Coronavírus pode causar tragédia nos campos de refugiados na Grécia

Enquanto médicos alertam para risco de tragédia se vírus se espalhar pelos campos de refugiados, Atenas parece usar situação para impor sua linha política. Há cerca de 100 mil requerentes de refúgio no país, diz governo.

Voluntários da ONG Team Humanity distribuem máscaras no superlotado campo de refugiados de Moria

A situação está de novo calma em Kastanies, um pequeno vilarejo grego perto da fronteira com a Turquia. Antes da epidemia de corona, Kastanies estava no centro dos acontecimentos na Europa.

Depois de a Turquia abrir a fronteira para a União Europeia (UE), no fim de fevereiro, milhares de refugiados se concentraram atrás da cerca na fronteira em Kastanies. Eles queriam ingressar em território europeu.

Agora reina a calma no local. “Eles queimaram as barracas”, diz o subprefeito Stavros Tzamalidis. “Não sabemos por que eles retiraram os imigrantes de uma hora para a outra. Talvez por causa do coronavírus, ou porque [o presidente Recep Tayyip] Erdogan se cansou e queria mudar de situação.”

Kastanies é um local calmo. Visitantes vindos da Turquia atravessam a fronteira por algumas horas para comer e beber bebidas alcoólicas, que ficaram caras do lado turco sob o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Para Tzamalidis, a relação entre os dois países está em crise. “É difícil voltar ao cotidiano depois de acontecimentos tão dramáticos. Mas é claro que os nossos amigos do outro lado continuam sendo nossos amigos. Nosso problema não é com as pessoas.”

Parece haver motivos para os gregos desconfiarem dessa repentina chegada em massa de refugiados na fronteira. A imprensa alemã publicou que o serviço secreto BND acredita que a ação foi organizada pelo governo em Ancara. Os ônibus que levaram os refugiados de volta foram os mesmos que os trouxeram até a cidade de Edirne, no lado turco da fronteira. Um pouco mais ao norte, na fronteira com a Bulgária, nada aconteceu.

Erdogan teria escolhido a Grécia de propósito, por esperar contar com um fortalecimento do fervor nacionalista grego que acirrasse ainda mais uma situação que já é crítica nas ilhas gregas.

O plano era evidenciar o fracasso da política comum para refugiados da União Europeia e assim chantageá-la, com o objetivo de envolver a Otan no conflito sírio, ao lado da Turquia.

A imprensa mundial foi o palco escolhido por Erdogan para a sua manobra. As tensões aumentaram entre os exércitos grego e turco. E aí veio a crise do coronavírus, que passou a dominar todas as atenções, inclusive da imprensa internacional, e a estratégia de Erdogan foi por água abaixo.

O vírus, por assim dizer, acabou com as tensões na fronteira entre a Turquia e a Grécia – ao menos por enquanto.

A Turquia tem, oficialmente, cerca de 4 milhões de refugiados. Extraoficialmente são muito mais.

Na Grécia, segundo números do governo, há cerca de 100 mil requerentes de refúgio, dos quais 41 mil nas ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Ledos e Kos.

Uma delas é Somaya, de 20 anos, natural do Afeganistão. Ele vive no campo de Moria, num alojamento resistente às intempéries. Poucos recebem esse triste luxo.

Campo de refugiados de Moria: muitos dos que vivem no local estão com medo do coronavírus

Ao redor do campo surgiu uma cidade de lona, apelidada de “selva”, onde a grande maioria dos cerca de 21 mil refugiados da ilha de Lesbos mora em barracos de lona e papelão. “Está fazendo muito frio. A vida é dura. E choveu muito”, resume Somaya.

Muitas pessoas estão com medo do coronavírus, diz ela. “Quase não temos água, e os refugiados aqui não sabem o que está acontecendo. Podemos nos infectar? Eu me preocupo.”

Somaya resolveu fazer algo e apoia, como voluntária, a organização humanitária dinamarquesa Team Humanity. Ela ajuda a distribuir comida e roupas. Mas, no momento, o foco está no combate ao novo coronavírus. Máscaras estão sendo confeccionadas e distribuídas pelo campo de refugiados, além de sabão e folhetos informativos.

Há duas semanas, o governo em Atenas distribuiu um catálogo de 12 pontos sobre o comportamento nos campos de refugiados em tempos de coronavírus. Visitas ou atividades dentro do campo foram suspensas. Os moradores devem se locomover dentro do campo apenas quando realmente necessário. Saídas para compras devem ser feitas apensações por um membro da família, que é levado para os mercados num ônibus da polícia. Um toque de recolher passa a valer depois das 19h.

Novas proibições impedem os refugiados de sacarem dinheiro em caixas automáticos nos vilarejos das proximidades. O governo anunciou que vai instalar caixas automáticos dentro do campo, mas não deixou claro quando.

O quinto ponto do catálogo pede às pessoas para que se atenham às regras de higiene. O médico Apostolos Veizeis, da ONG Médicos sem Fronteiras, pergunta-se como. “Está tudo lotado. A situação é ideal para a propagação da covid-19. O lixo não é mais recolhido há meses. Mais de 1.300 pessoas dividem uma torneira. Muitas pessoas nem mesmo têm acesso à água, energia elétrica e banheiros e fazem suas necessidades ao ar livre.”

Máscaras estão sendo confeccionadas e distribuídas pelo campo de refugiados de Lesbos, além de sabão.

O governo grego silencia perante as críticas. Questionamentos feitos pela DW sobre como as medidas serão implementadas nos campos, se há planos concretos de evacuação e se as pessoas estão sendo testadas para o novo coronavírus não foram respondidos.

Veizeis diz que as medidas contra o coronavírus nos campos de refugiados são hipocrisia. Elas visam sobretudo a proteção da população local e discriminam os refugiados, que são entregues à própria sorte. Em toda a ilha de Lesbos há apenas cinco leitos de UTI, e em Samos, apenas dois. Três médicos do Ministério da Saúde precisam atender 20 mil pessoas em Moria e quase não dispõem de medicamentos e material.

O médico acredita que o governo grego usa o vírus para impor a própria linha política. “Eles dizem que é hora de ser cuidadoso, e que o mais seguro é manter os refugiados em campos fechados, um conceito que eles já tentavam impor.” Organizações de direitos humanos, a União Europeia e até a população local criticavam duramente o governo em Atenas por causa dos campos de refugiados fechados.

Veizeis faz um alerta. “Se o vírus se espalhar pelos campos de refugiados, estaremos diante de uma tragédia.” Nesta quinta-feira (02/04), o governo em Atenas comunicou que ao menos 21 pessoas foram infectadas no campo de Ritsona, nas proximidades da capital grega. O campo, onde vivem cerca de 2.200 refugiados, foi posto sob quarentena.

Turquia e Alemanha:Por que Erdogan tem tanto apoio na comunidade turca na Alemanha?

Presidente vem de família simples e religiosa, como a geração dos primeiros imigrantes turcos que foram trabalhar na Alemanha. É, além disso, o homem que levou certa segurança ao instável país que eles deixaram.

Manifestação a favor de Erdogan em Colônia

Manifestação a favor de Erdogan em Colônia

“Frequentemente critico Erdogan de forma muito clara, mas não esqueço das melhorias que ele trouxe para a Turquia desde 2002, após a sua eleição como presidente”, diz a cientista política turca Talat Kamran.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Muitos membros da comunidade de origem turca se sentem como Kamran, que nasceu na Turquia em 1959 e cresceu na Alemanha. Para eles, Erdogan é o homem que limitou o poder dos militares na Turquia, que trouxe o crescimento econômico, impulsionou fortemente urbanização e modernização.Por isso, querem que ele continue no poder.

Desde 1996, Kamran dirige o Instituto de Mannheim para Integração e Diálogo Interreligioso, trabalhando para alcançar um melhor entendimento entre muçulmanos e cristãos, entre alemães e turcos. Ele critica a forte personalização atual e pede mais serenidade.

“A visão crítica alemã sobre Erdogan não é errada, mas ela não leva as perspectivas turcas em consideração”, critica, acrescentando que muitos, especialmente os jovens turcos, não só querem fortalecer o presidente enquanto personalidade, mas também dar um exemplo para a democratização.

“É claro que o processo de democratização na Turquia ainda não está concluído, mas as pessoas querem ir mais longe e veem em Erdogan uma figura forte. Porque o povo teme uma guerra civil como no Iraque ou na Síria”, completa.

Pessoas simples do campo

Kamran também lembra da história turca desde o golpe de Estado de 1980. Cada vez mais pessoas das regiões mais pobres da Anatólia se mudam para as cidades grandes e se tornam um contrapeso claro para a elite urbana.

“Muitos turcos alemães têm suas raízes na Anatólia. Eles consideram Erdogan como um deles”, diz Kamran.

Erdogan realmente vem de uma família simples, religiosa, como a geração dos primeiros imigrantes turcos que vieram trabalhar na Alemanha.

Para Bülent Bilgi, secretário-geral da União Democrata Turco-Europeia (UETD), a irritação de muitos turcos com a cobertura da mídia alemã explica porque a agora as segunda e terceira gerações de turcos na Alemanha fazem campanha de apoio a Erdogan. Eles se concentraram mais no golpe e na perspectiva de um Erdogan enfraquecido do que em comemorar a suposta vitória da democracia sobre o golpe.

Ato de apoio ao presidente turcoAto de apoio ao presidente turco: muitos consideram Erdogan como um deles

Orgulho nacional

Generation Erdogan (geração Erdogan, em tradução livre) é o título do livro escrito pela jornalista Cigdem Akyol, segundo o qual Erdogan tem, sobretudo, o apoio dos muçulmanos sunitas, que constituem a maioria conservadora da sociedade.

Quando na mídia alemã as pessoas se perguntam como é possível que alguém possa achar bom quem ameaça adversários e restringe liberdade de imprensa, Cigdem Akyol pede que os alemães deixem de ver o problema só a partir de seu próprio prisma. Depois de quatro golpes militares, a Turquia experimenta uma longa ´.

“As pessoas são gratas a Erdogan por causa disso”, observa a autora. Antes secularistas também olhavam com desdém para mulheres portadoras de véu islâmico que limpavam os banheiros das elites.Sob Erdogan, isso mudou significativamente. Até mesmo a mulher de Erdogan veste véu islâmico.

“Erdogan deu aos turcos novamente orgulho nacional, isso também agrada muitos dos 1,5 milhões de turcos alemães”, explica Akyol.

Perspectiva turca

Ludwig Schulz, especialista em Turquia do Instituto Alemão do Oriente, em Berlim, confirma que muitos turcos alemães veem o fracasso do golpe sobretudo como um sucesso da sociedade turca e da democracia.

Schulz atribui o orgulho nacional e o apoio a Erdogan também ao fato de que muitos cidadãos de origem turca se informam majoritariamente através da mídia turca pró-governo.

Em todas as conversas com especialistas em Turquia, sempre é lembrado que nem todos os turcos alemães são adeptos de Erdogan. Roy Karadag, cientista político da Universidade de Bremen, por exemplo, disse em entrevista ao jornal Die Welt que “entre turcos alemães, existem cada vez mais conflitos sobre quem realmente pode falar, agir e mobilizar em nome deles”.

O UETD quis mostrar, através da grande manifestação realizada em Colônia no fim de semana, que a maioria dos turcos alemães está do lado de Erdogan. As discussões continuam e são agravadas pelo aumento das tensões no relacionamento turco-alemão. O presidente nacional da Comunidade Turca na Alemanha, Gökay Soufuoglu, disse à revista Focus: “Há um racha na comunidade. Amizades são desfeitas, e há problemas mesmo dentro das famílias.”
DW

Turkia e quebra do Estado Democrático de Direito

A quebra do Estado Democrático de Direito sempre termina nisso:

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Erdogan, Merkel e Obama

“Presidente” da Turquia demite militares, prende centenas de generais e fecha veículos de imprensa.
Ancara determina o fechamento de mais de 130 meios de comunicação, além de emitir mandados de prisão para jornalistas. Autoridades turcas também ordenam a demissão de centenas de membros das Forças Armadas do país.
Ps1. Um foto de Saladin para quem me convencer que o “golpe de Estado” que envolva tantos conspiradores, tenha sido urdido sem que os serviços de inteligência do governo não o houvesse detectado, e impedido, com antecedência.
Ps.2. Quem ou que será que estará por trás?

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