seja sufocado completamente. Não sei como Dilma vai proceder”.

– O governo Dilma: “Não sabemos o que ela pensa, nem como é que ela faz. O Brasil deu um cheque em branco para a Dilma. Vamos ver o que vai acontecer com a conjuntura econômica. Há um problema complicado na balança de pagamentos, um deficit crescente, uma taxa de juros elevada e uma taxa de câmbio cruel”.

blog Josias de Sousa/Folha de S.Paulo

Os filhos e os filhos dos presidentes do Brasil

Na história recente da pobre e depauperada taba dos Tupiniquins, somente os inefáveis Fernando Henrique Cardoso e Lula, não deixaram de oferecer as tetas do nepotismo aos seus (deles) filhotes. Deveriam ter seguido a exemplar conduta de seriedade no trato da coisa pública, dado pelos Generais Presidentes do período do governo militar.

De Castelo Branco a João Figueiredo, passando por Costa e Silva, Médici e Geisel, os exemplos dados pelos generais são dignificantes.
O Editor


Getúlio Vargas tinha filhos quando tomou o poder, em 1930. Cresceram com ele, mesmo na ditadura de 37, mas em momento algum valeram-se dos privilégios do pai. Alzira tornou-se sua secretária particular, acompanhou a trajetória do “patrão”, como o chamava.

Getulinho morreu de poliomielite e o pai não pode comparecer ao funeral: viajou em segredo para Natal dizendo que o futuro o compreenderia. Era 1942 e foi encontrar-se com o presidente Franklin Roosevelt, que voltava do Norte da África, quando acertaram o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lutero, médico ortopedista de renome, alistou-se na Força Aérea Brasileira e foi lutar na Itália.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No governo constitucional iniciado em 1951, teve o apoio de todos, sem que nenhum se valesse de sua liderança para fazer negócios. Maneco cuidava da fazenda, no Rio Grande do Sul, sem apelar para créditos do Banco do Brasil, enquanto Alzira, casada com Amaral Peixoto, governador do Estado do Rio, só atravessava a baía da Guanabara em momentos de crise.

Café Filho tinha um filho adolescente. Quando afastado da presidência, retirou o menino do Colégio São José, dos melhores do Rio, por impossibilidade de continuar pagando as mensalidades. Sabendo disso, os Irmãos Maristas passaram a não cobrar, até a formatura.

Juscelino Kubitschek buscava manter as meninas Marcia e Maristela sob controle, mas certo dia, irritado porque elas exigiam freqüentar bailes, mostrou-lhes a faixa presidencial dizendo: “com esse “trem” aqui eu controlo o Brasil, mas vocês são incontroláveis”.

Jânio Quadros deixava a “Tutu” por conta de dona Eloá, mas rompeu com a filha, recém-casada, porque o jovem marido aceitara o lugar de relações públicas na Volkswagen.

João Goulart era capaz de interromper reuniões ministeriais no palácio Laranjeiras quando o pequeno João Vicente exigia que fossem para o sítio da família, em Jacarepaguá. Denise, menor ainda, gostava quando o pai levava a família para acampar e pescar em Mato Grosso, ele mesmo cuidando das refeições.

Castello Branco, ao assumir o governo, nem por isso chamou para sua assessoria o filho mais velho, comandante da Marinha de Guerra. A filha substituía a falecida mulher, dona Argentina, nos banquetes e recepções.

Costa e Silva adorava os netos, mas o filho, major Álcio, continuava em suas funções no Exército, sem ser privilegiado com comissões e promoções.

Garrastazu Médici trouxe os dois filhos, engenheiros, de Porto Alegre para o Rio, um para secretário particular, Sérgio, outro assessor especial, Roberto. Terminado o governo, ambos retornaram à capital gaúcha, como professores universitários.

Ernesto Geisel era tão rigoroso com a filha única, Amália Lucy, a ponto de exigir que não faltasse a nenhuma refeição em família.

João Figueiredo não gostou quando viu a empresa de publicidade de seus dois filhos crescer no ranking pela abundância de novos clientes, mas alertou para a queda no faturamento assim que deixasse de ser presidente, coisa que aconteceu.

Tancredo Neves não nomeou o Tancredinho para nada, limitando-se a aproveitar o neto, Aécio, como seu secretário particular, sem poupar-lhe reprimendas geradas pelo açodamento da juventude.

José Sarney estimulou Zequinha e Roseana a entrarem para a política, reservando ao terceiro filho o comando dos negócios da família.

Fernando Collor manteve os dois filhos do primeiro casamento afastados do Brasil, estudando na Suíça.

Itamar Franco, divorciado, era cheio de cuidados para com as duas filhas já casadas, que em momento algum valeram-se da influência do pai para alavancar carreira e negócios dos maridos.

Fernando Henrique não conseguiu evitar que o filho Paulo Henrique fosse seduzido por empresários ávidos de participar das privatizações, abrigando-o em suas diretorias. Desiludiu-se ao nomear um genro para a Agência Nacional de Petróleo e assistir o fim do casamento com uma de suas filhas.

Da penca de filhos do Lula, melhor será aguardar para ver como retornarão com ele ao apartamento em São Bernardo, “menor do que uma só sala deste palácio”, como tem repetido. Estas curtas notas servem para lembrar que filhos, é bom tê-los, para presidentes da República. Mas imprescindível, vigiá-los.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

O roubo do cofre de Ademar de Barros não teve participação de Dona Dilma, e até agora não descobri onde ela teria sido presa e torturada

Marreta:

“Helio, quem roubou a amante de Ademar? Quanto havia nesse cofre? O que foi feito do dinheiro: Dona Dilma participou mesmo da operação? E de quem foi a ideia?”

Comentário de Helio Fernandes:

Lógico, Marreta não é nome, mas o assunto é importante. Merece resposta, simples e rigorosamente verdadeira. Sem poder me alongar, mas o suficiente para um esclarecimento, pela ordem das perguntas.

Foi um grupo de estudantes, chamados equivocadamente na época de “guerrilheiros” ou “terroristas”. Tinham conhecimento dos fatos e dos locais, circulavam em grupos que conheciam o “caso” de Ademar de Barros e o “Doutor Rui”. (Nome usado para esconder ou mistificar a relação, naquela época já se gravava muito o telefone, não com a técnica de hoje).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Inicialmente foi apenas UM, mas depois a tarefa se tornou tão difícil que juntou mais 4 ou 5 idealistas, nenhum com objetivo político ou de enriquecimento pessoal.

Ninguém soube ou sabe, principalmente agora, passados 31 anos. Inicialmente foi uma “operação diversão”, pura emoção ou realização. Depois, com a sedução do dinheiro e pela dificuldade da execução, outros aderiram, principalmente os que sequestraram o embaixador dos EUA. Só para refletir: o cofre pesava mais de 400 quilos, estava no interior de uma casa, num bairro privilegiado (Santa Tereza).

O dinheiro, qualquer que seja o total, foi utilizado para financiar a operação anti-ditadura. E os sequestradores tiveram a idéia genial de executar a operação contra o embaixador dos EUA.

Se fosse o embaixador, digamos, da Tanzânia, da França, do Afeganistão ou da Espanha, não haveria nada. Mas os EUA, que sempre disseram arrogantemente, “não negociamos com terroristas”, negociaram imediatamente. E concederam tanto, que o mundo se surpreendeu e os protestos só não foram maiores, porque haviam “tocado na própria carne”.

Para os que não se lembram, não eram nascidos, ou desconheceram e desconhecem os fatos, vejam o comportamento do governo dos EUA. Autoridades importantes da Matriz, telefonaram para autoridades importantes da Filial, com a ordem: “Cumpram tudo da forma como foi exigido”.

Menos de 24 horas depois, telefonavam daqui para lá, protestando e lamentando: “Eles querem que libertemos 39 presos políticos e guerrilheiros, e mandemos ler numa cadeia nacional de televisão, um manifesto contra os que estão no Poder”. (Na verdade falavam em DITADURA, mas não quiseram repetir).

Nem acabaram de receber a comunicação daqui e vinha a ordem: “Já dissemos, CUMPRAM TUDO”. Então, inesperadamente, o cidadão que não sabia de nada, assistiu estarrecido à leitura daquele panfleto oficial contra os que estavam no Poder.

E como naquela época a televisão não tinha muita penetração, o fato apareceria, mas pouco visto. Só que no dia seguinte, (internet nem pensar) na Primeira de todos os jornalões, a foto dos 39 presos políticos sendo embarcados para o exterior. A ordem não era dos sequestradores, e sim dos nossos “AMIGOS DOS ESTADOS UNIDOS”.

A questão da participação de Dona Dilma. Ela não soube de nada na época, foi conhecer o episódio muito depois. Já disse várias vezes, “fui seqüestrada e torturada durante três anos”. Ora, ninguém é TORTURADO POR 3 ANOS. Por dois motivos.

1 – Ninguém suporta. De 1937 a 1945, e depois, de 1964 a 1979, milhares e milhares foram torturados barbaramente, mas não por três anos.

2 – Só grandes personalidade são TORTURADAS por um período como esse. Dona Dilma foi presa sem que ninguém soubesse, e não tinha status ou projeção para ser TORTURADA por esse período.

E na verdade, nas duas ditaduras, só um homem foi TORTURADO SELVAGEMENTE por um período como esse ou até um pouco maior: Prestes, de 1936 a 1940. Outro barbaramente torturado foi Apolônio de Carvalho, de 1969 a 1970.

Prestes, preso por acaso em 1936, menos de 3 meses depois da “Intentona Vermelha”, (despropósito da imprensa daquela época, que tinha mau gosto pior do que hoje) sofreu horrores até 1940. Nesse ano, Stalin mandou um embaixador especial pedir ao ditador Getulio Vargas a libertação de Prestes. (Lógico, o Brasil e a União Soviética já eram quase “aliados” na Segunda Guerra Mundial).

Vargas, o estrategista da insensibilidade, da falta de caráter e do oportunismo, não libertou Prestes. Mas mandou transferi-lo para a Penitenciária da Frei Caneca. Foi construída uma casa de madeira para ele, recebia visitas, correspondência. Cinco anos depois, ali mesmo recebia o CORRUPTÍSSIMO Hugo Borchi para negociar o apoio ao ditador, através da CONSTITUINTE COM VARGAS.

Apolônio de Carvalho, TORTURADÍSSIMO, era importantíssimo. Participou da Revolução da Espanha (de 1936 a 1939), só saiu de lá quando o general Franco (depois, GENERALÍSSIMO, como Fulgêncio Batista em Cuba, sendo que este começou como sargento) tomou o poder que utilizaria por quase 50 anos.

Como conhecia guerra e logo se colocou contra a ditadura em 1964, foi para a clandestinidade, mas acabou preso, e só foi solto e banido do país no episódio da troca pelo embaixador americano.

Não conheço ninguém na História do Brasil que tenha sido tão VIOLENTADO quanto esses dois. E não consegui descobrir nem onde Dona Dilma teria ficado presa e torturada.

***

PS – Dona Dilma não participou de nada, ou não estaria viva. (Não participei das guerrilhas, fui sempre contra, por questões práticas e estratégicas). Os que lutaram BRAVAMENTE eram muito poucos, só iriam reforçar os efetivos da ditadura. QUASE TODOS MORRERAM, LUTARAM EM VÃO, não tiveram nem oportunidade de contestar os que estavam no Poder.

PS2 – Em relação ao episódio do ROUBO DO COFRE, Dona Dilma só falou “MENAS” verdade. Como em outros episódios de sua formação, quando mistificou descaradamente, apresentando números, dados e informações que teve que desmentir.

PS3 – O deputado e ex-ministro Carlos Minc, que participou da operação “amante-cofre-do-Ademar-de-Barros”, teve que desmenti-la publicamente. Minc também participou por pouco tempo, e espertamente, sem se expor muito. Ministro do Meio Ambiente, Minc teve atuação tão ATIVA E POSITIVA, que me surpreendeu.

PS4 – Quem teve a idéia (só ele tinha todos os dados), foi um jovem de 20 anos, riquíssimo, aristocrata, (de vários brasões), morava numa bela mansão da família em Santa Tereza.

PS5 – Em 1972 foi para Paris, onde mora até hoje, estudando e vivendo como gosta. Durante muito tempo escreveu pelo menos duas vezes por semana para a Tribuna da Imprensa. Artigos excelentes e opinativos.

PS6 – Por questão mais do que compreensível, não revelarei seu nome. Se os meios de comunicação não estivessem tão censurados e gravados, poderia consultá-lo. E tenho certeza que diria, “pode publicar, Helio”.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa