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Documentos provam que Nathalia Queiroz,assessora de Jair Bolsonaro na Câmara, nunca pisou lá

Jair Bolsonaro,Natália Queiroz,Fabrício Queiroz,Corrupção,Presidente da República,BrasilNathalia Queiroz, segundo Jair Bolsonaro, era funcionária de seu gabinete de deputado federal, mas nunca teve o crachá. Ela também não tinha vaga de garagem no prédio e nem mesmo consta dos registros de visitantes da Câmara. Foto: Reprodução/Instagram

UM CRACHÁ. PARECE POUCO, mas, para entrar na Câmara dos Deputados, o plástico pendurado no pescoço é essencial. Quem não é funcionário nem credenciado (como os jornalistas, por exemplo) não escapa de um burocrático registro que exige entregar um documento e tirar uma fotografia antes de ganhar o acesso como visisante. Nathalia Queiroz, segundo Jair Bolsonaro, era funcionária de seu gabinete de deputado federal, mas nunca teve o crachá. Ela também não tinha vaga de garagem no prédio e nem mesmo consta dos registros de visitantes da Câmara.

Nathália é filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor e amigo dos Bolsonaro desde a década de 1980. Ele movimentou milhões de reais, de origem obscura, de dezenas de assessores e ex-assessores do filho do presidente, Flávio Bolsonaro. Queiroz também depositou R$ 24 mil na conta da primeira dama, Michele Bolsonaro. O caso tem contornos de um esquema de funcionários fantasmas que repassavam integralmente, ou em parte, seus salários a Queiroz, que aparentemente não usufrui desse dinheiro.

Os documentos que mostram que Nathalia jamais pisou na Câmara são fortes indícios de que também ela era funcionária fantasma, no caso, do então deputado federal e hoje presidente da República, Jair Bolsonaro. Nathalia teve um cargo no gabinete de Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro de 2018, o que lhe rendia um salário de R$ 10 mil mensais, fora benefícios. O problema é que não há qualquer registro de que ela tenha pisado uma única vez na Câmara dos Deputados durante esse período.

A Procuradoria Geral da República recebeu, esta semana, representações que apontam suspeitas de desvio de dinheiro público e improbidade administrativa cometidos por Jair Bolsonaro justamente na contratação de Nathalia.

Os documentos, obtidos via Lei de Acesso à Informação, confirmaram que Nathalia jamais teve um crachá funcional após consulta ao banco de dados da Polícia Legislativa, responsável por confeccionar as peças. O nome dela tampouco consta do Sistema de Identificação de Visitantes, que registra entrada e saída de quem não trabalha no Poder Legislativo mas faz visitas esporádicas.

Eu também perguntei à Câmara se Nathalia recebeu permissão para estacionar seu carro nas garagens da Casa – algo comum para funcionários. A resposta foi a mesma: não, nunca teve.

Nathalia é citada no relatório do Coaf que identificou as movimentações suspeitas na conta de seu pai na época em que ele era assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia do Rio. Curiosamente, pai e filha foram exonerados de seus cargos no mesmo dia: 15 de outubro de 2018.

Em Brasília e no Rio ao mesmo tempo. Ou não

Quem já visitou algum dos prédios da Câmara dos Deputados, em Brasília, deve ter reparado na burocracia a que é preciso se submeter antes de entrar.

Eu estou lá toda semana e sei que é impossível circular pelas dependências sem apresentar identificação com foto e nome visíveis a cada uma das inúmeras barreiras de segurança – equipadas, inclusive, com detectores de metais.

Os sistemas de pessoal e de segurança da Câmara indicam que Nathalia nunca pisou no gabinete de Jair Bolsonaro nos 22 meses em que supostamente trabalhou nele.Se os dados dos sistemas de pessoal e de segurança da Câmara indicam que Nathalia nunca pisou no gabinete de Jair Bolsonaro nos 22 meses em que supostamente trabalhou nele, então temos um problema, já que em janeiro, o gabinete do ex-deputado Jair Bolsonaro atestou a presença integral dela, sem registro de faltas ou licenças.

Esses indícios se somam a outros já revelados pela imprensa de que, é muito provável, Nathalia era mesmo funcionária-fantasma. Suas redes sociais contêm imagens dela trabalhando como personal trainerno Rio de Janeiro durante o horário comercial. A “assessora” de Bolsonaro, inclusive, atendia a celebridades como Bruna Marquezine e Bruno Gagliasso.

Segundo a Câmara, Nathalia era responsável por “redação de correspondência, discursos e pareceres do parlamentar, atendimento às pessoas encaminhadas ao gabinete, execução de serviços de secretaria e datilográficos, pesquisas, acompanhamento interno e externo de assuntos de interesse do deputado, condução de veículo de propriedade do parlamentar, recebimento e entrega de correspondência, e outras atividades afins inerentes ao respectivo gabinete”.

Seria possível imaginar Nathalia trabalhando para Bolsonaro no Rio, base eleitoral dele. Mas fica difícil acreditar que ela assim daria conta das atribuições de seu cargo.

Seria até possível imaginar que Nathalia trabalhasse para Bolsonaro no Rio de Janeiro, base eleitoral dele, e não em Brasília. Isso é comum e legal. Mas fica difícil acreditar que ela daria conta das atribuições listadas em seu cargo sem estar no gabinete do político. Como poderia fazer “atendimento às pessoas encaminhadas ao gabinete” se jamais pisou no gabinete, por exemplo?

Não se trata da primeira suspeita de que Nathalia Queiroz tinha um cargo público em gabinetes da família Bolsonaro mas não aparecia para trabalhar. Ela também foi nomeada quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro. De alguma forma, ela conseguia estar na Assembleia Legislativa ao mesmo tempo em que dava expediente como atendente numa academia e fazia faculdade de Educação Física.

Nathalia ganhou sua primeira chance aos 18 anos. Era, então, um cargo no gabinete da vice-liderança do PP, partido de Flávio Bolsonaro à época. Hoje, Nathalia tem 29 anos. Nesses 11 anos, a moça nunca deixou de trabalhar para a família Bolsonaro, nem de ser paga com dinheiro público.

Futuro de Bolsonaro pode ter processos por improbidade e desvio de dinheiro

Jair Bolsonaro se irritou quando foi questionado sobre Nathalia, em dezembro passado. “Ah, pelo amor de Deus, pergunta para o chefe de gabinete. Eu tenho 15 funcionários comigo”, despistou. Jornalistas fizeram exatamente isso: procuraram Pedro Cesar Nunes Ferreira Marques de Sousa, hoje chefe de gabinete de Bolsonaro no Palácio do Planalto. Mas ele manteve um silêncio sepulcral sobre o assunto.

Nathalia fez várias transferências para a conta do pai no período investigado, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Ao todo, somam R$ 84 mil na conta do ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Eleito senador, Flávio era candidato à prefeitura do Rio em 2016, época das movimentações atípicas de Queiroz. Segundo o Coaf, as movimentações financeiras são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional” do ex-assessor. Queiroz disse que as transações se referem à “compra e venda de carros”. Mas nós já mostramos que ele tem apenas dois, um Voyage 2010 e uma Belina 1986. O valor dos dois, juntos, não chega a R$ 25 mil.

Está nas mãos da procuradora-geral Raquel Dodge decidir se abre ou não inquérito para investigar o caso. Bolsonaro não pode ser denunciado por fatos de antes de seu mandato como presidente, mas Dodge pode seguir a tese de que ele pode ser investigado e, se for o caso, denunciado, ao deixar o cargo de presidente.

Procurei a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto por e-mail, telefone e celular de plantão na noite de quinta-feira, para ouvir o presidente sobre o caso. Quando receber a resposta, este texto será atualizado. A defesa de Fabrício Queiroz disse que vai provar que Nathalia exerceu as funções para as quais foi nomeada em “momento oportuno”.

Correção: 1º de março, 7h45

A imagem anterior que ilustrava esta reportagem mostrava Evelyn Melo de Queiroz, e não Nathália Queiroz. Também filha filha do ex-assessor Fabrício Queiroz, Evelyn estava lotada até janeiro no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Amanda Audi/The Intercept

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Milicianos e candidatos falsos são duas metades da mesma laranja no pomar do PSL

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“ESTÃO NOMEANDO corruptos e gente de esquerda no segundo escalão. Não foi esse o combinado e o prometido durante a campanha. Falei para o ministro que, agindo assim, o governo está ‘dando pano para manga’ e aí vão bater mesmo”, disse a senadora do PSL Soraya Thronicke, como se o grande problema do governo estivesse no segundo escalão, e não no Planalto.

Não, senadora. Não estão batendo no governo por causa dos corruptos e “esquerdistas” do segundo escalão, mas pelos vários esquemas de desvios de verbas públicas em esquemas de candidatos laranja comandados por líderes do PSL. Também pelo envolvimento da família presidencial com o crime organizado do Rio de Janeiro. O noticiário desta semana mostra inclusive que há conexão entre os dois assuntos.

Praticamente todo santo dia se descobre uma pilantragem nova nas campanhas do partido do presidente. É tanta laranja caindo que por um momento a gente pensa se os devotos do bolsonarismo devem estar mesmo certos: deve ser tudo invenção da “extrema imprensa”. Mas não, o laranjal está fartamente comprovado, e os responsáveis não conseguem explicar. E o que caiu de laranja nova nessa semana não é brincadeira, meus amigos.

Está comprovado que o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio usou verbas públicas para financiar candidaturas de laranjas em Minas Gerais. Essa semana, Cleuzenir Barbosa, uma das candidatas laranja, entregou ao Ministério Público as trocas de mensagens em que um assessor do ministro pede para que ela transfira parte da sua cota para uma gráfica com a qual ela não estava fazendo serviço algum. Disse também que o ministro conhecia o esquema para lavar dinheiro do PSL. Cleuzenir fugiu para Portugal com medo dos que ela chama de “bandidos”. Fez muito bem.

O ministro era o presidente do PSL mineiro e responsável por definir quem seriam os candidatos no estado. O seu envolvimento com candidatos laranja está muito mais claro do que o de Bebianno, que foi demitido. Segundo Onyx Lorenzoni, o presidente da República nem sequer cogita demitir o ministro do Turismo, a não ser que haja “algo de gravidade, de responsabilidade direta dele”. Mas o que seria mais grave que desviar dinheiro do povo para patrocinar candidatos de mentira? Empregar parentes e amigos das milícias cariocas já sabemos que não é. Fazer caixa 2 também perdeu a gravidade. Mas se o ministro brigar com o Carluxo…hum…aí, sim, o bicho vai pegar.

Durante a campanha eleitoral, o ministro do Turismo dizia, em sua propaganda,que era contra o fundo partidário e o foro privilegiado. Pois bem, ele não só usou — e desviou — recursos do fundo partidário como, com a mesma cara de pau de Flávio Bolsonaro, recorreu ao STF pedindo foro. É o bolsonarismo em estado bruto.

Mas não foi só em Minas e Pernambuco que o PSL desviou verba pública. No Rio Grande do Sul, a presidente do diretório regional e candidata ao Senado Carmen Flores usou parte da grana do fundo partidário para abastecer as contas bancárias de seus parentes. A sua filha recebeu pelo aluguel de um imóvel que foi sede do partido durante a campanha. A neta recebeu para panfletar na rua. Além da contratação dos parentes, Carmen Flores usou a verba para mobiliar a sede. Tudo foi comprado em uma loja da rede “Carmen Flores”. Sim, ela usou verba pública para comprar móveis para o partido em sua própria loja.

Como toda boa bolsonarista, Carmen estava perdida e não sabia muito bem o que fazia ali. Só tinha um coração batendo pelo mito. “Eu não sabia o que era PSL, eu era Bolsonaro. Sempre admirei a causa Bolsonaro. O ministro Onyx Lorenzoni e o presidente, na época deputado [Bolsonaro], jogaram no meu colo em 20 de março a presidência do partido”, falou. Foi dessa forma atabalhoada que a empresária caiu de paraquedas na presidência do PSL gaúcho. A política na nova era se faz nas coxas.

Quando ainda nem havia se lançado candidato, o deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS) reclamou com Gustavo Bebianno, então homem de confiança de Bolsonaro, sobre o modo com que Carmen conduzia o partido. “Quando relatei os problemas, ele disse que, se eu continuasse contra a Carmen, poderia ficar sem legenda para concorrer. Me ameaçou”, contou à Folha.

Agora vamos para mais um episódio do capanguismo político no Rio de Janeiro. As relações de Flávio Bolsonaro com o crime organizado vão ficando cada vez mais claras e já começam a surgir os primeiros indícios de que há uma interligação com o laranjal do PSL.

Na quinta-feira, a Folha mostrou como o dinheiro do fundo eleitoral entregue a candidatas do PSL-RJ, presidido por Flávio Bolsonaro, beneficiou a empresa de Alessandra Ferreira de Oliveira, uma ex-assessora sua. Essa empresa recebeu R$ 55,3 mil a partir de pagamentos de 42 candidatos, sendo que R$ 26 mil tiveram como origem 33 candidatas que só receberam a grana nos últimos dias de campanha. Dessas 33 candidatas, 26 tiveram menos de 2.000 votos. Na época em que sua empresa cuidava das contas das candidatas, Alessandra também trabalhava no gabinete da liderança do PSL na Alerj, exercida por Flávio.

Também foram beneficiadas duas parentes de Valdenice de Oliveira Meliga, a Val, não a do Açaí, mas a tesoureira do diretório estadual do PSL. Ela também ajudou a vender os serviços da empresa de Alessandra para as candidaturas do PSL-RJ. Por um acaso, Val é irmã de Alan e Alex Rodrigues Oliveira, aqueles milicianos que fizeram campanha para o Flávio e seu pai e que foram presos por integrarem uma quadrilha de extorsões.

A irmã e a nora de Val também realizaram transferências para a empresa da ex-assessora de Flávio Bolsonaro. Perceba como o bolsonarismo se mostra realmente muito preocupado em ajudar a família brasileira. Ou, como andam dizendo nas redes sociais, a familícia brasileira.

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Flávio e Jair Bolsonaro prestigiam festa de aniversário dos irmãos de Val, milicianos presos na Operação Quarto Elemento. “Essa família é nota mil”, escreveu Flávio em seu Instagram.Foto: Reprodução/Instagram

Família Bolsonaro participa de festa de aniversário dos irmãos de Val, milicianos presos na Operação Quarto Elemento.

Na sexta-feira, a ligação com as milícias cariocas voltou a perturbar ainda mais Flávio Bolsonaro. A revista IstoÉ descobriu dois cheques da sua campanha que foram assinados pela Val, o que mostra que ela era uma pessoa da sua mais alta confiança. Flávio chegou a dar uma procuração autorizando Val a assinar os cheques de despesas da campanha em seu nome. Era dela a responsabilidade pelas contas da sua campanha ao Senado. Não foi à toa que Jair e Flávio Bolsonaro compareceram à festa de aniversário dos seus irmãos milicianos antes de serem presos.

Um desses cheques descobertos pela revista estava endereçado à empresa de Alessandra Ferreira Oliveira, a dona da empresa que recebeu verbas das candidaturas laranjas do PSL no Rio. É aí que o laranjal se encontra com as milícias. “Enquanto a irmã de milicianos assinava cheques em nome do ’01’, funcionária do gabinete do filho do presidente mantinha empresa paralela para ‘esquentar’ verba e reter no PSL dinheiro do fundo eleitoral”, publicou a Isto É.

Portanto, ficamos assim: o senador Flávio Bolsonaro é amigo de milicianos. Empregou parentes de milicianos. Concedeu honrarias para milicianos. Defendeu chefe de milícia na Câmara. Deu procuração para uma irmã de milicianos movimentar sua contas de campanha.

O caso é complexo e ainda há muito o que ser investigado. Muitas perguntas não foram esclarecidas. Qual é a participação de Jair Bolsonaro no laranjal do PSL? Qual é o contexto das transações financeiras que Jair e Michele Bolsonaro mantiveram com Fabrício Queiroz? Jair Bolsonaro, amigo próximo de Queiroz por três décadas, não sabia que ele indicava parentes de milicianos para o gabinete do seu filho? Flávio Bolsonaro, depois de anos exaltando as milícias, não sabia de nada? Quem matou Marielle Franco?

Inacreditável: Gabinete de Bolsonaro atestou frequência de filha de Queiroz que era personal trainer no RJ

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Caso Queiroz e os Bolsonaros: ausências em depoimentos e perguntas sem respostas

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O senador eleito Flávio Bolsonaro. ROQUE DE SÁ. AGÊNCIA SENADO

O Ministério Público do Rio ameaçou endurecer contra o motorista Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, investigado por movimentações financeiras suspeitas. O caso já completou mais de um mês, e nesta terça-feira as duas filhas e a mulher de Queiroz não compareceram para depor. Em nota, o MP fala que o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras que cita os quatro membros da família “permitem o prosseguimento das investigações, com a realização de outras diligências de natureza sigilosa, inclusive a quebra dos sigilos bancário e fiscal”.

Sobram perguntas e faltam depoimentos na primeira crise enfrentada pelo clã Bolsonaro após as eleições de 2018. A defesa de Queiroz alegou que o ex-assessor ainda não se pronunciou perante as autoridades, tendo faltado a dois depoimentos, por estar com problemas de saúde. Por sua vez, Flávio diz que não deve explicação alguma, e que cabe ao seu ex-assessor explicar a origem e o destino de mais de 1,2 milhão de reais, ainda que todos os suspeitos tenham sido seus funcionários. Veja o que já se sabe até o momento, e que o capitão, seu filho e Queiroz já disseram (ou são cobrados a dizer) do caso.

O que é o caso Queiroz?

No dia 6 de dezembro o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou em um relatório que Queiroz, policial militar da reserva, ex-motorista de Flávio e amigo de longa data da família Bolsonaro, fez uma movimentação bancária de 1,2 milhão de reais, “incompatível com seu patrimônio”, entre 2016 e 2017. A investigação faz parte da operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato no Rio que já levou dez parlamentares fluminenses para a prisão.

Qual é a suspeita?
Uma das principais linhas de investigação trabalha com a possibilidade dos repasses feitos para a conta de Queiroz sejam uma espécie de pedágio cobrado por parlamentares de seus funcionários. Isso porque os depósitos feitos por outros integrantes do gabinete de Flávio para Queiroz coincidiam com as datas de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A prática de confisco de salários é ilegal, mas bastante difundido em assembleias, câmaras e prefeituras do país.

Quem investiga o caso?
O caso dos servidores foi remetido ao Ministério Público do Rio de Janeiro, por não ter ligação direta com o esquema investigado pela Furna da Onça. O caso está sobre sigilo de Justiça.

Quem são os personagens principais?
Além de Queiroz, Flávio Bolsonaro, Jair e a primeira-dama Michelle, duas filhas e a mulher do motorista também são citadas no relatório do Coaf. As familiares de Queiroz faltaram a um depoimento que estava agendado para a terça-feira, 8. Nathalia, filha do motorista, trabalhava como personal trainer enquanto estava locada no gabinete de Flávio, como revelou a Folha de S.Paulo. No relatório do Coaf o nome dela aparece ao lado de transações de 84.000 reais. Além de Queiroz outros 22 servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro são investigados na Operação Furna da Onça.

O que Queiroz já disse?
O motorista, que já faltou a dois depoimentos ao Ministério Público do Rio, marcados desde que o caso veio à tona, negou que a origem do dinheiro seja irregular. Em entrevista ao jornal SBT Queiroz alegou “não ser laranja” do clã Bolsonaro, e disse que os depósitos e saques (que totalizam 1,2 milhão de reais) são referentes à “compra e venda de carros usados”. “Sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro, compro carro, revendo carro… Sempre fui assim, gosto muito de comprar carro de seguradora. Na minha época, lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar e revendia. Tenho uma segurança.”

Como o presidente Jair Bolsonaro está implicado no caso?
De acordo com as investigações, Queiroz realizou transferências que totalizaram 24.000 reais para a conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Jair afirmou que o valor dizia respeito a uma série de empréstimos feitos por ele ao motorista, que foi quitado com dez cheques de 4.000 reais. A conta da mulher teria sido usada porque ele não teria disponibilidade de ir ao banco em função da rotina de trabalho. O presidente sempre negou qualquer irregularidade, e disse não ter declarado o valor do empréstimo em sua declaração de Imposto de Renda porque os valores eram pequenos e muito parcelados, e acabaram se “avolumando”. “O empréstimo foi se avolumando e eu não posso, de um ano para o outro, [colocar na declaração] mais 10.000, mais 15.000. Se eu errei, eu arco com a minha responsabilidade perante o fisco. Não tem problema nenhum”.

Mas o capitão aproveitou para defender o Queiroz: “O Coaf fala em movimentação atípica, mas isso não quer dizer que seja ilegal, irregular. Pode ser outra coisa”, afirmou. Bolsonaro sempre admitiu ser próximo do motorista: “[Queiroz] foi trabalhar com o meu filho, sempre gozou de toda a liberdade e confiança nossa. Era uma pessoa que já foi pescar comigo. Já curtiu férias comigo, lá em Mambucaba, no Rio de Janeiro”. Por fim, após tomar posse, Bolsonaro disse saber que o ex-assessor “fazia rolo”, mas não explicou mais do que isso.

O que Flávio Bolsonaro já disse sobre o caso? E sobre a existência de funcionários que não iam ao gabinete?
Flávio Bolsonaro foi convidado a depor, mas também não compareceu e nem informou se o fará. Por ser parlamentar o senador tem a prerrogativa de escolher dia e horário para depor, e pode nem ir, uma vez que não foi intimado. No Twitter, em dezembro, ele ensaiou sua defesa: “Pela enésima vez, não posso ser responsabilizado por atos de terceiros e não cometi nenhuma ilegalidade. O ex-assessor é quem deve dar explicações”. Reportagens mostraram que os assessores envolvidos em depósitos para Queiroz mal apareciam para trabalhar. Um funcionário do gabinete Flavio, o tenente-coronel da Polícia Militar Wellington Sérvulo Romano da Silva, que aparece como tendo depositado valores para Queiroz, recebeu pagamentos mesmo fora do país: ele passou 248 dias em Portugal entre 2015 e 2016, segundo informações do Jornal Nacional. Ele só não teria recebido seus vencimentos da Assembleia em dois dos mais de 12 meses nos quais atuou supostamente a serviço do deputado. Apesar disso, Flávio disse que “todos da minha equipe trabalham e a prova de que o gabinete funciona bem são minhas crescentes votações”.

Quais as implicações para Flávio e Queiroz?
Ainda é cedo para saber. A menção no relatório do Coaf não significa a priori que a movimentação financeira foi ilegal, apenas atípica. Flávio assumiu uma vaga no Senado Federal com a polêmica ainda pairando sobre sua cabeça. Um eventual desdobramento negativo – como a comprovação de que ele confiscava parte do salário dos funcionários de seu gabinete da Alerj – pode fazer com que o caso passe para a Procuradoria Geral da República, que investiga parlamentares que tem direito a foro privilegiado. Já o motorista terá que apresentar provas de que o dinheiro que entrava e saia de sua conta realmente tinha relação com o comércio de veículos usados, como disse ao SBT.

Quando Queiroz irá prestar depoimento?
Ainda não se sabe. Seu advogado pediu às autoridades que qualquer oitiva envolvendo o motorista e seus familiares ocorra após o término do tratamento médico a que Queiroz se submeteu. Ele estava internado no hospital Albert Einstein para cuidar de um tumor intestinal, e agora deve passar por sessões de quimioterapia. O defensor apresentou ao Ministério Público os laudos que comprovam a doença do motorista.

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Presidente do Coaf rebate críticas de aliados de Bolsonaro: já fizemos quase 40 mil relatórios

‘Eu vejo como uma ótima oportunidade essa transferência (do órgão) para o Ministério da Justiça’, diz presidente do Coaf, hoje ligado à FazendaCOAF,Corrupção,Flávio Bolsonaro,Políticos,Brasil,Fabrício Queiroz,Motorista

Pouco conhecido da maioria dos brasileiros, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) existe há 20 anos e já produziu quase 40 mil relatórios apontando operações suspeitas que mereciam investigação de autoridades. Um deles colocou o órgão sob os holofotes nos últimos dias ao apontar movimentações atípicas relacionadas à família do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

O documento apontou transações de R$ 1,2 milhão em um ano na conta de um ex-motorista do gabinete de deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do futuro presidente e eleito senador em outubro. A conta recebeu depósito de outros sete servidores do parlamentar e repassou R$ 24 mil por meio de cheque para a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O mesmo relatório identificou operações atípicas de auxiliares de outros 20 deputados da Alerj, de 11 partidos, entre eles DEM, MDB, PSDB e PT.

Coaf, o órgão de 37 servidores que gerou mil relatórios para Lava Jato e pôs ex-assessor de Flávio Bolsonaro sob suspeita.

CO que disseram Bolsonaro, Onyx e Moro sobre depósitos suspeitos de ex-motorista
Que o trabalho de duas décadas não fosse amplamente conhecido antes é compreensível, reconheceu à BBC News Brasil o presidente do Coaf, Antônio Carlos Ferreira de Sousa, ao classificar a atuação de sua equipe como “técnica” e “discreta”.

Ele rebate, porém, cobranças de aliados de Bolsonaro, como a do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que questionou na semana passada: “Onde é que estava o Coaf no mensalão? Onde estava o Coaf no petrolão?”.

“O Coaf é por excelência um órgão de inteligência, discreto. Cabe ao Coaf analisar ocorrências (suspeitas comunicadas por bancos e outras instituições financeiras) e gerar relatórios para o Ministério Público e a polícia. Em 20 anos, foram quase 40 mil relatórios de inteligência”, ressalta.

O presidente do Coaf ressalta que as operações suspeitas comunicadas ao órgão e os relatórios produzidos não significam que necessariamente houve crime ou irregularidade. Isso deve ser apurado pelos setores de investigação que recebem os relatórios, como a Polícia Federal, as polícias estaduais e o Ministério Público.

Ele lembra que o órgão produziu mais de mil documentos do tipo só para a Operação Lava Jato, que atingiu políticos do PT, PSDB, MDB, PP, entre outras siglas.

“A Lava Jato começou em 2014, mas o Coaf já tinha produzido 53 relatórios desde 2011 (sobre pessoas depois investigadas na operação)”, ressaltou.

“Talvez o senso comum não tenha tanta lembrança, mas já atuamos em várias outras operações. Recentemente, teve a Greenfield, que investigou fundos de pensão. O Coaf atuou fortemente”, acrescenta.

No caso do mensalão, o órgão gerou 44 relatórios entre 2005 e 2006. Atuou também na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigou esse escândalo e que teve participação de Lorenzoni, como deputado federal do DEM.

“Nós ficamos integrados tecnicamente, com o corpo técnico, na CPI. E o relatório final, inclusive, recomendava o fortalecimento do Coaf”, disse.Michelle Bolsonaro,Fabrício Queiroz,Motorista,COAF,Corrupção,Flávio Bolsonaro,Políticos,Brasil

Direito de imagemEVARISTO SA/AFP

Sousa acredita que Moro (foto) pode fortalecer o Coaf, ampliando sua equipe, que hoje é de apenas 37 servidores

Mudanças
Depois de 20 anos sob a autoridade do Ministério da Fazenda, o Coaf será transferido para o Ministério da Justiça, pasta que será comandando pelo ex-juiz da Operação Lava Jato Sérgio Moro. Por escolha dele, Sousa será substituído no comando por Roberto Leonel de Oliveira Lima, hoje chefe da área de investigação da Receita Federal em Curitiba.

A ida do órgão para o Ministério da Justiça não preocupa Sousa, que não enxerga risco de interferência política como uma eventual reação ao relatório que levantou suspeitas sobre Bolsonaro e familiares.

“Ele (Lima) é um excepcional técnico, de refinada competência. Já era integrante da Receita Federal na força-tarefa da Lava Jato. Um servidor já experimentado que vai contribuir muito no Coaf”, disse o atual presidente sobre o sucessor.

A expectativa de Sousa é que Moro possa fortalecer o Coaf, ampliando sua equipe, que hoje é de apenas 37 servidores e não dá conta de analisar todo o volume de transações suspeitas comunicadas por bancos e outras instituições (mais de 2,9 milhões de comunicações apenas neste ano). Ele defende que o número de servidores seja dobrado e que o investimento em tecnologia seja constante, diante da permanente mudança nos tipos de transação financeira analisadas pelo órgão.

Moro negociou com Bolsonaro a transferência do órgão para sua pasta com o objetivo de ampliar sua atuação no combate à corrupção e ao crime organizado.

“Eu vejo como uma ótima oportunidade essa transferência para o Ministério da Justiça. O fortalecimento de investimento orçamentário (esperado na nova gestão), investimento em pessoas, em tecnologia, é uma garantia de que Coaf, além de continuar (o que faz hoje), vai sair mais forte”, avaliou o atual presidente do órgão.

‘Atividade técnica’
Instituições que registram operações vultosas – como bancos, corretoras, joalherias, concessionárias de automóveis e até empresas que agenciam atletas – são obrigadas a informar ao Coaf transações em dinheiro vivo acima de R$ 50 mil ou movimentações atípicas (por exemplo, quando incompatíveis com os rendimentos habituais do correntista).

O Coaf analisa os dados e produz relatórios que encaminha aos órgãos de investigação.

“De um lado você tem o banco analisando a vida dos clientes, lá na ponta. O Coaf recebe isso e tem o dever legal de tratar (os dados), consolidar e mandar para autoridade. Então, o Coaf não investiga ninguém, não olha individualmente a conta de nenhum cidadão. Ele traduz as informações recebidas em uma peça que vai facilitar o processo de investigação”, explica Sousa.

“Essa atividade é isenta, técnica, independente. Eu não vejo influência (política)”, reforçou.

Michelle Bolsonaro,Fabrício Queiroz,Motorista,COAF,Corrupção,Flávio Bolsonaro,Políticos,BrasilRelatório apontou movimentação bancária atípica de assessor que atuava como motorista de Flávio Bolsonaro (foto)
BBC

O silêncio ensurdecedor do motorista Bolsonariano

‘O silêncio sempre foi o melhor argumento para a iludir a razão.’
Emerson Vahldick

Estará o milionário motorista do Flávio Bolsonaro “acoitado” em um pé de goiaba?

No Bananil, o silêncio sempre foi o melhor argumento para ofuscar a razão e a lógica

Um esse silêncio que em algum tempo gritará. Depende do povo pressionar. Motoristas não movimentam R$1.236.000,00 em um ano. Fica evidente, cristalina a verdade de que tem algo errado nessa estória.

O silêncio desse “laranja” se deve apenas ao fato de ele não ter o que dizer…. Vão demorar muito para achar uma desculpa aceitável para quem não votou no despreparado, porque para quem votou é só mais uma fake news plantada pela esquerda.

A cada minuto que passa sem explicações para a trapaça dos Bolsonaro, menor fica o patrimônio político do desastrado capitão, fica evidente o logro a que foi submetida parcela importante da população brasileira.

A explicação é simples: O Flavio, tudo indica, não é tão diferente dos seus pares É prática generalizada os deputados, senadores e vereadores, nomearem uma penca de assessores que nem sabem ao certo onde fica a respectiva casa legislativa.

A única incumbência deles é “devolver” ao benfeitor parte de seus vencimentos Tudo indica que o motorista é quem recebia os repasses dos demais e “devolvia” a seus benfeitores.