Tremsalão: Propina faz Alstom desistir de contratar “consultores”

Corrupção,Humor,Pro dia nascer melhor,Cartuns,Pelicano, Metro de São Paulo,Alkmin, Serra,PSDB, Tremsalão, Alstom,Blog do MesquitaApós denúncias sobre o uso de consultores para intermediar pagamentos de propinas a funcionários públicos e, com isso, vencer licitações no Brasil, a multinacional francesa Alstom anunciou que deixou de contratar consultorias.

Em nota divulgada no dia 17, a empresa afirmou que essa medida faz parte de um empenho para reduzir os riscos de violação a seu código de ética.

“A Alstom se compromete a conduzir seus negócios de forma responsável e a se esforçar para alcançar os mais elevados padrões éticos”, diz o texto, publicado em inglês.

A nota afirma, ainda, que a multinacional usou nas últimas décadas consultores externos que eram remunerados de acordo com a “taxa de sucesso” em determinado projeto.

Na quarta-feira (22), o Jornal Nacional mostrou que um ex-diretor da Alstom disse em depoimento à Justiça francesa que a empresa autorizou que a filial no Brasil pagasse propina para fechar um negócio com o governo do estado de São Paulo, em 1998. Nesse caso, a companhia é investigada por um suposto pagamento de propinas em licitações para compra de equipamentos.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]No depoimento, feito em 2008, o francês André Botto, ex-diretor comercial da Alstom, disse à Justiça do país que a multinacional autorizou o pagamento de propina equivalente a 15% sobre um contrato de US$ 45,7 milhões (R$ 110,4 milhões), o que daria US$ 6,8 milhões (R$ 16,4 milhões).

CONTRATO VENCIDO

A propina teria sido paga para que a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE) e a AES Eletropaulo, na época estatais, “ressuscitassem” um contrato vencido, de 1983, para compra de equipamentos.

O aditivo foi assinado em 1998, no governo de Mário Covas, do PSDB. Na época, o secretário de Energia de São Paulo era Andrea Matarazzo, atual vereador pelo mesmo partido.

O ex-diretor da Alstom disse que a empresa dividiu os 15% da propina em duas partes. Isso porque, na época, a lei francesa permitia que as empresas pagassem comissões de até 7,5% dos contratos.

A prática foi proibida no ano 2000. Segundo o ex-diretor, metade foi entregue à empresa MCA, pertencente a Romeu Pinto Júnior.

O consultor informou à Polícia Federal (PF) brasileira que fez repasses da Alstom, mas não revelou para quem pagou.

Os outros 7,5% foram depositados em contas na Suíça. Um documento apreendido na investigação francesa aponta que a multinacional distribuiu dinheiro para, pelo menos, mais quatro consultorias no Brasil.

Essas consultorias também estão sendo investigadas pela PF.

MATARAZZO SE DEFENDE

O vereador e ex-secretário de Energia Andrea Matarazzo disse que não discutiu nem assinou o aditivo que está sendo investigado. Segundo ele, a discussão desse contrato não era uma atribuição da secretaria que ele dirigia.

A Alstom declarou que repudia as insinuações de que tenha uma política institucionalizada de pagamentos irregulares para obtenção de contratos. E lamentou a divulgação de informações sobre as investigações.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também falou sobre a denúncia.

“É preciso investigar. Essa investigação está sendo feita pelo próprio estado, nós chamamos as empresas na Controladoria-Geral, não compareceram. Por isso, entramos na Justiça. E tem também a apuração do Ministério Público e da Polícia Federal”, afirmou.