Quem disse que não compensa?

Na caneta – Dirceu e mensaleiros vão pedir à justiça extinção de penas do mensalão. ‘Cumpanherada’ que roubou o país pode ter as penas extintas

mensaleiros

José Genoino, ao centro, já conseguiu ter sua pena extinta no caso do mensalão.

O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Dirceu, disse que o ex-ministro se encaixa nos pré-requisitos do decreto assinado pela presidente para ficar livre de cumprir o restante da pena sem qualquer tipo de restrição.

Mensalão

A defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, outro condenado pelo STF no mensalão, também esperava a edição do decreto de indulto para avaliar se vai requerer a concessão do benefício. O criminalista Marcelo Bessa, que defende o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR), disse que está em férias e só no seu retorno vai avaliar se o seu cliente pode ser beneficiado.

Os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB), João Paulo Cunha (PT) e Pedro Corrêa (PP), também condenados no mensalão, poderiam se encaixar nas regras do indulto, cujo texto é igual ao editado no ano passado por Dilma. Seus advogados não foram localizados.

Em março deste ano, o ex-presidente do PT José Genoino conseguiu ter a sua pena extinta com base no decreto de 2014.

Em agosto, antes de ser preso na Lava Jato, Dirceu cumpria pena em regime aberto pela sua condenação de sete anos e 11 meses no processo do mensalão. Ele fora detido pelo escândalo anterior em novembro de 2013.

A defesa do ex-ministro pretende alegar que Dirceu se incluiu nas regras previstas no decreto para receber o perdão da pena. “Entendo que ele tem direito e vou requerer no momento oportuno” disse o advogado José Luís de Oliveira Lima.

O ex-ministro, contudo, pode não garantir direito ao benefício por causa dos desdobramentos da Lava Jato. No mês seguinte à sua prisão, Dirceu virou réu após o Ministério Público Federal tê-lo denunciado à Justiça Federal de Curitiba (PR). Em outubro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF a suspensão do direito de Dirceu de cumprir a pena em regime domiciliar pelo mensalão e que voltasse ao regime fechado.

Se Dirceu for condenado pela Lava Jato, o ex-ministro corre o risco de ser questionado uma eventual concessão de indulto.

Regras

Pelo texto do decreto publicado ontem, poderá se enquadrar “um condenado a pena privativa de liberdade não superior a oito anos não substituída por restritivas de direitos ou por multa, e não beneficiadas com a suspensão condicional da pena que, até 25 de dezembro de 2015, tenham cumprido um terço da pena, se não reincidentes, ou metade, se reincidentes”. A pessoa poderá ter direito a perdão da pena mesmo se a condenada responder a outro processo criminal.

Políticos condenados pelo Supremo Tribunal Federal devido a envolvimento no escândalo do mensalão ainda cumprem penas:

José Dirceu: ex-ministro da Casa Civil, filiado ao PT

Crimes: Corrupção ativa e formação de quadrilha

Pena: 7 anos e 11 meses

Valdemar Costa Neto: ex-deputado federal (PR)

Crimes: Corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Pena: 7 anos e 10 meses

Roberto Jefferson: ex-deputado federal (PTB)

Crimes: Corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Pena:7 anos e 14 dias

Delúbio Soares: ex-tesoureiro do PT

Crimes: Corrupção ativa e formação de quadrilha

Pena: 6 anos e 8 meses

João Paulo Cunha: deputado federal (PT)

Crimes: Corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro

Pena: 6 anos e 4 meses
Via Claudio Humberto

SARNEY, CABRAL, DIRCEU, GENOINO, JEFFERSON, DELÚBIO, CUNHA, COSTA NETO, DONADON E HENRY JÁ ESTÃO FORA DA POLÍTICA. MAS E OS OUTROS?

Corrupção NepotismoCom a notícia de que José Sarney e Sérgio Cabral desistiram da política, a Bolsa de Valores deveria ter conseguido uma alta recorde esta terça-feira, mas ficou praticamente estável, como se o afastamento “voluntário” de políticos corruptos não tivesse maior importância.

Juntando Sarney e Cabral com os mensaleiros e outros picaretas já cassados e até presos, como Natan Donadon, temos um time completo, uma verdadeira seleção de políticos venais e de péssimo caráter.

Certamente a Bovespa não teve alta recorde porque ainda falta muito corrupto para ser punido.
São tantos os políticos, governantes e administradores públicos que continuam impunes que a seleção que começamos a citar no título do artigo chega a ser ridícula.
Em matéria de malfeitos (apelido generoso que a ainda presidente Dilma Rousseff dá aos gravíssimos atos de corrupção em seu governo), o Brasil tem especialistas em todas as áreas e pode escalar um número praticamente infindável de seleções, sobretudo se ao lado das cúpulas dos três Poderes incluirmos os que agem a nível estadual e municipal e atuam nos chamados cargos em comissão, aqueles aos quais se pode ter acesso sem ter competência, merecimento ou probidade.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]
Se o presidente pode colocar no Supremo um advogado que não consegue ser aprovado em concurso de juiz e que responde a processos, o que pensar do que acontece com os cargos em comissão? É por isso que somente agora o primo de Rosemary Noronha está sendo demitido do Ministério dos Transportes, onde ocupava cargo em comissão devido a seu “notório saber”.
NADA A FESTEJAR…
Realmente, a Bolsa de Valores não pode festejar nada, se somente agora o Supremo Tribunal Federal decide abrir ação penal contra o deputado Oziel de Oliveira (PDT-BA), ex-prefeito do município baiano de Luís Eduardo Magalhães. denunciado por crimes ocorridos há cerca dez anos, quando autorizou a compra sem licitação de combustível em quantidade suficiente para que os carros da prefeitura dessem uma volta ao planeta diariamente.
Como a Bolsa pode subir diante dessas notícias, se hoje mesmo o Supremo vai mostrar que no Brasil a Justiça tem dono, recolocando Delúbio Soares em seu escritório na CUT, que todos sabem ser uma sucursal do PT, e dando a José Dirceu o direito de trabalhar onde bem entender, para retomar suas milionárias “consultorias”, que é como se chama hoje o antigo tráfico de influência?
E José Genoíno, claro não tarda a sair da Papuda para sua prisão domiciliar, onde poderá desfrutar sua aposentadoria de 20 mil reais e sua Bolsa Ditadura. ambas pagas com dinheiro do povo. E la nave va, impunemente, no país do Carnaval e do Futebol.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Mensalão: Para calar Gilmar, basta que o PT acenda a luz

foto-ministro-gilmar-mendes-perfilNum instante em que os rivais do PT estão ocupados com outros assuntos — o PSDB procura uma gruta para esconder o Eduardo Azeredo e o PSB se esforça para decifrar Marina Silva—, São Pedro e o ministro Gilmar Mendes assumiram o comando da oposição.

Um regula as chuvas. O outro distribui raios que os partam.

Nesta sexta-feira (14), Gilmar trovejou por meio de uma carta enviada a Eduardo Suplicy.

O senador petista endereçara ao ministro do STF um ofício cobrando explicações sobre as suspeitas de Gilmar, que enxergara indícios de “lavagem de dinheiro” nas vaquinhas do mensalão.

“Não sou contrário à solidariedade a apenados”, anotou Gilmar na resposta a Suplicy. “Ao contrário, tenho certeza de que Vossa Excelência liderará o ressarcimento ao erário público das vultosas cifras desviadas – esse, sim, deveria ser imediatamente providenciado. Quem sabe o ex-tesoureiro Delúbio Soares, com a competência arrecadatória que demonstrou –R$ 600.000,00 em um único dia, verdadeiro e inédito prodígio!—, possa emprestar tal ‘expertise’ à recuperação de pelo menos parte dos R$ 100 milhões subtraídos dos cofres públicos.”

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Gilmar escreveu a Suplicy antes de saber que a vaquinha de José Dirceu, último presidiário a inaugurar uma coleta na internet, já amealhou R$ 225,7 mil em apenas 48 horas. Antes dele, José Genoino e Delúbio Soares haviam recolhido cerca de R$ 1,7 milhão. Quer dizer: a solidariedade petista está na bica de ultrapassar a barreira dos R$ 2 milhões.

O PT precisa calar Gilmar Mendes rapidamente.

Sob pena de cometer uma enorme injustiça com a natureza. O sucesso das vaquinhas companheiras é a prova da existência do gene altruísta.

Até aqui, imaginava-se que os espermatozóides generosos, capazes de fazer sacrifícios pelo próximo, sempre chegavam atrás. Dava-se de barato que apenas as células egoístas conseguiam fecundar os óvulos.

O PT não pode permitir que as suspeitas de Gilmar Mendes, claramente um espermatozóide que deu errado, desestimulem as pesquisas científicas para descobrir por que o útero do petismo gera seres tão especiais, tão abnegados, tão solidários.

Na carta a Suplicy, o próprio líder da oposição indicou o que o PT deve fazer para desmoralizá-lo: “Urge tornar públicos todos os dados relativos às doações que favoreceram próceres condenados pela Justiça brasileira, para serem submetidos a escrutínio da Receita Federal e do Ministério Público.”

É simples assim: para silenciar Gilmar Mendes basta que o PT acenda a luz. Ao interruptor, senhores. Rápido!
blog Josias de Souza

Joaquim Barbosa e a prisão dos condenados no processo do mensalão

Não sou um dos que formam nas fileiras de admiradores incontestes do ministro Joaquim Barbosa.

Contudo não concordo que a expedição dos mandatos de prisão no dia de hoje, feriado nacional, tenha outro sentido que não o de fazer cumprir uma decisão judicial.

Mesmo sendo emblemática a prisão dos condenados no processo do mensalão na mesma data da proclamação da República.

Aliás, a repercussão midiática seria maior se os mandatos fossem expedidos em um dia que não fosse feriado.


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Chico Buarque, Genoíno e solidariedade

Nenhuma demonstração de apreço deve ser menosprezada, principalmente nesse universo de desamores em que estamos atolados.

Chico Buarque Genoino Blog do Mesquita

Onde medram gratuitamente ódios e desamores apartados de amizades fraternas. Independente de gostarmos ou não dos protagonistas.

Quem já não se solidarizou com amigos envolvidos em situações não confessáveis, e nem por isso os exilou?

Amigo é o dono de um afeto que deve estar presente nos momentos mais difíceis. Independente dos erros.

Posso não lhe perdoar os defeitos, mas, meu caráter não permite que lhe falte com meu abraço solidário.

Minha admiração ao Chico Buarque, cidadão que ‘expôs a cara a tapa’ em solidariedade ao seu amigo Genoíno.

Espero que tenha sido claro em minha redação do post. Falo em amizade, solidariedade, como as entendo.

Frisei que exteriorizo essa opinião, e tal sentimento, independente de quais sejam os protagonista, ou se tenho, ou não, admiração pelos mesmos. É assim.


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Câmara Federal livra deputado ladrão da cassação de mandato

Ratos de colarinho branco políticos Congresso nacional Blog do MesquitaHoje é impossível haver votos de reflexão para bom dia. A vergonha está de luto.

A Ética e a Vergonha foram enlameadas pela camarazinha do depufedes federais.
A Câmara dos Depufedes não tem moral para absolutamente nada. Se é que há teve algum tempo. Deu uma solene banana para a nação. Está estabelecido um parlamento de cúmplices.

O antro das ratazanas aplicou uma tapa na cara da população brasileira. Um vagabundo condenado com sentença transitada em julgado, condenado há 13 anos, 4 meses e 10 dias por peculato e formação de quadrilha, vai continuar gozando de todos os privilégios comuns aos parlamentares.

Esse bandido corrupto e ladrão vai continuar recebendo o salário de parlamentar na cadeia, e gozando das demais prerrogativas parlamentares.

Ostensivamente – 281 votos por absolvição + abstenções + presentes que não votaram – vagabundos votaram aliados ao bandido. Fica aberta a mesma imoralidade para Genoíno, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto e João Paulo Cunha.
A Constituição Federal, ontem enlameada pelos vagabundos engravatados, é clara no seu art.55 – Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
Parágrafo VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.


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A dosimetria da ditadura e o mensalão

Se você já viu pessoas preocupadas com o tamanho das penas do mensalão, é bom prestar atenção numa coisa.

Tanto Dirceu como Genoíno já foram presos durante a ditadura militar. Eram considerados perigosíssimos por um regime que não respeitava as liberdades nem os direitos fundamentais.

Nenhum cumpriu pena semelhante às que podem receber agora, nesta semana em que o STF volta a definir as penas dos réus do mensalão.

Temos réus, como Marcos Valério, condenados a 40 anos. Um de seus sócios, Ramon Hollerbach, já chegou a 14 anos. Não sabemos até onde isso vai chegar.

(Francamente: nem Suzana Richthofen, que matou o pai e a mãe e fugiu com o namorado para o motel pegou pena tão larga. Nem o Nardoni, condenado por jogar a filha da janela do sexto andar.)

A maioria dos estudiosos calcula que as penas de José Dirceu podem chegar ao infinito. Ele foi condenado 9 vezes por corrução ativa. Se pegar a pena mínima 9 vezes, já são 18 anos. Dirceu também foi condenado por formação de quadrilha. No ambiente de quem condena mais que tem animado debates que poderiam ser mais sóbrios, é difícil imaginar até onde os ministros podem ir.

Muitos observadores calculam que José Genoíno pode ser condenado a 12 anos.

São penas duríssimas, como você já deve ter reparado. Estamos falando da privação de liberdade de pessoas contra as quais não há assim provas “robustas”, para empregar uma linguagem de quem é especialista. Estamos no mundo do plausível, do acredito, do só pode ser assim.

Mas também estamos numa democracia, onde todos tem direito a uma defesa e merecem ser considerados inocentes até prova em contrário, não é mesmo?

Não deixa de ser curioso reparar o que aconteceu com Dirceu e Genoíno, quando foram presos pelo regime militar.

Acusado de integrar o “núcleo político” do mensalão, Genoíno tinha lá sua hierarquia em 1972, quando foi preso na guerrilha do Araguaia. Foi acusado de ser “coordenador e chefe do grupo de guerrilheiros” da região da Gameleira. Esperou três anos para ser julgado e, no fim, recebeu a pena máxima. Sabe quanto? Cinco anos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Na sentença, os juízes militares ainda tiveram o cuidado de explicar que uma pena tão elevada se devia à “periculosidade do criminoso e não do crime.” Contribuiu para a severidade da pena o fato de que Genoíno denunciou ter sido torturado na prisão.

Considerou-se que isso ajudava a definir Genoíno como “fanático guerrilheiro e político perigosíssimo.”
Depois de cumprir três anos de cadeia, Genoíno tentou transformar a pena restante em liberdade condicional. Não conseguiu e ficou preso até o último dia.

José Dirceu foi preso no Congresso da UNE, em Ibiúna, e só recuperou a liberdade porque, no ano seguinte, foi incluído no grupo de presos políticos trocados pelo embaixador Charles Elbrick. Até então, já havia ficado um ano na prisão, sem julgamento.

Não interessava a ditadura levar Dirceu para o banco dos réus. O plano era que ficasse ali, no puro arbítrio.
O único crime de que poderia ser acusado era de tentar reorganizar “entidade extinta”, o que não era grande coisa pelos parâmetros da ditadura. Teve gente condenada por isso que pegou seis meses de prisão. Era tão pouco tempo, na época, que a maioria já tinha cumprido a pena antes do julgamento.

A pena de banimento de Dirceu, anunciada depois que foi trocado pelo embaixador, durou nove anos.
Metade da pena que poderá receber caso o STF aplique a pena mínima para as nove condenações por corrupção ativa – apenas.

E é claro que, no STF, estamos assistindo a um julgamento político.

Como os julgamentos da auditoria militar, num tempo em que o Supremo convivia subjugado com um tribunal que usurpava a mais nobre das funções de um juiz, que é fazer o justo sem ameaçar a liberdade.
Não acho que a Justiça militar seja exemplo de coisa alguma para alguma coisa. Tolerava a tortura, fingia não enxergar execuções, agia com docilidade perante a ditadura. Julgava com provas sem valor legal, pois obtidas sob tortura.

Mas é lamentável constatar que nem um regime que não tinha o menor compromisso com a democracia, considerando-se no direito de suspender as liberdades públicas para combater a “subversão e a corrupção,” aplicou penas tão duras. Uma ditadura, como sabemos, trabalha na lógica da presunção da culpa.

E vamos combinar. De armas na mão, vivendo no meio de agricultores miseráveis do interior do Pará, não havia como negar que Genoíno estivesse envolvido na guerrilha.

Dirceu era candidato a presidente da UNE, fora presidente da UEE. Sua prisão, em Ibiúna, foi um flagrante, digamos assim. A lei era arbitrária, pois proibia uma entidade legítima. Mas a prova existia, certo?
E aí chegamos ao Supremo, em 2102. Temos penas máximas, contra provas mínimas.

Nenhuma história contra José Dirceu fechou. Até agora estão investigando o Banco Central para ver se aparece alguma coisa a mais na atuação de Marcos Valério. Já se passaram sete anos…

Contra José Genoíno, tem-se a dedução de que o pedido de empréstimo que assinou era fajuto. Mas o empréstimo estava lá, registrado, foi renovado, mais uma vez, e outra.

Um ministro já comparou os envolvidos no mensalão com o Comando Vermelho e com o PCC. Outro, falou que eles queriam dar um golpe de Estado. Mais de uma vez, entre uma sentença e outra, ouviram-se ironias sobre o Partido dos Trabalhadores, e até insinuações que envolviam Dilma Rousseff.
Que dosimetria, não?
Paulo Moreira Leite/blog do Saraiva

Tópicos do dia – 17/10/2012

13:54:28
Pretexto para acelerar o fim do julgamento é o tratamento de Joaquim Barbosa na Alemanha; manchetes com as condenações à prisão de José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha poderão ser usadas no último horário eleitoral; no entanto, ministros da corte, como Gilmar Mendes, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello devem rechaçar prisões imediatas

Candidatos da oposição que concorrem ao segundo turno nas eleições municipais, como José Serra, em São Paulo, e ACM Neto, em Salvador, terão um último trunfo antes do segundo turno. Até lá, os ministros do Supremo Tribunal Federal terão concluído a chamada dosimetria das penas e será possível conhecer o eventual tempo de reclusão dos réus do mensalão, como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha. Manchete garantida para os jornais antes do segundo turno e eventual tema a ser explorado nos últimos programas eleitorais.

O pretexto para acelerar o fim do julgamento é um tratamento de saúde que Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470, fará contra suas dores crônicas na coluna, em Dusseldorf, na Alemanha. Ele embarca no dia 29, segunda-feira seguinte ao segundo turno. Ou seja: terá tempo para votar e também posar para fotos com eleitores, assim como fez no primeiro turno.

Sobre o fim do julgamento, os ministros estão otimistas. “Parece que esta e a outra serão suficientes”, diz Marco Aurélio Mello. “Está indo bem, né?”, afirmou Gilmar Mendes. E o próprio Ricardo Lewandowski afirmou que a dosimetria não é um problema difícil de ser resolvido.

Apesar do eventual sopro de esperança para os candidatos da oposição, num ponto eles serão derrotados. O pedido de Roberto Gurgel, procurador-geral da República, para que os réus sejam imediatamente presos, não deve ser acolhido pelo STF, a não ser por Joaquim Barbosa. Isso porque ainda será necessário esperar a publicação do acórdão, que levará 60 dias e os embargos que serão apresentados pelos réus. Ou seja: prisões, se houver, só em 2013.
fonte:blog brasil247


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Mensalão, julgamento e imprensa

Julgamento do mensalão – A festa da condenação
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

Os principais jornais do país celebram na quarta-feira (10/10), com a sobriedade possível, sua vitória no julgamento do processo conhecido como “mensalão”. O ex-ministro José Dirceu, inimigo público número 2 da imprensa, foi condenado como articulador de um esquema de pagamentos a líderes de partidos aliados, nos termos exatos em que fora acusado, nove anos atrás, pelo então deputado Roberto Jefferson, do PTB.

A imprensa comemora a decisão como se representasse a afirmação da maturidade política do Brasil e transforma em heróis os magistrados que cumpriram da maneira que consideraram mais correta sua função institucional.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Entre os vários aspectos técnicos que a decisão jurídica apresenta, e que são selecionados pela imprensa para fundamentar a importância que se dá ao acontecimento, tem posição central a desobrigação do ato de ofício como condição para a condenação por corrupção. Basta que o agente público beneficiado pelo corruptor tenha condições de prestar o favor esperado, para que se configure o crime.

Na fila

Outro detalhe destacado por especialistas consultados pelos jornais se refere à consideração de que, para se configurar o delito de lavagem de dinheiro, basta que o agente suspeite da origem dos valores. A culpabilidade se forma no conjunto das evidências, considerando-se também depoimentos e até mesmo algumas subjetividades, como conversas de cujo teor ninguém, além dos interlocutores, teve conhecimento.

O argumento de que os repasses de dinheiro a dirigentes de partidos aliados nunca configurou um esquema que pudesse ser chamado de “mensalão” caiu por terra na análise desse conjunto, o que demonstra que amadureceu nos últimos meses, por parte da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, a predisposição para transformar esse caso num novo paradigma para o julgamento de denúncias envolvendo agentes públicos.

As consequências para a prática da Justiça são evidentes: deve-se esperar, daqui para a frente, que outros casos semelhantes sejam tratados com igual rigor, e que a condenação de personagens como José Dirceu e a banqueira Kátia Rabello seja um sinal de que figuras de grosso calibre não ficarão impunes no futuro.

Outros banqueiros estiveram nessa fila e receberam tratamento muito diferenciado da mesma corte.

Outros políticos e outro “mensalão” esperam sua vez.

Os jornais também discutem, ainda que superficialmente, as consequências da condenação do ex-ministro José Dirceu para o futuro do partido que ajudou a fundar e do qual foi presidente durante a campanha de 2002, que elegeu o ex-presidente Lula da Silva.

A maioria dos textos faz uma relação direta entre a decisão do STF e as chances do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que vai disputar o segundo turno contra o candidato do PSDB, José Serra, que tem a preferência declarada dos dois principais jornais do estado. No entanto, qualquer coisa que se diga a respeito dessa questão ainda estará no campo subjetivo das opiniões.

Assim como os analistas e os institutos de pesquisa erraram ao prever que Serra disputaria o segundo turno com Celso Russomanno, candidato do PRB, muito do que se diz agora ainda terá que passar pelo teste de realidade. O problema é que a realidade social anda pregando surpresas nos profetas de todo tipo.

A hora dos palpites

A imprensa já dá repercussão a declarações irônicas do candidato tucano, relacionando a decisão do STF a Fernando Haddad. No entanto, essa estratégia pode se revelar inócua, ou, até mesmo, produzir o efeito contrário.

Evidentemente, ao lançar Haddad e conduzi-lo do quase anonimato para a disputa do segundo turno na eleição mais concorrida do país, Lula da Silva demonstra que ainda conta com a admiração da população de renda mais baixa, aquela que mais se beneficiou de suas políticas sociais.

Ao mesmo tempo, ao sacar um candidato que não tem relação histórica com os fundadores do partido – entre os quais aqueles que acabaram condenados pelo STF –, Lula aponta para seus seguidores a possibilidade da refundação do projeto político do Partido dos Trabalhadores, sem o imenso peso da liderança personalista de Dirceu.

Sem os dissidentes mais à esquerda que já se desligaram do núcleo original do PT para fundar suas próprias agremiações, como o PSOL e o PSTU, o projeto socialdemocrata de Lula pode se consolidar junto à nova classe de renda média que compõe a maioria da população e que, segundo o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Partido da Socialdemocracia Brasileira não consegue entender.

A condenação de José Dirceu, José Genoíno e outros antigos líderes do PT pode funcionar como uma catarse capaz de levar a militância de volta às ruas.

No jogo dos palpites, esse é um que precisa ser considerado.