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A ciência por trás da mentira: por que caímos em golpes?

Golpistas combinam sempre os mesmos sete princípios para enganar vítimas

Pessoas menos inteligentes ou com pouca instrução são sempre mais vulneráveis a golpistas que querem roubar dinheiro. Certo? Não necessariamente.

Até o começo deste ano, o laureado professor britânico Paul Frampton – educado em Oxford – lecionava física na Universidade da Carolina do Norte.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Em 2012, o professor foi condenado a cinco anos de prisão por tráfico de drogas. Ele foi vítima de um esquema de golpistas envolvendo um site de relacionamentos. O caso acabou com sua carreira de professor na universidade.

O psicoterapeuta John Worley também não escapou de uma famosa rede de golpistas nigerianos. Ele foi contatado por e-mail por pessoas que se diziam funcionários do governo da Nigéria. No e-mail, os golpistas pediam ajuda para transferir uma grande fortuna para fora do país.

Tudo que Worley precisava fazer era transmitir uma pequena quantia aos funcionários, para que eles liberassem a fortuna. Worley acabou condenado a dois anos de prisão.

Inteligência não protege

Inteligência e experiência não protegem ninguém contra golpes, segundo David Modic, acadêmico da Universidade de Cambridge que estuda a psicologia por trás dos golpes de internet.

Então o que faz alguém ficar vulnerável? O ponto de partida de Modic foi uma pesquisa com mil pessoas – algumas delas vítimas de golpes. Ele conduziu um teste de personalidade com as vítimas, e identificou várias características em comum.

Algumas dessas características parecem óbvias para qualquer vítima de golpe, como a falta de autocontrole. Mas alguns traços de personalidade geralmente vistos como virtudes – como confiança na autoridade ou desejo de ser amigável – também são mais presentes entre as vítimas de golpes.

Psicólogos podem estar percebendo esses traços só agora, mas os golpistas já sabem disso há muito tempo. Uma forma de convencer as vítimas é fingir que ambos possuem algum conhecido em comum. Quando isso não funciona, outro disfarce eficaz é o de autoridade – alguém como um médico ou advogado.

O pesquisador em assuntos de segurança e privacidade da Universidade de Cambridge, Frank Stajano, também estudou os truques na manga de golpistas. Em seu trabalho, ele contou com a colaboração de Paul Wilson, um mágico que presta consultoria a cassinos.

Alguns sites falsos de relacionamento exploram desejos das suas vítimas

Wilson também é roteirista do programa de televisão da BBC The Real Hustle (“O verdadeiro golpe”, em tradução livre), no qual ele coordena uma equipe que aplica golpes diversos em pessoas comuns. O objetivo do programa é conscientizar as pessoas sobre os perigos dos golpes, e todo dinheiro “ganho” é devolvido imediatamente.

Sete princípios

Stajano logo percebeu que o programa sempre usa os mesmos sete mecanismos de convencimento. Três destes também coincidem com os identificados por Modic.

O primeiro é o “princípio do tempo” – os golpistas sempre convencem suas vítimas a agir rápido, “antes que seja tarde demais”. Assim eles conseguem colocar pressão, sem ter tempo para raciocinar com lógica ou exercer qualquer tipo de auto-controle.

Golpe do ‘e-mail’ nigeriano transforma vítima em cúmplice do crime

Outros dois princípios são o de obediência à autoridade e a “mentalidade de manada”. Ambos servem para convencer a pessoa de que seus atos são legítimos. As pessoas têm tendência de sempre se comportar como aqueles a seu redor.

Mas Stajano diz que ainda há outros quatro princípios.

Um deles é o da distração – fazendo com que as pessoas não percebam que estão sendo vítimas de um golpe. Um exemplo é roubar um carro em uma garagem usando um uniforme falso de manobrista. Muito comum nesse caso é o uso de algum tipo de golpista assistente muito atraente sexualmente, como forma de distrair a vítima.

O quinto princípio listado pelos especialistas é o do desejo – golpitas percebem o que as pessoas querem ter e jogam com isso a seu favor. Esse é o segredo de muitos sites de relacionamentos que na verdade são golpes. Em busca de um relacionamento, as pessoas são atraídas por fotos de belas mulheres ou homens.

O sexto princípio é o da desonestidade. Muitas pessoas estão dispostas a infringir um pouco as regras para ter algum benefício. É isso que está por trás do golpe do e-mail nigeriano, no qual a vítima vira cúmplice dos criminosos. Isso dificulta posteriormente a busca por ajuda por parte da vítima, já que ela também cometeu um delito e pode ser punida.

O último dos princípios é o da caridade – pessoas que usam simpatia com o sofrimento dos demais para extorquir dinheiro. Isso pode ser feito por pessoas que se fazem passar por instituições de caridade.

Truque velho

Stajano diz que o fascinante do mundo dos golpes é que a maioria deles existe há séculos – e as pessoas continuam caindo neles.

Maioria dos golpes existe há séculos – sempre com roupagens diferentes

O golpe do e-mail nigeriano parece ser um produto da era digital, mas, segundo o pesquisador, ele existe desde o século 16. Na época, havia o golpe do “prisioneiro espanhol”, em que uma pessoa mandava uma carta a outra pedindo uma contribuição para ajudar a soltar um suposto aristocrata espanhol preso. Quando liberado, o aristocrata recompensaria a vítima com uma vasta fortuna.

O professor de Cambridge afirma que muitos sistemas criados por especialistas em segurança ignoram a “psicologia dos golpes” – e por isso fracassam.

“Muitos profissionais do ramo de segurança pensam: as pessoas são o problema – meu sistema é perfeito e super-seguro, desde que as pessoas aprendam a se comportar”, diz Stajano. Para ele, os sistemas de segurança e proteção precisam prever e antecipar o comportamento real das pessoas.

Muitos desses princípios são inevitáveis por serem parte da natureza humana. A obediência à autoridade é uma virtude necessária para se conviver em sociedade. Também o “comportamento de manada” é importante em qualquer relação comercial – todos confiamos em lojas online porque vimos outras pessoas comprarem e receberem seus bens com segurança.

O curioso caso do milionário russo do Instagram que nunca existiu

Boris Bork tinha tudo, ao menos quando o assunto são bens materiais: andava de carros de luxo, comia em restaurantes premiados, tinha seu próprio helicóptero e, pelo jeito, vários dígitos em sua conta corrente.

Boris Bork, de roupão, em imagem postada no Instagram“Tomando um delicioso café da manhã. Hoje é um dia maravilhoso!”, diz a legenda desta foto publicada no Instagram de Boris Bork
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

Ele gostava de mostrar tudo isso no Instagram, compartilhando sua vida de moscovita milionário com seus mais de 18 mil seguidores. Chegou até a aparecer em um clipe de uma conhecida banda russa.

Parecia ter a vida que sonhava. Mas nem tudo que reluz é ouro – especialmente nas redes sociais.

A verdade é que Boris não era real, e sim um experimento de dois amigos que queriam provar que não é preciso ter muito dinheiro para criar um personagem que viralize na internet.

Foto de Boris Bork publicada no InstagramBoris Bork era um sucesso no Instagram: tinha mais de 18 mil seguidores
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM
Boris Bork em restaurante, em outro clique para o InstagramO “milionário” é, na verdade, o aposentado Boris Kudryashov
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

O consultor de marketing Roman Zaripov, de 23 anos, disse que a ideia surgiu depois de ler um artigo sobre o preço para criar uma estrela das redes sociais – segundo ele, o texto dizia que o valor poderia chegar a até oito dígitos.

Convencido de que poderia fazer isso por muito menos, procurou na rede social russa VKontakte alguém de meia idade – e que tivesse uma aparência “fresca” – para encarnar o papel de um milionário fictício.

Foi assim que encontrou Boris Kudryashov, um aposentado disposto a participar do experimento.

Eles passaram vários finais de semana tirando fotos e publicando no Instagram até transformar Kudryashov – que recebe apenas uma modesta pensão de US$ 195 mensais (R$ 616) – no milionário Boris Bork.

O plano incluiu até o envio, por Zaripov, de uma notícia falsa aos gestores da VKontakte.

Boris Bork em pose para o InstagramChofer para abrir a porta: vida de milionário –Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM
Boris Bork em loja para foto no Instagram“Escolhendo meu terno para a noite de hoje” era a legenda para esta foto
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

As fotos refletem um estilo de vida cheio de luxos e prazeres que corresponderia ao de uma pessoa com uma abastada conta corrente e de personalidade pretensiosa. Mas tudo não passava de um experimento social.

Zaripov disse que a conta recebia 30 mensagens diárias, algumas delas com sondagens para anunciar produtos e marcas de roupas em seu Instagram ou para o envio de presentes em troca de publicidade.

Roman Zaripov e Boris KudryashovRoman Zaripov (à dir.) com Boris Kudryashov em foto não publicada no Instagram – Image copyrightROMAN ZARIPOV

A revelação

Depois de seis meses, o jovem revelou em um post no Facebook a verdadeira história do famoso milionário.

“Me surpreendi como, gastando apenas US$ 800 (R$ 2,5 mil) em dois meses, pude fazer com que dezenas de milhares de adultos acreditassem em uma pessoa que não existe”, disse Zaripov.

O que mais o surpreendeu, segundo ele, foi a facilidade de enganar as pessoas, que “deveriam comprovar a veracidade da informação (que se publica nas redes sociais), e não parecem fazê-lo”.

Boris Bork exibe seus músculos no InstagramBork ganhou mais de 18 mil seguidores no Instagram em poucos meses
Image copyrightBORISBORK/INSTAGRAM

Nos últimos meses, algumas celebridades têm externado reticência quanto ao uso excessivo das redes sociais.

“Isso tem um grande impacto na autoestima das mulheres jovens, porque tudo o que fazem é criar uma imagem de si mesmas para agradar as pessoas. E isso vem acompanhado de que? Transtornos alimentares”, disse a atriz Kate Winslet.

A roteirista, diretora e atriz Lena Dunham decidiu deixar as redes sociais depois de receber uma série de comentários ofensivos que, segundo ela, “criam uma espécie de câncer dentro de você”.

Inspiração italiana

A inspiração de Zaripov para criar Boris Bork foi o milionário italiano Gianluca Vacchi – este real.

Gianluca Vacchi em foto postada nas redes sociaisGianluca Vacchi tem milhões de seguidores no Instagram
Image copyrightGIANLUCAVACCHI/INSTAGRAM

As publicações de Vacchi, de 49 anos, viraram um fenômeno do Instagram.

Em um de seus vídeos, que já acumula mais de três milhões de visualizações, ele aparece dançando a música La Mordidita, de Ricky Martin, em um enorme iate – ao lado, sua noiva de vinte e poucos anos, Giorgia Gabriele.

Vacchi é um empresário com investimentos em vários ramos – e dono de um estilo de vida extravagante. Assim como o fictício Boris Bork, que dizia querer “propagar a boa vida e sua forma de ver o mundo”.

Mas, ao menos neste caso, a fortuna é de verdade.

Pressionada, Câmara deverá afrouxar lei de repatriação

Estados e municípios querem abocanhar cerca de 26 bilhões de reais trazidos do exterior

Aprovada no início deste ano, ainda durante a gestão Dilma Rousseff, a lei 13.254/2016 anistia crimes de falsidade ideológica, sonegação e evasão de divisas todas as pessoas que repatriarem dinheiro que estava escondido em bancos no exterior desde que paguem multas e o imposto devido sobre toda a movimentação financeira entre os anos de 2010 e 2014.

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A proposta que deverá ser analisada pela Câmara (PL 2617/2015) prevê que as tarifas só serão cobradas sobre o valor registrado no dia 31 de dezembro de 2014. Além disso, amplia para 16 de novembro o prazo para quem quiser aderir ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária — atualmente a data-limite para adesão é 31 de outubro. As alterações não são bem vistas por procuradores da República e técnicos da Receita Federal.

Quando foi aprovada, a lei da repatriação estimava obter entre 11 bilhões e 40 bilhões de reais em impostos e multas exclusivamente para a União. Agora, se as mudanças forem aprovadas, a estimativa é que o valor chegue a 80 bilhões de reais. Até a última semana, a Receita Federal já havia registrado acordos que chegavam ao valor aproximado de 12 bilhões de reais.

Nas últimas duas semanas os governadores se revezaram em uma espécie de périplo a Brasília. Ao menos 20 deles estiveram na capital federal para se reunir com as bancadas parlamentares de seus Estados, com opresidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o relator da mudança legislativa, Alexandre Baldy (PTN-GO), além de membros do governo Michel Temer, como os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Governo) e Henrique Meirelles (Fazenda).

A cobrança é para que parte do que a União arrecadar seja dividido com Estados e Municípios.

O projeto que está sob análise do Legislativo prevê que a arrecadação de até 25 bilhões de reais com a repatriação será destinada apenas para o Tesouro Nacional. Acima dessa quantia, qualquer centavo que entrar nos cofres será dividido da seguinte maneira: 51% para a União e 49% para Estados e Municípios. Ou seja, se atingir a otimista estimativa de 80 bilhões de reais, os outros entes federativos arrecadariam cerca de 26 bilhões de reais.

“Como estamos no meio de uma crise, os governadores já notaram que a única ajuda financeira que poderão ter da União é essa. Por isso, insistem tanto nessa mudança na lei para aliviar os seus caixas”, afirmou o relator da proposta, o deputado Baldy.

Inicialmente, a gestão Temer estava cautelosa em se posicionar oficialmente sobre essa questão. “Respeitamos as decisões soberanas do Congresso Nacional. Se for votado, se for feito um aperfeiçoamento da lei, será muito bem-vindo. No entanto, caso não seja votado, também a lei atual é adequada, já existe um número bastante substancial de contribuintes que estão fazendo suas declarações”, afirmou o ministro Meirelles, da Fazenda.

Na última semana, porém, o porta-voz da presidência, Alexandre Parola, deixou clara a intenção do Palácio do Planalto. “No que diz respeito a substância da matéria [alterações na lei da repatriação], o Governo é favorável às mudanças, bem como a que se encontre uma solução que contemple as demandas dos governadores dos Estados”, disse Parola.

Oposição e desarticulação

As mudanças já encontraram ao menos três fortes opositores: técnicos da Receita Federal, membros da força-tarefa da Operação Lava Jato e um grupo de procuradores do Ministério Público Federal ligados ao procurador-Geral, Rodrigo Janot.

Os opositores entendem que o cálculo sobre os valores registrados apenas em dezembro de 2014, o que foi chamado de foto, seria incompatível com as regras nacionais e defendem que a multa e o imposto deveriam ser calculados sobre a movimentação de quatro anos, o que foi batizado de filme.

“É injusto do ponto de vista do interesse público, porque o indivíduo que esgotou seus ativos e só deixou uns trocados na conta só vai pagar pelos trocados, e não por aquilo que consumiu ao longo dos quatro anos anteriores”, alertou o secretário de cooperação jurídica internacional do Ministério Público Federal, o procurador Vladimir Aras, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Os representantes da Lava Jato e do MPF também afirmam que as mudanças trazem o severo risco de se beneficiar criminosos. “Outra sugestão muito perturbadora, veiculada na imprensa, é a possibilidade de anistia inclusive para aqueles que já foram condenados por crimes relacionados aos recursos a serem repatriados, desde que o processo não tenha transitado em julgado. Se aprovada, tal medida impactaria profundamente situações de lavagem praticadas por centenas de doleiros há décadas”, diz uma nota da força-tarefa da Lava Jato que pede a rejeição da matéria pelos deputados.

O MPF também emitiu uma nota técnica para refutar as teses propostas apresentadas pelo relator Baldy. Contudo, o principal ponto criticado pelos procuradores, que era permitir que servidores públicos e políticos pudessem repatriar os recursos, acabou sendo retirado da proposta final.

Na semana passada, depois de aprovar em primeira votação da PEC 241, que trata dos gastos públicos, os deputados tentaram votar a nova lei da repatriação. Não conseguiram porque a base de Temer acabou se ausentando dos debates e não havia um quórum mínimo para votação.

O presidente da Câmara tentou costurar um acordo com todas as bancadas, mas membros do PT se negaram a assinar a proposta e, como os governistas não estavam articulados, o projeto não foi votado. Nas próximas semanas, no entanto, a tendência é que a política deverá prevalecer sobre os dados técnicos.

Afonso Bentes/El país

PF desarticula quadrilha que prometia fraudar urnas eletrônicas

Envolvidos cobravam R$ 5 milhões para burlar eleição para prefeito e R$ 600 mil para adulterar votos para vereador.

Em abril, a Revista Congresso em Foco alertou para a vulnerabilidade das urnas. O TSE, porém, afirma que sistema é totalmente seguro

A Polícia Federa deflagrou nesta terça-feira (13) a operação Clístenes, em três estados e no Distrito Federal, para desarticular uma organização criminosa que prometia a candidatos fraudar urnas eletrônicas nas eleições municipais deste ano.

Envolvidos cobravam R$ 5 milhões para burlar eleição para prefeito e R$ 600 mil para adulterar votos para vereador. Três pessoas foram presas, duas no Distrito Federal e uma no Rio Grande do Sul.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo o delegado da PF Fernando Casarin, os criminosos prometiam devolver 100% do dinheiro aos clientes, caso a fraude não fosse confirmada. Porém, ao longo das investigações, segundo o delegado, foi possível constatar que se tratava de estelionato, já que o grupo não teria meios para efetivamente fraudar as urnas eletrônicas.

“Eles alegavam que a alteração seria feita através da empresa que supostamente oferecia o software pela Justiça Eleitoral. No entanto, o software em questão é produzido pela própria Justiça Eleitoral”, explicou o delegado.

A investigação teve início há cerca de um mês e meio, depois que um prefeito da região metropolitana de Porto Alegre foi contatado pelos criminosos que ofereciam o serviço. Ele fez uma denúncia à PF, que o orientou a manter contato com os criminosos para, assim, identificar os envolvidos e a forma como agiam.

Na manhã desta terça, além dos três mandados de prisão preventiva, dois em Brasília (DF) e um em Xangri-lá (RS), foram cumpridos também três mandados de condução coercitiva, em Xangri-lá, Canoas (RS) e Piripiri (PI). Outros cinco mandados de busca e apreensão ainda foram cumpridos em Canoas, Xangri-lá, Goiânia (GO) e Brasília. Um dos alvos de prisão preventiva em Brasília não foi encontrado e está foragido.

Segundo a PF, a investigação continuará. Caso seja identificado algum candidato que tenha comprado o serviço, os compradores também serão indiciados.

Alerta

Em abril deste ano, a Revista Congresso em Foco alertou para a vulnerabilidade das urnas eletrônicas. Na ocasião, especialistas identificaram falhas no sistema de áudio utilizado por deficientes visuais na hora da votação. A liberação do recurso de áudio na urna é feita pelo presidente da seção, que pode “ouvir” os votos não apenas dos eleitores com deficiência visual, mas de todos os demais votantes daquela seção.

“O maior risco é a habilitação e a captura da saída de áudio durante a votação de um eleitor ilustre, cuja quebra do sigilo do voto possa ser utilizada para fins políticos”, exemplifica Diego Aranha, um dos responsáveis pela pesquisa.

Segundo a Secretária de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, a urna eletrônica possui mecanismos de segurança que garantem que somente os programas gerados na cerimônia de lacração possam ser executados com status de aplicação oficial. Durante a cerimônia, os programas são inspecionados, fazendo que não seja possível gerar um programa malicioso para fraudar a eleição.

Por outro lado, em março, o então presidente do TSE, Dias Tóffoli admitiu que o sistema de voto eletrônico tem suas falhas, mas ressaltou que a área de tecnologia do tribunal contornará os problemas “facilmente”, muito antes das eleições.

Segundo ele, todas as sugestões apresentadas pelos técnicos que apontaram as vulnerabilidades este ano serão consideradas. “Sabemos que houve alguns testes em que se obteve algum tipo de descoberta de vulnerabilidade.

Nestes casos já estamos preparando as devidas soluções para serem apresentadas”, afirmou o ministro em entrevista coletiva em março, logo após o teste público.
Congresso em Foco

Mitsubishi admite ter fraudado dados de consumo em mais de 600.000 veículos

 A Mitsubishi Motors, sexta maior empresa automobilística do Japão, admitiu, na manhã desta quarta-feira, ter manipulado os dados de testes de emissões de gases de até 625.000 veículos com o objetivo de apresentar taxas de consumo de combustível melhores do que as obtidas na realidade.

O presidente da Mitsubishi Motors, Tetsuro Aikawa.

 Tratou-se, segundo o presidente da companhia, Tetsuro Aikawa, de uma ação “premeditada”. Não só se falsificaram os resultados dos testes, como também nem sequer seguiram os protocolos definidos pela legislação japonesa.

O escândalo afeta quatro modelos de carros pequenos. Dois deles são da própria Mitsubishi, o eK Wagon e o eK Space, e os outros dois (DayZ e DayZ Roox) foram produzidos para a Nissan.

A fraude foi descoberta por esta última empresa, também japonesa, que percebeu que os seus dados sobre emissão de gases não batiam com os da Mitsubishi.

Os números da Nissan mostravam que a eficiência energética se situava em torno de 7% abaixo do informado pela Mitsubishi. Depois de realizar uma investigação interna, o fabricante concluiu que os dados haviam sido manipulados.

“Pedimos as nossas mais sinceras desculpas a todos os clientes afetados”, disse Aikawa, em entrevista coletiva dada ao lado do ministro dos Transportes do país asiático. “Um dos nossos clientes, a Nissan, descobriu as diferenças entre os dados divulgados e os reais e nos pediu para corrigirmos os nossos números”, acrescentou.

“Continuaremos a investigar para saber o que aconteceu e quem são os responsáveis”. Akinawa destacou também que “considerando a gravidade do caso”, a empresa irá rever todos os dados sobre consumo de energia de outros veículos exportados para outros países, cujos procedimentos para testes variam conforme a legislação local.

A Mitsubishi afirmou em nota que o problema foi detectado nos veículos produzidos desde meados de 2013 e que está avaliando se os veículos vendidos fora do Japão também foram afetados.

Trata-se de modelos pequenos, com motores à gasolina de até 660 centímetros cúbicos, que obtiveram grande sucesso no mercado japonês, mas cuja receptividade foi fraca em outros países.

Aikawa pediu desculpas aos consumidores e aos acionistas, prometeu pagar indenizações e anunciou a suspensão da produção e da venda desses modelos.

A fraude nos testes se deu por meio de uma alteração da pressão do ar utilizada nos pneus, o que repercutiu nos dados sobre consumo de combustível divulgados pela empresa para as autoridades japonesas, informa Kyodo.

A empresa não precisou quantos funcionários poderiam estar envolvidos no escândalo, mas prometeu criar uma comissão independente para investigar o caso. Aikawa afirmou que não tinha conhecimento dessas práticas, mas assumiu a responsabilidade pelos números finais desses testes.

Questionado sobre a possibilidade de se demitir de seu cargo, o executivo afirmou que se concentrará primeiramente em “saber o que aconteceu”.

As ações da empresa japonesa caíram mais de 15% no fechamento da Bolsa de valores de Tóquio, o equivalente a cerca de 1 bilhão de euros (cerca de quatro bilhões de reais), antes mesmo de que a companhia anunciasse as dimensões de um escândalo que tem grandes semelhanças com o que atingiu a alemã Volkswagen no ano passado.

Foi a maior queda de suas ações na Bolsa desde 2004, quando a empresa se encontrava à beira da falência. No ano passado, a Mitsubishi vendeu pouco mais de um milhão de veículos.

As ações da empresa japonesa caíram mais de 15% no fechamento da Bolsa de valores de Tóquio

No último mês de outubro, depois de realizar um levantamento entre as empresas do setor, o Governo do Japão afirmou que nenhum dos principais fabricantes de veículos do país havia fraudado o software de controle de emissões de gases tóxicos de seus veículos.

Em 2014, os fabricantes sul-coreanos Hyundai e Kia já haviam concordado com o pagamento de uma multa de 100 milhões de dólares (cerca de 360 milhões de reais) para que se pusesse fim a uma investigação nos EUA relativa à adulteração –para baixo—dos dados de consumo dos carros vendidos em 2013 e 2014, mas o anúncio da Mitsubishi se dá em um momento bastante complicado para a indústria automobilística, submetida a controles mais rígidos desde a explosão do caso Volkswagen, em setembro do ano passado.

Os números disponíveis até agora indicam que a dimensão deste segundo escândalo é significativamente menor: 625.000 veículos atingidos, ante 11 milhões no caso da montadora alemã.

No ano passado, a Mitsubishi vendeu um milhão de veículos, além dos componentes que fornece para outras empresas automobilísticas. O grupo japonês apresentará seu balanço na semana que vem.
ElPais

STJ recebe pedido de procuradoria para investigar Beto Richa do PSDB

Um dos delatores do esquema aponta que houve repasse de valores oriundos do esquema para a campanha de reeleição de Beto Richa.

O governador do Paraná,Beto Richa (PSDB)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu pedido da Procuradoria-geral da República para que abra inquérito contra o governador do Paraná, Beto Richa, no âmbito da Operação Publicano, que investiga fraudes na Receita do Estado.

Um dos delatores do esquema aponta que houve repasse de valores oriundos do esquema para a campanha de reeleição de Richa.

O pedido de abertura de inquérito foi feito pela PGR no final de janeiro.

Richa chegou a enviar reclamação à Justiça Criminal de Londrina, no Paraná, na qual alegou que não poderia ser investigado perante a Justiça de primeira instância em razão do foro privilegiado a que tem direito.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na ocasião, o Ministério Público do Estado do Paraná afirmou que, embora mencionado por delatores, o governador não havia sido indiciado perante a Justiça estadual.

Na mesma reclamação, no entanto, a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, informou que enviou requerimento ao STJ para apurar se há envolvimento do governador tucano nos fatos narrados pelo delator.

O caso foi distribuído no último dia 21 e está sob relatoria do ministro João Otávio de Noronha, no STJ.

No curso das investigações da Operação Publicano, Luiz Antônio de Souza, auditor fiscal suspeito de integrar o esquema que atuava no fisco paranaense, afirmou em delação premiada que ele e colegas arrecadaram até R$ 2 milhões para a reeleição de Richa no ano passado, via caixa 2.

O delator afirmou que auditores que atuavam na Receita de Londrina reduziam dívidas tributárias de empresas em troca de contribuições.
Beatriz Bulla, do Estadão Conteúdo

Eleições 2018: TSE aponta dificuldades para implementar voto impresso no país

Urna Eletrônica,Voto Impresso,Eleições 2018,TSE,Blog do MesquitaSistema chegou a ser vetado por Dilma, mas foi revalidado pelo Congresso.
Para ‘experts’, custo maior é necessário para dar transparência à apuração.

Contrário à adoção do voto impresso, o Tribunal Superior Eleitoral prevê uma série de dificuldades para implementar o novo sistema no país.

Aprovada pelo Congresso na minirreforma eleitoral, a impressão foi vetada pela presidente Dilma Rousseff em setembro. O veto, porém, foi derrubado na última quarta (18) e o novo sistema será usado nas eleições de 2018.

Custos de implementação do voto impresso para 2018, segundo o TSE
Compra de 833.036
novas impressoras
R$ 737,8         milhões
Compra de 192.239 novas urnas eletrônicas para o crescimento de seções R$ 499 milhões
Transporte das impressoras R$ 3,4 milhões
Seguro das impressoras R$ 5,2 milhões
Bobinas de papel para dois turnos da eleição R$ 10,4 milhões
Urnas plásticas descartáveis
para depositar voto impresso
R$ 14,2
milhões
Lacres para urnas plásticas R$ 11,2 milhões
Manutenção preventiva das novas impressoras R$ 53,9 milhões
Manutenção preventiva das 192.239 urnas adicionais R$ 19,9 milhões
Manutenção corretiva das impressoras por 8 anos R$ 210,1 milhões
Manutenção corretiva das urnas adicionais por 8 anos R$ 80,8 milhões
Criação de novas seções, armazenamento e segurança de impressoras e votos R$ 200 milhões
TOTAL R$ 1,8 bilhão
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral

Num documento obtido pelo G1, a área técnica da Corte detalha os gastos de R$ 1,8 bilhão previstos para a compra, manutenção e transporte das impressoras, entre outros gastos (veja na tabela ao lado).

Seria necessário, por exemplo, comprar 833.036 impressoras (uma para cada urna) de um modelo cujo tamanho é semelhante ao que é usado para emitir notas fiscais. A quantidade inclui também a aquisição de mais urnas eletrônicas – atualmente existem 451 mil –, já que, segundo tribunal, seria necessário abrir mais locais de votação para compensar o tempo maior previsto para cada voto e assim evitar atrasos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Apesar dos gastos extras, especialistas ouvidos pelo G1 veem avanço no novo modelo, pela possibilidade de fazer uma conferência do resultado eletrônico a partir de uma pequena amostra do registro físico. Eles consideram o atual sistema eletrônico “inauditável” e alegam que obstáculos na implantação podem ser superados, principalmente pela melhora nos procedimentos para organizar as eleições.

Secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino discorda: considera o voto impresso “ineficiente”, “ineficaz para auditoria” e “prejudicial para o processo”. Ele argumenta que hoje o tribunal já submete as urnas e o software usado nelas para consultas e testes pelos partidos, e que o voto impresso traria de volta a “intervenção humana” na apuração.

“Onde há intervenção humana, há lentidão, prática de erros e possibilidade de fraudes. A impressão traz, em síntese, a volta das mesas apuradoras”, diz o secretário, que também alerta para a possível demora na divulgação dos resultados.

“Certamente não teremos mais o resultado no mesmo dia, vamos ter esse resultado em talvez um ou dias depois, considerando essa interferência manual no processo”, afirma.

Outro problema, diz, é o tempo maior para cada eleitor votar. Pelo novo modelo, após digitar na urna eletrônica, o eleitor vai conferir sua escolha no registro impresso, que depois será depositado numa urna física de forma automática e sem contato manual (veja no vídeo ao lado).

Em 2002, lembra Janino, o TSE adotou o voto impresso em algumas urnas no Distrito Federal e o tempo de votação chegou a dobrar, de 1,5 para 3 minutos. “Tivemos inclusive votações que foram até 1h da manhã”, diz. Um dos problemas foi a impressão dos registros, que travou com papel embolado na saída de vários equipamentos.

“Onde há intervenção humana, há lentidão, prática de erros e possibilidade de fraudes. A impressão traz, em síntese, a volta das mesas apuradoras”
Giuseppe Janino,
Secretário de Tecnologia da Informação do TSE

Quanto ao transporte e manutenção, ele diz que “complica muito mais uma logística que é complexa”.

“Nós temos um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, em que mais de 60% corresponde à região amazônica. Nessa região amazônica, nós temos pelo menos 1.500 pontos de difícil acesso, onde se leva até duas semanas para se chegar de barco. Os equipamentos passam por variação de temperatura, umidade, salinidade, recebendo muito impacto e têm que chegar até esses pontos de votação em funcionamento”, afirma.

Janino acrescenta que uma impressora, por ser um equipamento “eletromecânico”, falha mais que um dispositivo somente eletrônico, como a urna.

“Na nossa realidade, incluir mais um dispositivo desse vai trazer ponto de falha bastante importante e principalmente complicando também mais o processo de forma geral, na sua logística, na sua manutenção, na sua conservação, no processo de substituição de equipamentos em pane, certamente traz um complicador bastante considerável”, diz.

O sigilo da votação também estará comprometido caso ocorra falha na impressão ou travamento no papel da urna eletrônica. Sendo necessária a intervenção humana para solucionar o problema, os votos registrados até então ficarão expostos ao servidor responsável pela manutenção do equipamento Procuradoria Geral da República, em parecer de 2011 sobre o voto impresso.

STF e PGR também contra
Fora do TSE, o voto impresso também é mal visto por ministros do Supremo Tribunal Federal. Em 2013, por exemplo, a pedido da Procuradoria Geral da República, a Corte rechaçou o modelo por unanimidade, por ver risco ao sigilo do voto, garantido pela Constituição para evitar coação de eleitores pelos políticos.

“O sigilo da votação também estará comprometido caso ocorra falha na impressão ou travamento no papel da urna eletrônica. Isso porque, sendo necessária a intervenção humana para solucionar o problema, os votos registrados até então ficarão expostos ao servidor responsável pela manutenção do equipamento”, afirmou a PGR em parecer.

Em caso de necessidade de recontar os votos, acrescentou a Procuradoria, a identificação de eleitores seria “novamente possível”.

Nada impede que uma nova ação seja apresentada ao STF para questionar de novo a impressão.

“A logística da urna eletrônica é complicada, independentemente de ser voto impresso ou não. Você distribuir 450 mil urnas pelo Brasil inteiro para estar disponível e funcionar no dia certo é uma logística complexa. Mas você simplesmente vai por uma máquina a mais”
Amílcar Brunazo Filho,
Engenheiro e pesquisador de urnas eletrônicas

Especialistas divergem
A adoção do voto impresso no Brasil é defendida há tempos por especialistas e foi recomendada por uma auditoria realizada neste ano pelo PSDB. No relatório, o partido diz que “o sistema eletrônico de votação do TSE não foi projetado para permitir uma auditoria externa independente e efetiva dos resultados que publica”.

O parecer foi elaborado por 11 técnicos ao custo de R$ 1 milhão. Um deles, o engenheiro Amílcar Brunazo Filho, pesquisador do tema há 20 anos, diz que o TSE é contra o voto impresso porque, como “administrador das eleições”, “não quer alguém xeretando o trabalho dele”. Ele rebate argumentos contrários que apontam dificuldades na implantação.

“A logística da urna eletrônica é complicada, independentemente de ser voto impresso ou não. Você distribuir 450 mil urnas pelo Brasil inteiro para estar disponível e funcionar no dia certo é uma logística complexa. Mas você simplesmente vai por uma máquina a mais”, diz.

Quanto a problemas na impressão, Brunazo diz que basta treinar os mesários e orientar o eleitor. Lembra que em 2002 várias impressoras travaram porque os mesários não retiraram um lacre de fábrica do equipamento na saída do papel.

Quanto ao custo, atribui a necessidade de novas urnas à demora causada pela biometria e não pelo voto impresso. Mesmo assim, diz que o gasto extra é importante. “Quanto é conveniente para o país pagar para ter um sistema eleitoral cujo resultado possa ser conferido?”, afirma.

Sobre a volta da “intervenção humana” na apuração, responde: “Que papo mais maluco! E o software é feito por quem? É por gente, a máquina não funciona sozinha. Não é possível eliminar a intervenção humana. O TSE faz o software e não deixa a gente auditar”, questiona.

Para ele, a principal fragilidade do atual sistema não é a possibilidade de ataques externos, mas de fraudes internas. “Se eles, funcionários do TSE atacarem o sistema, fazerem qualquer fraude, a sociedade civil não tem como detectar isso. E cabe ao administrador eleitoral propiciar isso à sociedade. E não falar ‘confia em mim, eu sou honesto e garanto que não há problema'”, conclui.

“Se a Índia pode vislumbrar aplicar esses recursos numa votação muito maior que a nossa, acho que o Brasil não deveria ter complexo de vira-lata e se contentar em usar sistema de votação sem garantias mínimas de transparência e segurança”
Diego Aranha,
professor da Unicamp

Modelos
Engenheiros e analistas de segurança de informação consideram que o modelo de urna adotado no Brasil desde 1996 é o mais antigo, conhecida como “máquina DRE” (sigla de “direct-recording electronic”, ou gravação eletrônica direta do voto, em português), que começaram a ser usados na Holanda em 1991 e na Índia em 1992.

Nos últimos anos, não só esses países, mas outros como Alemanha, Argentina, Bélgica, Canadá, Equador, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, México, Paraguai, Peru, Rússia e Venezuela passaram para a máquina do tipo VVPAT (“Voter Veriable Paper Audit Trail”, voto impresso conferível pelo eleitor), tida como de segunda geração e a ser agora implantada no Brasil.

Um modelo ainda mais avançado, adotado em alguns estados americanos, por exemplo, é o chamado E2E (“End-to-end”, verificação fim-a-fim), pelo qual o eleitor registra o voto manualmente numa cédula física especial, que é posteriormente escaneada para ser lida por uma máquina. Assim como no modelo anterior, há um registro físico e um eletrônico.

“Tem um registro único feito pelo próprio eleitor, marcando as bolinhas como num gabarito de vestibular. Pode ser contado manualmente em qualquer caso de divergência com a contagem eletrônica. E pode ter a máquina para ler os registros, automatizando a contagem. É uma tecnologia amplamente conhecida e barata, com contagem rápida”, diz Diego Aranha, professor do Instituto de Computação da Unicamp.

Ele considera o modelo a ser adotado no Brasil é suficiente e que as dificuldades de implantação são superáveis, lembrando do exemplo da Índia, que adotou o voto impresso no ano passado.

“Se a Índia pode vislumbrar aplicar esses recursos numa votação muito maior que a nossa, com quantidade de eleitores muito maior do que o Brasil, com condições socioeconômicas parecidas, sendo um país emergente, se entendem que essas dificuldades são superáveis, acho que o Brasil não deveria ter complexo de vira-lata e se contentar em usar sistema de votação sem garantias mínimas de transparência e segurança”, diz.
G1/Renan Ramalho

Conheça a seita religiosa investigada pela Policia Federal

Ontem (17), uma operação da Polícia Federal realizada em Minas Gerais, Bahia e São Paulo prendeu seis líderes da seita.

Seita Religiosa,Operação de volta pra Canaã,Blog do Mesquita 03

As investigações apontaram que os dirigentes da organização estariam mantendo pessoas em regime de escravidão nas fazendas do Sul de Minas. Os fiéis ainda entregavam todos os seus bens à instituição sob a promessa de viverem em uma comunidade onde tudo é dividido por todos.

Na última segunda-feira (17), a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação “De Volta Para Canaã”, que investiga líderes da seita religiosa Jesus, a Verdade que Marca.

Os envolvidos (já foram expedidos 129 mandados judiciais) responderão pela prática dos crimes de redução de pessoas à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em três estados brasileiros: Minas Gerais, Bahia e São Paulo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A VICE colheu depoimentos exclusivos de uma ex-frequentadora e de uma fiel que até hoje segue os passos da igreja evangélica.
Seita Religiosa,Operação de volta pra Canaã,Blog do Mesquita 02

Os investigadores da PF estimam que o patrimônio recebido em doações feitas pelos fiéis chegue a pouco mais de R$ 100 milhões. Estabelecimentos comerciais, como postos de gasolinas e restaurantes pertencentes aos líderes, que supostamente colocavam tudo em nomes de “laranjas”, também estão sendo investigados.

Entre os líderes detidos, está o vereador do Partido Trabalhista Cristão (PTC) Miguel Donizete Gonçalves, de São Vicente de Minas (MG). Procurado pela VICE, seu advogado, Ronaldo Ramos, informou não ter nada a declarar sobre o caso por enquanto.

Canaã, segundo o Velho Testamento da Bíblia, era a terra prometida por Deus a seu povo. Um lugar que emanava “leite e mel”. Um paraíso. Daí o nome da operação da PF (não tem nada a ver com o Síntese).

“Ele chegou a bater no meu rosto algumas vezes quando eu não concordava com alguma coisa”, relata Sônia* sobre um religioso da seita.

O ano era 2001 quando Sônia* ouviu o programa de rádio da igreja pela primeira vez. Frequentadora havia pouco tempo, logo recebeu o convite de Cícero Vicente Araújo, o pastor Araújo – um dos principais líderes – para morar no templo da Lapa, bairro da cidade de São Paulo. “Interrompi os estudos e larguei o trabalho. Dediquei-me à obra na igreja morando em um galpão.

[Havia] quartos separados para irmãos e irmãs”, conta a ex-fiel. “No começo, achei a melhor coisa da minha vida. Experiência incrível. Até começarem as duras correções às quais éramos submetidos.” Além de ter a obrigação de orar o tempo todo e confessar coisas do passado, Sônia revela que chegou a ser agredida fisicamente por um evangelista. “Ele se chamava Ivan. Hoje, parece que está nas fazendas ou na Bahia. Ele chegou a bater no meu rosto algumas vezes quando eu não concordava com alguma coisa.”

O pastor Araújo, a quem Sônia via como um pai – e que no começo chegou a ajudá-la até mesmo comprando roupas –, não tomava atitudes e “fingia não saber de nada”. “Éramos como uma família, e o respeitava como pai. Fico triste em saber que ele se tornou essa pessoa inescrupulosa. [Ele] se preocupava, mas, depois que a esposa faleceu e ele começou a comprar fazendas, virou outra pessoa. Acho que o dinheiro subiu muito à cabeça.”

Até o fechamento desta reportagem, a VICE não conseguiu falar com representantes em São Paulo da igreja Jesus, a Verdade que Marca.

OSTENTAÇÃO

Em entrevista à TV Alterosa, um dos delegados responsáveis pelo caso informou que o luxo fazia parte da rotina da alta cúpula da igreja. “As investigações apontam que os dirigentes ostentam carros luxuosos, moram em mansões suntuosas e estão adquirindo um patrimônio considerável”, detalhou o policial.

Assim como inúmeros relatos chocantes espalhados pela internet, em que pessoas dizem ter doado casas, carros e dinheiro para a seita, Sônia explica que por muito tempo trabalhou sem registro e sem receber um centavo. Chegou até a vender trufas na rua. “Era para o bem comum e da igreja. Com o dinheiro das vendas, eles compraram mais comércios e, nessa época, já estavam adquirindo fazendas em Minas Gerais. Moravam mais lá do que aqui, em São Paulo.”

“Essa história do chip é a pura realidade. Só a igreja que se separa e não usa essa porcaria. A própria Dilma já anunciou”, explicou Carol Dèll Boar, fiel da igreja, sobre uma das pregações de Araújo, supondo que o governo controlaria todos com um chip.

Em nota oficial, a PF aponta que os líderes religiosos estariam mantendo pessoas em regime de escravidão nas fazendas onde desenvolviam suas atividades e rituais religiosos. “Os fiéis, ao ingressarem na seita, eram convencidos a doar seus bens sob o argumento da convivência em uma comunidade onde tudo seria de todos e, em seguida, obrigados a trabalhar sem qualquer espécie de pagamento”, detalha o documento.

Sônia comenta que o pastor Araújo propagava a ideia de um biochip que amaldiçoaria dissidentes. “Ele falava: ‘Se você sair da comunidade evangélica Jesus, A Verdade que Marca, maldições virão até você. [Você] será marcado pelo chip e também nunca conseguirá se firmar em lugar nenhum. Porque a verdade só está lá’.”.

Fiel da igreja e defensora ferrenha do pastor Araújo, Carol Dèll Boar, confirma isso. “Essa história do chip é a pura realidade. Vai chegar no Brasil. Só a igreja que se separa e não usa essa porcaria. A própria Dilma já anunciou.”

Sônia explica melhor o assunto: “Olha, esse negócio do chip é velho. Ele pregava muito sobre isso, e foi aí que as fazendas cresceram”. Segundo a ex-integrante, Araújo alertava os fiéis que o governo instalaria um chip em todo mundo para ter controle sobre a vida das pessoas. “Em 2005, começou a loucura total. Com medo, o povo largou casa, vendeu tudo, abandonou as famílias e foi pras fazendas. Só via gente comprando roupas e estocando coisas que pudessem levar para o mato. Até lanterna, botas…”

“Eles sabem que serão perseguidos, mas estão dispostos a morrer por Cristo”, afirma a fiel Carol Dèll Boar, sobre as pessoas que hoje vivem nas fazendas da seita.

A frequentadora Carol afirma que a igreja não é uma seita. “O pastor e os outros líderes são verdadeiros”, disse à VICE. Ela comenta que as pessoas que hoje vivem nas fazendas não querem sair de lá. “Eles estão bem melhor do que aqui fora na mão do Estado. Eles sabem que serão perseguidos, mas estão dispostos a morrer por Cristo.”

De acordo com o relato de Sônia, os fiéis eram convocados nos cultos para viver nas fazendas. “Fiz de tudo para não me chamarem. Eles faziam uma lista com nomes das pessoas, que deveriam rapidamente fazer as malas e irem para as fazendas.” Ela conta que queria sair da igreja, porém temia “voltar derrotada para casa”. Após anos de dedicação, a vontade de partir falou mais alto. “Depois de muita humilhação, saí e recomecei minha vida”, desabafa.

Apesar da investigação pesada da Polícia Federal, Carol é otimista. “Se Deus quiser, ele [pastor Araújo] vai sair dessa e a imprensa verá a verdade.”

*O nome da entrevistada foi trocado para preservar sua identidade”
Por Debora Lopes/Vice

E-mails fraudulentos levam 82 segundos para dar resultado

Ladrões cibernéticos levam apenas 82 segundos para enganar a primeira vítima com novas mensagens fraudulentas pela internet, segundo um relatório.

Hacker (Foto: Thinkstock)
Estudo diz que 25% das pessoas que recebem e-mails com vírus tendem a abrí-los

Elaborado pela empresa de telecomunicações americana Verizon, o documento analisa cerca de 80 mil incidentes que atingiram milhares de companhias em 2014.

Leia mais: Conheça as senhas mais inseguras de 2014

A pesquisa descobriu que cerca de 25% das pessoas que recebem um e-mail fraudulento – num golpe também conhecido como phishing – tendem a abri-lo.

“Treinar seus empregados é um elemento crítico para combater essa ameaça”, disse Bob Rudis, que liderou o relatório.

Identificando ameaças

Induzir as pessoas a abrir e-mails com mensagens falsas permite aos hackers roubar senhas que dão a eles acesso a redes e dados que podem ser roubados, segundo o relatório.

“Eles não precisam usar softwares exploradores complexos, porque frequentemente conseguem ter acesso a senhas legítimas”, disse Rudis.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Análises de brechas em redes de dados descobriram que, em muitos casos, novos e-mails com armadilhas levaram menos de dois minutos para fazer suas primeiras vítimas. Segundo Rudis, metade das vítimas abriu as mensagens cerca de uma hora após recebê-las.

Leia mais: Menina de sete anos consegue hackear rede wi-fi em dez minutos

Enquanto os hackers conseguem atacar suas vítimas rapidamente, as empresas levam muito mais tempo para perceber que sua segurança foi comprometida.

A pesquisa descobriu ainda que as companhias poderiam adotar medidas práticas para se proteger de e-mails elaborados para convencer os destinatários a abrir documentos anexados.

Ensinar os funcionários a identificar mensagens falsas poderia reduzir a proporção de pessoas que abrem e-mails com vírus de uma em cada quatro para uma em cada 20, de acordo com Rudis.

Foto: Thinkstock
Hackers levaram 82 segundos para encanar primeira vítima ao disparar e-mails com armadilhas virtuais

Mostrar aos empregados os sinais de um e-mail malicioso pode ser encarado como uma forma de defesa adicional – que poderia bloquear as mensagens falsas que conseguem passar pelos sistemas de detecção automática.

“Os funcionários deveriam ser tratados como ferramentas na luta (contra os hackers) e não como cordeiros a caminho do abatedouro”, disse Rudis.

Além dos e-mails falsos, os criminosos cibernéticos exploram uma outra fraqueza nas redes das empresas: o uso de softwares desatualizados.

De acordo com Rudis, em 99% dos casos de ataques, as falhas de segurança em redes de dados eram conhecidas havia mais de um ano. Algumas delas existiam há quase uma década.

“Há algumas vulnerabilidades que persistem”, disse ele.
BBC

Governo corta R$ 1,2 bi em pensões indevidas. Fim do “bolsa dondoca”?

O governo federal pagou nos últimos quatro anos pensões indevidas a “filhas solteiras” de servidores que eram, na prática, casadas ou até do sexo masculino.

Dondoca150415

Bancou também benefícios para “filhos” de funcionários públicos nascidos mais de um ano após a morte dos pais. E houve quem recebesse auxílio-creche sem ter, nos registros oficiais, nenhuma criança em casa.

Os exemplos constam de uma extensa lista de irregularidades detectadas pela CGU na folha de pagamentos da administração direta, de autarquias e fundações. Por ano, ela consome R$ 129 bilhões para remunerar 1,2 milhão de trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas.

Na relação também estão servidores que conseguiram reajustes superiores a 200% num período de três anos; além de outros que extrapolam o teto do funcionalismo público. Há ainda inúmeros outros casos que desafiam o tempo e a lógica. Por exemplo, “filho” ganhando pensão de pai mais jovem.

As conclusões foram obtidas após o cruzamento de informações da folha de pagamentos de 259 órgãos com dados de outros sistemas oficiais. O trabalho foi feito em períodos de 2011, 2012, 2013 e 2014.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na maioria dos casos, a CGU mandou corrigir o que chama de “inconsistências”, causadoras de prejuízo, logo que descobertas. Com os cortes, houve economia de R$ 1,2 bilhão até dezembro do ano passado, conforme relatório do órgão.

Para o governo, a economia é considerada simbólica diante da necessidade de cortes de gastos. Recentemente, o Ministério do Planejamento anunciou que vai cessar até a impressão de contracheques do funcionalismo. Tudo para não gastar R$ 40 milhões anuais com tinta e papel.

O que foi pago de forma irregular não foi calculado, tampouco será recuperado. É que, salvo exceções, parte-se do princípio de que os servidores receberam por erro dos departamentos de recursos humanos, e não de má-fé. Segundo a CGU, os tribunais já firmaram jurisprudência a respeito, entendendo que não cabe devolução nesses casos.

Maitê Proença sobre pensão de R$ 13 mil que recebe do governo: “É um direito adquirido”

Uma matéria da revista “Época” publicada em novembro/13 trouxe à mídia uma polêmica envolvendo o nome de Maitê Proença. O texto dizia que a atriz recebe R$ 13 mil por mês de pensão por ser filha solteira do procurador da Justiça Eduardo Gall, falecido em 1989.

Ela deu sua versão da história:

“Aquilo lá é um direito adquirido, meu pai durante toda vida pública dele pagou para que a filha tivesse um benefício, ele pagou isso todo mês. Dentro do salário do meu pai havia um percentual mensal que ele pagou durante 40 anos, está pago, não podem tirar o que ele já pagou, podem alterar a lei depois, mas não podem alterar algo que já foi pago”, declarou.

A reportagem da “Época” lembra que a atriz recebe o dinheiro por ser solteira, mas, em 1990, nasceu sua filha Maria, fruto do relacionamento com o empresário Paulo Marinho. A justiça de São Paulo chegou a cortar o benefício, alegando que ela vivia uma união estável. Mas Maitê recorreu e conseguiu recuperar sua pensão.
Fonte:Brasil29