Eleições 2014: A crise que não sai nos jornais

Mídia,Jornais,Televisão,Noticiários, Manipulação, Audiência,Blog do MesquitaComeçou a campanha eleitoral na televisão, considerada o recurso mais eficiente para a colheita de votos, e não se fala de outra coisa nos jornais.

Evidentemente, trata-se apenas de uma força de expressão, porque os diários seguem trazendo aquele mesmo cardápio variado de assuntos, determinado pela divisão das folhas em seções especializadas. O que muda é a abordagem dos mesmos temas: agora, mais do que nunca, o que sai, como sai e principalmente o que não sai na imprensa fica condicionado ao efeito que a notícia pode produzir nas urnas.

Nesta quarta-feira (19/8), o destaque do trivial variado é a prisão do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por 48 estupros e foragido desde janeiro de 2011. Também há registros sobre a crise hídrica que afeta principalmente a região metropolitana de São Paulo, além de outras variedades. Mas já se percebe que o noticiário político foi conectado ao que dizem os candidatos na propaganda eleitoral – e o noticiário econômico tende a seguir no mesmo tom.

Também aparecem nas primeiras páginas, como sempre, notícias de futebol, com a primeira convocação da seleção brasileira depois do vexame na Copa do Mundo. O novo técnico, Carlos Eduardo Bledorn Verri, conhecido como Dunga, tem a missão de tirar das cinzas aquele que já foi o melhor futebol do mundo, em duas partidas amistosas, contra as seleções do Equador e da Colômbia, nos Estados Unidos. A crônica especializada se empenha em um debate sobre os escolhidos, e observa que Dunga convocou dez dos atletas que falharam na Copa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Aparentemente, nada além do corriqueiro.

Sobre a campanha eleitoral, há relatos detalhados do que disse cada um dos candidatos na televisão, mas poucas análises sobre o que eles realmente podem fazer caso sejam eleitos. Assim, a mensagem imaginada pelos criadores da propaganda eleitoral acaba predominando sobre a realidade, que deveria orientar a escolha do eleitor. Ou seja: em última instância, quem define a pauta da imprensa nesta temporada de caça a eleitores são os marqueteiros de campanha.

Esgoto na torneira

Mais interessante, portanto, é observar o que não sai nos jornais.

Entre os assuntos que não serão lidos nos diários pode-se observar, por exemplo, que as notícias sobre a crise de abastecimento de água em São Paulo se limitam a uma disputa entre o governo paulista e o governo do Rio de Janeiro em torno do uso da bacia do rio Paraíba do Sul. Também há referência ao aumento do consumo e ao estranho silêncio do comitê anticrise liderado pelo Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo e pela Agência Nacional de Águas: criado em fevereiro para enfrentar o problema, o grupo de especialistas não se manifesta há 50 dias, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

O caso é mais complexo que isso. Não se sabe se os jornais estão informados, mas a diretoria da Fiesp – Federação da Indústria no Estado de São Paulo – mantém o assunto entre suas prioridades há pelo menos um mês, discutindo as consequências de um colapso previsto para acontecer na última semana de setembro.

Uma cientista com pós-doutorado em hidrologia tem produzido relatórios alarmantes sobre a situação, e algumas das possíveis soluções já não podem ser executadas porque não houve um planejamento adequado por parte do governo paulista.

Além dos transtornos que pode causar uma falta prolongada de água, numa metrópole desorganizada e com tantas comunidades sem infraestrutura de saneamento básico, tem preocupado os empresários a constatação de que parte da água entregue pela Sabesp está contaminada pelo esgoto em vários ramais da região metropolitana. Há o risco iminente de a falta de água ser agravada por uma crise de saúde pública de consequências desastrosas.

O presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, não virá a público revelar tudo que tem sido discutido pelos empresários, porque pode parecer que estaria fazendo campanha para Paulo Skaf, o presidente licenciado da entidade, que é candidato a governador pelo PMDB. Além disso, teria que colocar em debate a responsabilidade das próprias indústrias no uso não sustentável dos recursos hídricos.

A imprensa ainda não se deu conta do problema, ou tem outras preocupações mais relevantes.
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

BNDES, Porto em Cuba e a FIESP

Como sempre tenho escrito, quem governa o Brasil é a av. Paulista.

Após passar a semana lendo os azuis que amam a pureza do azul, e que afirmam ser o vermelho somente uma fábrica de vilanias; e ler os vermelhos escrevendo que o vermelho é o paraíso na terra, reproduzo abaixo um vídeo com a opinião de um representante de quem manda mesmo pra valer nessa zona.


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Geraldo Alckmin (PSDB-SP), contrário à redução de energia elétrica, é criticado pela FIESP

As elétricas de SP, MG e PR (estados administrados pelo PSDB) não aderem à renovação das concessões e prejudica uma maior redução da conta de luz.


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Lula: a criação de Golbery

Escrevi vários textos, ao longo dos 8 anos desse blog, sobre essa “invenção do Lula”.

Tenho dito, e naturalmente levado na cabeça, que o Lula só foi eleito por que a avenida Paulista precisava de um, vá lá, “esquerdista”, para implementar medidas econômicas que não seriam assimiladas se as fossem de origem de um presidente de direita.

Já para alguns historiadores, Lula foi “criado” como contraposição à liderança de Brizola, que, com a anistia no horizonte, voltaria ao Brasil como um líder fortíssimo entre os trabalhadores.

A “intelligentzia”, planejou muito bem essa complexa operação política/econômica.

Deram um avião e uma pasta de mascate ao Lula, e disseram: vai Lula viajar e ser um “gauche” de vitrine! E aí, colocaram o Henrique Meirelles para governar.
Simples assim!
José Mesquita – Editor


Reflexões sobre Lula, uma liderança criada pelo general Golbery

Ao contrário do que se pensa, Lula não foi contemporâneo de Joaquinzão no sindicalismo.

Lula surgiu com apoio de Golbery e da Federação das Indústria do Estado de São Paulo para tirar de Joaquinzão a liderança que exercia através da CGT (Comando Geral dos Trabalhadores).

Lula não é o ignorante que muitos pensam, senão vejamos: Lula passou em 1968 pelo IADESIL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre), escola de doutrinação mantida desde 1963 em São Paulo pelos norte-americanos da ALF-CIO (American Federation of Labor Congresso Industrial Organization), que surgiu em 1955 e é a maior Central Sindical dos EEUU.

Tanto a IADESIL como a ALF-CIO ministram cursos contra-revolucionarios de liderança sindical.

Lula aproximou-se dos militares por intermédio do empresário Paulo Villares (Indústrias Villares).

Posteriormente, em 1972/73, fez um Curso de Sindicalismo na Johns Hopkins University, em Baltimore, nos EEUU. Isso foi registrado no livro “Jogo Duro”, de Mario Garnero, e nunca foi desmentido, por Lula e o PT.

O professor Chico de Oliveira, um dos fundadores do PT, disse no programa “Roda Viva” que ninguém conhece o Lula e que ele não tem caráter. Chico Oliveira deve saber de muita coisa para poder dizer isso.

As idéias de Lula para o sindicalismo são as teses da ALF-CIO.

O sindicalismo brasileiro está sendo dia a dia desfigurado.

Agora mesmo haverá uma reforma da legislação trabalhista que vem para prejudicar os trabalhadores.

Esta é a realidade.
Antonio Santos Aquino/Tribuna da Imprensa 

Tópicos do dia – 17/12/2011

08:05:21
Ministro Fernando Pimentel a as “palestras”.
Só tem gaiato nesse ‘paiz’.
O Ministro Fernando Pimentel quer nos convencer que fechava, DE FORMA VERBAL, contratos para palestras no valor de R$ 450 MIL!!! Uáu!
Essa, nem Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da praça do Ferreira, em Fortaleza – a angelical criatura acredita até no Ricardo Teixeira – “engole”.

08:15:28
Battisti: quando o crime compensa
O ‘pop star’  e ídolo dos esquerdetes de boutique Cesare Battisti, continua desfrutando das delícias da impunidade. A decisão do Presidente da República esta calcada na CF, legal, mas não moral, como pregava St. Agostinho. Assim o terrorista vai aproveitando o “far niente” dos Tupiniquins. A chance de devolvê-lo pras plagas da “mamma” estão agora na irregularidade da permanência dele aqui, pois como entrou com passaporte falsificado no Brasil, está em situação ilegal, e isso é crime. Veremos como D. Dilma irá resolver esse “imbroglio”. Pelo visto, em breve estará atuando como comentarista de TV, será destaque de alguma escola de samba – outra indecência, pois até as pedras sabem que são financiadas pelo narcotráfico e pelo crime organizado, mas os hipócritas que gostam de samba calam-se – e montará uma consultoria de qualquer coisa, apresentado, como soi ser nesses casos contumazes, uma renda estratosférica por palestra conferida, e aumento exponencial de patrimônio. Já ladrão de galinha amarga os rigores da lei em presídos que fariam outro Cesare, o Beccaria corar.

08:24:52
Dilma e pesquisas
Pesquisa do Ibope revela aumento da aprovação de Dilma Rousseff
A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria – e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A mais nova pesquisa Ibope sobre a avaliação do governo registrou um recorde histórico. A aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff é a maior registrada durante o primeiro ano de um mandato presidencial.
A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria – e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em março, 56% avaliavam o governo Dilma como ótimo ou bom. Em julho, o índice caiu para 48. Em setembro, foi a 51%. E, agora em dezembro, subiu para 56%.
Consideravam o governo regular 27%. Depois, 36%, 34% e agora 32%.
Os que consideravam o governo ruim ou péssimo eram 5%. Depois, 12%, 11% e agora 9%.
Não souberam ou não responderam 11% em março, 4% em julho e em setembro. E 3% em dezembro.

Em março, 73% aprovavam a maneira como a presidente governava o país. Em julho, a aprovação caiu para 67%. Em setembro, foi a 71% e em dezembro a 72%.
Desaprovavam, 12%. Depois, 25% e 21% nas duas últimas pesquisas.
Não souberam ou não responderam, 14% em março, 8% das duas pesquisas seguintes e agora 7%.
O Ibope ouviu 2002 eleitores em 142 municípios – do dia 2 ao dia 5 de dezembro.


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Eleições 2010: a guerrilheira Dilma apoia o capitalista Paulo Skaf, o algoz da CPMF, para o governo de São Paulo

Brasil: Da série “me engana que eu gosto”!

Não sei se a melhor definição pra gentalha que compõe a política partidária no Brasil é do “samba do afro brasileiro doido”, da “geléia geral, ou do “fazemos qualquer negócio”. Ou todos! E mais alguns!

A decência ideológica e a integridade de princípios são critérios que a corja desconhece com o cinismo dos boçais e irresponsabilidade dos inconsequentes. Com seus (deles) exemplos vão formando uma geração de brasileiros sem a menor noção do que seja ética moral e coerência cidadã. De Dilma à Collor, de Serra à Orestes Quércia assistimos, em nome dos “podres poderes” ao mais desavergonhado exercício da mais rasteira politicalha!

O Editor


Dilma faz campanha ao lado de Skaf, algoz da CPMF

No Brasil dos últimos tempos, a coerência política é uma velha maluca que faz tricô enredando-se nas linhas de suas próprias contradições.

Vem daí que, nesta segunda (23), depois de panfletar em porta de fábrica ao lado de Lula e Aloizio Mercadante, Dilma Rousseff foi ao encontro de Paulo Skaf.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Assim como Mercadante, Skaf é candidato ao governo de São Paulo. Mas Dilma não vê contradição no fato de fazer campanha para os dois:

“Nós temos candidatos muito preparados em São Paulo. E não vejo nenhum problema…”

“…Não concordo é em manter por mais quatro anos no governo um partido [PSDB] que está há 16 anos e não avançou muito na educação, por exemplo”.

Tampouco Skaf parece incomodado com a dupla militância da neoaliada: “Ela mesma disse que apoia dois candidatos em São Paulo”.

Recue-se, por oportuno, ao ano da graça de 2007. Tramitava no Senado a emenda constitucional que prorrogava a vigência da CPMF, o imposto do cheque.

Presidente da Fiesp, cargo do qual encontra-se licenciado, Skaf associara-se naquela época às tropas do DEM e do PSDB, contra os exércitos do governo Lula. Prevaleceu.

Hoje, não há comício de Dilma em que Lula não recorde o “golpe” da oposição. Repete à exaustão que a derrubada da CPMF tirou R$ 40 bilhões da saúde.

Mas Dilma não vê incongruência no apoio a Skaf, agora um ex-capitalista, recém-filiado ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Skaf frequenta as pesquisas na condição de candidato nanico. No Datafolha, dispõe de irrisórios 2%. Interessa ao petê Mercadante, com 16%, que ele suba.

Por quê? O consórcio governista sua a camisa para impedir que o tucano Geraldo Alckmin, com 54%, feche a conta já na primeira rodada do pleito.

Assim, não há rusga que resista à conveniência da borracha quando o que está em jogo é o desejo de impor ao tucanato uma derrota em sua principal cidadela.

E a coerência, cada vez mais velha e mais maluca, segue o trançar de agulhas. Nunca antes na história desse país o suprimento de novelos foi tão abundante.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Serra, Dilma e a era pós Lula

Luiz Felipe de Alencastro
Historiador e cientista político.

Entrevista a Diego Viana, para o Valor, de Paris

Alencastro: “Se o Lula voltar em 2014, e ficar 8 anos, aí vamos ter 20 anos de PT na Presidência. Penso que será mais complicado que o ocorrido no Chile”

” No México ainda tem gente fazendo política com capuz e arma na mão, como o subcomandante Marcos [porta-voz do comando militar do grupo indígena chamado Exército Zapatista de Libertação Nacional]. Na Argentina, não houve alternância completa: não conseguiram se livrar do peronismo até hoje. A China é uma ditadura que explora brutalmente sua classe operária. A Índia tem atentados a bomba. A Rússia está envolvida numa guerra colonial na Tchetchênia. O Brasil é o único dos Bric [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China] sem bomba atômica, sem encrencas com os vizinhos e com uma prática democrática bem enraizada.”

Para o historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro, os cenários políticos que podem emergir das urnas, em outubro, contêm elementos preocupantes, seja quem for o vencedor. Michel Temer, como eventual vice-presidente de Dilma Rousseff, tenderia a comandar um PMDB fortalecido demais, a ponto de comprometer o poder da presidente. Quanto a José Serra, Alencastro entende que o ex-governador de São Paulo, embora tenha “muita experiência” e seja “um grande líder”, tem “um problema sério”, derivado da dificuldade de formular uma proposta que se diferencie de políticas que se mostraram bem-sucedidas no governo Lula. Essa situação pode trazer certo conforto para a candidata do PT, mas está aí outro motivo de inquietação”, pois “não é sadio para país nenhum a ausência de alternância política”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Tendo acompanhado de perto a formação dos novos partidos, nos anos 1980, Alencastro conhece a dinâmica interna das principais legendas. No PT, vê o risco de transformação do lulismo no varguismo que o partido combateu em sua origem. Já o PSDB pode ficar circunscrito a São Paulo, enquanto a direita passa por um processo de radicalização semelhante ao dos republicanos nos Estados Unidos.

Sobre Serra: “Tem muita experiência, é um grande líder, mas, com a expectativa em torno de seu nome, vai fazer o quê no governo?”

Exilado em 1968, Alencastro, então estudante da Universidade de Brasília, foi recebido na França pelo economista Celso Furtado e Raul Ryff, secretário de Imprensa do governo João Goulart. Na Europa, completou a graduação, o mestrado e o doutorado, antes de voltar ao Brasil para lecionar na Unicamp.

Titular da cadeira de História do Brasil na Sorbonne desde 2001, o autor de “O Trato dos Viventes” [Companhia das Letras, 2000] conversou com o Valor num café próximo de sua residência parisiense.

A seguir, trechos da entrevista.

Valor: A revista “The Economist” fez uma matéria de capa sobre o Brasil, dizendo que o futuro chegou para o país do futuro. O sr. compartilha desse otimismo?

Sobre a candidata do PT: “O real da Dilma são o Bolsa Família, o PAC (…), mas acho problemático ela não ter a experiência de um mandato eletivo”

Luiz Felipe de Alencastro: Até a oposição compartilha desse otimismo. Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.

Valor: E a perspectiva política?

Alencastro: O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente. Ele é deputado há décadas e foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeição. Vai compor chapa com uma candidata que nunca teve mandato e é novata no PT. O presidencialismo pressupõe um vice discreto, porque ele é eleito de carona, para trazer alianças e palanques. Aos trancos e barrancos, instaurou-se um sistema presidencialista que tem dado certo no Brasil. O fato de haver dois turnos, associado à integração do vice na chapa do presidente, deu estabilidade ao sistema. Foi assim com Fernando Henrique e Marco Maciel. Foi assim com Lula e José de Alencar. Dilma e Temer formam uma combinação inédita: uma candidata até então sem mandato associada a um político cheio de mandatos e dono do PMDB, que é o maior partido do Brasil, mas nunca elegeu um presidente e vai com sede ao pote. O PMDB pode estabelecer um vice-presidencialismo, com um papel de protagonista que seria descabido.

Valor: Dilma é considerada uma administradora eficiente, mas não tem uma carreira política como a de Lula. Isso pode comprometer seu governo?

“O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente (…) O PMDB poderá estabelecer um vice-presidencialismo, com um papel descabido de protagonista”.

Alencastro: Ela assumiu a Casa Civil num momento difícil. O governo e o país estavam em crise e, por muito tempo, não se falou nela, o que é um indício de grande eficácia. Num cargo exposto como esse, não ser notícia é um grande feito. Isso prova que não é ficção sua fama de boa administradora. Mas acho problemático ela não ter a experiência de um mandato eletivo.

Valor: Lula, quando eleito, só tinha passado pela Assembleia Constituinte.

Alencastro: Mas era o fundador de um importante partido político e um grande líder sindical. O lado conciliador de Lula vem daí, da experiência de conversar no botequim com os companheiros, negociar com o patronato, avaliar relações de força na fábrica e na política. Se ele errasse, dirigindo uma greve furada, a sanção não seria perder um mandato, mas ter no dia seguinte dezenas de trabalhadores no olho da rua. Sem contar as campanhas, as três que perdeu para presidente e uma para governador de São Paulo, em 1982. Dilma foi secretária estadual no Rio Grande do Sul, um Estado muito politizado, mas isso não equivale a um cargo eletivo.

Valor: Serra, o sr. conhece melhor.

Alencastro: Serra tem muita experiência e é um grande líder. Mas tem um problema sério. Vou formulá-lo de maneira abrupta: e se Serra for um blefe? Explico: ele é apresentado desde 1982, quando foi secretário de Planejamento em São Paulo, como o reformador do Brasil, o homem que vai racionalizar a economia e dar jeito no país. Quando Fernando Henrique ganhou, ele foi ministro do Planejamento, mas ficou fora da política econômica. Como se dizia, Serra era o candidato da Fiesp, da indústria, e Fernando Henrique, da Febraban, dos banqueiros. Serra foi parar na Saúde e até hoje não quer ser associado àquela política econômica, de que era crítico acerbo.

Valor: Já em 2002 ele tentava se apresentar como ruptura.

“A transição de Fernando Henrique para Lula foi a primeira alternância dentro da legalidade democrática. Uma democracia não é só ter partido político e eleição. É preciso que a oposição também possa ganhar”.

Alencastro: As pesquisas mostravam uma rejeição ao candidato indicado por Fernando Henrique. Isso continua. É curioso esse excesso de impopularidade. Chega a ser injusto. Não tem um vereador do PSDB que faça santinho dizendo ser candidato do partido de Fernando Henrique. Pergunto às pessoas, quando vou ao Brasil, o que as incomoda em Fernando Henrique. Fala-se das privatizações: “Vendeu tudo e não se viu o dinheiro”. Ou nos bilhões de dólares queimados na gestão temerária da paridade cambial. Ou coisas mais subjetivas, misteriosas: “O jeito como ele ri”…

Valor: Voltando a Serra, e se ele for um blefe, como o sr. diz?

Alencastro: O problema dele é esse: com a expectativa em torno de seu nome, ele vai fazer o quê no governo? A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? E os banqueiros, que se entopem de dinheiro? Sem contar os 26 milhões de pessoas que subiram na escala social. Não dá para saber o que Serra vai fazer. Não pode entrar com o discurso de acabar com a corrupção, porque isso não dá muito refresco e depende mais da Justiça, dos tribunais de contas.

Valor: Essa situação parece confortável para Dilma.

Alencastro: Esse pode ser outro motivo de inquietação. Não é sadio para país nenhum a ausência de alternância política. A transição de Fernando Henrique para Lula foi a primeira alternância que houve no Brasil dentro da legalidade democrática. Era a última hipoteca que pesava sobre a democracia brasileira. Uma democracia não é só ter partido político e eleição. É preciso que a oposição também possa ganhar. Isto posto, no Chile a “Concertación” ficou 20 anos no poder, só perdeu agora. Se o Lula voltar em 2014, e ficar 8 anos, aí vamos ter 20 anos de PT na Presidência. Penso que será mais complicado que o ocorrido no Chile.

Valor: De todo modo, é uma projeção.

Alencastro: É uma projeção, mas está no horizonte de gente como Aécio Neves, que deve estar inquieto. E não é uma perspectiva nova. Em 2006, a candidatura de Fernando Henrique estava na pauta. Na época, Serra teria dito: “Se for para perder, o candidato sou eu. Se for para ganhar, é Fernando Henrique.” Essa projeção não é irracional. Os dois mandatos de Lula criaram algo novo. O cientista político André Singer mostra [em artigo para a revista “Novos Estudos”] que Lula foi eleito no primeiro mandato pelos operários sindicalizados e pela classe média. No segundo, perdeu uma parte da classe média e ganhou entre trabalhadores não organizados e subempregados, graças aos programas sociais. Isso resultou num novo populismo. Segundo Singer, esse eleitorado é conservador, não quer mudanças, quer que o governo tome conta dele. Acho essa interpretação um pouco estática, porque pressupõe que a ascensão social desse subproletariado não incomoda ninguém, e que a ameaça de perder o que ganhou não o levará a uma politização ativa.

Valor: A classe média também pode gerar instabilidade, ao sentir que perde privilégios?

Alencastro: Isso já está acontecendo. É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.

Valor: A oposição está desarticulada?

Alencastro: Desarticulada e sem discurso político coerente, e isso é ruim para o Brasil. Como ela vai se reorganizar? E vamos extrapolar: se perder São Paulo e o Rio Grande do Sul, acaba como força política nacional. Um desequilíbrio tamanho entre os partidos é problemático. Novamente, o exemplo americano: fico impressionado não só com o radicalismo, mas com a histeria. Obama é chamado de Anticristo… O Brasil pode enveredar por aí. Brasil e Estados Unidos são países conservadores e precisam ter um partido conservador à altura. A desarticulação da direita não é bom sinal. É preciso uma alternativa conservadora que mantenha a insatisfação no jogo eleitoral. Foi isso que o PT fez na esquerda. Ainda no tempo da ditadura, recolheu o sindicalismo apartidário, a franja próxima da luta armada, que tinha sido desmantelada, e a militância cristã, que não tinha onde se expressar eleitoralmente. Isso fez a força do PT.

Valor: Depois de 2003, muitos desses foram embora, como os fundadores do PSOL.

Alencastro: Foram, mas não saíram do quadro institucional. No México ainda tem gente fazendo política com capuz e arma na mão, como o subcomandante Marcos [porta-voz do comando militar do grupo indígena chamado Exército Zapatista de Libertação Nacional]. Na Argentina, não houve alternância completa: não conseguiram se livrar do peronismo até hoje. A China é uma ditadura que explora brutalmente sua classe operária. A Índia tem atentados a bomba. A Rússia está envolvida numa guerra colonial na Tchetchênia. O Brasil é o único dos Bric [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China] sem bomba atômica, sem encrencas com os vizinhos e com uma prática democrática bem enraizada.

Valor: A tendência, então, é Serra liderar uma direita radicalizada?

Alencastro: O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin. Por quê? Porque Serra teve a experiência da perseguição política, da ditadura, do exílio. Companheiros dele foram mortos, outros torturados. Isso até o aproxima de Dilma: os dois principais candidatos à presidência correram o risco de ser assassinados pela direita mais radical. Serra ainda escapou de Pinochet quando estava no Chile. De Paris, acompanhei com atenção sua volta ao Brasil em 1977, antes da anistia. Eduardo Kugelmas [sociólogo e cientista político, morto em 2006], quando soube que Serra tinha voltado sem ser preso, me disse: “Todo mundo pode voltar agora. Serra é um elefante de piranha. Se ele passou, todo mundo pode voltar”. Hoje, o que torna sua candidatura difícil é não ter um discurso mais abrangente, além do anti-PT, para atrair outros setores.

Valor: A aliança possível para Serra seria talvez a direita radical, com que não se identifica. E sua adversária é uma esquerda que se aproximou das ideias que ele defendia…

Alencastro: Serra está confrontado a um impasse. Não pode elogiar Fernando Henrique e não pode atacar Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre. Disse que ia mexer no câmbio e nos juros. Falou disparates e levou um cala-boca do partido.

Valor: Isso pode fazer com que a campanha se torne virulenta?

Alencastro: Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. É um sinal do que está por vir. Vai ser um vale-tudo monumental. Embora o impacto disso seja limitado no grande eleitorado, é forte entre os chamados “formadores de opinião”. Sobretudo, cria um clima de tensão e de irresponsabilidade na campanha presidencial.

Valor: A presidente da Associação Nacionais de Jornais, Judith Brito, disse que a fraqueza da oposição leva a imprensa a agir como partido. O que significa a imprensa se comportar como partido político?

Alencastro: Normalmente, a imprensa defende a Constituição, reformas políticas, ideias. Não há nada errado, por exemplo, em apoiar candidatos. O “New York Times” apoiou Obama, mas tem um trabalho jornalístico sério e equilibrado. Esse é o papel da imprensa, o que é diferente de querer substituir partidos políticos. Fiquei perplexo com o texto de uma coluna regular num grande jornal carioca que continha uma proposta partidária para o PSDB. O papel do jornalista não é redigir programas partidários.

Valor: Aécio Neves fala de um voto antipaulista que poderia prejudicar Serra.

Alencastro: Aécio vem falando nisso desde 2002. A política nacional sempre foi perturbada pela política paulista. São Paulo não consegue se arrumar internamente por razões objetivas: é o maior Estado industrial, mas também o maior Estado agrário. Tem alta tecnologia, mas grandes favelas. Pesa economicamente do Oiapoque ao Chuí, no Paraguai e na Bolívia. Tudo isso cria rivalidades fortes na esfera estadual e a influência do Estado no país faz com que essa desordem repercuta nacionalmente.

Valor: O PSDB é cada vez mais dependente desse Estado. Ele pode se tornar uma versão moderna dos partidos paulistas de antigamente?

Alencastro: É uma possibilidade. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Tarso Genro já empatou com José Fogaça. Se o PT toma o Rio Grande, sobra pouco para o PSDB fora de São Paulo. Fernando Henrique disse numa entrevista quando percebeu que a eleição de 1994 estava ganha: na Bahia, foi mais ovacionado que Antonio Carlos Magalhães. As pessoas agitavam notas de um real. Qual é o real do Serra? O real da Dilma são o Bolsa-Família, o PAC, o ProUni. Serra vai vender o quê? A grande mudança trazida pela ditadura eram os partidos nacionais, tanto na direita quanto na esquerda. Mas isso está acabando. O último partido nacional é o PT, os outros são fragmentos de costuras locais. Com isso, o que acontece? O desabamento do PFL, hoje DEM, à direita. Um PDMB que virou essa massa informe, que permeia tudo com clientelismo e é o maior partido do país. O PSDB pode se tornar um partido ilhado.

Valor: Como fica o PT nessa configuração?

Alencastro: Como partido no poder, o PT se aguenta, porque tem financiamento também do patronato, empreiteiras, grupos que antes não o financiavam. O PT tem ainda uma máquina partidária bem operacional, tempo de televisão e, claro, a disciplina partidária. Mal ou bem, eleições para a direção do PT têm atraído dezenas de milhares de militantes. Que outro partido brasileiro tem essa participação? Todo mundo se lembra da “convenção do Massimo”, que reuniu Serra, Aécio, Fernando Henrique e Tasso Jereissati, em fevereiro de 2006, num dos restaurantes mais caros do Brasil, em São Paulo, para discutir a candidatura do PSDB às eleições presidenciais daquele ano.

Valor: O PT sofreu mutações desde que Lula foi eleito.

Alencastro: O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência. Tarso Genro disse que a candidatura Dilma cresceu no vazio que se criou dentro PT, e tem razão. O próprio Tarso, em 1997, foi pré-candidato contra Lula. Imagine se hoje isso seria possível! Existe um problema de sobrevivência para o PT pós-Lula. O movimento mais forte do Brasil no século XX, o varguismo, esgotou-se quando Lula foi para o segundo turno em 1989, batendo Brizola e puxando o eleitorado trabalhista. O PT também pode se desarticular porque perdeu o debate interno. Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas. Perdeu, depois sumiu. Ninguém mais ouve falar nele, nem se sabe o que ele pensa. A ausência de debate interno pode transformar o PT num partido amorfo, corroído pelo empreguismo e o clientelismo político.

Valor: A política brasileira caminha para a fragmentação?

Alencastro: O que está acontecendo é a fagocitose das estratégias partidárias nacionais pela política estadual. É um efeito das reeleições nos Estados e nos municípios. Isso também coloca outros problemas. Seria necessário que os tribunais de contas estaduais e municipais fossem mais fortes, mais independentes – como o Tribunal de Contas da União – para escapar ao sobrepeso de um governador ou prefeito que é reeleito. As contas do Maluf, por exemplo, sempre foram aprovadas, e hoje ele está na lista vermelha da Interpol. Isso deveria levar a um questionamento maior no Brasil. Primeiro, nos partidos. Eles têm comissões de ética, mas abrigam eleitos acusados de diversos crimes. Depois, na imprensa, que deveria questionar tribunais de contas que aprovam o exercício de governadores e prefeitos delinquentes. Os editores deveriam pautar repórteres para recuperar os documentos, interrogar os membros desses tribunais. Como pode alguém ser perseguido pela Interpol, podendo ser preso em 181 países por causa disso, mas passar pelas regras da gestão pública brasileira?

Valor: A política externa brasileira tem recebido elogios no exterior, mas críticas pesadas no país. A que o sr. atribuiria essa disparidade?

Alencastro: Pela primeira vez, desde 1850, quando a marinha de guerra inglesa bloqueava a baía de Guanabara por causa do tráfico negreiro, a diplomacia brasileira entrou na agenda da campanha eleitoral nacional. Acho uma coisa muito boa. Durante a ditadura, política externa era um assunto secundário. Depois, com a internet, os jornais desistiram de ter sucursais e correspondentes no exterior. Ora, a política externa virou um assunto complexo, mas o Brasil não tem especialistas suficientes nos jornais ou nas universidades. A imprensa não segue política internacional de maneira adequada. Exige-se mais conhecimento específico dos jornalistas esportivos que de quem cobre o setor internacional. Há um quarteto de embaixadores aposentados que estão sempre na televisão, batendo em Celso Amorim e Lula.

Repetem que a política externa é um desastre. Desastre? Os jornais americanos e europeus discordam. Nunca vi o Brasil com tanto prestígio. É até desproporcionado, dado o peso ínfimo do país no comércio internacional. Ao contrário da Índia e da China, potências atômicas com peso comercial enorme. Em maio, Lula vai ao Irã e está sendo criticado no Brasil. Já a “Economist” diz que é bom, porque abre novos canais de comunicação entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, a diplomacia brasileira usou com habilidade as regras da OMC e as manobras políticas para rebater o protecionismo americano na questão do comércio do algodão. Tenho certeza de que esse assunto, que começou em 2002 e ainda não terminou, ficará como um marco na história diplomática.

Eleições 2010 – Capitalistas em partidos socialistas. Só no Brasil!

Brasil: da série “me engana que eu gosto!”

Pra quem acha que é exagero falar do oportunismo da politicalha dessa gente, além da absoluta ausência de ética. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaff, é o mais novo adepto das teorias marxistas. Sim! Esse senhor, que segundo a língua solta do paulisterio desvairado deveria fundar o MSE, Movimento dos Sem Empresas, – a dele quebrou faz tempo e arca com processos trabalhistas -, e que até ontem era ferrenho opositor da CPMF, passa agora a engrossar o coro dos que cantam loas ao lulismo.

Uáu! Mapa do Brasil de cabeça para baixo


Militantes do PSB recorrem contra a filiação de Skaf

Tom Jobim costumava dizer: o Brasil é um país de cabeça pra baixo. Aqui, as prostitutas gozam e os traficantes cheiram.

Desde a morte do maestro, a coisa só tem piorado. Agora, supostos capitalistas viram pseudosocialistas em pleno vôo.

Incomodados com o inusitado da fialiação de Paulo Skaf ao PSB, dois militantes da legenda decidiram estrilar.

Chamam-se Marionaldo Fernandes Maciel e Jadirson Tadeu Cohen Parantinga. Moram em Campinas (SP).

Acham que a conversão do presidente da Fiesp levou a inconerência Às fronteiras do paroxismo. Recorreram contra a filiação do “inimigo” dos trabalhadores.

Procurado, Skaf mandou dizer que o par de militantes expressa posição isolada. Coisa normal num país democrático como o Brasil.

O presidente do diretório Municipal do PSB de Campinas, Eliseu Gabriel, também considerou normal o protesto dos militantes.

Como se vê, o Brasil pós-Jobim continua sendo o último país feliz do mundo. Aqui, o normal é a anormalidade.

blog do Josias de Souza

Câmara dos Deputados. Entrevista do presidente do Conselho de Ética

Brasil: da série “o tamanho do buraco”.

Não bastassem as constantes denúncias, processos e negociatas outras, em flagrante acinte ao povo brasileiro, suas (deles) ex-celências, elegeram como Presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o cidadão, cuja entrevista está publicada na Revista Veja que circula neste fim de semana.

O que resta?

Retrato do presidente do Conselho de Ética da Câmara.
De Alexandre Oltramari

O deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS) é um estreante no Parlamento, mas já angariou um imenso prestígio entre seus pares. Em apenas dezessete meses de mandato, ele foi escolhido para um dos postos mais importantes do organograma da Câmara dos Deputados: a presidência do Conselho de Ética. O cargo, que garante visibilidade e poder, principalmente em decorrência dos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo políticos, exige isenção para expurgar amigos e correligionários quando necessário. Seu ocupante deveria apresentar, além disso, uma biografia acima de qualquer suspeita. O deputado Moraes não tem esses requisitos.

O corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira, acusou-o de atrasar propositalmente a abertura do processo de cassação do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, envolvido em um esquema de desvio de dinheiro do BNDES. Moraes também já foi questionado por responder a ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas é bisonha: manter um telefone público na casa do próprio pai. A parte mais constrangedora do currículo do parlamentar gaúcho, porém, data do início de sua carreira política, quando ele foi acusado de receptação de jóias roubadas e de envolvimento com uma rede de prostituição – crime pelo qual chegou a ser condenado em primeira instância. Assinante da revista leia mais em Xerife da ética

Na quinta-feira passada, VEJA fez duas entrevistas com Moraes. A primeira, por telefone, foi realizada enquanto ele aguardava, no aeroporto de Brasília, a saída de um vôo para o Rio Grande do Sul, onde reside. A segunda entrevista foi realizada pessoalmente no aeroporto de Porto Alegre, onde Moraes desembarcou por volta das 15 horas do mesmo dia. Tenso, o deputado disse palavrões e insinuou que VEJA estaria a serviço da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) para cassar o mandato do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Ele também fez ameaças veladas e explícitas, inclusive de agressão. Eis os principais trechos das entrevistas.

Deputado, estamos fazendo um perfil do senhor e…

Eu já sei. Já fui informado de tudo. Vocês querem me f… Foram vasculhar a minha vida na minha cidade. Eu sei tudo o que acontece lá. Vocês querem me destruir, eu sei. A Fiesp deve estar com muita raiva do Paulinho (deputado Paulo Pereira da Silva, que responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética presidido por Moraes).

Estou fazendo uma reportagem…

Reportagem de m… Reportagem coisa nenhuma. Vocês gostam de sangue. A VEJA está a serviço da Fiesp, que é contra o Paulinho. Querem acabar comigo para atingir o Paulinho. Foram remexer em coisas que aconteceram vinte anos atrás…

Qual era o seu envolvimento com prostituição e receptação de jóias roubadas em Santa Cruz?

Só vou dar entrevista se vocês publicarem tudo o que eu disser. Porque eu vou falar e só vão publicar o que vocês quiserem. Vocês não podem me questionar sobre isso. Quem é tu pra me questionar? Vou processar a revista, vou ganhar e vocês vão ter que publicar tudo o que eu disser.

O senhor era dono de uma casa de prostituição?

Era um bar. Tinha comida à venda. Toda a cidade ia lá. Prefeito, vereador, empresários.

Mas a sua boate era freqüentada por garotas de programa, inclusive menores de idade.

Eu não podia impedir ninguém de entrar lá. Tu queria que eu ficasse na porta pedindo a carteira de identidade de todo mundo que ia lá? Não tinha sexo. O que faziam depois não era problema meu. Se saíam dali e iam para o motel, o que eu poderia fazer?

A polícia obteve provas de que o senhor alugou uma casa no nome de sua mulher na qual garotas de programa, inclusive menores de idade, ficavam hospedadas. Eram as mesmas garotas que freqüentavam a sua boate.

Isso é perseguição de uns policiais que eu denunciei quando era vereador. Eles espancaram alguns trabalhadores, foram denunciados por mim e decidiram me perseguir. Me acusaram de um negócio maluco. A prova de que eu era inocente foi o apoio que recebi da minha comunidade. São oito mandatos, entendeu? Eu elejo quem eu quero. Me elejo a hora que eu quero. Tu acha que um cara desonesto engana tanta gente durante esse tempo todo?

Mas o senhor foi denunciado pelo Ministério Público e condenado à prisão, em primeira instância, pela Justiça.

Cuidado com o que tu fala. A VEJA é bandida. É uma guilhotina. Vocês querem sangue. Mas eu não baixo a cabeça pra ninguém. Posso até ficar chateado com essa matéria por causa dos meus filhos, que são pequenos e não têm nada que ver com o que aconteceu no passado, mas eu não me entrego. Quando eu te encontrar, a gente vai se pegar.

Como assim?

Eu não fujo de briga, não.

O senhor está me ameaçando?

Nunca briguei com ninguém na minha vida.

No aeroporto de Porto Alegre, depois de concluída a segunda parte da entrevista, gravada pelo deputado, ele desligou o aparelho e levantou-se da cadeira. Com o olhar fixo e o dedo em riste, avisou: “A Justiça que importa é a lá de cima. Quando a gente menos espera a nossa hora chega…Como é o teu nome mesmo?”