Face Book no banco dos réus

Batalha contra notícias falsas leva Facebook ao banco dos réus

A batalha contra as informações falsas, que podem ter contribuído para a vitória do republicano Donald Trump, se agrava nos Estados Unidos e exerce uma pressão particularmente forte sobre o Facebook, apesar de Twitter e Google também estarem sob escrutínio.

O Google e o Facebook tomaram medidas na semana passada para reduzir os investimentos publicitários nas páginas de notícias falsas.

Mas algumas pessoa querem mais: exigem que se considere o Facebook como uma empresa midiática com responsabilidade editorial, uma denominação que a rede social até agora se recusa a incorporar.

“Eles estão no mesmo negócio que a maioria dos meios de comunicação, os quais geram audiência e utilizam isso para vender publicidade”, considera Gabriel Kahn, um ex-jornalista que dá aulas na Universidade da Califórnia do Sul.

De acordo com Kahn, ao se apresentar como uma plataforma “neutra”, o Facebook “permite que o ecossistema midiático se contamine” com notícias falsas.

Margaret Sullivan, com um coluna dedicada aos meios de comunicação no Washington Post, sugeriu que o Facebook “deveria contratar um editor-chefe de alto nível e dá-lo os recursos, poder e equipe para tomar decisões editoriais sólidas”.

Elad Gil, um empresário do setor tecnológico, acredita que para uma empresa com a experiência técnica do Facebook não deveria ser tão difícil determinar se um artigo é enganoso.

“Surpreendentemente, um grupo de estudantes de Princeton foi capaz de criar com muita rapidez um classificador de informações falsas durante uma hackathon (maratona de hackers) de 36 horas”, uma competência entre programadores, assinalou Gil em uma publicação em seu blog.

“Juízes da verdade”

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, se comprometeu a intensificar os esforços para eliminar as notícias falsas, com uma “detecção reforçada”, tornando mais simples o procedimento para que os usuários alertem sobre elas e uma “verificação por terceiros”, como por exemplo “organizações respeitadas de checagem de fatos”.

Entretanto, Zuckerberg pediu prudência.

“Os problemas são complexos, tanto técnica como filosoficamente”, argumentou na semana passada em uma mensagem publicada na rede. “Acreditamos em dar voz às pessoas. (…) Não queremos ser os juízes da verdade”.

Dan Kennedy, professor de Jornalismo na Universidade do Nordeste, considera que é importante distinguir entre os sites “pega-clique”, que foram descobertos na Macedônia e apenas buscam ganhar dinheiro com informações sensacionalistas falsas, e portais de notícias com motivações políticas.

“Penso que o Facebook poderia fazer muitas coisas para lutar contra as informações falsas e acredito que isso seja algo que todos concordam, mas se tratam de atacar os sites com motivações ideológicas, inevitavelmente serão presas das guerras culturais”, adverte.

Classificar ou censurar?

Em um contexto de crescente desconfiança do público com os meios de comunicação do establishment, qualquer tentativa de filtrar as vozes divergentes poderia “levar a uma volta de velhas polêmicas sobre a parcialidade dos meios”, acrescentou Kennedy.

Scott Shackleford, editor da revista Reason, considera difícil traçar uma linha entre o que foi filtrado da informação falsa e da censura de conteúdo com motivações ideológicas: “Se o Facebook tomar a decisão de censurar as ‘notícias falsas’, inclinaria a balança a favor dos mais ‘poderosos’ meios tradicionais”.

Em um blog, Jeff Jarvis, professor de Jornalismo na Universidade de Nova York, e John Borthwick, empresário, consideraram que a solução deve passar por uma maior cooperação entre o setor tecnológico e o dos meios de comunicação para ajudar os usuários a avaliarem a credibilidade dos conteúdos.

“Não acreditamos que corresponda às plataformas julgar o que é verdadeiro ou falso (…) como censores de tudo”, escreveram. Mas “é necessário que deem mais informação aos usuários e é necessário que os meios os ajudem”.

Também sugerem às plataformas na internet que contratem jornalistas para “dar um sentido de responsabilidade pública a suas empresas” e “explicar o Jornalismo aos técnicos e a tecnologia aos jornalistas”.
Com dados da Exame.com

Eleições USA: O que Trump quis dizer ao pedir que donos de armas detenham Hillary?

O candidato à Presidência americana pelo Partido Republicano, Donald Trump, desencadeou nova polêmica ao sugerir que donos de arma poderiam deter sua rival na disputa, a democrata Hillary Clinton.

Donald Trump em comício na Carolina do Norte
Trump sugeriu que Hillary poderia ser ‘parada’ por defensores da 2ª emenda, que “protege o direito dos americanos de manter e portar armas”
Image copyrightREUTERS

A declaração, feita durante um comício na Carolina do Norte na tarde de terça-feira, foi interpretada por muitos como uma incitação à violência, gerando forte repercussão na imprensa e nas redes sociais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Trump afirmou que Hillary nomearia juízes liberais à Suprema Corte americana (equivalente ao STF brasileiro) se vencesse as eleições presidenciais em novembro, o que supostamente ameaçaria os direitos ao porte de armas.

“Hillary quer essencialmente abolir a segunda emenda (que protege o direito do povo de manter e portar armas). Aliás, se ela puder escolher os juízes, vocês não poderão fazer nada, amigos”, disse Trump. “Quem sabe o pessoal da segunda emenda (possa), não sei.”

O empresário negou que estivesse promovendo violência contra a rival. Segundo Trump, seu intuito era fazer com que portadores de armas de fogo votem em grande número.

Mas o republicano Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (Câmara dos Deputados no Brasil), classificou a declaração de Trump como uma “piada inapropriada”.

Reação

No Twitter, usuários reagiram rapidamente aos comentários de Trump, criticando o republicano pelo que entenderam como uma incitação à violência.

“Isso não é brincadeira. Pessoas instáveis com armas poderosas e um ódio desequilibrado por Hillary Clinton estão escutando você, @realDonaldTrump”, disse Chris Murphy, senador pelo Estado de Connecticut, em sua conta no Twitter.

“Não trate isso como um passo em falso político. É uma ameaça de homicídio, aumentando as chances de tragédia e crise nacionais”, acrescentou.

Tuíte de Chris MurphyNo Twitter, Chris Murphy, senador pelo Estado de Connecticut, foi um dos que criticaram Trump – Image copyrightTWITTER
Chris Murphy tweet: Image copyrightTWITTER

Diretor de campanha de Hillary, Robby Mook disse que “o que Trump está dizendo é perigoso”.

O empresário reagiu, tuitando que ele estava se referindo ao poder político dos defensores dos direitos ao porte de armas de fogo. “Disse que cidadãos favoráveis à segunda emenda devem se organizar, votar e salvar nossa Constituição”, afirmou via Twitter.

Tuíte de Donald Trump
Donald Trump culpou imprensa: “desesperada por desviar atenção de posição de Hillary sobre 2ª emenda” – Image copyrightTWITTER

Por meio de um comunicado, sua campanha declarou que “os defensores da 2ª emenda têm uma alma incrível e são tremendamente unidos, o que lhes dá grande poder político”.

“E neste ano eles vão votar em número recorde, e não será por Hillary Clinton, será por Donald Trump”.

Tuíte da NRAAssociação Nacional de Rifles apoiou Trump –  Image copyrightTWITTER

O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, apoiou Trump, dizendo que a declaração do empresário não era uma ameaça. Ele acusou a imprensa de estar envolvida em uma “conspiração para eleger Hillary Clinton”.

Alguns apoiadores de Trump que deixavam o comício na Carolina do Norte afirmaram à rede de TV americana CNN que não estavam preocupados com as intervenções do candidato por se tratar claramente de uma “piada” vinda de alguém que fala de maneira improvisada.

A Associação Nacional de Rifles, principal organização de lobby pró-armas do país, também apoiou Trump e afirmou que Hillary escolheria juízes contrários à segunda emenda.

Durante sua campanha, e em meio a diversos episódios de violência com armas de fogo, a candidata democrata vem prometendo apertar o cerco ao porte, mas não há indicação de que ela pretenda extinguir a segunda emenda.
BBC

Estados Unidos, um país à beira da desintegração

Os EUA parecem não encontrar mais paz. Mais uma vez, policiais foram mortos, e cresce a preocupação com novos tumultos e protestos. A ordem habitual do país corre perigo de se esfacelar, opina a jornalista Ines Pohl.

Ines Pohl
Ines Pohl é correspondente da DW em Washington

De maneira alarmante, os Estados Unidos parecem ser a prova do quão rapidamente sociedades democráticas podem ficar fora de equilíbrio em um mundo em que as forças centrífugas da globalização rasgam as ordens políticas conhecidas. Um mundo em que as pessoas procuram refúgio no nacionalismo e não conseguem mais encontrar paz no frenesi do mundo digital.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Contextos já não são analisados como deveriam. Em vez disso, culpados são rapidamente encontrados, bodes expiatórios são nomeados. O mundo está dividido em “bem e mal”, em “nós e eles”.

A realidade se tornou estressante, não existem mais respostas fáceis, e uma análise honesta chegará sempre à conclusão de que o mundo rico tem que prover, pois o mundo pobre já não quer mais ficar assistindo pacificamente ao que está acontecendo.

Por isso que nos Estados Unidos, esse país de imigrantes, vem crescendo a agressão entre diferentes culturas, religiões, cores de pele. Por isso, pessoas são diariamente baleadas na rua, estudantes e policiais são mortos a bala. Certamente as liberais leis de armas têm algo a ver com isso. E é verdade que o racismo, que muitos achavam superado, desempenha um papel terrivelmente importante. Ainda.

No entanto, o problema tem mais uma dimensão. A ordem habitual do país corre perigo de se esfacelar. As pessoas já não estão mais dispostas a aceitar as consequências da nova ordem mundial. Políticos não parecem encontrar – junto com instituições, sindicatos, autoridades estaduais, policiais e sociedade civil – soluções credíveis.

Quem viaja pelos Estados Unidos em 2016 encontra um país em fuga da realidade. Isso combina com o fato de que um homem cujo grande sucesso foi celebrado em um reality show se prepara para se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

As pessoas se refugiam em mundos virtuais. As pessoas encenam fotos para o Snapchat, Facebook, Instagram ou outras mídias sociais. Quem viaja por este país pode observar como crianças de um ano posam para foto quando avistam uma câmera. Elas vivenciam adolescentes que, aos sábados, não conversam uns com os outros no bar, mas ficam lado a lado, posando para as fotos que vão diretamente para a internet.

A realidade está se transformando em um palco para a encenação de uma vida que muitas vezes não condiz com a realidade. Há estudos que mostram que, para muitos, a visita ao restaurante, a caminhada na praia, o jantar de família só é “vivenciado” quando as fotos e videoclipes são postados na internet. E isso serve até mesmo para o memorial diante da delegacia de polícia em Dallas, onde as pessoas só começaram a soluçar e se abraçar quando uma câmera foi apontada para elas.

Donald Trump aposta na realidade encenada, incluindo os castelos do sonho em seus campos de golfe, as torneiras de ouro na Trump Tower, a cor artificial do rosto e o cabelo falso. Ele tem que fazê-lo porque lhe falta substância. Ele pode fazê-lo porque aprendeu cedo a seduzir as pessoas. E ele tem tanto sucesso porque muitos preferem sonhar com um mundo passado a trabalhar

Eleições USA – Em comício, Trump diz que China ‘estupra’ EUA

O magnata acredita que o país precisa ‘dar a volta’ por cima.

Eleiçõe USA,Donald Trump,Blog do Mesquita

O pré-candidato republicano que lidera a corrida eleitoral nos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Washington não pode “continuar permitindo que a China estupre o nosso país”, pois “é exatamente isso que eles estão fazendo”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Em comício realizado em Fort Wayne, em Indiana, onde acontecem as primárias na próxima terça-feira, dia 3, o empresário afirmou que “a China foi responsável pelo maior roubo da história do mundo” e “tem danificado as nossas empresas e os nossos trabalhadores”.

“Nós somos como um porquinho que foi roubado, mas vamos dar a volta por cima. Nós temos as cartas.Temos muito poder na China”, acrescentou o magnata.

Delegados

Na contagem até o momento, o magnata se aproximou do “número mágico” para ter a indicação na Convenção do partido, obtendo 988 delegados.

Ele é seguido por Ted Cruz, com 568, e John Kasich, com 152.

Para concorrer à Casa Branca, o pré-candidato republicano precisa ter 1.237 votos, mas é cada vez mais forte, no entanto, a hipótese de que nenhum deles alcance esse número, o que faria com que a convenção republicana fosse aberta, ou seja, com os delegados escolhendo na hora quem será seu postulante nas eleições presidenciais.

USA: O mundo em meio a uma corrida nuclear

O governo de Barack Obama tem um projeto de US$ 1 trilhão para modernizar o arsenal nuclear do país. 

O mundo em meio a uma corrida nuclear
Planos de fabricar um novo míssil nuclear de longo alcance (LRSO) estão sendo criticados (Foto: Wikipedia)
Há 25 anos, telespectadores do mundo inteiro assistiram à exibição da tecnologia de mísseis de cruzeiro dos Estados Unidos. Enquanto os jornalistas escreviam suas reportagens no teto do hotel Al Rashid em Bagdá, os mísseis Tomahawk surgiram na tela percorrendo as ruas da cidade em seu caminho para atingir alvos com uma precisão fantástica.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Fabricado no auge da Guerra Fria como um míssil nuclear, que podia carregar uma ogiva nuclear ou uma carga explosiva comum, o míssil Tomahawk tem estado na vanguarda da maioria dos ataques aéreos dos EUA desde a primeira Guerra do Golfo.

No entanto, os planos de fabricar um novo míssil nuclear de longo alcance (LRSO), antes que os antigos sejam retirados de circulação em 2030, como parte do projeto do governo Obama de renovar o complexo nuclear obsoleto do país e expandir a produção de armas nucleares nos próximos 30 anos com um custo de $1 trilhão, estão sendo criticados.

William Perry, secretário de Defesa de 1994 a 1997, encarregado do projeto do míssil de cruzeiro no Pentágono no final da década de 1970, e Andrew Weber, secretário-adjunto de Defesa responsável pelos programas de defesa nuclear, química e biológica de 2009 a 2014, causaram surpresa em outubro ao defender o cancelamento dos planos de fabricar mil mísseis nucleares. Esse cancelamento representaria uma economia de US$25 bilhões ao país.

Segundo Perry e Weber, os mísseis nucleares de cruzeiro são “armas desestabilizadoras”, porque os inimigos em potencial não conseguem distinguir se estão sendo atacados com uma carga explosiva convencional ou com uma ogiva nuclear.

O fato de não produzirmos o LRSO, disseram, “não diminuirá o enorme poder de dissuasão nuclear dos EUA”. Especialistas em controles de armas receiam que as justificativas do Pentágono para a fabricação de novos mísseis e da nova bomba atômica extremamente precisa, sugerem que as doutrinas da Guerra Fria, controversas na época, como o aumento do controle e do limite das guerras nucleares, estão sendo retomadas.

Hillary Clinton, que em geral tem uma postura mais incisiva e enérgica do que Barack Obama, ao lhe perguntarem em Iowa qual era sua opinião sobre o projeto de US$1 trilhão para modernizar o arsenal nuclear americano respondeu, “Bem, ouvi comentários. Vou procurar me informar com mais detalhes. Mas para mim não faz sentido”.

A observação da Sra. Clinton traiu a pressão que tem sofrido por parte do candidato democrata de esquerda e seu rival nas pesquisas de intenções de votos, Bernie Sanders.

Mas muitos democratas decepcionaram-se por Obama não ter se mantido fiel ao projeto de um mundo sem armas nucleares, como descreveu no discurso em Praga no ano de 2009, que lhe ajudou a ganhar o prêmio Nobel da Paz, talvez uma escolha um pouco prematura.
Fonte: Opinião&Notícia

Grupo ligado a Al-Qaeda usa falas de Trump para recrutar jihadistas

Vídeo divulgado pelo Al-Shabab usa discursos anti-islâmicos da pré-campanha presidencial de Donald Trump para incitar jovens dos EUA a se unirem ao grupo. 

Grupo ligado a Al-Qaeda usa falas de Trump para recrutar jihadistas
Donald Trump minimizou sua aparição no vídeo do grupo jihadista
(Foto: Flickr/TPNN)
Um vídeo publicado na última sexta-feira, 1º, pelo grupo terrorista Al-Shabab, um aliado da Al-Qaeda, usa imagens e falas do pré-candidato republicano à presidência dos EUA Donald Trump para incitar jovens muçulmanos e negros dos EUA a se unirem ao grupo.

O Al-Shabab se filiou à Al-Qaeda e age em países da África. O grupo foi responsável peloataque que deixou 60 mortos no shopping Westgate em 2013, em Nairóbi, no Quênia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Com 51 minutos de duração, o vídeo do grupo alerta sobre o aumento do racismo e da aversão ao Islã no país e usa como exemplo a proposta de Trump para barrar a entrada muçulmanos nos EUA.

O vídeo também alerta sobre o aumento das injustiças contra negros nos EUA, mostrando cenas de violência policial, protestos raciais e negros na prisão, alguns fazendo orações religiosas.

Também foram usados trechos de discursos de Malcom X, ícone da luta pelos direitos dos negros dos EUA.

No vídeo os jihadistas afirmam que “há uma nuvem pesada no horizonte” americano. Segundo eles, o país se tornará cada vez mais intolerante e a única saída é se unir à luta jihadista para combater o “ódio maligno” que tomou o país.

Uma fala do jihadista americano Anwar al-Awlaki, morto em 2011, em um ataque aéreo dos EUA no Iêmen, também é usada na gravação.

“Ontem os EUA eram uma terra de escravidão, segregação, linchamento e Ku Klux Klan.

Amanhã será a terra da discriminação religiosa e campos de concentração”, disse al-Awlaki. Neste momento, são mostradas imagens da campanha de Trump “Make America Great Again” (Tornem os EUA grandioso de novo).

Trump minimizou sua aparição no vídeo do grupo jihadista em uma entrevista dada à rede CBS no último sábado, 2. “O que posso fazer? Eu digo o que tenho que dizer. Eles usaram outras pessoas também”.

Há duas semanas, a pré-candidata democrata à presidência Hillary Clinton disse em um debate que o grupo Estado Islâmico estava usando imagens de Trump em seus vídeos. No entanto, a declaração foi desmentida, já que não foi encontrada qualquer evidência que a sustentasse.
Blog  Opinião e Política

Obama é o menos pior?

Obama é um fantoche de Wall Street, um homem que descriminalizou a tortura, um assassino que usa drones, alguém que está lançado uma guerra inconstitucional, apoia o sequestro e a detenção sem julgamento e processou mais gente do que todos os presidentes anteriores juntos.

Daniel Ellsberg (do site Common Dreams)

Mas uma administração Romney / Ryan não seria melhor em qualquer aspecto. Seria muito pior, catastroficamente pior em uma série de questões importantes: o Irã, a economia, os direitos reprodutivos das mulheres, a cobertura de saúde pública, a rede de segurança, as mudanças climáticas, o ambiente.

A organização republicana é extremamente perigosa, não só para os EUA, mas para o mundo. Vale a pena gastar algum esforço para impedir a sua ascensão ao poder, sem semear ilusões.

A única maneira dos progressistas e democratas bloquearem Romney é convencer pessoas suficientes em estados decisivos a votar em Obama.

E isso tem de incluir liberais desiludidos que estão neste momento inclinados a não votar ou a votar em um candidato de um terceiro partido (porque, como eu, eles não estão apenas decepcionados, mas desgostosos e furiosos com muito do que Obama tem feito nos últimos quatro anos e provavelmente vai continuar fazendo).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Isso não é fácil. O mantra de eleitores do terceiro partido, segundo o qual “não há diferença significativa entre os principais partidos”, equivale a dizer: “Os republicanos não são piores, em geral.” E isso é um absurdo. É loucamente divorciado da realidade do presente.

Alas de direita

É verdade que as diferenças entre os principais partidos não são tão grandes como seus candidatos afirmam, muito menos quanto nós gostaríamos. É mesmo justo usar a metáfora de Gore Vidal de que eles formam duas alas (“duas alas de direita”, como alguns já disseram) do Partido da propriedade, da plutocracia ou da guerra. Ainda assim, a realidade política é que uma é sem dúvida ainda pior que a outra.

Votar em Romney é algo que não serve a ninguém, a não ser aos republicanos, e ao 1%. Não é apenas compreensível, é inteiramente legítimo estar furioso com Barack Obama. Como eu estou. Ele tem agido mal de maneira escandalosa, não apenas timidamente. Se o impeachment pudesse ser decretado pela imaginação, ele teria o dele (como George W. Bush e muitos de seus antecessores). É inteiramente humano querer puni-lo. Mas a raiva não é geralmente propícia ao pensamento claro. E muitas vezes seu efeito pode resultar em votos para Romney.

Punir o mundo inteiro

Punir Obama significa punir a maioria dos pobres e marginais na sociedade, e também os trabalhadores. Não só nos EUA, mas em todo o mundo (eu acredito que os republicanos ainda poderiam converter esta recessão em uma Grande Depressão). Ele poderia muito bem travar uma guerra com o Irã (à qual Obama resistiu, indo contra a pressão de seu próprio partido). A reeleição de Barack Obama, em si, não vai trazer grandes mudanças. Mas eu diria a um progressista que, se sua consciência lhe diz para votar em alguém que não seja Obama, ele precisa de uma segunda opinião. Sua consciência está lhe dando maus conselhos.

Muitas vezes eu cito uma frase de Thoreau que teve grande impacto sobre mim: “Dê seu voto inteiro: não um pedaço de papel apenas, mas toda a sua influência.” Ele estava se referindo, nesse ensaio, à desobediência civil, ou, como ele mesmo definiu, “resistência à autoridade civil”. Isso significa usar todos os meios — redes sociais, emails, o que for — para convencer os cidadãos em dúvida a votar contra uma vitória de Romney, ou seja, na única alternativa real, Barack Obama.

Artigo transcrito do site Diário do Centro do Mundo. 
Daniel Ellsberg era analista militar  quando em 1971 decidiu vazar para o New York Times e outros jornais  os “Papéis do Pentagono”. 
Os documentos deixavam claro que os Estados Unidos não tinham como ganhar a Guerra do Vietnã.

Lugar de mulher é na Casa Branca

A jornalista Lúcia Guimarães e um texto delicioso sobre a eleição de Barack Obama e a consequente ascensão de Michelle Obama à Casa Branca. A jornalista inquieta-se com o desaparecimento, na mídia, da mulher advogada com diplomas de Harvard e Princenton, substituída por uma decorativa primeira dama. Será mais uma manifestação do machismo americano?

Michelle Obama – Foto Agência Estado

Lúcia Guimarães – O Estado de São Paulo

Sim, é claro, há muito ainda o que comemorar. Barack Obama será o senhor legítimo da residência construída com trabalho escravo. O mordomo negro da Casa Branca tornou-se uma celebridade, num novo momento extraordinário de seu longo serviço aos presidentes monocromáticos.

O simbolismo está em toda parte e não é abstração para satisfazer culpa liberal. Quando o deputado negro John Lewis, que quase morreu espancado durante um protesto pacífico em 1965, avisa “Não espero controlar as lágrimas no dia da posse”, sabemos que a história de um líder da luta pelos direitos civis como ele resiste a qualquer tentativa de trivialidade.

Mas, deixemos de lado a discussão sobre o controvertido modelito que Narciso Rodriguez criou para Michelle Obama, na noite da eleição. Em discussões com amigas articuladas, o vestido rubro-negro emergiu naturalmente e notei a paixão das opiniões.

Se voltamos atrás alguns meses, lembramos que essa eleição poderia ter colocado a primeira mulher na Presidência dos Estados Unidos. Não importa os sentimentos despertados por Hillary Clinton, será justo esperar que este movimento sísmico, sob o slogan “Mudança”, eleve também as mulheres?

Michelle Obama, que notoriamente não morria de amores pela senadora nova-iorquina, declarou diplomática: “Estou aprendendo muito com Hillary sobre a vida na Casa Branca, sobre como criar filhos sob o olhar atento da mídia.”

Beijinho, beijinho, tchau tchau.

Por que só se fala agora na Primeira Mãe e não na advogada com diplomas de Princeton e Harvard, que era uma profissional bem-sucedida quando foi convocada a treinar o estagiário paquerador Barack? Por que a decisão da Primeira Avó de se mudar para a Avenida Pennsylvania é manchete na CNN com direito ao comentário de um “analista” historiador?

Não basta termos sido contemplados quase diariamente, após a eleição, com a cena de Sarah Palin “surpreendida” em sua cozinha preparando alce diante de cada âncora de TV que se deslocou milhares de quilômetros para nos servir mais doses do seu besteirol?

Por que o telejornalismo mais liberal dá cambalhotas para reforçar a personalidade doméstica de Michelle Obama? A responsabilidade será da própria, por falar tanto de escolha de colégios, aulas de balé, prática de futebol e outras atividades que formam a hiperestimulada infância contemporânea? Assessores democratas repetem, “as duas meninas são a primeira preocupação de Michelle quando ela acorda e a última quando ela vai dormir”. Uau.

Levante a mão aí quem equilibrou maternidade e profissão sem direito a alternativa e não mereceu 30 segundos de horário nobre.

Há um subtexto nada sutil entre os jornalistas que dizem, Michelle Obama está mais mais Laura Bush do que Hillary Clinton. Hillary fez trapalhadas homéricas no começo do primeiro mandato do marido e alguns atribuem à sua desastrosa força tarefa para reformar o seguro saúde a vitória Republicana das tropas de Newt Gingrich, em 1994. Mas o subtexto é equivalente ao reflexo de um motorista que é vítima da barbeiragem de uma mulher ao volante e confirma seu preconceito.

Michelle Obama promete ficar no banco do passageiro e o país celebra sua domesticidade. Ela foi atacada pela franqueza sarcástica no começo da campanha e se suavizou. Sugeriu que vai lutar pelos direitos dos veteranos que voltam do Iraque e se suicidam duas vezes mais do que a população civil (e se isso atrapalhar o recital de piano da adorável Malia?)

Ainda que o gabinete Obama venha a refletir uma cartilha progressista, este súbito romance com a mulher, que faz pouco de seu enorme poder nos próximos quatro anos, é uma desnecessária brisa melancólica sobre o mar de expressões extasiadas que vamos testemunhar na manhã fria de 20 de janeiro de 2009.

Tive hoje o flashback de um momento que havia esquecido porque não coleciono troféus de vitimização. A luz fluorescente da sala no pavilhão pediátrico do Hospital Monte Sinai atrapalhava a visão da tela do laptop no meu colo. À minha volta, enfermeiras entediadas assistiam à TV, mães entravam e saíam em silêncio, o coração pesado era nossa linguagem comum. O ano era 1997 e escrevia minha primeira coluna para este jornal, interrompida várias vezes para conferir se o tubo de soro ligado à veia da minha filha estava em ordem. A coluna saiu – mal escrita -, minha filha saiu do hospital com saúde e sem diagnóstico.

A ordem de viver, como lembra o poeta, é seguida por milhões de mulheres anônimas , sem mistificação e sem voz ampliada numa coluna de jornal.

Michelle Obama, aqui vai uma sugestão. Você usa o seu acesso para melhorar a vida dos veteranos amputados, das mulheres sem seguro saúde, ou para qualquer trabalho à altura da sua inteligência e lhe damos o crédito merecido. Afinal, nem todas temos o privilégio de afetar a vida de milhões de pessoas com um cutucão no sujeito deitado ao lado.

Quando você assar biscoitinhos para a quermesse da quarta série, por favor, celebre o feito na privacidade de um dos 132 cômodos da sua próxima residência.

Obina na cabeça ou Obama nas alturas

O jornalista Marco Antônio Pontes, em sua coluna semanal “Comunicação & Problemas”, no Jornal da Comunidade, de Brasília, lembra que os estadinudenses ao se apoderarem do gentílico “americano” revelam uma pretensão hegemônica sobre toda a América. O demais cidadãos, naturais da América do Norte, Central e do Sul, somos o quê, imigrantes ilegais?

Esse candidato negro que concorre à Presidência dos Estados Unidos da América, nas eleições de terça-feira, nasceu numa província do império estadinudense que foi tomada de um povo pacífico por interesses estratégicos militares, o Havaí. O Havaí não fica na América. Ao contrário, dista milhares de quilômetros desse continente. É uma ilha que aparece no meio do Oceano Pacífico. Ainda assim, esse candidato, que se diz diferente por ser negro, defende o poder de império daquele país e prefere dizer que é americano do que polinésio. Num de seus comícios, o candidato prometeu aos eleitores mudar os Estados Unidos e mudar o mundo. Ou seja, para o Sr. Obama o tal do mundo é aquele pedaço do globo terrestre onde “americanos” podem mandar e desmandar, inclusive mudar.

Que a massa de consumidores de enlatados culturais torça pela vitória do candidato negro, o “diferente” (em quê?), é compreensível, porque se julgam participantes (sem voto) das decisões tomadas pelo império quando consomem produtos e costumes que lhes são impostos. Líderes, porém, como o Nosso Guia e Grande Timoneiro Luiz Inácio e outros tantos mundo afora declararem simpatia pela vitória de qualquer dos candidatos à presidência dos Estados Unidos da América é miopia política, medo de enfrentar a realidade ou burrice chrônica. Esse império, e o mal que apregoa, só será barrado se for derrotado. Para eles (estadinudenses) não existe outra linguagem. E mudar o mundo, como apregoa o candidato pelo Partido Democrata, significa moldar o mundo à sua imagem, semelhança e interesses.

do blog do Campello