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Gabriel García Márquez – Reflexão

A Desordem da minha natureza

(…) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza.

Descobri que não sou disciplinado por virtude, mas como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma mas um signo do Zodíaco.

Gabriel García Márquez

Ilustração de Oleg Denisenko

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Netflix vai lançar série baseada em “Cem anos de solidão”

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Plataforma anuncia primeira adaptação à tela do famoso romance do escritor colombiano Gabriel García Márquez. Série será rodada na Colômbia, e estreia está prevista para meados de 2020.

A Netflix anunciou que vai produzir uma série baseada na obra Cem anos de solidão, do escritor colombiano e vencedor do Prêmio Nobel da Literatura Gabriel García Márquez. Esse será o terceiro grande projeto em espanhol da plataforma, depois da série Narcos e do filme Roma, vencedor do Oscar 2019 de melhor filme estrangeiro.

A série baseada na obra de García Márquez, que está em fase inicial e será filmada majoritariamente na Colômbia, terá os filhos do autor, Rodrigo e Gonzalo García, como produtores executivos da adaptação. Segundo a Netflix, a equipe do projeto será formada apenas por profissionais latino-americanos.

A plataforma comemorou “a primeira e única vez em mais de cinquenta anos que a família permitiu que o projeto seja adaptado à tela”. Em vida, García Márquez sempre se opôs à adaptação do livro para as telas.

“Durante décadas, nosso pai se mostrou reticente em vender os direitos cinematográficos de Cem Anos de Solidão porque acreditava que não podia ser feito com as limitações de tempo de um longa-metragem, ou que produzi-lo em um idioma diferente do espanhol não faria justiça a ele”, disse Rodrigo García em comunicado.

Para o filho do autor, este é um bom momento para realizar a adaptação para uma audiência global. “Com o alcance da Netflix, acredito que o trabalho, o autor, a Colômbia e o mundo de Macondo chegarão a um público mais vasto”, disse ao jornal colombiano El Tiempo. Ele também adiantou que a série deve estrear em meados de 2020.

Publicado em 1967, Cem anos de solidão usa o estilo conhecido como realismo mágico, misturando fantasia e realidade ao contar a história de sete gerações da família Buendia, começando pelo patriarca José Arcadio Buendía e sua prima e esposa Úrsula Iguarán, no fictício povoado colombiano de Macondo.

A obra vendeu cerca de 50 milhões de exemplares e foi traduzida para 46 idiomas. Seu sucesso é considerado fundamental para o reconhecimento internacional do escritor, que foi um dos principais nomes do boom de autores latino-americano nos anos 1960 e 1970, ao lado do peruano Mario Vargas Llosa e do mexicano Octavio Paz.

Gabriel García Márquez, cujas obras incluem Crônica de uma morte anunciada (1981) e Amor em tempos de cólera (1985), morreu em abril de 2014 aos 87 anos. Ele recebeu o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra.

MO/afp/Lusa/efe

Gabriel Garcia Marques – Reflexões na tarde

Citações
Garcia Marques¹

– Te amo não por quem tu és, se não por quem sou quando estou contigo.

– Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas, e quem as mereça não te farão chorar.

– Só porque alguém não te ama como tu desejas, não significa que não te ame com todo seu ser.

– Um verdadeiro amigo é quem te pega da mão e te toca o coração.

– A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca o poderás ter.

– Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estejas triste porque nunca sabes quem poderá enamorar-se de teu sorriso.

– Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para alguma pessoa tu és o mundo.

– Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.

– Quem sabe Deus queira que conheças muita gente enganada antes de que conheças à pessoa adequada, para que quando no fim a conheças , saibas estar agradecido.

– Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

– Sempre haverá gente que te machuque, assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso com em quem confias duas vezes.

– Converte-te em uma melhor pessoa e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba quem és.

– Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperas.

¹Gabriel José Garcia Marques
* Aracataca, Colômbia – 06 Março 1928 d.C
Prêmio Nobel de Literatura 1982
Leia a Biografia

Gabriel Garcia Marques – Escritor – Biografia

Retrato de Gabriel Garcia Marques

Gabriel José Garcia Marques
* Aracataca, Colômbia – 06 Março 1928 d.C
Prêmio Nobel de Literatura 1982

Gabriel José Garcia Márquez, a quem os amigos chamam de Gabo, nasceu às 9 horas da manhã do dia 6 de março de 1928 na aldeia de Aracataca na Colômbia, não muito distante de Barranquilla.

Seu pai, homem de onze filhos, tinha uma pequena farmácia homeopática, e seu avô materno era um veterano da Guerra dos Mil Dias, cujas histórias encantavam o menino. Costumavam levar o neto ao circo; às vezes se detinha na rua, como se sentisse uma pontada, e com um sussurro, inclinando-se para ele, dizia: “Ay, no sabes cuánto pesa um muerto!” – referindo-se a um homem que matara. Gabo tinha 8 anos quando esse avô morreu: “desde então não me aconteceu nada de interessante.”

A família deixou então Aracataca (a macondo de seus livros) devido à crise da plantação bananeira, e Gabriel estudou em Barranquilla e no Liceu Nacional de Zipaquirá. Iniciou o curso de Direito em Bogotá entre 1947 e 1948, e nessa época publicou seu primeiro conto. Trabalhou como jornalista em Cartagena, Barranquilla e depois em El Espectador de Bogotá, onde fez grandes reportagens e críticas de cinema.

Em 1955 ganhou um concurso nacional de contos e foi enviado especial do jornal à Conferência dos Quatro Grandes, em Genebra; estudou no Centro Experimental de Cinema de Roma e fez uma viagem de três meses aos paises socialistas, radicando-se depois em Paris.

Em 1956 voltou à Colômbia para casar-se com Mercedes Barcha: tem dois filhos: Rodrigo e Gonzalo. Mais tarde trabalhou como jornalista em Caracas e em 1960 foi para New York como representante da Prensa Latina, agência cubana, nas Nações Unidas, indo em seguida para o México, onde viveu seis anos escrevendo roteiros para cinema.

Como influências que considera importante, Garcia Márquez indica as seguintes: Virgínia Woolf, Faulkner, Kafka e Hemingway, do ponto de vista técnico. Do ponto de vista literário, As Mil e Uma Noites, que foi o primeiro livro que leu aos 7 anos, Sófocles e seus avós maternos.