Lula e FHC: abraço de afogados

FHC e Lula são partes iguais de um sistema político canceroso e terminal.


Por isso que eu não bati panela e não comi sanduíche de mortadela.
FHC, Lula e todos os políticos só querem uma coisa, poder para enriquecer. O povo é só uma marionete neste sistema podre que existe no Brasil.
José Mesquita – Editor


Lula propôs um encontro a FHC há dois meses

Há dois meses, quando a colaboração da Odebrecht ainda era uma bomba no arsenal da força-tarefa da Lava Jato, esperando pelo momento de explodir, Lula telefonou para Fernando Henrique Cardoso.

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O petista sugeriu que os dois se encontrassem para debater a crise. O tucano não refugou a ideia. Mas condicionou a conversa à definição prévia dos temas que seriam debatidos. Interlocutores da dupla ainda tentam promover a reunião.

Entretanto, os estilhaços da delação coletiva dos corruptores da maior empreiteira do país dificultam a iniciativa.

Lula tocou o telefone para FHC a pretexto de agradecer pelo depoimento que ele prestara ao juiz Sergio Moro, em audiência ocorrida no último dia 9 de fevereiro.

O desafeto do petismo havia sido arrolado como testemunha de defesa de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e espécie de faz-tudo do morubixaba do PT, que é réu no mesmo processo.

FHC contou a amigos que, feitos os agradecimentos, Lula mencionou o desejo de conversar pessoalmente. Chegou a sugerir que o encontro ocorresse na casa de José Gregori.

Uma semana antes, em 2 de fevereiro, Gregori, que foi ministro da Justiça de FHC, o acompanhara na visita que fizera a Lula no Hospitral-Sírio Libanês, em São Paulo. Foram abraçá-lo depois que os médicos atestaram a morte cerebral de sua mulher Marisa Letícia.

Já nessa ocasião, Lula insinuara que queria conversar. Horas depois, manifestaria o mesmo desejo a Michel Temer, que também o visitou no hospital.

Um dos defensores da aproximação é Nelson Jobim.

Ex-ministro de FHC e de Lula, Jobim argumenta que crises políticas como a que foi produzida pela Lava Jato só se resolvem pela política.

Com a corda no pescoço, Lula endossa integralmente a tese. FHC não se opõe, mas afirmou em privado que, sem uma agenda nítida, o diálogo poderia ser confundido com um ”abraço de afogados”.

Disse isso antes mesmo da divulgação dos depoimentos tóxicos. Num deles, Emílio Odebrecht, dono da construtora pilhada no petrolão, disse ter feito doações para campanhas eleitorais de FHC no caixa dois.
Josias de Souza

FHC ataca Itamar Franco

Em seu novo livro, FHC atacou Itamar Franco, chamando-o de "egocêntrico e vingativo"Pessoas ligadas a Itamar se preocupam com a mudança de postura de FHC

Divulgando livro, ex-presidente ataca seu antecessor, a quem já elogiou em diversas oportunidades. Em seu novo livro, FHC atacou Itamar Franco, chamando-o de “egocêntrico e vingativo”

“Sem Itamar Franco o Plano Real não existiria”.

Essas palavras foram ditas pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), durante o sepultamento do também ex-presidente, Itamar Franco.

A frase, dita em 2011 parece ter sido esquecida por FHC, já que o mesmo, prestes a lançar seu novo livro, “Diários da presidência (1999 – 2000)”, diz em trecho da obra que Itamar Franco “não chegou a ler a proposta do Plano Real”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No livro, Fernando Henrique chama seu antecessor no Planalto de “egocêntrico e vingativo”.

A questão é o que teria feito Fernando Henrique mudar de ideia? O tempo?

O livro escrito por FHC narra os bastidores do governo do país na época em que o autor estava à frente da presidência da República. Quando vai falar sobre o Plano Real, FHC lembra de sua relação com Itamar Franco, e dispara contra o antecessor, se contradizendo do que havia falado na época em que Itamar faleceu.

“Itamar é o irresponsável de sempre. Todo mundo sabe que para fazer o Real foi uma dificuldade imensa. Sei que nem o Plano Real ele leu, ele disse isso a mim na frente do José de Castro, quanto mais leu o orçamento alguma vez na vida. Eu sempre disfarço isso, mas fui a ama-seca dele quando ele era presidente da República. Impedi mil crises, inclusive com os militares”, discorre o ex-presidente em trecho do livro.

No livro, Fernando Henrique também citou o ex-ministro da Justiça, Alexandre Dupeyrat, dizendo que este era o principal empecilho para a aprovação do Plano Real.

O ex-ministro, hoje advogado no Rio de Janeiro rebateu a acusação de FHC, negando ter sido influência negativa para Itamar durante o Plano Real, e lembrou que o governo possuía outras prioridades quando o Itamar assumiu, chegando a classificar a situação das contas públicas herdadas por Franco como “calamitosa”.

“Eu era ministro da Justiça. Se fosse contra, teria saído do governo. A situação do Estado era calamitosa quando Itamar assumiu, estávamos em risco de não poder bancar despesas essenciais, como segurança pública e hospitais”, disse o ex-ministro da Justiça.

Dupeyrat também disse que Itamar era receoso em relação à postura de Fernando Henrique, pois, segundo o mesmo, FHC teria mudado após a oficialização de sua candidatura à presidência.

“O que estranho é que, depois que a candidatura do Fernando se consolidou, ele mudou em relação ao Itamar. Nessa época eu frequentava o gabinete quase todo dia e sentia que o Itamar tinha certo amargor com essa mudança de postura”, encerrou o advogado.

As acusações e o tom com o qual FHC trata seu antecessor, Itamar Franco, não condizem com a postura adotada pelo mesmo quando Itamar faleceu, em 2011. Durante o sepultamento do ex-presidente, Fernando Henrique não poupou elogios e disse que Itamar foi fundamental para a existência do Plano Real.

“Tivemos uma relação cordial no Senado. Sem o apoio dele, não teria feito o Plano Real. O Brasil perdeu uma grande pessoa. Ele tinha um comportamento ético irretocável. Ele era ameno no trato, mas com suas peculiaridades. No conjunto, foi essencial. Assumiu a Presidência com dignidade. Ele me apoiou até o fim, devo muito a ele e o Brasil deve também. Ele era um homem digno, simples, e não aceitava corrupção”, comentou Fernando Henrique na época da morte de Itamar.

Eleições 2018: Três ministros do terceiro reinado

O primeiro movimento é óbvio: aparecer em todas as oportunidades, manifestar-se sobre todos os assuntos, dar palpite sobre cada tema ou acontecimento.

O segundo é uma consequência: deixar claro seu desinteresse em tirar proveito de suas opiniões, sempre a título de colaboração, especialmente se tiver sido professor, pairando acima do conjunto ávido de receber concordâncias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Terceiro: mais do que tudo, negar até o último minuto ilações a respeito de suas verdadeiras intenções, mas acertando sempre nas criticas e no chamamento às necessárias correções. Jamais dizer-se candidato, alegando até mesmo a idade e o dever já cumprido, em se tratando de ex-presidentes.
Por último: valer-se, sem exagerar, das lembranças e artigos favoráveis de antigos colaboradores e fiéis seguidores, mesmo deixando claro não estar concorrendo, apesar de dispor de soluções para as questões mais agudas à vista de todos.
Esse, sem tirar nem pôr, é o roteiro da candidatura de Fernando Henrique Cardoso, aquele que é, dando a impressão de nunca ter sido.
Milimetricamente, peça por peça, o sociólogo cumpre as diversas etapas que o farão ser lançado como denominador comum em meio ao canibalismo de tucanos como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra.
Quando tais ingênuos perceberem, terão sido engolidos pelo ex-presidente, até felizes por evitar derrotas isoladas e imediatas, esperançosos em disputar os futuros mandatos.
Traduzindo: FHC é candidato mesmo, aproveitando-se da vitoria do PSDB nas recentes eleições municipais. Os três pretendentes fracassados poderão até ocupar três ministérios no Segundo Reinado.
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

PF investiga corrupção em compra de termelétricas durante governo Fernando Henrique Cardoso

cerverobrasilcorrupcaoblog-do-mesquitaDe acordo com Polícia Federal, esquema envolve as empresas Alstom/GE e NRG

A Polícia Federal abriu uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção na compra de termelétricas pela Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre os anos de 1999 e 2001.

O documento que consta a abertura do inquérito foi publicado no dia 23 de setembro pela PF no sistema da Justiça Federal do Paraná.

O inquérito policial faz parte da Operação Lava Jato, envolve as empresas Alstom/GE e NRG e tem como base declarações do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, de acordo com a declaração do delegado Roberto Biasoli.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Cerveró cumpre pena em regime domiciliar desde junho. Em seu depoimento de delação premiada, ele afirmou que recebeu propina não apenas na compra das máquinas, mas também R$ 200 mil da empreiteira Camargo Corrêa, direto das mãos do lobista Afonso Pinto Guimarães.

Segundo o ex-diretor da Petrobras, o valor foi pago em parcelas mensais de R$ 15 mil entre 1999 e 2000, durante o governo de FHC. O delator também afirmou que a empreiteira foi responsável pela obra da termelétrica de Nova Piratininga, em São Paulo.

Cerveró disse ter recebido R$ 300 mil dólares da NRG, pela construção da termelétrica TermoRio, que afirmou que o valor foi depositado na conta da Suíça da qual ele é proprietário, administrada por Peter Schmid. Segundo ele, o valor teria sido depositado na conta de uma vez só, em 2000 ou 2001.

Ao jornal argentino ‘Clarín’, FHC diz que Temer não se impôs como líder nacional

De passagem por Buenos Aires para um encontro privado com o presidente argentino Mauricio Macri, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista publicada neste domingo (25) pelo jornal El Clarín, que Michel Temer, no comando do país, ainda não se impôs como um líder nacional e que seu governo precisará reverter a falta de popularidade no curto tempo que resta."PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos"

“(O governo Temer) não é um governo que tenha um ponto de partida popular forte, mas sim um ponto de partida do Congresso forte porque seu poder deriva da vontade dele (do Legislativo). Então, ele terá que preencher um certo vazio de popularidade e, mas que isso, de liderança. Dilma perdeu a liderança e Temer ainda não se impôs como líder nacional. Ele terá que fazê-lo, o tempo é curto e os desafios são enormes”, analisou FHC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”

Questionado pelo jornal se Temer terá a liderança necessária para comandar o país até o final de 2018, o ex-presidente tucano disse que a questão não tem relação propriamente com a popularidade, mas com o compromisso com a História.

“Ele deve falar com o país. O assunto para ele é a história, não é a popularidade. É fazer o que se requer e ter coragem para enfrentar uma situação difícil e persistir. Veja, eu fui ministro da Fazenda sendo sociólogo, e era um desconhecido, mas obtive êxito. Tudo depende das circunstâncias, que também transformam as pessoas”, afirmou.

O Clarín quis saber se Fernando Henrique acredita que Temer terá força para levar adiante algumas reformas, como a da Previdência e a trabalhista, “reformas antipáticas”, como ressaltou o jornal. Segundo FHC, governos de esquerda em todo o mundo tendem a enxergar a condição de desequilíbrio fiscal em seus respectivos países como “progressista”, mas argumentou que a questão da previdência produz desigualdades sociais entre o setor público e o privado que devem ser atacadas por Temer.

“Há uma fixação, não somente no Brasil, com a ideia de que o desequilíbrio fiscal é progressista, de esquerda, enquanto o controle fiscal é de direita. É um erro, nem de esquerda nem de direita, é um erro que deve ser corrigido. Na luta política alguns dirão que se diluíram gastos em educação e saúde. Não necessariamente. Mas dirão para conquistar a opinião pública. Enfoque o tema da previdência: os aposentados do setor privado são 25 ou 26 milhões e o orçamento é de R$ 140 milhões. No setor público são 1 milhão e há R$ 90 milhões de reais. Quer dizer: 90 mil para um milhão e 140 mil para 26 milhões. É uma grande desigualdade. Se o governo ataca essa desigualdade, as pessoas podem aceitar melhor essa mudança”, defendeu FHC.

Indagado sobre o fato de o PMDB ter ocupado a Vice-Presidência da República e depois ter rompido com o próprio governo de Dilma Rousseff, Fernando Henrique justificou a ruptura: “O PMDB também esteve comigo, com o Lula e com Sarney”.

“A verdade é que Temer se distanciou da orientação de Dilma a partir de um certo momento. O PT, certamente, havia logrado uma espécie de hegemonia sobre o conjunto de partidos. Desde a Constituinte de 1988 o sistema político brasileiro contempla dois partidos com certa capacidade de liderança, o PT e o PSDB, e outro que estabiliza, que é o PMDB. Quando esses partidos obtêm apoio da opinião pública e a situação vai bem, como foi com o boom das commodities que beneficiou Lula, então a coisa funciona. E quando não, se perde o rumo. Foi o que aconteceu. O PMDB se deu conta que o PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”.
JB

PT e PSDB: o buraco onde nos enfiaram

Acabou o flá-flu, alerta Renato Janine Ribeiro

Em texto imperdível, ele alerta: “PT e PSDB, os dois melhores partidos que tínhamos, perderam o protagonismo. Autoritários e fisiológicos voltaram com tudo enquanto os irmãos inimigos se esgotaram de tanto brigar. Pior é que não perceberam ainda o tamanho do buraco”

Essa expressão virou lugar comum para indicar a briga, cada vez mais áspera, entre PT e PSDB. Marina Silva tentou, pelo lado do bem, pôr fim a ela, abrindo um diálogo que juntasse as pessoas – vou usar um termo meio antigo – “de boa vontade”.

Não deu certo. O flá-flu acabou mesmo pelo lado do mal, com o PT despencando e o PSDB rachado.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O flá-flu começou após o impeachment de Fernando Collor, em 1992, quando nossos então dois melhores partidos, em vez de se aliarem, se tornaram os principais antagonistas na política brasileira.

Isso, contudo, não foi ruim. Com Fernando Henrique Cardoso chefiando centro-direita e direita, e Lula liderando centro-esquerda e esquerda, os nostálgicos do autoritarismo e os fisiológicos perderam o protagonismo. Reduziram-se a coadjuvantes. Na época, foi bom.

Mas tal configuração durou tempo demais. Os coadjuvantes ficaram no poder por mais tempo do que PT ou PSDB, pois apoiaram um e outro indistintamente. PT e PSDB saíam, o PMDB (e outros) ficavam. Até que o coadjuvante roubou a cena. Os autoritários e fisiológicos voltaram com tudo, enquanto os irmãos inimigos se esgotaram de tanto brigar.

Que projetos temos hoje em cena? Partidos rachados conseguem propor o futuro? É fácil enxergar o PT enfraquecido, mas o PSDB não vai muito melhor -tem cargos, mas não a narrativa.

A inclusão social, na qual os petistas foram tão bons, está recuando, antes mesmo de ser concluída. A retomada da economia, promessa tucana, é mero artigo de fé, de pouca credibilidade, já que o governo que assumiu o poder com essa bandeira só agravou o deficit e os gastos com a cúpula da função pública. O flá-flu acaba, sim, mas os dois lados saem derrotados.

Já a Rede, se tem uns bons candidatos a prefeito, também sente o silêncio de sua principal e inconteste líder, cujo único tema é sugerir novas eleições.

Sim, é certo que uma mudança de orientação, como a representada pelo atual governo – que aplica, aliado à antiga oposição, o programa que o eleitorado derrotou em 2014 – , precisaria ser legitimada nas urnas ou, pelo menos, por um referendo. Marina tem razão, como Tarso Genro e outros, em querer o recurso ao povo soberano. O vazio, todavia, é mais fundo.

Que horizontes temos hoje? Como proposta de país, um corte brutal nos investimentos públicos é muito pouco. A sociedade talvez até o aceitasse, caso vislumbrasse algum projeto. Mas tudo se esgotou.

Os tucanos só prometem a economia. Os petistas só pensam na inclusão social. Esta última é mais nobre, é a grande tarefa ética do Brasil, equivalente à abolição no século 19. Para incluir, entretanto, a economia tem que crescer, e isso o governo Dilma não conseguiu.

Já a coalizão que sustenta o atual governo não convence quanto aos meios (retomada do crescimento) nem propõe nenhum fim, meta ou valor ético para além dele.

Nosso valor ético deveria ser completar a inclusão social, pois só ela pode gerar a igualdade de oportunidades. Sem isso, nosso país continuará disputando as primeiras posições na indecência mundial.

Ninguém ganha com a destruição de PT e PSDB. Quando surgiram, foram dois prêmios para o Brasil, partidos bem melhores do que os que tínhamos. A polarização destrutiva entre eles, a recusa a dialogar nesses últimos dois anos, nos fizeram um mal danado.

O pior é que não perceberam, ainda, o tamanho do buraco. Petistas estão acabrunhados com a derrota. O problema dos tucanos é acreditar que venceram. Estão, apenas, no governo. Não se sabe para quê.

* Renato Janine Ribeiro é professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP) e foi ministro da Educação em 2015 (governo Dilma Rousseff). Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (1set).

Economia – Dívida Externa; A dívida impagável e censurada

Dívida externa. Do Prudente (de Moraes) ao imprudente (FHC). Chegando ao censurado (Meirelles). E a impossibilidade de pagar.

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 Em 120 anos de 1896 a 2016, passou de divida externa para divida publica. Mudou também de irrelevante, para degradante, aviltante, humilhante. E responsável por todas as crises brasileiras, sem que os governantes e adjacentes, percebessem. Agora dá para perceber, mas com uma conclusão lancinante: não ha possibilidade de pagar. Ou melhor: amortizar os juros, fazendo crescer assustadoramente a divida propriamente dita.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os “emprestadores” de dinheiro,como se dizia antigamente, investem muito pouco, no inicio. Mas rapidamente recuperam o investimento, passam a emprestar e reimprestar os juros. Vão acumulando lucros, que reinvestem, naturalmente garantindo parte substancial para compra de imóveis e obras de arte, por prazer e exibicionismo. O volume de dinheiro é tão grande, que sempre existe margem de negociação sem execução.

Prudente assumiu em 1894, com uma divida que parecia irrisória, mas fora agigantada pelos gastos da espantosa, estranha e extravagante Guerra do Paraguai. E pela inflação dos últimos 20 anos, insuflada pelos gastos nababescos, que palavra, da Monarquia. Rui Barbosa, o primeiro Ministro da Fazenda da Republica, sempre se queixava.

Em 1896, um dos Rotschilds, pediu audiência a Prudente, para falar sobre a divida. Mas foi tão imprudente e inábil, que em 10 minutos, Prudente tocou a campainha, apareceu um continuo, recebeu a ordem: “Acompanhe o senhor Rotschild até á porta, ele está de saída”.

O sucessor foi Campos Salles, inteiramente diferente. Aceitou convite do mesmo Rotschild, foi a Londres. Andou de carro aberto pela Old Bond Street. (O centro financeiro da capital). Renegociou a divida de forma vergonhosa. Essas renegociações foram aumentando durante toda a “republica velha”, a ditadura do Partido Republicano, 1889 a 1930. Sucedida pelo golpe que tentaram transformar em Revolução. Que redundou na ditadura Vargas, até 1945.

De 1937 a 1945, a dívida não cresceu por causa da pré-guerra e da guerra propriamente dita. Com o mundo inteiro voltado para a fabricação de armamentos, o Brasil se transformou num grande vendedor.

Não recebia, acumulava saldos, “para serem liquidados depois”. Dutra assumiu com um saldo formidável, que esbanjou desastradamente. Os americanos, mestres em vender matéria plástica como se fosse ouro, e comprar ouro pagando como se fosse matéria plástica, devoraram tudo.

10 anos depois, em 1955, Juscelino se elegeu, assumiu com uma divida já acumulada. No ultimo ano do governo inicio de 1960, chamou Roberto Campos, presidente do BNDE (não tinha o S de social, hoje tem o S mas sem se preocupar com o social) pediu para ele “consolidar” a divida.

Estava em 180 milhões de dólares, foi “consolidada” em 200 milhões. Daí foi crescendo desmesuradamente, por causa dos juros e a falta de pagamento. Ou amortização. Mas atingiu o apogeu nos governos FHC, “o retrocesso de 80 anos em 8”. (Como chamei, com ele no poder).

Foi inacreditável, incompreensível, inaceitável, mas o país aceitou. Os juros chegaram a 40 por cento ao ano. O que significa o seguinte: uma divida de 1 bilhão, em 1 ano passa a 1 bilhão e 400 milhões. No ano seguinte vai para o limite de quase 2 bilhões. E assim incontrolavelmente; (Os juros são verdadeiros, o total de 1 bilhão, singelo e simbólico, apenas para o calculo.

FHC foi tentando reduzir os juros, mas entregou a Lula com 25 por cento ao ano. Juro calamitoso para uma divida estratosférico).
Lula criou o que se chamou de “superávit primário”. Chegou a amortizar 90 bilhões no primeiro ano, depois não deu mais No entanto, reduziu os juros de 25 para 11 por cento.

Dona Dilma trouxe para 7 por cento. Mas não demorou a devastação, os juros foram crescendo, até os inimagináveis 14,25 de hoje. “Justificados” pela alta da inflação, que continuou subindo, até ultrapassar os dois dígitos. E a divida publica, chegou ao limite de hoje: 2 TRILHÕES e 900 BILHÕES.

A media dos juros é de 10 por cento ao ano, uma combinação entre a Selic, o contratado e o cobrado. Daria então 290 bilhões, rigorosamente IMPAGAVEL. Só que no vernáculo, essa palavra tem duas leituras. È o que não pode ser pago. Ou o que provoca enorme gargalhada. Que não é o caso da divida brasileira.

No primeiro dia depois de ser convidado para Ministro da Fazenda, Meirelles, por conhecimento e relacionamento, falou sobre a tragédia da divida publica. Assustado quando soube do total, de dentro para fora, comentou sobre a forma de equacionar a divida. Ha muito tempo não se falava nisso.

Imediatamente foi chamado por Temer. Que naquele estilo entre o dúbio e o melifluo comentou: “Gostaria que você não falasse mais nessa questão da divida”. Lógico, Meirelles atendeu, não quer surrupiar suas imagináveis chances presidenciais, seja quando for. Pode ou deveria ser dentro de 60 dias, se o TSE, assumir ou compreender sua enorme responsabilidade. Ou esperar que um notável documentarista como Silvio Tendler, faça um documentário, que teria o titulo obrigatório: “A divida impagável e censurada”.
Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Guerra às drogas: Cinco ex-presidentes defendem o fim da guerra às drogas

Ex-chefes de Estado divulgaram um relatório pedindo o fim da guerra às drogas. Mas há pouca esperança de mudança para a próxima conferência da ONU sobre o tema.

Cinco ex-presidentes defendem o fim da guerra às drogas
Mudar a abordagem proibitiva da ONU requer apoio dos 193 países-membros
(Foto: Flickr/Neal Jennings)
Após muito dinheiro gasto e muita violência a guerra às drogas mostrou poucos resultados. Por conta disso, a ideia de mudança de abordagem vem ganhando adeptos em vários países.

A última crítica ao modelo vigente veio nesta quinta-feira, 24, através de um grupo de ex-presidentes e empresários que divulgou um relatório chamado “Ending the War on Drugs” (“Finalizando a Guerra às Drogas”).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O documento reúne vários artigos sobre o tema publicados pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, César Gaviria, da Colômbia, Ernesto Zedillo, do México, Olusegun Obasanjo, da Nigéria e Ruth Dreifuss, da Suíça, além de um grupo de especialistas.

O empresário George Soros, que já financiou vários grupos pró-legalização, também participou do relatório. Todos eles condenam o que enxergam como uma derrota política, econômica e de saúde pública.

A divulgação do relatório tem como objetivo influenciar os diplomatas que no mês que vem se reunirão em Nova York para a próxima conferência especial da Assembleia Gera da ONU sobre o tema.

A última conferência ocorreu em 1998, com o slogan “Um Mundo Livre de Drogas”.

Apesar do estímulo a uma nova abordagem, a próxima conferência não gera muitas expectativas.

A mais recente conferência da Comissão de Narcóticos da ONU, encerrou na última terça-feira, 22, com um projeto de declaração que sequer critica o uso de pena de morte para crimes relacionados às drogas, algo que era o mínimo esperado por aqueles que advogam por mudanças.

Os argumentos usados pelos ex-presidentes conseguiram persuadir um considerável número de pessoas a repensar o assunto, incluindo os Estados Unidos.

O país, que antes liderava a guerra às drogas, legalizou o uso medicinal e recreativo da maconha em vários estados e atualmente metade da população americana defende essa ideia.

Porém, mudar a abordagem proibitiva determinada pela ONU requer o apoio de todos os 193 países-membros, muitos deles firmes na decisão de manter a política atual.

O mais provável é que a discussão da reunião do mês que vem seja superficial e leve a entender que as demais conferências não serão reformadas, mas sim ignoradas.
Fonte:Opinião&Notícia

Justiça aceita denúncia sobre corrupção na Petrobras na era FHC

Denúncia agora se torna uma ação penal com Duque e Barusco como réus.Segundo o Ministério Público Federal, pagamentos de propina começaram por volta de 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso

O juiz substituto da 3ª Vara Federal do Rio, Vitor Barbosa Valpuesta, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal sobre pagamento de propina da empresa holandesa SBM Offshore a funcionários da Petrobras e confirmou que casos de corrupção na estatal começaram por volta de 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A denúncia foi feita pelos procuradores em dezembro e agora se torna uma ação penal, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo.

Os réus são os ex-funcionários da Petrobras Jorge Zelada, Renato Duque, Pedro Barusco e Paulo Roberto Buarque Carneiro, e os ex-representantes da SBM no Brasil Julio Faerman e Luís Eduardo Campos Barbosa.

Segundo o Ministério Público Federal, pagamentos de propina começaram por volta de 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso

O juiz Vitor Valpuesta entendeu que há indícios mínimos do cometimento dos crimes apontados, entre eles corrupção ativa, passiva e evasão de divisas.

A decisão de abertura da ação foi tomada no dia 13 de janeiro.

De acordo com o Ministério Público Federal, os pagamentos de propina começaram por volta de 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e seguiram até até 2012, passando pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

O caso começou a ser investigado ainda antes da Operação Lava Jato virar assunto, e por isso corre na Justiça do Rio.
JB