Tecnologia,Energia Eólica,Ciêcia,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Os potenciais conflitos entre eólica e conservação da Caatinga

Energia Eólica,Ciência,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01A Caatinga é a maior e mais diversificada floresta seca das Américas, mas também abriga mais de 70% da capacidade instalada e da expansão planejada da energia eólica no Brasil. Ambas as potencialidades, se não geridas corretamente, correm o risco de se tornarem conflitantes, pois uma grande proporção de parques eólicos em operação ou planejados estão ou serão instalados em áreas classificadas como de prioridade muito alta ou extremamente alta para a conservação da biodiversidade.

Esse é o alerta do artigo Green versus green? Adverting potential conflicts between wind power generation and biodiversity conservation in Brazil (Verde versus verde? Evitando potenciais conflitos entre geração de energia eólica e conservação da biodiversidade no Brasil, em português), recentemente publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation. Felipe Melo, professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e um dos autores do artigo, concedeu entrevista para ((o))eco, esclarecendo sobre a necessidade de diálogo e estratégias para evitar conflitos entre conservação e geração de energia limpa.

O Eco: Qual a importância da Caatinga para a geração de energia eólica no Brasil? Por que a região é tão visada pelo setor eólico?

Felipe Melo: Cerca de 78% de toda a geração eólica do Brasil se concentra na Caatinga e esse valor tende a subir no futuro para mais de 80%. Essa concentração se deve ao predomínio de ventos fortes nessa região, concentrados em dois principais eixos: a Serra do Espinhaço e suas prolongações até a Chapada do Araripe e a franja litorânea entre Rio Grande do Norte e Ceará. Portanto é uma condição natural da região Nordeste do Brasil que está dominada pela Caatinga e possui as zonas com maior potencial eólico do Brasil.

Quais os principais motivos de haver sobreposição entre áreas de interesse para instalação de aerogeradores e áreas prioritárias para conservação?

“Haver sobreposição entre áreas de interesse para conservação e geração eólica não deveria ser um problema em si, mas poderia ser visto como uma dupla oportunidade, para gerar energia limpa e conservar a biodiversidade”.
Haver sobreposição entre áreas de interesse para conservação e geração eólica não deveria ser um problema em si, mas poderia ser visto como uma dupla oportunidade, para gerar energia limpa e conservar a biodiversidade. Mas no artigo mostramos que tem sido o contrário. Ao longo desses dois principais eixos de interesse eólico estão ecossistemas sensíveis como aqueles associados a ambientes montanhosos e dunas litorâneas, portanto precisam de proteção e criação de unidades de conservação. Por outro lado, as UCs podem representar um entrave para o estabelecimento de eólicas, especialmente por exigências de estudos de impacto mais detalhados e compensações ambientais mais importantes. A geração de energia, como todo negócio que visa lucro, procura manter os custos baixos e enxergam no cumprimento de condicionantes ambientais um custo alto. Este é o problema e não a sobreposição em si.

A implantação de aerogeradores causa quais tipos de impactos negativos? Em quais termos a geração de energia eólica representa um risco para a conservação da Caatinga?

Em Pernambuco, o estado praticamente retirou a proteção permanente de áreas de altitude com o explícito intuito de favorecer eólicas. O Boqueirão da Onça [na Bahia] passou anos “de molho” porque muitos interesses atuam na zona, incluindo os das eólicas. Ainda sabemos pouco sobre os impactos das eólicas ao meio ambiente, mas já sabemos que são mais severos sobre a fauna alada: aves e morcegos, que se chocam com as pás das turbinas. Ainda, como toda obra de infraestrutura, muitas vezes é necessária a abertura de estradas novas e construção de torres de transmissão. Hoje, sabemos que mais infraestrutura humana leva a mais degradação dos ecossistemas, principalmente em países subdesenvolvidos como o Brasil. Temos também os impactos sobre as pessoas e conflitos com populações tradicionais como mostramos que acontece na Ponta Tubarão, no Rio Grande do Norte. Portanto, o maior risco que a geração de eólicas representa para a Caatinga é o de se colocar em oposição à proteção ambiental desse ecossistema em vez de apoiar sua conservação como partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento sustentável. A geração eólica é um negócio majoritariamente privado e o empresariado brasileiro ainda tem pouca tradição de participar de agendas de conservação.

Vista aérea do parque eólico de Novo Horizonte, na Bahia. Foto: PAC/ Flickr.
Quais as formas de evitar os conflitos gerados pela expansão da energia eólica sobre áreas de importância para a conservação? É possível uma coexistência verdadeiramente sustentável?

Sabendo que há sobreposição das áreas de interesse, pois há mapas de priorização tanto para a conservação quanto para o potencial eólico, deve-se promover o diálogo e entendimento para que essas áreas cumpram com todo seu potencial e não só o de ser UC ou de ser geradora de energia eólica. Por exemplo, as compensações poderiam ser no sentido de criação e implementação de áreas protegidas nas zonas afetadas por eólicas. Acredito que a geração de energia eólica e a conservação da Caatinga podem ser partes da mesma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável, mas não podemos tomar por inerte a instalação de centenas de turbinas eólicas numa “fazenda”. São forças poderosas economicamente que, sem diálogo, podem contrapor conservação e geração de energia limpa, como já aconteceu.

Tecnologia,Energia,Energia Solar,Energia Eólica,Meio Ambiente,Ecologia,Sustentabilidade,Nigéria

Nigeriano cria fusca elétrico movido a energia solar e eólica

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Estudante da Universidade de Obagemi Awolowo, Segun Oyeyiola converteu um fusca movido a combustível fóssil (como todos os outros) em um veículo abastecido por energia solar e eólica — perfeito para o clima da região em que ele mora!

O projeto custou US$ 6 mil e contou com muitas doações da família e colegas, que deram ao nigeriano materiais que iriam para o lixo ou que, sozinhos, não tinham mais utilidade nenhuma para os donos. Isso prova que qualquer um consegue fazer a diferença com um pouco de conhecimento e esforço!

Com um painel solar gigante no teto e uma turbina eólica embaixo do capô, o carro também foi equipado com um sistema de suspensão, para garantir que o veículo aguente o peso de tanta tecnologia. Em entrevista ao site FastCoExist, o rapaz falou que quer “reduzir a emissão de dióxido de carbono que piora o aquecimento global e as mudanças climáticas”.

Atualmente, a bateria do fusca sustentável leva cinco horas para carregar completamente, mas Segun ainda está trabalhando no modelo e pretende realizar melhorias. Todo esforço vale a pena! O estudante demorou para juntar todo o material necessário para montar o fusquinha e ainda teve que lidar com os críticos que acreditavam que ele estava perdendo tempo — vê se pode!

Energias solar e eólica ganham competitividade

Em âmbito global, custos de painéis e turbinas caíram acentuadamente nos últimos anos. Segundo agência internacional, preços devem diminuir ainda mais devido ao progresso tecnológico e à evolução do mercado.

Turbinas eólicas ao pôr do sol

Ao longo dos últimos sete anos, os preços dos painéis solares fotovoltaicos baixaram cerca de 80%, e os das turbinas eólicas, entre 30% e 40%. E os valores deverão cair ainda mais em todo o mundo, aponta o relatório The Power to Change, divulgado pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês) nesta quarta-feira (15/06) em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O custo médio da eletricidade gerada por usinas eólicas localizadas em terra (onshore) poderá se reduzir em 26%, até 2025, e a de painéis solares, em 59%. Isso significa que o preço da eletricidade cairá para 0,04 a 0,05 euro por quilowatt-hora (kWh), na média mundial. Desse modo, as fontes renováveis estarão muito mais em conta do que energia gerada a partir de reatores nucleares e de usinas termelétricas.

“Já tivemos uma redução de custos drástica nos últimos anos, e este relatório mostra que os preços deverão cair ainda mais, graças ao progresso tecnológico e à evolução do mercado”, analisa Adnan Z. Amin, diretor geral da agência.

“A luz solar e o vento já são as fontes mais baratas em muitos mercados ao redor do mundo. Por razões econômicas, a nova redução de custos reforçará a tendência da passagem da energia gerada por combustíveis fósseis à das fontes renováveis.”

Gráfico mostrando progressão do preço de energias eólica e solar

Energia eólica tem custos mais competitivos

A energia gerada por turbinas eólicas onshore já é muito barata. Segundo o relatório, na média global, a geração de eletricidade a partir de aerogeradores em terra mais modernos custa 0,07 dólar (0,057 euro) por kWh.

Os responsáveis pelo estudo calculam que esses custos poderão cair 26% até 2025, devido ao barateamento adicional da produção, construção e manutenção; ao contínuo desenvolvimento do know-how local; e às instalações mais eficientes, com maiores turbinas, torres e rotores. Na média global, um quilowatt-hora de fonte eólica ficaria em apenas cerca 0,04 euro – enquanto a eletricidade gerada pelas novas usinas termelétricas a carvão atualmente custa mais do que o dobro na Europa.

Segundo estimativa dos autores, haverá também uma grande redução de custos da energia gerada em parques eólicos localizados no mar (offshore).

Os primeiros parques eólicos offshore estão em funcionamento sobretudo na Europa, mas a tecnologia ainda é relativamente recente, e sua participação na capacidade eólica global é de apenas 3%.

Em comparação, a produção no mar é ainda relativamente cara, custando mais do que o dobro da geração de energia eólica onshore. Contudo, também aqui, os custos deverão cair de forma substancial, devido ao tamanho maior das usinas e ao aperfeiçoamento contínuo da complexa tecnologia necessária à instalação e manutenção.

Com isso, a eletricidade proveniente dos parques eólicos offshore deverá ficar 35% mais barata na média global, estimam os especialistas.

Parque fotovoltaico em Templin, Alemanha

Parque fotovoltaico em Templin, na Alemanha

Energia fotovoltaica ainda mais em conta

A produção de eletricidade por meio da energia solar fotovoltaica vive uma dinâmica quase inacreditável. Em 2010, custava ainda entre 0,25 e 0,35 euro/kWh, porém cinco anos mais tarde já era dois terços mais barata: 0,107 euro por kWh, na média global.

Graças a uma produção e a módulos fotovoltaicos mais eficientes, a redução de custos continua em ritmo acelerado: segundo dados da Irena, os custos da energia solar poderão diminuir 59% na média global até 2025, chegando a menos que 0,05 euro/kWh.

Para demonstrar quão barata pode ser a eletricidade proveniente da luz solar, os autores mencionam um grande parque solar a ser construído nos Emirados Árabes Unidos.

No segundo trimestre de 2016, a operadora de energia de Dubai recebeu uma oferta para produzir lá energia solar por 0,025 euro/kWh, um preço considerado recorde, em nível mundial.

As usinas termossolares, por sua vez, ainda não conseguiram acompanhar o boom da energia fotovoltaica. Em vez de converter a luz solar diretamente em eletricidade, elas aquecem água por meio de espelhos, e o vapor resultante aciona um gerador de eletricidade, como numa usina convencional.

As usinas termossolares se localizam principalmente em regiões desérticas. A grande vantagem é que também armazenam energia e podem produzir eletricidade durante a noite. Segundo o relatório da agência Irena, aqui os custos podem cair cerca de um terço.

Clima precisa da política

Analistas da Bloomberg New Energy Finance também apostam numa queda significativa nos preços da energia eólica e solar. Em seu estudo New Energy Outlook 2016, publicado dois dias antes do relatório da agência internacional, eles preveem uma redução de 41% dos custos de produção de energia eólica onshore, até 2040,e de cerca de 60% para a fotovoltaica.

Os especialistas acreditam que, até essa data, serão investidos nessas tecnologias renováveis 6,4 trilhões de euros, contra apenas 1,7 trilhão de euros na produção de energia em usinas de carvão e gás. Ao mesmo tempo os especialistas enfatizam que esses números não são suficientes para atingir os objetivos climáticos: para limitar o aquecimento global em 2ºC, os investimentos em energias renováveis deveriam ter um volume aproximadamente 70% maior.

Comparada às previsões da Bloomberg, na avaliação da Irena a redução de custos de produção da energia eólica e solar fotovoltaica poderia ser mais rápida. No entanto os especialistas da agência internacional enfatizam repetidamente em seu relatório o termo “poderá”, e a importância da política.

“Para continuar com a transição energética, devemos agora colocar o foco político em reduções de custos ainda maiores e, assim, aproveitar as enormes oportunidades econômicas”, aponta Amin, mostrando-se convencido de que a meta é viável.

“Os vencedores desta transformação são os consumidores, o ambiente e as gerações futuras.”
DW

Por que as gigantes da tecnologia estão investindo em energia solar e eólica?

Apple, Amazon e Google estão entre as empresas de tecnologia enveredando para o ramo do fornecimento de energia.

Usina de energia solarImage copyrightGETTY IMAGES

A maioria das pessoas vê a Apple como uma fabricante de smartphones, tablets e computadores, e não como uma fornecedora de energia elétrica.

Mas esse conceito passou a mudar em agosto, quando a gigante do Vale do Silício conseguiu autorização para comercializar a energia gerada a partir de uma usina solar na Califórnia, adquirida pela empresa no ano passado.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Apple já investiu em energia renovável em outras ocasiões e afirma que seu principal objetivo é fazer com que todas as suas operações sejam realizadas usando energia 100% originada de fontes renováveis.

Outra gigante da tecnologia, a Amazon, acaba de anunciar a construção de uma nova usina de energia eólica com capacidade de 253 megawatts no oeste do Texas.

Já o Google tem investido no Sistema de Geração de Energia Solar Ivanpah e recentemente seu uniu à empresa SunPower para oferecer painéis solares para casas.

Interesses próprios

Mas por que essas empresas estão tão interessadas em energia renovável?

“Nessas grandes corporações, a eletricidade é uma de suas principais despesas”, afirma Ash Sharma, analista de energia solar na IHS Technology. “Manter esse custo a um preço baixo é crucial para elas.”

Hoje em dia, centros de processamento de dados consomem uma enorme quantidade de energia. Além de ter que manter os servidores em funcionamento 24 horas por dia, 7 dias por semana, os equipamentos precisam ser conservados a uma baixa temperatura – algo que, por si só, já representa um alto custo.

E por que o Google tem interesse em vender painéis solares para residências?

A empresa afirma que quer mapear “o potencial solar do planeta” – dados emitidos a partir desses painéis, inclusive a captação, poderiam fornecer informações sobre futuras estratégias de energia.

Usina de energia eólicaEnergia eólica também é uma das apostas das gigantes para tentar reduzir seus custos de eletricidade – Image copyrightGETTY IMAGES

Popularização da energia solar

O preço da energia solar vem caindo mais rapidamente do que alguns especialistas previam.

Em um leilão de energia em Abu Dhabi, em setembro, um consórcio sino-japonês prometeu construir uma usina solar que poderia produzir energia a menos de 2,5 centavos de dólar por quilowatt/hora – bem menos do que o preço médio da energia proveniente do gás e do carvão nos Estados Unidos, e a promessa mais barata em termos de energia solar já feita.

Sharma acredita que a queda no preço está fortemente relacionada a um boom na fabricação de painéis solares.

“A China aumentou de maneira gigantesca sua capacidade de produção e hoje responde por cerca de 80% de todos os painéis solares fabricados no mundo”, explica o analista.

Conforme o custo de construção de usinas solares cai, o mundo vem assistindo a uma multiplicação de megainstalações.

Segundo Sharma, há poucos anos um projeto de 50 megawatts teria sido considerado algo grandioso. Mas agora, há várias plantas prontas para produzir centenas de megawatts ou mais.

Entre elas está a maior usina do mundo, capaz de produzir 750 megawatts e localizada em Madhya Pradesh, na Índia. Ela foi batizada de Rewa Ultra Mega Solar e deve ser concluída no ano que vem, de acordo com as autoridades do país.

Preços em queda

Além desses megaprojetos, novas pesquisas promissoras para melhorar as células de captação solar estão sendo realizadas.

Alguns painéis novos usam materiais sintéticos que imitam a estrutura cristalina do mineral perovskita – isso barateia a fabricação das células e deve aumentar a eficiência dos painéis.

A energia solar responde por apenas 1% do total de recursos energéticos mundiais. Mas o aumento contínuo em seu fornecimento deve fazer esse número mudar em breve.

Sharma acredita ainda que as mudanças também terão um impacto duradouro sobre os preços. Sua empresa, a IHS Technologies, estima que o custo da energia solar deve cair “cerca de 30%” no ano que vem.

As gigantes do Vale do Silício estão entre as maiores e mais poderosas corporações do mundo. Por isso, não é de se surpreender que elas estejam enveredando para o ramo da energia – sabem bem que tudo o que produzem depende disso.

Energias solar e eólica ganham competitividade

Em âmbito global, custos de painéis e turbinas caíram acentuadamente nos últimos anos. Segundo agência internacional, preços devem diminuir ainda mais devido ao progresso tecnológico e à evolução do mercado.

Turbinas eólicas ao pôr do sol

Ao longo dos últimos sete anos, os preços dos painéis solares fotovoltaicos baixaram cerca de 80%, e os das turbinas eólicas, entre 30% e 40%. E os valores deverão cair ainda mais em todo o mundo, aponta o relatório The Power to Change, divulgado pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês) nesta quarta-feira (15/06) em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos.

O custo médio da eletricidade gerada por usinas eólicas localizadas em terra (onshore) poderá se reduzir em 26%, até 2025, e a de painéis solares, em 59%. Isso significa que o preço da eletricidade cairá para 0,04 a 0,05 euro por quilowatt-hora (kWh), na média mundial. Desse modo, as fontes renováveis estarão muito mais em conta do que energia gerada a partir de reatores nucleares e de usinas termelétricas.

“Já tivemos uma redução de custos drástica nos últimos anos, e este relatório mostra que os preços deverão cair ainda mais, graças ao progresso tecnológico e à evolução do mercado”, analisa Adnan Z. Amin, diretor geral da agência. “A luz solar e o vento já são as fontes mais baratas em muitos mercados ao redor do mundo. Por razões econômicas, a nova redução de custos reforçará a tendência da passagem da energia gerada por combustíveis fósseis à das fontes renováveis.”

Gráfico mostrando progressão do preço de energias eólica e solar

Energia eólica tem custos mais competitivos

A energia gerada por turbinas eólicas onshore já é muito barata. Segundo o relatório, na média global, a geração de eletricidade a partir de aerogeradores em terra mais modernos custa 0,07 dólar (0,057 euro) por kWh.

Os responsáveis pelo estudo calculam que esses custos poderão cair 26% até 2025, devido ao barateamento adicional da produção, construção e manutenção; ao contínuo desenvolvimento do know-how local; e às instalações mais eficientes, com maiores turbinas, torres e rotores. Na média global, um quilowatt-hora de fonte eólica ficaria em apenas cerca 0,04 euro – enquanto a eletricidade gerada pelas novas usinas termelétricas a carvão atualmente custa mais do que o dobro na Europa.

Segundo estimativa dos autores, haverá também uma grande redução de custos da energia gerada em parques eólicos localizados no mar (offshore). Os primeiros parques eólicos offshore estão em funcionamento sobretudo na Europa, mas a tecnologia ainda é relativamente recente, e sua participação na capacidade eólica global é de apenas 3%.

Em comparação, a produção no mar é ainda relativamente cara, custando mais do que o dobro da geração de energia eólica onshore. Contudo, também aqui, os custos deverão cair de forma substancial, devido ao tamanho maior das usinas e ao aperfeiçoamento contínuo da complexa tecnologia necessária à instalação e manutenção. Com isso, a eletricidade proveniente dos parques eólicos offshore deverá ficar 35% mais barata na média global, estimam os especialistas.

Parque fotovoltaico em Templin, AlemanhaParque fotovoltaico em Templin, na Alemanha

Energia fotovoltaica ainda mais em conta

A produção de eletricidade por meio da energia solar fotovoltaica vive uma dinâmica quase inacreditável. Em 2010, custava ainda entre 0,25 e 0,35 euro/kWh, porém cinco anos mais tarde já era dois terços mais barata: 0,107 euro por kWh, na média global.

Graças a uma produção e a módulos fotovoltaicos mais eficientes, a redução de custos continua em ritmo acelerado: segundo dados da Irena, os custos da energia solar poderão diminuir 59% na média global até 2025, chegando a menos que 0,05 euro/kWh.

Para demonstrar quão barata pode ser a eletricidade proveniente da luz solar, os autores mencionam um grande parque solar a ser construído nos Emirados Árabes Unidos. No segundo trimestre de 2016, a operadora de energia de Dubai recebeu uma oferta para produzir lá energia solar por 0,025 euro/kWh, um preço considerado recorde, em nível mundial.

As usinas termossolares, por sua vez, ainda não conseguiram acompanhar o boom da energia fotovoltaica. Em vez de converter a luz solar diretamente em eletricidade, elas aquecem água por meio de espelhos, e o vapor resultante aciona um gerador de eletricidade, como numa usina convencional.

As usinas termossolares se localizam principalmente em regiões desérticas. A grande vantagem é que também armazenam energia e podem produzir eletricidade durante a noite. Segundo o relatório da agência Irena, aqui os custos podem cair cerca de um terço.

Clima precisa da política

Analistas da Bloomberg New Energy Finance também apostam numa queda significativa nos preços da energia eólica e solar. Em seu estudo New Energy Outlook 2016, publicado dois dias antes do relatório da agência internacional, eles preveem uma redução de 41% dos custos de produção de energia eólica onshore, até 2040,e de cerca de 60% para a fotovoltaica.

Os especialistas acreditam que, até essa data, serão investidos nessas tecnologias renováveis 6,4 trilhões de euros, contra apenas 1,7 trilhão de euros na produção de energia em usinas de carvão e gás. Ao mesmo tempo os especialistas enfatizam que esses números não são suficientes para atingir os objetivos climáticos: para limitar o aquecimento global em 2ºC, os investimentos em energias renováveis deveriam ter um volume aproximadamente 70% maior.

Comparada às previsões da Bloomberg, na avaliação da Irena a redução de custos de produção da energia eólica e solar fotovoltaica poderia ser mais rápida. No entanto os especialistas da agência internacional enfatizam repetidamente em seu relatório o termo “poderá”, e a importância da política.

“Para continuar com a transição energética, devemos agora colocar o foco político em reduções de custos ainda maiores e, assim, aproveitar as enormes oportunidades econômicas”, aponta Amin, mostrando-se convencido de que a meta é viável. “Os vencedores desta transformação são os consumidores, o ambiente e as gerações futuras.”
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Turbinas sem hélices prometem revolucionar geração de energia eólica

Os tradicionais cata-ventos estão com os dias contados. Isso porque, a empresa espanhola Vortex Bladeless desenvolveu um novo sistema que dispensa as lâminas e utiliza a agitação da própria torre para gerar energia elétrica. Batizados como Vortex Mini (uso doméstico) e Vortex Gran (uso industrial), os dois dispositivos garantem eficiência, sustentabilidade e economia na fabricação.

Energia Eólica,Blog do Mesquita 01

Ao invés de capturar energia pelo movimento circular de uma hélice, os inovadores equipamentos aproveitam o fenômeno aerodinâmico da vorticidade. Nessa teoria, o vento que flui ao redor de um objeto produz pequenos vórtices, suficientes para uma estrutura fixa oscilar e entrar em ressonância com a corrente de ar.

Energia Eólica,Blog do Mesquita 02

Esse efeito é encarado pelos engenheiros e arquitetos como um problema, pois criam uma espécie de redemoinho que pode desestabilizar as construções. No caso da nova tecnologia, no entanto, os engenheiros criaram um design para que os vórtices percorram os cones em sua totalidade, sincronicamente.

Energia Eólica,Blog do Mesquita 03

Como os aparelhos são feitos com materiais leves e resistentes – fibra de carbono e de vidro –, as agitações são maximizadas e, consequentemente, gera-se mais energia. Já na base das turbinas foram instalados dois ímãs que funcionam como motores, pois à medida que as oscilações ocorrem, eles se repelem e puxam o mastro de um lado para o outro, intensificando o movimento. Essa energia cinética é depois convertida em energia elétrica por meio de um alternador, que também multiplica a frequência de vibração do objeto.

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As vantagens do Vortex Mini e do Vortex Gran são diversas. Segundo a empresa Vortex Bladeless, o fato de não possuírem componentes mecânicos barateia a fabricação em pelo menos 51%, em comparação aos modelos convencionais. Com isso, minimiza-se em até 40% a pegada de carbono (a quantidade de gás gerada na produção). Além disso, a ausência de engrenagens, parafusos e partes móveis, que são facilmente desgastadas, reduz em 80% os custos com a manutenção.

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Apesar das novas turbinas absorverem 30% menos de vento que aos equipamentos de pás, isso é compensado pela instalação de um maior número em um mesmo espaço, já que podem ser colocadas próximas uma das outras. São também silenciosas e representam risco inferior aos pássaros.

Energia Eólica,Blog do Mesquita 06

Ainda em fase de testes, a nova tecnologia já arrecadou US$1 milhão em investimentos públicos e privados na Espanha. A Vortex Bladeless pretende lançar seu primeiro produto até o fim deste ano.

Acompanhe neste vídeo como a estrutura funcionará:


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Brasileiro inventa telha capaz de gerar eletricidade a partir dos ventos

Energia eólica,Blog do Mesquita 00Projeto desenvolvido por estudante de mecatrônica utiliza os princípios da tecnologia eólica nas telhas para gerar até 80 watts de potência energética.

Criadores da Telha eólica
Prof° Antônio Cleidson, Eduardo Morais e Heitor Lustosa.

Foto: Divuglação

O jovem Eduardo Morais, filho de eletricista, sempre teve facilidade para entender como aparelhos eletrônicos funcionam. Esta proximidade fez com que ele começasse a cursar mecatrônica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e logo percebesse que alguns materiais podem ter outras finalidades, como uma simples telha, que além de proteger as casas contra as chuvas, pode gerar energia elétrica.

Tudo começou quando, em uma noite, ele decidiu observar a força dos ventos e percebeu como a energia eólica também poderia ser acoplada nas telhas e viabilizar a produção de energia elétrica nas residências.

Foi assim que Eduardo desenvolveu um protótipo capaz de gerar até 80 watts de potência.

Energia eólica,Blog do Mesquita 01Telha que produz energia. Foto: Divulgação

Para elaborar a telha eólica o jovem estudante contou com apoio e orientações do amigo Heitor Lustosa e do professor Antônio Cleidson, da EEFM Professor Paulo Freire, localizada no bairro Henrique Jorge, onde o projeto começou a ser desenvolvido.

O sistema consiste em acoplar anemômetros – equipamento que mede velocidade dos ventos – e bobinas na telha. Dessa forma, quando o vento passa pelos aparelhos gera eletricidade que é transmitida para a central elétrica das casas.

Vantagens da telha eólica

O estudante de mecatrônica estima que essas telhas são mais econômicas que vidros fotovoltaicos. Para se ter uma média, um m² de telha eólica poderia alimentar uma lâmpada de 60 watts e uma de 20 watts.

Em casas que já possuem a telha convencional, a vantagem é apenas adaptar o aparelho.

Segundo Morais, em entrevista ao portal Tribuna do Ceará, “o metro quadrado de uma telha eólica está sendo avaliado em R$ 240, já o m² de uma fotovoltaica custa em torno de R$ 1.000”, por isso a vantagem do preço.

O estudante diz que o projeto é direcionado para famílias de baixa renda, pois pode render economia na conta de luz, além da energia eólica ser considerada uma fonte sustentável que reduz os impactos ambientais.

Energia eólica,Blog do Mesquita 02

Túnel de vento utilizado por Eduardo Morais para testar o processo de produção de energia alternativo. Foto: Divulgação

Por Ingrid de Araújo/Pensamento Verde

A farsa da energia limpa

A construção de grandes barragens envolve violações de direitos humanos e outros impactos

Energia (Foto: Arquivo Google)Foto: Google

Não é de hoje que o governo vem investindo massivamente na construção de hidrelétricas para a geração de energia, promovendo-as como fonte “barata e limpa”.

Contudo, essa dependência do país pela matriz de energia elétrica envolve aspectos nebulosos com a construção de megaempreendimentos na Amazônia, onde, além dos interesses de grandes empreiteiras e impactos severos sobre povos indígenas e populações tradicionais, a floresta segue sendo tratada com irresponsabilidade.

A construção de grandes barragens envolve graves violações de direitos humanos e outros impactos socioambientais desastrosos. Belo Monte, por exemplo, foi descrito pela procuradora Thais Santi como “um etnocídio indígena num mundo em que tudo é possível”, em pleno estado democrático de direito.

A população vulnerada com tantos abusos e desrespeitos não consegue entender como uma obra do porte de Belo Monte, com investimentos de R$ 30 bilhões em dinheiro público, pode ser executada ao arrepio da legislação.

Para as comunidades atingidas, a atuação truculenta do consórcio Norte Energia S.A., com o apoio do Estado e a omissão do Judiciário, parece indicar que os favorecimentos ilícitos, tão comuns em nosso país, também estão por trás das grandes hidrelétricas na Amazônia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O escândalo da Petrobras deixa claro que as investigações não devem parar. A empresa é investigada por injetar dinheiro na conta de construtoras, sendo que muitas delas recebem recurso público do BNDES para os seus projetos. Isso é só a ponta de um grande iceberg.

Essas mesmas construtoras elegeram 70% dos candidatos, nos quais investiram com pesadas doações. Só a base aliada do governo Dilma recebeu 62% de suas doações através delas. Entre as empreiteiras, algumas — como Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa — são as mesmas que estão na Amazônia atuando nesses grandes projetos como o de Belo Monte.

O momento exige seriedade da população brasileira, pois vivemos em um país com grande potencial (natural e humano), mas que funciona ainda como se fosse um feudo corrompido.

Esse é o Brasil, que ainda não concluiu sua transição democrática e onde o governo usa, sem cerimônia, instrumentos da época da ditadura, como a suspensão de segurança, que lhe permitem cancelar decisões de tribunais para impor seu projeto “desenvolvimentista”.

Basta desse tipo de política. É preciso que se discuta com transparência a questão energética em nosso país, envolvendo a comunidade científica. É necessário que a população seja ouvida e seus valores, respeitados.

Precisamos debater com consistência a importância da conservação da Amazônia e dos seus rios, o valor da floresta em pé, da água e da cultura de um povo, se nós quisermos realmente crescer e ocupar o lugar de líderes mundiais em desenvolvimento ético, democrático e sustentável.
Maíra Irigaray, O Globo

Tecnologia: energia produzida com turbina eólica montada num balão

A empresa canadense Magenn Power desenvolveu uma solução incomum para gerar energia limpa. Tirando vantagem dos ventos mais constantes a grande altitude, propõe uma turbina montada num balão.

Tecnologia Turbina Eólica em Balão 00

Também designado por Magenn Power Air Rotor System (M.A.R.S.) a proposta da Magenn é de um balão de hélio com um conjunto de pás rotativas que estão colocadas de forma a que o vento as faça rodar em torno do eixo horizontal. Através deste movimento de rotação, os geradores convertem a energia mecânica em elétrica enviando-a para armazenamento nas baterias que estão situadas em terra.

Tecnologia Turbina Eólica em Balão 02

Segundo o autor do projeto, as turbinas convencionais têem a desvantagem de estar fixadas ao solo e, consequentemente, dependentes do vento que passe na sua localização. Esta abordagem propõe que essas limitações sejam ultrapassadas através da elevação do sistema para uma altitude de cerca de 300 metros, onde se beneficiará dos ventos constantes aí existentes. A produção de energia estima-se em cerca de 10 KWatts e está funcional para ventos entre 6km/h e 100Km/h.

Tecnologia Turbina Eólica em Balão 01


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Energia Eólica

O Wind Dam

Alguns afirmam que a “barragem” é uma fraude porque revela uma total incompreensão dos princípios físicos da dinâmica de fluidos. Segundo estes o que faz funcionar toda e qualquer barragem é a diferença de potencial: diferença de altitude no caso da água; diferença de pressão no caso do vento. Nas velas dos navios a diferença de pressão entre o lado de onde sopra o vento e o lado oposto é diminuta mas, como a área é muito grande, resulta numa força de impulso.

Sendo assim no caso presente a tela apenas aumentará a velocidade do vento, nunca a pressão pelo que o sistema se comportará como um vulgar gerador eólico. De inovador então apenas a forma escultural…

Com a palavra os cientistas Tapuias. E o povão que é hábil em sobreviver com os bolsos cheios de vento, e de viver de brisa.

Ah!, não esquecer um certo pessoal em Brasília especialistas em inflar orçamentos.

Tecnologia Energia Eólica Wind Dam 01

A ilustração lembra uma vela de navio enfunada pelo vento.
É o Wind Dam, uma enorme tela estendida entre duas margens de um canyon no lago Lagoda, na Rússia.

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A ideia é do arquiteto Laurie Chetwood, que em tempos de buscas por novas soluções para geração de energia, projeta essa verdadeira barragem eólica que recebe e direciona o vento para uma turbina.

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O polêmico sistema — incomoda particularmente aos ambientalistas pela possibilidade de prejudicar a migração das aves — é composto por uma tela de 25 metros de altura e 75 de largura suspensa por cabos que canalizam o vento para uma abertura central ligada a uma turbina acoplada, igualmente suspensa.

Os estudos efetuados apontam a forma côncava como a mais eficaz na captura do vento. A semelhança com a forma de uma barragem hidrelétrica levou a que o projeto fosse apelidado de wind(vento) dam(barragem), ou barragem de vento.

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