ELEIÇÕES 2018 Com Bolsonaro ainda mais limitado, bate-cabeça se aprofunda em sua campanha

Sem poder se comunicar de forma adequada no hospital, candidato pode ter sua força questionada. Nos bastidores, organizadores se atrapalham sobre os rumos a seguir

Boneco de Bolsonaro em frente ao hospital Albert Einstein.

 Boneco de Bolsonaro em frente ao hospital Albert Einstein. SEBASTIÃO MOREIRA EFE 

A cirurgia de emergência do candidato Jair Bolsonaro (PSL) na noite desta quarta-feira (12), após a detecção de uma aderência obstruindo o intestino delgado, impõe novos desafios para sua campanha ao Palácio do Planalto. A estratégia de gravar vídeos diários para as redes sociais, prevista para começar esta semana, foi adiada em função do grave estado de saúde do presidenciável, que voltou para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, onde se recupera “sem intercorrências” e com visitas restritas a familiares para reduzir o risco de infecção. Sem prognóstico de alta do candidato nem mesmo da UTI, alguns correligionários já admitem que ele não retomará a campanha ou participará de debates até o primeiro turno, no dia 7 de outubro, o que abre espaço para que políticos de seu círculo íntimo comecem a se movimentar —e entrar em atrito.

Com o candidato fora de cena, seus filhos e o candidato a vice na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), começaram a assumir o protagonismo da campanha, de forma aparentemente desordenada. O ato mais ousado veio do militar, cujo partido entrou com um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que possa representar Bolsonaro nos debates. A ação, entretanto, não contou com o aval da cúpula do PSL, que não foi consultada antes de o general ter se voluntariado para ocupar o púlpito destinado ao capitão da reserva. Na terça-feira Mourão foi além, e afirmou que “este troço já deu o que tinha que dar”, referindo-se à facada levada pelo companheiro de chapa, e disse ainda que era preciso acabar com a “vitimização” do capitão. As declarações foram consideradas insensíveis por partidários de Bolsonaro.

O presidente do PSL paulista, Major Olímpio, tratou de colocar panos quentes no assunto, e negou que haja mal-estar entre o vice e os líderes do PSL após o pedido feito ao TSE. “Nós não demos muita importância a esse tipo de coisa. A intenção foi 100% positiva, pra quem conhece o general Mourão”, afirmou nesta quinta-feira ao visitar Bolsonaro no hospital Albert Einstein. Segundo Olímpio, é positivo ter o candidato a vice nos debates para falar das propostas do militar reformado e defendê-lo de possíveis “ataques” dos demais presidenciáveis. “Agora isso não depende de nós. Depende do TSE”.

Segundo Olímpio, o PSL está tentando unir as agendas dos líderes partidários com a dos filhos de Bolsonaro e do general Mourão para tentar passar uma imagem de coesão dentro da chapa, que lidera as intenções de voto até o momento. Nos próximos dias estão marcados atos de campanha em Assis, Marília, Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo, Bauru e Itupeva, no interior do Estado de São Paulo. “Quanto mais eu puder ter o general Mourão em São Paulo, mais isso fortalece o Jair Bolsonaro”, afirma, fazendo a ressalva de que o general “tem um perfil diferente, não é homem de estar nas massas”. Para Olímpio, os 33 milhões de eleitores paulistas podem ajudar a definir a eleição “no primeiro turno”. Para o partido isso seria importante, tendo em vista que até o momento nas simulações de segundo turno da mais recente pesquisa, o Datafolha, o máximo que o capitão obtém é um empate com o petista Fernando Haddad (PT).

Apesar do esforço de Olímpio para amarrar um agenda conjunta, o general parece ter outros planos. “Já estou no Paraná desde terça-feira, e nos próximo dias irei até o Rio de Janeiro e Manaus”, afirmou Mourão em conversa por telefone com o EL PAÍS. “O Brasil é enorme, temos que nos mover”, disse. O candidato a vice negou que tenha agido de forma desleal com o partido de Bolsonaro ao propor sua participação nos debates: “Eu apenas estou fazendo minha parte como segundo na campanha. Não posso substituí-lo, ele é insubstituível. Apenas o que posso fazer é aumentar a minha circulação pelo país para difundir nossas ideias”.

Outra peça importante no xadrez da campanha bolsonarista é o candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, um dos coordenadores da ponta fluminense da campanha. Ele também nega qualquer mal-estar entre seu partido e Mourão. “O general é um cara 100% fechado com a gente, confiamos plenamente nele, e ele mostra que está disposto a ajudar onde for necessário”, afirma. No entanto, Flávio diz que a participação do vice ou de qualquer um dos filhos do capitão em eventos ou agendas da chapa depende da decisão do candidato à presidência. “A participação dele depende da anuência do Jair, é dele a decisão final. Se ele entender que o Mourão tem que ir [aos debates], ele é super qualificado, não será uma peça decorativa”, explica. “Somos todos soldados do capitão, a palavra final é sempre dele”. Seja como for, Bolsonaro foi aconselhado pela equipe do Einstein a falar o menos possível para evitar qualquer complicação extra na recuperação. “Quando ele estiver em condições de tomar decisões, irá tomá-las”, disse Flávio.

Do leito do hospital, o próprio Bolsonaro usou o Twitter para tentar conter os rumores de bate-cabeça. “Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão!”, escreveu.

“Forte como um cavalo”

Hospitalizado há sete dias, desde que levou uma facada no abdômen durante ato em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro não deve voltar tão cedo para a campanha. E as perspectivas de retorno são ainda piores desde esta quarta-feira. O professor de cirurgia intestinal do Hospital das Clínicas, Carlos Sobrado, explica que uma complicação tida pelo capitão da reserva é comum neste tipo de trauma, mas é grave. “Nessas condições, o pós-operatório é complicado. O candidato tem mais de 60 anos, já passou por duas cirurgias em pouco tempo e está há uma semana sem se alimentar. Com certeza vai passar outra semana em jejum para depois retomar a dieta de forma muito gradativa”, analisa. Segundo ele, se o presidenciável evoluir positivamente, deverá receber alta em dez ou doze dias. “Acredito que no dia 7 [de outubro, quando acontece o primeiro turno] ele já estará em casa, mas não vai voltar a fazer campanha. Talvez para um segundo turno, se ele passar, ele tenha condições de participar de alguma atividade, mas com muito cuidado e restrição”, afirma. 

O contraste entre o capitão da reserva que construiu sua carreira política alicerçada em um discurso conservador —e viril— e o candidato acamado com saúde fragilizada desempenha um duplo papel na campanha. “O drama pessoal humaniza o Bolsonaro, sempre há lugar no imaginário coletivo para os heróis feridos, que enfrentam situações adversas”, explica o cientista político Antônio Lavareda, da Universidade Federal do Pernambuco. “Mas suponha que isso se estenda até o segundo turno, que ele continue fora da campanha caso avance para a reta final do pleito: aí é impossível prever o efeito que a ausência e fragilidade da saúde de Bolsonaro terão na cabeça das pessoas”, diz. Para o professor, até o momento o fato de que o candidato não poderá ir a debates e sabatinas é positivo para ele, que não terá que se expor. “Mas enquanto ele fica no hospital outros personagens de seu círculo próximo ganham protagonismo, e eventualmente entram em conflito. Isso tudo deixa a opinião publica desconcertada, sem saber exatamente qual o estado de saúde do capitão”, afirma, lembrando também o “trauma coletivo” que foi a morte do então presidente Tancredo Neves em 1985, que foi eleito, mas morreu antes de ser empossado, dando lugar a seu vice, José Sarney.

Flávio Bolsonaro afirma mesmo que o pai esteja em situação delicada no momento, sua imagem não será prejudicada. “Se ele não fosse forte já estava morto. É incrível como ele se recupera muito rápido de todas as cirurgias, operação após operação”, diz. O vereador Carlos Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio, também endossa o discurso familiar de que o capitão é “forte como um cavalo”. No Twitter ele escreveu que apesar da “noite delicada (…) o velho é forte como um cavalo, não é à toa que seu apelido de Exército é ‘cavalão!”. Resta saber quanto vigor pode ter Bolsonaro para liderar uma corrida eleitoral da cama do hospital.

Eleições 2018: País precisa de presidente que não seja um problema, diz Alckmin sobre Bolsonaro

Presidenciável do PSDB declarou que sua campanha não deve alterar os rumos por causa do atentado a candidato do PSL

Eleições 2018: Alckmin é Temer

O PSDB é um PT que toma Moet Chandon em vez de 51.Alckmin,Eleições 2018,Blog do Mesquita

A candidatura do “santo” Geraldo Pinóckmin está com o prazo de validade vencida. Cheira a bolor.
Geraldo Alckmin e todos do PSDB, são a continuidade do Governo Miguel Temer. Foi o PSDB de Aécio, Zé “Suíça” Serra, Antonio Anastasia, etc., quem colocou Temer no Planalto e lhe deu Sustentação Política e Cleptocrática.
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TSE manda tirar do Facebook vídeo pró-Bolsonaro de dono da Havan

Reportagem do EL PAÍS mostrou que empresário Luciano Hang pagou para turbinar alcance de mensagem, o que é ilegal.

TSE manda tirar do Facebook vídeo pró-Bolsonaro de dono da Havan
A coligação do candidato tucano Geraldo Alckmin (PSDB)pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para retirar do Facebook um vídeo pró-Jair Bolsonaro publicado pelo empresário Luciano Hang. A representação por propaganda ilícita contra o candidato do PSL foi feita depois que uma reportagem do EL PAÍS revelou que o dono da rede de varejo Havan pagou à rede social para que a mensagem alcançasse mais pessoas, o que fere a lei eleitoral. O TSE acatou o pedido da campanha de Alckmin e removeu o conteúdo.

Há cerca de 15 dias, Hang foi às redes sociais anunciar seu apoio a Jair Bolsonaro e investiu usando a ferramenta de anúncios do próprio Facebook para aumentar o alcance e a visibilidade conteúdos pedindo votos para o candidato. Apesar da expressa proibição à terceirização de propaganda eleitoral não identificada, os conteúdos de apoio a Bolsonaro publicados pelo proprietário da Havan permaneceram turbinados com dinheiro durante todo o final de semana entre os dias 17 e 19 de agosto e o impacto foi significativo. Enquanto esteve no ar, a transmissão ao vivo declarando apoio ao candidato do PSL acumulou mais de 1.324.483 de visualizações, além de 100.176 reações, 49 mil comentários e 28 mil compartilhamentos.

A decisão que ordenou a retirada do vídeo foi assinada pelo ministro do TSE Og Fernandes no dia 24 de agosto. O magistrado ressaltou que a Lei das Eleições veda expressamente qualquer tipo de veiculação de propaganda eleitoral paga na Internet, com o objetivo de evitar a interferência do poder econômico e a introdução de interesses comerciais no debate eleitoral. Pela legislação, só os candidatos e coligações podem pagar para promover suas mensagens no Facebook ou no Google. O Facebook informou, por meio de sua assessoria, que cumpriu a ordem judicial e indisponibilizou o anúncio considerado irregular pelo TSE.

Além do vídeo, no entanto, havia outra publicação de Hang que promovia Bolsonaro e aplicava dinheiro para que fosse vista por mais pessoas que segue no ar. A fotografia do empresário com Jair Bolsonaro obteve mais de 190 mil reações (que reúne curtidas e outras respostas), 11 mil comentários e 30 mil compartilhamentos.
FERNANDA BECKER

Dono da Havan desafia lei eleitoral para promover Bolsonaro no Facebook

Dinheiro aplicado na página de Luciano Hang, dono da rede de lojas, faz sua mensagem superar a de todos os presidenciáveis na rede social

Loja da Havan em Brusque.
Loja da Havan em Brusque. DIVULGAÇÃO 

O empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas de departamento Havan, foi às redes sociais anunciar seu apoio ao candidato Jair Messias Bolsonaro (PSL). Em uma transmissão ao vivo de 48 minutos no Facebook, o empresário defendeu o programa do ex-militar com um discurso inflamado. “O Bolsonaro é humilde, é simples, é prático, é comprometido com o país (…) Temos tudo para dar certo, por que damos errado? Porque votamos errado (…) Tenha você coragem, empresário ou não, cidadão, dona de casa, tenha coragem de abrir a boca e pedir voto. Vamos ganhar essas eleições no primeiro turno”. Foi na última quinta-feira a a página oficial do candidato foi marcada na legenda do vídeo, que ao longo do final de semana recebeu 1,2 milhão de visualizações. O empresário também publicou em sua página uma fotografia em que posa com o militar da reserva convidando seus fãs a conhecerem o programa do postulante ao Planalto.

Hang seria mais um apoiador de Bolsonaro usando seu direito de se expressar politicamente no Facebook, a não ser por um detalhe: ele pagou para que a mensagem fosse vista pela maior quantidade possível de frequentadores do Facebook. Ele fez o chamado “impulsionamento”: investiu usando uma ferramenta da própria rede social para que o alcance de sua mensagem pedindo votos para Bolsonaro fosse turbinado. No entanto, a prática, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é ilegal. É que, pela reforma política aprovada no ano passado, não pode haver “terceirização” da propaganda. A legislação, que estreia neste ano rodeada de dúvidas, diz que só os próprios candidatos, partidos e suas coligações podem comprar propaganda eleitoral no Facebook. Para que isso seja feito, é necessário, primeiro, que os usuários sejam cadastrados previamente (tanto no TSE quanto no Facebook) para que possam investir recursos para exibir seus posts, devidamente identificados como propaganda eleitoral, para um número maior de pessoas do que normalmente ele apareceria.

Apesar da expressa proibição, os conteúdos de apoio a Bolsonaro publicados pelo proprietário da Havan permaneceram turbinados com dinheiro durante todo o final de semana e o impacto foi significativo. A mensagem apareceu no monitoramento das menções aos candidatos feito pelo EL PAÍS justamente porque seu sucesso e poder viral destoavam da média. A ação desbancou boa parte dos conteúdos que citavam os demais candidatos. Entre todas as citações de postulantes ao Senado, coletadas entre os dias 8 e 20 de agosto no Facebook, as postagens de Hang foram campeãs de interações (tudo envolvendo o vídeo, de curtidas a compartilhamentos), ocupando a primeira e a segunda posições no ranking (ver gráfico). A fotografia do empresário com Jair Bolsonaro obteve 187.598 reações, 11 mil comentários e 29 mil compartilhamentos. Já sua transmissão ao vivo declarando apoio ao candidato acumulou mais de 1.324.483 de visualizações, além de 100.176 reações, 49 mil comentários e 28 mil compartilhamentos.

Dono da Havan desafia lei eleitoral para promover Bolsonaro no Facebook
 Regras da reforma política postas à prova

O caso de Havan é um exemplo dos desafios para a fiscalização da lei eleitoral nesta campanha. Essa é a primeira vez que as novas regras determinadas pela Reforma Política de 2017, incluindo a autorização para a compra de anúncios em redes sociais, são postas à prova. Na prática, como a fiscalização da lei é difícil, é como se ela não existisse. Apesar da proibição, qualquer pessoa física com um cartão de crédito pode pagar para promover sua mensagem e o Facebook simplesmente não vai fazer triagem prévia se aquele conteúdo fere ou não a legislação eleitoral. A única coisa que a rede social restringe são os conteúdos que infringem suas próprias regras de comunidade ou a pedido da Justiça Eleitoral.

“É função do TSE fiscalizar as propagandas eleitorais”, afirma o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral. “Por isso, não adianta denunciar um post político no Facebook”, alerta. Não existe nenhum mecanismo de auditoria da Justiça Eleitoral para avaliar o que acontece dentro da rede social. Segundo o TSE, eventuais denúncias devem ser apresentadas ao Ministério Público Eleitoral e, se houver alguma fundamentação, serão analisadas. O MP Eleitoral, por sua vez, afirma que não se manifesta sem que haja um procedimento aberto de investigação, que só pode ser feito após uma denúncia online feita por partidos, candidatos ou mesmo cidadãos comuns. O que não aconteceu no caso da postagem de Luciano Hang.

Dono da Havan desafia lei eleitoral para promover Bolsonaro no Facebook
O problema é que o próprio conceito de propaganda eleitoral nas redes sociais é difuso. Segundo o advogado Rollo, se a postagem tiver nome e número do candidato, é pedido de voto.  Mas, para o empresário Luciano Hang, suas postagens são apenas manifestação de intenção de voto e não pedidos. “Meu Facebook e minhas redes sociais são motivacionais, para passar um pouco da minha vivência no dia a dia da nossa empresa”, disse ele ao EL PAÍS.

Hang afirma não ter alinhado sua estratégia com a campanha de Bolsonaro. O empresário não divulga quanto investiu nos impulsionamentos, mas afirma que quer que o maior número de pessoas o vejam – “para que possamos mudar o nosso país”. No entanto, ele garante não ter conhecimento de que suas postagens podem ser enquadradas como propaganda eleitoral. “Fiz um vídeo abrindo meu voto, em quem eu vou votar. Lá dentro eu falo que cada um tem o direito de escolher seu candidato. De nenhuma forma pedi voto para ninguém”, diz.

Em casos que a Justiça Eleitoral avalie que há violação da lei, tanto o responsável pela divulgação da propaganda ou pelo impulsionamento do conteúdo,quanto seu beneficiado (quando comprovado seu conhecimento prévio) podem ter de pagar multa entre 5.000 reais e 30 mil reais, ou em valor equivalente ao dobro da quantia investida, caso o cálculo superar o limite máximo da multa. Procurada, a campanha de Jair Bolsonaro não se manifestou sobre o caso.

O papel da propaganda segmentada

O debate sobre o que é ou não propaganda eleitoral, turbinada e terceirizada, no Facebook, não é menor. Os especialistas ainda discutem, no Brasil e no exterior, que peso as redes sociais tem na definição do voto e na motivação para sair para votar. O pulo do gato da rede de Mark Zuckerberg é permitir um tipo de propaganda refinada. O Facebook oferece um serviço de direcionamento de conteúdos para públicos segmentados por características como idade, gênero, estado civil, faixa de renda, interesses, comportamentos, traços psicológicos e tipos de vínculos familiares. Os impulsionamentos garantem que a mensagem chegue ao público selecionado pelo contratante, enquanto aquele conteúdos publicados por páginas entendidas como menos relevantes pelo Facebook tendem a ter sua visibilidade bastante limitada.

Casos como o de Luciano Hang continuarão sem qualquer monitoramento. De acordo com o Facebook, não cabe a eles decidir o que é ou não é propaganda eleitoral. “Outros continuarão argumentando que seria melhor que não tivéssemos esse tipo de anúncio no Facebook. Mas acreditamos em dar voz a campanhas legítimas – ao mesmo tempo em que ajudamos a garantir que as pessoas possam descobrir quem está tentando influenciar seu voto e por quê”, informa a rede social. 

Já os candidatos que usam os canais oficiais da rede já podem, sim, ser monitorados, mesmo que de maneira limitada. Para se ajustar à nova legislação aprovada com a Reforma Política de 2017 e, posteriormente, regulamentada pelo TSE, o Facebook divulgou no final de julho um conjunto de medidas para ampliar a transparência de páginas e anúncios no Facebook. Em junho, a empresa disponibilizou a consultar os impulsionamentos pagos veiculados por páginas na rede social. A medida, entretanto, não informa para quais públicos os anúncios foram direcionados nem o montante investido.

No início de agosto, a rede social anunciou o início do cadastramento candidatos, seus representantes, partidos e coalizões políticas. O cadastro permite aos envolvidos marcar um anúncio como “propaganda eleitoral” durante o período de oficial de campanha. A empresa também criou a ferramenta Biblioteca de Anúncios, que hospedará por sete anos todos os anúncios relacionados a política, incluindo propaganda eleitoral, com informações a respeito do valor aproximado gasto e o público demográfico impactado por cada anúncio. No entanto, a biblioteca também só contempla os anúncios de candidatos/partidos/coligações que se cadastrarem voluntariamente.
ElPais

Eleições 2018; Alckmin e um “mensaleiro” formaram o quadrilhão

Valdemar Costa Neto, o ‘mensaleiro’ que costurou a união de Alckmin com o Centrão

Valdemar Costa Neto Eleições 2018
Valdemar Costa Neto (de gravata escura), em rara aparição no dia 11, ao deixar a casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Foto P. LADEIRA FOLHAPRESS

Grupo que reúne cinco partidos e têm três minutos de TV anuncia oficialmente apoio ao tucano nesta quinta. Costa Neto, um dos pivôs do mensalão, é celebrado no mundo político pelo papel de articulador 

Valdemar Costa Neto é o claro exemplo de eminência parda na política brasileira. Oficialmente não ocupa nenhum cargo na direção do Partido da República, o qual presidiu por mais de duas décadas até ser condenado a sete anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão petista. Há três anos cancelou sua filiação ao PR, mas todos os movimentos do partido ainda dependem dele. É o presidente de fato, mas não o de direito. Assim foi também nos três anos em que esteve preso ou cumprindo prisão domiciliar até receber um indulto. Aos 67 anos, sendo 23 deles passados como deputado federal, ele é um enxadrista na política do Planalto Central. Ultimamente não concede entrevistas. E raramente aparece em público.

Foi uma jogada feita por Costa Neto que levou cinco partidos do centrão a darem passos largos até a rampa de acesso ao barco da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República. Ele ofereceu o empresário Josué Gomes (PR-MG) para ser vice do tucano. Consigo levou o tempo de propaganda no rádio e na TV do seu PR, do DEM, do SD, do PRB e do PP (três minutos) e parte de seus fundos eleitorais (440 milhões de reais).

Apesar da oferta, é provável a negativa de Josué. Mas o PR não pensa em se desvincular de Alckmin porque Costa Neto é o tipo de político leal aos seus, que costuma cumprir acordos, independentemente do que for combinado. “Valdemar não tem atributos que a sociedade aprecia, mas que os políticos apreciam. É um jogador de time, até ajuda os deputados que estão em dificuldade e foram presos ou acabaram com poucos recursos para suas campanhas”, explicou o cientista político Leonardo Barreto, da agência Factual Informação e Análise.

No anúncio oficial de apoio do centrão ao ex-governador Alckmin, nesta quinta-feira, a ausência de Costa Neto foi notada, mas o pré-candidato tucano fez questão de agradecer a ele pelos esforços em unir o grupo. Pediu para o deputado Milton Monti (PR-SP) mandar um “fraternal abraço para o Valdemar”. No evento, em um hotel de Brasília, representantes de cinco partidos do centrão discursaram a favor de Alckmin. Todos disseram que a escolha pelo nome dele não era uma unanimidade entre as lideranças locais das legendas, mas depois de quatro meses de conversas com as bases e entre eles, conclui-se que o tucano seria o único capaz de agregar o país e se tornar um conciliador. Em sua fala, Alckmin afirmou que o Brasil não precisa de extremistas. “O caminho não é nem o autoritarismo nem o populismo, mas a democracia”. A fala foi direcionada a concorrentes que ele e seu grupo consideram radicais, como Jair Bolsonaro(PSL) e Ciro Gomes (PDT).

Nas últimas semanas o centrão flertou com o pedetista, mas não chegou a um acordo para se aliarem. “Nos últimos tempos fiquei me perguntando se seria correto se aliar a um candidato e torcer para outro ganhar”, afirmou o presidente do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto. Ele não citou nominalmente ninguém, porém, boa parte dos espectadores (cerca de 20 deputados e líderes partidários) entendeu que a fala era direcionada a Ciro.

Até agora, o PSDB conseguiu agregar oito partidos em seu arco de alianças (PSD, PPS, PRB, PTB, PR, SD, DEM e PP). Ainda negocia com o PV. Quase metade do fundo eleitoral e do tempo de propaganda em rádio e TV ficará com esse grupo. O papel de Costa Neto na construção desse espectro de siglas é evidente. O professor Wladimir Gramacho, da Universidade de Brasília (UnB), diz que Costa Neto tem uma capacidade de amalgamar as diferentes correntes do partido. Consideradas as devidas proporções, tem a mesma relevância que Luiz Inácio Lula da Silva tem para o PT. “Por mais que ele não conste como liderança oficial, ele tem os recursos políticos necessários para continuar mandando”, afirmou.

Nos últimos dias, antes de tomar a decisão sobre qual presidenciável apoiar, segundo aliados, Costa Neto se fez uma série de perguntas e depois as repetiu aos outros líderes do Centrão. Algumas delas foram: qual a estrutura que o candidato vai nos dar? Cederá espaços nas chapas estaduais para as candidaturas ao Senado ou a vice-governador? Abrirá a mão de candidaturas para deputados federais em coligações proporcionais? Darão espaços nas mesas de tomadas de decisão em caso de eleitos? Seus compromissos costumam ser cumpridos?

Ao responderem um a um a esses questionamentos foram eliminando tanto Jair Bolsonaro (PSL) quanto Ciro Gomes (PDT). Tudo os direcionava à candidatura tucana, mas os resultados das pesquisas que colocavam o ex-governador de São Paulo com menos de 10% das intenções de votos desanimaram os líderes do Centrão. Por isso, na avaliação do cientista político Barreto, iniciou-se um falso leilão entre os três concorrentes ao Planalto. “No fundo, eles queriam trocar a candidatura do Alckmin pela do [João] Doria. Mas como o PSDB é presidido pelo Alckmin e ele não aceitou essa troca, acabaram tendo de fechar com ele, mesmo”.

Mais uma vez, Costa Neto usou de sua habilidade para assegurar o grupo ao tucano. Articulou que, independentemente dos eleitos para o Congresso Nacional, todos se comprometeriam a estarem unidos nas disputas para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Além disso, não obrigariam seus diretórios estaduais a se unirem aos candidatos do PSDB local. Essa sugestão surgiu muito por conta das especificidades do Nordeste, onde boa parte do PR ainda é ligada aos candidatos do PT. E eleger deputados ainda é a prioridade dos representantes do PR.

A questão mineira

Além disso, pesquisas mostram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) ainda tem a maioria dos votos dos nordestinos. E há a perspectiva de que parte considerável desses votos seja transferida para o seu indicado, já que é improvável que Lula possa se candidatar por conta de sua condenação judicial na operação Lava Jato. Ao não querer confrontar Lula no Nordeste e oferecer o apoio a Alckmin, mais uma jogada foi feita mirando o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais. Josué é mineiro e estava sendo cotado para ser vice-governador na chapa do candidato à reeleição Fernando Pimentel. Acabou sendo levado a apoiar Antonio Anastasia (PSDB) e, dessa maneira, passou a atuar involuntariamente como um dos símbolos anti-PT.

Acostumado a estar próximo ao poder, Costa Neto só foi oposição durante um curto período na gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Desde a redemocratização do país, acostumou-se a apadrinhar aliados para funções chaves no Executivo. Foi ele quem indicou o empresário José Alencar (pai de Josué) a vice de Lula. Nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff alçou outro voo alto. Colocou a legenda no comando do Ministério dos Transportes e, consecutivamente, em todas as superintendências estaduais. A visibilidade das obras feitas nas rodovias ajudaram a eleger sua bancada para o Legislativo nos anos de 2006, 2010 e 2014. Na gestão Michel Temer (MDB), manteve toda a estrutura dos Transportes e conseguiu emplacar aliados em postos chaves no ministério da Agricultura e na Caixa Econômica Federal. Seguiu com portas abertas no Palácio do Planalto, onde foi recebido em audiência oficial pelo presidente Temer em 23 de maio.

A proximidade de Costa Neto com Temer também fez com que o presidente agisse a favor de Alckmin e contra Ciro Gomes. O emedebista queria que o centrão fechasse com seu candidato oficial, Henrique Meirelles. Mas, diante dessa impossibilidade, Temer decidiu agir para não fortalecer um dos principais críticos ao seu Governo. Ciro já havia chamado o presidente de “quadrilheiro” e que todos os partidos que dão sustentação à gestão são picaretas. Os cinco representantes do centrão têm ou tiveram cargos graúdos na máquina federal. Dois de seus líderes, o senador Ciro Nogueira e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (ambos do PP) também são próximos de Temer e influenciaram na decisão do grupo.

De Tiririca ao Governo do DF

Se não bastasse a atuação na esfera nacional, Costa Neto também age em questões regionais. Almejando manter uma considerável bancada de deputados por São Paulo, ele tenta convencer o palhaço e deputado federal Tiririca (PR-SP) a não desistir da política. Parlamentar eleito em dois mandatos consecutivos, o humorista anunciou no ano passado que estava desistindo da política e que não disputaria mais eleições. Nesses quase oito anos de mandato ele não teve nenhum projeto de lei relevante aprovado e só ocupou os microfones da Câmara em apenas duas ocasiões, em uma votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e em outra foi seu anúncio. Ainda assim, a possibilidade de “puxar” novos deputados com ele (campeão de votos em 2010 e vice-campeão em 2014) são seus principais atrativos.

“O Valdemar é quem conhece todos os bastidores da política. Por isso que tanta gente o procura e ele foi fundamental nos acordos firmados recentemente em várias esferas”, afirmou o cientista político Valdir Pucci, professor da Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (FACIPLAC).

Em outra celeuma que Costa Neto tentou se meter, mas não conseguiu alterar o cenário, foi no Distrito Federal. O ex-secretário de saúde Jofran Frejat era o pré-candidato do PR ao governo local. Liderando as pesquisas (com até 25% dos votos) e insatisfeitos com as tentativas de interferência em sua campanha, ele anunciou na semana passada que desistiria da disputa. Costa Neto tentou demovê-lo da ideia. E, nesta terça-feira, Frejat anunciou que estava fora da concorrência, desta vez em definitivo.
ElPais

Eleições 2018 – Minha mala por um vice!

Por que está tão difícil escolher um vice e por que ele é importante 

José Sarney e Michel Temer durante cerimônia de posse de ministros em maio de 2016Direito de imagemVALTER CAMPANATO/AG. BRASIL
Michel Temer substituiu Dilma, alvo de impeachment, e José Sarney assumiu após a morte do presidente eleito Tancredo Neves

O Brasil guarda, em sua história, um capítulo especial para vice-presidentes. Num período de 57 anos, o país foi comandado por quatro vices. João Goulart, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer assumiram em circunstâncias distintas, mas, juntos, governaram como vices por mais de uma década

E, a poucas semanas da data limite para registrar candidaturas para as eleições de 2018, os pré-candidatos ainda tentam firmar coligações e escolher o nome de seus vices.

Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSB), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), por exemplo, ainda não definiram ao lado de quem vão disputar as eleições marcadas para 7 de outubro.

Mas, afinal, qual é a importância de um vice?

A Constituição de 1988 determina em seu artigo 79 que o vice-presidente deve substituir ou suceder o Presidente da República. O vice tem, segundo o texto constitucional, a atribuição de auxiliar o presidente “sempre que por ele convocado para missões especiais”.

No Brasil, mesmo sem uma missão especial, o vice-presidente eleito possui residência oficial no Palácio do Jaburu e despacha num anexo do Palácio do Planalto.

 

O professor Anthony Pereira, diretor do Brazil Institute do King’s College London, observa que, num sistema presidencialista no qual o chefe do Executivo é escolhido pela maioria dos eleitores, a figura do vice representa, em tese, a continuidade e estabilidade democrática.

“Em teoria, na ausência do titular, o vice representa a chapa eleita pela maioria e tem legitimidade para continuar o governo. O papel dele seria garantir a continuidade democrática, uma vez que a chapa representa uma conexão direta entre eleitores e candidatos”, diz Pereira, lembrando que em 1993 o país escolheu esse modelo por meio do plebiscito realizado para escolher a forma e o sistema de governo.

A figura do vice também tem se mostrado importante na composição de alianças. Oferecer a vaga de vice numa chapa a um integrante de outro partido pode significar tempo adicional de propaganda no rádio e na televisão, e pode ainda atrair para a coligação outras legendas aliadas do partido ao qual o vice pertence. Nesse cenário, pode também representar problemas em caso de uma coligação com muitas legendas e postulantes à vaga de vice.

Pereira lembra que em 2003, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva abriu mão de integrantes de partidos tradicionalmente aliados como o PCdoB e o PSB e escolheu o empresário José Alencar do PL. “O vice também serve para atrair outro tipo de eleitor”, diz o professor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice José Alencar participam de reunião com ministros em 26/5/2003Direito de imagemANTONIO CRUZ/AG. BRASIL
Lula atraiu uma parcela do eleitorado ao escolher o então empresário José Alencar como vice e o nomeou para ser Ministro da Defesa em 2004

Nem sempre foi assim, contudo. Em 1960, o Brasil votou separadamente para presidente e para vice.

Mas Jânio Quadros renunciou à Presidência em agosto de 1961 e substituído pelo vice João Goulart, que ficou no cargo até 1964 quando foi deposto pelo golpe militar sob alegação de que teria abandonado o cargo.

Já nas eleições indiretas de 1985, que marcaram o fim da ditadura militar, o Congresso elegeu a chapa encabeçada por Tancredo Neves e com José Sarney como vice. Com a morte de Tancredo antes da posse, Sarney assumiu o posto máximo do Executivo e comandou o Brasil por todo o mandato de 5 anos, de 1985 a 1990.

Nas eleições seguintes, Fernando Collor foi eleito, mas deixou a Presidência em dezembro de 1992 (Collor renunciou ao cargo antes de o Senado votar o impeachment dele) e seu vice Itamar Franco, que havia sido eleito na mesma chapa, governou o Brasil até janeiro de 1995.

Michel Temer, por sua vez, ocupa a Presidência desde 2016. Eleito duas vezes como vice de Dilma Rousseff, ele assumiu a principal cadeira do Palácio do Planalto em maio de 2016 com o afastamento temporário da presidente e, em agosto, foi efetivado no cargo depois que o Senado votou pelo impeachment de Rousseff.

Por que está tão difícil encontrar um vice nas eleições de 2018?

Collor discursa em sessão de homenagem a Itamar Franco em 10 de agosto de 2011Direito de imagemWILSON DIAS/ABR
Fernando Collor, um dos pré-candidatos para as eleições em 2018, foi substituído pelo vice Itamar Franco em 1992

Para as eleições de outubro, a data limite para registro dos candidatos é 15 de agosto. Mas, a cerca de três semanas do prazo limite, os principais pré-candidatos ainda não anunciaram quem serão seus respectivos vices.

Jair Bolsonaro (PSL) ainda espera uma resposta da professora universitária Janaína Paschoal, quarto nome cotado para compor a chapa com ele. Bolsonaro viu outros três nomes desistirem de concorrer ao seu lado: Eliana Calmon, ex-corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o senador Magno Malta e o general da reserva Augusto Heleno.

Mas não é só Bolsonaro que enfrenta dificuldades para encontrar um nome para compor a chapa.

Apesar de o “centrão”, nome do bloco composto por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, ter sinalizado que apoiará Geraldo Alckmin (PSDB), ainda não há definição sobre quem será indicado ao posto de vice.

Marina Silva (Rede), que começou a campanha de 2014 como vice e foi alçada à titular da chapa com a morte de Eduardo Campos, tem mantido conversas com representantes do PV, PHS, PPS e PMN, mas não descarta uma solução interna com um nome da própria Rede.

Ciro Gomes (PDT), por sua vez, flerta com o PSB e o PCdoB, mas não bateu o martelo sobre quem será seu companheiro de chapa.

Sarney chega ao Congresso para posse em 1985Direito de imagemARQUIVO SENADO
O vice José Sarney foi empossado na Presidência em 1985 após a morte do presidente eleito, Tancredo Neves

Segundo Anthony Pereira, a escolha de um vice está mais demorada nas eleições de 2018 por causa do cenário eleitoral incerto. “Partidos e candidatos ainda não sabem exatamente quem estará nas urnas e por isso estão esperando mais tempo para definir quem apoiar”, avalia, assinalando que as dúvidas em relação à candidatura de Lula é o principal fator de muita gente estar em compasso de espera.

“Não se sabe com certeza se o PT vai registrar o nome de Lula ou de outra pessoa, nem quando a Justiça Eleitoral vai se posicionar em relação à possibilidade de Lula disputar a eleição. Por isso os políticos e partidos estão demorando mais tempo para definir alianças”, avalia o diretor do Brasil Institute.

Dá para viver sem vice?

O professor Anthony Pereira diz que atualmente é plenamente possível governar estando fora do país. “Manter um vice sem função, apenas esperando a morte do titular, parece algo antiquado”, observa.

Mas, afinal, é possível ser chefe do Executivo sem um vice? Dois vizinhos do Brasil na América Latina provam que sim.

O México aboliu a figura do vice-presidente em 1917. No Chile, é um ministro quem ocupa o cargo de vice e, na impossibilidade definitiva do titular continuar no cargo, novas eleições devem ser convocadas em 10 dias se faltar dois anos ou mais de mandato.

No caso do Brasil, para abolir a figura do vice-presidente seria necessário mudar a Constituição.

Um vice pode ocupar outra função no governo?

Senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Kátia Abreu (DEM-TO) durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para leitura do relatório da PEC da CPMF Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABrDireito de imagemFABIO RODRIGUES POZZEBOM/AG. BRASIL
Marco Maciel (esq) sempre foi considerado um vice discreto

Anthony Pereira lembra que no Brasil, apesar de vices terem escrito parte da história recente do país ao ocuparem a principal cadeira do Executivo, muitos deles parecem não ter muita função além de esperar que o titular se ausente. “Marco Maciel, vice de Fernando Henrique Cardoso, era praticamente invisível. José Alencar, por um bom tempo, também foi”, diz o professor.

Mas é possível dar uma função – e até mesmo um ministério – para manter o vice ocupado.

José Alencar, em novembro 2004, foi escolhido por Lula para comandar o Ministério da Defesa, acumulando a função com a de vice. Alencar renunciou ao Ministério da Defesa em março de 2006 para poder se candidatar à reeleição, novamente como vice de Lula.

Anos depois, em 2015, Dilma Rousseff deu ao vice Michel Temer a Secretaria de Relações Internacionais (SRI), que tinha status de ministério, para que ele comandasse as funções de articulação política com o Congresso. Temer ocupou a função por poucos meses e pediu para sair, o que agravou ainda mais a crise no governo Dilma-Temer.

“Vice só serve para tramar”

O petista Jaques Wagner, ex-ministro de Dilma e ex-governador da Bahia, foi um dos responsáveis pela indicação do então vice para as articulações políticas do governo Dilma Rousseff.

“Se alguém tem culpa, eu tenho porque fui um dos que sugeriu [o nome de Temer para a SRI]. A gente precisava dividir o poder. Ela era a presidente e não dava para manter um grupo de coligação com poder absoluto”, disse à BBC News Brasil em 2017, quando participada de um seminário em Oxford.

O próprio petista é um político crítico à figura do vice.

Jaques Wagner durante evento em Oxford em maio de 2017Direito de imagemCYNTHIA VANZELLA/BRAZIL FORUM
Jaques Wagner: ‘Para que vice?’

Diante de uma plateia lotada em Oxford, Wagner arrancou risos ao dizer que vice só serve “para tramar e gerar despesa”.

“Para que vice? Vice só serve para tramar, gastar dinheiro. Só gera despesa”, declarou o petista na ocasião, dizendo que nem mesmo em caso de viagem é preciso de substituto. Para ele, com a tecnologia disponível hoje, é possível dar ordens e assinar documentos à distância.

Questionado pela BBC News Brasil sobre a relação que manteve com os dois vices durante o período em que governou a Bahia, Wagner disse: “Tive dois vices fantásticos”. Ele afirma ter tentado dar funções aos substitutos diretos. O primeiro, do PMDB, tinha 90 anos e não aceitou comandar nenhuma secretaria. O segundo, hoje no PSD, ficou responsável pela infraestrutura da Bahia. “Cabeça vazia é morada do diabo”, diz o petista.

Eleições 2018: A política “corrompida, carcomida e podre” de Datena

O apresentador candidato ao Senado, que quer se apresentar como “não político”, ganhou fama por seus programas sobre violência, apresentada com a morbidez do sangue e da crueza 

José Luiz Datena anunciou sua candidatura ao Senado em São Paulo
José Luiz Datena anunciou sua candidatura ao Senado em São Paulo DIVULGAÇÃO

O apresentador José Luiz Datena, que anunciou sua candidatura ao Senado em São Paulo, o Estado mais importante do país, com uma população maior do que muitos países europeus, foi apresentado como o primeiro “não político” lançado na arena das eleições e já são feitas profecias sobre o enorme sucesso de sua candidatura.

Em sua primeira aparição pública como concorrente ao Senado alardeou seu desprezo pela chamada velha política que chamou de “corrompida, carcomida e podre”. Fiel a sua linguagem nada formal, defendeu que os que não estão de acordo com ele “se explodam”.

Datena, que quer se apresentar como “não político” ou “político novo”, se preferir, ganhou fama nos últimos anos de sua carreira na televisão por seus programas de cunho policial e populismo da violência apresentada com a morbidez do sangue e da crueza. Se alguns pré-candidatos à Presidência são acusados de ter peregrinado por até oito partidos, como Bolsonaro e Ciro Gomes, o novo político Datena também não pode apresentar credenciais de fidelidade profissional e política. Peregrinou como afiliado a partidos tão diferentes como o PT e o PP e agora é candidato pelo DEM. E viveu essa mesma peregrinação com as emissoras de televisão em que trabalhou, das locais às nacionais, Globo, Rede TV, Record e Bandeirantes. E nem sempre pacificamente.

O apresentador candidato ao Senado lembra por suas declarações aos que nessa mesma coluna chamamos de “magos de receitas simples para problemas complexos”, que é tudo o que o Brasil não precisa nesse momento de tensão social. Os problemas que assolam esse país, sua política, sua Justiça e suas instituições em geral, são complexos e com raízes em velhas práticas coloniais que acabaram criando um país de casta com graves feridas de desigualdade social.

Em um ímpeto de sinceridade populista, o guru televisivo iniciou sua carreira de político novo com essa confissão, publicada pela Folha de S. Paulo: “Não queria estar aqui, estou aqui a contragosto para caramba, mas estou aqui por um compromisso sagrado com o povo do Brasil”, e acrescentou: “Vocês podem ter um político de péssima qualidade, uma porcaria, mas terão um cara que vai ser uma coisa só: honesto com vocês”.

É inegável que o Brasil precisa de políticos honrados, pelo grau de corrupção que tantos deles demonstram, praticamente de todos os partidos. Acreditar, entretanto, que um “político de péssima qualidade, uma porcaria”, como Datena se define, pode governar um país império como o Brasil, com mais de duzentos milhões de habitantes, somente não aparecendo na lista dos corruptos, soa a demagogia.

Que a velha política brasileira, como em parte a mundial, precisa de sangue novo é indiscutível. O mundo de hoje decorre acelerado e tudo envelhece à grande velocidade. Está órfão de grandes estadistas capazes de captar ao mesmo tempo as ondas de desencanto e as ânsias de novidade que fermentam na sociedade. Capazes de interpretar os sonhos não fáceis das novas gerações que assassinaram o pai e lutam por uma nova identidade. Para isso não servem santos e demônios, heróis e redentores. A política é uma arte e uma ciência ao mesmo tempo, que exige de quem a exerce a capacidade de interpretar o melhor e mais complexo da nova sociedade e fidelidade a sua etimologia de entrega à “polis”, às pessoas. De serviço às necessidades da comunidade e não de trunfo para inconfessáveis sonhos de poder.
Juan Arenas/ElPais

MULTIMILIONÁRIO MEIRELLES COMPRA CANDIDATURA NO MDB POR R$ 70 MILLHÕES

O ex-ministro da Fazenda do governo Temer, Henrique Meirelles, com apenas 1% nas pesquisas, está disposto a financiar “integralmente” sua campanha presidencial.

 
Quantia que pode chegar a R$ 70 milhões, de acordo com a legislação, se o MDB não entrar com algum. Em entrevista aos jornalistas Claudia Safatle e Raymundo Costa, do Valor Econômico, Meirelles disse que “a fase de sangue e lágrimas já foi superada” -para o ex-ministro e ex-banqueiro nunca houve. Multimilionário, apenas em 2016, às vésperas de se tornar ministro de Temer, Meirelles recebeu R$ 217 milhões a título de “consultoria”. Entre 2012 e 2016, como presidente do conselho de administração da J&F, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista recebeu outros R$ 180 milhões.

A entrevista do ex-ministro de Temer tem momentos de puto nonsense. Responsável direto pela emenda constitucional que estabeleceu o teto aos gastos sociais do governo pelos próximos 20 anos e que está causando uma devastação na vida dos mais pobres do país, ele disse que tal emenda não teria estabelecido teto de gastos, mas “piso”: “Ao contrário do que dizem os adversários, nós fixamos um piso para a saúde e antecipamos recursos para saúde e educação. Colocamos um piso e não um teto” Em outro momento, afirmou: “Eu sou totalmente favorável ao aprofundamento e ampliação do Bolsa Família”. Não foi perguntado ao ex-ministro como é possível ser favorável ao programa depois de ter eliminado mais de 4 milhões de pessoas do Bolsa Família (aqui) entre 2017 e 2018.

O valor da fortuna de Meirelles é um mistério. Boa parte dela permanece no exterior, longe das vistas da sociedade. A última vez em que divulgou publicamente seu patrimônio foi em 2002, quando concorreu ao cargo de deputado federal. Naquela época, ele possuía R$ 45 milhões declarados. Além das “consultorias”, Meirelles recebe mensalmente R$ 250 mil do do Bank of America Merrill Lynch, a título de aposentadoria (aqui). Como ministro, recebia salário de R$ 30.934,70. Nem toda fortuna foi suficiente para que ele abrisse mão do “auxílio moradia” de R$ 7.733,68. Meirelles decidiu parar de receber o benefício apenas em outubro de 2017, quando decidiu sair candidato.

Essas questões não forma objeto da entrevista do Valor. A conversa com os repórteres serviu para Meirelles atacar duramente Dilma, tentar se apropriar da herança dos governos Lula (apesar de não ter sido perguntado nem tomado a iniciativa de falar sobre a prisão do ex-presidente) e cutucar seus concorrentes do campo da direita. Criticou Bolsonaro (a quem deu nota 1), Marina (nota 2) e Alckmin. Meirelles atacou a ideia de uma coalizão da direita, por saber que não seria o escolhido: “o que há até agora, na realidade, é uma articulação tentando criar um bloco de centro para negociar. Agora isso já está tendo dificuldades, já estão rachados”.

Nem Temer escapou do estilo de aparência melíflua do ex-ministro, que procura, agora, manter distância de seu ex-chefe:

Pergunta: O presidente Michel Temer vai participar da sua campanha?

Resposta: Ele é presidente da República e compete a ele definir as suas prioridades. Na minha campanha as portas estão abertas para todos os apoiadores.

P: O senhor já conversou com ele sobre isso?

R: Não. Ele é presidente e sabe o que faz.