Agência Pepper Interativa, ligada ao PT, tinha conta na Suíça para receber da Queiroz Galvão

A agência de comunicação admite que pagou ao menos duas faturas de cartão de crédito da mulher do governador Fernando Pimentel.

CASO DE PROCON 1 | A Polícia Federal faz busca na Pepper durante a Operação Acrônimo   (Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)CASO DE PROCON
A Polícia Federal faz busca na Pepper durante a Operação Acrônimo
(Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A agência de comunicação Pepper Interativa cresceu na esteira das duas campanhas da presidente Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. Notória por realizar ataques virtuais contra grupos críticos ao PT, a Pepper, da publicitária Danielle Fonteles, caiu nas graças de próceres do partido, como o ex-tesoureiro João Vaccari Neto e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.

Graças à proximidade com eles, a Pepper mantém contrato com o PT. É o maior cliente da agência – quase  70% do faturamento dela vem do partido. ÉPOCA descobriu que, em 2012, a Pepper montou uma operação intrincada no exterior para receber valores da construtora Queiroz Galvão. Meses antes, a empreiteira recebera do BNDES para financiar serviços na África.

A Pepper criou, em nome de laranjas, a Gilos, uma offshore no Panamá. Criou também uma conta secreta na Suíça para movimentar a dinheirama de um contrato de fachada com a filial da Queiroz Galvão em Angola. A conta, cuja identificação é CH3008679000005163446, foi aberta por Danielle Fonteles no banco Morgan Stanley. Na ocasião, não foi declarada à Receita ou ao Banco Central.

ÉPOCA obteve cópia do contrato entre a offshore Gilos Serviços e a empreiteira, devidamente assinado por Danielle. Foi formalizado em setembro de 2012. A Gilos recebeu US$ 237 mil (R$ 830 mil, ao câmbio de hoje) da Queiroz Galvão para fazer marketing digital em Angola.

O contrato, que elenca seis serviços, parece uma peça de ficção. Não há uma linha sequer sobre qual obra ou projeto da Queiroz Galvão deveria ser divulgado na internet pela Pepper. Naquele país, a Queiroz Galvão operou graças a financiamentos do BNDES. Em março de 2012, a empreiteira recebera US$ 55 milhões do banco. Naqueles tempos, Pimentel era ministro do Desenvolvimento e presidente do Conselho de Administração do BNDES.

A publicitária Danielle Fonteles é amiga de próceres do PT (Foto: Reprodução)
2 | Contrato entre  a Gilos, offshore  da Pepper, e a Queiroz Galvão (Foto: Reprodução)

Danielle e a Pepper estão sendo investigados nas operações Lava Jato e, especialmente, Acrônimo. Nesta, que mira Pimentel e operações de lavagem de dinheiro do PT, a PF chegou a fazer buscas na sede da Pepper, num shopping de Brasília. Segundo a Polícia Federal, há evidências de que a Pepper foi usada para intermediar dinheiro do BNDES a Pimentel. Durante o primeiro mandato de Dilma, Pimentel era, na prática, o chefe do BNDES.

A mulher de Pimentel, Carolina Oliveira, é apontada como uma espécie de sócia oculta da Pepper. Funcionou assim: entre 2013 e 2014, a Pepper recebeu R$ 520 mil do BNDES por serviços de publicidade e repassou R$ 236 mil a Carolina Oliveira. A Polícia Federal descobriu indícios de que Carolina Oliveira era mais que uma simples parceira da agência. A mulher de Pimentel distribuía cartões no mercado como se fosse representante da Pepper.

Na casa de Carolina Oliveira e Pimentel, em Brasília, a PF apreendeu uma tabela com valores. De um lado, aparece o nome Dani – o mesmo apelido da proprietária da Pepper. Os valores de “Dani” somam R$ 242.400. Do outro, há valores de Carol: R$ 143.982,95. Duas anotações chamam a atenção: R$ 11.100 e R$ 20 mil, registrados como “cartões”. Na tabela, a diferença dos valores, incluindo as vírgulas, entre “Dani” e Carolina é contabilizada como “crédito Carol”: R$ 98.417,05.

Ou seja, é como se fosse um controle de caixa, de “Dani” para “Carol”, em que despesas de cartões de crédito de Carolina eram pagas pela Pepper e contabilizadas. A Pepper admite ter pago ao menos duas faturas do cartão de crédito da mulher de Pimentel, em razão da “amizade” entre Dani e Carol. A mulher de Pimentel, suspeita a PF, era funcionária do BNDES nesse período.

4 | Relação  de despesas de cartão de Carolina Pimentel  (Foto: Reprodução)

Após ÉPOCA procurar Danielle, a conta na Suíça foi declarada à Receita. “Carolina nunca recebeu qualquer repasse da Pepper quanto a operações realizadas junto ao BNDES”, diz a Pepper, em nota. A empresa diz que desconhece a tabela apreendida na casa da mulher de Pimentel. Sobre a criação da Gilos em 2012, no Panamá e em nome de laranjas, com conta na Suíça, Danielle afirma que seguiu orientações de advogados.

“A Pepper foi orientada a constituir empresa no exterior e abrir uma conta em instituição bancária idônea. A existência dessa conta, assim como os valores recebidos, são de conhecimento da Receita Federal do Brasil. Todos os impostos oriundos das transações havidas no exterior foram recolhidos.” Danielle não explicou por que declarou a conta somente após ser procurada por ÉPOCA.

A Pepper afirma que não há relação entre os serviços prestados à Queiroz Galvão e financiamentos do BNDES. O advogado de Carolina Oliveira, Igor Tamasauskas, disse que a defesa não poderia se manifestar porque não teve acesso à integra do processo, mas ressaltou que “toda a relação comercial entre nossa cliente e a referida empresa foi legítima”.

A Queiroz Galvão afirma, ainda, que o contrato era para promover a empresa no exterior. “Todos os pagamentos foram efetuados de maneira absolutamente legal e transparente, seguindo os termos previstos em cada contrato.

Esses trabalhos nunca estiveram vinculados a qualquer pagamento por parte do BNDES”. A reportagem pediu à Pepper e à Queiroz Galvão provas de que os serviços da agência de comunicação foram executados. Nenhuma delas respondeu ao pedido da revista.
Felipe Coutinho/Época

PT X PT: Pimentel pede a Cardozo que investigue atuação da Polícia Federal

No livro as viagens de Gulliver o autor J. Swift faz uma crítica interessante sobre a condição humana. No livro, o gigante Gulliver é amarrado por gente miúda. Assim está o Brasil. Um gigante dominado por gente miúda e mesquinha.
José Mesquita


 

Fernando Pimentel,PT, Blog do MesquitaO governador petista de Minas Gerais, Fernando Pimentel, formalizará nesta segunda-feira junto ao ministro José Eduardo Cardozo, seu companheiro de PT, um pedido de abertura de investigação contra a Polícia Federal. Acusa o órgão de “politizar” uma investigação. Pede a identificação do responsável pelo vazamento de relatório em que a PF o apresenta como suspeito de chefiar uma “organização criminosa”. O documento estava protegido pelo “segredo de Justiça”.

Ao lado de sua mulher, Carolina Oliveira, Pimentel é protagonista de uma operação que a PF batizou de Acrônimo. Contratou para defendê-lo o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Além de se dirigir a Cardozo, o defensor do governador mineiro protocolará uma petição no gabinete do ministro Herman Benjamin, relator do processo aberto contra Pimentel no STJ. Na peça, ele reforçará o pedido para que sejam apurados o vazamento do texto sigiloso e o que chama de “instrumentalização” do inquérito policial.

Pimentel não é o único petista irritado com a Polícia Federal. Reunida há cinco dias em São Paulo, a Executiva Nacional do PT decidiu convidar José Eduardo Cardozo para dar explicações sobre a desenvoltura com que a PF atua nas operações Lava Jato e Acrônimo. O partido atribui à tibieza do ministro da Justiça a permanência do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto na cadeia, em Curitiba, e a batida policial feita num escritório político de Pimentel, em Belo Horizonte.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O compartamento do petismo é irracional e paradoxal. É irracional porque Cardozo, mesmo que desejasse, não tem poderes para dirigir inquéritos feitos sob supervisão do Ministério Público, com anuência da Justiça. É paradoxal porque Dilma Rousseff e Lula costumam atribuir a proliferação dos inquéritos anticorrupção à autonomia que seus governos deram à PF. Quando essa autonomia exibe os calcanhares de vidro de companheiros, o PT faz pose de vítima de violações e abusos.

Kakay, o advogado de Pimentel, diferencia sua atuação da iniciativa do PT. “Lutamos muito para que a Polícia Federal tivesse autonomia”, afirma. “Não somos contra a investigação. Temos resposta para todas as questões. Nossa contrariedade é com a forma como tudo se deu. A ação da Polícia Federal tem vícios muito nítidos. E causou prejuízos irreparáveis ao governador Pimentel.”

Nas petições que encaminhará à pasta da Justiça e ao STJ, Kakay fará um inventário dos alegados “prejuízos”. Segundo ele, “a Polícia Federal produziu um relatório político, não técnico.” Pediu para fazer busca e apreensão em 34 endereços. A Procuradoria foi a favor de 25. E o ministro do STJ autorizou 17. Excluiu, por exemplo, o BNDES e a sede do governo de Minas.”

No trecho que deixou Pimentel e seu advogado mais abespinhados, o documento anota: “Fernando Pimentel seria o chefe da organização criminosa operada financeiramente por Benedito [Oliveira Neto], grupo criminoso este especializado em lavagem de capitais oriundos de desvio de recursos públicos e aplicação de parte dos valores branqueados em campanhas eleitorais…”

Para Kakay, o texto da PF “foi politizado de propósito, para produzir escândalo na imprensa.” Ele tachou de “inaceitável” o vazamento do relatório. A revista Época reproduziu trechos. “Numa reprodução, está escrito acima do texto, no cabeçalho da folha: ‘segredo de Justiça’. Parece um escárnio”, disse o advogado. “Isso é muito grave. Alguém vazou. Não posso fazer acusações. Seria leviano. Mas temos alguns indícios. E vamos pedir que tudo seja apurado.”

Pimentel foi à alça de mira da PF em outubro do ano passado. Numa batida realizada no aeroporto de Brasília, agentes federais apreenderam R$ 113 mil em dinheiro vivo dentro de um avião particular. A bordo, entre outros passageiros, o proprietário da aeronave, Benedito Oliveira. Homem de muitos negócios, Bené, como é conhecido, é dono de uma gráfica que prestava serviços à campanha de Pimentel ao governo de Minas.

Puxando o fio dessa meada, a PF deflagrou a Operação Acrônimo. Mirou primeiro em Carolina, a mulher do governador mineiro (foto ao lado). Depois, mediante autorização do STJ, concentrou-se também em Pimentel. Sustenta que o casal está envolvido num esquema operado por Bené. Tenta provar que a dupla praticou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.Carolina Pimentel, Blog do Mesquita

De acordo com a PF, uma empresa de Carolina, a Oli Comunicação, e uma consultoria que atuou em parceira com ela receberam, entre 2011 e 2014, R$ 3,6 milhões de empresas que são clientes do BNDES. Nessa época, Pimentel era ministro do Desenvolvimento, pasta que carrega o BNDES no seu organograma.

Para a PF, parte desses recursos “poderiam ter, em última análise, como destinatário o então ministro de Estado”, ou seja, Pimentel. Ainda de acordo com a PF, os grupos Marfrig e Casino (controlador do Pão de Açúcar) teriam repassado à Oli R$ 595 mil e R$ 362,8 mil, respectivamente.

Embora defenda apenas Pimentel, não a mulher dele, Kakay afirma que a empresa de Carolina não emitiu nenhuma nota em nome do Margrig nem do Casino. Essas empresas contrataram, na verdade, a MR Consultoria, do jornalista e gestor de crises Mário Rosa. Porém, a firma da mulher de Pimentel, uma jornalista sem nenhuma projeção, recebeu R$ 2,4 milhões da MR Consultoria entre 2012 e 2014.

“Quando Mário Rosa contratou a Carolina, em março de 2012, ela já tinha saído do Ministério do Desenvolvimento. Saiu em dezembro de 2011. Abriu a empresa”, disse Kakay. Por que o consultor contratou a firma de Carolina? “Isso a Polícia Federal vai ter que perguntar para ele”, disse o advogado do governador.

A PF investiga também a suspeita de caixa dois na campanha de Pimentel ao governo de Minas. Benedito Oliveira, o Bené, teria subfaturado serviços gráficos. “A prestação de contas do comitê do governador foi aprovada pela Justiça Eleitoral”, afirma Kakay. “Se o Benedito praticou alguma irregularidade é ele quem precisa responder.”

Numa evidência dos vínculos que unem o governador mineiro ao amigo Bené, a PF colecionou documentos que mostram que o empresário pagou a estadia de Pimentel e sua mulher no Kiaroa Resort, luxuosa hospedaria assentada na praia baiana de Maraú. Desembolsou R$ 12.127,50 por um final de semana, em 2013. E cedeu o jatinho para que o casal voasse de Brasília para a Bahia.

Segundo Kakay, Carolina é amiga da mulher de Bené, Juliana. Comentou com ela que desejava hospedar-se no tal resort. “A Juliana disse que tinha um crédito naquele hotel. Ela disse para a Carolina: ‘usa esse crédito’. Carolina usou. O Pimentel, que era namorado dela, foi junto. De fato, utilizaram o jatinho. Estamos reconhecendo isso. Se é errado ou não, vamos discutir no processo.”
Blog Josias de Souza

Dilma, cadê a Faxineira Ética?

Pede-se notícias.
Pede-se a quem souber do paradeiro da Faxineira Ética que avise à sua residência no Palácio do Alvorada, sem número, Brasília.

Previna urgente mãe solitária e erma de seus cuidados.

Pede-se a quem avistar a Faxineira Ética, de 64 anos, que apareça, que escreva, que mande dizer onde está. Faz tanta falta!

Foi outro dia.

Numa sexta-feira, a revista VEJA começou a circular com uma reportagem sobre falcatruas no Ministério do Transporte.

Dizia que tudo ali parecia ter apodrecido.

E dava conta da descompostura aplicada pela presidente Dilma Rousseff naquela mesma semana em poderosos chefões do ministério.

A Faxineira Ética nasceu no dia seguinte.
Antes que os primeiros exemplares da revista desembarcassem em Brasília, Dilma cortou cabeças de funcionários graduados do ministério.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Poupou o ministro, que 10 dias depois pediu demissão. No prazo de uma ou duas semanas rolaram mais de 20 cabeças.

Dilma fechou seu primeiro ano de governo com a marca histórica de ter demitido um ministro de Estado a cada dois meses – e todos por suspeita de corrupção.

A saber: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esporte) e Carlos Lupi (Trabalho).

É verdade que nenhum deles até hoje foi punido e sequer processado por improbidade administrativa. Mas quem esperava que fosse? Neste país?

Alguém foi punido pela tragédia que matou mais de mil pessoas na região serrana do Rio de Janeiro no início de 2011? Quem autorizou ali construções em locais sujeitos a deslocamentos de terra?

Sob pressão dos seus aliados, a faxineira ética ensaiou sair de cena antes de decepar a última cabeça – a de Lupi. O ministro pintou, bordou, desafiou-a e ela engoliu tudo calada.

Foi grosso: “Duvido que ela me tire. Nem na reforma ministerial”. Vulgar: “Sou osso duro de roer”. E por fim, cafajeste: “Desculpe se fui agressivo. Dilma, eu te amo”.

Lupi só rodou porque a Comissão de Ética da presidência da República aconselhou Dilma a demiti-lo. Para não ficar mal na foto, ela aceitou o conselho, mas prometeu furiosa a seus auxiliares mais próximos que nunca mais a Comissão terá peito para fazê-la passar por outro vexame como aquele. A conferir em breve.

A aposentadoria da Faxineira Ética data do início de dezembro último quando O GLOBO denunciou que Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, havia embolsado algo como R$ 2 milhões entre 2009 e 2010 por consultorias que nunca prestou.

Pimentel é o queridinho de Dilma e seu ex-companheiro de luta armada contra a ditadura de 64. Para não demiti-lo, Dilma engoliu o que disse: “Meu governo não tem compromisso com práticas inadequadas, com malfeitos e com corrupção. É tolerância zero”. E deu forma a uma nova teoria que pode ser resumida assim:

– O que estão acusando [Pimentel], não tem nada a ver com meu governo.

Dito de outra forma: se algum ato de bandidagem macula seu passado, você não está impedido de fazer parte do governo de Dilma. Estará se tiver cometido o ato no exercício do cargo que Dilma lhe deu. De acordo?

A teoria de Dilma espera o endosso da Comissão de Ética da presidência.

Você ouviu alguma palavra de Dilma sobre a compra milionária e irregular de lanchas pelo Ministério da Pesca que depois constrangeu o vendedor a doar uma boa grana para o PT de Santa Catarina?

Ou você a ouviu falar em varrer o ministério da Saúde só por que um assessor de mais de 20 anos do ministro foi subornado por deputados cariocas?

O escândalo protagonizado pelo ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) envolve, pelo menos, mais meia dúzia de deputados federais, empresários e um governador.

A oposição quer uma CPI para ir fundo no lamaçal – logo ela que tinha em Demóstenes uma de suas estrelas.

Dilma teme que a CPI desestabilize sua base de sustentação dentro do Congresso. Teme que uma eventual cassação do mandasto de Demóstenes também desestabilize.

Melhor não mexer com essas coisas. Quanto à faxineira desaparecida…

Suplica-se ao repórter-amador, ao caixeiro, ao mata-mosquitos, ao transeunte, até mesmo aos senhores ricos, que tenham pena da mãe aflita e lhe restituam a filha volatilizada ou pelo menos dêem informações. É de média altura, gordinha, morena, dentes alvos, vestidinho simples. Sumida há mais de três meses.

PS: Algumas passagens deste artigo foram claramente plagiadas do poema “Desaparecimento de Luísa Porto”, de Carlos Drummond de Andrade.
por Ricardo Noblat 

Greves e a podridão dos poderes da República

Reflexões sobre a podridão que caracteriza os três poderes da República.

Essas greves de policiais nos motivam a refletir sobre o sistema brasileiro. A imprensa, a cada dia, publica mais e mais denúncias de irregularidades e corrupção nos três Poderes da República. Ao mesmo tempo, não se vê punição, a regra é a impunidade, nos planos federal, estadual e municipal.

Pode-se alegar que a corrupção é tão antiga como o homem, não há dúvida. Mas a situação a que chegamos não tem desculpa, qualquer justificativa é improcedente, porque o exemplo que vem de cima é tenebroso.

Em apenas 13 meses, sete ministros demitidos por corrupção, e mais três emporcalhados (Fernando Pimentel – PT/ Desenvolvimento; Fernando Bezerra – PSB/Integração; e Aguinaldo Ribeiro – PP/Cidades).

A imprensa divulga também a farra do boi com recursos públicos, pagamentos absurdos a ministros (via jetons de “Conselhos”), magistrados e funcionários públicos privilegiados. As denúncias se sucedem e nada acontece, o máximo que ocorre é a “autoridade deixar” o cargo e ir aproveitar a fortuna irregularmente amealhada.

A presidente da República, que é a suprema magistrada da nação, chega a ponto de dizer que, se a irregularidade tiver sido cometida antes da autoridade ter assumido o cargo (referindo-se ao “consultor” Fernando Pimentel), o governo não tem nada com isso e a autoridade não deve ser punida.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Caramba, a que ponto chegamos! Não há mérito, os concursos públicos estão totalmente desmoralizados pela terceirização.

As atividades que deveriam estar a cargo dos governantes são transferidas a ONGs (organizações não-governamentais) e OSs (organizações sociais), que se locupletam com os recursos públicos e escravizam os trabalhadores, ao negar-lhes os direitos trabalhistas, transformando-os em “associados” de falsas cooperativas.

Vejam o caso do Estado do Rio de Janeiro, governado por um jovem político enriquecido ilicitamente, vindo de uma família de classe média baixa, criado no subúrbio de Cavalcanti. Nunca foi nada, a não ser político. Ficou logo milionário, casou com uma jovem modesta e enriqueceu-a também, como advogada de grandes concessionárias e empresas ligadas ao governo.

Não satisfeito, Sergio Cabral enriqueceu também o secretário de Saúde, o amigo Sergio Cortes, também modesto servidor público, que de repente compra um luxuoso apartamento de cobertura na Lagoa, e paga à vista, em dinheiro vivo. Depois, compra uma propriedade em Mangaratiba, próximo à mansão do amigo governador, porque a fortuna não para de aumentar.

E ninguém fala nada, ninguém diz nada.

É como se não existesse Justiça, Polícia, Ministério Público, nada, nada.

E ainda reclamam quando servidores públicos subalternos, como os policiais, que ganham salários aviltantes para arriscar a vida, decidem fazer greve exigindo melhor remuneração.

No Brasil, tentamos viver num mundo do faz-de-conta, em que a dignidade e a honradez são coisas do passado. É esta a lição que estamos passando às novas gerações. Os exemplos dados pela classe dominante são todos podres.

E ainda reclamam dos PMs.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Tópicos do dia – 06/12/2011

08:05:23
Frigideira no fogo.

Fernando Pimentel pode ser a pimenta para esquentar a fritura.

08:30:39
Foxconn começa a produzir iPhones no Brasil dia 16
O ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) afirmou nesta segunda (5) que ainda não há estimativa para que a empresa Foxconn comece a produzir os tablets iPad, da Apple, no Brasil. Segundo o ministro, enquanto não houver produção local, os aparelhos continuarão a ser tributados em 36 por cento. Porém adiantou que o iPhone começará a ser produzido dia 16 de dezembro. A Foxconn informou em outubro que pretende investir aproximadamente US$ 12 bilhões no país, mas Mercadante diz que há uma grande dificuldade de encontrar um sócio brasileiro capacitado.
O Estado de S.Paulo

08:40:07
Brasil condena Irã
Finalmente o Brasil, Ministro Antonio Patriota, condenou o Irã pela invasão à embaixada inglesa em Teerã.

09:03:58
Calma, OAB!
A atual administração da OAB-RJ decidiu executar advogados inadimplentes.
Mesmo os inscritos que não advogam há 30 anos ou nunca advogaram são réus. Está cobrando, na Justiça Federal, anualidades em atraso de “dívidas” que podem passar de R$ 10 mil.
O Globo/Ancelmo Gois

14:58:05
Brasil: da série “só rindo”!
O “Pinoquiano” ex-ministro – realmente muito trabalhador, pois tinha dois empregos – com a veleidade dos que se julgam imprescindíveis à humanidade – acusou, as nunca esquecidas “forças ocultas”, à imprensa, e aos inimigos políticos, a responsabilidade por sua (dele) desfenestração do cargo.
Lembrei o sempre sábio, modaz e implacável, Millor Fernandes:
“O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo.” 

15:27:19
Brasil: da série “O tamanho do buraco”!
http://www.youtube.com/watch?v=3cFmVuXmO9M

15:34:58
Brasil: da série “O Tamanho do buraco”!
Na Folha de São Paulo: Capital e preservação ambiental jamais caminharão na mesma direção.
1. Capital e preservação ambiental jamais caminharão na mesma direção.
2. Considero, pela força comprovada do capital, que a batalha está perdida.


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Eleições 2010: Dilma contrata especialista em redes sociais da internet

Dilma contrata ex-diretor da Campus Party para coordenar campanha nas redes sociais

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A equipe da ex-ministra petista Dilma Rousseff contratou Marcelo Branco, 48, para coordenar a campanha nas redes sociais. Ex-diretor geral da Campus Party Brasil (evento de tecnologia), Branco diz que pretende fazer uma campanha descentralizada, identificando e valorizando a iniciativa de blogueiros espontâneos que já declararam apoio à petista na rede, sem usar técnicas para inflar números.

“Não tem como fazer campanha na internet contratando blogueiros para destruir a reputação de outros blogueiros. Isso pega muito mal, blogueiro tem que ter liberdade de expressão, independente de partido. Não vamos usar técnicas de destruição na rede, atacar reputação de blogueiros nem ‘bombar’ palavras no Google“, afirma Branco.

Para Branco, a internet pode ser decisiva nessa eleição, mesmo com o problema da exclusão digital. “O papel da internet será de organizar um debate qualificado, que muitas vezes não conseguimos fazer em outros meios de comunicação. Nós, que temos muito para mostrar, vamos fazer uma campanha de alto nível na internet. Que não tem nada para mostrar vai usar a internet para baixarias.”

O grupo –que conta com profissionais que participaram da campanha de Barack Obama para a Presidência do Estados Unidos (leia mais abaixo)– irá criar comunidades oficiais em todas as redes sociais (como Orkut e Facebook), além de perfis no Twitter.

“A Dilma terá seu próprio perfil no Twitter, mas ainda não sabemos quando. A equipe de coordenação da campanha terá outro. Dilma tem intimidade com a tecnologia, ela anda com um notebook em todas as reuniões. Mas o tempo dela pode ser diferente, ela está com a agenda complexa”, diz Branco.

Branco, que também foi coordenador da Associação Software Livre, dispensa o título de estrategista (“estrategista é exagero, faço parte de uma equipe”) e diz que a campanha da ex-ministra será feita a “milhares de mãos”, pelos militantes do PT e do PMDB, que apoiam a candidatura de Dilma.

“Diferente da estratégia da oposição, nós vamos colocar na internet tudo o que foi feito nos oito anos de governo do Lula (PT) e as propostas de avanço da Dilma. Nós temos uma candidatura de continuidade de um governo que tem aprovação popular de mais 70%”, diz.

Equipe de Obama

Branco foi contratado pela Pepper Comunicação Interativa, que fez a campanha do presidente Lula na campanha de 2006. O PT também contratou a empresa americana Blue State Digital, responsável pelo marketing digital da campanha de Barack Obama para a Presidência do Estados Unidos em 2008. Scott Goodstein, responsável pela campanha em mídias sociais de Obama, também está no time petista.

“Vamos aproveitar a experiência deles, eles virão para o Brasil algumas vezes, mas a estratégia da campanha é feita pela coordenação de Fernando Pimentel [ex-prefeito de Belo Horizonte]. Sou uma das pessoas do coletivo que vai cuidar da campanha Dilma na internet, da estratégia nas redes sociais. Não sou de marketing, minha história é com a internet e com as redes sociais, que integro há quase dez anos”, diz Branco.

Juliana Grajeia/Folha On Line