Elisa Biagini – Versos na tarde – 13/01/2017

De uma ranhura
Elisa Biagini ¹

escrevo-me entre as
ranhuras, nos nós
do lenho, com a
sujeira embaixo do tapete:
o escuro, que espera
entrar, gruma-se
de olheiras.

como na folha
enrrugada
que se alisa
resta a
marca
ranhura
que nos colore
a tinta.
(nós nos encharcamos
de infinitas arestas)

só me avistam
em contraluz,
matéria como
clara de ovo,
pátina através dos poros
pelo entalhe:
um alfabeto braille
de ossos sequiosos
por sair.

e o dorso
ranha-se, estojo
de sementes
que empurram,
apartam-se em galhos,
moita de dedos
que nunca toca,
corta o ar a unhaço.

Tradução: Aurora Bernardini e Régis Bonvicino

¹ Elisa Biagini
* Florença, Itália – 1970

Formada em História da Arte Contemporânea. Mudou-se para os Estados Unidos para estudar e escrever uma tese de doutorado em Literatura Italiana Contemporânea. Trabalhou como professora em universidades norte-americanas, onde viveu por cinco anos. Seus poemas têm sido publicados em revistas literárias italianas importantes. Elisa Biagini publicou dois livros de poemas: Questi nodi (1993) e Uova (1999), este em versão bilíngüe italiano/inglês. Além disso, é tradutora da poesia de Sharon Olds e de Alicia Ostriker.


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Elisa Biagini – Versos na Tarde – 23/12/2016

De uma ranhura
Elisa Biagini ¹

escrevo-me entre as
ranhuras, nos nós
do lenho, com a
sujeira embaixo do tapete:
o escuro, que espera
entrar, gruma-se
de olheiras.

como na folha
enrrugada
que se alisa
resta a
marca
ranhura
que nos colore
a tinta.
(nós nos encharcamos
de infinitas arestas)

só me avistam
em contraluz,
matéria como
clara de ovo,
pátina através dos poros
pelo entalhe:
um alfabeto braille
de ossos sequiosos
por sair.

e o dorso
ranha-se, estojo
de sementes
que empurram,
apartam-se em galhos,
moita de dedos
que nunca toca,
corta o ar a unhaço.

Tradução: Aurora Bernardini e Régis Bonvicino

¹ Elisa Biagini
* Florença, Itália – 1970
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