Slavic, o hacker mais procurado (e protegido) do mundo

Vinculado aos mais graves ciberataques contra os EUA, ele vive supostamente amparado por MoscouO hacker russo Evgeniy M. Bogachev, em imagem do FBI publicada pelo ‘The New York Times’.

O hacker russo Evgeniy M. Bogachev, em imagem do FBI publicada pelo ‘The New York Times’.

Cabelo raspado, olheiras profundas e o sorriso de quem não posa muito convencido para a foto. Evgeniy Mikhailovich Bogachev já saqueou dezenas de bancos, roubou milhares de contas correntes e lançou assaltos em escala planetária. O FBI oferece uma recompensa de três milhões de dólares (9,3 milhões de reais) por sua captura, e dois tribunais dos Estados Unidos o processam por fraude, lavagem de dinheiro, pirataria informática e conspiração. Mais conhecido como Slavic ou lucky12345, é o hacker mais procurado do mundo. Mas ninguém o detém. De nada adiantam as diversas fotos suas conhecidas. Nem saber onde mora e o que faz no tempo livre. Aos 33 anos, Bogachev e seu meio sorriso podem mais que a estrutura judicial e policial da nação mais poderosa do mundo.

Slavic se esconde na Rússia, e em dezembro passado foi incluído no grupo sancionado pelo então presidente Barack Obama em conexão com o ciberataque orquestrado pelo Kremlin para prejudicar a campanha eleitoral de Hillary Clinton. Embora a Casa Branca só se referisse a ele como um bandido comum, a ordem, que também afetou quatro altos funcionários do serviço secreto russo, proibiu-o de viajar aos EUA e congelou todas as suas contas. Duas medidas sem efeito para quem fez história fora da lei.

Os relatórios do FBI e autos judiciais aos quais o EL PAÍS teve acesso revelam Slavic como um dos hackers mais incisivos de todos os tempos. Ele criou o Cryptolocker, um vírus que bloqueia os computadores e obriga o pagamento de um resgate para a sua liberação. No final de 2013, mais de 234.000 computadores haviam sido infectados. Um golpe com o qual Bogachev arrecadou 27 milhões de dólares (83,7 milhões de reais) em apenas dois meses.

Criador do Zeus

Mas a sua criatura mais conhecida e reverenciada é o Zeus. Extremamente sofisticado, esse código malicioso nasceu em 2006, quando Bogachev tinha apenas 22 anos. Desde então, com enorme perícia, ele o modificou e melhorou até chegar à versão Gameover. Considerado um dos mais perigosos do planeta, o programa age em duas frentes. Por um lado, rouba os dados bancários e as senhas da máquina que infecta; por outro, sem que o dono saiba, coloca o aparelho a serviço de uma rede oculta (botnet). Produz, assim, um universo de escravos silenciosos que os piratas utilizam livremente para todo tipo de propósitos.

“É a rede de programas maliciosos mais avançada que já enfrentamos”, declarou o agente especial encarregado da investigação. Sob o mando de Slavic, essa estrutura chegou a submeter um milhão de computadores (25% deles nos EUA) e se transformou no pior pesadelo já vivido pelo FBI. O troféu superou os 100 milhões de dólares (310 milhões de reais).

“Todos os computadores que infectava faziam parte de uma botnet, na qual não apenas roubavam os dados que os usuários introduziam ou tinham gravados, como também usavam a potência desses milhares – ou até mesmo milhões – de computadores infectados e controlados para cometer outros crimes, como ataques de negação de serviço (DDoS) destinados a extorquir as empresas”, diz o especialista David Barroso, fundador da Countercraft.

O Kremlin, que embora negue, há anos emprega ciberpiratas para seus fins geopolíticos

Após um esforço conjunto internacional, a rede foi desmantelada em 2014. Mas seu criador, sobre o qual pesa a maior recompensa já oferecida a um cibercriminoso, não foi preso. Assim como muitos hackers russos, sua tranquilidade estava garantida longe de Washington.

Um relatório de segurança ucraniano indica que Slavic age sob a supervisão de uma unidade especial da espionagem russa. Não é nada extraordinário. O Kremlin, que nunca aceitou tais acusações, há anos emprega ciberpiratas para seus fins geopolíticos. Também fez isso, sempre segundo os informes de inteligência norte-americanos, com o Wikileaks.

No ataque cibernético que orquestrou contra Clinton na campanha eleitoral, usou a organização de Julian Assange para difundir material roubado. No caso de Slavic, a própria trajetória e evolução do vírus Zeus o vincula a essas práticas. No apogeu de sua atividade, Bogachev analisava a imensa rede de computadores cativos à sua disposição em busca de informações confidenciais: e-mails de altos funcionários da polícia turca, dados de inteligência da Geórgia, documentos classificados da Ucrânia.

“Há tempo, considera-se que Bogachev tenha algum tipo de relação com pessoas próximas dos serviços de inteligência. Inclusive quando a Rússia invadiu a Crimeia, parte dabotnet foi utilizada para buscar informações de vítimas da Ucrânia”, explica Jaime Blasco, especialista em segurança cibernética e chefe científico da Alien Vault.

Slavic era e é um pirata, mas não age apenas como tal. Seu objetivo vai além: um território pantanoso do qual pouco se conhece. O Kremlin mantém silêncio, e as autoridades dos EUA evitam dar detalhes sobre os ciberataques a Clinton. Como sempre, a escuridão ampara. Slavic pode continuar sorrindo.

UMA VIDA DE LUXO NA COSTA

Casado e com uma filha, Evgeniy Mikhailovich Bogachev, codinome Slavic curte a vida como um rei na pequena e portuária cidade de Anapa, no Cáucaso Ocidental. Ali, segundo relatórios policiais, ele coleciona carros de luxo, navega pelo Mar Negro e, quando pode, visita a Crimeia. Slavic tem adoração pelos felinos. Tanto que seu animal de estimação é um gato-de-bengala (fruto do cruzamento entre o gato doméstico e o gato-leopardo) e sua roupa preferida é um pijama com estampa de leopardo.

Segundo a inteligência ucraniana, Slavic tem uma frota de automóveis espalhada por toda a Europa só para não ter de alugar nenhum veículo quando está de férias. O hacker costumava passar alguns dias num dos chalés que possuía na França e viajava com um dos três passaportes russos de que dispunha para transitar com liberdade.
ElPaís

BND grampeou a Casa Branca

Angela Merkel, quando descobriu que havia sido grampeada pelo Obama condenou – hahahah – a atitude do “Nigeriano Haviano” com esse cinismo: “Espionagem entre amigos é algo que não dá [para aceitar]”
José Mesquita – EditorCasa Branca

Serviço secreto alemão espionou Casa Branca, diz revista

“Der Spiegel” diz ter tido acesso a documentos que comprovam que agência de inteligência da Alemanha monitorou, durante anos, conteúdo de e-mails e telefonemas de centenas de alvos nos EUA.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Casa Branca teria sido apenas um dos alvos no governo dos EUA

O Serviço Federal de Informações da Alemanha (BND) teria espionado centenas de alvos nos Estados Unidos, incluindo empresários americanos e a Casa Branca, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (22/06) pela revista alemã Der Spiegel.

De acordo com a revista, o serviço secreto alemão monitorou linhas telefônicas e e-mails nos eUA usando uma lista de cerca de 4 mil termos de busca, os chamados seletores, entre 1998 e 2006. Além da Casa Branca, os alvos incluíam o Departamentos de Estado, a Força Aérea Americana e a Nasa, entre outras instituições governamentais.

Centenas de embaixadas estrangeiras em Washington e escritórios de organizações internacionais no país, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), também estiveram na mira do BND. Essas informações estariam em documentos, aos quais a revista teve acesso.

A descoberta pode causar embaraços para o governo alemão. Em 2013, quando foi revelado o escândalo de espionagem envolvendo a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, da qual o celular da chanceler federal teria sido alvo, Angela Merkel condenou a atitude americana.

“Espionagem entre amigos é algo que não dá [para aceitar]”, declarou Merkel na época. A indignação pegou mal meses depois, ao ser revelado que o serviço secreto alemão ajudava a NSA a espionar aliados europeus.

E agora, “como mostram os documentos, o BND também não teve inibição alguma no passado para grampear instituições governamentais em Washington”, diz a Der Spiegel.

Ao depor como testemunha na audiência final do comitê parlamentar encarregado de investigar o escândalo de espionagem envolvendo a NSA e o serviço secreto alemão, em fevereiro deste ano, Merkel desmentiu alegações de que sabia desde o início sobre a ampla espionagem de aliados por parte da NSA e do BND. Ela admitiu, porém, erros técnicos e organizacionais.

O relatório final da investigação deve ser debatido no Parlamento nas próximas semanas, mas o atual escândalo não deve pesar neste inquérito parlamentar. Procurado pela Der Spiegel, o BND se recusou a comentar a suposta espionagem.

CN/ots

Trump X FBI

Por que Trump demitiu o chefe do FBI?Comey x Trump

O presidente Donald Trump surpreendeu os americanos na última terça-feira ao anunciar a demissão do chefe do FBI, James Comey.

Em uma nota, a Casa Branca diz que Comey foi afastado do cargo pela forma como lidou com o inquérito conduzido sobre e-mails de Hillary Clinton enviados por uma conta particular durante sua gestão como secretária de Estado americana.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Segundo jornais americanos, Comey, de 56 anos, que estava havia três anos e meio no cargo – em um mandato de 10 anos -, estava conversando com agentes do FBI em Los Angeles quando recebeu a notícia de sua demissão – e deu risada, por achar que fosse um trote.

A notícia também causou surpresa no Congresso, mesmo entre Republicanos, e no próprio FBI.

As justificativas para a demissão, no entanto, causaram desconfiança, em particular na oposição democrata. Muitos suspeitam de que ela poderia estaria ligada a uma investigação – em andamento – do FBI sobre possíveis ligações entre a campanha eleitoral de Trump e a Rússia.

Enquanto analistas e políticos avaliam a decisão, eis aqui algumas das principais questões que serão possivelmente contempladas.

Seria uma tentativa de acobertar detalhes sobre a ligação de Trump com a Rússia que estaria sendo investigada pelo FBI?

O momento e a forma repentina da demissão de Comey são altamente suspeitos, para dizer o mínimo.

Apenas uma semana atrás, o chefe do FBI falou perante uma comissão do Senado sobre a investigação a respeito da suposta interferência russa na eleição americana – e sobre possíveis laços do país com a campanha de Trump.

Trump
Como Trump irá responder a pergunta-chave agora: se a demissão veio por causa do caso de Hillary, por que só agora? Direito de imagem REUTERS

Nesta quinta-feira, estava previsto seu comparecimento no Congresso para discutir “ameaças globais”.

Trump tem repetido diversas vezes em sua conta no Twitter que as alegações sobre a Rússia seriam “falsas” e que as investigações seriam uma “piada bancada pelo dinheiro dos contribuintes”.

E agora, o homem que comandava a investigação é mandado embora – pelo próprio Donald Trump.

Enquanto a Casa Branca diz que a demissão está ligada à forma como foi conduzida a investigação sobre o servidor dos e-mails de Hillary Clinton, não há muita gente acreditando nessa explicação – especialmente os democratas.

Muitos têm ainda fresco na memória os elogios rasgados feitos por Trump a Comey, poucos dias antes da eleição presidencial, por esta mesma investigação dos emails da candidata democrata.

“Foi preciso coragem ao diretor Comey para tomar essa atitude diante do tipo de oposição que enfrentou…que queria protegê-la (Hillary) de um processo criminal. Ele precisou ter muita coragem”, disse Trump em um comício.

Recentemente, no entanto, Donald Trump passou a se incomodar com o chefe do FBI. De acordo com o jornal The New York Times, o presidente estava buscando uma razão para demiti-lo há mais de uma semana.

Se o motivo para isso foi a investigação do e-mail de Hillary Clinton, por que a demissão só veio agora? A resposta de Trump a essa questão pode ser determinante para fazer com que as alegações de acobertamento ganhem força ou – pelo contrário – desapareçam com o tempo.

Comey teria causado a própria demissão?

Pouco depois de o senador democrata Chuck Schumer pedir, em uma coletiva de imprensa convocada às pressas após a demissão de Comey, uma investigação independente sobre as ligações de Trump com a Rússia, a Casa Branca passou a circular uma frase dita pelo senador criticando o chefe do FBI por sua atuação no caso dos e-mails de Hillary Clinton.

“Não tenho mais confiança nele”, disse Schumer, em novembro do ano passado.

Muitos dos mesmos democratas que agora criticam a demissão de Comey tiveram posicionamentos parecidos no passado – que com certeza serão lembrados agora pelos simpatizantes de Trump.

Comey cumprimenta o procurador-geral Jeff Sessions
Comey cumprimenta o procurador-geral Jeff Sessions, que seria um dos autores de sua carta de demissão – Direito de imagem REUTERS

Na carta para comunicar o afastamento de Comey, o procurador-geral Rod Rosenstein disse que os “erros graves” do chefe do FBI no caso de Hillary eram “uma das poucas questões que uniam pessoas de perspectivas diferentes.”

De fato, Comey surpreendeu muitos quando, em julho de 2016, anunciou que o FBI não recomendaria acusações criminais contra Hillary apesar de ela ter sido “extremamente descuidada” com um material importante. Pouco mais de uma semana antes da eleição, ele enviou uma carta ao Congresso, dizendo estar reabrindo as investigações sobre os e-mails após novas descobertas.

Ao longo de 2016, Comey conseguiu enfurecer democratas, com sua condução inicial do caso, e depois, irritar republicanos, com sua decisão de não acusá-la, para, em seguida, desagradar novamente os democratas, pelo anúncio feito pouco antes da eleição.

Agora, pesam as críticas ligadas à investigação das ligações entre a campanha de Trump e a Rússia – primeiro, por ter ocultado a questão do público durante o período eleitoral, o que contrariou os democratas. Após a eleição, a continuidade dessas investigações passou a incomodar o governo.

Com tantos inimigos em Washington, a expectativa de vida de uma carreira política pode se encurtar drasticamente. Uma análise otimista seria a de que Comey navegou em águas difíceis da melhor forma que pôde em uma época em que as disputas políticas são cada vez mais criminalizadas.

Outra visão é a de que ele, talvez, tenha cavado sua própria cova.

Haverá uma investigação especial?

O senador Schumer pediu a convocação de uma investigação independente sobre a suposta interferência russa nas eleições dos Estados Unidos e sobre qualquer ligação com a campanha de Trump. E está cada vez mais difícil encontrar um democrata que não tivesse reforçado o apelo.

Mas para isso realmente acontecer, os pedidos deverão vir tanto de democratas, quanto de republicanos. Até agora, os principais nomes do Partido Republicano preferiram manter silêncio.

Chuck Grassley, líder da comissão de Justiça do Senado, disse que Comey “perdeu a confiança do povo”. Já o senador Lindsey Graham, que mais cedo na terça sugeriu que os vínculos de Trump com a Rússia deveriam ser investigados, afirmou que “um novo começo” seria bom para todo o país.

Outros republicanos foram mais ríspidos. O senador Richard Burr, presidente do comitê de inteligência que investiga a interferência da Rússia nas eleições, disse estar “preocupado” com os acontecimentos, enquanto o senador John McCain pediu uma investigação independente no Congresso.

O crítico de longa data de Trump Justin Amash, deputado republicano de Michigan, disse estar analisando a legislação que autoriza uma comissão independente a avaliar a questão.

Promotores especiais e investigações independentes são a última coisa que o governo de Trump quer neste momento.

No passado, investigações desse tipo acabaram se expandindo e envolvendo vários setores do governo – como no de George W. Bush (cujo governo foi acusado de ter revelado a identidade de Valerie Plame Wilson como agente disfarçada da CIA, como vingança por declarações feitas pelo seu marido, o ex-embaixador Joseph C. Wilson, criticando a invasão do Iraque) e no de Bill Clinton (o caso Whitewater, que investigou a legalidade de uma transação imobiliária realizada pelo casal Bill e Hillary Clinton quando este era governador do Arkansas, e que evoluiu para o escândalo de Monica Lewinsky, que levou a um julgamento de impeachment do presidente Clinton).

O presidente Donald Trump pode não ter escolha, e a única saída pode ser aceitar a investigação independente.

Donald Trump e Putin: Conspiração?

Conspiração ou espionagem? O que se sabe sobre a acusação de que a Rússia interferiu na eleição de Trump

Trump sorrindo
Tuítes recentes de Trump ajudaram a inflamar ainda mais a polêmica sobre a suposta espionagem russa – Image copyrightAP

Com um tuíte, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, inflamou ainda mais a polêmica sobre as suspeitas de que hackers russos influenciaram a eleição presidencial.

“Você consegue imaginar se o resultado da eleição fosse o oposto e NÓS estivéssemos tentando usar a carta da Rússia/CIA. Isso seria chamado de teoria da conspiração!”[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No fim de semana, as duas principais agências de segurança dos EUA – o FBI (Agência Federal de Investigações) e a CIA (Agência Central de Inteligência) – teriam descoberto intervenções da Rússia nas eleições do país para promover a vitória de Trump. As informações foram divulgadas em dois importantes jornais dos EUA com base em relatórios das duas agências.

Em outubro, o governo dos EUA já havia apontado a responsabilidade da Rússia nesses ataques e acusado o país de interferir na campanha do Partido Democrata. Mas, segundo as novas informações divulgadas pela imprensa americana, a Rússia tinha como motivação ajudar Trump.

Mas o que se sabe até o momento sobre a acusação de que Moscou, de fato, agiu para promover a vitória do bilionário?

O que diz Trump

Em entrevista à TV e também em seu Twitter, o republicano criticou e colocou em xeque as informações contidas nos relatórios do FBI e da CIA.

Falando à rede Fox News, Trump disse que os democratas estavam divulgando documentos “ridículos” porque estavam envergonhados com a escala da derrota que sofreram nas eleições.

Ele disse que a Rússia poderia estar por trás dos ataques, mas que era impossível saber. “Eles não fazem ideia se foi a Rússia, a China ou alguém sentado em uma cama em algum outro lugar.”

Trump caminhando ao lado de MelaniaTrump e sua equipe não pouparam críticas às agências de inteligência dos Estados Unidos – Image copyrightAP

A equipe do presidente eleito também criticou agências de inteligência dos Estados Unidos: “Essas são as mesmas pessoas que disseram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa”.

O presidente eleito usou seu Twitter para questionar o porquê de as acusações não terem sido divulgadas antes da eleição.

“A não ser que você pegue os hackers no ato, é muito difícil determinar quem estava por trás da ação. Por que então isso não veio à tona antes?”, tuitou nesta segunda-feira.

O que dizem outros republicanos

Republicanos experientes têm se juntado aos democratas para pedir investigações sobre o caso. O senador republicano John McCain disse, em um comunicado conjunto com líderes democratas, que o relatório da CIA “deveria deixar qualquer americano alarmado”.

Ele afirmou que o Congresso deveria abrir uma investigação e que esta deveria ser ainda mais minuciosa do que a que será conduzida pela Casa Branca.

Nesta semana, o presidente Barack Obama, que deixa o cargo em 20 de janeiro, ordenou uma apuração sobre uma série de ataques cibernéticos que teriam sido promovidos pela Rússia durante a campanha eleitoral nos EUA.

De acordo com a Casa Branca, o relatório – que deve ser finalizado até o fim do mandato do democrata – será uma “sondagem profunda sobre um possível padrão de uma crescente atividade maliciosa na internet durante a temporada eleitoral”.

As acusações foram negadas por funcionários do governo russo.

O que dizem os relatórios, segundo a imprensa

De acordo com o jornal The New York Times, os dois órgãos concluíram que “seguramente houve uma participação russa para hackear essas informações”.

Segundo o jornal, entre os documentos obtidos pelos hackers estariam as contas de e-mails do Comitê Nacional Democrata e do presidente da campanha de Hillary Clinton, John Podesta.

O NYT afirma ainda que as agências de inteligência acreditam que essas informações teriam sido repassadas pelos russos ao WikiLeaks, que vazou o conteúdo.

O Washington Post afirma que um relatório da CIA chegou a informações parecidas. O jornal cita um oficial do governo dos EUA para afirmar que “a análise das agências de inteligência é de que o objetivo da Rússia era favorecer um candidato sobre o outro e ajudar na vitória de Trump”.

Hillary e Trump durante debateE-mails de Hillary Clinton e de seus assessores foram hackeados

Os novos detalhes teriam surgido durante a apresentação dos relatórios pelas agências de inteligência aos senadores na semana passada.

A reunião teria ocorrido com portas fechadas, mas, segundo o Washington Post, as informações teriam sido passadas por um funcionário do governo que não quis se identificar.

O que dizem os democratas

Na época da campanha eleitoral, e-mails da candidata democrata Hillary Clinton e de seus assessores foram sido hackeados, e o conteúdo, enviado ao WikiLeaks e postado online.

A divulgação causou problemas à campanha dos democratas. A então candidata passou boa parte dos debates se explicando sobre os emails, especialmente a descoberta de que ela quebrou regras oficiais ao trabalhar com informações secretas usando um servidor privado em sua casa em Nova York quando ainda era secretária de Estado.

Hillary e sua equipe não se cansaram de acusar o rival republicano e de que os russos estavam por trás da invasão às contas de email dos democratas.

John PodestaPodesta fez duras acusações contra russos e a campanha de Trump
Image copyrightAP

Um dos críticos mais severos foi John Podesta, chefe de campanha de Hillary, cuja conta também foi invadida. Na época, ele acusou o governo russo de responsabilidade pelo vazamento e disse que a campanha de Trump já sabia a respeito.

O que diz analista da BBC

Para o correspondente da BBC em Washington, Anthony Zurcher, apesar de Trump dizer o contrário, ele entrará na Casa Branca em uma situação complicada – e a derrota na votação popular de 2,8 milhões de votos é apenas um dos fatores que colaboram para isso.

“Esse cenário provavelmente explica o porquê de a equipe de Trump estar respondendo de maneira tão incisiva as acusações de que hackers russos influenciaram a política americana em uma tentativa para favorecer o republicano. Assim como a recontagem dos votos, isso pode ser visto como outra maneira de minar a legitimidade da vitória de Trump”, afirmou o correspondente.

Para Zurcher, não importa que seja bem pouco provável que a recontagem altere os resultados das eleições ou que os ataques hackers estejam lá no fim da lista de motivos que causaram a derrota de Hillary.

“Os tuítes raivosos de Trump e a indignação de seus partidários são evidência suficiente de que o presidente eleito se sente ameaçado. No caso da Rússia, no entanto, os comentários raivosos de Trump podem custar um alto preço político.”

Yahoo teria espionado usuários para governo americano

Segundo reportagem da Reuters, empresa americana teria criado um programa para fazer pesquisas em e-mails de usuários do provedor.

Computador mostra site do Yahoo

Pedidos de informações teriam partido do FBI e da Agência de Segurança Nacional.

A empresa americana Yahoo teria criado no ano passado um software para pesquisar e-mails recebidos por usuários de sua plataforma a pedido do serviço secreto dos Estados Unidos, segundo uma reportagem da agência de notícias Reuters, divulgada nesta terça-feira (04/10).
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O software buscava informações específicas solicitadas por funcionários da Agência de Segurança Nacional (NSA) e do FBI, disseram fontes anônimas.

A empresa cumpria com uma diretriz secreta do governo americano e teria pesquisado milhões de contas de usuários.

A reportagem afirmou que não se sabe o tipo de informação que foi pesquisada. A Reuters não conseguiu determinar quais foram os dados repassados, se houve realmente essa transferência, e nem se outros provedores também receberam esse pedido do governo americano.

Segundo dois ex-funcionários da empresa, a decisão da presidente-executiva do Yahoo, Marissa Mayer, de obedecer à ordem do governo teria irritado alguns executivos e causado a demissão do chefe de segurança de informação Alex Stamos, que agora trabalha para o Facebook.

O Yahoo não negou a reportagem e disse apenas que obedece a legislação vigente nos Estados Unidos.

Esse é o segundo escândalo que envolveu a empresa recentemente. Em meados de setembro, a companhia admitiu o vazamento de dados de pelo menos 500 milhões de usuários em 2014.

De acordo com a Reuters, especialistas em segurança afirmaram que este seria o primeiro caso de uma empresa de internet americana que concordou com exigências de agências de inteligência para espionar todas as mensagens. Eles acreditam ainda que a NSA e o FBI tenham feito o mesmo pedido para outras empresas do ramo.

A Google negou ter recebido pedido semelhante e ressaltou que jamais aceitaria esse tipo de exigência. A Microsoft disse apenas que não pesquisa e-mails de usuários, mas não comentou se recebeu a mesma solicitação do governo.
CN/rtr/ap

O triste balanço da violência policial contra negros nos EUA

A morte de um homem afro-americano pela polícia em Charlotte e os protestos que se seguiram são mais um trágico episódio de uma série de casos semelhantes nos Estados Unidos. Relembre alguns deles.

USA Polizei erschießt Afro-Amerikaner in North Carolina - Proteste

Os protestos dos últimos dias contra a morte de um homem negro pela polícia americana na cidade de Charlotte se somam a uma série de casos semelhantes ocorridos recentemente nos Estados Unidos.

O episódio que gerou maior revolta aconteceu há dois anos. Em agosto de 2014, um policial branco matou com doze tiros o jovem negro Michael Brown, em Ferguson, no estado do Missouri.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A polícia sustenta que ele teria tentado roubar diversos pacotes de cigarrilhas de uma loja e se comportado de forma “agressiva”, antes de ser alvejado. Testemunhas dizem que, ao receber os tiros, Brown estava com as mãos para cima e desarmado.

A cidade virou palco de violentos protestos, que culminaram na renúncia do chefe da polícia local. O Departamento de Justiça dos EUA reportou, então, casos diários de cunho racista por parte de policiais americanos.

Após os incidentes em Ferguson, o jornal americano Washington Post começou a divulgar dados públicos do FBI e da polícia em artigos e nas redes sociais, os listando em forma de calendário. O ano de 2016 foi se tornando mais sombrio a cada mês. Em janeiro, quatro dias aparecem marcados em cinza no calendário – o que significa zero mortes causadas pela polícia. Em meados do ano, nos meses do verão americano, apenas um dia não foi marcado por assassinatos. Em mais de 20 dias foram registradas as mortes de mais de dois civis por policiais.

Abaixo, alguns exemplos da violência policial contra afro-americanos nos EUA:

2014

Um jovem negro de apenas 17 anos foi morto a tiros em Chicago após fugir de um policial. Vídeos com as imagens do incidente foram divulgados. O chefe de polícia foi demitido, e o policial acabou formalmente acusado de homicídio.

Em novembro, um menino de 12 anos foi assassinado em Cleveland, após um policial pensar que a arma que ele portava era de verdade, quando na verdade era apenas uma pistola de ar comprimido.

Em Phoenix, um pai de família negro foi morto após se recusar a tirar as mãos dos bolsos, onde não havia arma alguma, mas apenas medicamentos.

2015

Na Carolina do Sul, um policial atirou diversas vezes nas costas de um homem de 50 anos e acabou sendo acusado de homicídio. Em Baltimore, um homem de 25 anos morreu enquanto era transportado pela polícia, em razão de diversos ferimentos graves e uma fratura no pescoço. Após os policiais envolvidos serem inocentados, diversos protestos ocorreram na cidade.

Em Chicago, uma mãe de cinco filhos é alvejada. Em Cincinnati, um homem que dirigia um automóvel sem placa de identificação é morto durante um controle policial. Todas as vítimas eram afro-americanas. Todos os policiais, brancos.

2016

As cidades de Baton Rouge, em Louisiana, e Falcon Heights, em Minnesota, dominaram as manchetes deste ano. Na primeira, um negro de 37 anos foi alvejado porque, segundo as autoridades, estava armado. No outro caso, um homem de 32 anos morreu durante um controle policial ao tentar abrir o porta-luvas para pegar os documentos de registro do seu automóvel.

Situação semelhante ocorreu em Tulsa, no Oklahoma, onde uma policial atirou num homem de 40 anos, dizendo que ele não havia cooperado. Uma arma foi encontrada no carro.

A rede de pesquisa Mapping Violence avaliou que a polícia atira com frequência cinco vezes maior em negros desarmados do que em pessoas brancas.

Decepcionados com Obama

Após a morte de dois homens negros em julho deste ano, o presidente americano, Barack Obama, admitiu que a violência policial é um problema grave. Essas tragédias ocorrem numa frequência alta demais e “não são casos individuais isolados”, disse. Num programa de uma emissora que atinge grande parte da população negra do país, ele foi bem claro: “O racismo contra afro-americanos está profundamente enraizado na sociedade americana.”

Em agosto de 2016, passeata em Ferguson marca o primeiro aniversário da morte do jovem Michael BrownEm agosto de 2016, passeata em Ferguson marca o primeiro aniversário da morte do jovem Michael Brown

O presidente, porém, apenas descreveu o que já era notoriamente conhecido. Os ativistas do movimento Black Lives Matter (“Vidas de negros importam”) se perguntam onde estão as demonstrações de luto, as ações corajosas contra a violência policial e as leis mais rígidas sobre o controle de armas?

As expectativas dos afro-americanos e dos hispânicos quanto à presidência de Obama eram bastante altas. Eles esperavam maior igualdade perante a lei. Muitas dos integrantes das minorias estão decepcionados com o presidente em razão das poucas melhorias em respeito à sua proteção e com o fato de ele ter dito que as coisas estão melhor hoje do que há 50 anos. Obama pediu que os avanços fossem reconhecidos para que houvesse mais progresso, e disse que os incidentes não deveriam ser politizados.

Em seus discursos, o presidente pediu diversas vezes compreensão também para com os policiais, afirmando que fazem um trabalho difícil, que deve ser valorizado e respeitado. Em seu primeiro mandato, o presidente chegou a viajar aos locais de conflito, como em 2008 na Filadélfia. Com o passar dos anos, essas visitas ficaram cada vez mais raras. Na ocasião dos distúrbios em Ferguson, ele enviou seu procurador-geral, Eric Holder.

As conversas de Obama com representantes da polícia chamam mais atenção do que os contatos com movimentos sociais. Antes de tomar posse, ele afirmou publicamente não ser tão ingênuo de acreditar que as diferenças entre negros e brancos pudessem ser superadas num único mandato. Aparentemente, dois mandatos também não foram suficientes.
DW

Massacre na Flórida: O que levou atirador investigado pelo FBI a ter porte de fuzil

Como Omar Mateen, autor do massacre de Orlando, conseguiu autorizações legais para comprar e portar armas mesmo tendo sido investigado duas vezes pelo FBI (polícia federal americana) e respondido a processo por violência doméstica?

Policiais e curiosos próximos à cena do crime
O ataque à Pulse foi um dos maiores massacres da história recente dos Estados Unidos – Image copyright AP

Essa pergunta tem permeado os debates em torno do maior massacre a tiros da história recente dos Estados Unidos.

Mateen, que foi morto em confronto com policiais, era descrito como violento, mas trabalhava em uma empresa de segurança. Era funcionário desde 2007 da multinacional G4S, que presta serviços em mais de 20 centros de detenção juvenil da Flórida.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Aos 29 anos, o filho de afegãos havia sido investigado pelo FBI pela primeira vez em 2013, quando comentou com colegas ter supostos vínculos com terroristas, segundo afirmou Ronald Hopper, agente especial da polícia federal americana.

“O FBI investigou o assunto com cuidado, fez entrevistas com testemunhas, o vigiou e revisou seu histórico criminal”, disse o Hopper. Mateen foi interrogado duas vezes. “No fim, não foi possível verificar a fundo seus comentários, e a investigação foi encerrada.”

Nesta segunda-feira, o diretor do FBI, James Comey, relatou que ele havia feito afirmações “inflamadas e contraditórias” – dizendo inclusive ter conexões com a Al-Qaeda e o Hezbollah, dois grupos diametricamente opostos.

À polícia, porém, o atirador argumentou que os comentários foram apenas uma reação a atos de discriminação por parte dos colegas. Após dez meses de apurações, o FBI encerrou o caso.

A segunda investigação, um ano depois, começou porque Mateen frequentou a mesma mesquita que um homem-bomba.

Na ocasião, uma pessoa ouvida pela polícia afirmou que chegou a temer que ele tivesse se radicalizado, mas que as preocupações haviam se dissipado porque o rapaz tinha se casado e tido um filho recentemente.

O FBI acabou concluindo que o contato entre Mateen e Moner Mohammad Abusalha, um cidadão da Flórida que se juntou ao autoproclamado Estado Islâmico na Síria, tinha sido mínimo e não constituía ameaça.

Embora estivesse no radar do FBI, Mateen não estava na lista oficial de pessoas suspeitas de ligação com o extremismo, e, por isso, era legalmente apto a obter licença para portar armas, de acordo com os registros da Flórida.

Omar Mateen tira selfie
Omar Mateen foi interrogado pelo FBI em 2013 e 2014

Após o ataque à boate Pulse, os agentes americanos agora investigam se ele realmente tinha laços com extremistas islâmicos – antes ou durante o atentado, ele ligou para o serviço de emergência jurando lealdade ao Estado Islâmico.

Além das suspeitas do FBI, Mateen respondeu na Justiça por episódios de violência doméstica contra sua então mulher, Sitora Yusufiy, com quem esteve casado entre 2009 e 2011. Ela disse ter apanhado dele em diversas ocasiões.

Um ex-colega de trabalho, Daniel Gilroy, disse à imprensa americana que o atirador “falava em matar gente” e tinha comportamento intolerante.

Gilroy disse ter se queixado à empresa em que trabalhavam – a G4S afirmou que os antecedentes de Mateen foram verificados antes de sua contratação, em 2007.

A questão das armas

Mesmo sendo alvo de investigações, Mateen tinha a licença D2723758, que autorizava a possuir armas. Ela expiraria apenas em 14 de setembro de 2017, segundo registros do Departamento de Agricultura e Serviços do Consumidor da Flórida – o Estado americano com a maior porcentagem de civis armados.

Segundo a Gunpolicy, uma organização especializada política de armamentos, 51,2% das residências da Flórida têm ao menos uma arma de fogo.

Só no ano passado, 885 mil armas foram vendidas para pessoas físicas, de acordo com dados do governo do Estado – 109 mil a mais que no ano anterior.

O direito de portar armas é garantido nos Estados Unidos pela Segunda Emenda da Constituição, que vigora desde dezembro de 1791.

A GunPolicy e outras organizações que estudam o tema estimam que haja 270 milhões de armas nas mãos de civis no país. A população americana é de cerca de 316 milhões de habitantes.

Fuzis
O fuzil AR-15 foi usado em outros ataques nos Estados Unidos
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A Lei Nacional de Armas regula o comércio, o porte e o uso de armas na esfera federal, mas cada Estado tem legislações específicas sobre o tema.

A GunPolicy classifica a legislação da Flórida como “permissiva” – ela foi aprovada em 1987 e revista em julho de 2012, quando a compra de armamento foi facilitada e os custos da burocracia para obter o porte de arma, reduzidos.

A legislação determina que civis não podem possuir metralhadoras e armas automáticas fabricadas antes de 19 de maio de 1986. Mas eles podem adquirir armas semiautomáticas – como por exemplo revólveres, pistolas, fuzis e munições (inclusive de calibres pesados, como o 0.50).

Não é preciso ter licença para praticar tiro ao alvo. Portar uma arma o tempo todo, porém, demanda uma autorização especial: para consegui-la, é necessário apresentar uma justificativa – como estar com a vida ameaçada ou trabalhar com transporte de dinheiro ou documentos importantes.

Fuzil AR-15

Marteen tinha licença para ter um fuzil AR-15 por trabalhar na área de segurança. Além dessa arma, ele possuía uma pistola e “uma quantidade desconhecida de munição”, segundo afirmou o chefe de polícia John Mina logo após o ataque à boate Pulse.

O AR-15 foi o mesmo fuzil utilizado para matar estudantes do colégio de Sandy Hook, em Connecticut, em 2012, espectadores que assistiam a um filme do Batman em um cinema do Colorado no mesmo ano e pessoas que estavam em um centro comunitário de San Bernardino, na Califórnia, em dezembro passado.

A arma também é bastante popular entre traficantes de drogas que operam no México, segundo a Procuradoria-Geral do país.

“Como alguém com esse histórico, depois de ter sido interrogado pelo FBI três vezes por possíveis vínculos terroristas e ser acusado de violência doméstica pela ex-mulher, pode ter uma arma de assalto?”, questionou o parlamentar William R. Keating, do Partido Democrata.

Como um celular pode esclarecer o misterioso desaparecimento em alto-mar de 2 adolescentes na Flórida

Reuters
Perry Cohen e Austin Stephanos, de 14 anos, desapareceram em alto-mar há nove meses – Image copyright Reuters

No último dia 23, nove meses depois do desaparecimento, um barco cargueiro norueguês encontrou a embarcação em que viajavam os adolescente, mas sem nenhum rastro deles.

A única coisa que havia no barco, que foi encontrado perto das ilhas Bermudas, era um iPhone e uma caixa de ferramentas.

A descoberta do celular causou uma disputa entre os pais do jovens que acabou nos tribunais.

A mãe de Perry, Pamela Cohen, pediu aos pais de Austin – Carly Black e William Blu Stephanos – que o iPhone, que pertencia a Austin, fosse entregue a um grupo de investigadores independentes para que fosse realizada uma análise de seu conteúdo.

Cohen argumentava que também teria direitos sobre o celular, já que, no dia em que os jovens zarparam, seu filho estava usando o aparelho, emprestado, para enviar mensagens – o telefone dele estava quebrado.

APNa semana passada, famílias concordaram em enviar o telefone para a Apple
Image copyright AP

A mãe de Perry disse, segundo o jornal The Washington Post, que tentou contato diversas vezes com os pais de Austin, mas eles não responderam.

O caso foi parar na Justiça e, na sexta passada, em um tribunal do condado de Palm Beach, as famílias concordaram em entregar o telefone, que foi danificado pela água salgada e não funciona mais, para a Apple.

Elas informaram que a Apple teria concordado em analisar o telefone. Todos os dados obtidos seriam lacrados e enviados de volta ao tribunal. A Apple não comentou a informação.

Em um comunicado no Facebook, a família de Austin disse que estava trabalhando com autoridades e com a Apple, mas que não queria ceder informações potencialmente “sensíveis e pessoais”.

“À luz do recente incidente de San Bernandino envolvendo tentativas do FBI de recuperar dados de um iPhone bloqueado, sentimos que o melhor seria evitar a pressão de ter esses esforços divulgados na mídia”, disse a família de Austin em um comunicado.

“Não queríamos fazer nada publicamente que pudesse prejudicar a cooperação com a fabricante. Infelizmente, acho que a publicidade recente e forte especulação possam ter feito exatamente isso.”

Ele se refere à recente disputa entre o FBI e a Apple ocorrida após o atentado de San Bernardino no início de dezembro passado, quando 14 pessoas foram mortas por dois atiradores.

O FBI suspeitava de ação terrorista, e tentou desbloquear o iPhone do atirador, mas não tinha a senha. A Apple disse que não poderia ajudar e o FBI acabou desbloqueando o aparelho com a ajuda de hackers profissionais.

Crime?

Segundo reportagem da rede americana NBC, a família de Perry Cohen suspeita que o desaparecimento possa estar ligado a um sequestro.

Um vídeo que veio à público na segunda-feira por meio da Comissão de Vida Selvagem e Pesca da Flórida mostra os garotos zarpando sozinhos. Mas documentos do FBI, aos quais a NBC teve acesso, sugerem que a agência está investigando se o desaparecimento não estaria ligado a uma ação criminosa.

O FBI se envolveu nas investigações desde setembro do ano passado e, em dezembro, agentes da Flórida solicitaram registros telefônicos ligados à “investigação oficial de um crime”.

As autoridades não se pronunciaram a este respeito.

Por ora, a investigação continua e os esforços estão centrados em obter dados do celular.

“Como mãe, tenho que lutar por Perry quando ele não pode”, disse Pamela Cohen em um comunicado.

“Temos que nos valer dos melhores recursos e da tecnologia para recuperar esta informação potencialmente vital para a gente”, destacou.
BBC

“Indignamo-nos com FBI por causa de um celular, mas o Facebook sabe tudo sobre nossas vidas”

Especialista em cibersegurança, explica como as investigações mudaram com as redes sociais.

Chefa da Unidade de Investigação Tecnológica, Silvia Barrera
Chefa da Unidade de Investigação Tecnológica, Silvia Barrera Álvaro García
Dentro da polícia há hackers, mas dos bons. “Os que cometem os crimes são outros, os de chapéu preto. Os nossos são especialistas em cibersegurança”, conta Silvia Barrera (Madri 1977), inspetora de polícia de Madri, chefa técnica da Unidade de Investigação Tecnológica e admiradora declarada do conceito hacker.
“Para mim, cai mal esse caráter negativo que lhe demos. Ajudam-nos a entender como funciona a Internet, todas as possibilidades que ela tem.”
E acontece que desconhecemos praticamente tudo dessa ferramenta. No total, 93% da Internet é o que se denomina Deep Web (a Internet oculta), canais e fóruns onde um usuário básico do Facebook eTwitter se perderiam sem remédio. É aí, em muitas ocasiões, onde estão em gestação os crimes cibernéticos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
“Os maus sabem o que há de mais recente em tecnologia para agir onde nós não podemos chegar.”
A Internet tornou os crimes mais rápidos, confortáveis e maciços; as redes sociais os ficaram mais complicadas de investigar. Barrera trabalha agora no âmbito forense, analisando as unidades tecnológicas que podem influir em um delito, e tem as coisas claras: “O conceito mudou, não só a polícia pode agora influir nas investigações”.

Pergunta. Como a eclosão das redes sociais afetou seu trabalho cotidiano?

Resposta. Imagine um homicídio dos de antes, sem implicação tecnológica: um corpo é achado, chegamos e cercamos a área para que ninguém toque nas pistas e nas provas. Agora, as pistas estão no meio da Internet, quem as tem é um provedor de serviços de uma rede social e, se ele quiser, não as dá para você. As investigações já não estão só em mãos da polícia, nem sequer de um juiz, porque os delitos na Internet não têm fronteiras, mas os julgamentos, sim.

P. Alguma de suas investigações foram obstruídas por essa negativa das redes sociais?

“Aceitamos dar ao Facebook acesso a toda nossa informação confidencial. Sem nem sequer saber disso”

R. Claro. Precisei de informação, em casos de desaparecimentos, que estavam na conta de uma pessoa da qual não se sabe se continua vida, onde está ou em que situação. E recebi a negativa das redes sociais, dizendo que esse caso não era urgente. Não tenho nenhum tipo de interesse no que se passa na conta dessa pessoa, mas sim nas pistas que me pode dar. A vida dessa pessoa está em mãos, muitas vezes, dessa rede social. São seus empregados, com base em critérios que não conhecemos, os que decidem se te dão ou não uma informação. A polícia não pode ter acesso a nenhuma conta, como chegaram a me pedir. São propriedade das empresas.

P. Esse debate adquiriu mais importância depois da negativa da Apple de facilitar o acesso ao iPhone do atirador de San Bernardino. Qual sua opinião, como especialista em cibersegurança e membro da polícia, sobre a batalha entre a Apple e o FBI?

R. Estamos falando de privacidade versus segurança nacional. Nesse aparelho pode haver uma prova para incriminar um terrorista. Vamos ponderar bens. Além disso, qualquer ação investigativa é adotada sob a tutela de um juiz. Ou seja, a polícia nunca vai acessar um aparelho de uma pessoa se não for por meio de uma autorização judicial. O juiz é quem decide qual bem predomina sobre o outro. Estamos falando de uma necessidade, de questões de segurança nacional. Que problema há, então, se houver uma garantia dos direitos pelo controle judicial? Nós nos indignamos porque o FBI ou a polícia tentam acessar um celular para investigar, mas permitimos ao Facebook o acesso a toda a nossa vida.

“Se houvesse uma guerra, o Google fosse o Spiderman e o Facebook fosse o Batman, o Google venceria amplamente”

P. Vendemos muita informação através das redes sociais, da tecnologia, dos celulares? Em que ponto deveríamos parar?

R. Não vamos parar, mas vamos ainda mais longe. Sabe quantas permissões o Facebook pede para baixar o aplicativo no seu celular? 18. Entre elas há uma que pede acesso a informações confidenciais. E você lhe deu permissão. Para as suas informações confidenciais! Ao Facebook faltavam as conversas que temos através do Messenger, mas se virou muito bem e comprou o WhatsApp. Assim, já tem toda a sua vida: o que você publica, a sua informação confidencial à qual você deu permissão porque não tem tempo de ler as condições que aceitou e, além do mais, as suas conversas no WhatsApp. Mas nós nos indignamos porque não se deve dar dados à polícia. O Facebook tem a informação confidencial de 1,6 bilhão de pessoas que possuem esse aplicativo instalado no celular. Quem, então, tem o poder?

P. Qual o poder desses dados que o Facebook armazena?

R. Tem todo. Mas o Google ainda tem mais. Se houvesse uma guerra entre eles, o Google fosse Spiderman e o Facebook, o Batman, o Google venceria amplamente. Porque tem os serviços de correio eletrônico, a agenda e a rede social Google Plus. Além do mais, os aplicativos que você baixa do Google Play têm implícitas condições que também beneficiam o Google.

“Cheguei a reuniões com outros colegas, homens, e os chefes diziam a eles: ‘Parabéns por essa operação que você fez’. E a mim: ‘Você estava mais loira na última vez que te vi?”

P. Tudo isso é culpa de não lermos os acordos de uso dessas tecnologias?

R. Dá na mesma, ainda que você leia. O que você vai fazer? Ficar sem o Facebook no celular? Não baixar aplicativos?

P. O celular se transformou em uma extensão a mais de nós mesmos. Pegar o telefone de alguém por exemplo, de um possível criminoso, dá toda a informação sobre quem é essa pessoa?

R. Não é modo de falar, é que a sua vida está dentro do celular. Para nós é muito útil. Costumamos colaborar com os colegas da área de homicídios analisando todo aquele campo tecnológico (computador, celular ou qualquer dispositivo que armazene informação) para ver o que a vítima fazia antes de desaparecer ou o que fazia o autor, se buscava ou não referências na Web que o levaram a pensar com que ou como cometer o crime. Atuamos, por exemplo, no homicídio das duas garotas de Cuenca, no caso de Bretón ou em desaparecimentos, como o da moça no Caminho de Santiago.

P. Também em outro tipo de crime.

R. Claro, damos apoio quando, por exemplo, é detectado um crime de lavagem de dinheiro. Fazemos a inspeção com a UDEF (Unidade de Delinquência Econômica e Fiscal). A verdade é que temos tido muito trabalho nestes anos. Além disso, cada dia é diferente, não se fica estancado. Eu, que cheguei por acaso à Unidade de Investigação Tecnológica, a cada dia me apaixono, me envolvo mais.

P. Foi difícil chegar à sua posição atual de inspetora e chefa, sendo mulher? Continua sendo um mundo de homens?

R. Sim. Foi e continua sendo. Eu cheguei a reuniões com outros companheiros, homens, e os chefes homens disseram a eles: ‘Parabéns por essa operação que você fez”. E a mim: ‘Você estava mais loira a última vez que te vi?’. Há coisas que, objetivamente, custam mais em um mundo assim masculino porque você é mulher e tem que demonstrar que, à parte, é boa no que faz. Escutei muitas vezes o comentário de ‘Você é mulher e ainda por cima trabalha bem’. Como que ainda por cima? Mas eu tenho clareza, sei aonde quero ir, sei o que mais gosto, meu objetivo é fazer o meu trabalho bem e não me importo se adiante estão homens, mulheres ou quem for.

P. Que desafios você tem agora?

R. Não saberia dizer porque me sinto agora muito confortável com o trabalho que faço. Além do mais, nunca fui movida pelo dinheiro, não vou aonde me pagam. O que me move é sentir que há pessoas que querem saber sobre cibersegurança. Também gosto muito de escrever. Estou em vias de escrever algo mais sério, mais meu, sempre vinculado ao mundo ciber, que possa ser publicado. Gostaria de chegar a me comunicar cada vez melhor, para que todo mundo entenda bem. Dou aulas de oratória e de comunicação, com muita frequência, porque gosto, simplesmente. E escrevo e leio muito. Meu sonho desde pequenininha era ser escritora e, embora neste campo a literatura não caiba, há muitas formas de contar e que não pareça um simples e chato artigo de cibersegurança. Gostaria um dia de ser também conhecida pelo que escrevo.
El País

Irmãos que realizaram ataques na Bélgica estão ligados aos de Paris

Atentados deixaram mais de 30 mortos e 270 feridos.
Irmãos Khalid e Ibrahim El Bakraoui são dois dos terroristas.

Khalid e Ibrahim foram identificados como os dois suicidas que fizeram o atentado no aeroporto e no metrô, em Bruxelas, na segunda-feira (22) (Foto: Reprodução RTBF/Interpol)

Khalid (esq.) e Ibrahim foram identificados como os dois suicidas que fizeram o atentado no metrô e no aeroporto, em Bruxelas, na segunda-feira (22) (Foto: Reprodução RTBF/Interpol)

 Dois irmãos apontados como os autores dos atentados de terça-feira (22), em Bruxelas, estão relacionados com os ataques de 13 de novembro, em Paris, afirmaram nesta quarta-feira (23) as autoridades belgas, no primeiro dia de luto em homenagem às vítimas. Outros dois suspeitos ainda não foram identificados oficialmente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O procurador federal belga, Frédéric Van Leeuw, confirmou em uma coletiva de imprensa nesta quarta que dois dos autores destes atentados eram os irmãos Khalid e Ibrahim El Bakraoui, já procurados por suas ligações com os ataques de 13 de novembro em Paris.

Segundo a agência France Presse, a polícia também deteve na noite de terça, no bairro de Schaerbeek, uma pessoa que está sendo interrogada.

Assim como no caso de Paris, os atentados na Bélgica foram reivindicados pelo grupo jihadistaEstado Islâmico (EI). Morreram mais de 30 pessoas, e outras 270 ficaram feridas no aeroporto de Bruxelas e na movimentada estação de metrô de Maalbeek.

Segundo o procurador belga, “o número de vítimas pode, infelizmente, aumentar nas próximas horas”.

Ibrahim El Bakraoui

Ibrahim El Bakraoui teria detonado seus explosivos no aeroporto de Bruxelles-Zaventem. Ele foi identificado por impressões digitais. O homem já havia sido apontado como suspeito em imagens de câmeras da segurança divulgadas na terça-feira pela polícia.

As imagens mostravam três homens empurrando carrinhos de bagagem, pouco antes das duas explosões que arrasaram o salão de embarque do aeroporto. Ibrahim, que nasceu em Bruxelas em 9 de outubro de 1986, seria o homem do meio.

Graças a um taxista, que explicou ter recolhido os três homens do aeroporto no bairro de Schaerbeek, a polícia revistou um apartamento da região onde foram encontrados 15 quilos de explosivos TATP e material para fabricar bombas.

Na mesma rua foi encontrado um computador abandonado em uma lata de lixo, no qual havia o que o procurador chamou de “testamento” de Ibrahim. Nele, diz “não saber o que fazer” e afirma que é procurado “por todas as partes” e por isso não se sente “seguro”.

O computador foi encontrado em um lixo no bairro de Schaerbeek, onde a polícia realizou na terça-feira operações de buscas que permitiram localizar “15 quilos de explosivo do tipo TATP, 150 litros de acetona, 30 litros de água oxigenada, detonadores, uma mala cheia de pregos, bem como material destinado a confeccionar artefatos explosivos”.

O gabinete do presidente turco, Tayyip Erdogan, disse que Ibrahim foi preso na Turquia, no sul perto da fronteira com a Síria, e depois foi deportado para a Holanda no ano passado, e que a Bélgica na sequência ignorou um alerta de que o homem era um militante. A Turquia também notificou as autoridades holandesas, afirmou Erdogan.

“Um dos agressores em Bruxelas é um indivíduo que nós detivemos em Gaziantep em junho de 2015 e deportamos. Nós relatamos a deportação para a embaixada belga em Ancara em 14 de julho de 2015, mas ele mais tarde foi solto”, declarou Erdogan. “A Bélgica ignorou o nosso alerta de que essa pessoa era um combatente estrangeiro.”

Khalid El Bakraoui

O irmão de Ibrahim, Khalid também foi identificado por suas impressões digitais como o autor do ataque na estação de metrô de Maelbeek, que ocorreu cerca de uma hora depois das explosões no aeroporto. “A explosão aconteceu no interior do segundo vagão do trem, quando este ainda estava parado na estação”. Khalid nasceu em 12 de janeiro de 1989 em Bruxelas.

Os irmãos El Bakraoui, conhecidos da polícia por assaltos a mão armada, foram mencionados pelos meios de comunicação belgas em conexão com a caça ao suspeito-chave dos atentados de Paris, Salah Abdeslam, capturado na sexta (18) no município de Molenbeek, em Bruxelas, depois de quatro meses de buscas.

Khalid também foi identificado por suas impressões digitais como o autor do ataque na estação de metrô de Maelbeek (Foto: Interpol/Reuters)Khalid também foi identificado por suas impressões digitais como o autor do ataque na estação de metrô de Maelbeek (Foto: Interpol/Reuters)
Khalid El Bakraoui teria alugado, com uma identidade falsa, um apartamento que serviu de esconderijo em Charleroi (sul), de onde partiram alguns dos autores dos atentados de 13 de novembro, e um apartamento no bairro de Forest, igualmente em Bruxelas, onde uma operação policial de rotina em 15 de março ajudou a encontrar o rastro de Abdeslam.

Najim Laachraoui

Fontes policiais disseram à France Presse que o segundo homem-bomba que participou no ataque ao aeroporto de Bruxelas foi identificado pelas autoridades como Najim Laachraoui – ele seria o homem que aparece à esquerda nas imagens das câmeras de segurança. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente. A imprensa belga, chegou a anunciar a detenção de Laachraoui mais cedo nesta quarta, mas se retratou pouco depois da informação.

Laachraoui, de 24 anos, foi identificado na véspera dos ataques em Bruxelas como cúmplice de Salah Abdeslam – fugitivo que era procurado pelos ataques de novembro em Paris e foi preso – e dos comandos que cometeram os atentados de Paris. Na ocasião, os procuradores belgas lançaram um pedido público de informações sobre Najim Laachraoui, que teria passado pelos controles na fronteira entre Áustria e Hungria.

De acordo com o jornal “Washington Post”, acredita-se que ele teria preparado as bombas usadas em Paris.

Seu DNA foi encontrado no material explosivo usado nos ataques de 13 de novembro na capital francesa e em várias residências utilizadas pelos extremistas que cometeram aqueles atentados.

Najim Laachraoui é procurado pela polícia por suspeita de ter participado do ataque ao aeroporto de Bruxelas, na terça-feira (22) (Foto: Belgian Federal Police/Handout via Reuters )Najim Laachraoui é procurado pela polícia por suspeita de ter participado do ataque ao aeroporto de Bruxelas, na terça-feira (22) (Foto: Belgian Federal Police/Handout via Reuters )

Suspeito de jaqueta clara

Quanto ao terceiro homem que aparece nas imagens das câmeras de segurança, com chapéu e uma jaqueta clara, ele continua foragido, de acordo com o procurador belga, e não foi identificado.

“Ainda não foi identificado”, afirmou o procurador federal belga, Frédéric Van Leeuw, indicando que “em sua mochila estava a maior parte da carga explosiva” utilizada no ataque, indicando que poderia ter causado muito mais danos.

Quando, após evacuar o prédio, as equipes antibomba encontraram a bolsa, esta explodiu devido à “grande instabilidade” dos artefatos que continha.

Temores

Com a confirmação da participação dos irmãos El Bakraoui nos atentados de terça, os investigadores já podem estabelecer uma relação direta entre a rede por trás dos ataques de Paris em novembro de 2015, que deixaram 130 mortos.

Também reforça os temores sobre a capacidade das rede extremistas belgas de continuar a realizar ataques sangrentos, apesar do reforço das medidas de segurança em toda a Europa e a pressão policial consideravelmente aumentada desde os ataques de Paris.

“Deveríamos ter restabelecido o nível 4 (de alerta máximo) de ameaça terrorista após a prisão de Salah Abdeslam? Não tínhamos informações para prevenir a iminência desta ameaça?”, questionava nesta quarta-feira em uma edição especial o jornal “Le Soir”, que ressaltou a possível existência de “cúmplices” que poderiam voltar a agir.

Vítimas

Os piores ataques terroristas ocorridos na Bélgica poderiam ter “atingido mais de 40 nacionalidades”, segundo o ministro belga das Relações Exteriores, Didier Reynders. Mas até o momento as autoridades não divulgaram a lista de mortos nem suas nacionalidades.

Sabe-se que uma mulher peruana, um estudante de Direito e um membro da Comunidade Valônia-Bruxelas (organização governamental que representa falantes de francês na região) morreram nas explosões.

Entre os feridos também está o jogador de basquete nascido no Brasil Sebastien Bellin, de 37 anos, e uma aeromoça indiana, Nidhi Chaphekar, cujas fotos tiradas pouco depois das explosões no aeroporto deram a volta ao mundo.

Explosões no aeroporto de Bruxelas deixaram mais de 10 mortos e dezenas de feridos (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)Foto de aeromoça indiana Nidhi Chaphekar (à direita de amarelo) e de mulher não identificada (à esquerda) foi tiada pouco depois das explosões no aeroporto de Bruxelas (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)

Além disso, dez franceses, dois britânicos e três americanos ficaram feridos. Uma delegação do FBI e da polícia de Nova York devem viajar para Bruxelas. O Departamento de Estado alertou os cidadãos americanos para “riscos potenciais se quiserem viajar para e pela Europa”.

Minuto de silêncio

A Bélgica parou nesta quarta para observar um minuto de silêncio em memória das vítimas em vários pontos da capital, como no cruzamento Schuman, no coração do bairro europeu, na presença do casal real, Philippe e Mathilde, e do primeiro-ministro Charles Michel.

Centenas de pessoas se reuniram na Place de la Bourse, convertida em um memorial improvisado, onde houve aplausos ao fim do minuto de silêncio.

“Na noite passada, vim depositar uma vela e passei esta manhã em solidariedade com as vítimas e suas famílias. É importante estar aqui com outras pessoas”, declarou à AFP Latifa Charaf, de 50 anos, uma professora de Bruxelas.

O aeroporto da capital belga continuará fechado pelo menos até sexta-feira. Várias estações de metrô reabriram sob a vigilância de soldados, mas a movimentação era muito menor do que o habitual.
G1