Sêneca – O necessário não é propriamente um bem

O necessário não é propriamente um bem.Artes Plásticas,Escultura,Máscara de Dança Ritual, Alaska,Blog do Mesquita

Toda a vida, em meu entender, é uma mentira: já que és tão engenhoso, criticá-la e reconduzí-la ao caminho da verdade. Ela considera como necessárias coisas que em grande parte não passam de supérfluas; e mesmo as que não são supérfluas não contribuem em nada para nos dar bem estar e felicidade. Pelo fato de ser necessária, uma coisa não é, desde logo, um bem; ou então degradamos o conceito de “bem”, dando este nome ao pão, à polenta e a tudo o mais imprescindível à vida.

Tudo o que é bem, é, por isso mesmo, necessário, mas o que é necessário não é forçosamente um bem: há muita coisa necessária e, simultaneamente, de baixo nível.

Ninguém é tão ignorante da dignidade do bem que degrade o conceito ao nível dos objetos de uso diário. Pois bem, não seria melhor que te aplicasses antes a mostrar todo o tempo que se perde na busca de superfluidades, a apontar como tanta gente desperdiça a vida na busca do que não passa de meios auxiliares? Observa os indivíduos, considera a sociedade: todos vivem em função do amanhã! Não sabes que mal há nisto? O maior possível.

Essa gente não vive, espera viver, e vai adiando tudo. Ainda que lhe déssemos toda a atenção a vida ultrapassar-nos-ia; se andarmos assim à deriva, ela passa por nós como uma estranha; termina com o nosso último dia, mas vai-se quotidianamente perdendo.

Sêneca

Filosofia – Étienne de La Boétie – Luz nas trevas.

Etienne de La Boétie
* Perigot,França – 1530 d.C.
+ Perigot,França – 1563 d.C.


Étienne de La Boétie nasceu em 1530, no Périgord, França, e faleceu jovem, em 1563.
Em 1553 tornou-se bacharel em Direito, tendo já escrito, nesta data, o Discurso sobre a servidão voluntária.


Ao lado dos estudos jurídicos, sua imensa atividade intelectual abrangia também Filosofia, História, Filologia e Poesia.
Deixou sonetos, traduções de Xenofonte e Plutarco e o Discurso da Servidão Voluntária, o primeiro e um dos mais vibrantes hinos à liberdade dentre os que já se escreveram.


Toda a sua obra ficou como legado ao filósofo Montaigne (1533 – 1592), seu amigo pessoal que, diante de uma primeira publicação – pirata – do Discurso em 1571, viu-se obrigado a se pronunciar a respeito da Obra, que procura minimizar em seus efeitos apodando-lhe o epíteto de “obra de infância” e “mero exercício intelectual”.
Montaigne, com todo o seu inegável brilho intelectual, era um Homem do Estado e disso não escapava.


Entre muitos pontos importantes e relevantes do Discurso da Servidão Voluntária em si, ressalta-se:
– O poder que um só homem exerce sobre os outros é ilegítimo.
– A preferência pela república em detrimento da monarquia.
– As crenças religiosas são frequentemente usadas pelas monarquias para manter o povo sob sujeição e jugo.
– A afirmação da liberdade e da igualdade de todos os homens na dimensão política.
– Evidencia, pela primeira vez na história, a força da opinião pública.
– Repele todas as formas de demagogia.


Incursionando pioneiramente pelo que mais tarde ficará conhecido como psicologia de massas, informa da irracionalidade da servidão, desde o título provocativo da Obra, indicada como uma espécie de vício, de doença coletiva.


O Discurso, que no século XVI Montaigne considerava difícil prefaciar, hoje em dia é ainda tristemente atual.
O ser humano encontra-se em amarras auto-infligidas por toda a parte.
Como dizia Manuel J. Gomes, importante tradutor de La Boétie para o português:


“Se em 1600 era tarefa difícil escrever um prefácio a La Boétie, hoje não é mais fácil. Hoje como nos tempos de La Boétie e Montaigne, a alienação é demasiado doce (como um refrigerante) e a liberdade demasiado amarga, porque está demasiado próxima da solidão. E da loucura.”

Nietzsche – Reflexões na tarde – 06/09/2017

“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida – ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o”

Friedrich Wilhelm Nietzsche
* Weimar, Alemanha – 15 Outubro 1844 d.C
+ Weimar, Alemanha – 25 Agosto 1900 d.C

Aulas de filosofia em cinema animado

Jéssica ChiareliDe Platão a Foucault: 136 curtas de animação para aprender tudo sobre filosofia, sociologia e política.

A empresa especializada em educação online Macat produziu uma série de animações curtas sobre as principais teorias de grande pensadores da humanidade. Ao todo, são 136 vídeos com duração de aproximadamente três minutos cada.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Todos eles foram disponibilizados gratuitamente no canal da instituição no Youtube. Os temas abordados são bastante amplos, contemplando desde filosofia clássica, com os pensamentos de Platão e Aristóteles, até a filosofia moderna, de Foucault e Judith Butler.

Além deles, as animações abordam também os principais pensamentos de Charles Darwin, em “A Origem das Espécies”; Sun Tzu, “Arte da Guerra”; Aristóteles, “Política”; Henry David Thoreaus, “A Desobediência Civil”; Sigmund Freud, “A Interpretação dos Sonhos”; Virgina Woolf, “Um Teto Todo Seu”; Max Weber, “A Política como Vocação”; Thomas Hobbes, “Leviatã”; Immanuel Kant, “Crítica da Razão Pura”; Friedrich Hegel, “Fenomenologia do Espírito”; Levy Strauss, “Antropologia Estrutural”; Karl Marx, “O Capital”; Friedrich Nietzsche, “Para Além do Bem e do Mal”; Hannah Arendt “A condição Humana”; Simone de Beauvoir, “O Segundo Sexo”; entre outros.

Os vídeos estão disponíveis apenas em inglês, no entanto é possível utilizar o serviço de legendas automáticas do Youtube, que pode ser ativada no canto inferior direito da tela de reprodução.

Clique no link para acessar: 136 curtas de animação para aprender tudo sobre filosofia, sociologia e política

Montaigne – Filósofo – Frase do dia – 06/06/2017

“O que sou eu sou para mim mesmo importa mais do que eu significo para os outros.”
Michel Eyquem de Montaigne
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