A camada pré-sal e a educação

Petróleo Pré Sal Educação Blog do MesquitaDo óleo à educação: uma alquimia possível

A qualidade superior do óleo, atribuída à preservação por uma extensa camada de sal, e a magnitude dos campos descobertos tornam o Brasil uma potência petrolífera.

Saltamos do 24º para o oitavo lugar entre os países com as maiores reservas de óleo e gás natural.

É inevitável, portanto, que as novas reservas provoquem um verdadeiro turbilhão de idéias com relação às oportunidades advindas das descobertas.

Os desdobramentos econômicos são importantes.

Os recursos energéticos são críticos na nova configuração da economia global.

Uma simplificação dessa nova ordem atribuiria aos Estados Unidos, à Europa e ao Japão as novas tecnologias, as mais aperfeiçoadas instituições políticas e as melhores práticas corporativas; a Rússia, a América Latina e a África contribuiriam com os recursos naturais; e o restante da Eurásia, com a mão-de-obra abundante e o excesso de poupança financeira.

Essa divisão de trabalho, uma fotografia da situação atual, não constitui uma perspectiva brilhante de nosso futuro. São portanto legítimas as aspirações de transformar a riqueza potencial em uma oportunidade histórica de reduzir a pobreza por meio de investimentos maciços em educação.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Trata-se de uma alquimia não apenas politicamente desejável mas também economicamente viável. Faz sentido a conversão de recursos naturais exauríveis, parcialmente responsáveis pela riqueza das nações no presente, em recursos humanos mais produtivos, fator crítico de sucesso na futura sociedade do conhecimento.

Mas é importante não colocar a carroça diante dos bois. Em economia, a ordem dos fatores altera o produto. O primeiro passo é obter novos investimentos para transformar a riqueza potencial em aumento de renda efetivo. Serão necessárias centenas de bilhões de dólares para extrair e transportar o óleo recém-descoberto.

Um marco regulatório hostil, o excesso de impostos, uma discriminação a favor de uma nova estatal e contra a Petrobras, que se preparou ao longo de toda a sua história para o desafio tecnológico das águas profundas – ou mesmo contra as petrolíferas estrangeiras -, desestimulariam os investimentos, reduzindo o ritmo de criação de riqueza.

A erradicação da miséria ficaria ainda mais distante.

Com um marco regulatório adequado e uma calibragem razoável de impostos, aí sim se dará o segundo passo. O expressivo aumento de renda nas atividades petrolíferas converte-se então em recursos públicos, por meio dos impostos, o que ocorre em proporção substancial nesse setor em todo o mundo.

Acelera-se a arrecadação de royalties, da contribuição social sobre o lucro, da participação especial e do próprio imposto de renda.

Finalmente, o terceiro passo é a transformação desses recursos públicos em uma das prioridades que hoje é unânime: a educação.

Desapropriar áreas de exploração, quebrar contratos ou criar uma nova estatal em nenhum momento favorece a alquimia de converter óleo em educação.
Paulo Guedes/O Globo

Pré-sal, Quarta Frota Americana e Saddam Hussein

Quando o maluco das arábias tentou mandar no petróleo que tinha sob os pés, torceram-lhe os “grugumí”*!

Tá no Globo – Coluna Panorama Político

MINA – O crescimento da exploração de petróleo no mar do Atlântico Sul será o mais expressivo nos próximos 25 anos. Os dados foram apresentados pelo economista Antônio Barros de Castro em seminário do Ministério da Fazenda.

As estimativas não incluem todo o potencial do pré-sal brasileiro.

Vendida como humanitária, a reativação da Quarta Frota americana tem como principal objetivo garantir a produção de petróleo nessa região.

*Em cearancês significa pescoço.

Amazônia, Evo Morales, Canal do Panamá e o Imperialismo

Mauro SantayanaJornal do Brasil

O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua “independência” até a Revolução de 1959.

No início do século 20, para construir o canal, os americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário. Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional.

Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar.

Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango.

Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita. Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.

A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002, patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista. Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração.

Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.

A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção. Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação.

Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar. O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.

Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.

USA. Um lobo mau muito simpático

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Com todo o respeito, mas, ontem, três leitõezinhos muito fofos entraram por iniciativa própria na caverna do lobo mau. Um lobo mau muito simpático, registre-se, porque serviu café e laranjada.

Falamos da visita que os senadores Eduardo Suplicy, Pedro Simon e Cristóvam Buarque fizeram ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Cliford Sobel.

Foram buscar explicações e até pedir satisfações pela súbita criação da Quarta Frota da Marinha americana, encarregada de patrulhar o litoral da América do Sul e do Caribe.

Como não poderia deixar de ser, ouviram que esse monte de navios e submarinos carregados de mísseis, aviões e de marines vem aí como homenagem aos países amigos, para ajudá-los, se for o caso, a combater o narcotráfico e o contrabando. Foi mera coincidência, disse o embaixador, que a decisão sobre a Quarta Frota acontecesse pouco depois do anúncio, pelo Brasil, da descoberta de imensas reservas de petróleo em nosso litoral.

Quer dizer, o lobo mau mostrou o caldeirão onde serão cozinhados, além dos dentes, e os leitõezinhos agradeceram…

Álvaro Uribe. Mais um de olho num terceiro mandato

Após o rocambolesco resgate de Ingrid Betancourt — aliás, esperemos que a história explique direitinho essa estória. Não impressiona o ar de quem acabou de sair de um spa para quem passou 6 anos prisioneira na selva? — agora, é a vez do presidente colombiano sonhar com um terceiro mandato.

O relativismo da mídia, também espanta. Quando o maluquete das Caraíbas, Hugo Cháves, tentou um terceiro mandato, o mundo democrático desabou sobre o protótipo de ditador. Agora, manifesta a possibilidade de Álvaro Uribe, guindado ao panteão dos heróis andinos, almejar um inconstitucional terceiro mandato, poucos os jornalistas que abordam o assunto. Exceção, até agora, a jornalista Eliane Catanhêde na Folha de S.Paulo.

Los hermanos
De Eliane Cantanhêde:

O venezuelano Hugo Chávez acaba de fazer elogios públicos ao colombiano Álvaro Uribe, a quem chamou de “irmão”. Irmãos eles não são; são frente e verso. Tão diferentes, tão parecidos. Chávez, pró-Cuba, anti-Washington, interlocutor das Farc. Uribe, pró-Washington, anti-Cuba, o presidente que entra para a história por aniquilar as Farc moral, política e militarmente.

Chávez, esfuziante, ocupa as páginas internacionais, enquanto racha a sociedade venezuelana ao meio. Uribe é o oposto: opaco, tem espaços modestos na mídia e isolou-se ao apostar todas as fichas nos EUA e violar o território do Equador contra as Farc. Mas, se Chávez divide, ele uniu a Colômbia como nunca se viu.

Derrotado por unanimidade na OEA (Organização dos Estados Americanos) pela ousada operação no Equador, Uribe teve uma reação de “bom cabrito não berra”: calmo, conformado. Hoje se sabe por quê: a invasão foi um risco calculado. A perda externa seria fartamente compensada internamente. Como foi. Chegou a mais de 80% de aprovação e, com o resgate de Ingrid Betancourt, pode chegar aos 90%.

O mundo inteiro, e as Américas em particular, rechaçaram a tentativa (afinal malsucedida) de Chávez de se eternizar no poder. Mas já pipocam apoios aos esforços do vizinho Uribe para mudar mais uma vez a Constituição e desfrutar um terceiro mandato.

Chávez não podia, Uribe pode. E os princípios democráticos? A alternância de poder? Apliquem-se a um, deixem o outro em paz?

Amazônia. Raposa Serra do Sol – Tribos, não nações!

O “olho grande” das grandes potências que controlam o mundo, não “desgrudam” da Amazônia. Sob as mais sutis insinuações, intenções veladas e movimento subterfúgios, jogam pesado no propósito de retirar a região da soberania nacional.

Uma das ações mais descaradas é utilizar as tribos, por elas nominadas de “nações”, ou ainda mais insanamente, de “povos indígenas”, para justificar a necessidade da internacionalização da região.

Agora, o Papa Bento XVI, recebeu um grupo de índios — viajam financiados por uma das 100 mil ONGS que atuam na Amazônia — e, extrapolando as funções de pastor, “Herr” Ratzinger — “herr” significa senhor — intrometeu-se nos assuntos internos do Brasil.

Para os que não conhecem o Direito Internacional Público, o Papa, além de chefe da Igreja Católica, é também Chefe de Estado, no caso o Estado do Vaticano e, portando, manda a norma diplomática, tácita, que um chefe de Estado não deve opinar sobre assuntos internos de outra nação.

Tribos, não nações!
Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Insurgiu-se Romeu Tuma quando, em debate nesta semana, um de seus colegas referiu-se à existência de nações indígenas incrustadas no território nacional. Para ele, trata-se de tribos instaladas sob a proteção do estado brasileiro, que por sua vez exprime a nação politicamente organizada.

Alertou o senador paulista para o risco de que, se a moda pegar, logo algum organismo internacional proclamará a independência dessas nações, separando-as do território nacional.

Por falar no assunto, o que acharia o leitor caso o presidente Lula recebesse padres ligados à Teologia da Libertação e sustentasse, junto deles, que a missa não deve voltar a ser oficiada em latim, como o Papa Bento XVI acaba de autorizar?

A reação geral seria de que o governo brasileiro não deveria intrometer-se em questões religiosas afetas à Igreja Católica.

Pois a recíproca é verdadeira.

Receber índios da Raposa-Serra do Sol no Vaticano ainda se explica, mas declarar que aquela reserva deve ser contínua e não intermitente é assunto que só a nós interessa…

Petróleo brasileiro na mira da quarta frota dos Estados Unidos

Brasil: da série “Acorda Brasil”

Depois das descobertas de significativas reservas de pertóleo no litoral brasileiro — a serem confirmados os indícios, o Brasil será o quarto maior produtor mundial de petróleo —  percebe-se um inusitado movimento militar nas redondezas da América Latina.

Como diz Zé Bêdêu — o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza —, “aí tem!”

As raposas em volta do galinheiro
Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA – O que pretendem os Estados Unidos, recriando a Quarta Frota de sua Marinha de Guerra para patrulhar os mares do Caribe e da América do Sul, ignorando-se apenas se utilizará o Canal de Beagle ou se precisará chegar ao Pólo Sul para passar do Atlântico ao Pacífico. Desde 1950, quando foi extinta, a Quarta Frota havia sido incorporada à Segunda, encarregada de navegar no Atlântico, entre a África e o continente americano. De repente, ressurge a nova esquadra, com área de ação bem maior.

Terá sido mera coincidência, na hora em que o Brasil anunciou a descoberta de imensas reservas de petróleo ao largo de nosso litoral? Um porta-aviões nuclear de última geração, onze belonaves de diversos tipos e um número não revelado de submarinos movidos à energia atômica parecem um bando de raposas esfaimadas cercando o galinheiro. O galo, coitado, estará limitado a pedir explicações às felpudas, como anunciou o Lula que fará quando se encontrar com a secretária de Estado, Condoleesa Rice.

Ela não cometerá a grosseria de dizer que as galinhas, quer dizer, nós, devemos cuidar de nossos negócios, mas é por aí que o diálogo se desenvolverá, provavelmente na próxima semana, no Japão.

Fazer o quê? A Marinha brasileira, sucateada ao longo dos últimos anos, carece de condições para proteger até as poucas plataformas submarinas estacionadas perto da costa, quanto mais aquelas previstas para funcionar em mar alto. A construção do nosso submarino nuclear mais se assemelha às obras de uma catedral dos tempos medievais, que levavam cem ou duzentos anos para completar-se.

A Nova Roma não hesitou em invadir o Afeganistão e o Iraque, garantindo seu abastecimento de petróleo. Com certeza apoiará um anunciado ataque fulminante de Israel ao Irã. Na hipótese de ainda faltar combustível, nada mais lógico do que apropriar-se das instalações futuras que a Petrobras ou uma nova empresa pública brasileira imagina implantar. E quanto mais demore esse sonho, melhor para os americanos, com as reservas guardadas para eles. Como às galinhas torna-se impossível declarar guerra às raposas, cabe-nos apenas ficar comendo milho. Aliás, milho, não. Etanol…