Eleições: sempre que está perdendo a oposição ameaça com período de trevas

A polarização da disputa política nas eleições para presidente do Brasil permite que se vislumbrem dois cenários. Ambos perigosos para a oxigenação, tão essencial, à democracia. Em uma possível vitória de Dilma Rousseff, o PT irá mais e mais estabelecendo uma perigosa hegemonia, estendendo seus (dele) tentáculos com voraz apetite sobre o Estado brasileiro.

Temo, nesse caso, que não haverá mais uma oposição que possas expressar algum vigor. Há exemplo do que aconteceu no governo Lula, essa oposição trafegará entre a ira santa de meia dúzia de indignados e o tráfego de interesses acomodados em um disfarçado governismo aproveitador.

Caso o vencedor seja José Serra, já se sabe que tipo de iracunda, irracional e destrutiva oposição petista o tucano terá que enfrentar.
O Editor


Quando a oposição perde, apita: PRIiiiiii!

O perigo da mexicanização está na transformação do Nosso Guia em “El Jefe Máximo” do Lulato

QUANDO A OPOSIÇÃO brasileira é devastada pelo resultado eleitoral, alguém apita: “PRIiii!”. É um grito de advertência contra o perigo da instalação de um regime de partido único (de fato) no Brasil. Algo parecido com a coligação de políticos, burocratas, sindicalistas e cleptocratas que governou o México de 1926 a 2000, boa parte do tempo sob a sigla do Partido da Revolução Institucionalizada.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O apito de PRI costumava soar depois da eleição. Agora ele veio antes, com um inoportuno componente de derrotismo. Ele soou em 1970, quando a popularidade do general Médici e os camburões da polícia esmagaram o MDB. A oposição ficou com 87 das 310 cadeiras da Câmara, perdendo até o terço necessário para requerer uma CPI. O governo elegeu 42 senadores, perdendo apenas no Rio de Janeiro e na antiga Guanabara. Era o PRI.

Quatro anos depois, o MDB elegeu os senadores em 16 dos 22 estados. Não se falou mais em PRI.

Em 1986, cavalgando o Plano Cruzado, o PMDB de José Sarney elegeu 22 governadores, 36 senadores e a maioria dos deputados. Novamente: PRI! Três anos depois Fernando Collor de Mello elegeu-se presidente da República e, desde então, o apito calou-se, para voltar a ser ouvido agora.

Falar em PRI no Brasil quando o PSDB caminha para completar 20 anos consecutivos de poder em São Paulo é, no mínimo, uma trapaça. Sabendo-se que o PT conformou-se com uma posição subsidiária nas eleições para governadores, o espantalho torna-se risível.

É nessa hora que se deve olhar para o espantalho. Ele não é o que quer o tucanato abichornado, mas o paralelo histórico tem algo a informar. O PRI surgiu depois de uma revolução durante a qual mataram-se três presidentes e desterraram-se outros dois.

Seu criador não foi Emiliano Zapata, muitos menos Pancho Villa (ambos passados nas armas), mas um general amigo dos sindicatos e dos movimentos sociais. Chamava-se Plutarco Elias Calles, assumiu em 1924, saiu em 28 e governou até 1935 por meio de prepostos, fazendo-se chamar de “Jefe Máximo”. Esse período da história mexicana é conhecido como “Maximato”. A boa notícia para quem flerta com um Lulato é que Calles parece-se com Nosso Guia na política voltada para o andar de baixo e até mesmo fisionomicamente, sem barba.

A má notícia vai para a turma do mensalão. Um dia “El Jefe Máximo” teve uma ideia e decidiu entregar o poder ao companheiro de armas Lázaro Cárdenas. Encurtando a história, Cárdenas dobrou à esquerda, exilou meia dúzia de larápios do “Maximato”, inclusive um ex-presidente e, em 1936, despachou o próprio Calles, que ralou cinco anos de exílio.

O que está aí para todo mundo ver é o Lulato, com Nosso Guia pedindo votos para sua candidata e uma grande parte do eleitorado, consciente e satisfeita, dizendo que atenderá com muito gosto ao seu pedido. Um país com a sofisticação econômica do Brasil, com a qualidade da sua burocracia e com o vigor de suas instituições democráticas não cai nas mãos de um PRI qualquer.

Apitando-se, faz-se barulho, e só. O problema da oposição brasileira, com sua vertente demófoba, chama-se Lula, “El Jefe Máximo”, que o embaixador Celso Amorim chamou de Nosso Guia e Dilma Rousseff qualificou como o “grande mestre, ele nos ensinou o caminho”.

Elio Gaspari/O Globo

Dom Quixote de Ferrari

A figura gentil de Cristovam é tão tocante quanto a da criação de Cervantes.
Por: Fernanda Torres

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O Senador Cristovam Buarque declarou à Receita que seu mais precioso bem é uma biblioteca no valor de R$ 400 mil. Fernando Collor de Mello possui o carro mais caro de todo o Congresso: uma Ferrari que custa cerca de R$ 700 mil.

Não condeno o dispendioso gosto automobilístico do ex-presidente.

Afinal, Collor teve recursos para adquirir o bólido. O que me comove é o tesouro de Cristovam Buarque.

O senador lembra o herói de “As Invasões Bárbaras”, o filme canadense que aborda o fim do humanismo. Nele, um intelectual com câncer em estado terminal se despede do mundo sob os cuidados dos companheiros de juventude, todos eruditos e de esquerda, e do filho, um jovem economista neoliberal.

Pragmático e atencioso, o rapaz administra a morte do pai como quem comanda o fechamento do balanço de uma empresa. Sem o filho, o velho comunista acabaria seus dias em uma versão canadense do SUS. Com ele, morre confortavelmente irritado com a constatação de que todos os seus anseios juvenis de igualdade foram para o ralo.

Um abismo separa o idealismo do progenitor da praticidade mercantil do rebento. A mesma discrepância que distancia a Ferrari de Collor da biblioteca de Cristovam Buarque.

Cristovam foi a Marina da última disputa presidencial, na qual se engajou com o objetivo de chamar a atenção para um tema que considerava crucial: a educação.

Marina também atrela seu discurso à educação, mas as bandeiras de sua campanha, a ecologia e a sustentabilidade, são os assuntos do momento.

Eles estão presentes tanto em filmes-catástrofes de Hollywood como em livros extraordinários como “Colapso”, de Jared Diamond. E seu candidato a vice é um empresário que soube transformar o discurso verde e rosa em lucros e dividendos.

Segundo indicam as pesquisas, essas bandeiras, aliadas ao carisma da senadora, podem fazê-la chegar ao primeiro turno com quase 10% do eleitorado. Já Cristovam acabou em quarto lugar na eleição de 2006, chegando atrás até de Heloísa Helena, com apenas dois vírgula nada de votos.

Em 1995, durante seu mandato como governador do Distrito Federal, ele criou o projeto Bolsa Escola. Fernando Henrique nacionalizou a ideia e Lula transformou-a na Bolsa Família.

Por meio desse programa, o presidente distribuiu renda, aumentou o poder aquisitivo dos miseráveis e impulsionou a produção de bens de consumo.

Seria miraculoso se o mesmo resultado econômico alcançado com o Bolsa Família se desse agora com o outro objetivo do Bolsa Escola original, o que Cristovam chamava na campanha presidencial de “revolução da educação”.

O fato de a melhora do nível do ensino ser um dado não computável em pesquisas de curto prazo é uma das razões de a educação ser a mais frágil das necessidades básicas da União e, imerecidamente, uma das mais esquecidas durante as campanhas eleitorais.

O mito de que Lula teria vencido na vida sem estudar me parece enganoso. O presidente não fez faculdade, mas alcançou notório saber durante anos de prática sindical, política e convivência com intelectuais que lutaram pela democratização. Lula teve acesso à educação.

A figura gentil, sensível e delicada do senador Cristovam Buarque é tão tocante quanto a de Dom Quixote, de Cervantes. Um solitário cavaleiro visionário em meio ao violento jogo de interesses do Planalto Central.

Se homens como Cristovam tivessem a voracidade dos que pilotam Ferraris, talvez o problema educacional brasileiro estivesse mais bem encaminhado.

O Terceiro Milênio requer uma certa dose de brutalidade, de Dom Quixotes de Ferrari.

Tancredo Neves, FHC, Lula e Caetano Veloso: alianças e analfabetos

As baionetas democráticas
por Hélio Chaves ¹

Servi à “pátria” em 1979, durante o crepúsculo do regime militar. Período em que manifestações despertavam alvoroços no governo de plantão. Naquele ano, centenas de jovens, como eu, pernoitavam nos quartéis com fuzis servindo como travesseiros. Sacos de areia perfurados por baionetas simbolizavam “os inimigos” que deveríamos combater nos verdes campos da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Na década de 80, fui trabalhar na redação de um jornal onde respirei notícias e fatos políticos. Um deles, a emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para presidente, foi sepultada pela falta de 22 votos no Congresso Nacional. O Colégio Eleitoral passou a ser a alternativa para cerrar de vez as portas do autoritarismo. Mário Andreazza e Paulo Maluf digladiavam na convenção do PDS, no Centro de Convenções da capital. Maluf venceu. Na outra arena, Tancredo Neves fazia acordos até com “Judas” para ser o candidato contra o continuísmo do regime militar.

A batalha final sagrou Tancredo. A euforia tornou-se frustração com o anúncio de sua enfermidade. Foram dias e noites de expectativas até sua morte, em 21 de Abril de 1985 – data propícia para o anúncio. A comoção nacional que tomou conta das ruas prenunciava o que estava por vir. José Sarney assume e convoca seus fiscais. Os bois somem dos pastos. Vivemos a hiperinflação e o “badernaço” – ser intelectual foi insuficiente para resolver as mazelas do Brasil.

Após o fracasso do primeiro governo civil – pós ditadura – surge o jovem caçador de marajás Fernando Collor de Mello, que confisca economias populares e deu no que deu. A bola da vez é o vice Itamar Franco, que governa o que resta sobre o fio da navalha. O Plano Real surge como fada madrinha e coroa Fernando Henrique Cardoso como presidente. FHC governa os quatro anos – generosamente ampliados para oito num movimento oportunista que permitiu o continuísmo, hoje, tão combatido e criticado.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Para a sucessão de FHC, surge uma nova modalidade eleitoral, a do “tenho medo artístico” não surte os efeitos esperados. Lula, o operário, sindicalista e “analfabeto” é eleito. Como um mandacaru que resiste a seca, ele também resiste aos terremotos que abalaram os quatro primeiros anos de governo. Reeleito, seguindo as regras estabelecidas, navega, hoje, nas ondas dos recordes de popularidade e índice de aprovação ao seu governo.

Mas isto não tem sido suficiente para apagar a mácula da falta de formação acadêmica. Num Congresso Nacional em ruínas, passeiam intelectuais e possuidores de diplomas, que pelo visto não servem sequer, como enfeites de parede. Ao chamar o presidente de “analfabeto”, mesmo com voz melodiosa, Caetano Veloso, o faz de forma pejorativa e preconceituosa. Críticas feitas sob o véu da fama – mas artista pode tudo, né?

Outro fato recente foi o artigo do ex-presidente “doutor”, que num passado próximo pediu “esqueçam tudo que eu escrevi”, mas que volta ao cenário com sua pena em forma de baioneta “democrática intelectual” afiada, na tentativa de sangrar… Defensores da liberdade de expressão e de manifestação, afirmam que tais manifestações devem ser respeitadas. Sendo assim, não se espantem se o “analfabeto”, contra-atacar com o ditado árabe – Os cães ladram e a caravana passa. O que, certamente, seria considerado como mais um impropério presidencial.

¹ Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo.

Collor é o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras

Brasil: da série “Só dói quando eu rio!”

Cada Academia de Letras tem o Sarney que merece.

O editor

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) foi eleito nesta quarta-feira o mais novo membro da Academia Alagoana de Letras (AAL). Collor passa a ocupar a 20ª cadeira, deixada pelo médico Ib Gatto Falcão. Apesar de não ter livros conhecidos, a eleição do senador, que recebeu 22 votos, foi festejada por integrantes da instituição e amigos.

Collor foi representado pelo presidente do Conselho Estratégico da Organização Arnon de Mello (OAM), Carlos Mendonça:

– O senador Fernando Collor está muito feliz e satisfeito com a escolha do seu nome para ingressar na Academia Alagoana de Letras – declarou Mendonça.

Carlos Mendonça destacou que para o senador é uma grande vitória poder ocupar uma cadeira na qual esteve sentado o Dr. Ib Gatto Falcão e estar na casa que um dia também foi ocupada por seu pai, o senador Arnon de Mello.

Mercadante, Plano Collor e o desprezo da história

Este outro bigode enganador do senado parece, à semelhança do Sarney, abrigar assuntos nada republicanos sob os, eruditamente falando, “pelos faciais localizados entre o nariz e o lábio superior”.

Convém recordar, no momento em que emerge das tumbas do lixo da história o inacreditável caçador de marajás das Alagoas, que o bigodudo filhote da Avenida Paulista, à época, foi um ardoroso defensor do Plano Collor, engodo gestado na bolerante mente da inoxidável Zélia Cardoso de Melo.

Mercadante é um dos muitos fundadores do PT, que preferiu trocar a dignidade pelo poder. No ostracismo em que está colocado desliza aceleradamente para a sarjeta eleitoral.

O editor

Pena ou desprezo?
Clovis Rossi – Folha de S.Paulo

Chego a sentir certa pena do senador Aloizio Mercadante, o líder do PT no Senado, quando ele diz que o motivo que o levou a fugir do plenário na quinta-feira é este: “Não queria ver minha foto naquela moldura”.

Pena, senador, que sua foto já esteja naquela moldura desde que aceitou silenciosa, mas gostosamente, a aliança de seu partido com algumas das figuras mais deploráveis da política brasileira.

Ou Mercadante não participou ativamente da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, ano em que Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello estavam lado a lado, praticando as infâmias arquiconhecidas?

Não creio que o senador petista tenha uma formação tão religiosa que lhe permita acreditar no arrependimento dos pecadores. Portanto, só aceitou conviver e ser “companheiro” de Collor e Renan (para não citar uma bela quantidade de outros não menos deploráveis) em nome de agarrar-se ao poder a qualquer custo, mesmo que seja um custo deplorável.

Mercadante foi, durante as campanhas presidenciais do PT, a melhor fonte sobre assuntos econômicos. E melhor aí é, sim, juízo de valor, embora muita gente, inclusive no próprio partido, faça severas restrições aos conhecimentos do hoje senador.

Muito bem. Após a posse, Mercadante foi escanteado. Um dia, em almoço no Itamaraty para o então primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, sentamos à mesma mesa e ele me disse que se sentia “emparedado”, porque tinha críticas, mas a lealdade ao chefe o impedia de fazê-las.

Collor será mais um analfabeto em uma Academia de Letras

Brasil: da série “só dói quando eu rio!”

Com aquilo provavelmente mais roxo que nunca, os olhos injetados de ódio e a boca espumante de paranóias, mas sem nunca ter escrito um bilhete de acabar namoro, o inefável Fernando Collor de Mello será o mais novo membro da Academia Alagoana de Letras. Faz sentido.

Essas inúteis academias a muito deixaram de reconhecer a meritocracia. Passaram a ser bordéus de rapapés aos poderosos.

Afinal, a Academia Brasileira de Letras não tem entre seus atuais membros portentos da literatura como Paulo Coelho, Sarney e Marco Maciel?

Nesse âmbito que diferença fará um analfabeto a mais em mais uma servil confraria? Collor tem o ‘mérito’ de ter trazido ao vocabulário corriqueiro a palavra ‘impeachment’.

Não se admirem se o próximo ‘intelequitual’ seja o apedeuta do agreste. Em breve, é possível, vermos “dom Inácio” vestindo o fardão da Academia Brasileira de Letras. Nem que seja através de medida provisória.

Tremei Machado de Assis!

O editor

Collor se tornará imortal

Apesar de nunca ter publicado um único livro, ex-presidente da República será eleito para ocupar cadeira na Academia Alagoana de Letras

Autor de um único livro, que ainda nem foi publicado, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) será o próximo ocupante de uma cadeira na Academia Alagoana de Letras e entrará para o grupo de imortais, ao lado de historiadores e literários.

Famoso por seus discursos áridos no plenário do Senado e pelo grande poder de oratória, o ex-presidente da República tem o apoio de praticamente todos os integrantes da entidade e tornou-se candidato único à sucessão da cadeira 20, que era ocupada pelo falecido poeta e defensor da cultura alagoana Ib Gatto.

A eleição de Collor deve acontecer no próximo dia 20. Para justificar a escolha, que deve ser feita por unanimidade, os integrantes da academia ressaltam o talento como orador e a atuação do parlamentar à frente do grupo de comunicação Arnon de Mello, que Collor herdou do pai.

Para tornar-se candidato, o ex-presidente apresentou à entidade uma coletânea dos seus discursos e artigos sobre os mais variados temas. Também mostrou um esboço do livro que escreve há anos sobre sua versão do impeachment. O livro, intitulado A crônica de um golpe, está em fase final de produção.

Em plenário, o senador já anunciou que pretende lançá-lo em breve. “A história dos homens se escreve com palavras vitoriosas, e se agora posso relembrar aqueles momentos com o distanciamento do tempo, é porque a vitória, no final, seria minha”, diz um trecho do primeiro capítulo.

A Academia Alagoana de Letras é atualmente presidida pelo médico Milton Ênio, defensor declarado da escolha do senador para o grupo de imortais. Ênio é amigo da família Collor há quase 30 anos.

Outro entusiasta da eleição de Collor é o ex-secretário de Saúde José Medeiros. “Ele apresentou tudo que era preciso. Achávamos que poderia haver outros candidatos, mas ninguém se inscreveu”, comenta.

Izabelle Torres – Correio Braziliense

Mercadante, Plano Collor e o desprezo da história

Este outro bigode enganador do senado parece, à semelhança do Sarney, abrigar assuntos nada republicanos sob os, eruditamente dizendo, pelos faciais localizados entre o nariz e o lábio superior.

Convém recordar, no momento em que emerge das tumbas do lixo da história o inacreditável caçador de marajás das Alagoas, que o bigodudo filhote da Avenida Paulista, à época, foi um ardoroso defensor do Plano Collor, engodo gestando na bolerante mente da inoxidável Zélia Cardoso de Melo.

Mercadante é um dos muitos fundadores do PT, que preferiu trocar a dignidade pelo poder. No ostracismo em que está colocado, desliza silenciosamente para a sarjeta eleitoral.

Assim, nem pena, exceto no âmbito judicial e enorme desprezo.

O editor

Pena ou desprezo?
Clovis Rossi – Folha de S.Paulo

Chego a sentir certa pena do senador Aloizio Mercadante, o líder do PT no Senado, quando ele diz que o motivo que o levou a fugir do plenário na quinta-feira é este: “Não queria ver minha foto naquela moldura”.

Pena, senador, que sua foto já esteja naquela moldura desde que aceitou silenciosa, mas gostosamente, a aliança de seu partido com algumas das figuras mais deploráveis da política brasileira.

Ou Mercadante não participou ativamente da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, ano em que Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello estavam lado a lado, praticando as infâmias arquiconhecidas?

Não creio que o senador petista tenha uma formação tão religiosa que lhe permita acreditar no arrependimento dos pecadores. Portanto, só aceitou conviver e ser “companheiro” de Collor e Renan (para não citar uma bela quantidade de outros não menos deploráveis) em nome de agarrar-se ao poder a qualquer custo, mesmo que seja um custo deplorável.

Mercadante foi, durante as campanhas presidenciais do PT, a melhor fonte sobre assuntos econômicos. E melhor aí é, sim, juízo de valor, embora muita gente, inclusive no próprio partido, faça severas restrições aos conhecimentos do hoje senador.

Muito bem. Após a posse, Mercadante foi escanteado. Um dia, em almoço no Itamaraty para o então primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, sentamos à mesma mesa e ele me disse que se sentia “emparedado”, porque tinha críticas, mas a lealdade ao chefe o impedia de fazê-las.

Collor de Mello e o Retorno de Macbeth

O Retorno de Macbeth
Theófilo Silva ¹

É Lady Macbeth, que fala para o marido: “teu rosto meu barão, é um livro em que os homens podem ler estranhas coisas…”. O marido é Macbeth, personagem de Shakespeare, um barão medieval que três bruxas prognosticam com futuro rei da Escócia! Macbeth é picado pela serpente da ambição e junto com a esposa mata o gentil rei Duncan, toma posse do trono e torna-se um tirano destruindo a paz de seu reino e de seus súditos.

As Bruxas já tinham predito que ele, “viverá como um maldito” já que vendeu sua alma para elas. Macbeth não está satisfeito já que as bruxas disseram que ele não geraria herdeiros, daí sai destruindo tudo ao seu redor. Torna-se um perverso, um sujeito que: “as múltiplas vilanias da natureza enxameam nele”. Um de seus primeiros alvos é Banquo, que as bruxas apontaram como futuro pai de reis. Macbeth manda assassinar Banquo, mas seu filho, Fleance consegue escapar. A fuga de Fleance não permite que Macbeth descanse.Um dos assassinos já tinha dito: “sou um homem, meu suserano, a quem os golpes vis e os maus tratos do mundo exasperaram tanto que estou disposto a tudo para ofendê-lo”. Na realidade o assassino está retratando o espírito do tirano.

Seus desatinos continuam, e os filhos de Duncam começam a juntar forças para tirá-lo do trono. Para piorar, sua esposa enlouquece e comete suicídio. Com o controle da situação fugindo dele, pronuncia frases que nos inspiram pavor: “De tal modo estou mergulhado no sangue”. ”Saciai-me de horrores! A desolação, familiar a meus pensamentos de morte, já não produz em mim qualquer emoção…”.

Uma batalha se aproxima, os nobres partem para expulsá-lo do trono. Durante a luta, ele achando-se invencível por estar protegido por bruxarias, encara o velho guerreiro Siward, que ao ouvir o nome Macbeth, proclama: “nem o próprio demônio poderia pronunciar um nome mais odioso aos meus ouvidos”. Mas, Macbeth se declara um “homem ousado que tem coragem para olhar na cara o que poderia fazer para empalidecer o demônio”.

A líder das bruxas vendo que seu império do mal está desmoronando, prognostica mais uma vez: “ele desprezará o destino, desafiará a morte e terá esperanças acima da sabedoria, da piedade e do temor”. É uma tragédia de horrores, essa de Shakespeare: bruxaria, assassinato, suicídio, tirania, demônio e etc. É muita imaginação do Bardo inglês. Isso existe na vida real?

Eu pergunto a todos vocês, vistes os olhos de Collor de Mello — sentado em sua poltrona no senado — quando agredia o senador Pedro Simon? O sujeito bufava, não piscava os olhos, parecia drogado ou mesmo tomado por um espírito maligno. Algum tipo de droga o dominava. Comportava-se como um alucinado que perdeu sua alma. Igual a Macbeth quando retorna da caverna das três harpias. Lembremo-nos de seu governo e de toda a tragédia que aconteceu depois! Incluindo mesmo magia negra.

Pedro Simon confessou-se apavorado com aquele olhar. Um olhar que o Brasil conheceu e que tantos e abomináveis sofrimentos lhe trouxe. Um consolo nos resta. Quando Macbeth matou Duncan, uma voz do além disse para ele: “Nunca mais dormirás! Macbeth assassinou o sono”.

A cara de Collor de Mello é de quem nunca mais dormiu! Collor assassinou o sono! Isso nos conforta!

¹ Theófilo Silva é presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília

>> biografia de Shakespeare

Collor e Sarney: memória da lama

“Ajuda-memória: Fernando Collor de Mello vem a ser aquele cidadão que com maior virulência atacou o governo Sarney, a ponto de chamá-lo de ladrão, pelo que jamais pediu desculpas.

Sarney nunca escondeu o profundo rancor que sentia pelo seu desafeto, que, aliás, só se elegeu porque era o mais vociferante crítico de um presidente que batia recordes de impopularidade.

Ao abraçar Collor e aceitá-lo na sua tropa de choque, Sarney implicitamente dá atestado de validade aos ataques do Collor de 1989 e, por extensão, junta-se a ele na lama.

Que Collor, o indecoroso com condenação tramitada em julgado, ressurja com os mesmos tiques e indecências de antes compõe à perfeição o lodaçal putrefato que é a política brasileira. ”

Clovis Rossi