Tópicos do dia – 11/02/2012

09:14:49
Futebol: Ceará X Fortaleza. Terrorismo?
Já disse aqui, inúmeras vezes que sou um dos poucos brasileiros que não entende nada, ou quase nada de futebol. Mas, entendo de lógica, e, como dizem os nordestinos, de “distrupiço”.
Ouça na Rádio Verdes Mares AM, continuo fiel ouvinte de rádio AM, a única mídia ainda em condições concorrer com a internet, o comentarista Wilton Bezerra anunciar as seguintes aberrações:
1. “Presidente da Federação de Futebol recomenda que torcedores não levem a família ao jogo.”
2. “Comandante da PM responsável pela segurança do evento diz que não levaria a família dele ao jogo.”
Meu Deus! Se vero, onde estará o fundo do poço?

09:39:39
Lula e Carnaval.
Leio no jornal: “Gaviões da Fiel contarão a trajetória de Lula”.
Tinha que acabar em samba mesmo. Né não!

10:28:08
Brasil: da série ” O tamanho do buraco”.
Recebo informação, sem confirmação, porém a fonte tem credibilidade, que a Prefeitura de Fortaleza gastou com propaganda, a “mincharia” de  R$127 milhões de reais, do seu, do meu, do nosso sofrido “caraminguá”.
Esse ervanário seria suficiente para:
1. Construir 10, DEZ centros profissionalizantes e de lazer. Ou;
2. Construir 02, DOIS hospitais de médio porte.
PS 1. Alguém avise à senhora prefeita que Outubro está logo ali!
Ps.2. O que será que os donos de agências de publicidade, e a mídia, que veícula a publicidade têm a dizer? Ganha um livro autografado do Sarney – mas terá quer lê-lo e fazer análise crítica – quem conseguir uma resposta.

10:49:41
Carnaval da Bahia: bandidos garantem a esbórnia.
Piada o verdade, continuará trágico.
Telefone toca.
– Alô? Jurandir?
– Colé.
– A porra inchou. Falei agora com Pé de Bode, que tá na cela da Mata Escura preso com o Prisco.
– E daí?
E daí que o cara é quente , véi…e disse que a PM não vai recuar não e que não vai ter carnaval mermo.
– Puta que pariu! Tá maluco, esse viado?
– É mermão. Fudeu.
– Fudeu o caralho. É assim, é? Que porra é essa de acabar com o carnaval? Quem esse fdp pensa que é?
– Já tá foda se virar nessa greve… o movimento caiu. Os bares vazios, a rua vazia…lojista se queixando de faturamento…nosso faturamento também caiu! Não tem gente na rua pra gente roubar… Na Ilha do Rato não tem câmera de vídeo nem fotografia pra vender…não tem turista, véi…
– Não mexa no meu carnaval, não… Porra ! Vamo perder dinheiro pra carai…
– Foda que a gente não vai pular, né, véi? Porque a gente trabalha mas também se diverte nessa porra.
– Porra, vai todo mundo se fuder… Minha tia Nalva, que me criou passou 8 horas num sol da porra pra se cadastrar pra ambulante, meu primo Nel tá com um sucesso pra estourar numa banda de pagode e aquela prima gostosa de Nova Brasília, sabe? Tá concorrendo a Musa do Carnaval…Essa greve vai fuder com a cadeia produtiva da minha família.
– Porra, véi: Ivete broca… Tem que cantar nessa porra! Como é que a gente fica sem a pipoca do Chiclete, véi? Meus menino querem ir ver Carla Perez, mermão. Essa porra vai quebrar minha guia…
– Porra, mermão, eu sou baiano nessa porra; não mexa no meu carnaval, não… essa porra é patrimônio. Esses fdp tão querendo roubar a gente… perái… sou bandido, mas sou baiano: ninguém acaba com o meu carnaval, não.
– Resolve essa porra, Jurandir… liga pros caras e negocia.Você conhece quase todo mundo da polícia. Liga pro Muqueta, pro Quebra-Cela… a galera do governo não tá acertando…
– Peraí, que eu tive uma ideia do caralho. A PM mostrou o lado bandido e, pra salvar o negócio, agora a bandidagem vai mostrar seu lado cidadão…
– Hã?
– Para garantir o carnaval de Salvador a bandidagem vai entrar em greve. Pronto. Sem bandido, esses filhos da puta não vão fazer falta nenhuma. Golpe de marketing.
– Porra, Jurandir, você é o cara. Fala bonito pra porra… Já tô até vendo o Willian Bonner dando a notícia…
– Porra de Willian Bonner… já tô vendo aquela morena gostosa nova falando:
“Bandidos entram em greve e salvam carnaval de Salvador”.
– Porra, me arrepiei … fechado.
– Deixa de viadagem e desliga logo essa disgrama, que eu vou ligar pros caras. Tá resolvido. Pode avisar pra galera que, se depender dos bandidos, o carnaval tá salvo.
por: Ana Luisa Almeida


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Tráfico e tráfico. A farsa cultivada

As perguntas que não querem calar são: o que virá depois? As forças armadas ocuparão permanentemente as “comunidades” da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão? Quais os planos para recuperar as relações sociais deterioradas dessas populações? O que vai acontecer com o “espetáculo” dos desfiles das escolas de samba, descaradamente financiadas pelos bicheiros, leia-se, crime oreganizado? Quando o indignado e revoltado povo carioca irá boicotar a ostensiva contravenção que exibe suas garras de plumas e paetês no sambódromo? Quando será que alguma ou qualquer autoridade vai ter coragem de dizer com todas as letras que a culpa desse estado paralelo é do viciado?
Não adianta colocar a culpa em Dilma, FHC, Pedro Álvares Cabral ou Ramsés. Sem demanda não existe oferta. Simples assim.
O Editor


O inimigo agora é o mesmo

O governador do Rio declarou que os traficantes estão desesperados.
Enquanto isso, o porta-voz da Polícia Militar orientava a população a manter a calma durante os ataques da bandidagem, explicando que é melhor perder o patrimônio do que a vida.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

E assim, com os bandidos em pânico e a população em paz, o Rio de Janeiro e o Brasil celebrarão mais uma vitória dos seus Napoleões de hospício contra o crime.

Foram décadas de investimento público na formação do exército de marginais. Proibição de drogas altamente rentáveis, tolerância populista aos territórios das “bocas de fumo”, polícia corrupta garantindo o ir e vir da cocaína e dos fuzis, governantes fazendo acordos tácitos com chefes de morro em nome da paz e dos votos. De repente, as autoridades resolvem melar o jogo — ou a parte mais visível dele.

A ocupação policial de favelas, enxotando traficantes, foi uma medida ousada. Só faltou combinar com a indústria da delinquência, alimentada a pão-de-ló por tanto tempo.

Para o público, que se sente vingado pelo Capitão Nascimento quando ele espanca um político na tela do cinema, está tudo OK. As coisas são simples assim. O ideal seria que Wagner Moura assumisse o lugar do secretário Beltrame e acabasse de vez com a raça dos vilões — cuja vocação é essa mesma, apanhar.

O problema é que na vida real o roteiro é diferente. Não basta dizer que o inimigo agora é outro e ensinar o pessoal a detestar as milícias enquanto come pipoca. O inimigo agora é o mesmo — exatamente aquele que o poder público cultivou carinhosamente por uns 30 anos, com a hipocrisia bilionária das drogas proibidas e da inundação das favelas com armamento de última geração (que ninguém sabe, ninguém viu por onde passou).

Uma indústria robusta, que teve até blindagem ideológica: a claque do Capitão Nascimento chegou a apontar, como vilão da violência urbana, o maconheiro do Posto Nove.

Até Michael Jackson pediu autorização ao tráfico do Morro Dona Marta para filmar seu clipe mundial. O Rio de Janeiro e o Brasil assistiram, consentiram, dançaram conforme a música. O poder marginal virou uma instituição em solo carioca.

Na dinastia Garotinho, o antropólogo Luiz Eduardo Soares tentou depurar a polícia e quebrar a espinha dessa indústria. Foi expelido. Seu pecado: atacar a cadeia de complacências jamais quebrada por qualquer governo do Rio ou de Brasília.

De repente, como no cinema, vem a ordem: vamos invadir. Um ato heroico do governador Sérgio Cabral e de seu respeitável secretário de Segurança. Apenas um ato heroico.

Quem quebrou a espinha da indústria “Drogas & Armas S.A.”? Quem asfixiou seu poder de fogo (econômico e bélico)? Quem interveio para valer nas polícias fluminenses, madrinhas e sócias da firma? Não se tem notícias. Com quantos soldados confiáveis se finca UPPs suficientes para empurrar o poder marginal sabe-se lá para onde? Melhor convocar o exército chinês.

As autoridades do Rio de Janeiro iniciaram, com amplo respaldo do eleitorado, uma guerra que não sabem como vai terminar.

Foi interessante ver alguns morros libertados do tráfico. Não foi interessante ver a proliferação de arrastões em áreas nobres e relativamente tranquilas da cidade. O que é pior?

No cardápio das escolhas de Sofia, surge a onda de atentados. Quem já foi arrancado de seu carro para não tostar junto com o patrimônio não está achando a menor graça nesse “Tropa de Elite 3”. Qual é o final possível desse filme?

O Bope vai tomar a Rocinha numa batalha sangrenta e ficar lá para sempre? O tráfico, conformado, vai desistir dos territórios e das armas e se mudar pacificamente para a internet? Mais fácil o Rio virar Bagdá.

Não se combate um sistema criminoso enraizado no Estado com um punhado de operações policiais estoicas. Na Itália, a operação Mãos Limpas parou o país. No Brasil, o governo federal sequer se envolve. No máximo, tem espasmos de solidariedade e empresta umas tropas para o teatro de operações.

A pouco mais de um mês de sua posse, a presidente eleita não dá uma palavra sobre a guerra. Parece estar preparando a transição para governar a Noruega.

Possivelmente Dilma Rousseff esteja sendo orientada por seus marqueteiros a ficar longe das chamas do Rio. É o que os especialistas chamam de “evitar o desgaste”. Desgaste mesmo é entrar num ônibus que pode virar um microondas na próxima esquina. Mas esse calor não chega até Brasília.

Os estrategistas do novo governo estão muito ocupados com temas mais urgentes, como a cota de mulheres no ministério. O show tem que continuar (com CPMF, que ninguém é de ferro).

Enquanto isso, o Rio se firma como capital nacional de um flagelo internacional, torcendo pela TV para que o Capitão Nascimento apareça no “Jornal Nacional” enxotando todos os bandidos da tela.

Quem sabe o super-homem não aparece também, com um plano nacional de segurança pública?

Guilherme Fiuza/O Globo