Arquitetura – Catedral de Milão, Itália

A maioria das pessoas não fica surpresa ao saber que a maior catedral do mundo está localizada no coração do Vaticano. Para se aproximar do recorde de São Pedro, no entanto, eles teriam que desafiar a segunda maior catedral católica do mundo, o Duomo di Milano

Localizado na cidade de Milão, no norte da Itália, este enorme edifício é uma das estruturas mais impressionantes e intrigantes da Europa. Construída de forma constante ao longo de quase seis séculos e com elementos de design de vários estilos, é uma catedral fascinante como nenhuma outra.

Il Duomo di Milano
Origens
A localização de uma igreja é importante, e muitos arqueólogos acreditam que a localização do Duomo era um local sagrado romano por séculos antes da chegada do cristianismo. A primeira catedral católica naquele local era conhecida como Santa Tecla, construída por volta de 355 CE. Seu batistério ainda pode ser visto nas ruínas sob o Duomo, que os turistas podem visitar hoje. Mais tarde, uma segunda basílica foi construída ao lado de Santa Tecla, chamada Santa Maria Maggiore.

Por quase mil anos, essas duas catedrais cumpriram seus deveres. No entanto, no século XIV, eles foram danificados pelo fogo e pelo tempo. Em 1386, o arcebispo de Milão, Antonio da Saluzzo, anunciou que Milão construiria uma nova catedral para substituir Santa Tecla e Santa Maria Maggiore.

A nova estrutura foi parcialmente para celebrar a chegada de um novo senhor de Milão, Gian Galeazzo Visconti, que estava substituindo seu antigo governante tirânico. A nova igreja foi dedicada a Santa Maria Nascente, e a construção começou em 1387.

Design e Construção
O arcebispo e o novo senhor de Milão queriam construir uma catedral que faria as pessoas se maravilharem com a glória de Deus e o poder da cidade. Mas que estilo eles deveriam usar? Milão tem uma história interessante como parte da cultura italiana e separada dela. Na época, era mais politicamente conectada à França que a Roma, e a nova catedral foi projetada em uma variação local do estilo gótico.

Esse estilo estava no auge de sua glória na época (Notre Dame em Paris foi concluída apenas 40 anos antes), por isso foi uma escolha oportuna. Afinal, Milão é um lugar onde a moda importa.

Visconti estabeleceu uma guilda de artesãos chamada Fabbrica del Duomo, encarregada de construir a estrutura real. O projeto atraiu imediatamente construtores, artesãos e artesãos de toda a Europa. Muitos historiadores se referem ao estilo gótico da época como o gótico internacional, e esse nome é muito apropriado aqui.

Milão sempre foi uma cidade internacional, uma encruzilhada entre o norte, o sul e o oeste da Europa, e a construção do Duomo refletia isso. Cada trabalhador trouxe experiência e gostos de sua própria parte da Europa e, como resultado, dezenas de motivos distintos de todo o continente podem ser encontrados em todo o design do Duomo.

Viktor Orbán,Fascismo,Política internacional,Europa,Hungria

O princípio do fim de Viktor Orbán?

Chamada “lei dos escravos” leva milhares de húngaros às ruas do país. A reação do governo é cada vez mais absurda, e a Hungria pode estar diante de um futuro sombrio, opina Keno Verseck.

Viktor Orbán,Fascismo,Política internacional,Europa,HungriaFoto de protestos em Budapeste em 17 de dezembro de 2018
Húngaros protestam diariamente contra governo Orbán

Consta que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, possui um talento brilhante para farejar assuntos importantes para a população, aliado a um extraordinário instinto de poder. De fato, muitas evidências disso podem ser encontradas nos últimos anos.

A mais conhecida é a instrumentalização da crise de refugiados pelo chefe de governo húngaro. O tratamento que Orbán deu ao assunto lhe garantiu uma votação recorde na Hungria, transformando-o num fator de influência a não ser subestimado na Europa.

Mas dadas as reações do governo húngaro à atual onda de protestos no país, deve-se agora desconfiar do instinto de Orbán. Atualmente, milhares de pessoas protestam diariamente contra a chamada “lei dos escravos”, segundo a qual o número de horas extras permitidas pode aumentar muito, como também contra outras leis e práticas antidemocráticas no país.

Embora o primeiro-ministro húngaro ainda não tenha comentado diretamente as manifestações, seus funcionários e amigos mais próximos, como também a mídia que lhe é favorável, se voltam de forma virulenta contra todos aqueles que atualmente tomam as ruas ou que apoiam de alguma forma os protestos.

Eles afirmam que os protestos são obra de “provocadores”, de “agentes da rede Soros”, de “criminosos estrangeiros”, de uma “minoria agressiva” ou “inimigos do cristianismo e do Natal”. Trata-se de atributos que devem ter sido aprovados por Orbán, pois na Hungria nada acontece sem o seu consentimento. E certamente as pessoas de seu entorno imediato não se expressam sem a certeza de que estão alinhados com o primeiro-ministro.

Até agora, o modo pelo qual o regime Orbán rotulou os críticos só tem ajudado a inflamar ainda mais os protestos. É estapafúrdia a forma como o governo húngaro se supera no absurdo de suas alegações. Mas isso faz simplesmente parte da lógica do sistema de Orbán. E é aí que a situação fica realmente perturbadora.

A retórica de Orbán – isso pode ser acompanhado por um bom observador – está cada vez menos preocupada com uma concorrência democrática voltada para o bem comum e a governança responsável e sustentável. Em vez disso, a suposta luta entre vida e morte, guerra e paz, bem e mal está cada vez mais em primeiro plano.

Assim, a forma tornou-se conteúdo. O primeiro-ministro da Hungria aboliu gradualmente os mecanismos de controle do poder ou, pelo menos, restringiu severamente seu funcionamento.

O filósofo Gáspár Miklós Tamás foi um dos primeiros a prever, muito tempo atrás, que Orbán não iria entregar voluntariamente o poder. Enquanto isso, muitos húngaros acreditam que o primeiro-ministro não é mais tão fácil de derrubar pelo voto, mas que seu regime só pode ser encerrado pela força.

Sinais disso podem ser observados atualmente. Na semana passada, no Parlamento húngaro, foram vistas cenas caóticas que não aconteceram em outro Parlamento na União Europeia em 2018 – assobios, ocupação do palanque do presidente da Casa pelos deputados, deslocamento de forças de manutenção da ordem para o plenário e a oposição retirando-se em protesto. As manifestações também estão se tornando cada vez mais radicais.

Não há praticamente nenhuma esperança de que Orbán detenha seu estilo de governo extremamente agressivo. O que é triste para a Hungria e seu povo: o país que há 30 anos era pioneiro do desenvolvimento democrático no Leste Europeu está diante de um futuro sombrio.

Soros e os parlamentares da União Européia

Vazamento inédito: quase um terço dos deputados europeus têm ligações com Soros

Financista bilionário George Soros (foto de arquivo)

Graças ao primeiro-ministro húngaro e ao seu partido, foi tornada pública uma lista de políticos que trabalham para os interesses do financista bilionário George Soros nas instituições europeias. O registro enumera os membros do Parlamento Europeu que promovem projetos do magnata através de emendas na legislação da UE.
George Soros, o presidente americano de origem húngara da Soros Fund Management
© AFP 2017/ ERIC PIERMONT

A ideia de que o bilionário George Soros estaria interferindo ativamente na política mundial e que poderá controlar países inteiros geralmente foi considerada uma das típicas teorias da conspiração.No entanto, a questão veio à tona de novo quando o deputado Hollik Istvan anunciou perante o parlamento húngaro que o financista já controla pelo menos um terço dos deputados do Parlamento Europeu.

Istvan se baseou em um enorme registro de documentos internos de George Soros, revelado pelo portal DCLeaks, que enumera os deputados europeus e determina quem é patrocinado por organizações filiadas na Open Society Foundation, entidade chefiada por Soros. No total, nessa lista aparecem 226 dos 751 deputados do Parlamento Europeu.

George Soros testemunhando no Capitólio em Washington
© AP PHOTO/ KEVIN WOLF

Entre as ideias que se recomenda promover estão a democracia, a igualdade social e a de gênero, a abertura das fronteiras à imigração, a aproximação da Ucrânia à UE e, claro, a luta contra quaisquer de seus laços com a Rússia.Esta “rede” europeia da Open Society Foundation inclui políticos de baixo calibre, mas também outros de grande peso, como o presidente do Parlamento Europeu entre 2012 e 2017, Martin Schulz, o premiê da Bélgica entre 1999 e 2008, Guy Verhofstadt, e o atual líder do grupo socialista europeu, o italiano Gianni Pittella.

“A partir desses arquivos e documentos, podemos descobrir que a rede de George Soros tem uma influência significativa sobre os líderes da União Europeia residentes em Bruxelas”, disse o político aos deputados húngaros.

De acordo com os documentos, nas vésperas das eleições europeias de 2014, o financista doou 6 milhões de dólares (cerca de 20 milhões de reais) a 90 organizações não governamentais para que influenciassem a tomada de decisões conforme a linha da fundação.

O magnata George Soros chega para discursar no Clube Rússia Aberta em Londres, em 20 de junho de 2016 (foto de arquivo)
© REUTERS/ LUKE MACGREGOR

O caso mais recente foi protagonizado pela Comissão das Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos (LIBE) do Parlamento Europeu, que adotou uma proposta favorável à imigração apesar da oposição do Grupo de Visegrad (Hungria, Polónia, República Tcheca e Eslováquia).A maioria dos membros da LIBE está na lista de Soros, observa o político. Os documentos apontam para a contribuição especial de Sylvie Guillem, dos socialdemocratas franceses, e de Jean Lambert, dos verdes britânicos, sendo ambos ardentes promotores da reforma imigratória na UE que prevê uma maior aceitação dos refugiados.

“O assassino em massa mais procurado no Paquistão, acusado de 70 assassinatos pelas autoridades, foi capturado na fronteira do sul da Hungria. Apesar disso, ele conseguiu receber o status de refugiado na Grécia e chegar à fronteira com a Hungria”, contou Istvan com indignação.

Hollik Istvan é membro do movimento político Fidesz, do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

Já faz muito que o dirigente húngaro vem tentando combater os projetos de interferência de Soros em seu país. Desde março de 2017, não cessam os litígios para encerrar a Universidade Central Europeia, fundada graças ao dinheiro de Soros em Budapeste e que formou várias gerações de elites políticas da UE. 

Slavic, o hacker mais procurado (e protegido) do mundo

Vinculado aos mais graves ciberataques contra os EUA, ele vive supostamente amparado por MoscouO hacker russo Evgeniy M. Bogachev, em imagem do FBI publicada pelo ‘The New York Times’.

O hacker russo Evgeniy M. Bogachev, em imagem do FBI publicada pelo ‘The New York Times’.

Cabelo raspado, olheiras profundas e o sorriso de quem não posa muito convencido para a foto. Evgeniy Mikhailovich Bogachev já saqueou dezenas de bancos, roubou milhares de contas correntes e lançou assaltos em escala planetária. O FBI oferece uma recompensa de três milhões de dólares (9,3 milhões de reais) por sua captura, e dois tribunais dos Estados Unidos o processam por fraude, lavagem de dinheiro, pirataria informática e conspiração. Mais conhecido como Slavic ou lucky12345, é o hacker mais procurado do mundo. Mas ninguém o detém. De nada adiantam as diversas fotos suas conhecidas. Nem saber onde mora e o que faz no tempo livre. Aos 33 anos, Bogachev e seu meio sorriso podem mais que a estrutura judicial e policial da nação mais poderosa do mundo.

Slavic se esconde na Rússia, e em dezembro passado foi incluído no grupo sancionado pelo então presidente Barack Obama em conexão com o ciberataque orquestrado pelo Kremlin para prejudicar a campanha eleitoral de Hillary Clinton. Embora a Casa Branca só se referisse a ele como um bandido comum, a ordem, que também afetou quatro altos funcionários do serviço secreto russo, proibiu-o de viajar aos EUA e congelou todas as suas contas. Duas medidas sem efeito para quem fez história fora da lei.

Os relatórios do FBI e autos judiciais aos quais o EL PAÍS teve acesso revelam Slavic como um dos hackers mais incisivos de todos os tempos. Ele criou o Cryptolocker, um vírus que bloqueia os computadores e obriga o pagamento de um resgate para a sua liberação. No final de 2013, mais de 234.000 computadores haviam sido infectados. Um golpe com o qual Bogachev arrecadou 27 milhões de dólares (83,7 milhões de reais) em apenas dois meses.

Criador do Zeus

Mas a sua criatura mais conhecida e reverenciada é o Zeus. Extremamente sofisticado, esse código malicioso nasceu em 2006, quando Bogachev tinha apenas 22 anos. Desde então, com enorme perícia, ele o modificou e melhorou até chegar à versão Gameover. Considerado um dos mais perigosos do planeta, o programa age em duas frentes. Por um lado, rouba os dados bancários e as senhas da máquina que infecta; por outro, sem que o dono saiba, coloca o aparelho a serviço de uma rede oculta (botnet). Produz, assim, um universo de escravos silenciosos que os piratas utilizam livremente para todo tipo de propósitos.

“É a rede de programas maliciosos mais avançada que já enfrentamos”, declarou o agente especial encarregado da investigação. Sob o mando de Slavic, essa estrutura chegou a submeter um milhão de computadores (25% deles nos EUA) e se transformou no pior pesadelo já vivido pelo FBI. O troféu superou os 100 milhões de dólares (310 milhões de reais).

“Todos os computadores que infectava faziam parte de uma botnet, na qual não apenas roubavam os dados que os usuários introduziam ou tinham gravados, como também usavam a potência desses milhares – ou até mesmo milhões – de computadores infectados e controlados para cometer outros crimes, como ataques de negação de serviço (DDoS) destinados a extorquir as empresas”, diz o especialista David Barroso, fundador da Countercraft.

O Kremlin, que embora negue, há anos emprega ciberpiratas para seus fins geopolíticos

Após um esforço conjunto internacional, a rede foi desmantelada em 2014. Mas seu criador, sobre o qual pesa a maior recompensa já oferecida a um cibercriminoso, não foi preso. Assim como muitos hackers russos, sua tranquilidade estava garantida longe de Washington.

Um relatório de segurança ucraniano indica que Slavic age sob a supervisão de uma unidade especial da espionagem russa. Não é nada extraordinário. O Kremlin, que nunca aceitou tais acusações, há anos emprega ciberpiratas para seus fins geopolíticos. Também fez isso, sempre segundo os informes de inteligência norte-americanos, com o Wikileaks.

No ataque cibernético que orquestrou contra Clinton na campanha eleitoral, usou a organização de Julian Assange para difundir material roubado. No caso de Slavic, a própria trajetória e evolução do vírus Zeus o vincula a essas práticas. No apogeu de sua atividade, Bogachev analisava a imensa rede de computadores cativos à sua disposição em busca de informações confidenciais: e-mails de altos funcionários da polícia turca, dados de inteligência da Geórgia, documentos classificados da Ucrânia.

“Há tempo, considera-se que Bogachev tenha algum tipo de relação com pessoas próximas dos serviços de inteligência. Inclusive quando a Rússia invadiu a Crimeia, parte dabotnet foi utilizada para buscar informações de vítimas da Ucrânia”, explica Jaime Blasco, especialista em segurança cibernética e chefe científico da Alien Vault.

Slavic era e é um pirata, mas não age apenas como tal. Seu objetivo vai além: um território pantanoso do qual pouco se conhece. O Kremlin mantém silêncio, e as autoridades dos EUA evitam dar detalhes sobre os ciberataques a Clinton. Como sempre, a escuridão ampara. Slavic pode continuar sorrindo.

UMA VIDA DE LUXO NA COSTA

Casado e com uma filha, Evgeniy Mikhailovich Bogachev, codinome Slavic curte a vida como um rei na pequena e portuária cidade de Anapa, no Cáucaso Ocidental. Ali, segundo relatórios policiais, ele coleciona carros de luxo, navega pelo Mar Negro e, quando pode, visita a Crimeia. Slavic tem adoração pelos felinos. Tanto que seu animal de estimação é um gato-de-bengala (fruto do cruzamento entre o gato doméstico e o gato-leopardo) e sua roupa preferida é um pijama com estampa de leopardo.

Segundo a inteligência ucraniana, Slavic tem uma frota de automóveis espalhada por toda a Europa só para não ter de alugar nenhum veículo quando está de férias. O hacker costumava passar alguns dias num dos chalés que possuía na França e viajava com um dos três passaportes russos de que dispunha para transitar com liberdade.
ElPaís

Putin, o coreano das estepes aponta mísseis para a Europa

RÚSSIA aponta mísseis para as principais cidades da Europa

A afirmação foi feita pelo exército dos Estados Unidos

Moscou está sendo acusada de implantar o SSC-8, um míssil de cruzeiro que pode atingir facilmente qualquer lugar da Grã-Bretanha e exterminar milhares de vidas em segundos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O Tratado das Forças Nucleares de 1987, assinado entre os EUA e a Rússia, previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou não, cujo alcance estivesse entre 500 e 5 500 km.

O General Paul Selva, membro do Estado Maior, disse que esse tipo de míssil ameaça “a maioria” das instalações americanas na Europa:

“Acreditamos que eles representam uma ameaça dentro da área de responsabilidade da OTAN” disse o general.

Ele não revelou como o governo americano pretende lidar com essa ameaça, disse apenas que há um “conjunto de opções” a considerar.

“Eu não tenho informações suficientes sobre a intenção deles. Temos que aguardar para ver se eles voltam a cumprir o acordo de 1987.” acrescentou.

O general da Força Aérea dos EUA não confirmou se o míssil SSC-8 é capaz de transportar uma ogivas nucleares.

No último mês, o presidente Donald Trump informou que iria discutir essa questão quando se encontrar pessoalmente com Vladimir Putin.



Imprensa britânica diz que a Rússia possui mísseis apontados para as principais cidades da Europa

O britânico The Sun alertou: “Vladimir Putin está chegando”

De acordo com a publicação, navios de guerra da Rússia estão se movendo em direção ao Canal da Mancha.

O jornal afirmou que a Marinha do Reino Unido está pronta para soar o alarme:

“A frota de navios nucleares russos está se dirigindo para a Grã-Bretanha”

Dois navios russos (o Serpukhov e o Zeleny Dol) estão ‘armados até os dentes’ com mísseis de cruzeiro Kalibr que têm um alcance de 3 mil km.

A imprensa russa confirmou que navios de guerra estão sendo posicionados taticamente e apontados para as maiores cidades da Europa:

“A Rússia está apenas se precavendo de futuros ataques e protegendo seus cidadãos” informou o The Sun.

Aquecimento Global?

Europeus terão que se habituar a extremos climáticos, dizem cientistasChuva em Berlim

Chuvas intensas caíram sobre Berlim nos últimos dias

Calor seguido de chuvas intensas tem marcado o verão em Berlim e em outras regiões da Alemanha.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Segundo pesquisadores, efeitos do aquecimento global se farão sentir cada vez mais na Europa.

Pela segunda vez em menos de um mês, os bombeiros de Berlim decretaram “estado de emergência” no fim de semana passado.

Chuvas torrenciais inundaram várias ruas da capital alemã, e em algumas delas a altura da água alcançou mais de 1 metro.

Os bombeiros não conseguiram dar conta de todos os chamados.

Segundo um jornal, foram mais de 185 operações em apenas uma hora e meia.

Na região do Lago de Constança, no sul da Alemanha, as tempestades derrubaram árvores e causaram deslizamentos de terra em áreas montanhosas, o que bloqueou o trânsito de trens.

Para cientistas, os alemães terão que se acostumar com esse tipo de situação.

Os gases do efeito estufa não apenas levam ao derretimento de gelo nos polos e ao aumento do nível do mar, mas têm efeitos cada vez maiores também na Europa Central.

“Nós já havíamos previsto há muito tempo essas repentinas mudanças de tempo, de calor seco para chuvas torrenciais, e agora isso se torna mais claro a cada ano”, diz o pesquisador Mojib Latif, do Centro Helmholtz de Oceanografia (Geomar), em Kiel.

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Tempestade gera caos em Berlim

“Na Alemanha, a temperatura anual média subiu 1,4 °C desde 1880, e é claro que isso tem consequências”, afirma.

Por um lado, o aquecimento global intensifica o Anticiclone dos Açores, um grande centro de altas pressões atmosféricas localizado no Atlântico Norte. Por outro, a Europa não está imune aos efeitos das regiões de baixa pressão atmosférica, aponta Latif.

“Cada grau a mais nas temperaturas médias eleva a possível intensidade da chuva em 7%”, diz o especialista.

Segundo ele, por muito tempo mediu-se apenas a quantidade de chuva ao longo de muitos dias ou semanas. Só que o problema, agora, é a grande quantidade de água em pouco tempo. “Nesse ponto faltam dados de medição para previsões exatas.” O princípio, porém, é claro: ar mais quente pode armazenar mais água, e as pancadas de chuva ficam mais fortes.

Tempestades derrubaram árvores em Berlim, como no bairro de NeuköllnTempestades derrubaram árvores em Berlim, como no bairro de Neukölln

Chuva no centro, seca no sul

Segundo o meteorologista Peter Hoffmann, do Instituto de Pesquisas Climáticas de Potsdam, o Ártico se aquece muito mais rápido do que outras regiões devido às mudanças climáticas.

“Isso muda a relação entre áreas de alta e baixa pressão, e também o deslocamento delas pela Europa Central”, diz Hoffmann. “E agora temos uma área de baixa pressão sobre a Europa Central, que permanece por muitos dias e é responsável pelas chuvas fortes e repentinas.” Ele destaca ainda uma outra relação: chuvas fortes na Europa Central significam secas extremas no sul europeu.

De fato, as autoridades de Roma soaram o alarme por causa da falta de água. A capital da Itália está sendo castigada por altas temperaturas e ar seco. As autoridades já pensaram até em cortar a água residencial por algumas horas depois de o Lago de Bracciano, uma das principais fontes de abastecimento de água potável, ter ficado 160 centímetros abaixo do nível normal. E, por causa da escassez, o Vaticano desligou os chafarizes da Praça de São Pedro e as fontes de água dos seus jardins.

Os dois cientistas ressalvam: os habitantes da Europa Central terão que se acostumar aos extremos climáticos. “Não é assim tão fácil reverter a situação”, diz Hoffmann. E Latif acrescenta: “É verdade que o clima costuma ser um sistema caótico, mas teremos que nos habituar à rápida alternância entre calor extremo e fortes chuvas.”

Tecnologia: Brasil e Espanha conectatos por cabo submarino

Cabo submarino comunicará o Brasil e a Espanha sem passar pelos ouvidos dos EUA.

Instalação do cabo submarino.
Instalação do cabo submarino.

O consórcio hispano-brasileiro Ellalink instalará mais de 10.000 quilômetros de fibra ótica.
A Península Ibérica está 60 quilômetros mais perto de Fortaleza do que de Miami.
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Esse dado, desconhecido para a maioria das pessoas e salientado por Alfonso Gajate, presidente da companhia espanhola Eulalink, ilustra como é absurdo que oito dos nove cabos submarinos que unem a América do Sul à Europa passem pelos Estados Unidos (com 99% do tráfego), e só um, já obsoleto e saturado, utilize a rota mais curta.

Para reverter esta situação, incompatível com o volume de relações entre a América do Sul e a Europa, o presidente do Governo (primeiro-ministro) espanhol, Mariano Rajoy, e o ministro brasileiro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, apresentaram nesta segunda-feira em São Paulo o projeto Ellalink, um cabo submarino com quatro pares de fibra óptica que em 2018 ligará o Brasil à Europa, passando por Sines (Portugal) e Madri.

Será um cabo “neutro” – ou seja, disponível para qualquer operador – e de grande capacidade, nada menos que 72 Tbps (terabits por segundo), sete vezes mais que a informação que a América Latina transmite atualmente para o resto do mundo.

Além disso, estará submetido às leis de proteção da privacidade do Brasil e da Europa, muito mais rigorosas que as dos EUA, acrescentou Gajate.

Ou seja, a informação que circular por esse cabo não ficará exposta ao escrutínio do Grande Irmão norte-americano, como ocorre com os cabos que atualmente passam pela América do Norte.

“Ganharemos em capacidade, em velocidade e em confidencialidade”, disse Rajoy, destacando o “enorme valor estratégico” do projeto.

Com uma extensão de mais de 10.000 quilômetros, o cabo será fornecido pela empresa Alcatel Submarines Networks (ASN), que ganhou a licitação do contrato, subvencionado pela União Europeia em 25 milhões de euros (85,5 milhões de reais) e administrado pelo consórcio hispano-brasileiro Ellalink, criado em 2015 pela Eulalink e a Telebras.

Inicialmente ligará São Paulo a Madri, passando por Cabo Verde, Canárias, Madeira e Lisboa, mas o objetivo é que a rede não se limite ao Brasil, estendendo-se por toda a América do Sul, e que futuramente se conecte ao grande telescópio LSST, que rastreará o universo a partir do Chile.
ElPais

União Européia: ‘Italexit’, o novo desafio europeu

Às vésperas do aniversário do tratado europeu, cresce o discurso eurocético na Itália, pelas mãos do Movimento 5 Estrelas e da Liga Norte

Aniversario del Tratado de Roma de 1957
O comediante Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas, na terça-feira. ANGELO CARCONI AP

Roma celebra neste sábado o aniversário dos tratados que deram origem à União Europeia, 60 anos atrás.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Porém, a sensação que domina a cidade que os viu nascer é que a Itáliapode ser o próximo laboratório antieuropeista. A falta de respostas à imigração maciça, o crescimento do populismo, o empobrecimento da classe média e a saudade daquele instrumento mágico que permitia desvalorizar a lira e potencializar as exportações dos produtos made in Italy despertaram certa nostalgia.

Isso, somado a declarações como a do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, sobre os países do sul e o suposto esbanjamento de ajudas públicas, fizeram os adeptos da causa aumentarem.

Falar do Italexit ainda é exagerado, e a grande indústria italiana leva as mãos na cabeça ao ouvir sobre isso. Mas há um dado irrefutável: o Movimento 5 Estrelas (M5S), que promete convocar um referendo para decidir a continuidade da Itália na moeda única caso esse partido ganhe as eleições, e a Liga Norte de Matteo Salvini, abertamente contrária a continuar no clube dos 28 países da UE, somam ao redor de 45% de votos, segundo todas as pesquisas.

A formação de Beppe Grillo, que já abre sete pontos de vantagem sobre o Partido Democrático, de Matteo Renzi, não quer nem ouvir falar de alianças pós-eleitorais nesse sentido, mas, se ganhar a eleição – algo que neste momento ninguém descarta –, precisará do apoio de uma bancada parlamentar forte para convocar um referendo e reformar a lei que impede a Itália de modificar tratados internacionais. E, de um lado e de outro, só encontrará Salvini.

O partido de Grillo, líder nas pesquisas, convocará um referendo sobre a saída do euro se vier a governar

Por enquanto, às vésperas da celebração deste sábado, o M5S mobilizou seu ideário europeu. Luigi di Maio, 30 anos, candidato mais bem situado para disputar o cargo de primeiro-ministro nas próximas eleições, apresentou nesta quinta um dossiê de oito páginas sobre a reforma da UE, chamado Nossa Europa, e insistiu em sua vontade de que “os cidadãos decidam em referendo se querem que a Itália continue no euro”.

As pesquisas, como noticiou a Reuters nesta quinta-feira, falam de um aumento do sentimento antieuropeu na Itália, mas não o suficiente para pensar numa hipotética vitória do não.

“O euro não é democrático, porque não se pode sair dele. Queremos que haja normas que permitam aos países saírem democraticamente. E que não haja cláusulas que obriguem os países a entrarem na união monetária só por entrarem na união política”, argumentou Di Maio, cuja agremiação integra em Bruxelas o mesmo grupo dos eurocéticos britânicos do partido Ukip.

O banco de investimentos Mediobanca minimiza o assunto, mas adverte que a janela de oportunidade para o ‘Italexit’ já passou

Motivos? A austera política fiscal imposta pela UE. Também a perda de competitividade das pequenas e médias empresas – no final de 2016, fechavam 400 por dia –, e assuntos mais insólitos, como as sanções à Rússia, que o M5S e a Liga Norte consideram um tiro no pé da economia italiana.

As objeções à UE se estendem à política migratória – “a Itália e outros países de primeiro ingresso não podem ser o campo de refugiados da Europa”, diz o dossiê do M5S – e à falta de solidariedade em questões sociais.

Embora a saída da moeda única e a economia vintage sugerida permitam recuperar uma política fiscal própria, seria complicado encontrar, fora do regaço europeu, financiamento para a dívida pública, hoje em 120% do PIB.

“As taxas de juros que pagaríamos para nos financiar numa divisa menos forte seriam muito mais elevadas e forçariam a política fiscal”, observa Giorgio di Giorgio, professor de Política Monetária na universidade LUISS.

A saída do euro aumentaria a inflação e provocaria uma forte perda de poder aquisitivo, mais evidente em produtos importados ou em viagens, “isso que os italianos tanto gostam”, recorda o economista.

Vozes como a do banco de investimentos Mediobanca, que em janeiro lançou uma análise sobre os custos da saída, reduzem o dramatismo dessa medida, mas apontam que a janela de oportunidade já passou, por causa da instável estrutura da dívida italiana.

Todos os partidos concordam que só haverá eleições na Itália em 2018. Um período em que a França e a Alemanha ditarão uma tendência que determinará se realmente o Italexit pode ser a nova palavra da moda.

BLINDADA, ROMA CELEBRA O ANIVERSÁRIO EUROPEU

Os atentados de Londres e a convocação de grandes manifestações contra as políticas da União Europeia despertaram todos os temores em Roma. Tanto nesta sexta-feira como no sábado, dia da comemoração do 60º aniversário dos Tratados de Roma, o centro da capital italiana estará completamente blindado por mais de 5.000 agentes.

A polícia está especialmente atenta ao protesto do Eurostop, para o qual virão 50 ônibus com manifestantes de toda a Itália.

O papa Francisco receberá na tarde desta sexta os líderes dos países membros da UE e os máximos representantes das instituições europeias. Conforme já ocorreu em outras vezes, espera-se que o Pontífice faça algum comentário sobre a falta de uma política comum em assuntos graves como a crise humanitária dos refugiados.

ElPais

“Merkel tem sangue nas mãos”

Cerca de mil alemães protestam em frente à sede do Governo federal, acusando a chanceler de responsabilidade pelo atentado em Berlim

Cartaz do partido AfD pedindo a renúncia de Merkel, em frente à Chancelaria, em Berlim.
Cartaz do partido AfD pedindo a renúncia de Merkel, em frente à Chancelaria, em Berlim. MARKUS SCHREIBER AP

De um lado, o gabinete onde Angela Merkel despacha. Do outro, cerca de mil alemães indignados com a chanceler da Alemanha. Sentem que o atentado da última segunda-feira em Berlim lhes dá a razão.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Os riscos sobre os quais advertiram por tanto tempo finalmente chegaram ao coração do país. E a grande responsável, pensa a esmagadora maioria entre estes manifestantes, é a mulher que permitiu a entrada na Alemanha de centenas de milhares de imigrantes muçulmanos.

“É triste que tenhamos precisado passar por algo assim para que muita gente se dê conta. Mas acredito que agora vão prestar mais atenção em nós. Um país que não protege suas fronteiras não pode ser um país em paz”, diz o aposentado Peter, que não revela seu sobrenome ao jornalista.

Os organizadores da concentração realizada na tarde de quarta-feira em frente à sede da Chancelaria diziam que o objetivo era homenagear as vítimas atropeladas na segunda-feira por um caminhão numa feira de Natal na parte ocidental da capital alemã, num ataque que deixou 12 mortos e dezenas de feridos. As velas nas mãos de alguns participantes podiam sugerir uma vigília como outra qualquer.

Mas a mensagem política é evidente. Por todo lado há cartazes de “Fora Merkel” e “Proteja as fronteiras”. Aqui ninguém estranha que líderes ultradireitistas de meia Europa tenham responsabilizado a chefa do Executivo alemão por esse ataque jihadista. “Claro. Ela tem as mãos manchadas de sangue”, diz Daniel, que também se nega a informar seu sobrenome e prefere abreviar ao máximo a conversa.

Os jornalistas não são os profissionais mais queridos por aqui. “Talvez não seja a única culpada, mas certamente é cúmplice”, observa Stephan Schmidt, que trabalha como assessor do partido xenófobo Alternativa para a Alemanha (AfD).

A crise dos refugiados dividiu a sociedade alemã em três grupos: os que se manifestam a favor da integração; os que defendem o fechamento de fronteiras e expulsões em massa; e uma grande maioria que fica num meio termo.

Uma cena reflete com perfeição essa polarização crescente. “Perpetradores de cadáveres”, grita um homem, do outro lado do cordão policial, aos manifestantes anti-Merkel, que são, em sua grande maioria, simpatizantes da AfD. “Protetor de terroristas”, responde outro, que porta a bandeira vermelha com uma cruz amarela e preta, símbolo dos militares alemães que atentaram contra Hitler em 1944 e que foi adotada nos últimos anos por manifestantes de movimentos ultraconservadores.

O protesto, que teve o apoio de líderes relevantes da AfD, não foi um sucesso. O partido, que aspira a ser decisivo depois das eleições do ano que vem, só consegue mobilizar cerca de mil cidadãos numa cidade de 3,5 milhões de habitantes.

O frio de quase zero grau não ajuda. Muitos dos manifestantes ouvidos procedem de Dresden, a cidade da antiga Alemanha Oriental que é o berço do movimento islamofóbico Pegida e capital da Saxônia, Estado líder em ataques contra centros de refugiados. “Sim, venho de Dresden, o centro da resistência patriótica”, responde, orgulhoso, o aposentado Peter.
ElPais

Votação a favor do ‘Brexit’ anima os xenófobos europeus

A francesa Le Pen, o holandês Wilders e o italiano Salvini reagem com euforia.

Marine Le Pen, nesta sexta-feira. AFP

Se existem ganhadores claros da vitória do não britânico à União Europeia são os partidos da extrema direita europeia. A eclosão do ceticismo europeu britânico ocorre em um momento de profundo desencanto e renovados sentimentos nacionalistas no Velho Continente que as forças xenófobas souberam explorar com eficiência.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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O júbilo dos radicais se traduziu desde o começo da manhã de sexta-feira em exigências concretas. “A Liberdade venceu”, publicou no Twitter Marine Le Pen, presidenta da Frente Nacional francesa. “Como peço há anos, agora é preciso convocar um plebiscito na França e nos outros países da UE”.

O holandês Geert Wilders pediu a mesma coisa, o político de cabeleira oxigenada que lidera as pesquisas de seu país com um projeto político abertamente anti-imigração. “Queremos ser donos de nosso próprio país, de nosso dinheiro, nossas fronteiras e nossa política imigratória”, disse em um comunicado.

“Nós holandeses precisamos ter a oportunidade de expressar nossa opinião sobre nossa permanência na UE o quanto antes”, acrescentou agitando o fantasma do chamado Nexit, uma hipotética saída da Holanda do bloco comunitário que hoje se mostra mais possível do que nunca. Os dois países são membros fundadores da União.

Na Itália, Matteo Salvini, da Liga Norte, felicitou “os cidadãos livres” que não sucumbiram “à chantagem, às mentiras e às ameaças”.

Wilders é junto com Le Pen a grande referência dos partidos xenófobos bem-sucedidos na Europa continental e que mostram uma crescente coordenação e assertividade, conscientes de que o vento sopra a seu favor.

O Brexit é o grande suporte a seu ideal, cuja espinha dorsal é composta pela xenofobia, o recuo identitário, o binômio povo-elite e o protecionismo econômico. Ou seja, a recusa de tudo o que venha de fora de suas fronteiras, com as políticas europeias na cabeceira.

A crise econômica, os refugiados, o islã… vale tudo para transformar Bruxelas no perfeito bode expiatório. O Brexit é o ponto de inflexão que esperam há anos e agora acreditam que será o início do fim do projeto europeu. São respaldados por milhões de eleitores aborrecidos com a UE.

Os holandeses expressaram claramente sua ira no começo do ano, no plebiscito contra o acordo de associação da UE com a Ucrânia vencido por larga margem pelos contrários à União. Em 2005, os holandeses já refutaram o projeto de Constituição Europeia, depois rebaixado no formato do Tratado de Lisboa. “Se eu me tornar primeiro-ministro, ocorrerá um plebiscito para deixar a UE”. As eleições estão previstas para o começo de 2017 e Wilders arranca como franco favorito nas pesquisas. O boicote dos outros partidos prejudica, entretanto, suas possibilidades de Governo.

Seis dias antes do plebiscito, os críticos à UE realizaram uma reunião em Viena, batizada de “a primavera dos patriotas”. Era um respaldo aos partidários do Brexit, mas também para demonstrar seu crescente poderio pan-europeu como membros de um grupo na Eurocâmara, de onde destroem por dentro o projeto comunitário. Lá, Le Pen – que será o principal nome da Frente Nacional nas eleições presidenciais em 2017 – defendeu uma Europa por conta própria, que cumpra os desejos e exigência de cada país membro.

O líder da também bem-sucedida ultradireita austríaca, Heinz Christian Strache, enfatizou a democracia direta e a conveniência de se consultar a população sobre seu futuro, tal como os britânicos acabaram de fazer. Disse que a Suíça é seu modelo. Seu partido, o FPÖ, acaba de perder as eleições presidenciais por muito pouco e agora disputa o resultado nos tribunais. O cansaço dos austríacos com o bipartidarismo e a busca de uma identidade que acreditam que corre o risco de se diluir com a chegada de 90.000 asilados ao país, impulsionaram os radicais no país centro-europeu.

O timing do Brexit, como dizem os britânicos para se referir ao momento dos fatos, não poderia ser melhor para os populistas de direita. Sabem que o caldo de cultura é propício para seus interesses e acreditam que os partidos tradicionais e Bruxelas serão incapazes de reagir a tempo e de acordo com as regras. Sentem que seu momento chegou.
Ana Cabajosa/ElPaís