O goleiro Bruno, Marcos Valério e os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade

O médico e o monstro Jekyll Hyde Blog do MesquitaTerminou o julgamento do ex-goleiro Bruno, condenado pelo brutal homicídio de Eliza Samudio.

Não cumprirá 10 anos em prisão fechada. Se tanto. Infelizmente será beneficiado com a estupidez do regime de progressão de pena.

Caso para prisão perpétua que deveria ser implantada no Brasil para punir crimes hediondos como o desse monstro.

É uma besta fera que deveria habitar os subterrâneos de Hades.

O princípio Constitucional da Proporcionalidade e da Razoabilidade vai às calendas.

Esse Mengele Tupiniquim, esse Mr.Hyde sem Dr. Jekyll, pega 22 anos de prisão enquanto um marginal como Marcos Valério – não cometeu crime de sangue, e não o estou defendendo, Valério, nem fazendo juízo de valor – é apenado com 40 anos de prisão.

Como canta Caetano, o Veloso, “alguma coisa está fora de ordem”.


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Caso Bruno: pressa em condenar

Por: Ruy Castro

O delegado encarregado do caso Bruno acaba de completar seus 30 dias de fama. Durante esse período, investigou, acusou, julgou, condenou e só faltou passar a sentença sobre o jogador.

Muito além da sola, foi detetive, carcereiro, promotor, júri e juiz.

Tal versatilidade pode representar uma economia para os cofres do Estado, mas está em desacordo com noções elementares de justiça.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Ocupado em dar entrevistas, ele só não teve tempo de apresentar as provas de que necessitava -nem mesmo o corpo de Eliza Samudio, dado de barato desde o primeiro instante.

Com isso, o advogado de defesa já conta com a vitória numa primeira instância, tantas são as supostas irregularidades técnicas.

Aliás, este é dos raros casos em que o uso do “suposto” — recurso adotado pela imprensa para noticiar sem se comprometer — se aplica.

Enquanto não encontrarem o cadáver, Bruno deveria ser apenas o suposto assassino ou mandante.

Ou nem isso, porque ainda não está configurado o crime.

Pois, justamente neste caso, alguns tabloides e canais de TV já partiram para a acusação frontal: Bruno é tratado como assassino ou mandante, e não se discute.

O curioso é que, um mês depois, o imbróglio parece mais enrolado do que nunca.

Pelos depoimentos, Bruno, três cúmplices, seis ou sete testemunhas e uma mulher diferente por semana entram e saem de carros, motéis e chácaras, e o bebê passa de mão em mão enquanto eles se acusam e se desdizem deixando todo mundo tonto.

É Agatha Christie ao ritmo dos Irmãos Marx.

No Brasil, temos pressa em condenar.

Mas, uma vez estabelecida a condenação, não há pressa para executar a sentença.

O jornalista Antonio Pimenta Neves, por exemplo, réu confesso, julgado e condenado pela morte de sua ex-namorada, arrisca-se a morrer de velhice fora da prisão onde deveria estar há dez anos.