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China continua a descer a ladeira. Como previsto.

Sem pretensão à pitonisa, escrevi lá em 2010 que era técnica e economicamente impossível um país crescer constantemente a 10% anualmente. Ali já ficava claro que era contabilidade de “talhadeira e marreta”.

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A chefona do BC americano, FED, afirmou que as condições financeiras da China, a segunda maior potência econômica, podem prejudicar o ritmo de crescimento dos EUA.

Em relação à China, a queda do yuan teria intensificado a incerteza sobre a política cambial chinesa, pois teria aumentado a volatilidade do mercado financeiro, derrubando os preços das commodities.

Detalhe: a China é a maior investidora dos Títulos do Tesouro em papel pintado, ops, dólares, do Tio Sam.

Quanto ao Brasil, pra variar estamos no fio da navalha. Enquanto a PEC monopoliza discussões – não adianta o trololó de parte a parte pois só aumentará o tamanho do buraco, se a recente desvalorização da moeda chinesa se intensificar, o Brasil será inundado de produtos chineses, que devem comprar cada vez mais barato a matéria-prima brasileira.

Ps. Pros lados dos Bilderbergse dos aquinhoados com a Conferência de Bretton Wood, houve-se espoucar de foguetes e estouros de “Veuve Clicquot”
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Política do Fed gera desigualdade, diz Nobel de economia

Em entrevista ao Business Insider, o prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz afirmou que a presidente do Fed (banco central dos Estados Unidos) tem feito um bom trabalho no comando da autoridade monetária americana.

O prêmio Nobel de Economia, Joseph StiglitzJoseph Stiglitz: para ele, presidente do Fed tem feito um bom trabalho até agora.
Segundo ele, Yellen foi a primeira pessoa no cargo a assumir que as políticas do Fed geram “desigualdade de riquezas”. O economista entende que o momento atual é desafiador para a economia americana e disse que a presidente do Fed tem acertado em manter os defensores do aumento de juros em segundo plano, especialmente por causa da fraqueza do mercado de trabalho.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na última quarta-feira (21), o Fomc (comitê de política monetária do Fed) decidiu manter inalterada a taxa de juros dos EUA em seu atual patamar, entre 0,25% e 0,50% ao ano.

“Eu apoiei fortemente a ida de Yellen à presidência do Fed. Eu acho que ela está trabalhando em um ambiente bem difícil. Ela tem se mostrado aberta ao fato de que há limites na política monetária”, disse Stiglitz. “O que nós precisamos é de uma política fiscal, mas isso não está muito próximo.”

De acordo com ele, Yellen “é a primeira presidente entre praticamente todos os que passaram pelo banco central americano a apontar que o que o Fed faz gera desiqualdade, desigualdade de oportunidades”. O Nobelde economia se referiu às políticas do Fed, especialmente o QE (quantitative easing —programa de recompra de ativos).

“Quando você reduz a taxa de juros a zero ou próximo de zero, isso prejudica os aposentados. Quem fica com a riqueza? A riqueza fica com as pessoas no topo da pirâmide. Então, o QE, apesar de não ter sido intencional, acabou ampliando a desigualdade”, afirmou.

“O grande debate é há os defensores da elevação dos juros, e a Yellen, como membro do conselho de política monetária, está tentando lidar com os políticos nesse cenário desafiador. Por outro lado, eu acredito que, agora, há muitas pessoas no conselho preocupadas com o desemprego nos EUA. E a Yellen é uma dessas pessoas.”

Sobre o que esperar para os próximos meses, Stiglitz acredita que o mercado de trabalho é o que mais preocupa. “Quando eu olho para a economia americana, eu vejo que o risco de inflação permanece muito, muito remoto e a persistência do desemprego permanece muito real”.

“Muitas pessoas veem a taxa de desemprego dos EUA abaixo de 4% e se perguntam: não é uma boa taxa? A resposta é que o mercado de trabalho continua muito fraco. Uma prova disso é a baixa participação da força de trabalho. Tem muitas pessoas que deixaram de procurar emprego ou que foram forçadas a aceitar trabalhos de meio período”, completou.

Efeito

A decisão do Fomc de manter os juros inalterados nos EUA não foi surpresa para o mercado. “O Fed está na seguinte situação: ele tem que subir os juros, mas não pode fazer isso de maneira rápida. Por isso, cria volatilidade de vez em quando para ‘ajustar’ as carteiras bancárias”, afirmou André Perfeito, economista-chefe daGradual Investimentos.

“É parecido com o dilema de um general que no campo de batalha tem de recuar seu exército: ele precisa fazer isso não tão rápido que pareça covardia, nem tão devagar que pareça provocação”, continuou o economista.

Segundo Perfeito, “há bons motivos para desconfiar que os juros já cumpriram o papel nesse mundo sem futuro, onde a liquidez empoça fartamente nos balanços bancários”.

“Se de um lado a atividade bancária tradicional perdeu sentido uma vez que não tem para quem emprestar (…), por outro subir os juros pode ser um desastre justamente para os bancos tradicionais que estão com suas tesourarias lotadas de títulos. Ou seja, elevar os juros implica que o preço dos títulos irá cair e, assim, teremos mais perdas patrimoniais nos balanços bancários”, concluiu o economista.

Câmbio

A possível elevação dos juros nos EUA é monitorada de perto nos países emergentes, porque a expectativa é de que um aumento da taxa pressione a cotação do dólar para cima.

Uma alta dos juros deixaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano mais atraentes, o que provocaria uma migração de recursos hoje alocados nos emergentes de volta para os Estados Unidos.

Com menos oferta de dólar nos emergentes, a cotação da moeda americana subiria em relação às divisas locais. No Brasil, alguns especialistas acreditam que o cenário político interno pesaria mais sobre o câmbio do que a política monetária americana.

Roberto Indech, analista da corretora Rico, é um deles. “Caso medidas de ajuste fiscal como a PEC que limita os gastos do governo e a reforma da previdência sejam colocadas em votação no curto prazo, há a perspectiva para uma melhora na economia, o que valorizaria o real”, disse.
Anderson Figo, de EXAME.com

O mundo chacoalha e nós caímos

Com poder moderado de reverberação (por enquanto) as dúvidas com relação à economia internacional inflaram um bocado nos últimos dias. Até então, a China monopolizava os receios com a ameaça de um menor crescimento de sua economia.

Economia Mundial,Crise,Blog do Brasil,China

O preço do petróleo corria por fora, caindo ao menor nível da década e incitando os grandes produtores a fecharem suas bombas para equilibrar a oferta no mercado internacional.

De repente os bancos europeus entraram na roda evidenciando o enfraquecimento persistente das economias da zona do euro depois da crise de 2008/09.

Desta vez, diferentemente do que aconteceu na quebradeira de oito anos atrás, o problema não é a exposição aos títulos podres que inundavam o mercado à época.

Agora, é o baixo crescimento aliado à taxa de juros negativa e baixíssimo apetite por consumo que coloca os bancos na linha de tiro dos investidores.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Banco ganha dinheiro emprestando dinheiro. Com o atual nível de juros na zona do euro e sem crescimento das concessões de crédito, a margem de lucro dos bancos cai. Se fosse só isso, tudo bem.

O que o investidor mais teme, e por isso está derrubando o preço das ações de instituições europeias, é quanto a retaguarda protetora do sistema.

Até agora, o Banco Central Europeu e os governos de cada país estavam bancando (literalmente) os riscos e perdas dos grandes bancos. Mas este caixa parece ter acabado.

Antes de virar uma crise de fato, a chacoalhada atual testa níveis de confiança, de eficiência das políticas econômicas e de fôlego da administração pública europeia em lidar com a letargia dos países do continente.

O chato é que esse teste pode custar caro e adiar aquela recuperação e estabilidade esperadas pelo menos para os mais ricos.

Caso até dos Estados Unidos – lá, a presidente do banco central americano (FED, Janet Yellen), corroborou a percepção de risco e alertou que a maior economia do mundo pode sentir o baque do cenário atual e suspender a trajetória de crescimento e normalização das estratégias financeiras adotadas desde 2008 – adiando também uma nova alta dos juros dos EUA e um fortalecimento do dólar.

Enquanto o mundo chacoalha, o Brasil tomba.

O mercado financeiro local segue o fluxo internacional: Bovespa cai, dólar sobe. Numa interpretação mais realista é possível dizer que o país já tombou há um tempo e agora pode ser atropelado pela boiada solta lá fora.

Na prática deveremos sentir dois efeitos diferentes pelo mesmo motivo.

O dólar, apesar de ter subido nesta quinta-feira (11), deve assumir uma trajetória de desvalorização no curto prazo. Com o dólar mais barato, diminui a pressão sobre a inflação brasileira. Por outro lado, a queda no preço da moeda americana enfraquece as exportações – uma das únicas fontes de manutenção da atividade na economia doméstica. Sem contar que, se o mundo crescer menos, quem vai comprar mais de nós?

Ainda é impossível prever se este será um novo ciclo negativo para a economia internacional ou apenas uma fase de adaptação ao mundo novo pós-crise de 2008. Qual seja, um mundo com menos dinheiro no bolso e pouca coragem para gastar.

Se eles lá estão com a carteira mais magra, aqui no Brasil nem carteira carregamos mais – o desemprego e a inflação levaram tudo.
por Thais Herédia/G1

Tempestade perfeita: podemos estar caminhando para uma nova crise global?

ReutersSobre a freada da economia da China, George Soros diz que o país ‘tem um grande problema de adaptação’ – Image copyright Reuters

Não faz nem uma década que as bolsas em todo o mundo desabaram com o anúncio da quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, e já há quem sinta as vibrações de um novo terremoto financeiro de proporções globais.

Diante da freada da economia chinesa, da brusca queda do preço do petróleo e da expansão do fenômeno dos juros negativos em países ricos, alguns economistas têm defendido que uma nova crise como a de 2008 estaria se avizinhando.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O megainvestidor George Soros, por exemplo, levantou essa possibilidade durante um evento no Sri Lanka, no mês passado. “Quando olho para os mercados financeiros há um sério desafio que me faz lembrar da crise de 2008”, disse.

Há, certamente, quem considere as comparações exageradas – ou mesmo perigosas, como afirmou o Secretário do Tesouro americano, Jacob Lew.

“Adoto um otimismo cauteloso ao olhar essas muitas áreas (da economia global) em que há riscos”, disse Lew em entrevista a BBC News. “Acho importante não permitir que esses riscos se tornem profecias autoanunciadas.”

No entanto, mesmo autoridades e economistas mais céticos sobre um novo crash global admitem que 2016 começou com um perigoso “coquetel” de ameaças econômicas – como definiu recentemente o ministro das Finanças britânico, George Osborne.

Mas, afinal, quais são os sinais que estão gerando tanta incerteza no que diz respeito à economia internacional? E como essas turbulências poderiam afetar o Brasil em um momento em que o país tenta superar dificuldades internas?

Para o professor de economia da PUC Antônio Carlos Alves dos Santos, a economia internacional enfrenta uma espécie de “tempestade perfeita”.

As dificuldades começaram com o desaquecimento da China e seu impacto sobre os preços das commodities.

No início do ano, uma grande instabilidade da bolsa de Xangai reforçou as suspeitas de que a economia chinesa poderia ter uma desaceleração drástica – o que no jargão econômico é conhecido como “hard landing”.

Soros, ao fazer o paralelo com 2008, mencionou justamente as incertezas sobre o gigante asiático.

“A China tem um grande problema de adaptação”, disse, explicando que o país está com dificuldades para encontrar um novo modelo de crescimento.

Petróleo e juros

ThinkstockQueda no preço do barril de petróleo amplia a incerteza para 2016
Image copyright Thinkstock

A queda do preço do barril de petróleo para abaixo dos US$ 30 também foi um fator que ampliou o clima de incertezas em 2016.

O produto já acumula uma desvalorização de 70% desde 2014. Primeiro, em função de uma demanda fraca – para a qual também contribuiu o desaquecimento chinês. Segundo, porque o período de bonança do setor impulsionou uma série de investimentos em novas áreas de exploração e fontes alternativas de combustível fóssil – o que acabou levando a uma superprodução.

“Agora, a incógnita é como as empresas do setor e seus credores serão afetados por esse novo patamar de preços”, diz Santos.

“Temos rumores, por exemplo, de que produtoras de gás de xisto nos EUA estão passando por sérias dificuldades financeiras”, completa Wilber Colmerauer, diretor do Emerging Markets Funding, em Londres.

“E também há dúvidas sobre o impacto desse novo cenário nos bancos que emprestam para empresas e países produtores.”

A terceira fonte de incertezas no cenário global são as taxas de juros negativas adotadas por alguns países para seus títulos e depósitos das instituições financeiras nos Bancos Centrais.

Colmerauer explica que essas taxas negativas comprimem as margens de lucro dos bancos – então há quem acredite que alguns deles podem ter problemas.

“A verdade é que nunca vimos tantos países adotarem essa política de juros negativos, trata-se de um fenômeno novo. Então há muita incerteza sobre quais podem ser suas consequências”, diz.

Segundo o banco J.P. Morgan, há hoje cerca de US$ 6 trilhões em títulos públicos com juros negativos, o dobro do que há dois meses.

Na semana passada, até o FED, o Banco Central americano, anunciou que deixaria em aberto a possibilidade de adotar os juros negativos em função das adversidades da economia global, gerando grande alvoroço nos mercados que esperam um aumento da taxa este ano.

Já praticam juros negativos em seus títulos ou como taxa de referência o Banco Central Europeu, a Suécia, a Dinamarca e a Suíça, além do Japão, que recentemente emitiu pela primeira vez um título de longo prazo com rentabilidade negativa.

Se um país adota os juros negativos, na prática os investidores têm de pagar para emprestar seu dinheiro – em vez de receber uma remuneração. Os bônus de dez anos do governo do Japão, por exemplo, foram negociados por -0,035%, o que significa que quem emprestar para o país hoje, daqui a uma década poderá reaver um pouco menos do valor investido.

O fenômeno é impulsionado por uma corrida por economias de baixo risco. A lógica é que há tanta instabilidade no mercado que os investidores não se importam em perder um pouco de dinheiro pela certeza de que seus ativos estarão seguros.

Do lado das autoridades financeiras, o objetivo é estimular investimentos na economia real e, em alguns casos, combater a deflação – ou seja, a queda sistemática dos preços.

BBCO fato de o FED ter mencionado taxa de juros negativa como opção é sinal de que banco não considera retomada da economia dos EUA segura

O problema é que muitos interpretam essa política como um sinal de que as autoridades financeiras do país em questão não acreditam que sua economia vá melhorar tão cedo – e continuam preferindo perder pouco sem risco a arriscar perder muito investindo em uma economia pouco dinâmica.

O fato do FED ter mencionado a taxa de juros negativa como uma opção, por exemplo, acabou sendo interpretado pelos mercados como um sinal de que o banco ainda não considera que a retomada da economia americana é segura.

Queda no crescimento

Recentemente, o Banco Mundial contribuiu para essas visões mais pessimistas ao revisar sua previsão de crescimento para a economia global este ano de 3,2% para 2,9%.

Para Santos, porém, o cenário complicado não quer dizer que haverá um crash. “Há uma compreensão dos líderes globais de que isso deve ser evitado e várias medidas podem ser tomadas nessa direção”, diz ele.

“Só para mencionar um exemplo: a Arábia Saudita pode ser convencida a cortar sua produção de petróleo e voltar a atuar com uma estabilizadora desse mercado.”

No que diz respeito ao impacto de um eventual aumento das turbulências externas no Brasil, parece haver certo consenso de que se já não estava fácil para o país voltar a crescer em função de fatores internos – como a crise política -, a tarefa ficaria ainda mais difícil com um vendaval lá fora.

O atual cenário, de desaceleração das economias do sul do globo, é bem diferente do da crise de 2008, quando países emergentes atraíram a atenção de investidores que não conseguiam mais ganhar dinheiro em países desenvolvidos.

Segundo Colmerauer, hoje uma nova crise global poderia gerar uma fuga de capitais do Brasil (embora, para ele, também não haja sinais claros de que caminhamos para um colapso).

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Nova crise global pode gerar fuga de capitais do Brasil e uma desvalorização ainda maior do real – Image copyright Thinkstock

O resultado seria uma desvalorização ainda maior do real que, ao afetar o preço de produtos importados ou exportáveis (que no geral seguem os preços do mercado externo), pressionariam a inflação.

As exportações poderiam ganhar competitividade com um real mais fraco. Por outro lado, com uma economia global menos aquecida, a demanda por produtos exportados também seria menor.

“Com essa onda de juros negativos, podemos dizer hoje que o crédito está barato para quem tem um bom nome na praça”, diz Colmerauer. “Fossem outros tempos o Brasil poderia se aproveitar disso e tomar recursos emprestados para investir em infraestrutura, por exemplo. Mas com as nossas dificuldades internas, problemas econômicos e a perda de grau de investimento estamos em um outro grupo de países: o dos que tem cada vez mais dificuldade para atrair recursos mesmo aumentando muito suas taxas de juros.”

Para Santos, um dos grandes problemas para o Brasil é que a falta de acordo entre os grupos políticos pode dificultar uma reação a qualquer situação mais complicada que possa surgir no cenário internacional.

“Em situações de crise global, muitas vezes é preciso dar respostas rápidas”, diz ele. “Mas o governo e a oposição estão demonstrando ter uma imensa dificuldade de chegar a consensos, em construir uma pauta mínima em nome de um bem comum”, opina.
Ruth Costas/BBC

Quatro enigmas da economia da América Latina em 2015

Região busca retomar crescimento após pior desempenho desde 2008, mas queda no preço das commodities, dólar valorizado e menor demanda global são desafios

Crédito: Thinkstock
Com previsões pouco otimistas para economias mundo afora, a América Latina terá de lutar contra a corrente em 2015 para buscar crescimento econômico.

A tendência de queda no preço das commodities, o fraco dinamismo da demanda global e a valorização do dólar jogam contra ─ e colaboraram para o crescimento mais baixo da região desde 2008: apenas 1,1%.

O órgão da ONU para a região, a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), prevê um melhor desempenho em 2015, de até 2,2%.

No entanto, a previsão, baseada em dados de 33 países da América Latina e do Caribe, esconde diferenças inevitáveis.

A mais importante é que o crescimento regional se recupere graças ao bom desempenho de economias de menor peso regional, como Panamá (7,0%), Bolívia (5,5%), Peru, República Dominicana e Nicarágua (todos com 5,0%), enquanto nações como Brasil e Argentina ─ como mais capacidade de tração que o restante ─ têm previsões mais modestas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

México e Chile, por sua vez, podem ajudar a puxar a taxa para cima, já que a previsão para ambos é de 3%.

Leia mais: Os Estados Unidos vão subir os juros em 2015?

Mas como toda previsão, ela depende de alguns fatores fundamentais. Veja os quatro principais:

1. Economia global

A economia mundial ainda não se recuperou da crise financeira de 2008 e de seus impactos. A opinião de órgãos públicos como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e privados, como o Goldman Sachs, é que o ano de 2015 será ligeiramente melhor do que os anteriores, mas que a economia global não recuperará o dinamismo anterior à hecatombe de 2008.

“No melhor dos cenários, estamos falando de uma Europa com um crescimento lento, mas sem deflação; de um maior dinamismo americano e de uma China com uma leve desaceleração, mas ainda assim crescendo 7% ao ano”, diz à BBC Daniel Titelman, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal.

“Mas, em um cenário mais complexo, teríamos uma crise mais profunda na zona do euro, com impacto nos Estados Unidos e na economia global e, assim, nessa região”, acrescenta ele.

Em ambos os casos, a profundidade do impacto dependerá dos vínculos internacionais de cada país.

O crescimento americano é muito positivo para a América Central e para o México, enquanto a desaceleração chinesa tem um impacto maior sobre os países exportadores de matérias primas.

Já uma situação crítica da União Europeia teria um forte peso sobre todo o comércio mundial.

2. Matérias primas

Desde o começo do século, a região se beneficiou com a alta no valor das matérias primas, mas nos últimos anos o preço das commodities vem caindo.

Em 2013, o valor médio de produtos primários (minerais, energéticos e alimentos) sofreu uma queda de 5% e, em 2014, 10%.

“Acreditamos que o petróleo continuará com sua tendência de queda, enquanto os preços de minérios se manterão ou sofrerão uma queda muito leve, enquanto o dos alimentos terão uma ligeira melhora”, afirma Titelman.

Assim, se analisarmos os países em conjunto, a América Central, que importa energia, se beneficiará, enquanto a América do Sul deve sair prejudicada.

Leia mais: O que falta para a economia global deslanchar em 2015

No entanto, uma análise mais individual indica que países como Equador, Venezuela, Colômbia e México serão prejudicados em termos de exportações energéticas.

E há casos mistos, como o do Chile, que se beneficia por ser importador de petróleo, mas perde como exportador de cobre.

3. Turbulência financeira

Crédito: EPA
Comandado por Janet Yellen, Fed, o Banco Central americano, deve elevar juros neste ano

O fim da política de afrouxamento monetário (Quantitative easing ou QE) nos Estados Unidos em 2014 fortaleceu o dólar e provocou uma forte desvalorização das moedas regionais.

Um dos mais afetados na América Latina foi o Brasil: o real se desvalorizou 13% em relação à divisa americana no ano passado.

E com uma eventual elevação da taxa de juros dos Estados Unidos, prevista para acontecer ainda neste ano, as moedas latino-americanas devem perder ainda mais valor, em muito devido à fuga de capital.

“Haja vista que foi uma mudança de política monetária bastante anunciada, o impacto será menor, porque os agentes econômicos estão bem preparados para o momento (elevação dos juros). Essa subida dos juros pode até ter um lado benéfico porque o câmbio desvalorizado pode ajudar as exportações desses países”, assinala Titelman.

4. Performances diferentes

O relatório da CEPAL reúne dados de 33 países da América Latina e Caribe: em um espectro tão amplo, as diferenças são inevitáveis.

Regionalmente a América Central cresceu em 2014 3,7% e deve crescer 4,1% em 2015. Na América do Sul, as taxas são um pouco menores: 0,7% e 1,8%, respectivamente.

Na análise individual, o órgão da ONU prevê um desempenho melhor para a enorme maioria, apesar das performances diferentes.

Os problemas políticos no México, as eleições e a resolução dos problema dos fundos abutres na Argentina podem inclinar a balança em uma ou outra direção.

Em todo o caso, com um cenário mundial volátil, a Cepal aconselha a tomada de medidas alternativas.

“A região tem de promover a integração e depender menos do que acontece no resto do mundo (…). Mas também há medidas a serem adotadas a nível nacional para estimular a demanda interna e o investimento”, conclui Titelman.
Marcelo Justo/BBC

Este tempo de bolhas nos BRICs

Então, mais um BRIC caiu. Na verdade, nunca gostei do conceito dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
Paul Krugman

A Rússia é essencialmente uma economia petroleira e não se enquadra de jeito nenhum ao grupo; e há grandes diferenças entre os outros três.

Mesmo assim, é difícil negar que Índia, Brasil e diversos outros países estão agora enfrentando problemas semelhantes.

E esses problemas compartilhados definem a crise econômica do momento.

O que está ocorrendo? É uma variante da mesma velha história: os investidores se apaixonaram por essas economias com mais entusiasmo que juízo, e agora estão abandonando os objetos de sua afeição.

Há dois anos, os investidores ocidentais – desencorajados pelos baixos retornos nos Estados Unidos e nas nações europeias que escaparam à crise – começaram a despejar grandes quantias nos mercados emergentes. Agora reverteram o curso. Como resultado, a rúpia indiana e o real brasileiro estão despencando, acompanhados pela rúpia indonésia, o rand sul-africano, a lira turca e outras moedas.

Essa reversão de fortuna representa uma grande ameaça para a economia mundial? Não acredito que represente (mas estou torcendo ao afirmar isso). É verdade que a perda de confiança dos investidores e as quedas de câmbio resultantes resultaram em graves crises econômicas em boa parte da Ásia em 1997-1998.

Mas o ponto crucial, então, era que, nos países em crise muitas empresas tinham pesadas dívidas em dólares, e a queda da taxa de câmbio fez disparar o valor de suas dívidas, criando perturbações financeiras generalizadas. Esse problema não está totalmente ausente desta vez, mas parece muito menos sério.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

TAXAS DE JUROS 
Na verdade, podem me incluir entre aqueles que acreditam que a maior ameaça no momento é a de uma reação exagerada de política econômica nos mercados emergentes – que seus bancos centrais elevem as taxas de juros acentuadamente em uma tentativa de sustentar suas moedas, o que não é o que esses países ou o resto do mundo necessitam no momento.

Mesmo assim, ainda que as notícias da Índia e outras paragens não sejam apocalípticas, não são aquilo que você gostaria de ouvir quando as economias mais ricas do planeta, ainda que estejam se saindo um pouco melhor do que há alguns meses, continuam profundamente deprimidas e enfrentando dificuldades para se recuperar. E as mais recentes turbulências financeiras acarretam uma questão mais ampla: por que temos achado tantas bolhas?

Pois está claro que o fluxo de dinheiro aos mercados emergentes – que, por curto período, causou alta de quase 40% na moeda brasileira, uma alta que agora se reverteu completamente – foi mais uma da longa lista de bolhas financeiras que vimos nas duas últimas décadas. Houve a bolha da habitação, claro. Mas, antes dela, tivemos a bolha da internet; e, antes disso, a bolha asiática da metade dos anos 90, e ainda antes a bolha dos imóveis da década de 80. Esta última bolha, aliás, impôs pesados custos aos contribuintes norte-americanos, que tiveram de socorrer as instituições de poupança e crédito imobiliário.

Mas o fato é que nem sempre foi assim. Os anos 50, 60 e até os problemáticos 70 não foram tão propensos a bolhas. O que mudou, então?

A CULPA É DO FED?
Uma resposta popular é atribuir a culpa ao Fed, – às políticas monetárias frouxas de Ben Bernanke e seu predecessor, Alan Greenspan. E é decerto verdade que, nos últimos anos, o Fed se esforçou para baixar as taxas de juros, por meio de políticas convencionais e por meio de iniciativas heterodoxas como a compra de títulos de longo prazo. As taxas de juros baixas assim obtidas ajudaram os investidores a buscar outros lugares nos quais aplicar seu dinheiro, entre os quais os mercados emergentes.

Mas o Fed estava apenas fazendo seu trabalho. O banco central tem o dever de forçar baixa dos juros quando a economia está deprimida e a inflação é baixa. E quanto à série de bolhas anteriores, que a essa altura já se estendem por uma geração?

Sei que há pessoas que acreditam que o Fed vem mantendo os juros baixos demais, e imprimindo dinheiro demais, nos últimos anos. Mas as taxas de juros dos anos 80 e 90 na realidade eram altas do ponto de vista histórico, e mesmo durante a bolha da habitação elas estavam enquadradas às normas históricas. Além disso, o sinal de que o banco central está imprimindo dinheiro demais não é uma alta da inflação? Tivemos toda uma geração de bolhas sucessivas – e a inflação é menor agora do que no início do processo.

DESREGULAMENTAÇÃO
Certo, o outro culpado óbvio é a desregulamentação financeira – não apenas nos Estados Unidos mas em todo o mundo, o que inclui a remoção da maior parte dos controles sobre o movimento internacional de capital. Bancos descontrolados tiveram posição central na bolha dos imóveis comerciais dos anos 80 e na bolha da habitação que estourou em 2007. O fluxo internacional de dinheiro teve papel central na crise asiática de 1997-1998 e na crise que está irrompendo agora nos mercados emergentes – e também na crise europeia que continua.

Em resumo, a principal lição desta era de bolhas – lição que a Índia, Brasil e outros estão aprendendo de novo – é que, quando o setor financeiro é deixado livre para agir como quiser, fica cambaleando de crise a crise.

O livre mercado deu “chabu”

Alan Greenspan, o ex todo poderoso presidente do Banco Central Americano, – que em economês colonizado é chamado de FED (sic) – e tido como a reencarnação do teórico do liberalismo Adam Smith, deu declarações panglossianas em depoimento na Câmara dos Deputados, nas planícies “dólares”, ora devastadas, do grande irmão do norte.

Adam Smith*, o celebrado autor do clássico “Riqueza das Nações”

O provecto sabichão, que por décadas era mais acreditado em Wall Street que o Papa no Vaticano, declarou textualmente:
[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]“Eu cometi um erro ao presumir que os interesses das organizações, especificamente de bancos e outras, eram tais que seriam o melhor meio de proteger seus próprios acionistas”.

Uáu! É nada, cara pálida. Que tal o velho Brecht “crime não é roubar um banco, mas fundar um!”?

Sua (dele) senhoria, emendou, provocando, provavelmente, agitação na tumba ‘smithiana’:
“Encontrei um defeito. Eu não sei quão significativo ou permanente ele é. Mas estou bastante preocupado com isso”.

Hummmm!!!!!!

Um deputado, logo tachado pelos iconoclastas do liberalismo como “abestado”, perguntou se, de fato, Greenspan estava aderindo ao FHCeniano “esqueça o que escrevi”, sapecando uma inacreditável marcha-a-ré em tudo no que acreditava. Resposta de Greenspan:

“Esta é precisamente a razão pela estou chocado, porque eu passei os últimos 40 anos com evidências bastante consideráveis de que [o livre mercado] estava funcionando excepcionalmente bem”.

Ah! é, e!?

*Adam Smith
* Edimburgo, Escócia – 1723 d.C
+ Edimburgo, Escócia – 1790 d.C

Considerado o pai da economia moderna, o autor da tese de que um impulso psicológico individual poderia ter efeito sobre a prosperidade ou a ruína econômica de um país.
Em sua obra Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, de 1776, Smith diz que as pessoas são individualistas e tendem a buscar sempre o que é melhor para elas.

Agindo assim, azeitam a economia e fazem um bem a toda a comunidade.
A explicação clássica do livro é a de que padeiro não acorda de madrugada para colocar a massa no forno por amor ao estômago de seus clientes – mas pelo dinheiro que ele receberá deles. Smith é um ascendente de Levitt na medida em que a psicologia só lhe interessava quando produzia uma ação.
Outra tirada clássica de Smith: tanto faz se um miserável sonha em ser rei e em andar de carruagem puxada por seis cavalos, “o que interessa para a economia é onde ele vai gastar suas poucas moedinhas”.

Economia: a Europa perde o sono

A partir da quebra do banco Lehman Brothers, verifica-se uma espécie de efeito-dominó sobre um conjunto de instituições bancárias e de crédito em diversos países.

Passados menos de dois anos do início da atual crise de liquidez, principalmente de títulos bancários, a realidade dos países e economias afetadas mundo afora é bastante complexa e desconcertante.

A discrepância se acentua quando olhamos para setembro de 2008, onde a situação das instituições financeiras norte-americanas revelava-se insustentável. É o que foi intitulado de crise do “sub-prime”, consequência direta da irresponsabilidade do mercado hipotecário nas áreas imobiliárias e da construção civil.

Mesmo sem que não se queira cogitar dos aspectos sociais na crise atual, voltam ao cenário ambulatorial macroeconômico as paleolíticas propostas do FMI no que concerne a retomada das políticas públicas de caráter keynesiano e desenvolvimentistas.

O Editor


Nessun dorma…
Por Antonio Delfim Netto ¹/VALOR

É um fato conhecido que os competentes economistas alemães representam a fina flor do mais extremo monetarismo ao qual somam uma boa dose de conservadorismo. Foram ferozmente contra as concessões (com implicações econômicas) feitas por Helmut Kohl, quando aproveitou uma janela semiaberta e teve a coragem de reunificar a Alemanha, objetivo político de longo prazo absolutamente desdenhado pelos “puristas econômicos”.

Quando a Alemanha decidiu participar do euro, 150 dos seus mais reconhecidos acadêmicos publicaram um célebre manifesto contra, com bons argumentos, mas que de novo ignorava solenemente o objetivo político de longo prazo, que era a pacificação de um continente que durante os últimos mil anos foi atormentado por guerras.

Os argumentos eram respeitáveis e mostravam que o sucesso do euro dependia de um rigoroso controle da situação fiscal de cada país, preliminar para a construção de uma área monetária ótima: absoluto controle fiscal, liberdade de movimentos da mão de obra e de capitais e a cessão da emissão das moedas nacionais a um banco central autônomo, com uma nova unidade monetária, com relação à qual as taxas de câmbio de cada país seriam irrevogavelmente fixadas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nem o Fed, nem o BCE sabem, até agora, o que fazer.

Eram contra, porque não acreditavam que os países se submeteriam a tal disciplina. Para impô-la, foi formalmente estabelecido e aprovado no acordo de Maastricht, que precedeu a introdução do euro, que: 1) nenhum país poderia ter déficit nominal superior a 3% do PIB; e 2) uma relação dívida/PIB maior do que 60%.

Por que não funcionou? Porque os governos de vários países (em particular da Grécia) mentiram, como suspeitavam os economistas alemães! Iludiram aquelas condições com a conivência do sistema financeiro internacional e das agências de risco. Tudo veio à tona depois da “quebra” do Lehman Brothers, quando a “rede de patifarias” escondida nos derivativos tóxicos explodiu na cara dos bancos centrais, sob o nariz dos quais ela se realizara. É cada vez mais evidente que esses não se recuperaram do choque: nem o Federal Reserve dos EUA, nem o BCE da Eurolândia sabem, até agora, o que fazer.

Nos EUA, parece que começa a haver uma mudança. Mais de uma dezena de instituições financeiras, que ativamente (com a conivência das agências de risco) assaltaram os incautos aplicadores, começam a ser investigadas e, seguramente, algumas serão responsabilizadas criminalmente. Trata-se de um problema moral, que não pode mais ser escondido pelo governo Obama como foi até agora.

Tardiamente, ele propõe ao Congresso um novo pacote de estímulos para diminuir o sofrimento de 25 milhões de honestos trabalhadores (15 milhões com desemprego aberto e 10 milhões semiempregados), que acabaram desempregados com a política econômica (inspirada por distintos acadêmicos comprometidos com o sistema financeiro) que “salvou” os desonestos administradores.

Até agora, o presidente do Fed, Ben Bernanke, não disse a que veio: apenas repete, repete e repete o velho refrão, “farei o que tenho de fazer”. Continua indeciso sobre como atender ao seu duplo mandato: manter alto o nível de emprego e manter baixa a taxa de inflação.

O sinal de que ainda resta vida inteligente nos EUA veio num artigo no “Financial Times”, do secretário do Tesouro, Tim Geithner, onde afirmou que é hora dos governos deixarem de lado a paralisia política e esquecerem os medos infundados com a inflação.

No fundo, ele está transmitindo aos bancos centrais, que continuam mesmerizados pelos seus modelitos, que a taxa de juros nominal já é nula e que a taxa de inflação está na “meta”, mas a taxa de desemprego é quase o dobro da famosa Nairu (a taxa de desemprego que não acelera a inflação). Logo, é uma eficaz política fiscal que deve ser ativada.

É por isso que ele afirma que os EUA resistirão a um rápido ajuste fiscal em 2012 e recomenda a todos os países em dificuldades que façam o mesmo. Essa coordenação, se realizada, tornará mais potente e mais veloz os resultados.

No Banco Central Europeu (BCE), a situação se agrava. Enquanto Trichet aguarda sua substituição formal por Mario Draghi, os representantes alemães (diante do iminente desastre político da chanceler Merkel) abandonam o barco, alegando “razões pessoais”. Primeiro foi Alex Weber (presidente do Bundesbank). Agora foi Juergen Stark, o que aperta ainda mais a “saia justa” de Merkel.

Se não bastassem esses problemas, o ministro das Finanças da Holanda, Jan Kees de Jager, sugere claramente a expulsão da Grécia, a pedido: “Quando não conseguimos respeitar as regras do jogo, devemos deixá-lo”. O FMI, por sua inexperiente diretora-gerente, Christine Lagarde, lança dúvidas sobre a higidez dos bancos europeus que têm em carteira títulos gregos. Como todos sabem que ela conhece apenas os bancos franceses, produziu uma corrida sobre eles.

Parece óbvio que ninguém se entende. Tem razão o dr. Tombini. Vamos pôr nossas barbas de molho e nos proteger da provável desintegração da economia mundial.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. 
E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

Economia: Crise dos EUA pode ser pior do que a de 2008

Cálculos do Centro para o Progresso Americano apontam recuo de 2,3% no PIB americano se o Congresso não aprovar elevação do teto da dívida

A economia dos Estados Unidos pode afundar numa recessão mais profunda do que a do segundo semestre de 2008 se o Congresso americano não elevar o teto da dívida pública do país, de US$ 14,3 trilhões.

Nos cálculos do economista Michael Etllinger, vice-presidente do Centro para o Progresso Americano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país despencará para 2,3% negativos, em termos nominais, em agosto e setembro próximos.

Essa retração na produção doméstica compensaria um inevitável cumprimento dos compromissos externos, por parte do governo americano.

Porém, causaria um dano catastrófico para a economia dos EUA e do resto do mundo.

“Enquanto Barack Obama for o presidente e Tim Geithner, o secretário de Tesouro, os EUA vão honrar sua dívida externa. Eles vão encontrar os recursos para rolar os compromissos de curto prazo e/ou para pagá-los, efetivamente, mesmo com maior sacrifício no âmbito doméstico”, afirmou Ettlinger ao Estado.

Segundo ele, não existe “plano B”, para o caso de o acordo não ser fechado pelos líderes republicanos e democratas do Congresso até o próximo dia 2 de agosto.

No último dia 14, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, havia dito que a equipe de Obama preparava essa alternativa. Se não o fizesse, insistiu Carney, seria uma “irresponsabilidade”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Para o economista, entretanto, não podem ser chamadas de “plano B” as únicas possibilidades. “Priorizar credores externos, manter a casa em ordem, dar o calote nas despesas sociais e de defesa e evitar que as coisas horríveis se tornem catastróficas.”

Brasil. Como o impacto desse cenário se estenderia mundo afora, a exemplo das Depressões dos anos 30 e de 2008, Etllinger acredita na “generosidade” de países com amplas reservas internacionais e/ou fundos soberanos.

A China seria uma óbvia fonte de ajuda. Mas o economista também considera possível uma iniciativa do Brasil.

Em sua opinião, não interessa a nenhuma economia, especialmente às emergentes, conviver de novo com a queda das importações americanas e dos preços das commodities, com outro risco de colapso no sistema financeiro e com uma segunda queda na atividade mundial em apenas três anos.

O socorro do Fundo Monetário Internacional, ainda que possível, seria uma alternativa mais remota, para Ettlinger.

Conforme avaliou, não passaram de “blefes” as advertências das agências de classificação de risco Moody”s e Standard & Poor”s e do governo da China, na semana passada.

As agências alertaram sobre a inevitável redução da nota da dívida pública americana – até ontem, ainda a mais alta – se o acordo sobre a elevação do teto não for concluído. O governo chinês apelou para o dever dos EUA de proteger seus credores externos. “Esses anúncios foram feitos apenas para pressionar os negociadores.”

Apesar de considerar esse quadro mais pessimista e calcular seu efeito no PIB americano, Ettlinger acha provável o acordo entre os líderes do Congresso sobre a elevação do teto da dívida pública.

A questão crucial, emendou, é saber se o acerto virá acompanhado por um pacote fiscal vigoroso. Em sua opinião, esse pacote poderá até mesmo permitir o aumento temporário de despesas com medidas fiscais de estímulo produtivo de curto prazo.

Sem esse mecanismo, o Federal Reserve não terá saída senão adotar novas medidas de expansão monetária, na linha das que vigoraram até junho, para dar impulso à atividade econômica.

Na semana passada, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, indicou essa possibilidade, mas recuou no dia seguinte. Segundo Ettlinger, a economia americana ainda está emitindo “sinais ambíguos”.

Denise Chrispim Marin/O Estado de S.Paulo

Crise Econômica; vamos falar de gastos públicos

Paul Krugman *O Estado de São Paulo

O índice Dow Jones está subindo até as alturas! Não, está em queda livre! Não, está em forte alta! Não, está…

Deixemos isso de lado. Enquanto o mercado de ações maníaco-depressivo domina as manchetes, a história mais importante está nas desanimadoras notícias sobre a economia real. Agora, está claro que o resgate dos bancos é apenas o começo: a economia não-financeira também precisa desesperadamente de ajuda.

E para oferecer essa ajuda, teremos de deixar de lado alguns preconceitos. Na política, está na moda falar contra os gastos do governo e exigir responsabilidade fiscal. Mas no momento, um aumento nos gastos do governo é exatamente o que o médico receitou e a preocupação com o déficit orçamentário deve ser adiada.

Antes de chegar nesse ponto, vamos falar da situação econômica. Nesta semana, aprendemos que as vendas no varejo despencaram de um precipício e o mesmo ocorreu com a produção industrial. O número de desempregados está num patamar associado a recessões graves e o índice de manufaturados medido pelo escritório do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) da Filadélfia está caindo no ritmo mais rápido em quase 20 anos. Todos os sinais apontam para um declínio econômico terrível, brutal e longo.

Quão terrível? A taxa de desemprego já está acima dos 6% (e critérios mais amplos de medição do desemprego já registram valores de dois dígitos). É agora praticamente certo que o desemprego vá superar os 7% e, possivelmente, até os 8%, fazendo desta a pior recessão do último quarto de século.

E quanto vai durar? Poderia de fato durar bastante tempo.

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