Como o Facebook pode ter ajudado Trump a ganhar a eleição

Nos Estados Unidos, a mídia impressa leva muito a sério seu papel no processo democrático.

Donald Trump discursa durante a campanhaTrump fez das redes sociais uma arma para “driblar” a mídia tradicional
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Quando chega o momento de uma eleição presidencial, jornais e revistas acreditam que seu apoio formal a um ou outro candidato é repleto de significância, e que suas recomendações serão analisadas com seriedade por seus leitores.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Bem, nós agora sabemos que não é bem assim – praticamente todos os grandes jornais dos EUA ou declararam apoio a Hillary Clinton ou deixaram de endossar Donald Trump na campanha de 2016. E isso inclui veículos de mídia que no passado foram fiéis a candidatos do Partido Republicano.

Na verdade, a mídia impressa americana, assim como os veículos de TV, estão despertando para o fato de que sua influência pode ser mínima em comparação com o Facebook.

Manchetes de jornais em Nova YorkJornais americanos em sua maioria se recusaram a apoiar Trump
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Em 1992, na eleição-geral do Reino Unido, o tablóide The Sun gabou-se de ter “vencido” a eleção para o Partido Conservador, que estava em situação delicada na disputa com os trabalhistas. Nos EUA, agora, há quem pergunte se a rede social mais popular do mundo não fez o mesmo no triunfo de Trump.

Eis o argumento principal: 156 milhões de americanos têm contas no Facebook e, de acordo com pesquisas, pelo menos dois terços deles usam a rede social como fonte primária de notícias.

Essas notícias podem, volta e meia, vir de veículos mais tradicionais de mídia – incluindo os jornais que endossaram Hillary. Mas o que cada usuário vai ver dependerá de quem são seus amigos e do que eles compartilham.

Daí vem a noção de uma “bolha”: pessoas que estavam inclinadas a votar em Trump na eleição da última terça-feira apenas viram histórias que refletiam sua visão do mundo. E o mesmo se deu com aqueles que simpatizavam com Hillary.

É claro que podemos dizer que esse tipo de filtragem sempre ocorreu – pessoas de orientação liberal tendiam a ler jornais liberais. Pessoas mais conservadores encontravam suas ideias refletidas pelo que liam. A diferença é que a maioria dos editores tentava fazer duas coisas – apresentar ao menos algumas opiniões alternativas e assegurar que os fatos de qualquer história fossem checados.

Imagem de escritório do Facebook nos EUARede social é criticada por não checar fatos ou zelar por diversidade de opiniões
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O Facebook não leva a cabo nenhum desses dois procedimentos. O algoritmo do feed de notícias veicula o que “pensa” ser a sua opinião e a de seus amigos e certamente não checa fatos. Um exemplo é que, durante a campanha presidencial americana, histórias acusando Hillary de assassinato ou que “revelavam que o presidente Barack Obama é muçulmano” apareceram nas páginas de pessoas com tendência de apoio a Trump.

Também ocorreu o contrário. Um falsa declaração supostamente feita pelo bilionário em 1998, em que ele dizia que seria simples ser candidato pelo Partido Republicano “porque seus eleitores são burros”, continua circulando na rede social graças ao compartilhamento de americanos que não gostam de Trump.

Os dois grandes partidos americanos (Democrata e Republicano) vêm usando extensivamente o Facebook como arma eleitoral nos últimos anos. Porém, para Trump, as redes sociais ofereceram uma maneira poderosa de levar sua mensagem diretamente ao eleitorado. Ainda mais porque sua campanha considerava a maior parte da mídia tradicional como hostil e parcial.

Donald Trump posa para fotosFacebook e Twitter podem ajudaram Trump a capturar eleitores indecisos
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É possível dizer que, sem o Facebook, Trump não seria o próximo ocupante da Casa Branca?

É difícil responder, mas parece provável que as mídias sociais serviram para polarizar opiniões em uma campanha eleitoral já acalorada. E que podem ter ajudado a trazer eleitores indecisos para o lado do bilionário. E isso questiona a alegação do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, de que a rede social se trata apenas de uma plataforma tecnológica, não de uma poderosa empresa de mídia.

Mas há alguns sinais de que o Facebook está pronto para encarar essa imensa responsabilidade ou ao menos refletir sobre os recentes eventos. Na quarta-feira, a jornalista da BBC Jane Wakefield entrevistou o diretor de Tecnologia da empresa, Mike Schroepfer, durante uma passagem por Londres. E ela perguntou a Schroepfer qual o papel que, na sua opinião, a mídia social tinha desempenhado na eleição.

“É difícil especular. Nossa premissa é que as pessoas podem publicar e comunicar o que elas querem discutir”, disse o executivo.

Mas Zuckerberg também falou. Em um post revelando o sentimento de “estar esperançoso” – e com uma foto dele segurando sua filha bebê enquanto assistia à cobertura da eleição – o criador do Facebook contou-nos que estava “pensando em todo o trabalho à frente para criarmos o mundo que queremos para nossas crianças”.

Mark Zuckerberg
Post de Mark Zuckerberg na noite da eleição Image copyrightFACEBOOK

Zuckerberg falou especificamente em curar doenças, melhorar a educação, conectar as pessoas e promover oportunidades iguais – e definiu esta missão como “maior do que qualquer presidência”.

Nos comentários, diversas pessoas pareceram apreciar o pensamento de Zuckerberg. “Obrigado por estar usando sua influência para o bem” foi uma resposta típica.

Mas Zuckerberg não apresentou ainda uma reflexão sobre como ele influenciou a maneira como americanos viram a campanha eleitoral e seu impacto foi positivo para o processo democrático. Magnatas da mídia ao longo da história, como William Randolph Hearst e Rupert Murdoch, vem tentando dominar a política. E se orgulharam desse poder.

Mas Mark Zuckerberg parece determinado a fingir que ele não é nem mais nem menos influente que qualquer uma das 1,6 bilhão de pessoas que são suas “leitoras”.

E que nos últimos dias viram o mundo mudar.
Rory Cellan-Jones/BBC

“Trump é narcisista e perigoso”, diz ex-presidente do Banco Mundial

Em entrevista à DW, Robert Zoellick diz por que não quer o bilionário na Casa Branca e por que acredita que Hillary Clinton sairá vencedora. O candidato republicano é “orientado pelo ego”, afirma.

Donald Trump

Robert Zoellick foi presidente do Banco Mundial de 2007 a 2012. Antes disso, trabalhou em vários governos republicanos, inclusive como secretário de Estado adjunto e Representante para Comércio dos EUA. Em entrevista à DW, ele fala de suas diferenças ideológicas com Trump e da ameaça que este representaria se fosse eleito presidente.
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Para ele, o candidato republicano é “narcisista” e “orientado pelo ego”. “Tive a sorte de servir a uma variedade de presidentes, sei a importância desse trabalho e não quero Trump no Salão Oval”, afirma.

DW: O senhor, juntamente com muitos líderes republicanos, se opôs fortemente às ideias sobre políticas externa e econômica de Donald Trump, declarando que não poderia votar nele, já que ele “seria o presidente mais irresponsável na história americana”. O senhor mantém essa avaliação sobre Trump?

Robert Zoellick: Sim. Esta é uma eleição particularmente incomum na vivência americana. Por um lado, Hillary Clinton é uma figura estabelecida, que faz uma campanha tradicional seguindo regras do passado. Mas as regras estão em movimento. Donald Trump, por outro lado, defende a visão de que este sistema está fundamentalmente quebrado. Ele prega a mudança e vende a ideia de que ele, como alguém de fora, é a pessoa que pode fazer essa mudança. E ele usa sua experiência empresarial, mas especialmente – e isso que achei um elemento particularmente preocupante – a noção de que parte do problema é causada pelo “outro”. E o “outro” pode ser mexicano, muçulmano ou outros estrangeiros. Vimos antes na história o que acontece quando países culpam os outros por seus problemas.

Minhas diferenças ideológicas com Trump não envolvem apenas política – seu protecionismo, sua paixão por líderes autoritários e [o presidente russo,] Vladimir Putin. Mas também acho que ele é uma pessoa narcisista, orientada pelo ego e que seria perigoso. Eu tive a sorte de servir a uma variedade de presidentes, sei a importância desse trabalho e não o quero [Trump] no Salão Oval.

Qual é a sua opinião sobre a candidata presidencial democrata Hillary Clinton e a nova investigação sobre emails dela pelo FBI, possivelmente relacionada a uma investigação anterior?

Robert ZoellickZoellick foi presidente do Banco Mundial entre 2007 e 2012

Ela representa o establishment no lado democrata. Uma das ironias é que se os democratas não tivessem os chamados superdelegados, ela poderia não ter sido nomeada, ela poderia ter perdido para Bernie Sanders.

Portanto, este movimento populista é um fenômeno na esquerda e na direita. Isso irá afetá-la se ela for eleita presidente, porque o Partido Democrata não é mais o partido de 1990, quando seu marido era presidente. Você já pode ver que Elizabeth Warren, Bernie Sanders e outros alertam que já existe uma lista negra de pessoas que você não pode nomear.

Essa questão vai ser bastante importante para o futuro, caso ela seja eleita. Porque a questão é se ela vai tentar se mover para o centro e, no processo, tentar realinhar algo dos partidos e cooptar alguns republicanos, já que acredito que ela pegará alguns votos dos republicanos. Mas, ao mesmo tempo, em nosso sistema, ao contrário do sistema parlamentar alemão, você tem que trabalhar com o Congresso. Então, eu pessoalmente acho que ela tem mais personalidade para trabalhar com o Congresso do que o presidente Obama.

Quem o senhor acha que seria um melhor presidente para a Europa e para o mundo e por quê?

Acho que Trump é perigoso em todas as frentes. E acho que uma presidente Clinton adotará uma política mais firme em relação à Rússia, sem necessariamente ser beligerante. Mas ela se deixou acuar em relação a questões comerciais, o que não acho que seja algo bom para a Europa, os EUA ou outros.

Há maneiras de ela encontrar uma solução alternativa a isso, e os primeiros compromissos dela, com representantes de comércio dos EUA, vão ser importantes para sinalizar isso. Também penso, seja no caso do presidente Obama ou do próximo presidente, que os Estados Unidos e a Alemanha foram um pouco desleixados nesse ponto. Acho que há coisas que os EUA poderiam fazer, por exemplo, quanto às negociações do Brexit, que poderiam ajudar no processo entre a UE e o Reino Unido.

Hillary ClintonZoellick aposta que Hillary Clinton se tornará a próxima presidente dos EUA

Da mesma forma, acho que, com um país como a Polônia, com o qual os EUA têm laços tradicionalmente fortes – e os poloneses contam com os EUA na questão da segurança – existem maneiras de os EUA serem, talvez, solidários, dizendo aos poloneses que você vai ter que ser mais cooperativo no sistema geral, porque há sinais na Polônia e na Hungria que parecem um pouco com o que havia no período entre guerras.

Os Estados Unidos poderiam ser mais solidários de diferentes maneiras, mas não tenho certeza se uma presidente Clinton e sua equipe seriam criativos nesse sentido. Eles podem estar propensos a deixar a Europa para os europeus. Enquanto os europeus, é claro, têm que ser aqueles que tomam as decisões. Acho que os Estados Unidos poderiam ser solidários e úteis.

O senhor, então, votará em Clinton? Qual é a sua previsão para a eleição?

Eu disse que não vou votar em Trump. Mas nos Estados Unidos a votação é secreta. Eu já dei meu voto, porque devo estar viajando no dia.

Não acho que o mais recente relatório do FBI possa virar o jogo e tranquilamente diria que Hillary Clinton tem cerca de 70% de chance. E parte disso se deve ao colégio eleitoral no sistema americano, no qual se você ganha um estado, você ganha todos os votos desse estado. Se tivesse que fazer uma aposta, eu diria que na quarta-feira estaremos felicitando a presidente Clinton.

O Partido Republicano tem sido dilacerado por Donald Trump nesta campanha. Qual deverá ser o futuro da legenda após a eleição?

Essa é outra questão bastante incerta. Acho que parte dela depende do desempenho final de Trump. Vejo três facções. Uma delas será de pessoas intimamente associadas a Trump. No caso da derrota dele, esta vai buscar vingança e retaliação, e a continuação do ódio que ele tem representado.

Há outro grupo, associado ao senador Ted Cruz, do Texas, que estará competindo com o candidato à vice-presidência, o governador Mike Pence, de Indiana, e que vai assumir a visão de que Trump está correto e de que o sistema está quebrado e de que precisamos mudar, mas que ele não era conservador o suficiente.

E haverá muitos outros, incluindo uma série de governadores republicanos e o presidente da Câmara, Paul Ryan, que favorecem políticas mais inclusivas, e eles vão adotar posições diferentes. É difícil dizer como isso funcionará. Eu também acho que você poderá ver uma mudança de geração, já que as pessoas procuram novos rostos.

Eleições USA; Por baixo do tapete de Hillary Clinton

Fase republicana? Os episódios pouco conhecidos da trajetória de Hillary.

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Hillary Clinton é a primeira mulher com chances de chegar à Casa Branca
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Primeira-dama dos Estados Unidos, senadora de Nova York e secretária de Estado, Hillary Clinton foi confirmada na noite desta terça-feira como a candidata à presidência americana pelo Partido Democrata.

Esses são os quatro pontos altos que podem resumir a trajetória de Hillary Diane Rodham Clinton.

Nascida no dia 26 de outubro de 1947 em uma família de classe média de Chicago, Hillary é a primeira mulher a ser candidata presidencial por um dos grandes partidos americanos durante a Convenção Democrata, que será concluída na quinta-feira na Filadélfia.

Confira alguns detalhes menos conhecidos da trajetória daquela que poderá se transformar na primeira mulher a governar os Estados Unidos:

1. De republicana a democrata

Weslleley College Archives
Hillary Clinton quando estava no Wellesley College
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Apesar de ter uma trajetória de mais de 40 anos no Partido Democrata, Hillary nem sempre foi desse grupo político.

Durante sua juventude, chegou a ser filiada ao Partido Republicano e chegou até a participar ativamente da campanha eleitoral de Barry Goldwater, aspirante presidencial pelo partido em 1964.

Ela também foi líder da seção local da Juventude Republicana quando ainda era estudante no Wellesley College.

Essa proximidade com o partido vinha de família – seu pai, um veterano da 2ª Guerra Mundial, sempre foi republicano.

Na universidade, Hillary foi se aproximando aos poucos do movimento pelos direitos civis e dos ativistas contra a Guerra do Vietnã.

Em 1968, participou da Convenção Republicana em Miami para apoiar a candidatura do então governador de Nova York Nelson Rockefeller. Ele foi derrotado por Richard Nixon.

Foi neste momento que Hillary abandonou os republicanos.

2. Astronauta

Em seu livro de memórias, Living History, ela conta que queria ser astronauta quando adolescente.

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Hillary Clinton chegou à Nasa, mas como primeira-dama
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“O presidente Kennedy acabava de iniciar sua campanha para chegar à Lua, estávamos em 1961, e eu tinha 14 anos… escrevi essa carta para a Nasa perguntando quais eram os requisitos para ser astronauta e contei algumas coisas a meu respeito”, afirmou no livro.

“Eles me responderam dizendo que não estavam aceitando meninas para ser astronautas, o que me deu muita raiva.”

Em um discurso de 2012, Clinton contou que, depois do mal-estar causado pela rejeição pela Nasa, percebeu que não passaria no teste mesmo se a agência espacial aceitasse mulheres, já que tinha problemas de visão e não era muito atlética.

“Provavelmente não teria sido possível ser a primeira mulher astronauta.”

3. Hillary Rodham

Hillary se casou em 1975 com Bill Clinton, que viria a ser seria eleito presidente dos Estados Unidos em 1993.

Eles se uniram apenas depois de três pedidos de Clinton – o primeiro deles em 1973. Os dois se conheceram na Universidade de Yale, onde estudavam Direito.

William J. Clinton Presidential Library
Ela e Bill Clinton se conheceram na Universidade de Yale
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No anúncio de casamento publicado no jornal Arkansas Gazette, o destaque era que ela continuaria usando seu nome de solteira, Hillary Rodham – argumentando que queria manter sua vida profissional separada da de seu marido.

“Precisava manter minha própria identidade”, afirmou depois.

Mas essa decisão foi usada contra seu marido quando ele se candidatou pela primeira vez ao governo do Arkansas.

Para evitar mais prejuízos à imagem dele, ela decidiu adotar seu sobrenome no início da década de 1980 – quando passou a ser chamada de Hillary Rodham Clinton.

No início dos anos 2000, seu nome de solteira começou a ser esquecido.

Na campanha por uma vaga no Senado por Nova York, ela se apresentava apenas como Hillary. Em outubro de 2001, registrou na web o domínio hillaryclinton.com.

4. Carreira jurídica

Apesar de ter ficado famosa mundialmente como a primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary teve uma carreira de sucesso, iniciada antes mesmo de casar com Bill Clinton.

AP
Hillary participou da equipe de advogados que investigou o presidente Richard Nixon – Image copyrightAP

Como jurista, ela se destacou em trabalhos acadêmicos e chegou a publicar artigos sobre direitos das crianças e políticas públicas sobre a infância em revistas especializadas respeitadas, como a Harvard Educational Review e a The Yale Law Journal.

Também trabalhou como advogada em escritórios famosos – durante anos, ganhou mais do que seu marido recebia como governador do Arkansas.

Um dos pontos de maior destaque de sua carreira jurídica foi a participação na equipe de advogados que investigou o então presidente Richard Nixon na década de 1970.

Esse grupo tinha como missão encontrar provas sobre a participação de Nixon na trama de espionagem e corrupção do escândalo de Watergate.

Ele renunciou ao cargo antes de ser submetido ao processo de impeachment – a investigação é considerada um elemento fundamental nessa decisão.

5. Obamacare e Hillarycare

Em um comício durante as primárias em Iowa, em janeiro, Hillary lembrou sua participação no seguro-saúde obrigatório posto em marcha pelo presidente Barack Obama.

“Se chamava Hillarycare antes de ser chamado de Obamacare”, disse aos presentes.

AP
Em 1993, Hillary liderou uma tentativa fracassada de reformar o sistema de saúde americano – Image copyrightAP

Com essa frase, a aspirante presidencial trazia à tona uma de suas iniciativas políticas mais arriscadas e, ao mesmo tempo, um de seus maiores fracassos.

Quando Bill Clinton chegou à Casa Branca em 1993, ele encarregou a primeira-dama de criar um plano de reforma do sistema de saúde.

Ela liderou uma iniciativa considerada por especialistas em políticas públicas como muito mais ambiciosa que o atual seguro-saúde obrigatório estabelecido por Barack Obama (o chamado Obamacare).

Mas ela não conseguiu que o plano sequer fosse levado a votação no Congresso, apesar de os democratas estarem em maioria em ambas as Casas na época.

A iniciativa custou muito caro em termos políticos para Hillary e Bill Clinton.

Durante a campanha legislativa de 1994, os republicanos usaram o Hillarycare como uma arma contra o governo e contra os democratas, que perderam o controle do Senado e da Câmara dos Representantes.

Alguns analistas garantem que esse fracasso serviu para que Obama tivesse mais consciência das dificuldades de uma reforma radical no sistema e se conformasse com uma proposta mais moderada, mas com maiores chances de ser aprovada.
Ángel Bermúdez/BBC

Eleições USA: Trump revela como pretende forçar o México a pagar por muro na fronteira

Pré-candidato republicano diz que pretende cortar fluxo de dinheiro enviado ao México por mexicanos que moram nos EUA.

Trump revela como pretende forçar o México a pagar por muro na fronteira
Medida pode gerar crise com um aliado diplomático crucial para os EUA 

O pré-candidato republicano Donald Trump anunciou que, se for eleito presidente, vai forçar o México a construir um muro na fronteira com os Estados Unidos sob a ameaça de cortar o fluxo de dinheiro que imigrantes mexicanos enviam aos familiares no México.

A medida pode dizimar a economia mexicana e criar uma crise sem precedentes com um aliado diplomático crucial para os EUA.

Em um comunicado de duas páginas enviado ao jornal Washington Post, Trump detalhou, pela primeira vez, seus planos para a criação de uma barreira de 1.600 km na fronteira entre os dois países, uma de suas maiores promessas de campanha ridicularizada por várias lideranças mexicanas antigas e atuais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No comunicado, intitulado “Obrigando o México a pagar pelo muro”, Trump diz que basearia a medida no Ato Patriota, lei estabelecida após o 11 de setembro para reforçar medidas de segurança antiterrorismo.

Desta forma, ele cortaria parte dos fundos enviados ao México via transferência bancária por mexicanos que moram nos Estados Unidos.

O corte seria suspenso caso o governo mexicano pagasse uma cota única de US$ 5 bilhões aos EUA destinados a construir um muro na fronteira entre os dois países.

“É uma decisão fácil para o México”, diz Trump no comunicado, cujo papel continha seu lema de campanha “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente).

No comunicado, Trump diz que após a construção do muro, “as transferências voltarão a ser liberadas para entrar no México ano após ano”.

Segundo o banco central mexicano, quase US$ 25 bilhões foram enviados ao México em 2015 por cidadãos do país que moram no exterior.

Em seu comunicado, Trump diz que “a maior parte desta soma é proveniente de imigrantes ilegais”, embora a quantia represente a verba enviada por mexicanos residentes em vários países do mundo, não apenas nos EUA.

O comunicado de Trump é o mais recente esforço do pré-candidato republicano para detalhar suas propostas no momento em que enfrenta duros obstáculos em sua campanha, incluindo a ameaça de perder as primárias republicanas no estado de Wisconsin para o adversário Ted Cruz nesta terça-feira, 5.

Fontes:
The Washington Post-Trump reveals how he would force Mexico to pay for border wall

As raízes germânicas de Donald Trump

Apesar de negar sua descendência alemã Donald Trump herdou uma das características dos habitantes da cidade natal do seu avô na Alemanha: a fanfarronice.

As raízes germânicas de Donald Trump
Trump é descendente de imigrantes alemães que chegaram nos Estados Unidos (Foto: Flickr)
Muitos ingredientes contribuíram para a formação da personalidade de Donald Trump. Um deles, apesar de subestimado, é a origem alemã de sua família.
Trump é descendente de imigrantes alemães que chegaram nos Estados Unidos sem dinheiro e logo foram bem-sucedidos com muito trabalho, compromisso com a verdade, oportunismo, estratégias de negócios espertas e um grande senso de lealdade familiar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Fred Trump, pai de Donald, deu uma educação rígida aos seus cinco filhos, e aconselhou aos três filhos homens que fossem “assassinos”.

O pai de Fred Trump, Friedrich Trump, nasceu em Kallstadt, um vilarejo no estado da Renânia-Palatinado, um lugar conhecido pelos vinhos e pela especialidade local do estômago de porco recheado, e imigrou para os Estados Unidos em 1885 aos 16 anos.

Depois de trabalhar alguns anos como barbeiro em Nova York, Friedrich Trump abriu um restaurante em uma cidade da região de mineração do estado de Washington, onde os trabalhadores se alimentavam bem, bebiam bebidas alcoólicas e tinham encontros amorosos com mulheres nos quartos dos fundos do restaurante.

Depois de ganhar algum dinheiro com seu negócio, Friedrich voltou para Kallstadt e casou com Elisabeth Christ, uma jovem que morava em uma casa vizinha à da sua família, e a levou para os EUA.

Mas Elisabeth sentiu saudades de seu vilarejo natal e o casal voltou para a Alemanha. Mas as autoridades alemãs não permitiram que voltasse a morar em Kallstadt, porque segundo as leis do país, Friedrich por ser um cidadão americano não se alistara no serviço militar.

Os jovens Trump foram então obrigados a retornar para os EUA. Em 1905 o primeiro filho deles, Fred, nasceu em Nova York.

Quando Fred Trump tinha 11 anos os EUA declararam guerra aos alemães e aos seus aliados na Primeira Guerra Mundial e o sentimento de profundo antagonismo contra a comunidade alemã aumentou. Após o período de paz a hostilidade contra os alemães manifestou-se de novo na Segunda Guerra Mundial.

Friedrich morreu de gripe espanhola em 1918 aos 49 anos e depois de concluir seus estudos no ensino médio em 1923, Fred começou a trabalhar em tempo integral na área de construção civil. Logo percebeu que suas origens alemãs prejudicariam sua carreira e, então, fingiu que seus pais eram suecos, embora a mãe falasse inglês com um forte sotaque alemão e servisse apfelstrudel nas reuniões de família.

Donald era o filho predileto de Fred Trump e continuou os negócios do pai no setor de construção civil e no mercado imobiliário. Assim como o pai, achou que suas origens alemãs poderiam ser um obstáculo à obtenção de possíveis financiamentos para seus projetos.

E, fiel à história do pai, escreveu em sua autobiografia Trump: The Art of the Deal que o pai era descendente de suecos. Mas, apesar de negar suas origens, o arrogante e vaidoso Donald Trump herdou pelo menos uma das características atribuídas às pessoas nascidas em Kallstadt, apelidadas de Brulljesmacher, palavra do dialeto regional que significa fanfarrão.

Caso seja eleito presidente dos EUA, Trump não será o primeiro ocupante da Casa Branca de origem alemã. Um antepassado de Dwight Eisenhower, Hans Eisenhauer nascido em Karlsbrunn, perto da fronteira com a França, imigrou com a família para os EUA.

Os antepassados de Herbert Hoover chamavam-se Huber e eram originários de Baden-Baden no sul da Alemanha. Apesar dos poucos comentários a respeito de sua descendência alemã, nenhum dos dois inventou novas origens.

Fontes:
The Economist-Kallstadt’s king

Twitter é palco de bate-boca entre Donald Trump e príncipe saudita

Eis um grande mistério e uma incerteza:
Como esse maluco ficou biliardário?
Se ele for eleito presidente dos Estados Unidos…
O Editor


Getty
Empresário lidera as pesquisas sobre a indicação dos republicanos para as próximas eleições – Image Getty

Um príncipe saudita descreveu o empresário Donald Trump, candidato à indicação do Partido Republicano para as próximas eleições à Presidência dos Estados Unidos, como uma “vergonha para a América”.

O príncipe Alwaleed bin Talal disse por meio do Twitter que Trump deveria desistir de suas ambições presidenciais, porque ele nunca ganhará a disputa.

O comentário foi feito em meio às reações aos comentários de Trump de que muçulmanos deveriam ser impedidos de entrar no país por questões de segurança.

O empresário respondeu a Bin Talal com uma mensagem que chama o príncipe de “dopey” (drogado, em inglês).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Progressista

Nascido em 1955, Alweed bin Talal é sobrinho do rei Salman bin Abdulaziz al-Saud, empresário e investidor.

Ele tem participações em grandes companhias americanas, como Disney, 21st Century Fox, News Corp, Apple, GM, Twitter e uma s[érie de redes de hotéis de luxo, incluindo o Plaza, em New York, e o George V, em Paris.

Com uma fortuna estimada em US$ 32 bilhões (R$ 121,6 bilhões), figurou entre os árabes mais ricos do mundo na lista de 2015 da revista Forbes.

Ele é conhecido na Arábia Saudita por seus costumes ocidentalizados e posições progressistas. É, por exemplo, um defensor da ampliação de direitos femininos, e a maioria de seus funcionários são mulheres.

Twitter
Trump e príncipe discutiram por meio de seus perfis na rede social

“Você é uma vergonha não só para o GOP (sigla em inglês para o Partido Republicano), mas também para toda a América”, disse ele em um post no Twitter. “Desista da corrida presidencial, já que você nunca a vencerá.”

Trump respondeu acusando que o príncipe de usar o “dinheiro do papai” para tentar controlar políticos americanos. Isso não acontecerá, afirmou o empresário, quando ele for eleito.

Controvérsia

Trump lidera as pesquisas sobre a indicação dos republicanos para as eleições e tem sido amplamente criticado por sua proposta de vetar a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

Na quinta-feira, a Damac Properties, uma empresa que está construindo um complexo de golfe para o empresário em Dubai, nos Emirados Árabes,, retirou o nome do empresário e uma foto sua com sua filha da fachada do empreendimento.

Os comentários de Trump foram feitos após os ataques realizados na Califórnia por dois muçulmanos que se radicalizaram, segundo o FBI.
Com dados da BBC

Obama e o governo digital

Após ser eleito grande chefe das tribos acima do Rio Grande, Barack Obama continua fazendo da internet a sua (dele) tribuna política.

O governo digital de Obama.

Governo digital de Obama dá voz à população

Geraldo Hernandez não faz parte da equipe econômica do presidente eleito dos Estados Unidos, mas também deu seu conselho sobre como Barack Obama pode criar os 2,5 milhões de empregos prometidos. “É preciso investir em novos negócios e empresas pequenas em vez de dar dinheiro às grandes corporações, que levam as fábricas para onde a mão-de-obra é mais barata. Dessa forma, o dinheiro chegará às pessoas comuns”, diz. A opinião foi registrada, comentada e avaliada no site oficial da transição, mesmo sem ninguém saber se existe um “Geraldo Hernandez” de verdade por trás da identidade virtual.

Obama usou a internet de forma inovadora durante sua campanha e promete aproveitá-la de forma ainda mais revolucionária no governo, transformando o mundo virtual numa ferramenta de transparência política e participação popular reais.

Já durante o período de transição, ele abriu um canal direto para falar com a população e ouvi-la. O Change.gov, uma mistura de site de notícias, lista de discussão, rede social e organizador de eventos, conquistou milhares de usuários em apenas um mês de funcionamento.

Além do debate sobre a crise econômica, outro tópico popular no site trata da reforma do sistema de saúde. Em uma semana, a lista de discussão teve mais de 5 mil comentários. Os internautas também foram convidados a organizar discussões reais em suas comunidades, a partir de amanhã até o fim do ano. A equipe de transição promete considerar todos os documentos originados nessas discussões e Tom Daschle, nomeado secretário de Saúde de Obama, prometeu aparecer pessoalmente em alguns dos debates.

“O novo governo vai envolver uma quantidade significativamente maior de pessoas no processo político graças à internet”, acredita Darrell West, professor de ciências políticas da Universidade Brown e autor do livro Digital Government: Technology and Public Sector Performance (“Governo Digital: Tecnologia e Desempenho do Setor Público”). “Espero que Obama seja de fato o primeiro presidente digital dos EUA, trazendo para o setor público o mesmo senso de inovação tecnológica que teve durante a campanha”, afirmou West ao Estado.

do Estadão – Luciana Alvarez