Fatos & Fotos do dia 21/10/2020

Vídeo de #Doria e tabelinha com #Pazuello na #vacina #chinesa enfureceram #Bolsonaro -> Fonte: #Veja


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Esqueçam o #trolóló#. O objetivo é #Apud #Raimundo #Sodré […]”manter a #massa, a massa mãe[…] sob tacões. Pressionem o #Senador #Rogério #Carvalho (#PT/SE), autor do #PL 3877/2020 apresentado hoje no #Senado e já com anúncio de #votação em #Plenário nesta quinta-feira. Em vez de parar com a #remuneração da #sobra de #caixa dos #bancos que já alcança 23% do #PIB, estão #legalizando essa #vergonha!
#blogdomesquita

#Elsa #Peretti
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Duas opções: Leia esse texto ou continui no limbo da desinformação midiática. A paranoia com a #Huawei. Por favor, leia o texto para acelerar o #5G dos neurônios.

Impressiona a incapacidade e/ou a capacidade, ambas? – só os Deuses sabem o porque – do exercício diuturno, aqui no #Bozaquistão, de distorcer fatos, mídia “venal” em geral.

A Huawei opera no #Brasil, lembro quando forneci serviços a um terceirizado, que em 2002 a #Embratel já operava com diversos equipamentos Huawei na rede deles. Hoje não disponho de informações sobre a amplitude da presença deles no Brasil com relação a 2g,3g ou lte. 

 

A #Ericsson e #Samsung são líder de mercado 5G e a Huawei vem em terceiro lugar junto com #Nokia, #ZTE, #Cisco e #HP/Aruba. 

O fato real é que pela legislação vigente no Brasil, qualquer empresa pode utilizar a mesma infraestrutura de antenas ou colocar novas, nas torres existentes, e implementar novo #hardware nos #datacenter. Talvez a única vantagem da Huawei – tenho um filho, engenheiro de computação e especialista em implantação e segurança de redes de computação que trabalhou com eles em 2007, na #Irlanda, no implemento de uma rede #LTE/4g – “Eles são muito rápidos e eficientes, e trabalham 24h sem parar, em vários turnos, com muitos funcionários e engenheiros. Eles, Huawei fazem em uma semana algo que outra empresa demoraria um mês”, certa vez ele me disse.

Resumo:

 

  • Reserva de Mercado nunca levou nenhum país à frente. A reserva de mercado para computadores decretada pela ditadura de 64, atrasou a tecnologia, calculam os especialistas, em 30 anos, no mínimo, em tecnologia computacional.
  • A #Huawei opera no #Brasil desde a existência de #2G.
  • A Huawei oferece somente infra-estrutura para possibilitar a operação do 5G.
  • Qualquer operadora pode usar qualquer #software que desejar para operar o 5G.
  • Sem a Huawei e amarrado à #acordos de #tecnologia e #comerciais, a meu sentir, o Brasil irá demorar dez anos para implantar a #tecnologia 5G.
  • A Huawei está cerca de 2 anos à frente, em tecnologia de qualquer outro concorrente.
  • O domínio pelos USA da tecnologia 5G irá demorar bastante.
  • Alinhamento automático unilateral nunca beneficiou nenhum país.
  • Durante a ditadura de 64 o Brasil fechou o mercado de computadore e criou a 
  • Nem durante a ditadura implantado em 64 no Brasil – leia-se Geizel – os interesses nacionalistas (sim, eles já existiram) por parte dos militares foram controlados por acordos de subserviência.
  • Geisel chegou a denunciar – pesquise na área do #Direito #Internacional – o que significa denunciar um acordo entre países.

Coloque-se em fila indiana todos os #corruptos membros da gangue e “parças” do #corvo, e teremos mais de um quilômetro de folha corrida.


 

Fatos e Fotos do dia 20/10/2020 – O dia todo todo dia

Da série “Assim caminha a humanidade” ou “A vida como não deveria ser” ou “Só o liberalismo nos salvará”.
#Mansão sob o #viaduto no cruzamento das #Av. St. #Dumont e #Santana Jr. #Fortaleza #Ceará

#Fotografia #Morador de rua #Sem #Teto #Homeless #Blogdomesquita


Quando faz sentido o “Brasil acima de tudo”! I
#Gripen #Aviões #Caças #FAB #Força #Aérea #Brasileira
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Da série “Assim caminha a humanidade” ou “A vida como não deveria ser” ou “Só o liberalismo nos salvará”.
#Lixo #TrabalhoInfantil #Fotografia #Infância #DireitosHumanos #TrabalhoInfantil #ChildLabour #Educação #Escolas #Fome #Economia #Liberalismo #Hayek #Mises #AyanRandt #BlogdoMesquita


#Idmaray #Breuil
Um dia sem dançar é um dia perdido
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Esquema saudita mostra que a Fifa continua sendo o serviço de lavanderia mais caro do mundo

Se a Fifa tinha um vice-presidente encarregado de entregar essa linha clássica de clichê filme: “Você não sabe quem você está lidando com” Eu iria se contentar com esse cara – provavelmente seria um cara, vamos enfrentá ele – sendo pago £ 450,000 por ano, com um pacote anual incluindo um Lexus, um Amex preto e 280 encontros de escolta caros.

Dito isto, se Zurique quisesse quebrar o hábito de uma vida inteira e fazer o mesmo trabalho a baixo custo, eles poderiam simplesmente pedir a alguém para mostrar a Gianni Infantino a parte no Blade II, onde Wesley Snipes diz: “Você obviamente… não sabe… quem… você… é… fodendo com . ”Ou talvez a parte em Crocodile Dundee, onde um pequeno vilão puxa uma serra de ossos para Paul Hogan, e ele tem que sair e falar“ Nah mate, isso não é uma serra de ossos. Isso é uma serra de ossos. ”(Eu posso ter me esquecido de algumas armas; os anos 80 foram há yones atrás.) De qualquer forma, o executivo da Fifa deve mostrar esses clipes em um loop, cada vez dizendo“ isso, mas para os sauditas ”, até que o presidente da Fifa compreendeu vagamente.

A menos que o vital papel operacional seja preenchido na sede da Fifa, infelizmente, espera-se que o Infantino continue a tomar decisões perigosamente suspeitas e apreendidas em nome do “crescimento do jogo”. É presumível que a conferência da semana passada da Fifa em Kigali, no Ruanda, continue a discutir planos para uma nova competição apoiada por dinheiro saudita.

Se você perdeu esta notícia quando foi apenas uma idéia terrível, e não um pedido para a comunidade internacional, Infantino anunciou na reunião do conselho da Fifa em março que ele estava considerando ofertas no valor de 25 bilhões de libras para uma participação em duas novas competições. Estas seriam uma Liga das Nações e uma versão renovada da Copa do Mundo de Clubes. Ele disse aos membros que 49% das participações nessas competições seriam vendidas a terceiros – depois alegou que ele não poderia dizer quais terceiros, devido ao fato de ter assinado acordos de confidencialidade. Um pouco estranho – então, novamente, estamos falando de uma organização um pouco menos transparente do que a maioria dos blackwares da CIA. Foi deixado ao Financial Times para revelar que a oferta era de um consórcio liderado pelo conglomerado japonês Softbank. O maior investidor da Softbank é A Arábia Saudita , cujo fundo soberano investiu US $ 45 bilhões em seu fundo.

O que Infantino diria na época sobre essa injeção de dinheiro enorme mistério era: “Eu não teria nenhum problema se fosse Arábia Saudita, Qatar, Rússia, Estados Unidos, China, Japão … quanto mais, melhor.” a única resposta possível é: por que você não, seu idiota útil?

Claramente, “quanto mais, melhor” tem sido o lema da Fifa. E em nível pessoal, Infantino ganhou a presidência prometendo quadruplicar o financiamento dado pela Fifa a associações nacionais. Ele deve enfrentar outra eleição presidencial no próximo ano, então é improvável que se sinta muito exigente sobre a origem de sua passagem de refeição.

Isso foi antes. A idéia de que a Fifa ainda está discutindo essa tomada de poder financeira à luz do que poderíamos eufemizar como “as notícias atuais” sobre a Arábia Saudita é certamente atraente. Infantino se reuniu com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman três vezes somente no ano passado e uma vez com o rei Salman. Você pensaria que ele poderia tentar subestimar esse conforto no momento, já que muitas partes com significativa exposição a interesses sauditas foram (incluindo, naturalmente, nosso próprio governo).

A Uefa está planejando uma greve se o presidente da Fifa pressionar seu esquema em Kigali, como o mais poderoso dos interesses do futebol contra a idéia. Em maio, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, disse aos ministros da UE: “Não posso aceitar que algumas pessoas que estão cegas pela busca do lucro estejam considerando vender a alma dos torneios de futebol a fundos privados nebulosos. O dinheiro não governa – e o modelo esportivo europeu deve ser respeitado. O futebol não está à venda. Não permitirei que ninguém sacrifique suas estruturas no altar de um mercantilismo altamente cínico e implacável ”.

E assim, para o comerciante-chefe, cujas tentativas de disfarçar seus traços como idealismo permanecem pouco convincentes. Foi apenas há alguns meses que Infantino organizou uma conferência de imprensa conjunta em Teerã com o ministro dos esportes iraniano, Masoud Soltanifar, que saudou a “abordagem não política” da Fifa. Infantino não poderia ter concordado mais. “É muito claro que a política deve ficar de fora do futebol”, ele balbuciou, “e o futebol deve ficar de fora da política”.

Este é, evidentemente, apenas o exemplo mais recente do tipo de absurdo banal no qual ele se especializa. É incrivelmente embaraçoso ter que explicar conceitos como “os sauditas” e “merda” ao presidente da Fifa, que parece arrogantemente se imaginar acima da política, e certamente acima de ser politicamente manipulado. No entanto, se for para mim … Pop questionário para Infantino: por que o príncipe herdeiro saudita está falando sobre o pagamento de gazilhões para o futebol? Você acha que é porque a) ele realmente gosta de pagar zilhões no futebol ou b) isso é algo político? Vamos lá, amigo – se você tivesse que ligar de um jeito ou de outro?

Para uma organização que exige que os lances da Copa do Mundo sejam subscritos pelos governos, a postura da Fifa como não-política é, sem dúvida, a menos convincente. Durante décadas, a entidade que rege o futebol mundial ricocheteou como demandas de conveniência, entre declarar-se uma força importante para o bem político no planeta e sugerir que o futebol é apenas um jogo um pouco antigo e não se pode envolver em julgamentos de valor sobre onde recebe seu dinheiro. A este respeito Infantino continua o trabalho de seu antecessor. Mesmo enquanto presidia uma cleptocracia radical, Sepp Blatter continuou a apontar para um prêmio Nobel da paz. Para todas as novidades da vassoura, Infantino está servindo apenas mais do mesmo se ele se imagina como algo diferente da marca nesta mesa particular.

Na semana passada, a Anistia alertou Rafael Nadal e Novak Djokovic que até mesmo participar de um lucrativo jogo de exibição em Jeddah em dezembro poderia significar “lavagem esportiva”. Como diz o chefe de advocacy e programas da organização: “Está claro que países como a Arábia Saudita estão bem conscientes do potencial do esporte de sutilmente ‘renomear’ um país”. Mas o presidente da Fifa é o mesmo? E se sim, ele se importa? Na evidência atual, a resposta é não, e a Fifa continua a fornecer o serviço de lavanderia mais caro do mundo para qualquer horror disposto a pagar.
The Guardian

A seleção dos filhos sem pai

Seis dos 11 titulares do Brasil na Copa cresceram distantes do pai biológico.seleção brasileira jogadores criados mãe pai Copa

 Paulinho e Gabriel Jesus passaram a infância longe dos pais. AP

Mães como a de Gabriel Jesus tiveram de se desdobrar sozinhas para criar os filhos atletas

o marcar gols, Gabriel Jesus faz o sinal de um telefone com a mão e o dedo polegar grudado na orelha. A comemoração conhecida como “Alô, mãe” é uma homenagem a Vera Lúcia, a mulher que, sozinha, o criou juntamente com os três irmãos. “Ela sempre foi pai e mãe”, costuma dizer o camisa 9, que integra o grupo de seis dos 11 titulares da seleção (Miranda, Thiago Silva, Marcelo, Casemiro e Paulinho) na Copa do Mundo que cresceram sem o suporte do pai biológico. Uma realidade comum no país do futebol. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 40% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, sendo que, “em um elevado patamar de famílias” – cerca de 12 milhões –, elas não têm cônjuges para ajudar na criação dos filhos.
 

O enredo familiar de Jesus é semelhante ao de Paulinho, seu companheiro de seleção e jogador do Barcelona. O volante leva o mesmo nome do pai, José Paulo Bezerra Maciel, mas raramente o encontra. Da última vez, ainda atuava pelo Corinthians, quando o time enfrentou o Náutico no estádio dos Aflitos, no Recife, em 2012. José Paulo estava na arquibancada e ganhou de presente a camisa que o volante usou na partida. Descendente de índios xukurus de Pesqueira, cidade do interior pernambucano, o pai se separou da mãe, Erica Lima, logo depois do nascimento de Paulinho. O contato com os dois filhos era raro – e praticamente se restringiu a breves telefonemas desde que o então aspirante a jogador de futebol tinha 13 anos, época em que o pai deixou São Paulo para retornar de vez a Pesqueira, onde hoje trabalha como feirante.

No Corinthians, Paulinho, que chegou a largar o futebol após sofrer racismo e calote em sua primeira passagem pela Europa, mas foi convencido pela mãe a não desistir, dividia o dilema da ausência paterna com Cássio. Terceiro goleiro da seleção na Copa, ele nunca conheceu o pai, que, segundo familiares, teria desaparecido e se mudado para o Mato Grosso assim que soube da gravidez da mãe, Maria de Lourdes. Programas de televisão chegaram a procurá-lo com o intuito de promover um encontro, mas o goleiro sempre rechaçou a possibilidade. “Não quero mexer com isso. Passou muito tempo já”, disse, em entrevista à Placar. “Minha infância foi difícil. Quando precisei do meu pai, ele não estava presente. Não sei quais as circunstâncias ou por que ele não quis me registrar, as pessoas erram. Mas é passado. Para mim, isso é assunto encerrado.”

Assim como Paulinho, que foi criado desde os três meses de idade pelo padrasto, Cássio teve o apoio do tio, João Carlos Kojak, a quem ele ajudava em um lava-jato de Veranópolis. “Mais importante que o suporte paterno, é o suporte de valores”, observa a psicóloga do esporte Suzy Fleury, que já integrou a comissão técnica da seleção brasileira. “Muitas vezes, a mãe ou outra pessoa, como o padrasto, tio e até mesmo um treinador, consegue assumir as funções de acolhimento que caberiam ao pai biológico. Por isso há várias histórias em que a ausência paterna não impede um jogador de alcançar o sucesso no futebol.”

É o caso do lateral Marcelo, titular de Tite e do Real Madrid. Seus pais se separaram muito cedo. Ele passou a viver com os avós aos quatro anos. O avô Pedro assumiu o papel de pai. Além de prover o sustento da casa, levava o garoto aos treinos no Fluminense e comparecia a todos os seus jogos. “Ele praticamente deu a vida por um moleque de 13, 14 anos, sem saber se eu viraria jogador”, contou Marcelo em seu canal no YouTube. Pedro morreu em 2014, durante a Copa no Brasil. “Meu avô foi pai e mãe, por tudo que fez por mim.”

Paulinho e a mãe Erica.
Paulinho e a mãe Erica. ARQUIVO PESSOAL
Os zagueiros da seleção também cresceram sem pai. Miranda perdeu o dele aos 11 anos. Maria, a mãe, tinha outros 11 filhos para sustentar quando ficou viúva. Já Thiago Silva, com cinco anos, perdeu o pai para o mundo depois que ele se separou de sua mãe. Quando estava grávida do zagueiro, Angela cogitou fazer um aborto por não ter condições de criar mais um filho – ela já tinha dois. Foi convencida pela família a mudar de ideia, levou a gestação até o fim, mas o casamento ruiu na medida em que brotavam dificuldades financeiras em casa. Se casou novamente com Valdomiro, que cuidou de Thiago Silva como se fosse filho. Tanto que o zagueiro não escondeu a emoção ao lamentar sua morte, em outubro de 2014. “Se cheguei onde eu cheguei na minha carreira, foi graças a você. O senhor que foi meu pai, amigo, parceiro, é meu super-herói. Em todos os momentos em que eu precisava, lá estava você pra me socorrer.”

Para Casemiro, a separação do pai aconteceu ainda mais cedo, aos três anos. Cresceu com a mãe Magda e os dois irmãos em uma casa pobre de São José dos Campos, mas contou com o incentivo de Nilton Moreira, treinador de uma escolinha de futebol na cidade, para deslanchar no futebol. Por sua vez, Taison, reserva da seleção, logo teve de ir à labuta para ajudar a garantir comida na mesa para ele e os 10 irmãos no bairro Navegantes, em Pelotas. O pai, entregue ao alcoolismo, separou-se de Rosângela, que dependia de doações de uma igreja para não deixar os filhos passarem fome. “Tudo que eu tenho hoje é por causa dela”, afirmou Taison ao Jornal Nacional. Antes de virar jogador do Inter de Porto Alegre, o meia-atacante trabalhou como flanelinha, pintor e auxiliar de pedreiro. Não titubeou, logo na primeira entrevista antes da Copa, ao rebater críticas à sua convocação. “Sou uma pessoa batalhadora. Não cheguei à seleção por acaso.”

O time dos pais presentes

A seleção brasileira também tem jogadores bastante identificados com a figura paterna. Fagner, por exemplo, foi criado pelo pai depois que ele se separou de sua mãe, com quem o lateral-direito quase não teve contato. Além do pai, Zé Carlos, o meia Philippe Coutinho era apoiado pelos irmãos mais velhos, Leandro e Cristiano. Já Willian usufrui da inseparável companhia de Severino da Silva, que sempre interveio em assuntos internos do Corinthians na época que o filho integrava as categorias de base, incluindo o episódio em que exigiu punição a um treinador acusado de abusar sexualmente de garotos no clube.

“O núcleo familiar é muito importante para a formação da personalidade. E, nesse sentido, a ausência paterna pode deixar enormes lacunas no desenvolvimento psicológico de um atleta”, explica o psicólogo do esporte, João Ricardo Cozac. “Por outro lado, o excesso de influência do pai limita o autoconhecimento e gera uma certa dependência por parte do filho. É preciso buscar um meio-termo, para que não haja nem extrema ausência nem extrema presença.”

Neymar Junior, craque da seleção, que herdou o nome do pai, talvez seja o exemplo mais conhecido de ascendência paterna no futebol brasileiro, já que Neymar também é o responsável por gerenciar as finanças do filho desde os tempos em que ele ainda era uma promessa na base do Santos. Mas, para Reginaldo Fino, um dos primeiros treinadores do camisa 10 brasileiro, a influência do pai foi um diferencial para que ele se tornasse um jogador bem-sucedido. “Neymar sempre teve confiança e tranquilidade para jogar, porque sabia que, fora do campo, seu pai cuidava de tudo.”
ElPais

Cinco coisas importantes que aconteceram no Brasil enquanto a bola rolava na Copa

Entre a vitória sobre a Costa Rica e o 2 a 0 contra a Sérvia, STF teve agenda agitada de sessões e Congresso deu sequência a PL dos Agrotóxicos 

Mascote da seleção na RússiaDireito de imagemLUCAS FIGUEIREDO/CBF

Enquanto as atenções se voltavam para as atividades da Seleção Brasileira em São Petersburgo e em Moscou, no entanto, muita coisa aconteceu no Brasil e no mundo.

O STF suspendeu o julgamento de Lula – e depois decidiu retomá-lo – e soltou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, enquanto o Congresso deu sequência à tramitação do PL (projeto de lei) dos Agrotóxicos.

A BBC News Brasil explica cinco notícias fora da Copa do Mundo que surgiram entre a vitória da canarinho sobre a Costa Rica e o 2 a 0 contra a Sérvia de quarta-feira, caso você tenha perdido.

Supremo, Lula, Dirceu e ‘máfia da merenda’

Na noite de sexta-feira, depois de o Brasil bater a Costa Rica, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin arquivou o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Lula e que seria julgado pela Segunda Turma da corte na terça-feira.

A defesa recorreu e, já na segunda-feira, o magistrado recolocou o pedido da pauta – mas o enviou ao Plenário do STF. Como foi dado prazo de 15 dias para a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifestar e o Supremo entra em recesso em julho, o julgamento deve acontecer apenas em agosto.

A mudança foi vista como desfavorável para o petista, preso em Curitiba desde 7 de abril, já que a Segunda Turma – composta pelos juízes Ricardo Lewandowski, Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello – hoje tem viés mais “garantista”, pois tende a dar mais peso em suas decisões aos direitos dos acusados no processo.

Já o plenário, formado pelos onze ministros, tem se mostrado bastante dividido quando discute direitos fundamentais dos réus.

Edson FachinDireito de imagem NELSON JR./SCO/STF
Fachin foi voto vencido na sessão desta terça da Segunda Turma do STF, que libertou Dirceu e suspendeu tramitação de processo contra o deputado Fernando Capez

Na terça-feira, em uma sessão com direito a prorrogação no segundo tempo – que se estendeu das 9 h até o fim da tarde -, a Segunda Turma concedeu liberdade ao ex-ministro José Dirceu, preso havia um mês, e suspendeu a tramitação de ação penal contra o tucano Fernando Capez (SP), acusado por envolvimento na “máfia da merenda”.

No caso do ex-ministro da Casa Civil de Lula, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski entenderam que há chances reais da pena de Dirceu, condenado em segunda instância por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, ser modificada em instâncias superiores – o que, se confirmado, significaria que sua detenção não seria correta.

Nos dois casos, o placar foi de 3 a 1 – Fachin votou contra e Celso de Mello estava ausente na sessão.

Projeto que libera agrotóxicos avança

Na segunda-feira, a comissão especial da Câmara aprovou o Projeto de Lei dos Agrotóxicos (PL 6299/2002), que segue para o Plenário da Casa.

O texto, que tem dividido ruralistas e ambientalistas, passou após oito tentativas de votação nos últimos meses (uma das sessões, em 20 de junho, foi interrompida porque um “artefato suspeito”, semelhante a uma bomba, foi encontrado na sala de votação).

Quem critica o projeto alega que ele aumentaria a disponibilidade de agrotóxicos no país, indo na contramão da Europa e dos EUA, que têm aprovado leis mais restritivas. A nova medida, dizem, favoreceria apenas os fabricantes dos químicos, facilitando a entrada de produtos possivelmente danosos à saúde e ao ambiente.

Os produtores, por sua vez, reclamam da demora na liberação dos agrotóxicos e dizem que, quando o governo autoriza a aplicação, os produtos já estão obsoletos. Os que defendem o projeto afirmam ainda que ele é mais eficiente e condizente com as normas internacionais de uso das substâncias.

Plantação e pesticidaDireito de imagem GETTY IMAGES
O PL 6299 foi originalmente proposto pelo ex-senador e atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT)

Uma das principais controvérsias é a ideia de que agrotóxicos só serão proibidos no país caso apresentem “risco inaceitável”, um conceito mais amplo que o estabelecido pela lei 7.802, de 1989, que proíbe substâncias que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas.

Outro ponto polêmico é a redução das competências de controle e fiscalização de órgãos como Anvisa e Ibama – que já se posicionaram publicamente contra o PL -, que perderiam parte das atribuições para o Ministério da Agricultura.

Os agrotóxicos não seriam mais avaliados e classificados por aqueles órgãos, que apenas homologariam a avaliação realizada pelas empresas registrantes de produtos agrotóxicos.

Até o nome que o Brasil dá a esses produtos entrou em discussão. Inicialmente, o PL sugeria que “agrotóxicos” fosse substituído por “produtos fitossanitários”. Em resposta à reclamação de opositores, o relator do projeto, deputado Luiz Nishimori (PR-PR), decidiu pelo termo “pesticidas”.

Inquérito contra Richa sai das mãos de Moro

Também na segunda, o juiz Sergio Moro encaminhou para a Justiça Eleitoral inquérito contra o pré-candidato ao Senado Beto Richa (PSDB).

Desde que renunciou ao mandato para concorrer e perdeu o foro privilegiado, em abril deste ano, o ex-governador do Paraná vinha sendo investigado na primeira instância por suposto caixa dois nas eleições de 2008, 2010 e 2014 exposto em delações da Odebrecht.

A defesa de Richa, entretanto, recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu que o inquérito deveria ser analisado pela Justiça Eleitoral.

Juiz Sergio MoroDireito de imagem MARCELO CAMARGO/AG. BRASIL
Moro repassou o inquérito de Richa à Justiça Eleitoral, mas pediu retorno do processo à primeira instância

No despacho, porém, Moro afirma que a competência é da Justiça Federal, já que os casos investigados não se tratariam “de mero caixa dois” e teriam indício de corrupção, e pede que os autos sejam devolvidos à 13ª Vara Federal para a continuação da análise dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.

Em abril, dias depois de perder o foro privilegiado, o ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, também escapou da primeira instância. No caso do tucano, o STJ enviou o inquérito diretamente para a Justiça Eleitoral do Estado, apesar do pedido da PGR para que fosse encaminhado pela Justiça Federal.

O ex-governador também é investigado por suspeita de ter recebido doações da Odebrecht que não teriam sido declaradas.

Vice-presidente americano visitou o Brasil

Na véspera da partida entre Brasil e Sérvia, o vice-presidente americano, Mike Pence, desembarcou no Brasil. A Venezuela foi o principal tema da reunião com o presidente Temer, mas a situação das 49 crianças brasileiras que estão atualmente em abrigos nos EUA – resultado da política migratória do país, que está sob intenso debate – também foi discutida pelos dois.

O vice-presidente americano aproveitou para passar um recado aos brasileiros que eventualmente cogitem imigrar ilegalmente para o país: “Não arrisquem as suas vidas ou a de seus filhos tentando entrar nos Estados Unidos via contrabandistas e traficantes de pessoas. Se não têm condições de entrar legalmente, não venham.”

Michel Temer e Mike PenceDireito de imagemEPA
‘Não arrisquem suas vidas ou a de seus filhos tentando entrar nos Estados Unidos. Se não têm condições de entrar legalmente, não venham’, disse o vice-presidente americano aos brasileiros

Adolescente morre baleado a caminho da escola no Rio

Dois dias antes de o Brasil jogar contra a Costa Rica, na quarta-feira, o adolescente Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, foi ferido em um tiroteio no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, durante uma ação da polícia contra o tráfico de drogas. Ele foi encaminhado para o hospital, mas morreu no dia seguinte.

O jovem foi atingido na barriga por uma bala perdida, enquanto caminhava para a escola, acompanhado da mãe.

Moradores de comunidades do Complexo da Maré, na zona norte da cidade, fizeram protestos após a morte do garoto e bloquearam trechos da avenida Brasil e das linhas Vermelha e Amarela.

Enterro do jovem Marcos Vinicius da SilvaDireito de imagemMAURO PIMENTEL/AFP/GETTY IMAGES
Enterro do jovem Marcos Vinicius da Silva, vítima de bala perdida enquanto ía para a escola

A ONU chegou a se pronunciar sobre o caso e, em comunicado divulgado nesta terça, lamentou a morte violenta do estudante, que alimenta a vergonhosa estatística de 31 homicídios de crianças e adolescentes por dia no Brasil.

O órgão destacou que adolescentes negros estão três vezes mais vulneráveis a mortes violentas do que brancos da mesma faixa etária.

“Lembrem-se: a Fifa era, e talvez ainda seja, uma organização criminosa”

O jornalista britânico Andrew Jennings diz por que não confia nas mudanças que ocorreram na organização e conta que o FBI continua investigando a Copa do Mundo e a Olimpíada

Se há um profeta do apocalipse da Fifa, seu nome é Andrew Jennings. O incansável jornalista investigativo de 75 anos se dedica há mais de duas décadas a perscrutar os dirigentes do futebol mundial. Revelou, entre outras coisas, as propinas de US$ 9,5 milhões dadas a Ricardo Teixeira e US$ 1 milhão ao ex-presidente da Fifa, e seu ex-sogro, João Havelange, para garantir à empresa de marketing esportivo ISL contratos de exclusividade em patrocínios da Copa do Mundo. O caso foi investigado pela Justiça suíça e se tornou um escândalo mundial.

Em 2009, Andrew colaborou com o FBI no inquérito que levou à prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa em Zurique, em 2015. Durante os meses que antecederam a Copa no Brasil, alertou que os brasileiros iam acabar pagando o pato.

Andrew é autor dos livros Jogo Sujo — o Mundo Secreto da Fifa e Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, da editora Panda Books, e colaborador da Pública desde a sua fundação. Nessa entrevista feita por Skype, ele mostra que mantém a ironia e o viço ao falar da Copa do Mundo na Rússia: “Tomara que o FBI faça uma operação antes do jogo inicial da Copa. Isso seria legal, não?”.

Olhando para a Copa do Mundo em 2014, no Brasil, o quanto a Fifa mudou desde então?

Muito pouco. Embora Sepp Blatter esteja agora suspenso e aguardando, e nos jornais suíços tudo o que ele diz é que não fez nada errado, vamos lembrar algumas coisas fundamentais. A Fifa era, e talvez ainda seja, um cenário de crime organizado. É disso que se trata: de uma conspiração para roubar as pessoas do que elas querem. E o Havelange, lembrem-se, se tornou um multimilionário graças ao futebol. Ele era absolutamente vigarista. É importante lembrar essas coisas para manter a perspectiva correta.

Por que você diz que a Fifa era, e talvez seja ainda, uma organização criminosa? Talvez os brasileiros já tenham se esquecido, já que faz quatro anos…

Eu não culpo os brasileiros. Acho que todo mundo esqueceu. E é por causa dos jornalistas esportivos – eles se concentram em quem chuta a bola para quem, como se fosse a notícia mais importante da cidade… E na verdade não é uma notícia importante, longe disso. Mas as pessoas precisam ser lembradas de que o FBI ainda está se concentrando na Fifa. Eu, no passado, também tive minhas desconfianças sobre o FBI. No entanto, o jogo deles tem sido totalmente limpo! Muita gente me pergunta: por que o FBI se envolveu nisso? Olha, idiotas: é um fato que todas as transações são em dólares. Se eu decido te dar uma propina ou te dar um presentinho em dinheiro – tudo isso vai ser aprovado pelo seu banco. E aí chega um valor de meio milhão, eles dizem: “Hello? Isso é interessante. Olha, essa pessoa é muito próxima da Fifa ou trabalha para a Fifa”. É assim que eles começam a trilha. E quando alguém me pergunta por que o FBI se envolveu com isso, eu respondo: por que a maioria dos repórteres não quer se envolver! Eu me pergunto o que pessoas como o Juca Kfouri andam dizendo, e espero que ele esteja ainda mandando ver.

Você acha que pode haver outra grande operação do FBI durante a Copa do Mundo?

Bem, nós podemos apenas ter esperanças, né? Tomara que seja agora, antes do jogo de abertura. Isso seria legal, não?

Com certeza haverá outra operação, só não sabemos quando, mas a investigação do FBI continua, porque um amigo meu foi entrevistado pelo IRS, o fisco americano, em São Diego, no fim do ano passado.

A Copa do Mundo de 2014 ajudou a mudar a visão que o mundo tem da competição?

Não tanto quanto a Olimpíada. A Olimpíada foi um desastre. E eu li uma reportagem interessante no New York Times, de uma jornalista — uma mulher, eu fico feliz em dizer — que entende bem o que está acontecendo, Rebecca Ruiz. Ela escreveu que  o FBI está sem sombra de dúvida investigando a corrupção que ocorreu na reunião de Copenhague em 2009 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Olimpíada em 2016]. Mas também estão olhando para a IAAF, a Federação Internacional de Atletismo, que organiza os votos para a Olimpíada.

Por que a Olimpíada foi desastrosa?

Eu acho que foi um desastre para o Rio. O Rio não tinha como arcar com aquilo. Os problemas financeiros do Brasil estavam apenas começando, mas o principal é que ninguém deveria pagar tanto dinheiro. E havia um grupo de… homens, claro, que surpresa! Todos homens, dizendo “ah, que espírito olímpico maravilhoso”, e pegando um monte de dinheiro para seus próprios bolsos. Eu sei que o Carlos Nuzman foi preso. Ele tem que ir a julgamento! Ele é o responsável pelos dois eventos asquerosos que o Brasil fez em 2014 e 2016. Ele está agora preso no Brasil… Boa sorte para ele!

Ele está sendo investigado em um processo relacionado à Lava Jato, que apura se o Brasil pagou propina para ser sede da Olimpíada…

Vamos torcer para que o Ministério Público brasileiro tenha tempo e espaço para fazer um grande julgamento, trazendo muita, muita informação sobre o caso.

Voltando à Fifa: quando você diz que pouco mudou, avalia que as medidas de transparência e investigações internas foram ineficientes?

Olha, eles expulsaram todos os executivos do comitê de 2010, eram 30 até o final da última semana. Mas todos os 29 do novo comitê, eu não confiaria neles de jeito nenhum. Porque há dois tipos de pessoas, como sempre. Tem os deliberadamente corruptos e os tolos. E eu conto os britânicos no segundo grupo, porque eles não participam da corrupção, não pegam dinheiro, são apenas muito estúpidos. Mas olhe o jeito que o Gianni Infantino está gerenciando a organização. Basta olhar para a quantidade de times que ele está incluindo, ele está tentando colocar 48 equipes em 2022. Quarenta e oito equipes! Sobrou alguma no mundo? Está ficando ridículo, essa é supostamente uma competição de elite, mas agora todo mundo pode ir… E o que elas vão fazer são duas coisas. Todos acabam envolvidos naquela mentalidade de “vamos ganhar dinheiro com isso”. E eles ganham viagens bacanas. São viagens realmente bacanas, eles vêm de países pobres, ou então são federações muito, muito duvidosas.

Você acredita que a inclusão de novos países facilita mais corrupção?

Ah, sim. Soa muito democrático: “Olha, tem um time de crianças jogando aqui na rua, vamos enviá-las para a Copa do Mundo”. Eles envolvem quanto mais nacionalidades for possível e nunca vão dizer “vocês não são bons o suficiente”. Agora, se você olhar para Moscou, olhe nos meus olhos e diga que a Rússia levou a Copa do Mundo sem pagar propina! Você não precisa ser muito esperto para saber que foi absolutamente corrupto. E não há nenhuma menção a isso. Ninguém diz “dane-se isso, não vamos tomar parte disso!”. Não, todo mundo vai competir na Rússia! E o Putin, todos os amigos dele ganham propina para construir os estádios, e os russos ainda vão dizer “oh, temos uma Copa do Mundo! Não é maravilhoso?”. Mas é asqueroso, absolutamente asqueroso. E se eles apenas deixassem o futebol em paz… É muito divertido!

Você vê uma relação entre a corrupção e a qualidade do futebol?

Muitos dos jogadores são inteligentes. São os caras que usam terno o tempo todo que não são de confiança. Os jogadores vão jogar bem no campo porque ganham para isso. Mas [a corrupção] perverte o jogo, as pessoas ficam desconfiadas. E sem necessidade! É por isso que precisamos de uma força independente para investigá-los. Desculpem, mas, quando os membros do FBI forem realizar uma operação, ninguém vai dizer “bem, eles estão bravos porque os americanos não se qualificaram”.

Eu fui a primeira pessoa que falou com o FBI, em 2009.

O que você disse a eles?

Os policiais listaram para mim os nomes das pessoas envolvidas no topo do mundo do futebol, um atrás do outro. E eu fui falando: “Corrupto, corrupto, corrupto, corrupto”. Eles foram muito sérios, estavam apenas absorvendo as informações. Depois, eles podem sair e ir checar tudo, porque eles têm seus meios. E alguma hora vão atacar. Que maravilha! O que é maravilhoso é que eles estão olhando o COI, a IAAF, e a Fifa! Pegaram o creme da gerência do atletismo mundial. Vamos lá, FBI!

No que você está trabalhando hoje em dia?

Eu mesmo não estou investigando a Copa do Rússia, porque, se as pessoas são estúpidas o suficiente para irem à Rússia, eu não posso fazer muita coisa. Mas em quatro anos tem o Catar. Eu vou ficar quietinho durante a Copa do Mundo, mas eu vou conseguir um tempo para falar durante a reunião da federação inglesa de torcedores. Vou começar pela base – que se dane o topo! Eu pedi para ir à conferência deles e falar por alguns minutos, e eles me mandaram a reserva na semana passada.

O que há de errado com a Copa do Mundo no Catar?

Mostre-me um lugar onde cresce grama no Catar e eu te chamo de mentirosa! Não cresce grama lá, só areia. Então eles tiveram que importar uma grama de plástico, sei lá o nome, e têm que construir todos esses estádios… E há a questão dos trabalhadores indianos, e também nepaleses, que recebem salários baixíssimos e não podem se organizar. E nós fingimos que não sabemos de nada.

Com o andamento das investigações no FBI e as mudanças na Fifa, você se sente realizado?

Eu acho que minhas investigações alcançaram muita coisa — fora do mundo habitado pelos jornalistas esportivos. Mas quem liga para eles? Como você sabe, a mídia está se retraindo, há menos e menos jornais sendo vendidos a cada dia, e no final eles vão ficar sem trabalho e eu não vou ligar nem um pouco, porque os sites, os blogs, é onde a investigação vai continuar. Eu escrevi dois livros sobre a Fifa, e cada um deles foi traduzido para 16 línguas, o que paga pelo meu café da manhã, então é bom, e fizemos seis edições do programa de jornalismo investigativo Panorama, que rodaram todo o mundo, também.

Minha última pergunta é como os brasileiros deveriam assistir à Copa do Mundo depois de tudo o que aconteceu?

Em geral eles vão ver como as partidas vão ser jogadas, como os jogadores vão competir. Eu não acho que os jogos vão ser roubados. Como vai ser na Rússia, se algo assim acontecer e os jornalistas esportivos não cobrirem, os jornalistas de verdade vão cobrir. Então, boa sorte! Tudo o que podemos fazer é continuar lutando.

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Natalia Viana é jornalista na Agência Pública.