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Hugo César Hoeschl,Eleições,Brasil,Urnas Eletrônicas,Fraude

ELE ESTÁ POR TRÁS DA MAIOR ‘OPERAÇÃO ANTIFRAUDE’ DAS URNAS. MAS FRAUDA O PRÓPRIO CURRÍCULO.

Hugo César Hoeschl,Eleições,Brasil,Urnas Eletrônicas,Fraude
 

FORAM DIAS de espera até que, na manhã desta terça-feira, um homem de cabelos brancos e colete anunciasse, em tom robótico, no YouTube, o que eleitores de Jair Bolsonaro gostariam de ouvir: há grandes chances das urnas brasileiras terem sido fraudadas em 2018.

Figura carimbada nos eventos patrocinados pela direita, o protagonista do vídeo é Hugo César Hoeschl, um ex-procurador da Fazenda Nacional que posa na internet de respeitado acadêmico e de bastião da luta pela verdade. Seu discurso, repetido desde 2014 em palestras, é que há exatos 73,14% de probabilidade das eleições de quatro anos atrás, vencida por Dilma contra Aécio, terem sido manipuladas.

Sua mais recente empreitada foi provar que o mesmo ocorreria em 2018. No discurso, gravado pelo grupo Brasil Paralelo, uma espécie de Netflix de conteúdos conspiracionistas, Hoeschl afirma que, para comprovar a fraude das urnas eletrônicas, montou uma rede de computadores com alto poder de processamento nos EUA. Ninguém sabe onde, nem mesmo se é nos EUA de fato. Essas máquinas, diz, estariam configuradas para capturar, processar e analisar o banco de dados do TSE e mostrar o baixo índice de confiabilidade das eleições. Hoje, com cinco dias de atraso e no mesmo cenário escuro e com computadores ao fundo, ele anunciou o resultado: 77,68% de chances de fraude.

Seu método, explicado genericamente por palestras de grupos de direita como o Conclave de São Paulo, é baseado num conceito chamado Lei de Newcomb-Benford. Trata-se de uma constatação de que, em séries numéricas geradas naturalmente, há sempre uma tendência de o número 1 aparecer mais vezes (30,1% do total), seguido pelo número 2, depois pelo número 3 e por aí vai. Por outro lado, nas séries numéricas que sofressem fraude humana, teria muito mais números altos, a exemplo de 7, 8 e 9.

O modelo criado pelo físico Frank Benford (1883-1946) se provou eficaz para verificar alguns tipos de fraudes em relatórios contábeis e bancários: muitos fraudadores, afinal, costumam usar números 9 para não usar números redondos e não causar suspeita — preferem usar 9.999 em vez de 10.000 para burlar limites de transferência, por exemplo. Quanto às eleições, porém, a ferramenta forense está longe de ser confiável. De uns anos para cá, muitos teóricos de universidades renomadas aplicaram a metodologia e não conseguiram provar a validade do recurso.

Um deles é Michelle Brown, da Universidade de Georgetown, que, ao aplicar a ferramenta nos dados de votos de uma assembleia nos EUA, descobriu que a Lei de Newcomb-Benford não é confiável para analisar eleições. Outro estudo, feito por professores da Universidade de Oregon e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, reforçou as descobertas de Brown: o conceito é inútil para cenários eleitorais.

No Brasil, pesquisadores também refutam a tese de Hoeschl. Pelo menos quatro pesquisadores nacionais atestaram que o modelo não pode ser usado como prova para fraude em eleições pois, nesses casos, as distribuições de números são mais complexas. Outro fator que destrói a tese de Hoeschl é que sua pesquisa sobre as eleições de 2014 não foi verificada por nenhum órgão científico. O tal número de 73,14% não foi confirmado por ninguém.

“Fica meio evidente que ele está aplicando um método que alega ser consenso científico, quando não é bem verdade”, diz o cientista da computação Diego Aranha, um ex-professor da Unicamp que já encontrou problemas de segurança – nada relacionados à teoria de Hoeschl – nas urnas eletrônicas. Mesmo ciente das vulnerabilidades, Aranha, que hoje dá aulas na Universidade da Aahrus, na Dinamarca, não se convenceu com a análise de Hoesch. E nem a comunidade científica, já que seus resultados sequer foram revisados.

O mundo paralelo de Hoeschl

No vídeo em que anuncia a Operação Antifraude, Hoeschl se apresenta como alguém que trabalhou como “delegado de polícia, promotor e procurador na área federal”. Os títulos, porém, não são todos verdadeiros. Hoeschl nunca foi delegado; o máximo que conseguiu foi ser aprovado em concurso da Polícia Civil do Paraná, em 1991, mas, de acordo com a instituição, nunca chegou a fazer parte do quadro de servidores. Ele de fato chegou a exercer as funções de promotor e procurador, mas omite ressalvas importantes. No primeiro cargo, no Ministério Público do Paraná, ficou apenas entre outubro de 1991 e maio de 1993. Já como procurador da Fazenda Nacional, foi demitido em junho de 2017 por, entre outros motivos, “improbidade administrativa”, “frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente” e “lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional”.

Seu currículo lattes, que ostenta com orgulho, também não é 100% honesto. Ele se apresenta como “professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)”. A instituição nega. Em nota, a universidade diz que ele não é docente, tampouco integra o quadro de servidores públicos. Sua atuação na UFSC se resumiu a estudante, pesquisador e orientador (de apenas uma tese) entre 1996, quando entrou no mestrado em Direito, e 2013, ano em que orientou dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção. “Não procede a informação de que é professor desta universidade e, portanto, suas opiniões não refletem as posições da instituição, uma vez que não compõe o quadro efetivo da UFSC”, ressaltou a assessoria da faculdade.

Além de ter aumentado ou mentido seus títulos, Hoeschl também se envolveu em questões que botam sua integridade em xeque. Em 2013, Hugo Hoeschl se tornou alvo de processo disciplinar na Advocacia-Geral da União. Entre as acusações estão a emissão de um parecer favorável a uma universidade em que ele dava aulas e ter usado organizações da sociedade civil como fachada para fazer contratos com o poder público sem licitação. Hoeschl foi acusado de atuar em uma organização que vendeu – e nunca entregou – um software no valor de R$ 38 milhões ao Ministério da Previdência.

Seus interesses políticos também são nebulosos. Hoeschl costuma falar que não tem partido. Diz orgulhoso que vota nulo. Ainda assim, deixa claro quem ocupa o topo de sua lista de desafetos. Durante palestrasobre fraude eleitoral em 2014, ele interrompe o raciocínio para que uma desanimada plateia se vire para o fundo e aplauda um boneco que imita Dilma Rousseff com roupa de detenta. “Olha a Bandilma”, aponta. A seguir, sem propósito, afirma: “Jamais votei para o PT. Para nada!”

Meses depois, em 2015, ele militou contra uma suposta candidatura de Lula para o Prêmio Nobel da Paz. Além de criar petições online, Hoeschl pediu, ao lado do ativista de direita Dalmo Accorsini, doações via crowdfunding para que fossem até a sede do comitê do prêmio, em Oslo, na Noruega, e argumentassem que o político petista não mereceria o título. Eles conseguiram R$ 47.865, dinheiro que bancou a viagem entre junho e julho daquele ano. “Não fazemos ataque”, declarou em um dos vídeos, de óculos escuros, em poltrona de avião. “O que fazemos é mostrar a realidade do Brasil, que existe requisitos técnicos para o Prêmio Nobel, e que esses requisitos não estão presentes na candidatura de Lula.”

Accorsini, o parceiro de Hoeschl, foi um dos primeiros a espalhar teorias mirabolantes sobre fraude eleitorais. Seu argumento é ainda menos exato que o do amigo. Ele afirmou, em 2015, que a empresa venezuelana Smartmatic fabricava urnas na Bolívia, em El Salvador, no Equador, na Nicarágua e no Brasil. Para ele, seria claro indício de eleição corrompida pela esquerda.

O boato cresceu entre colunistas de direita e, em 2017, depois que Rodrigo Constantino publicou um texto no site do jornal Gazeta do Povo no qual alarmava sobre manipulação das urnas em 2018, o TSE se viu obrigado a vir a público para esclarecer que a companhia não era fornecedora das urnas do Brasil. O que ocorrera, informou o órgão, foi a contratação da companhia para o preparo e a manutenção das urnas. Mesmo assim, o fato da Smartmatic ter sede no país de Nícolas Maduro e protagonizar alguns casos polêmicos, como ter denunciado manipulação nos resultados eleitorais venezuelanos em 2017, fez com que a teoria de Accorsini crescesse na ala que não crê na imprensa nem no sistema eleitoral.

Hoeschl anda próximo a outras figuras da direita. Nos eventos em que atua, circulam figuras como o filósofo Olavo de Carvalho, o monarquista Luiz Phelippe de Orleans e Bragança, recém-eleito deputado federal pelo PSL, militantes antipetistas como Marcello Reis, do Revoltados On-Line e, claro, o deputado federal Jair Bolsonaro. Em 2016, em um evento chamado Conclave de Brasília, é possível ver a mesma apresentação genérica de Hoeschl sobre as fraudes das eleições 2014 sendo apresentada para Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O movimento ensaiado com Bolsonaro

Na noite do domingo do primeiro turno das eleições de 2018, numa sala apertada, o presidenciável Jair Bolsonaro não escondia sua decepção em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook. Com tom monocórdico, o rosto combalido, expunha, ao lado do economista Paulo Guedes e sua mulher, sua indignação por ter recebido 46,04% dos votos. A vitória, disse, em frente à câmera, deveria ter vindo no primeiro turno. Só não havia ocorrido por causa de um sério motivo: falhas nas urnas eletrônicas.

A fala repetia um roteiro antigo. Ao longo das semanas que antecederam o pleito, o deputado falara repetidas vezes que não reconheceria a derrota caso os resultados premiassem outro candidato. Segundo ele, era nítido que, pelas ruas e pela internet, a gigantesca maioria do povo brasileiro o apoiava. “Se esses problemas não tivessem ocorrido, e tivéssemos confiança no voto eletrônico, já teríamos o nome do futuro presidente da República decidido hoje”, disse.

Seus eleitores e partidários acompanharam a onda de conspiração. No dia da eleição, Flavio Bolsonaro, filho do político e senador eleito pelo Rio de Janeiro, compartilhou pela manhã um vídeo em que pessoas tentavam votar no número 17, do PSL, mas, ao apertar 1, o voto ia automaticamente para o 13, do PT. A mensagem foi replicada pelo menos 844 mil vezes em grupos de WhatsApp, Twitter e Instagram. Horas depois, a Justiça Eleitoral desmentiu a montagem. Não foi suficiente para acalmar os ânimos de eleitores da extrema-direita.

Pelos dias seguintes, as histórias de fraudes eleitorais continuaram a se espalhar por simpatizantes a Bolsonaro. Joice Hasselman, a ex-jornalista conhecida por plagiar textos dos colegas e recém-eleita deputada federal pelo PSL, foi uma das que encabeçou o movimento. Mesmo com 1.064.047 de votos computados pelo país, ela defende que houve esquema para beneficiar Fernando Haddad, do PT, o segundo colocado das eleições para a Presidência com 29% dos votos.

Para endossar sua reclamação, usou imagens de queixas de pessoas em relação à urna – de acordo como o TSE, 2,4 mil urnas ou 0,54% do total apresentaram defeito e foram substituídas, número inferior ao de 2014, quando quebraram 0,75% do total. O pastor Silas Malafaia, também apoiador do candidato do PSL, engrossou o coro. No dia da apuração, cerca de 40 eleitores de Bolsonaro se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o resultado e queimar uma réplica da urna.

Semear o caos e desacreditar as instituições é parte da estratégia da campanha de Bolsonaro. Só causa estranheza que um político que está perto de ser eleito questione o sistema que poderá levá-lo ao Planalto. Para o cientista social e antropólogo Piero Leirner, professor da Universidade Federal de São Carlos, que estuda táticas militares de comunicação há três décadas, trata-se de uma tentativa de se apropriar de uma bandeira do PT (a de que está sendo sabotado) e esvaziar a pauta — o que chama de “false flag invertida”.

“O PT caiu no jogo porque, mesmo sendo claramente sabotado pelo poder Judiciário, tomou posição a favor do TSE”, diz. Desta forma, o PT perde margem para questionar eventuais anormalidades nas eleições. “O PT perdeu a janela de ouro de reafirmar a mensagem de Bolsonaro e tensionar o Judiciário,” me disse Leirner.

A tática parece surtir efeito. No canal do Brasil Paralelo (cujo líder usa, no Facebook, avatar de apoio a Bolsonaro), os vídeos sobre a operação somam mais de 2,5 milhões de visualizações e são replicados à exaustão via WhatsApp. Os comentaristas apreciam a tese antipetista e antiestabilishment de Hoeschl, ainda que os argumentos não se sustentem. Numa eleição marcada por táticas agressivas e subterrâneas de fake news, afinal, o que menos importa é a verdade. Resta saber se Bolsonaro vai questionar o resultado das eleições caso seja eleito. O mais provável é que diga que deveria ter vencido com ainda mais votos.

Tentamos contato com Hugo Hoeschl por e-mail, telefone, Facebook e pelo Brasil Paralelo, por vários dias, mas não obtivemos retorno.

Tecnologia – WhatsApp e o golpe das cores

O que é o golpe das cores do WhatsApp e como se prevenir

WhatsApp.com/шһатѕарр.comEste novo golpe promete trocar as cores do WhatsApp, mas o objetivo é outro: encher seu celular de anúncios publicitários e acessar dados pessoais

Você quer trocar a cor do WhatsApp em seu celular? Pense duas vezes antes de aceitar um convite suspeito.

Uma nova fraude que promete personalizar a cor do popular aplicativo de mensagens está circulando por celulares do mundo inteiro.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Trata-se de um página na internet com o logo e a aparência do WhatsApp, mas em azul em vez de verde, além de um nome muito parecido: шһатѕарр.com.

A URL falsa usa caracteres do alfabeto cirílico (“ш”e “т”) para se passar pelo original e convida usuários de dispositivos iOS, Android, Blackberry e Windows Phone a trocar a cor do WhatsApp.

A instalação, no entanto, faz proliferar um vírus que enche o aparelho de anúncios publicitários.

Como funciona e como evitar a fraude

шһатѕарр.com
A URL enganosa já aperece em espanhol e usa o mesmo nome do WhatsApp, mas com caracteres cirílicos (e não começa com “https”) – Direito de imagemШҺАТЅАРР.COM

O golpe funciona da seguinte maneira: Primeiro, pede-se que o usuário encaminhe a URL enganosa a 12 de seus contatos ou a sete de seus grupos de WhatsApp.

Em seguida, deve-se ativar um link. Pouco depois, aparece uma mensagem: as novas cores do WhatsApp estão disponíveis apenas no aplicativo de desktop.

Então, o usuário tem que instalar uma extensão do Google Chrome, cujo nome é “BlackWhats”.

BlackWhats
Pede-se para fazer o download de uma extensão fraudulenta: BlackWhats. Direito de imagem BLACKWHATS

A página web é uma plataforma adware, ou seja, um software malicioso que mostra avisos publicitários em seu navegador.

Uma imagem de alerta já aparece no momento da instalação.

página na internet
Imagem de alerta diz que página pode ser perigosa

Esse tipo de golpe é conhecido como phishing e tem como objetivo acessar dados pessoais do usuário contidos em seu telefone ou conta de e-mail.

Por isso, não é recomendável clicar em sites pouco confiáveis ou fazer o download de extensões desconhecidas.

Como evitar cair em fraudes do tipo:

  • Confirme o endereço web: o fato de um endereço terminar em .org não garante que ela seja oficial. Analise o endereço com cuidado e cheque todos os caracteres.
  • https x http: mesmo que nem sempre seja uma garantia, note se aparece no início do endereço o protocolo https, a versão segura do http.
  • Não faça download de extensões suspeitas: pergunte-se se você realmente precisa instalar a extensão e por que ela é necessária.
  • Revise a gramática: os erros de ortografia são habituais nesse tipo de golpe.
  • Desconfie se o convite obriga a compartilhá-lo com seus contatos: costuma ser uma estratégia comum para distribuir o vírus adware.

Mas quem está por trás da fraude?

Não há nomes vinculados ao registro do шһатѕарр.com, mas há um endereço no Arizona, nos EUA, segundo o WHOIS, a base de dados que permite identificar o proprietário de um domínio de endereço IP na internet, explica o veículo International Business Times.

Esta não é a primeira vez que os usuários do WhatsApp são vítimas de golpes.

Algumas ações fraudulentas tentam convidar usuários para assinaturas gratuitas do Netflix ou a ganhar dinheiro muito facilmente.

O WhatsApp sugere em seu site que se evite clicar em aplicativos que pedem para reenviar a mensagem ou que prometem ganhos financeiros.

“Sempre advertimos ao remetente: ignore e apague a mensagem”, diz a empresa.

Operação da PF combate crimes cibernéticos em cinco estados

Estimativa é que organização tenha causado prejuízo superior a R$ 2,5 milhões, com fraudes contra o sistema bancário.

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (21) a segunda fase da Operação Darkode, no intuito de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes contra o sistema bancário, por meio eletrônico, e de investigar a negociação de informações úteis à prática de crimes cibernéticos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
A estimativa da corporação é que as ações do grupo tenham causado prejuízo superior a R$ 2,5 milhões, sobretudo mediante fraudes contra o sistema bancário.

Cerca de 100 policiais federais cumprem 37 mandados judiciais, sendo quatro de prisão preventiva, 15 de prisão temporária e 18 de busca e apreensão, em residências e em empresas vinculadas à organização.

O objetivo é colher provas contra outros integrantes e beneficiários, além de identificar e apreender bens adquiridos ilicitamente.

As diligências, segundo a PF, estão sendo executadas nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia (GO), Anápolis (GO) e Senador Canedo (GO), bem como nos estados do Pará, de Tocantins, de Santa Catarina e no Distrito Federal.

O líder do grupo criminoso cumpre pena no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, imposta por sentença condenatória da 11ª Vara Federal de Goiânia em decorrência da prática de crime cibernético, de acordo com informações da corporação.

Na primeira fase da operação, deflagrada em julho de 2015, foram cumpridos sete mandados judiciais em Goiânia, sendo dois de prisão e um de condução coercitiva, além de quatro de busca e apreensão.

A ação foi coordenada com forças policiais de diversos países contra hackers que se comunicavam por intermédio de um sítio eletrônico denominado Darkode

Golpe que oferece chamada de vídeo no WhatsApp atrai 10 mil vítimas em 1 hora

De acordo com a empresa de segurança ESET, uma das campanhas maliciosas atraiu 10 mil vítimas em apenas uma hora no Brasil.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“Os cibercriminosos aproveitam lançamentos populares como esse para aplicar golpes que afetem o maior número de pessoas.

Isso porque, na ânsia de acessar a nova funcionalidade, nem sempre os internautas checam a procedência do site e acabam fornecendo informações pessoais ou se inscrevendo em serviços não solicitados”, explica Camilo Di Jorge, presidente da ESET Brasil.

A página da web que promete ativar a funcionalidade pede que os usuários compartilhem o link com seus contatos e enviem uma mensagem SMS a determinado número.

Assim, o usuário é inscrito em um serviço pago não solicitado e acaba tendo valores descontados de seus créditos, em caso de conta pré-paga, ou adicionados ao seu gasto mensal, em linha pós-paga.

Algumas páginas verificadas pela ESET tinham um layout bastante parecido com o da página oficial do WhatsApp, incluindo funcionalidades como escolha de idioma segundo a geolocalização do IP a partir de qualquer dispositivo conectado à internet.

“É importante destacar que não se trata de um vírus de WhatsApp, já que nenhum arquivo é executado. Também não verificamos evidências de que os sites fraudulentos estejam tentando explorar vulnerabilidades nos equipamentos conectados. O único objetivo é o ganho financeiro, com a inscrição no serviço de SMS Premium”, explica o presidente da empresa de segurança.

O que fazer?

Para quem já caiu no golpe, a dica é avisar os contatos e entrar em contato com a operadora para evitar a inscrição em qualquer serviço SMS Premium. Caso positivo, é necessário solicitar a remoção do serviço.

Lembre-se: para ativar a novidade no WhatsApp, é necessário atualizar o aplicativo, mas é importante fazê-lo de fontes confiáveis.

Offshores escondem milhões de multinacionais norte-americanas

As 50 maiores empresas dos EUA terão enviado cerca de 1,4 biliões de dólares (1,2 biliões de euros) para paraísos fiscais entre 2008 e 2014.

Offshores escondem milhões de multinacionais norte-americanas

O montante, superior ao Produto Interno Bruto de Espanha, México e Austrália, foi colocado a salvo de tributação através de uma rede secreta de cerca de 1600 sociedades criadas em offshores, afirma a Oxfam.

Num relatório divulgado faz hoje uma semana, a organização não-governamental acusa as principais beneficiárias de apoio dos contribuintes norte-americanos de estarem no topo deste opaco esquema, e recorda que, no mesmo período, entre garantias públicas e ajudas federais, as multinacionais em causa receberam do erário público qualquer coisa como 11 biliões de dólares.

Aquela evasão fiscal custa às finanças dos EUA aproximadamente 111 mil milhões de dólares, calcula ainda a Oxfam.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

De acordo com a mesma fonte, citada por agências internacionais, a Apple (181 mil milhões de dólares), General Electric (119 mil milhões), Microsoft (108 milhões) e Pfizer (74 mil milhões) encabeçam a lista, mas nela encontram-se igualmente gigantes financeiras como o Bank of America, Citigroup, JPMorgan Chase ou Goldman Sachs, a construtora automóvel Ford e a aeronáutica Boeing, a Exxon-Mobil, a Coca-Cola, a Intel e a IBM.

Favorecimento

Sublinhando que o fosso entre ricos e pobres tem vindo a agravar-se continuamente nos últimos anos, a Oxfam considera que para tal contribui o facto de os ganhos de crescimento económico não estarem a ser distribuídos por quem cria riqueza.

“Não podemos continuar numa situação em que os ricos e poderosos evadem impostos deixando para os restantes o pagamento da factura», frisou o principal consultor fiscal da organização, Robbie Silverman.”

Nos EUA, as 50 maiores empresas suportaram apenas, entre 2008 e 2014, um bilião de dólares em impostos, tendo sido favorecidas por uma taxa média 8,5 pontos percentuais inferiores à taxa legal, e tendo recebido 337 milhões de dólares em incentivos fiscais.

A Oxfam alerta, porém, que este não é um cenário exclusivo das companhias sediadas em território norte-americano, mas, antes, generalizado e extensível a cerca de 90 por cento das grandes empresas mundiais, estima a ONG, para quem o prejuízo causado em países pobres custa 100 mil milhões de dólares em receitas tributárias por ano.
Osvaldo Bertolino

Panama Papers – A teia

“A teia da nossa vida é composta de fios misturados: de bens e de males” (Shakespeare)

Na segunda metade do século passado a Internet era apenas uma conjectura que se materializou no processo político-econômico do pós-guerra quando a globalização avançava estimulando a criatividade humana.
Como seguimento, tivemos o incrível avanço tecnológico no setor aeroespacial com os satélites, e com eles a difusão planetária da comunicação social, uma verdadeira revolução neste campo.
Escrevi outro dia uma mensagem no Twitter dizendo que com as redes sociais já não se pode mais inculcar boatos e notícias falsas. A meu ver, é tão grande a velocidade na troca de idéias e a imediata apresentação dos fatos nas redes que estão decretando o fim da imprensa escrita.
E não são apenas os jornais impressos moribundos; a imprensa falada e televisiva está doentia, e vai pouco a pouco se adaptando às novas formas de transmitir o noticiário diferente do modo tradicional.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
O que verificamos é a democratização da informação através do diálogo, da troca de idéias, busca de dados e complementação de pesquisas para formar a consciência. Isso valorizou a cidadania, como resumiu Diego Beas: “A rede social dotou o cidadão de uma nova e magnífica ferramenta que necessariamente subtrai poder ao Estado”.
No campo do saber, dizer, ouvir e espalhar aos quatro ventos, a WEB – signo mágico do inglês, traduzido como “teia” – mostra que nem tudo são liberdade, democracia, paz e sequer proteção dos direitos cidadãos. Nela há fios do bem e do mal.
Já neste século 21 tivemos a primeira ciberguerra da História da Humanidade com a explosão comunicacional do site Wikileaks, criado pelo jornalista australiano Julian Assange e uma equipe internacional de pesquisadores e editores.
Para não ser repetitivo narrando fatos de conhecimento geral, vou resumir: O  Wikileaks pôs em cheque os EUA com a divulgação de arquivos secretos do Pentágono sobre a Guerra do Afeganistão e a Guerra do Iraque.
Invadindo o recesso do país mais poderoso do mundo, é inegável que o Wikileaks corroeu as confidências estatais de todos os países, cujos segredos são mantidos para subtrair informações sobre manobras fiscais, processos criminais e cartões corporativos, como ocorre no nosso infeliz Brasil da Era Lulo-petista…
É incrível como nós estamos atrasados em relação ao concerto das nações. Não somente em relação ao Norte desenvolvido, mas até aos países periféricos da África. O maior exemplo está no silêncio “selecionado” que se faz em torno dos documentos do Panama Papers recém divulgados.
As revelações que chegam às redes sociais devem-se a um grupo de jornalistas investigativos que resolveu atuar na WEB, a fantástica “teia” da comunicação. A turma não brincou em serviço, nem se deixou amedrontar ou subornar pelo poder econômico.
A grande reportagem do Panama Peppers investigou elementos de juízo por quatro décadas na Mossack Fonseca, empresa ligada a bancos em paraísos fiscais, especializada em criar offshores e abrir contas secretas para lavagem de dinheiro ou para garantir o anonimato dos titulares.
Reinando no noticiário, as offshores são empresas fantasmas, sem sede nem empregados, muitas vezes tendo como endereço apenas um número de caixa postal, através da qual o capital, valores e investimentos são tributados no país que sedia o correio.
Assim o dono da empresa-fantasma dribla a polícia e o fisco do seu País, com a vantagem de que seus negócios podem ser gerenciados por uma pessoa terceirizada – as famosas ‘laranjas’ –; e continua oculto.
Na parte reservada ao Brasil a firma de Mossack Fonseca tornou-se uma mina para os advogados que recebem honorários para intermediar transações com indivíduos ou grupos econômicos, em 107 offshores de empresas e políticos. Deste total, segundo o Estadão, estão 57 envolvidos na Lava Jato expostos numa lista dos fantasminhas.
Em nome da verdade, porém, a criação e posse de uma offshore não constitui violação da lei; mas é no mínimo suspeito. Com o poder das redes sociais chegou-se a isto; mas não é só. Um site sueco traz os nomes da presidente Dilma e do ex-presidente Lula como envolvidos nas transações da Mossack Fonseca tirados do Panama Peppers.
Não serei eu que não sabia que o sueco era a língua falada e escrita na Suécia, que assumirei a responsabilidade de divulgar isto; apenas defendo que o Facebook, o Twitter e o YouTube são as ferramentas da cidadania para obter informações.
Por Miranda Sá/Tribuna da Imprensa

Panama papers: em seis pontos, como offshores podem esconder bilhões de origem ilegal

(Foto: BBC)Olhos do mundo se viraram para o Panamá com revelações de papéis de escritório de advocacia

E não importa se você é um empresário alemão bem sucedido que decidiu burlar o fisco, um político que busca uma forma de receber propina, um traficante internacional ou o líder de um regime que desrespeita diretos humanos: os métodos para essas manobras são bastante similares.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O possível uso ilícito de offshores (como são conhecidas as contas ou empresas abertas em paraísos fiscais) veio à tona com o vazamento de mais de 11 milhões de documentos de uma das principais empresas do ramo, a panamenha Mossack Fonseca. A empresa alega que atende aos protocolos internacionais para garantir que as firmas sob sua tutela não sejam usadas para a sonegação, a lavagem, o financiamento de grupos extremistas e outros objetivos ilícitos.

A BBC Brasil lista abaixo como offshores podem ser usadas para esconder bilhões de origem ilegal.

(Foto: Reuters)Mossack e Fonseca diz ter atuado para evitar práticas ilegais

1. Empresas fictícias

Para quem vê de longe, uma empresa fictícia parece ser um negócio legítimo. Mas é apenas uma “concha” vazia – daí a alcunha que ganhou no inglês, “shell company”, ou “companhia concha”.

Ela não faz nada além de administrar o dinheiro que recebe, enquanto esconde quem é o verdadeiro dono desses recursos. Sua gestão é feita por advogados, contadores ou mesmo por um funcionário da limpeza, que fazem pouco mais do que assinar alguns documentos e permitir que seus nomes apareçam nas cartas enviadas à tal empresa.

Quando as autoridades tentam descobrir quem realmente controla o dinheiro da companhia, ouvem que a gerência (que na verdade é de fachada) é a responsável. A verdade é que alguém está pagando essas pessoas para esconder seu dinheiro das autoridades ou, em alguns casos, até mesmo de ex-mulheres.

2. Paraísos fiscais

Se você tem uma empresa fictícia, não vai querer que ela seja sediada em lugares como Londres, Paris, São Paulo, onde as autoridades podem tranquilamente, caso queiram, descobrir quem são seus verdadeiros donos. É necessário um lugar propício para a operação de empresas offshore, ou seja, um bom paraíso fiscal.

Eles geralmente ficam em pequenos países-ilhas (daí o apelido paraíso fiscal) nos quais os dados bancários são ultrassecretos e as taxas sobre transações financeiras, baixíssimas ou inexistentes. Trata-se de vários países ou autoridades ao redor do mundo, tais como as Ilhas Virgens Britânicas, Macau, Bahamas e… o Panamá.

Mas, mesmo nesses lugares, a maioria dos serviços financeiros prestados são perfeitamente legais: é o segredo possível ali que faz desses destinos algo atrativo para sonegadores e trapaceiros ao redor do mundo, especialmente se a regulação é fraca ou se as autoridades locais fazem vista grossa.

(Foto: BBC)Bahamas, no Caribe, também está listada entre os paraísos fiscais

3. Ações e títulos ao portador

Se a ideia é obter uma camada a mais de anonimidade, ações e títulos ao portador são uma maneira fácil de mover grandes quantidades de dinheiro.

Todas as notas de 5 libras (R$ 25), por exemplo, trazem a mensagem: “Eu prometo, sob demanda, pagar ao portador a quantia de 5 libras”. Ou seja: se está no seu bolso, é seu: a pessoa “portando” ou carregando o dinheiro é dona dele, pode gastá-lo ou fazer o que quiser com ele.

Ações e títulos ao portador funcionam da mesma forma: a pessoa que está com eles em seus bolsos, pastas ou cofres é sua dona. Mas esses papéis não valem apenas 5 libras – títulos são emitidos em quantias consideráveis, como 10 mil libras (R$ 51 mil), o que os tornam ideais para o transporte de grandes quantias e perfeitos caso seja necessário negar a propriedade.

Se o título está guardado em um escritório de advocacia no Panamá, quem saberá que ele é seu, ou mais, que ele existe? Essas “vantagens” explicam o fato de o governo americano ter parado a emissão de títulos ao portador em 1982: eles são uma mão na roda para quem quer burlar a lei.

4. Lavagem de dinheiro

Lavagem é a prática que “limpa” o dinheiro “sujo”, ou seja, “disfarça” sua origem ilícita. Sendo assim, os recursos podem ser usados acima de qualquer suspeita.

Se você é um traficante de drogas, um fraudador, ou, digamos, um político corrupto, terá nas mãos um monte de dinheiro que não poderá gastar sem chamar a atenção das autoridades.

Uma das formas de lavagem envolve remeter esse dinheiro para uma empresa aberta em um paraíso fiscal. Como esses países guardam sigilo sobre essas informações, fica difícil rastrear os verdadeiros donos dos recursos. Para dificultar ainda mais o trabalho das autoridades, essas empresas normalmente não ficam nos nomes de quem aplicou o dinheiro.

Eles usam, então, as empresas para investir os recursos em atividades consideradas legais, como a compra de um imóvel, por exemplo. Dessa forma, o dinheiro, que antes tinha origem ilícita, deixa de ter aparência “duvidosa”.

(Foto: BBC)O programa “BBC Panorama” é um dos veículos de imprensa que analisaram os papéis

5. Burlar sanções

Uma das formas de punir ou tentar limitar o poder de alguns regimes é aplicar sanções. Isso pode envolver limites à importação de equipamentos militares e munições, proibir a exportação de petróleo e outros produtos, etc. Mas também há as sanções pessoais: fechar contas bancárias de ditadores e seus amigos, familiares e apoiadores.

O governo britânico, por exemplo, impõe atualmente milhares de barreiras contra países, seus negócios, seus bancos e muitos indivíduos.

Mas quanto mais onerosas são as sanções sofridas, mais dinheiro é faturado por quem ajuda essas pessoas a burlá-las. Criar contas secretas para torturadores e genocidas, fornecer armas para um ou dois lados de uma guerra civil ou financiar as ambições nucleares de regimes isolados estão entre as possibilidades.

O uso de contas secretas e empresas fictícias em partes do mundo onde as autoridades fazem vista grossa transformam esse negócio em algo lucrativo e seguro.

Barreiras antissonegação

Em uma tentativa de fazer com que as pessoas parassem de esconder dinheiro das autoridades fiscais, a União Europeia criou um órgão, o European Savings Directive (ESD).

Por causa dele, os bancos dos países do bloco coletam as taxas relativas às contas de cidadãos de outros países. Explicando: um irlandês que mantém uma conta num banco holandês não conseguirá esconder seu dinheiro da Irlanda – terá os impostos descontados.

Quando o ESD ainda estava sendo discutido e criado, houve um aumento repentino no número de europeus que queriam abrir contas bancárias fora do continente, levando a uma explosão da procura por lugares como o Panamá e as Ilhas Virgens Britânicas.
Jonty Bloom/BBC

Informante do caso HSBC diz que ainda há ‘um milhão’ de dados por vir

O ex-funcionário do HSBC em Genebra, Herve Falciani, é o homem por trás do maior vazamento de dados na história dos bancos.

Kamal Ahmed, editor da economia da BBC News

Oito anos depois, ele disse, em entrevista à BBC, que se sente “vingado” e “aliviado”, já que os dados revelados por ele finalmente vieram à tona e o escândalo vem sendo investigado em várias partes do mundo.

Segundo Falciani, estamos longe do fim da história, já que ainda há muitas informações sobre o esquema do HSBC.

Aliás, para ser bem preciso, há um milhão de bits em dados, afirma o ex-funcionário.

Ele diz que o trabalho de análise desses dados deve começar em breve e que uma grande empresa de petróleo pode ser a próxima a sentir os efeitos de um vazamento em massa de informações.

Estrelas do showbiz e traficantes
O esquema revelado por Falciani permitiu que, entre 2005 e 2007, centenas de bilhões de euros transitassem, em Genebra, por contas secretas de 106 mil clientes, entre eles, empresários, políticos, estrelas do showbizz e esportistas, mas também traficantes de drogas e armas e suspeitos de ligações com atividades terroristas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os documentos vazados por ele também incluem dados sobre 5,5 mil contas secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, com um saldo total de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões).

A BBC teve acesso a um e-mail, obtido pelo jornal francês Le Monde, que foi enviado por Falciani em 2008 ao órgão britânico que equivale à Receita Federal no Brasil (Her Majesty’s Revenue and Customs ou HMRC), no qual ele dava detalhes do esquema.

“Mas como não obtive resposta, eu também liguei para denunciar o caso para um telefone de denúncia de evasão fiscal. Também sem sucesso.”

Ainda não está claro por que o HMRC não respondeu aos contatos do ex-funcionário do HSBC e por que levou tanto tempo para que a informações se tornasse pública.

O HSBC afirma que o banco passou por reformas e que agora há menos clientes e um controle mais rígido.

Mas para Falciani, o banco tem de ser punido de qualquer jeito.

“A punição tem que ocorrer, não importa o quão grande eles são”, diz ele, acrescentando que talvez haja centenas de outros bancos envolvidos em esquemas para ajudar os ricos e fugir do pagamento de impostos.

Segundo ele, é crucial que agências europeias, americanas e asiáticas trabalhem em conjunto para combater a corrupção em bancos.

Proteção aos informantes
As pessoas que se dispõem a denunciar esses esquemas também deveriam, segundo Falciani, receber maior proteção para que possam revelar o que sabem.

Mas seus críticos – e há muitos – dizem que é preciso ter cuidado com o informante e o acusam de ter tentado vender as informações.

Ele nega a acusação.

“Isso é mentira. É exatamente isso que eles tentam fazer, minar sua reputação, assim como a máfia faz”, disse. “Mas já está sendo provado que eu estava certo. Eu nunca pedi dinheiro em troca das informações e agora estou podendo provar isso.”

Falciani diz que enfrentou diversos problemas nos últimos sete anos, por ter vazado as informações.

Ele afirma que não tem uma casa e que viaja com o apoio de uma rede de pessoas que também estão envolvidas na luta contra o sigilo bancário.

“Foi imenso o impacto negativo que esse caso teve na minha vida, seja na pessoal ou na profissional, e também na minha reputação.”

Para ele, denunciantes tem de estar dispostos a enfrentar uma longa luta.

“Isso prova o quanto é difícil e complicado fazer denúncias como essa. Certamente, tudo isso levou muito anos mais do que eu esperava que levaria. É uma grande jornada.”
Kamal Ahmed/BBC News

Eleições 2014 e o risco de fraudes

Entrevista: Mikko Hyppönen, da F-Secure, explica os riscos de fraudes nas eleições brasileiras

Mikko

O finlandês Mikko Hyppönen é, provavelmente, um dos nomes mais influentes na indústria de segurança atualmente. Diretor-executivo de pesquisas da F-Secure, ele ocupa o cargo há 20 anos e já esteve envolvido em operações que ajudaram a combater a expansão de malware como o Sobig.F (que teve seu auge em 2003), o Sasser (worm famoso em 2004) e o mais recente Stuxnet(o vírus responsável por atacar sistemas industriais descoberto em 2010).

O executivo, que também já auxiliou equipes de polícia nos EUA, na Europa e na Ásia, esteve no Brasil nesta última semana para palestrar na SecureBrasil. O evento aconteceu em São Paulo nos últimos dias 26 e 27 de agosto, e a apresentação de Hyppönen focou nos riscos de fraudes nas eleições que acontecem em outubro aqui no Brasil.

Mas antes de dar a palestra, ele conversou sobre o tema com INFO. Na entrevista, o especialista finlandês afirmou que o sistema eleitoral utilizado por aqui não é perfeito, mas é “surpreendentemente bom”. Além disso, ressaltou que o verdadeiro risco de ataque não atingirá diretamente as eleições, mas sim os candidatos envolvidos na votação, cujos sites e páginas oficiais estão suscetíveis a ataques e golpes. Leia mais a seguir.

O sistema que usamos nas eleições aqui no Brasil está suscetível a ataques ou fraudes?
Eu analisei essa parte e, para falar a verdade, ela é até bem desenhada. Nada é 100% seguro, mas observando os sistemas eleitorais usados em outros países, o de vocês está longe de ser ruim – pelo contrário, é surpreendentemente bom. É bem planejado desde o princípio. Só acho que poderia ser melhor se fosse de código aberto – não vejo motivos para ele não ser open source. Se há algo que realmente deveria ser de código aberto, esse algo seria o sistema que usamos para organizar uma eleição em sociedades democráticas. [ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas enfim, no sistema de vocês, gosto do fato de que todos têm comprovantes físicos para mostrar que votaram – é algo que falta nas máquinas de votação dos EUA. Também gosto do fato de vocês não votarem online, algo que a Estônia tem feito desde 2005, por exemplo. Há diversos problemas nisso, sendo alguns técnicos, mas imagino que o mais óbvio envolva pessoas forçando outras a votar – um marido abusivo pode obrigar a esposa a votar no candidato dele, tendo certeza de que ela realmente o fará e sem haver uma forma de prevenir que isso aconteça. O sistema de votação estoniano foi elogiado como um ótimo exemplo, mas ele foi estudo pela primeira vez só agora por um grupo internacional de pesquisadores, que descobriram diversos problemas técnicos.

Há um caso relativamente famoso no Rio de Janeiro de um jovem cracker que diz ter modificado os resultados das eleições municipais em 2012. Como ele pode ter feito isso, visto que o sistema é relativamente seguro?
Eu tentei descobrir, mas faltam alguns detalhes cruciais na história. Pode ser, no fim, besteira, mas ele afirmou que, para o hack funcionar, precisou ter acesso à rede central de votos. Esta é a rede aonde levam os cartões de memória das urnas eletrônicas, e se alguém ganha acesso à esse sistema, basicamente tudo está perdido. Não importa mais se todas as outras peças do quebra-cabeça estiverem posicionadas – o invasor poderá mudar o resultado da votação. Mas como o jovem teve acesso a essa central, visto que ela não deveria estar conectada a nenhuma rede externa? Isso eu já não sei.

Onde, então, estão os maiores riscos que podem ameaçar os rumos das eleições no Brasil?
Em um momento em que a internet está tão integrada a tudo o que fazemos, é claro que ela exercerá um papel importante nas eleições. Por isso, não são só os sistemas que usamos nas votações que podem ser afetados – há muitas outras formas de atingir os rumos de uma eleição. Já vimos em diversos eventos do tipo, em vários lugares pelo mundo, que os apoiadores de um determinado candidato tentarão usar a web para tal. Não é necessariamente “hackear as eleições”: o que vemos normalmente são táticas para manchar a reputação dos oponentes ao invadir os sites e as contas nas redes sociais deles ou espalhando afirmações falsas, por exemplo. É algo que claramente veio para ficar, e não é mais uma ameaça teórica. Para as eleições presidenciais que estão por vir aqui no Brasil, é garantido que alguém vai tentar invadir as contas de Facebook e Twitter de cada candidato.

E se os invasores conseguirem adivinhar ou vazar as senhas, eles definitivamente vão usar tudo para seus propósitos e interesses. As contas até podem ser recuperadas, mas até aí, muito estrago pode ser feito. Os candidatos precisam estar cientes dos riscos e tomar as medidas para saber exatamente quem, dentro de seus comitês, tem as credenciais para usar as páginas nas mídias sociais. Quando pessoas nessas equipes saírem e forem para outro lugar, as combinações precisarão ser modificadas, sendo sempre longas e fortes e nunca reutilizadas.

Como agem esses invasores de páginas e contas?
Temos diversos casos em eleições em que as páginas de candidatos foram descaracterizadas. Tipos diferentes de danos, sendo os mais graves aqueles provocados por mudanças súbitas ou sutis. Você apaga a página inicial ou coloca algo estranho ali, que provoque um efeito imediato. Mas há um caso que ocorreu nas eleições do Vietnã, dois anos atrás, no qual a página de um dos candidatos foi invadida e as mudanças foram muito pequenas.

A página errada ficou no ar por dias, até que finalmente perceberam que a mensagem passada estava ligeiramente errada. É o dano mais eficiente que alguém pode causar. Ou seja, nem é preciso estar nas redes sociais – qualquer mecanismo de comunicação pode funcionar. Fora isso, hoje as redes sociais ainda estão tão atreladas aos nossos celulares que algumas dessas brechas podem ser feitas por hacks nos telefones mesmo. Por exemplo, você pode enviar tweets por SMS, o que basicamente significa que, ao descobrir o número de telefone que a equipe de um candidato associou à conta do Twitter, um invasor pode muito bem tentar falsificar mensagens de texto e postar na rede de microblogs. Há muito que se pensar quando o assunto é proteger contas assim.

Há alguma forma específica de evitar que coisas assim aconteçam? Ou estamos falando de medidas típicas mesmo, como o que você já mencionou de usar senhas fortes, não repeti-las, entre outros pontos?
Não, não há nada em especial. A diferença aqui é que não estamos falando de uma ameaça teórica. Em um caso como as eleições, é certeza que tentativas de golpe aparecerão, especialmente nos dois meses que precedem o evento. Durante este período, sites e páginas certamente serão atacados. Veremos diferentes tentativas de obter acesso a um website ou a contas de redes sociais, e é por isso que é crucial proteger tudo, embora essa segurança não envolva nada de diferente. Como expliquei, além do já citado, é bom saber com quem as contas estão, já que todos que têm acesso a elas estão suscetíveis a phishing. É muito provável que membros da equipe de um candidato recebam e-mails falsos do Facebook, dizendo que há um problema com a conta e pedindo para que cliquem em um link. Ele levará a vítima a uma página que apenas parece real, mas que também pede pelos dados. São golpes que já não funcionam tão bem quando aplicados em massa, mas são eficazes quando têm alvos específicos como nestes casos. Para evitar ataques assim, alguns desses sites de mídias sociais fazem como bancos e têm suporte à autenticação em dois passos, que envia mensagens de texto para saber se é mesmo o dono quem está tentando acessar a conta. E isso é algo que todos deveriam habilitar, porque vai protegê-los e muito.

Mas os ataques nem precisam ser assim: se o Twitter, por exemplo, estiver com a autenticação em dois passos ativada, os invasores provavelmente não conseguirão hackear. Mas eles podem tentar logar como se fossem o usuário, clicar no botão de “Esqueci a senha” e fazer com que o site mostre parte do endereço ao qual mandará as instruções para recuperar a combinação. Os invasores, então, descobrem que o e-mail usado é um Gmail ou Hotmail e podem tentar adivinhar o resto do endereço e quebrar a palavra-chave dele. Não é preciso invadir a parte difícil, e por isso os atacantes vão pela mais fácil.

Como assim?
É algo que vimos várias vezes em outras situações, visto que, no geral, as pessoas não pensam muito na conta do webmail. Muitos têm múltiplas delas, e são coisas que o público não vê como tão importante. É usado apenas para conversar com amigos, registrar em sites, receber spam… Então, se alguém ganha acesso ao Hotmail ou ao Yahoo! Mail, não deve ser nenhum grande problema, certo? Infelizmente, isso não é verdade, porque o que o invasor quer é exatamente um webmail. As informações contidas ali podem ser transformadas em dinheiro facilmente: o que eles fazem é obter acesso ao e-mail (Gmail, por exemplo) e depois mexer no histórico, procurando por e-mails de boas-vindas de lojas online, como os da Amazon, por exemplo. Assim, eles vão saber que você tem uma conta ali. Eles então acessam essa loja, dão o golpe do “Esqueci minha senha” e voltam ao e-mail para reiniciá-la. O Gmail de certa forma se tornou uma central para ganhar acesso a todas as suas contas pela internet. Enfim, dessa forma, os atacantes podem começar a logar na loja online com os dados da vítima e, caso ela tenha deixado salvos os dados de pagamento, fazer compras e pedir para entregá-las nos endereços que eles quiserem.

Essa falta de preocupação com segurança não é algo relacionado apenas aos webmails aqui no Brasil. Há falhas de proteção espalhadas mesmo por sites grandes, que acabam por expor informações de clientes. Existe uma forma de fazer a população ter consciência dos riscos e dar mais prioridade à segurança nas redes?
Na verdade, isso é algo que deveria responsabilidade de todo mundo. Muitos países fazem esse tipo de conscientização em campanhas, como os Data Protection Days, que muitos dos europeus organizam há anos [esses eventos também são organizados nos EUA e no Canadá no mês de janeiro de cada ano, e são chamados por lá de Data Privacy Days]. Há também artigos nos maiores jornais, panfletos distribuídos pelas casas, ensinando a proteger contas e a fazer o backup do computador, por exemplo. E é claro, escolas ensinam estudantes desde cedo. Mas é algo para ser feito ao longo prazo – conscientizar de verdade é algo que exige um alto nível. E problemas como os citados não deveriam existir. Se os administradores não corrigem nem as falhas que sabem que existem, então eles estão apenas sendo preguiçosos e irresponsáveis com os dados de outras pessoas. Não é um pecado ter um erro no sistema. O pecado é ser avisado e não tomar providências.
, de INFO Online

Siemens é pesadelo do qual PSDB não acordou

Geraldo Alckmin Metrô São Paulo Blog do MesquitaÉ linda a briga iniciada com a decisão da multinacional alemã Siemens de colaborar com as autoridades para abrir o portal que leva ao cartel que fraudou concorrências no Brasil.

A beleza da contenda foi potencializada pela decisão do Ministério Público de inaugurar em São Paulo uma força-tarefa para destravar 45 inquéritos.

Um governo, como se sabe, é o que sobra para ser desenterrado dez anos depois.

No poder estadual desde 1995, o tucanato de São Paulo tem o antiprivilégio de assistir em vida à exumação de quase duas centenas de contratos firmados sob suas asas.

A presença dos procuradores pode melhorar a qualidade do enredo, despolitizando-o.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) insinua que, submetido ao ministro petista José Eduardo Cardozo (Justiça), o Cade, órgão federal que se entendeu com a Siemens, administra um segredo de polichinelo.

“É um sigilo estranho, porque todas as informações estão na imprensa”, disse. O governo paulista foi à Justiça para obter os dados. O pedido foi negado. Haverá recurso.

Candidato à reeleição, Alckmin serve-se do “eu não sabia”, hoje um bordão suparpartidário.

Se houve cartel, diz ele, o Estado é vítima e buscará o ressarcimento. Em condições normais, a providência soaria frágil. Levando-se em conta tudo o que já havia sido noticiado em 2008, torna-se fragilíssima.

Naquele ano, autoridades francesas e suíças varejaram os porões da Alstom.

Encontraram sólidos indícios de pagamentos de propinas, algumas delas no Brasil –parte em São Paulo, parte na esfera federal.

O tucanato prometeu pratos limpos. Serviu uma operação abafa-CPI.

Chega à ante-sala de 2014 às voltas com um pesadelo do qual tem dificuldades para acordar.
Blog Josias de Souza


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