Geopolítica da América Latina e grande mídia

Nas últimas décadas a América Latina presenciou uma grande ascensão de governos com tendências políticas à esquerda.

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Por Francisco Fernandes Ladeira ¹

Embora em escalas diferentes, estes mandatários romperam com alguns paradigmas neoliberais, incrementaram políticas sociais, fomentaram uma maior participação estatal em setores estratégicos da economia e colocaram em prática medidas que visavam a minimizar a histórica concentração dos meios de comunicação de massa no subcontinente.

Em 2007, Hugo Chávez não renovou a concessão da RCTV alegando que a emissora, ao privilegiar negócios privados em detrimento de prestar informações de interesse público, não cumpria as funções destinadas aos canais de televisão, conforme o previsto na constituição venezuelana. Durante seu mandato também houve grande incentivo para a criação de rádios comunitárias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No primeiro governo de Lula, a maioria das outorgas radiofônicas (63,68%) foi concedida para rádios comunitárias. O ex-presidente também ampliou de 499 para 8.094 o número de veículos que recebem publicidade estatal, diminuindo assim os lucros dos grandes empresários da mídia.

Por sua vez, Cristina Kirchner promulgou a chamada Ley de Medios, medida que pregava o fim do monopólio de grandes grupos de comunicação argentinos ao restringir a porcentagem de mercado que poderiam dominar e quantos canais poderiam deter, além de incentivar veículos independentes. Seguindo essa tendência, países como Equador e Uruguai também reformaram suas legislações de comunicação nos últimos anos. Tais mudanças coincidiram com os mandatos de Rafael Correa e Pepe Mujica.

No âmbito internacional, esses governos de esquerda privilegiaram as relações diplomáticas e econômicas com seus vizinhos continentais ou com outros países subdesenvolvidos em detrimento das históricas alianças com as nações desenvolvidas, sobretudo os Estados Unidos.

Entretanto, conforme o colocado pela professora Margareth Steinberger, a América Latina ainda constrói práticas sócio-informativas a partir de um imaginário colonialista. As informações que as nações do subcontinente recebem sobre os países vizinhos não são geradas diretamente por eles, mas por agências de notícias sediadas nos países desenvolvidos. Diante dessa realidade, governos latino-americanos que tenham posturas contrárias aos interesses das grandes potências mundiais ou representem obstáculos para a expansão capitalista tendem a ser representados de maneira negativa na mídia.

No documentário Ao Sul da Fronteira, o cineasta Oliver Stone demonstra como a grande imprensa dos Estados Unidos retrata os governantes de esquerda latino-americanos a partir de visões desrespeitosas e levianas, representando Hugo Chávez e Evo Morales como tiranos que perseguem opositores, apoiam narcotraficantes e concedem abrigo a células de organizações terroristas internacionais.

Além do mais, estes veículos de comunicação recorrem constantemente a práticas cômicas para difundir clichês e generalizações que ridicularizam hábitos e costumes das populações da América Latina. De maneira geral, conclui Stone, as maiores redes de notícia estadunidenses seguem as orientações da política externa da Casa Branca e dividem o mundo em “amigos” (líderes que fazem o que os Estados Unidos querem que eles façam) e “inimigos” (líderes que tendem a discordar de Washington).

Um espaço público privatizado pela mídia

Seguindo essa linha noticiosa, os discursos da imprensa brasileira sobre os governos de esquerda latino-americanos são marcados por palavras de forte carga semântica negativa como “populismo”, “caudilhismo”, “ditadura”, “demagogia” e “assistencialismo”. Desde a primeira eleição de Hugo Chávez para a presidência da Venezuela, em 1998, há uma ostensiva campanha midiática com o objetivo de deturpar a imagem do líder bolivariano.

Conforme constatou Angelo Adami em um trabalho de graduação em Comunicação Social, mesmo Chávez sendo eleito e reeleito em eleições democráticas, avalizadas por observadores internacionais, dentro das normas constitucionais e com a garantia de direito a voto para todos os cidadãos maiores de idade indistintamente, a revista Veja construiu a imagem do ex-presidente venezuelano como um ditador que representava grande ameaça para a estabilidade política da América do Sul.

Após a deposição parlamentar do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em junho de 2012, Arnaldo Jabor teceu um comentário extremamente preconceituoso sobre os presidentes latino-americanos com tendências políticas à esquerda. Na fala do articulista da Rede Globo, a Bolívia de Evo Morales é uma “república cocalera”, Lula dava dinheiro para o Paraguai, Cristina Kirchner se destaca por usar botox e o próprio Lugo foi “acusado” de “proteger os sem-terra paraguaios”.

Não obstante, a concentração dos meios de comunicação de massa latino-americanos em propriedade de poucos grupos não representa apenas a reprodução de ideologias colonialistas, mas, conforme a história recente tem demonstrado, também consiste em grande ameaça aos preceitos democráticos, pois, em ocasiões pontuais, influentes grupos midiáticos contribuíram ativamente para a deposição de governos com tendências políticas à esquerda.

Lembrando as palavras da blogueira Cynara Menezes: “A mídia tem sido o braço pseudo-democrático dos golpes brancos que vêm ocorrendo na América do Sul ao longo da última década. Como não consegue ganhar eleições, a direita se alia aos principais jornais e emissoras de TV e apela a soluções jurídicas, quando não diretamente para a força bruta, para chegar ao poder.”

Portanto, como nosso imaginário social latino-americano tornou-se um espaço público privatizado pela mídia, articulado a partir das categorias da linguagem jornalística, um novo espaço de resistência subcontinental depende, intrinsecamente, de um esforço coletivo para “desmidiatizar o pensamento”.

Para isso, torna-se necessário solapar qualquer forma de “coronelismo midiático” e promover uma completa democratização dos meios de comunicação de massa para permitir que os diferentes setores sociais da América Latina construam representações sociais próprias e tenham voz para divulgar suas demandas e reivindicações. Uma democracia verdadeira requer, sobretudo, uma mídia que não seja mera reprodutora do status quo, mas que contemple a grande pluralidade de espectros ideológicos.
¹Francisco Fernandes Ladeira é mestrando em Geografia

América Latina vive o fim da era dourada da esquerda no poder

Maduro conversa com Morales e Correa, em uma reunião na Bolívia.
Maduro conversa com Morales e Correa, em uma reunião na Bolívia.
Fot: Jorge Abrego/efe

Depois de anos de grande crescimento e inclusão social, a crise econômica e uma sociedade latino-americana nova, com gerações exigentes que demandam mais e melhor democracia e não toleram a corrupção nem o poder absoluto, estão derrubando um a um quase todos os Governos da região.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Argentina viveu o início do eixo bolivariano, com a reunião de Mar del Plata de 2005, que marcou uma década de afastamento dos EUA e de políticas contrárias à ortodoxia econômica. O país austral também marcou o final, com a derrota do kirchnerismo em novembro passado, depois de 12 anos no poder. Só três semanas depois foi a vez das eleições na Venezuela, que representaram o princípio do fim do chavismo no poder com a conquista de dois terços do Parlamento pela oposição.

Agora a Bolívia também diz não à continuidade de Morales depois de 2019. O presidente equatoriano, Rafael Correa, também com problemas, anunciou que não tentará a reeleição em 2017.  E em poucas semanas, em abril, o Peru deve concluir o ciclo com a saída de cena de Ollanta Humala e o provável regresso de um Fujimori ao poder.

O Brasil, por outro lado, vive uma crise política econômica e política permanente, e o Partido dos Trabalhadores, que governa o país há quase 13 anos, corre sérios riscos de não fazer um sucessor para a presidenta Dilma Rousseff em 2018, quando o ex-presidente Lula, que governou o país de 2003 a 2010, poderia se candidatar novamente. Mas, denúncias de corrupção ininterruptas na mídia que atingem o próprio Lula e outros membros do partido, além de uma recessão que já entra no seu segundo ano, reduzem as chances de que esse intento seja bem-sucedido.

Algo parece evidente: na América Latina há correntes de fundo. Nos anos noventa triunfou o liberalismo. O início do século XXI chegou com um forte grito anti-neoliberal. Agora há uma guinada à direita? Ninguém parece corroborar com essa tese.

Os dados indicam, na verdade, que os cidadãos latino-americanos, sobretudo as novas gerações, depois de conseguir uma maior inclusão social e um aumento da classe média, querem mais, e se tornaram muito críticos com o poder. Reconhecem as conquistas de seus Governos mas não se conformam.

Morales, por exemplo, tem boa avaliação, poderia ganhar as eleições, mas quando esta semana perguntou-se se a população lhe permitiria mais uma reeleição, a ideia foi rechaçada com 51,3%. Querem mudança. Na Argentina, aconteceu algo parecido. Cristina Fernández de Kirchner tinha uma alta avaliação, mas, quando quis mudar a Constituição para poder continuar, perdeu em 2013 as eleições intermediárias, propostas quase como um plebiscito.

Os dados indicam, na verdade, que os cidadãos latino-americanos, sobretudo as novas gerações, depois de conseguir uma maior inclusão social e um aumento da classe média, querem mais, e se tornaram muito críticos com o poder.

Contra a corrupção

Em todos os países há uma linha comum: os protestos exigem maior transparência, luta contra a corrupção e uma troca geracional. A Bolívia foi o país com maior crescimento econômico do eixo bolivariano. No entanto, como aconteceu a seus correligionários, diante do enfrentamento da economia e do surgimento de casos de corrupção, optou por defender-se recorrendo a um discurso do qual os cidadãos parecem já cansados: uma conspiração orquestrada pelos EUA.

O fim da década dourada das matérias-primas também tem muito a ver com esta mudança de ciclo. As economias latino-americanas cresceram, entre 2003 e 2012, acima de 4%, segundo dados da CEPAL. Desde os anos sessenta, a região não registrou um período tão intenso. No entanto, as previsões do Fundo Monetário Internacional destacam que a economia latino-americana acabará 2016 com uma recessão do 0,3%.

A queda das matérias-primas é a principal causa. Entre 2011 e 2015, a queda dos preços dos metais e da energia (petróleo, gás e carvão) foi de quase 50%, segundo a CEPAL. Só em 2015, os produtos energéticos caíram 24%.

Estes anos de bonança e Governos de esquerda mudaram muitas coisas no continente. Durante a década de ouro, entre 2002 e 2012, os níveis de pobreza caíram de 44% para 29%, enquanto que os de pobreza extrema diminuíram de 19,5% para 11,5%, com um aumento considerável das classes médias.

Também houve um aumento notável do gasto público. E isso implicou em inclusão social. Uma amostra: entre 1999 e 2011, segundo a Unesco, o nível de escolarização inicial passou de 55% a 75%. No entanto, os cidadãos não se conformam. Querem mais e melhor. E tudo indica que quase nenhum Governo ficará em pé diante desta onda.
El País

Criticada no passado por estatizações, Bolívia arranca elogios por expansão e estabilidade

Evo Morales (Reuters)

Políticas sociais adotadas no governo de Evo Morales triplicaram renda e reduziram desigualdade

“Sem o FMI, estamos melhor”. A declaração do presidente boliviano, Evo Morales, durante a abertura de uma conferência internacional sobre os direitos indígenas na última segunda-feira, em Santa Cruz de la Sierra, foi apenas sua mais recente crítica ao Fundo Monetário Internacional.

Em fevereiro, ele disse que a instituição deveria ressarcir os danos que causou ao longo de 20 anos de políticas neoliberais na América Latina.

As constantes críticas contrastam com o tom elogioso do último relatório do fundo sobre o país, que parabeniza a Bolívia por sua boa gestão econômica e pelo rápido crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

Os números preliminares indicam que a nação mais pobre da América do Sul cresceu 6,5% no ano passado, o melhor resultado em três décadas. Mas não se trata de um dado positivo isolado. De 2007 a 2012, a expansão anual média do PIB no país foi de 4,8%. E, para este ano, o FMI projeta um crescimento acima de 5%.

Política prudente

Analistas de mercado atribuem os bons números a uma política econômica prudente que soube aproveitar o cenário favorável de alta do preço do gás – principal produto boliviano.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Há vários anos, o desempenho macroeconômico da Bolívia tem sido muito bom. Essa performance, ativamente apoiada em políticas sociais, ajudou a aumentar em quase três vezes a renda média da população e reduziu a pobreza e a desigualdade”, afirmou recentemente Ana Corbacho, economista que chefiou a última missão de monitoramento do FMI ao país, em conferência com jornalistas.

Além de incensada pelo FMI, a administração do autointitulado governo socialista também é bem avaliada pelo Banco Mundial e a Economist Intelligent Unit – consultoria ligada à revista inglesa The Economist, crítica costumaz do ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega. A agência de classificação de risco Moody’s também tece elogios à administração Morales e reconhece até mesmo aspectos positivos na nacionalização do setor de petróleo e gás em 2006.

Arrecadação crescente

O último relatório anual da instituição sobre o país diz que, apesar de estatizações em geral terem impactos negativos “no clima de negócios” e “enfraquecerem” a produção no setor de energia, “no caso da Bolívia, a nacionalização do setor de hidrocarbonetos (petróleo e gás) claramente fortaleceu as receitas do governo”.

Carlos Villegas, presidente da empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (Reuters)
Estatização de petrolíferas gerou mais receita ao governo

Com arrecadação crescente, a administração Morales conseguiu reduzir consideravelmente a dívida pública, elevar os investimentos e acumular reservas internacionais de US$ 14 bilhões – o equivalente à metade do PIB boliviano, segundo o FMI.

E apesar da estatização de alguns setores da economia, o país passou a atrair mais capital externo produtivo. Nos últimos quatro anos, a entrada do chamado investimento estrangeiro direto ficou em média em 3,5% do PIB boliviano, uma taxa relativamente alta.

O único problema é que os recursos estão muito concentrados no setor de gás – são investimentos de empresas que agora atuam como fornecedoras de serviços para o governo, observa Sarah Glendon, analista da Moody’s. Com isso, a economia não tem se diversificado.

Revertendo privatizações

O governo de Morales diz que nacionaliza apenas setores estratégicos que eram do Estado antes da leva de privatizações dos anos 90, recomendada pelo FMI. São empresas de petróleo, gás, eletricidade, telecomunicação, transporte aéreo e ferroviário e de alguns metais – quase todas já estatizadas, em geral após o pagamento de alguma compensação.

As medidas teriam respondido aos anseios populares. A população não viu benefícios após as privatizações dos anos 1990, período em que a desigualdade social cresceu, e isso levou a anos de instabilidade política, diz a analista da Moody’s. Antes de Morales, a Bolívia teve quatro presidentes em menos de cinco anos.

O atual presidente chegou ao poder em 2006, se manteve no cargo em 2009 em eleições antecipadas e poderá concorrer ainda a um terceiro mandato em outubro. Ele lidera as pesquisas com folga.

A previsibilidade política acaba favorecendo os negócios, afirma Glendon. “Apesar de muitos investidores se preocuparem com o perfil de esquerda e intervencionista do governo de Evo Morales, sua administração fez uma boa gestão macroeoconômia e trouxe anos seguidos de estabilidade política que não existia antes”.

Vulnerabilidades

Mercado de coca em La Paz (AP)
Apesar dos avanços, país ainda é pobre e precisa diversificar sua economia

Mas, apesar de todos os avanços, a Bolívia ainda permanece um país pobre e com uma economia pouco diversificada. A renda per capita é de cerca de US$ 2.700 por ano (no Brasil tem sido acima de US$ 10 mil nos últimos anos), e o setor de petróleo e gás responde por metade das exportações e um terço das receitas do governo. Quase todo o combustível é vendido para apenas dois países – Brasil e Argentina.

As mesmas instituições que elogiam a atual gestão dizem que o governo precisa melhorar mais o ambiente de negócios para atrair recursos para outros setores, com objetivo de sustentar um crescimento mais dinâmico e perene num horizonte longo.

No curto prazo, porém, os analistas vêem poucos riscos para a atual trajetória de expansão econômica, apesar da expectativa de que o governo vai acelerar os gastos neste ano eleitoral, pressionando as contas públicas.

“Muito coisa teria que dar errado para a Bolívia viver uma nova crise como há 15 anos”, acredita Federico Barriga, analista da Economist Intelligence Unit.

Para Ana Corbacho, do FMI, “a economia boliviana está em uma posição muito confortável para enfrentar possíveis choques externos”, graças às robustas reservas internacionais.

“Estamos mostrando ao mundo inteiro que você pode ter políticas socialistas com equilíbrio macroeconômico”, disse o ministro da Economia e Finanças, Luis Arce, em entrevista recente ao jornal The New York Times. “Tudo o que nós fazemos é com objetivo de beneficiar os pobres. Mas você tem que fazê-lo aplicando a ciência econômica”.
Mariana Schreiber/BBC

Lula mete o casco na democracia

Qualquer pessoa isenta e com um pouquinho de bom senso, não tem a menor dúvida que o voto distrital é a melhor solução para o país.

Aristóteles há 2.500 anos já alertava “Seria um grande perigo permitir que a massa dos cidadãos, por serem homens livres, mas que não são ricos, nem se distinguem por alguma espécie de mérito pessoal, partilhassem de altos cargos do governo, pois sua tolice os levaria ao erro e sua desonestidade ao crime”.

O Editor



Lula mete o casco na democracia, escoiceia a lei e fala até em Constituinte.

Responda ao coice chavista com o voto distrital!

Ao receber o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia, aquela que está caindo aos pedaços, Luiz Inácio Apedeuta da Silva resolveu se tomar como a medida de todas as coisas e recomendou: “Político tem de ter o casco duro”.

Merece ou não merece ser considerado um doutor do saber?

Na sua campanha aberta à eleição presidencial de 2014, resolveu ser o grande comandante da reforma política. E o homem mete os cascos mesmo, não quer nem saber.

Em companhia do vice-presidente, Michel Temer, começa escoiceando a lei e usando o Palácio do Jaburu como se fosse a sede do PT ou de algum partido da base aliada.

Ocupou o aparelho público para comandar uma reunião com partidos da base aliada para tratar da reforma. Leiam um trecho da reportagem de Andrea Jubé Vianna e Tania Monteiro no Estadão.

Em reunião ontem com líderes de partidos governistas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, se não houver acordo para votar a reforma política no Congresso, a base aliada deve se empenhar pela convocação de uma Assembléia Constituinte para mudar o sistema eleitoral.

Lula trabalha pela aprovação do financiamento público de campanha, voto proporcional misto e fim das coligações proporcionais. Diante do vice-presidente Michel Temer e de parlamentares e dirigentes de PMDB, PT, PSB, PDT e PC do B, Lula disse, em encontro no Palácio do Jaburu, que a corrupção “diminui bastante” com o financiamento público, mas admitiu haver dificuldades para a aprovação da proposta.

Depois de afirmar, na véspera, que “político tem de ter casco duro” e não pode “tremer” quando for acusado de fazer “coisa errada”, Lula disse que 90% das denúncias hoje divulgadas pela imprensa têm como base investigações da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal e do Ministério Público.

Apesar da animação de Lula, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator da reforma, admitiu não haver consenso entre os partidos, em especial sobre o novo modelo de votação. Contudo, Fontana e o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), citaram avanços nas negociações para a aprovação do financiamento público, principal bandeira do PT.

Raupp declarou que o PMDB aceita o financiamento público, principalmente se a reforma contemplar o fim das coligações nas eleições proporcionais.

No entanto, advertiu: “O PMDB não aceita o voto em lista defendido pelo PT”. O PMDB defende o voto majoritário nas eleições proporcionais (deputados e vereadores), o chamado “distritão”. “Se complicar demais, a reforma política não sai”, disse. (Aqui).

Constituinte para fazer reforma é o método a que recorreram, deixem-me ver… Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa… Só gente com vocação para ditador propõe uma estupidez como essa. Assembléias constituintes são instaladas quando se tem um rompimento pra valer da ordem legal. É o caso?

A reforma de Lula não poderia ser mais perniciosa para o Brasil. O voto proporcional misto tornará péssimo o que é ruim. Além de carregar todos os vícios do modelo em curso, ainda cassa do eleitor o direito de escolher metade da Câmara.

A proposta do financiamento público, como já escrevi há tempos, seria só uma idéia com cascos e orelhas grandes, que afronta a lógica, não fosse uma pilantragem política.

Se, hoje, mesmo com a lei permitindo doações privadas, já se faz caixa dois, adivinhem o que aconteceria se elas fossem proibidas. LULA QUER É ESCONDER OS DOADORES DE CAMPANHA.

Segundo sua proposta de financiamento público, a maior parte do dinheiro seria distribuída segundo as bancadas da Câmara definidas na eleição anterior — vale dizer: seria mel na sopa para o PT.

Ora, a proposta pretende congelar uma vantagem e projetá-la no futuro.

Digam-me: e se um determinado partido, com uma grande bancada, fizer um governo desastroso e passar a ser repudiado pela opinião pública? Mesmo assim será o grande destinatário dos recursos públicos com base no que aconteceu há quatro anos? Será premiado pelas bobagens que fez?

Todas as pessoas que se sentem compelidas a se manifestar contra a corrupção deveriam refletir bastante sobre as ações de Lula. Sua proposta de reforma política é a quintessência de um modelo corrupto.

Não há reforma decente que não passe por um estreitamento da relação entre representante e representado.

O Apedeuta, de casco duro, quer exatamente o contrário.

Por isso, avalie as vantagens do voto distrital e combata esse verdadeiro assalto ao bolso e à moralidade política que é o financiamento público de campanha.

Por Reinaldo Azevedo

Eleições 2010: José Serra, drogas e alucinações de campanha

José Serra, entre drogas e alucinações

Quando ministro da pasta da Saúde, o atual candidato José Serra jamais se preocupou com a questão das drogas ilícitas, no que tocava ao tratamento do dependente químico e psíquico e na formação dos agentes de saúde. Sua gestão, no particular, foi marcada pelo descaso e pelo desrespeito aos direitos humanos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No ministério, ele se revelou incapaz de compreender que estava diante de um grave problema de saúde pública. E os aumentos relativos ao consumo e à oferta de drogas ilícitas causavam consequências sociossanitárias de grande monta. Apesar disso, fez de conta que o problema não existia.

Ao primeiro Fórum Nacional sobre drogas ilícitas e álcool, Serra virou as costas. Pela primeira vez realizado no Brasil, tratava-se de um fórum multidisciplinar e voltado a consultar e debater com a sociedade civil uma nova política sobre drogas proibidas, isso nos campos da repressão, da prevenção, do tratamento e da reinserção social. Serra não deu o “ar da graça”ou justificou a ausência, para um auditório de mil participantes.

Como ministro da Saúde, José Serra jamais compareceu às anuais Semanas Nacionais sobre Drogas (englobava o dia estabelecido pelas Nações Unidas para conscientização sobre o problema das drogas proibidas nas suas convenções).

O então ministro da Saúde adotava comportamento único, diverso dos que se envolviam: presidente FHC, ministro da Educação, chefes das casas Civil e de Segurança Institucional, secretário nacional de Direitos Humanos, senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, procurador-geral de Justiça, ministros do STJ, juízes, procuradores e promotores de Justiça, advogado-geral da União, sindicalistas, membros de ONGs, líderes empresariais.

Até a torcida do Flamengo, dos demais clubes, federações e confederações esportivas. Todos menos Serra.

Como candidato à Presidência, Serra sentiu-se, com relação às drogas ilícitas, legitimado a identificar traficantes internacionais. No dia 26 de maio deste ano, acusou o presidente boliviano Evo Morales de “cumplicidade” com o tráfico de cocaína para o Brasil. Para Serra, 90% da cocaína consumida no Brasil é boliviana e Morales não faz o “controle desse contrabando”(sic para contrabando).

Serra não sabe que para a elaboração do cloridrato de cocaína, a partir da folha de coca, são necessários insumos químicos: éter, acetona etc. A Bolívia não tem indústria química e o Brasil é o maior fornecedor de precursores químicos para os refinadores bolivianos de cocaína. A dupla via não é percebida por Serra, apesar de pagamentos de muitos “pedágios”.

Reza um ditado popular que “quem sai aos seus, não degenera”. O candidato Índio da Costa não degenerou. Seguiu Serra na indicação de traficantes internacionais. Só, trocou Evo Morales pelo PT. No fundo, uma alucinação de Índio, que se qualifica como candidato à condenação por autoria de crimes contra a honra e, no juízo civil, indenizações por danos morais a todos os filiados do PT.

Nem contumazes criadores de factoides, como as agências norte-americanas DEA e CIA, chegaram ao grau de irresponsabilidade de Índio da Costa, que mostrou a todos o quanto a sua cabeça é desmobiliada.

Por outro lado e no campo das drogas lícitas, Serra, à frente do Ministério da Saúde, deu à questão do alcoolismo um tratamento indigno, ou melhor, não fez nada. Quando prefeito da capital de São Paulo, autorizou o seu secretário de governo a construir obstáculos de modo a impedir que alcoolistas e mendigos continuassem a repousar debaixo dos viadutos e pontilhões. Sua meta era expulsar os carentes para conquistar as elites. Um “higienização”, à Hitler e Carlos Lacerda.

Ainda quando prefeito, Serra vestiu indumentária fundamentalista e populista antes envergada por Andrew Volstead, autor da chamada Lei Seca, que fez a fortuna da Cosa Nostra sículo-norte americana, e por Rudolph Giuliani, que perseguiu violentamente bebedores de cerveja, afrodescendentes e imigrantes.

Com a política de “tolerância zero”, Giuliani, depois do seu segundo mandato e quando se percebeu que desrespeitava direitos humanos, encerrou melancolicamente a carreira política: desistiu da candidatura ao Senado, pois não venceria Hillary Clinton.

Posteriormente, não conseguiu se habilitar para concorrer à Presidência.

Serra, à época de sua Lei Seca, ignorou ensinamentos fundamentais, ou seja, o de que a prevenção ao alcoolismo começa nas escolas, públicas (municipais e estaduais) e privadas.

Mais ainda, não entendeu necessários programas informativos e de tratamento médico nas fábricas e demais locais de trabalho.

Na visão canhestra de Serra, a “lei seca” paulista serviria para baixar os índices de criminalidade.

Serra demonstrou desconhecer as verdadeiras causas sociais de aumento da criminalidade: desemprego, desigualdade, discriminação, má distribuição de renda, baixa escolaridade.

Coluna Linha de Frente – por Walter Fanganiello Maierovich – Carta Capital n˚ 606

Narcotráfico: documento do Itamaraty confirma acusação de Serra à Bolívia

Documento do Itamaraty enviado à Câmara dos Deputados mostra que o aumento da oferta de cocaína no Brasil é consequencia do crescimento da produção durante o governo de Evo Morales.

A Bolívia, segundo o relatório, ao mesmo tempo que aumenta a repressão ao tráfico, paradoxalmente, estimula a produção de folha de coca.


Documentos oficiais produzidos pelo governo durante a gestão do presidente Lula reforçam a acusação de José Serra (PSDB) contra o governo da Bolívia.

O pré-candidato acusou o governo boliviano, na última quarta-feira, de ser “cúmplice” dos traficantes que enviam cocaína para o Brasil.

Em reação, a rival petista Dilma Rousseff disse que Serra “demoniza” a Bolívia.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Dados colecionados pelo governo, porém, avalizam a versão do tucano.

Sob condição de anonimato, uma autoridade da Divisão de Controle de Produtos Químicos da Polícia Federal falou à Folha que, segundo relatórios oficiais da PF, 80% da cocaína distribuída no país vem da Bolívia -a maior parte na forma de “pasta”.

O refino é feito no Brasil.

Para a PF, a evolução do tráfico revela que há “leniência” do país vizinho.

Serra usara uma expressão análoga: “corpo mole”.

A PF atribui o fenômeno a aspectos culturais, pois o cultivo da folha de coca é legal na Bolívia.

O produto é usado de rituais indígenas à produção de medicamentos. Seu excedente abastece o tráfico

Num documento endereçado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em 2007, o Itamaraty disse que, “entre 2005 e 2006, a área de produção de folha de coca na Bolívia cresceu de 24.400 para 27.500 hectares”.

Folha de S.Paulo

Eleições 2010: Marina Silva, Serra, cocaína e Bolívia

Evo Morales, sabe-se lá por quais razões, ao romper com a DEA — sigla em inglês para Departamento Anti-Drogas dos Estados Unidos — , Lula protestou contra as sanções impostas pelos USA à Bolívia. Frise-se que além do Brasil ficaram ao lado de Evo Morales, Venezuela, até aí nenhuma surpresa e, pasmem a Espanha. Esse é o tipo de apoio que deixa o mundo perplexo, pois o combate às drogas é uma unanimidade global, independente de cores ideológica.

Com esse apoio, Lula, com o Brasil controlado pelo narcotráfico, abriu um flanco para que José Serra possa bater em uma questão crucial que incomoda toda a sociedade brasileira. Pode-se dizer que Lula pode transformar em pó — com trocadilhos, por favor — boa parte do percentual de aprovação ao seu (dele) governo. Serra, nas entrelinhas, deixa a indagação: será que os interesses políticos de Lula estão acima da proteção aos jovens do Brasil? Acredito que com a sociedade brasileira seriamente preocupada com o avanço do consumo de drogas, principalmente pelo devastador “crack”, subproduto da cocaína, Serra tem um excelente tema para o palanque eleitoral. Dificilmente se encontra um eleitor que não apoie o combate às droga.

Sábado, em Cuiabá, Serra voltou a acusar Lula, pela falta de segurança pública, e a Bolívia pela entrada de cocaína no território brasileiro: “O presidente da República é o culpado pela falta de segurança, porque ele é o corresponsável”.

E completou: “Noventa por cento da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia”.

Serra não é nenhum neófito. Bater na Bolívia é como bater penalty sem goleiro.

O Editor


A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, criticou neste sábado, em Campinas, as declarações do adversário José Serra (PSDB) sobre o combate ao narcotráfico na Bolívia.

Para ela, não se pode fazer generalizações neste caso.

Nos últimos dois dias, Serra acusou o governo boliviano de ser cúmplice do narcotráfico e de fazer “corpo mole” para resolver o problema.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

– Não é assim que se trata um país irmão. Acho que a gente tem que ter muito cuidado na relação com os países e, sobretudo, com nossos vizinhos para não fazermos generalizações.

Os problemas que são enfrentados em relação ao narcotráfico na Bolívia talvez não sejam diferentes dos de outros países e até mesmo daqui – declarou.

Marina citou um caso típico brasileiro, que, na visão dela, também não deve ser tratado de forma genérica, sob o riso de se cometer injustiças.

– Imagine se a gente fosse generalizar a violência que acontece nas favelas, como se isso fosse com a conivência do governo – afirmou.

Segundo ela, não se pode atribuir a entrada de drogas da Bolívia no Brasil exclusivamente a uma omissão do governo vizinho.

– Sabemos que temos graves problemas na fronteira com o Acre com o tráfico de drogas, mas longe de mim em querer atribuir isso a uma ação deliberada do governo.

O povo boliviano não merece esse tipo de generalização – disse.

Sílvia Amorim/O Globo

Henrique Meirelles, Dilma Rousseff e o Banco Central

A grande dúvida

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Leio na imprensa que o presidente Lula tenta convencer o Henrique Meirelles a continuar no Banco Central. Alguns comentaristas chegam a dizer que não há substituto à altura. Aqui entre nós, esse não me parece ser o “X” do problema. Como diria Shakespeare, “the hole is more below = o buraco é mais embaixo).

O grande capital nacional e internacional, que se arrepia todas as vezes que o Lula vai a Havana para o beija mão dos Castros, morre de medo do que a Dilma venha a fazer na presidência do Brasil. Imaginem como seria uma América do Sul controlada por Dilma/Chávez/Morales/Kirchner/Correa?

Esta possibilidade, certamente já passou pela cabeça dos estrategistas do Pentágono, e não é sem outra razão, que rapidamente eles se apressaram em fazer o acordo militar com a Colômbia.

O Henrique Meirelles ficando no Banco Central, seria um fator de tranquilidade, uma garantia de que não haveria grandes mudanças na economia, câmbio, inflação, etc… Entretanto, o Meirelles está pensando no futuro dele, e com justa razão.

Deve estar se perguntando: e se a Dilma perde a eleição, eu sem mandato, vou fazer o que? Como me defender de ações judiciais que certamente cairão sobre mim? “Elementar meu caro Watson…”

por email: José Custódio Bastos Moraes
Xiquexique – BA

Evo Morales se afasta de Hugo Cháves

“Um Estado forte o bastante para dar tudo o que você precisa também é forte o bastante para tirar tudo o que você tem”
(Lyndon B. Johnson)

Nem um outro maluquete como o Evo Morales – que não vê a uva nem o ovo – , aguentou a convivência destrambelhada do caudilhesco doidivanas do Caribe.

A real inovação do bolivarianismo é que a exemplo de técnicas usadas por marqueteiros, eles descobriram uma maneira de apodrecer democracias jovens por dentro. Uma tal de “astroturfing”.
O Editor


Evo Morales se descola do chavismo

Que Hugo Chávez caminha a passos largos para se tornar um ditador de perfil paternal-nacionalista, bem ao estilo dos governos latino-americanos de ultra direita nos 70, parece algo fora de questão. Sua estridência, contudo, acaba facilitando o discurso conservador que, em nome da “democracia”, hostiliza qualquer movimento político que defenda um Estado forte para prover o mínimo às camadas pobres da população – Lula e seu criticadíssimo Bolsa-Família que o digam.

Mas essa é, afinal, uma falsa questão, que serve somente para alimentar rancores ideológicos empedernidos. A questão mais importante é a qualidade da democracia que esse processo de redescoberta do Estado está criando, após o suposto triunfo definitivo do liberalismo nos anos 90. E há surpresas aí.

A “democracia” bolivariana, no projeto capitaneado por Chávez, engole e destrói instâncias de poder que serviriam como contraponto ao governo e como aperfeiçoamento político. Não há possibilidade de representação desatrelada do Estado – pior, não há representatividade nem mesmo dentro do Estado, uma vez que o Estado deixou de ser mediador e passou a ser tutor, exatamente como no fascismo.

O chavismo se apresenta como elemento de unidade absoluta – a adesão a ele é a única forma de abrir algum canal de acesso ao Líder.

Para não deixar dúvidas sobre isso, Chávez recentemente declarou: “Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba!”. Amalgamado com o “povo”, o presidente venezuelano transforma cada crítica a seu governo como uma crítica a esse “povo” – devidamente militarizado e pronto a reagir violentamente em caso de contestação.

É uma massa crescentemente conservadora e que quer manter intocada a “sua” Venezuela, cuja imensa máquina burocrática só funciona por meio da corrupção e do autoritarismo.

A representação política ampla, nesse cenário, é uma impossibilidade óbvia. No Brasil de Lula parece estar ocorrendo semelhante processo, ainda que de modo bem mais sutil. O presidente brasileiro, montado em uma imensa popularidade e em suas certezas morais, considera que a melhora das condições de vida das classes mais pobres do país seja suficiente para considerar sua missão cumprida.

Trata-se de um reducionismo típico desses tempos de utilitarismo político: o PT surgiu como o partido que daria voz àqueles que não tinham, dentro das regras do jogo democrático; hoje é somente uma máquina voltada para se garantir no poder, transformando o projeto de inclusão e diversificação política em um arremedo de democracia, que cheira a bonapartismo – a massa ultraconservadora criada pelo Bolsa-Família é, assim, uma barreira natural às reivindicações políticas de progressistas que contestem os (maus) usos e costumes do centrismo pragmático do lulismo, a começar por sua leniência em relação à corrupção e ao parasitismo.

Assim, tanto Lula quanto Chávez, guardadas as proporções, oferecem uma visão desabonadora do bolivarianismo no que diz respeito ao espírito da democracia gerada por esse modelo. Uma exceção, no entanto, parece ser Evo Morales.

O presidente boliviano vem cumprindo sua promessa de dar poder à grande maioria da população de seu país, os índios, que passaram séculos sob escravidão e exploração sistemática.

Ainda que seja um chavista de coração – e isso significa que é avesso a alguns dos pilares democracia, como imprensa livre –, Evo vem revolucionando a Bolívia ao redesenhar o mapa político para tornar os índios atores dessa transformação. O poder está sendo descentralizado, de modo a fazer de comunidades indígenas unidades administrativas com autonomia, e a legislação indígena será reconhecida como válida tanto quanto o sistema oficial.

Some-se a isso sua austeridade fiscal e seu programa diversificado de investimentos, que ganharam a simpatia da classe média, e temos a equação que torna o governo de Evo um dos mais estáveis, populares e bem-sucedidos do universo bolivariano. Considerando-se que a Bolívia era aquele país que até outro dia tinha um presidente de manhã e outro à noite, e em que os índios não existiam como cidadãos, é um feito e tanto.

blog do Marcos Guterman
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