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USA: parlamentares criticam aproximação com governo Bolsonaro

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Pompeo representou a Casa Branca na cerimônia de posse de Bolsonaro – Marcos Corrêa/PR
Em carta a secretário de Estado, parlamentares dos EUA criticam aproximação do governo com Bolsonaro

“Sugerimos fortemente que você [Pompeo] não lustre o comportamento de Bolsonaro, mas sim levante objeções em público e de forma privada contra suas ações recentes”, dizem os democratas, cobrando que o secretário “fique ao lado do povo do Brasil”

Um grupo de congressistas democratas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA enviou uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, questionando a aproximação do governo com o presidente Jair Bolsonaro.

Em documento publicado nesta quarta-feira (09/01), o grupo liderado pelo deputado Eliot Engel afirmou que Pompeo deveria ter condenado publicamente as “recentes ações que tiveram como alvo as comunidades LGBT, indígena e afro-brasileira“.

“Observamos com grande interesse sua recente visita ao Brasil para a posse do presidente Jair Bolsonaro, que, em seus primeiros dias no cargo, adotou diversas ações que miram grupos marginalizados, particularmente LGBTs, indígenas e afro-brasileiros”, diz a carta.

Se dirigindo ao secretário de Estado, o grupo de parlamentares norte-americanos afirma que ficou perplexo “que, após o seu encontro com o presidente Bolsonaro, um comunicado do Departamento de Estado explicou que o senhor ‘reafirmava a forte parceria entre EUA e Brasil, enraizada no nosso compromisso comum com a democracia, educação, prosperidade, segurança e direitos humanos’. Não está claro que o presidente Bolsonaro compartilhe desses valores”.

O texto ainda faz menção à decisão do governo de retirar a comunidade LGBT das diretrizes do Ministério dos Direitos Humanos e de confiar a demarcação de terras indígenas e quilombolas ao Ministério da Agricultura.

“Ficou imediatamente claro que declarações preocupantes do presidente Bolsonaro sobre direitos humanos não estão mais restritas à retórica”, acrescenta a carta. “É essencial que os Estados Unidos continuem a defender a natureza universal dos direitos humanos, manifestando-se quando os direitos de qualquer grupo marginalizado sejam postos em risco”.

“Sugerimos fortemente que você [Pompeo] não lustre o comportamento de Bolsonaro, mas sim levante objeções em público e de forma privada contra suas ações recentes”, dizem os democratas, cobrando que o secretário “fique ao lado do povo do Brasil” e mantenha seu “compromisso com os direitos humanos”

Todos os membros do grupo são do Partido Democrata, que faz oposição ao presidente Donald Trump. Pompeo representou a Casa Branca na cerimônia de posse de Bolsonaro, em 1º de janeiro, e disse que os EUA querem “estreitar relações com o Brasil”.
OperaMundi

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O legado sinistro de George H. W. Bush: crimes de guerra, racismo e obstrução da Justiça

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O presidente George H.W. Bush discursa em rede nacional no Salão Oval, no dia 16 de janeiro de 1991, depois da deflagração da Operação Tempestade no Deserto contra o Iraque.
Foto: Charles Tasnadi/AP

AS HOMENAGENS AO ex-presidente americano George H. W. Bush, que faleceu na última sexta-feira aos 94 anos, têm vindo de todos os lados do espectro político. Ele era um homem “de elevadíssimo caráter”, disse seu filho mais velho e também ex-presidente, George W. Bush. “Ele amava a sua pátria, tendo servido com caráter, elegância e integridade”, tuitou Preet Bharara, ex-promotor público e símbolo do #Resistance, um movimento de oposição a Donald Trump. Segundo outro ex-presidente, Barack Obama, a vida de Bush foi “uma prova de que o serviço público é uma vocação nobre e gratificante. E ele fez um bem tremendo ao longo do caminho”. Tim Cook, presidente-executivo da Apple, sentenciou: “Perdemos um grande americano.”

Em plena era Trump, não é difícil para seus biógrafos pintar Bush pai como um grande patriota e pragmático – um presidente que teria governado com “elegância” e “integridade”. É verdade que o ex-presidente se recusou a votar em Trump em 2016, chamando-o de “fanfarrão”, e manteve distância da chamada alt-right (nova direita branca e nacionalista dos EUA) e da política de complôs que se tornou a marca do Partido Republicano atual. Bush ajudou a pôr fim à Guerra Fria “sem disparar um tiro”, nas palavras de Obama. Ele passou a vida servindo seu país – no exército, no Congresso, na ONU, na CIA e na Casa Branca – e, segundo consta, também foi um avô e bisavô amado por 17 netos e 8 bisnetos.

Entretanto, Bush era uma figura pública – um entre apenas 44 homens que já foram presidentes dos Estados Unidos. Não podemos, portanto, aceitar o embelezamento descarado de sua passagem pela Casa Branca. “Quando um líder político morre, permitir que ele seja apenas elogiado, e nunca criticado, é uma grande irresponsabilidade”, argumenta meu colega Glenn Greenwald, porque isso leva à construção de “uma história falsa” e ao “acobertamento propagandista dos erros cometidos”. A verdade inconveniente é que a presidência de George Herbert Walker Bush tinha muito mais em comum com a direita republicana belicosa e corrupta que o sucedeu – seu filho George W. Bush e o atual mandatário de cara laranja – do que uma parte das classes política e jornalística faz parecer.

Vejamos:

Ele fez uma campanha racista para a presidência. O nome “Willie Horton” deveria estar indelevelmente associado à eleição de Bush para a Casa Branca em 1988. Horton, que cumpria uma pena de prisão perpétua por assassinato em Massachusetts – estado governado pelo adversário democrata de Bush, Michael Dukakis –, aproveitara-se de um indulto de fim de semana para fugir e estuprar uma mulher em Maryland. O famoso anúncio de TV intitulado Weekend Passes (“Indultos de Fim de Semana”, em tradução livre), produzido por um comitê de ação política ligado à campanha de Bush, deixava claro ao telespectador que Horton era negro, e sua vítima, branca.

Lee Atwater, o diretor de campanha de Bush na época, gabou-se: “Quando terminarmos, vai ter gente achando até que Willie Horton é da chapa de Dukakis.” O próprio Bush logo classificou as acusações de racismo de “absolutamente ridículas”, mas era óbvio na época – mesmo para republicanos de direita, como Roger Stone, atual aliado de Trump – que o anúncio havia passado dos limites. “Esse caso vai seguir você e George Bush até a cova”, reclamou Stone com Atwater. “É um anúncio racista. (…) Vocês vão se arrepender”, avisou.

Stone tinha razão quanto a Atwater, que, em seu leito de morte, pediu perdão por ter usado Horton contra Dukakis. Mas Bush nunca se desculpou.

Ele usou argumentos desonestos para ir à guerra. Treze anos antes de que George W. Bush mentisse sobre as armas de destruição em massa iraquianas para justificar a invasão e ocupação do país, seu pai já havia dado declarações falsas para poder bombardear o Iraque. A primeira Guerra do Golfo, como concluiu uma investigação do jornalista Joshua Holland, “foi baseada em uma montanha de propaganda”.

Para começar, Bush disse aos americanos que o Iraque havia invadido o Kuwait “sem provocação ou aviso”. Mas ele esqueceu de mencionar que a embaixadora americana no Iraque, havia praticamente dado sinal verde a Saddam Hussein, dizendo a ele, em julho de 1990, uma semana antes da invasão do Kuwait: “Não temos opinião sobre conflitos entre árabes, como a sua disputa de fronteiras com o Kuwait.”

Depois veio a falsificação de informações de inteligência. Bush enviou tropas americanas para o Golfo em agosto de 1990 sob o pretexto de “prestar assistência ao governo da Arábia Saudita na defesa de seu território”. Mas, como escreveu Scott Peterson no Christian Science Monitor, em 2002: “Com base em supostas imagens de satélite confidenciais, funcionários do Pentágono estimaram (…) em 250 mil o número de soldados e em 1.500 o número de tanques na fronteira, ameaçando o maior fornecedor de petróleo dos EUA.”

Porém, a repórter do St. Petersburg Times Jean Heller obteve acesso a imagens de satélite da fronteira saudita disponibilizadas comercialmente, e elas mostraram apenas o deserto vazio, sem nenhum sinal das tropas iraquianas. “Era uma mentira gravíssima”, disse Heller a Peterson. “Aquilo [a mobilização iraquiana] era a justificativa de Bush para o envio de tropas à região, mas simplesmente não era verdade”, acrescentou.

USA,BushO presidente George H. W. Bush conversa com o secretário de Estado, James Baker III, e o secretário de Defesa, Dick Cheney, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca sobre a Guerra do Golfo, no dia 17 de janeiro de 1991. O presidente George H. W. Bush conversa com o secretário de Estado, James Baker III, e o secretário de Defesa, Dick Cheney, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca sobre a Guerra do Golfo, no dia 17 de janeiro de 1991. Foto: Ron Edmonds/AP

Ele cometeu crimes de guerra. No governo de Bush pai, os EUA jogaram nada menos do que 88.500 toneladas de bombas no Iraque e nos territórios ocupados do Kuwait, muitas das quais causaram terríveis perdas civis. Em fevereiro de 1991, por exemplo, um bombardeio americano contra um abrigo antiaéreo no bairro de Amiriyah, em Bagdá, matou pelo menos 408 civis iraquianos. Segundo um relatório da Human Rights Watch, o Pentágono sabia que o alvo havia sido usado como abrigo para civis durante a guerra Irã-Iraque, mas, mesmo assim, atacou sem avisar. “Uma grave violação das leis da guerra”, conclui o documento.

As bombas americanas também destruíram infraestruturas civis essenciais para o Iraque, de usinas elétricas e estações de tratamento de água a fábricas de alimentos e moinhos. Isso não foi acidental. Barton Gellman, em artigo publicado no Washington Post em junho de 1991, escreveu: “Alguns alvos, principalmente na reta final da guerra, foram bombardeados para aumentar o poder de barganha contra o Iraque depois da guerra, e não para influenciar o conflito em si. Estrategistas agora dizem que o objetivo era destruir ou danificar instalações importantes que só poderiam ser reparadas com ajuda internacional. (…) Por causa disso, muitos dos danos causados a estruturas e interesses civis, invariavelmente classificados como ‘colaterais’ e ‘involuntários’ nos relatórios, não eram nem uma coisa, nem outra.”

Entenderam? O governo Bush atacou alvos civis para poder “barganhar” com Saddam Hussein. Como não chamar isso de terrorismo? Uma equipe de especialistas em saúde pública de Harvard concluiu, em junho de 1991, menos de quatro meses depois do fim da guerra, que a destruição da infraestrutura iraquiana havia causado desnutrição e níveis “epidêmicos” de cólera e febre tifoide na população do país.

Em janeiro de 1992, Beth Osborne Daponte, demógrafa do Departamento do Censo dos Estados Unidos, estimava em 158 mil o número de baixas iraquianas na Guerra do Golfo, incluindo 13 mil civis mortos imediatamente e 70 mil devido aos estragos sofridos pelas usinas de energia e estações de tratamento de água. Os números de Daponte contradiziam as estimativas oficiais do governo, e ela foi ameaçada de demissão por difundir “informações falsas”. (Soa familiar?)

Ele se recusou a colaborar com a Justiça. O caso Irã-Contras, no qual os EUA venderam mísseis em troca da libertação de reféns americanos no Irã e, com o dinheiro da venda, financiaram rebeldes na Nicarágua, foi uma grande mancha no mandato de Ronald Reagan. Apesar disso, pouco se falou do envolvimento do então vice-presidente no escândalo. “Infelizmente, o inquérito criminal contra Bush foi incompleto”, escreveu no relatório final do caso Irã-Contras, em agosto de 1993, o promotor independente Lawrence Walsh, que havia sido vice-procurador-geral do governo Eisenhower.

Por quê? Porque Bush – que “tinha total conhecimento da venda de armas ao Irã”, segundo o promotor independente – não entregou à Justiça um diário “contendo anotações contemporâneas relevantes para o caso” e se recusou a depor nas últimas fases da investigação. Em seus últimos dias como presidente, Bush concedeu o perdão presidencial a seis condenados no caso Irã-Contras. Um deles era o ex-secretário de Defesa Caspar Weinberger, que foi perdoado na véspera de seu julgamento por falso testemunho e obstrução da Justiça. “Foi a primeira vez em que um réu obteve um perdão presidencial em um julgamento no qual o próprio presidente poderia ser chamado para depor, pois Bush tinha conhecimento de fatos inerentes ao caso”, enfatizou Walsh. Irritado, o promotor acusou Bush de “desvio de conduta” e de ter ajudado a “acobertar o caso Irã-Contras”.

Parece um caso trumpiano de obstrução da Justiça, não parece?

Um oficial de justiça, à esquerda, mostra uma foto de um suspeito a um homem que, segundo a polícia, fora encontrado usando drogas em um ponto de venda de entorpecentes em Washington, D.C., no dia 18 de julho de 1989. A operação fazia parte da “guerra às drogas” do então presidente dos EUA, George H. W. Bush. Um oficial de justiça, à esquerda, mostra uma foto de um suspeito a um homem que, segundo a polícia, fora encontrado usando drogas em um ponto de venda de entorpecentes em Washington, D.C., no dia 18 de julho de 1989. A operação fazia parte da “guerra às drogas” do então presidente dos EUA, George H. W. Bush. Foto: J. Scott Applewhite/AP
Ele intensificou a guerra racista contra as drogas. Em setembro de 1989, no Salão Oval, em um discurso televisionado para toda a nação, Bush segurava um pacote de crack, que, segundo ele, havia sido “apreendido dias antes em um parque em frente à Casa Branca. (…) Poderia muito bem ter sido um pacote de heroína ou PCP”.

Naquele mesmo mês, contudo, uma investigação do Washington Post revelou que policiais federais haviam “atraído” um traficante para Parque Lafayette para “uma falsa compra de crack em um parque mais conhecido por estar situado em frente à Casa Branca do que pelo tráfico de drogas”. O traficante não sabia onde ficava a Casa Branca e chegou a perguntar o caminho aos policiais. Ardilosamente, Bush usou o pacote de crack como um acessório de cena para pedir um aumento de 1,5 bilhões de dólares no orçamento da guerra às drogas, proclamando: “Precisamos de mais presídios, mais cadeias, mais tribunais, mais promotores.”

O resultado? “Milhões de americanos foram encarcerados, centenas de bilhões de dólares foram desperdiçados e permitiu-se que centenas de milhares de seres humanos morressem de aids – tudo em nome de uma ‘guerra às drogas’ que não fez nada para reduzir o uso de entorpecentes”, afirmou Ethan Nadelmann, fundador da Drug Policy Alliance, em 2014. Para ele, Bush “colocou a ideologia e a política acima da ciência e da saúde”. Hoje em dia, até mesmo líderes republicanos como Chris Christie e Rand Paul reconhecem que a guerra às drogas, intensificada por Bush pai durante seus quatro anos na Casa Branca, foi um fracasso deplorável e racista.

Ele assediava mulheres. Desde o início do movimento #MeToo, no fim de 2017, pelo menos oito mulheres afirmaram ter sido bolinadas pelo ex-presidente – enquanto posavam para fotos com ele, na maioria dos casos. Uma delas, Roslyn Corrigan, disse à revista Time que Bush a havia apalpado em 2003, quando ela tinha apenas 16 anos. “Eu era uma criança”, contou. O ex-presidente tinha 79. O porta-voz de Bush defendeu seu chefe em outubro de 2017 da seguinte forma: “O presidente Bush está com 93 anos, cinco deles em uma cadeira de rodas, então o braço dele fica abaixo da cintura das pessoas com quem tira fotos.” Mas, como observou a reportagem da Time, “Bush estava em pé quando conheceu Corrigan em 2003”.

Os fatos são importantes. O 41º presidente dos EUA não foi o último republicano moderado nem o representante de uma era imaginária de decência e urbanidade conservadoras. Ele usou o racismo para se promover, obstruiu a Justiça e cometeu crimes de guerra. Ele tinha muito mais em comum com os dois presidentes republicanos que o sucederam do que seus fãs de última hora querem nos fazer crer.

Tradução: Bernardo Tonasse

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Moradia para mulheres sem teto nos USA

A vila de minicasas (construída por voluntárias) que vai abrigar mulheres em situação de rua nos EUAMulheres,Moradias,Sem Teto,Estados Unidos,Política Hamitacional,Moradores de rua,Blog do Mesquita 1

A vila de minicasas (construída por voluntárias) que vai abrigar mulheres em situação de rua nos EUA
Razões Para Acreditar

Sim, uma pequena vila formada por 15 minicasas será o lar de mulheres em situação de rua em Seattle, nos Estados Unidos. A Whittier Heighs é uma iniciativa do instituto Low Income Housing, que gerencia outros projetos semelhantes na cidade.

Segundo o veículo Arquitetura & Construção, as moradias foram construídas com a participação de mulheres voluntárias, como a carpinteira Melinda Nichols, que ensina as pessoas a construir casas há 45 anos.

Outra mulher voluntária é a professora aposentada Linda Uno, que contribuiu com a limpeza e arrumação das casinhas antes de serem entregues às novas moradoras. No total, a vila abrigará até 20 mulheres sem-teto.

“Eu estava aqui quando o primeiro prego foi martelado. Então estar aqui para decorar os quartos é realmente um presente”, disse Linda. “Quando elas entrarem em suas novas casas, esperamos que elas se sintam realmente bem cuidadas porque a comunidade está realmente cuidando dessas mulheres”, acrescentou.

Nichols disse também que o Low Income Housing vai acompanhar de perto o projeto e, caso seja um sucesso, irá construir outras vilas somente para mulheres em situação de rua. Vale lembrar que as moradias não são permanentes, mas uma forma de oferecer segurança e estabilidade para que essas mulheres consigam se reestabelecer.

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Estados Unidos: Número de mulheres eleitas para Congresso bate recorde histórico

Foram eleitas 112 mulheres, sendo que 92 irão ocupar assentos na Câmara dos Representantes, além de 10 no Senado; do total, 99 são democratas.Política Internacional,Estados Unidos,USA,Mulheres,Congresso Americano,Trump,Democratas,Republicanos,Trump

Alexandria Ocasio-Cortez e Ilhan Omar foram duas das eleitas nas midterms de 2018
Foto Reprodução

As eleições de meio de mandato que aconteceram nesta terça-feira (06/11) nos Estados Unidos, conhecida como midterms, registraram um recorde histórico de mulheres eleitas para o Congresso do país. Ao todo, foram escolhidas 112, sendo 92 na Câmara e 10, no Senado.

O resultado reflete uma guinada eleitoral nos EUA, após o republicano Donald Trump sair vitorioso das eleições de 2016 contra a democrata Hillary Clinton. Atualmente, há 107 mulheres exercendo cargo eletivo na Câmara e no Senado.

Neste ano, foram 273 candidaturas femininas ao Congresso, número superior às 184 das últimas midterms. Se comparado com a eleições de 2008, o número de candidatas mulheres ao Congresso quase dobrou, passando de 143 à época para as 273 deste ano. Em relação ao último pleito, foram eleitas cinco mulheres a mais, superando os 107 cargos totais e os 85 na Câmara.

Para o cargo de governadora, foram eleitas nove mulheres pelos estados de Oregon, Novo México, Dakota do Sul, Kansas, Iwoa, Arkansas, Michigan, Alabama e Maine. Ao todo, as candidatas femininas do Partido Democrata venceram em cinco estados, enquanto que os republicanos fizeram quatro governadoras mulheres.

No estado de Oregon, a democrata Kate Brown foi reeleita com 49% dos votos, superando o republicano Knute Buehler, que somou 44%. No Novo México, a advogada democrata Michelle Lujan Grisham venceu o republicano Steve Pearce e atingiu 56,9% dos votos.

Do total de mulheres eleitas para o Congresso norte-americano, 99 são democratas. Entre as eleitas, há negras, muçulmanas e socialistas.

Alexandria Ocasio-Cortez

A democrata Alexandria Ocasio-Cortez se tornou a congressista mais jovem da história dos EUA. Negra, latina e socialista, a candidata de 29 anos saiu vitoriosa com 78% dos votos no 14º distrito de Nova York, tradicionalmente vencido por democratas.

Ocasio-Cortez já havia surpreendido quando desbancou o ex-congressista Joe Crowley nas primárias do partido. Crowley foi representante dos distritos do Bronx e Queens durante 10 mandatos.

Sua agenda progressista, que inclui defesa dos direitos de migrantes, criação de um sistema universal de saúde e controle do porte de armas, rendeu à democrata quantidade superior à necessária para derrotar seu adversário republicano Anthony Pappas, que somou 13% dos votos válidos.

Muçulmanas

Os estados de Michigan e Minnesota também elegeram representantes mulheres à Câmara e proporcionaram dois fatos inéditos na história das midterms. A filha de palestinos Rashida Tlaib, eleita em Minnesota, se tornou a primeira congressista muçulmana dos EUA, ao lado de Ilhan Omar, eleita em Michigan, de origem somali.

No estado do Kansas, a democrata Sharice Davids conquistou o assento do republicano Kevin Yoder na Câmara pelo 3º distrito e se tornou a primeira representante de povos nativos a ganhar uma vaga no Congresso. Ela é membro da etnia Ho-Chunk, tribo que habita os estados de Wisconsin e Nebraska.

No Tennessee, o democrata Phil Bredesen, que havia sido governador do Estado de 2003 a 2011, perdeu a vaga no Senado para a republicana Marsha Blackburn, que se tornou a primeira mulher eleita para o cargo.

A agora senadora é conhecida por suas posições conservadoras sobre aborto, porte de armas e migração. Durante campanha, Blackburn chegou a dizer que é “politicamente incorreta” e que tem “orgulho disso”.

Maioria democrata

O Partido Democrata já garantiu ao menos 219 dos 435 assentos da Câmara, um a mais do que os 218 necessários para formar maioria simples.

No Senado, no entanto, onde estavam em jogo 35 de suas 100 cadeiras, a maioria delas democratas, o Partido Republicano conseguiu segurar sua maioria, que deve ser até ampliada.
OperaMundi

Project Veritas: Você sabe o que é?

O grupo conservador que profissionalizou a guerra de informação nos EUA

James O’Keefe durante evento em 2015.James O’Keefe durante evento em 2015. PABLO MARTINEZ MONSIVAIS AP

O mais recente alvo do ‘Project Veritas’ foi o jornal ‘The Washington Post’, que acusa a organização de criar um factoide sobre um senador republicano para deslegitimar a empresa

Nada parece conter James O’Keefe em sua aversão pelo mundo progressista. Em 2009, ele se fez passar por um cafetão em um encontro com a organização social Acorn. No ano passado, tentou simular em um telefonema ser um húngaro se colocando à disposição para colaborar com a fundação do magnata George Soros, na órbita do Partido Democrata, mas não desligou o telefone direito e acabou revelando, sem saber, o próprio golpe. Agora, tudo indica que ele está por trás da tentativa de levar o jornal The Washington Post a publicar uma informação mentirosa ao noticiar o relato de uma suposta vítima de um falso affairesexual de Roy Moore, o candidato republicano ao Senado pelo Alabama, atacado por uma onda de acusações de assédio sexual.

O’Keefe, de 33 anos, se apresenta como um “jornalista de guerrilha”. Ele encarna o princípio de que, para atacar os círculos progressistas, tudo é válido. O meio utilizado – a mentira – justifica esse fim, que ele chama de revelar a “corrupção e desonestidade”. É uma personalidade emergente no mundo da direita norte-americana sem complexos, que aposta na ruptura e na atuação antiestablishment, próxima do presidente Donald Trump. Não surpreende, portanto, o fato de que seu mentor tenha sido Andrew Breitbart, criador do site ultraconservador que leva o seu nome e que é hoje dirigido por Steve Bannon, figura de destaque na campanha eleitoral de Trump e de seus meses iniciais na Casa Branca.

Project Veritas, organização conservadora fundada por O’Keefe em 2010, promete investigações explosivas contra os grandes veículos de imprensa norte-americanos. Ele os define como “Pravda”, nome do jornal oficial da União Soviética. E promete desmascarar uma mina de supostas verdades. Além do Post, alguns de seus alvos foram a rádio NPR, a rede CNN e o jornal The New York Times.

O último objetivo era aparentemente ajudar Moore, que Trump apoiou apesar das acusações sexuais contra ele, e tirar a legitimidade do Post, que divulgou as acusações que colocaram o político contra a parede. Uma mulher contatou o jornal alegando que manteve uma relação sexual com Moore em 1992, engravidou e abortou aos 15 anos.

O jornal descobriu, no entanto, que a mulher havia mentido sobre sua identidade e, na segunda-feira, a viu entrando na sede do Project Veritas, em Nova York. Paralelamente, o Post divulgou um vídeo, feito com câmera escondida, do encontro entre essa mulher e uma repórter do jornal, que a pressionava a respeito das inconsistências de seu relato e perguntava o que a tinha levado a contar aquela história.

O’Keefe evitou confirmar se a mulher trabalhava para sua organização. E contra-atacou a aparente descoberta de sua armação divulgando outro vídeo com câmera escondida em que um repórter do Post critica a linha editorial do jornal por sua dureza contra Trump. O jornalista disse que acreditava estar falando com estudantes.

O’Keefe vive mergulhado em polêmica, sempre acusado de mentir e exagerar suas descobertas. Formado em Filosofia, ganhou fama em 2009 no caso da Acorn. Munido de uma câmera escondida, foi acompanhado de uma mulher, que disse ser uma prostituta menor de idade, a várias reuniões com a organização que ajuda pessoas de baixa renda. Ambos disseram buscar assessoria para aparentar que seria legal a prostituição de uma imigrante. E os trabalhadores lhes deram conselhos. Houve demissões e consequências políticas. A Câmara de Representantes cortou os recursos federais da Acorn, que acabou sendo dissolvida.

Entretanto, o jovem acabou se desculpando por essas gravações e teve de pagar 100.000 dólares (320.000 reais) depois de ser processado por um funcionário da Acorn, que denunciou que não tinha dado autorização para ser gravado, como requer a lei da Califórnia.

Os problemas legais se repetiram em 2010. O’Keefe foi detido por entrar com identidade falsa no gabinete de uma senadora democrata e condenado a três anos de liberdade condicional e uma multa.

As irregularidades, no entanto, não frearam o jovem direitista. Muito pelo contrário. Em 2016, o Project Veritas recebeu 4,8 milhões de dólares em doações e tinha 38 funcionários. Em uma oferta de trabalho em seu site, buscam-se jornalistas dispostos a trabalhar disfarçados. Por ser uma organização sem fins lucrativos, não é obrigado a divulgar a identidade de seus doadores. Segundo o Post, um dos doadores em 2015 foi a fundação Trump, que doou 10.000 dólares.

No ano passado, a campanha do republicano se beneficiou implicitamente do trabalho do Project Veritas. O chefe de uma organização próxima ao Partido Democrata renunciou depois que O’Keefe divulgou um vídeo em que falavam de supostos métodos para tentar incitar a violência em comícios de Trump.
Joan Faus/ElPais

Slavic, o hacker mais procurado (e protegido) do mundo

Vinculado aos mais graves ciberataques contra os EUA, ele vive supostamente amparado por MoscouO hacker russo Evgeniy M. Bogachev, em imagem do FBI publicada pelo ‘The New York Times’.

O hacker russo Evgeniy M. Bogachev, em imagem do FBI publicada pelo ‘The New York Times’.

Cabelo raspado, olheiras profundas e o sorriso de quem não posa muito convencido para a foto. Evgeniy Mikhailovich Bogachev já saqueou dezenas de bancos, roubou milhares de contas correntes e lançou assaltos em escala planetária. O FBI oferece uma recompensa de três milhões de dólares (9,3 milhões de reais) por sua captura, e dois tribunais dos Estados Unidos o processam por fraude, lavagem de dinheiro, pirataria informática e conspiração. Mais conhecido como Slavic ou lucky12345, é o hacker mais procurado do mundo. Mas ninguém o detém. De nada adiantam as diversas fotos suas conhecidas. Nem saber onde mora e o que faz no tempo livre. Aos 33 anos, Bogachev e seu meio sorriso podem mais que a estrutura judicial e policial da nação mais poderosa do mundo.

Slavic se esconde na Rússia, e em dezembro passado foi incluído no grupo sancionado pelo então presidente Barack Obama em conexão com o ciberataque orquestrado pelo Kremlin para prejudicar a campanha eleitoral de Hillary Clinton. Embora a Casa Branca só se referisse a ele como um bandido comum, a ordem, que também afetou quatro altos funcionários do serviço secreto russo, proibiu-o de viajar aos EUA e congelou todas as suas contas. Duas medidas sem efeito para quem fez história fora da lei.

Os relatórios do FBI e autos judiciais aos quais o EL PAÍS teve acesso revelam Slavic como um dos hackers mais incisivos de todos os tempos. Ele criou o Cryptolocker, um vírus que bloqueia os computadores e obriga o pagamento de um resgate para a sua liberação. No final de 2013, mais de 234.000 computadores haviam sido infectados. Um golpe com o qual Bogachev arrecadou 27 milhões de dólares (83,7 milhões de reais) em apenas dois meses.

Criador do Zeus

Mas a sua criatura mais conhecida e reverenciada é o Zeus. Extremamente sofisticado, esse código malicioso nasceu em 2006, quando Bogachev tinha apenas 22 anos. Desde então, com enorme perícia, ele o modificou e melhorou até chegar à versão Gameover. Considerado um dos mais perigosos do planeta, o programa age em duas frentes. Por um lado, rouba os dados bancários e as senhas da máquina que infecta; por outro, sem que o dono saiba, coloca o aparelho a serviço de uma rede oculta (botnet). Produz, assim, um universo de escravos silenciosos que os piratas utilizam livremente para todo tipo de propósitos.

“É a rede de programas maliciosos mais avançada que já enfrentamos”, declarou o agente especial encarregado da investigação. Sob o mando de Slavic, essa estrutura chegou a submeter um milhão de computadores (25% deles nos EUA) e se transformou no pior pesadelo já vivido pelo FBI. O troféu superou os 100 milhões de dólares (310 milhões de reais).

“Todos os computadores que infectava faziam parte de uma botnet, na qual não apenas roubavam os dados que os usuários introduziam ou tinham gravados, como também usavam a potência desses milhares – ou até mesmo milhões – de computadores infectados e controlados para cometer outros crimes, como ataques de negação de serviço (DDoS) destinados a extorquir as empresas”, diz o especialista David Barroso, fundador da Countercraft.

O Kremlin, que embora negue, há anos emprega ciberpiratas para seus fins geopolíticos

Após um esforço conjunto internacional, a rede foi desmantelada em 2014. Mas seu criador, sobre o qual pesa a maior recompensa já oferecida a um cibercriminoso, não foi preso. Assim como muitos hackers russos, sua tranquilidade estava garantida longe de Washington.

Um relatório de segurança ucraniano indica que Slavic age sob a supervisão de uma unidade especial da espionagem russa. Não é nada extraordinário. O Kremlin, que nunca aceitou tais acusações, há anos emprega ciberpiratas para seus fins geopolíticos. Também fez isso, sempre segundo os informes de inteligência norte-americanos, com o Wikileaks.

No ataque cibernético que orquestrou contra Clinton na campanha eleitoral, usou a organização de Julian Assange para difundir material roubado. No caso de Slavic, a própria trajetória e evolução do vírus Zeus o vincula a essas práticas. No apogeu de sua atividade, Bogachev analisava a imensa rede de computadores cativos à sua disposição em busca de informações confidenciais: e-mails de altos funcionários da polícia turca, dados de inteligência da Geórgia, documentos classificados da Ucrânia.

“Há tempo, considera-se que Bogachev tenha algum tipo de relação com pessoas próximas dos serviços de inteligência. Inclusive quando a Rússia invadiu a Crimeia, parte dabotnet foi utilizada para buscar informações de vítimas da Ucrânia”, explica Jaime Blasco, especialista em segurança cibernética e chefe científico da Alien Vault.

Slavic era e é um pirata, mas não age apenas como tal. Seu objetivo vai além: um território pantanoso do qual pouco se conhece. O Kremlin mantém silêncio, e as autoridades dos EUA evitam dar detalhes sobre os ciberataques a Clinton. Como sempre, a escuridão ampara. Slavic pode continuar sorrindo.

UMA VIDA DE LUXO NA COSTA

Casado e com uma filha, Evgeniy Mikhailovich Bogachev, codinome Slavic curte a vida como um rei na pequena e portuária cidade de Anapa, no Cáucaso Ocidental. Ali, segundo relatórios policiais, ele coleciona carros de luxo, navega pelo Mar Negro e, quando pode, visita a Crimeia. Slavic tem adoração pelos felinos. Tanto que seu animal de estimação é um gato-de-bengala (fruto do cruzamento entre o gato doméstico e o gato-leopardo) e sua roupa preferida é um pijama com estampa de leopardo.

Segundo a inteligência ucraniana, Slavic tem uma frota de automóveis espalhada por toda a Europa só para não ter de alugar nenhum veículo quando está de férias. O hacker costumava passar alguns dias num dos chalés que possuía na França e viajava com um dos três passaportes russos de que dispunha para transitar com liberdade.
ElPaís

Estados Unidos rejeitam rendição do Talibã. Por quê?

O Talibã já tentou se render, os Estados Unidos rejeitaram e guerra no Afeganistão não tem fim.Blog do Mesquita,Talibão,USA,Afeganistão,Terrorismo,Guerra,Oriente Médio

Combatentes talibãs que queriam se render mostram armas a repórteres em Herat, Afeganistão (04/11/2010). Foto: Majid Saeedi/Getty Images

 VOCÊ SABIA QUE o Talibã tentou se render pouco tempo depois de os Estados Unidos invadirem o Afeganistão?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Segundo a tradição afegã, há séculos, quando uma força rival vence, os derrotados depõem as armas e se integram à nova estrutura de poder. Claro, com muito menos poder – às vezes, sem poder nenhum. É o que tem que ser feito para que a convivência entre vizinhos continue a ser possível. Não é que nem jogo de futebol, os times não voltam para suas respectivas cidades depois que tudo acaba. Para os norte-americanos, pode ser difícil lembrar que é assim que as coisas funcionam, já que os Estados Unidos não vivem uma guerra prolongada sobre o próprio território desde a Guerra Civil.

Quando o Talibã quis se entregar, os Estados Unidos recusaram a rendição repetidas vezes, em uma série de trapalhadas arrogantes, relatadas por Anand Gopal em seu livro “No Good Men Among the Living”, uma investigação sobre a guerra do Afeganistão.

Só a completa aniquilação do inimigo interessava ao governo Bush. O que eles queriam era empilhar mais e mais corpos de terroristas. O problema é que os talibãs já tinham parado de lutar: tinham fugido para o Paquistão ou se reinserido na vida civil. E a Al Qaeda se resumia a um punhado de combatentes.

Mas se não há mais terroristas, como matá-los?

Fácil: afegãos que colaboravam com os Estados Unidos entenderam o dilema do aliado militar e inventaram vilões. A demanda sempre acaba gerando oferta, e os Estados Unidos passaram a pagar por informações que levassem à morte ou à captura de soldados talibãs. De repente, havia talibãs por todos os lados e a vingança correu solta: para matar um vizinho ou mandá-lo para Guantânamo, bastava dizer aos Estados Unidos que se tratava de um membro do Talibã.

Invadiam-se casas e arrombavam-se portas sem nem precisar explicar por quê. Os que foram poupados se tornaram senhores da guerra, enriqueceram e mandaram sua fortuna para o exterior. “Não estamos construindo novamente uma nação”, afirmou o presidente Donald Trump na segunda-feira. Bem, na verdade, nós, americanos, nunca construímos nada por lá – a menos que erguer arranha-céus em Dubai à base de dinheiro sujo conte.

Depois de anos vivendo essa farsa e vendo seus esforços de rendição serem ignorados, o antigo Talibã voltou a pegar em armas. Na época em que foram derrubados do poder, a população tinha ficado feliz em vê-los partir. Mas os Estados Unidos conseguiram torná-los novamente populares.

Os liberais passaram a campanha presidencial de 2008 reclamando que os EUA tinham “ignorado” o Afeganistão — quando, na verdade, as regiões sem a presença de tropas eram as únicas em paz, sem nenhum tipo de insurgência contra o governo afegão. Aí o então recém-empossado presidente Barack Obama resolveu aumentar o efetivo militar, ao mesmo tempo em que anunciava a retirada das tropas. Além disso, ampliou bombardeios noturnos, confiando no mesmo sistema questionável de inteligência que já tinha custava a vida a tantos inocentes.

E agora Trump vem dizer que tem uma estratégia nova e melhor. Segundo ele, os Estados Unidos precisam fazer com que o Paquistão se envolva mais – só que, claro, o serviço de inteligência paquistanês sustenta o Talibã há decadas.

O livro de Gopal é o relato cabal de um conflito que saiu dos trilhos. Parece um livro de ficção, mas é o perfil bem real de três afegãos que viveram a guerra: um senhor da guerra pró-Estados Unidos, um comandante talibã e uma dona de casa. Eu recomendaria a leitura a Trump. O livro traz uma grave advertência ao tipo de esforço de guerra que o presidente está prestes a intensificar. O problema é que tem mais de uma página – e, de acordo com seus assessores, esse é o máximo que ele consegue processar. No mais, a única coisa que interessa mesmo a Trump é o fato de o Afeganistão ter um monte de minerais – que ele acha que o país deve aos Estados Unidos.

Antes de sair gastando os lucros que pretende fazer com os minérios afegãos, Trump deveria parar para pensar na dura realidade: os Estados Unidos estão perdendo a guerra para um inimigo que já tinha se entregado. É uma proeza para poucos.
Ryan Grim/Tradução: Carla Camargo Fanha

Drogas – Heroína está afundando os Estados Unidos

Os EUA nas garras da heroínaLuis Orozco, 24 anos, nesta semana em Miami

Luis Orozco, 24 anos, nesta semana em Miami P. D. LL.
Nesse gueto de Miami, a cocaína é chamada de girl – menina — e a heroína, de boy – menino.

Presidente Donald Trump declara epidemia de opiáceos como emergência nacional. O EL PAÍS conversou com três dependentes químicos e com um quarto que superou o vício.
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“Quer boy?”, pergunta um traficante. Pois todos os brancos que aparecem nas ruas desoladas do bairro negro de Overtown querem, precisam urgentemente do boy.

Manhã úmida, nublada, quente. Um ruivo anda de bicicleta. Não consegue parar. Está atrás da sua dose. “Depois, se você quiser, dou cem entrevistas”. E sai pedalando.

Jason, filho de cubanos, 30 anos. Não revela o sobrenome. Não quer ser fotografado. Mas conta: “Comecei com os comprimidos e depois passei para a manteiga. E quando você experimenta a manteiga, não quer mais saber dos comprimidos”. “Manteiga” é o boy. Jason jogava beisebol. Vem “de boa família”. Sua irmã está se formando em advocacia. Jason: “Ainda estou tentando entender que merda que aconteceu com a minha vida!”.´

São os Estados Unidos. É a epidemia de heroína, de opiáceos sintéticos que vem da China como mísseis tomahawk em pó, dos analgésicos viciantes da indústria farmacêutica receitados como se fossem balas – cerca de 300 milhões de comprimidos por ano desde 2000. A epidemia que Trump decretou como emergência nacional em 10 de agosto.

É essa torrente numérica: 35.000 mortos – cerca de cem por dia — por causa de overdose de heroína e outros opiáceos em 2016, ano que bateu um recorde histórico de mortes causadas por drogas: 60.000, mais do que em toda a Guerra do Vietnã; no Estado de West Virginia, em 2015, o índice foi de 36 mortos por opiáceos para cada 100.000 habitantes, superior ao de 30 por 100.000 homicídios registrados na Guatemala no mesmo ano. Um assessor de Trump sintetiza: “É um 11 de Setembro a cada três semanas”.

“Sou uma menina de vilarejo”

Cary Morissette, 28 anos
Cary Morissette, 28 anos P. D. LL.
Estava comprometida, ia me casar, ter filhos. Era gerente de um Wendy’s…

Cary Morissette tem 28 anos, é dependente desde os 20. Está cansada: “Quando você acorda de manhã, primeiro toma o café da manhã e depois escova os dentes. Eu acordo suando, primeiro vomito e depois, se não guardei nada do dia anterior, saio para comprar a minha dose”.

Passa um outro traficante, oferece a sua droga, mostra seus dentes cheios de ouro.

Cary, com seus dentes estropiados, é de Maine. Belo, cheio de florestas, na fronteira com o Canadá, um dos Estados mais atingidos pela epidemia. “Sou uma menina de vilarejo, o típico lugar onde todos se conhecem”. Pupilas dilatadas. Como no caso de Jason, ela conta que a sua é uma “boa família americana”.

“Que fazia esporte – softball –, tinha “um pai incrível”, “irmãs maravilhosas”. De repente, um dia, começou a fumar cocaína em pedra feito uma desesperada e depois passou a ingerir heroína na veia. “Estava comprometida, ia me casar, ter filhos. Era gerente de um Wendy’s [dá uma risada, desdenhando o mérito de seu cargo na rede de hambúrgueres], mas ia abrir a minha própria doceria para fazer bolos de casamento”.

Ela sua, sua muito. “Veja como estou agora. Cheia de infecções”.

Uma amiga, bastante pálida, se aproxima. “Eu comecei com comprimidos”. Característica típica da questão: brancos que se viciaram em pílulas. E daí passaram para o cavalo.

Cary não quer parar para pensar sobre o motivo dessa epidemia nos EUA. Simplesmente diz: “Isso é nojento”. Mas sua amiga comenta: “É porque nós somos os mais viciados do mundo e só sabemos desfrutar em excesso. Como os obesos são com a comida, nós somos com isso”.

Jesse Thompson, 24 anos
Jesse Thompson, 24 anos P. D. LL.

Você não faz ideia de como o Hermitage é bonita. Mas, se eu tivesse ficado mais um dia ali, acabaria morto

“Os comprimidos eram o céu”

Ele tem 24 anos, não consegue entender como não morreu e agradece a Deus por já estar limpo há um ano e meio. Jesse Thompson, “inter-racial, pai branco e mãe negra”, nascido em Hermitage (Pensilvânia, outro estado afetado). Graciosa, cheia de sol, um verdadeiro pomar de centros de reabilitação, confim peninsular aonde fugir para tentar renascer é um ponto de atração para drogados de todo o país. Foi aqui que Thompson se livrou das “garras da heroína” e agora trabalha ajudando dependentes.

“Você não faz ideia de como Hermitage é bonita. Mas, se eu tivesse ficado mais um dia ali, estaria morto”.

Jogava futebol americano. Foi operado. Deram-lhe analgésicos. “Com os primeiros comprimidos, eu entendi que tinha encontrado o que precisava. Eu me sentia no céu, invencível, como se ninguém pudesse me atingir”. Depois de alguns meses as receitas acabaram e ele foi tentar comprar comprimidos de um amigo do colégio. “Ele não tinha mais e disse: ‘mas tenho heroína’. Eu não estava aguentando a crise de abstinência das pílulas e então respondi: ‘Me dá isso já’”. E, como um “animal viciado”, chegou a gastar mais de 200 dólares por dia com heroína. Queimava todo o salário ganho como funcionário de uma construtora e ainda roubava mais mil por semana do cartão de crédito da mãe.

Luis Orozco, 24 anos
Luis Orozco, 24 anos ANTONI BELCHI
Tudo que lhe vendem agora, mesmo dizendo que é heroína, é fentanil. É terrível

Jesse foi frequentador assíduo de Overtown. Agora não é mais. A entrevista foi dada em um bairro tranquilo, enquanto desfrutava de um hambúrguer com bacon. Acompanha tudo sobre a epidemia, combate na linha de frente contra ela e prevê: “Isso não vai parar. Vai piorar. Pode acreditar”.

“Ando entre a vida e a morte”

Carly diz seu nome, mas não o sobrenome. “Coloque Carly R.”. Tem 36 anos, usa drogas desde os 19, é de Miami. Já esteve 11 vezes em clínicas de reabilitação. Tem rosto de criança. Chora ao falar da família. “Tive tudo o que queria, mas era uma menina problemática”.

Por mais nociva que a droga seja, ela se queixa de que a heroína anda escassa. “Tudo que vendem para você hoje, mesmo dizendo que é heroína, é fentanil. É terrível”. Trata-se do opiáceo sintético que inundou o mercado. Uma dose de fentanil, além de ser mais barata, é 50 vezes mais forte do que uma de heroína. Está na origem da grande onda atual de overdose.

“Sei que ando entre a vida e a morte”, diz ela, que nos últimos meses se viu duas vezes à beira da morte, mas foi socorrida por paramédicos com Narcan, um spray nasal que reverte a overdose. “Meus amigos tombaram feito moscas. Morreram uns 15. Na primeira vez que injetei heroína foi uma delícia”, lembra. “Foi com uma ex-namorada, que agora está morta”.

Luis Orozco, 24 anos.
Luis Orozco, 24 anos. P. D. LL.
Se o médico não tivesse me dado os comprimidos, talvez eu não acabasse desse jeito

Carly R. – boné, calças largas de rapper, crucifixo no peito — explica que o “barato” da heroína é prolongado, enquanto o de fentanil é breve e intenso. “Acaba logo e você quer mais uma dose”, diz. “Rapidinho, rapidinho!”, estala os dedos.

“De repente a luz se apaga para você”

Dentro da van da ONG Needle Exchange – do lado de fora, seis policiais revistam três drogados deitados em uma calçada por onde não passa ninguém -, Luis Orozco, 24 anos, nascido em Los Angeles de pais mexicanos, diz que “no meu caso foi depressão, man”.

Os que estão em pior situação, como ele, são os que moram em Overtown, em algum quartinho qualquer ou sobre papelões a céu aberto. Os enfermeiros da ONG dizem que os que têm dinheiro ou que ainda não chegaram ao fundo do poço passam de carro logo cedo – “a caminho do trabalho” –, compram sua heroína e “se injetam no escritório”. Alguns também trocam suas seringas na van. Muito rapidamente. “Nem olham para você”.

Luis desce da van. De uma família “normal, sempre trabalhando e pagando as biles [bills, contas]”, caminha por Overtown com o auxílio de um andador. É diabético. Foi operado há algumas semanas para extrair pus de um tornozelo e tem uma ferida aberta na cabeça que não consegue cicatrizar. Uma mãe passa, com duas crianças com uniforme de escola. As crianças olham com estranheza para Luis, que sorri simpaticamente.

Ele também começou com comprimidos. “Se o médico não tivesse me dado aquilo, talvez eu não acabasse desse jeito”. Tem medo de morrer por causa de uma overdose de fentanil. “Dizem que é tranquilo, Mas de repente a luz se apaga para você”.

Sua mãe morreu em 2015. O pai mora com uma irmã, em Miami. Dizem para ele deixar Overtowm e ir morar com eles. “Vem pra casa”, insiste o pai. “E ele fica chateado porque eu prefiro ficar aqui”. “Você pode me oferecer uma cama, ar-condicionado, uma geladeira cheia de comida e TV a cabo, mas eu prefiro ficar aqui, perto da droga, para estar aqui quando me bater o desespero para tê-la, que é quando você se sente como se fosse um peixe sem oxigênio”, conta, aflito, cheio de olheiras, trajando uma camiseta escura estampada com o desenho de uma morte com a foice, enrolada em uma bandeira dos EUA.

A PRAGA MAIS BRANCA

A epidemia cresce entre os brancos. Em 2001, 0,34% das pessoas brancas e 0,32% de não-brancas consumiam heroína. Em 2013, a diferença dobrou: 1,9% dos brancos, 1,05% dos não-brancos. Em 1999, 70% das pessoas mortas por causa da droga eram brancas. O dado, em 2015, é de 82%. A razão médica é o aumento maior da dependência a remédios contra a dor entre os brancos; a social, segundo os analistas, seria a pauperização econômica da classe média em um país cada vez mais desigual.
PABLO DE LLANO/ElPais

A conspiração para remover Trump da Presidência dos Estados Unidos

Os serviços de inteligência dos EUA, o Partido Democrata, alguns republicanos, incluindo membros do próprio governo do presidente Trump, e os meios de imprensa dos EUA estão conspirando contra a democracia americana e o presidente dos Estados Unidos. 

Nós conhecemos isso de uma carta pública a Trump publicada hoje, 24 de julho de 2017, em consortiumnews.com por Veteran Intelligence Professionals for Sanity. Veja: https://consortiumnews.com/2017/07/24/intel-vets-challenge-russia-hack-evidence/
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Ao contrário da CIA, NSA e FBI, os profissionais veteranos de inteligência realizaram investigações forenses. Eles descobriram evidências conclusivas de que a suposta “intrusão no servidor DNC Guccifer 2.0 em 5 de julho de 2016 [estes são os e-mails que mostram o DNC trabalhando para Hillary contra Sanders] não foi pirateada, mas vazou. Os documentos vazados foram copiados para um dispositivo de armazenamento externo e apagados com um trabalho de recortar e colar para implicar a Rússia como tendo pirateado os documentos.

Em outras palavras, o suposto hack era, em vez disso, uma cópia do interior que posteriormente foi processada para refletir a origem russa. Os profissionais de inteligência veteranos supõem que isso foi feito para concentrar a atenção no conteúdo embaraçoso dos e-mails, colocando a atenção em vez da “interferência russa na eleição presidencial dos EUA”.

Como eu vejo, o sucesso desta história falsa e orquestrada de hacking russo, para o qual não existe uma pequena evidência, revelou ao complexo militar / segurança a oportunidade de remover o Trump e assim proteger o orçamento e o poder sobrecarregados das Forças Armadas / Complexo de segurança que está ameaçado pela intenção de Trump de normalizar as relações com a Rússia.

Ele revelou às forças de Hillary a oportunidade de reivindicar-se com o argumento de que a Rússia roubou as eleições para Trump. Ele revelou a Israel a oportunidade de pôr fim à retirada de Trump da interferência dos EUA no Oriente Médio, permitindo que Israel continue a usar os militares dos EUA para eliminar os obstáculos à expansão israelense. Forneceu os apostadores, que odeiam Trump e “os deploráveis” que o elegeram, com uma história principal por meses e meses a serem seguidos em suas expectativas com a história da remoção de Trump da presidência.

Os profissionais de inteligência aposentados são muito circunspectos para dizer ao presidente Trump que uma conspiração está em andamento para removê-lo do cargo, seja por impeachment ou assassinato por uma “porca solitária” de direita enfurecida contra o presidente traidor, mas isso parece ser a mensagem entre as linhas. Como eu forneci o link para a carta, você pode lê-lo e chegar à sua própria conclusão.


Autor: Autor: Paul Craig Roberts
Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Katehon.com

Executivo do Face Book se prepara para o Apocalipse

O ex-executivo do Facebook que largou tudo e prepara refúgio em ilha para sobreviver a ‘apocalipse tecnológico’

Antonio Martínez em seu refúgio
Ex-executivo do Facebook está se preparando para um futuro caótico criado pela tecnologia

Antonio Garcia Martínez, de 40 anos, vivia no epicentro da revolução digital, mais precisamente no Vale do Silício, região próxima de San Francisco, nos Estados Unidos, onde estão as sedes de algumas das principais empresas de tecnologia do mundo. Mas desde 2015 ele mudou radicalmente de vida ao chegar à conclusão que estaríamos prestes a enfrentar um “apocalipse tecnológico”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Martínez afirma que o avanço da tecnologia – em especial, da combinação entre automação e inteligência artificial – mudará radicalmente a economia global e fará com que empregos desapareçam em escala massiva.

“Dentro de 30 anos, metade da humanidade não terá trabalho. E a coisa pode ficar feia, pode haver uma revolução. É por isso que estou aqui”, diz ele em entrevista à BBC ao desembarcar armado com um fuzil em uma ilha próxima a Seattle, no noroeste americano, onde está criando um refúgio para se proteger caso a previsão se confirme.

“Em San Francisco, eu vi como o mundo será daqui cinco a dez anos. Você pode não acreditar que está vindo, mas está – e tem a forma de um caminhão que dispensa motorista.”

Isolamento

Cena do documentário 'The Secrets of Silicon Valley'
Refúgio fica em uma pequena ilha na costa noroeste dos EUA

Martínez fez carreira no setor ao fundar uma empresa de anúncios online, que vendeu para o Twitter, e ir trabalhar no Facebook. Hoje, dedica boa parte do seu tempo a um terreno de cinco hectares no meio da floresta em Orcas, uma pequena ilha na costa do Estado de Washington, próxima da fronteira norte do país.

Por enquanto, seu refúgio não parece ser grande coisa. Há apenas uma barraca, um gerador de energia, um balde onde faz suas necessidades, além de fios e painéis solares ainda não instalados. O acesso só é possível por uma estrada de terra, usando veículos com tração nas quatro rodas.

“Ninguém conhece aqui. E dá para ir nadando ou de caiaque até o Canadá se a situação exigir”, diz ele sobre os motivos que o levaram a escolher a região para montar seu abrigo, listando em seguida outras vantagens:

“Clima ideal, uma grande comunidade, produção de alimentos autossustentável, e consigo defendê-lo caso as coisas saiam dos trilhos por um tempo.”

Munição, a ‘moeda do novo mundo’

Cena do documentário 'The Secrets of Silicon Valley'
Martínez diz que armas serão necessárias para protegê-lo de invasores

Martínez deixa claro que será capaz de fazer isso ao atirar com uma AR-15 contra latas e garrafas de plástico que fazem as vezes de alvos improvisados à distância – e acertar todos eles.

“Há 300 milhões de armas nos Estados Unidos, uma para cada homem, mulher e criança, e a maioria delas estão nas mãos das pessoas que perderão seus empregos”, afirma.

“Garanto a você que munição será a moeda corrente desse novo mundo.”

Ele não é o único a prever o desaparecimento em massa de muitos postos de trabalho. O pesquisador Carl Frey, da Universidade de Oxford, acredita no mesmo.

Ele estima que 35% dos empregos no Reino Unido corram risco de desaparecer nos próximos 20 anos com a criação de robôs capazes de realizar as mesmas funções. Esse índice é ainda maior nos Estados Unidos, onde chega a 47% – e ultrapassa 50% em países em desenvolvimento.

Por isso, o americano garante que outros no Vale do Silício estão tomando as mesmas precauções.

“Eles têm suas próprias estradas, compram terrenos, têm um monte de armas, poços artesianos e tudo mais. É algo como o que tenho, talvez menos rústico, menos hippie, mas bem parecido.”

Dívida

Cena do documentário 'The Secrets of Silicon Valley'
Local no meio da floresta ainda tem poucas instalações, como esta barraca

De fato, Reid Hoffman, cofundador da rede social LinkedIn, estimou em uma entrevista à revista The New Yorker que cerca de metade dos bilionários da região têm algum tipo de “seguro contra o apocalipse”.

Mas e quanto ao restante das pessoas que não têm uma fortuna para investir em refúgios assim? Martínez garante não se preocupar com isso: “A vida é curta, e nós morremos sozinhos.”

Ele afirma que sua maior contribuição é divulgar sua previsão e contar sobre seus preparativos. “A única dívida que nós profissionais da tecnologia temos é essa. Poucas pessoas estão falando sobre isso e informando o público em geral”, diz.

“A tecnologia vai acabar com empregos e abalar economias antes mesmo que a gente seja capaz de reagir, e deveríamos estar pensando sobre isso.”
BBC