Delator mostrará caixa dois de Marina em 2010, diz jornal

De acordo com o colunista Lauro Jardim, de O Globo, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, contará em delação premiada detalhes do caixa dois que, segundo ele, irrigou a campanha de Marina em 2010

Segundo o jornal O Globo deste domingo (12), na negociação de delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, o empresário prometeu contar detalhes do caixa dois que, segundo ele, irrigou a campanha de Marina Silva à Presidência em 2010.

De acordo com o colunista do jornal, Lauro Jardim, o pedido a Pinheiro foi feito por Guilherme Leal, um dos donos da Natura, candidato a vice-presidente de Marina naquela eleição.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]Oficialmente, na prestação de contas de sua campanha ao TSE, Marina não registrou doações da empreiteira. Ainda deve ser citado por Léo Pinheiro o empresário Alfredo Sirkis, que acompanhava Guilherme Leal quando a negociação foi fechada.

Tanto a ex-senadora, quanto o ex-candidato da vice-presidente na chapa de Marina Silva, Guilherme Leal, negaram que a campanha de 2010 tenha recebido recursos ilícitos conforme relatos de Léo Pinheiro.

Em nota, Marina Marina alegou que nunca usou “um real sequer” em suas campanhas que não tivesse sido regularmente declarado. A ex-senadora ainda aproveitou para afirmou que dá todo apoio à Lava Jato.

Guilherme Leal afirmou que, “de fato houve uma reunião em 2010 com a presença de Léo Pinheiro, Alfredo Sirkis, então dirigente nacional do PV e responsável pela pré-campanha, e Leandro Machado, seu assessor.

“Na oportunidade, apresentamos as propostas da candidatura e houve sinalização da OAS em apoiar a campanha por meio do PV, certamente nos termos da lei, com o devido registro na Justiça Eleitoral. Qualquer outra insinuação é uma inverdade”, conta Leal.

Ainda segundo apuração de Lauro Jardim, a OAS e a Odebrecht prometem detalhar aos investigadores um esquema de caixa dois para a campanha do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). Paes também nega irregularidades e diz que “todas as doações às suas campanhas eleitorais ocorreram de forma oficial e legal e foram declaradas à Justiça Eleitoral”.

Leia a íntegra da nota de Marina Silva:

“Todo apoio à Lava Jato’

Neste sábado, recebi a notícia de que estaria sendo divulgado em alguns jornais e sites uma suposta menção a meu nome em delação premiada à força-tarefa que investiga a corrupção na Petrobras. Segundo essas fontes, dinheiro de uma empreiteira teria sido destinado ao “caixa-dois” da minha campanha à Presidência da República em 2010.

Como ressaltou recentemente o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “da esquerda à direita, do anônimo às mais poderosas autoridades, ninguém, ninguém mesmo, estará acima da Lei”. Por esse motivo, quero que as autoridades deem a devida atenção a essa acusação.

De minha parte, reafirmo que a Operação Lava Jato não pode sofrer nenhuma tentativa de interferência ou constrangimento para apurar denuncias de corrupção, posso alegar que nunca usei um real sequer em minhas campanhas que não tivesse sido regularmente declarado.

Guilherme Leal, que foi candidato a vice em minha chapa à Presidência em 2010, sempre foi fiel ao compromisso ético e à orientação política de que todos os recursos de financiamento da campanha teriam origem e uso inteiramente legais e não acredito que nenhum dirigente do PV possa ter usado meu nome sem ter me dado conhecimento, ainda mais para fins ilícitos.

Posso assegurar à opinião pública brasileira que, neste momento em que a sarjeta da política já esta repleta de denunciados, o melhor caminho é confiar no trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal. Por isso reitero meu apoio e confiança no trabalho da Justiça.”

Leia a íntegra da nota de Guilherme Leal:

“Solicitado a me manifestar sobre a alegação do Sr. Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, envolvendo doação à campanha presidencial de 2010 e se referindo à minha pessoa, informo que: de fato houve reunião em 1 de semestre de 2010, com a presença de Léo Pinheiro, Alfredo Sirkis, então dirigente nacional do PV e responsável pela pré-campanha, e Leandro Machado, meu então assessor. Na oportunidade, apresentamos as propostas da candidatura e houve sinalização da OAS em apoiar a campanha por meio do PV, certamente nos termos da lei, com o devido registro na Justiça Eleitoral. Qualquer outra insinuação é uma inverdade”.

Leia a íntegra da nota do prefeito Eduardo Paes:

“O prefeito Eduardo Paes afirma que todas as doações às suas campanhas eleitorais – sejam aquelas feitas diretamente a ele ou via diretórios municipal, estadual e nacional do seu partido – ocorreram de forma oficial e legal e foram declaradas à Justiça Eleitoral. Paes ressalta que as contas de campanha foram devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Leia a matéria do O Globo

Mais sobre Marina Silva

Internet e eleições: Disputa presidencial de 2010 foi mais acirrada, aponta Ibope

Estudo elaborado a partir de pesquisas realizadas na eleição mostra diferença menor entre candidatos.

A disputa eleitoral foi mais acirrada na internet que no eleitorado em geral, mostra estudo divulgado pelo Ibope nesta segunda-feira, 25.

O estudo, elaborado pelos pesquisadores João Francisco Resende, do Ibope Inteligência, e Juliana Sawaia Cassiano Chagas, do Ibope Mídia, cruzou dados das pesquisas eleitorais realizadas pelo instituto entre 30 de junho e 30 de outubro de 2010.

O trabalho apontou que a diferença na intenção de votos entre os principais candidatos à Presidência da República – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – era menor entre os eleitores conectados que entre o eleitorado em geral.

Dilma, que venceria a disputa, aparece em todas as pesquisas realizadas com porcentuais mais baixos que os apresentados no eleitorado geral.

Já o tucano José Serra e a então candidata do PV apareciam com números mais altos.

No início do período, os dois apareciam empatados entre os conectados – em 30 de junho os dois somavam 36%, em 29 de julho e em 15 de agosto, 37% -, enquanto no eleitorado geral, Dilma já começava a abrir dianteira, em função do maior conhecimento que as pessoas passaram a ter sobre ela – 39% a 34% em 29 de julho, 43% a 32% em 15 de agosto.

No início do segundo turno, Serra se aproximou de Dilma no eleitorado geral, chegando a 43%, ante 49% de Dilma. Entre os conectados, Serra assumiu a liderança, com 50% a 41% em 13 de outubro.

Em 20 de outubro, o tucano tinha 48% contra 42% e no dia 28 de outubro, Dilma virava o resultado: 49% a 43% entre os conectados e 52% a 40% no eleitorado geral.

A alteração no cenário eleitoral entre o final do no início do segundo turno se deve a boatos que passaram a circular pela internet, dando conta que Dilma apoiaria a legalização do aborto e criticando sua participação em grupos armados que lutaram contra o regime militar e o seu suposto ateísmo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Ainda no primeiro turno, uma declaração de Monica Serra, mulher do presidenciável tucano, contribuiu para o acirramento da guerra virtual entre PT e PSDB.

Em campanha na Baixada Fluminense, Monica afirmou que Dilma “é a favor de matar as criancinhas”, referência ao fato de que a petista seria a favor do aborto.

Em resposta, blog ligado ao PT divulgou documento assinado por Serra quando ministro da Saúde que regulamenta a realização do aborto em casos previstos na legislação, como estupro e em casos de risco de morte da mãe e indicou que a versão do Plano Nacional de Direitos Humanos feito na gestão FHC “defende a ampliação da legalização do aborto”.

Jair Stangler/O Estado de S.Paulo

Cid Gomes, Governador do Ceará poderá ser cassado por doações ilegais

Cid Gomes pode ser cassado por haver recebido doações ilegais na campanha

CID: ABUSO DE PODER, CORRUPÇÃO, FRAUDE, DOAÇÕES ILEGAIS…

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), pode ter o mandato cassado por haver recebido doação de duas empresas que têm autorização da Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviários) para funcionar.

A lei proíbe empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público de doarem recursos para campanhas eleitorais.

Cid Gomes agora é réu em ação de cassação de mandato, no Tribunal Regional Eleitoral.

Curiosamente, a ação corre em “segredo de Justiça”, sabe-se lá porquê.

Só a empresa CNA (Companhia de Navegação da Amazônia) doou ilegal e oficialmente R$ 500 mil, enquanto a Aliança Navegação e Logística contribuiu com R$ 200 mil.

As doações foram questionadas pela coligação PR/PPS, que ingressou com pedido de impugnação de mandato, apontando ainda outros fatos que indicariam abuso de poder econômico, corrupção e fraude na campanha do governador, como o uso de um jatinho da mesma empresa que tem contrato com o governo do Estado para transportá-lo.

A campanha informou à Justiça Eleitoral haver arrecadado R$ 28,9 milhões.

Coluna Claudio Humberto

Dilma Rousseff recebeu doação milionária de concessionária de serviços públicos

Não escapa ninguém. Toda eleição se repetem as, se não ilegais, pelo menos amorais doações de empreiteiras e afins, para “forrar o caixa de candidatos a cargo políticos.

Aos Tupiniquins não interessa o valor nem a qual partido a “desinteressada” doação foi feita.

A realidade é que dos emplumados e pseudo-vestais tucanos, passando pelos iracundos moralistas do DEMO até aos contumazes malfeitores petistas, toda a corja está atolada até o pescoço na indecência.

No Brasil, os ‘Marcos Valérios’  “estão na área” desde Pedro Álvares Cabral.

O Editor


Concessionária doou R$ 5 milhões para campanha de Dilma

A UTC Engenharia, detentora de duas concessões da União para exploração de petróleo, doou R$ 21 milhões a candidatos e partidos nas últimas eleições, dos quais R$ 5 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT).

Ela foi a quarta maior doadora do comitê, que recolheu R$ 135 milhões. O candidato derrotado José Serra (PSDB) recebeu R$ 750 mil da mesma empresa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Procuradoria acusa Alckmin de receber doação irregular de R$ 700 mil

Concessionárias doam R$ 24 milhões à campanha de Dilma

A Procuradoria da República de São Paulo representou anteontem na Justiça Eleitoral contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para pedir a cassação do mandato do político com base numa doação de R$ 700 mil feita pela mesma UTC.

Para o órgão, as doações da empresa são ilegais.

O procurador da República Pedro Barbosa se valeu do artigo 24 da Lei Eleitoral, que veda doações de “concessionário ou permissionário de serviço público”.

Barbosa não tratou das campanhas de Dilma e Serra porque a competência para apontar possíveis irregularidades no pleito presidencial não cabe a ele, mas à Procuradoria-Geral da República.

Questionada se haverá um pedido de averiguação sobre os dois casos, a PGR não respondeu até a conclusão desta edição.

A UTC afirmou ontem que, com base em decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), não é prestadora ou concessionária de serviço público. Segundo a empresa, a exploração de petróleo não se encaixa nessa definição.

A reportagem apurou que, caso o assunto seja levado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o centro da discussão será definir se a exploração de petróleo é ou não concessão de serviço público.

Ministros citaram que tribunais regionais eleitorais, nos Estados, têm tomado decisões conflitantes sobre o assunto, mas caso semelhante nunca foi apreciado pelo plenário do TSE.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) confirmou que a UTC é concessionária de dois blocos exploratórios de petróleo nas bacias Potiguar, perto de Mossoró (RN), e Rio do Peixe (PB).

A UTC foi uma das maiores doadoras das últimas eleições. Candidatos do PT foram os mais bem servidos, com R$ 11,6 milhões, seguidos pelos candidatos do PSDB, com R$ 2,32 milhões.

No total, a UTC doou R$ 17,2 milhões a partidos da base aliada do governo, contra R$ 3,72 milhões de candidatos de partidos da oposição (veja quadro ao lado).

A UTC é também prestadora de serviços da Petrobras. Entre 2005 e 2010, fechou contratos de R$ 1,5 bilhão com a petroleira.

Em maio, a Folha revelou que a UTC pagou, entre junho e dezembro de 2009, uma mesada de R$ 150 mil para o PT-SP, num total de R$ 1,2 milhão.

As últimas eleições representaram um salto das doações da empresa. De R$ 1 milhão, em 2002, para R$ 3 milhões em 2006, a maior parte para o PT, incluindo Lula.

Em 2008, a UTC doou R$ 1,73 milhão para ACM Neto, candidato derrotado à Prefeitura de Salvador (BA).

OUTRO LADO

A UTC afirmou ontem que não está impedida legalmente de fazer doações a campanhas eleitorais.

A empresa cita decisão do STF, de 2007, em julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, que considerou a atividade de exploração de petróleo e gás natural “não como uma prestação de serviço público, mas sim uma atividade econômica em sentido estrito”.

“Portanto, por não prestar serviço público, não há qualquer impedimento para a UTC Engenharia contribuir com o processo político”, informou a empresa, em nota.

A assessoria do Palácio do Planalto não se manifestou sobre a doação à campanha de Dilma, pois não havia recebido questionamento da Procuradoria-Geral da República sobre o assunto.

Em nota, o PSDB-SP disse que as doações ao comitê de Geraldo Alckmin são legais. Disse que a UTC “não é uma concessionária ou permissionária de serviços públicos” e que isso torna suas contribuições “legítimas” e “em consonância com a legislação”.

A assessoria de José Serra, procurada, não foi localizada. A assessoria do governo da BA não respondeu até a conclusão da edição.

Rubens Valente, Felipe Seligman/ Folha de S.Paulo

Fernando Henrique Cardoso, a economia, Lula e a fogueira das vaidades

O sociólogo exercita sua (dele) porção de futurologista. A par de considerações pertinentes e bem fundamentadas, o ex-presidente, não de todo imune à fogueira das vaidades, aproveita “o ensejo” para alfinetar Lula.

A peroraração de FHC só não explica porque a bonança que bafejou o governo Lula não foi benéfica para os Estados Unidos, por exemplo.

É de se estranhar por que esses assuntos não foram levados ao eleitor durante o tempo que o PSDB teve na televisão durante a propaganda eleitoral. Quem sabe, mais informado, o eleitor não tivesse alterado o resultado das urnas?

No mais, o texto é um ótimo indutor para que Dilma Rousseff faça uma reflexão sobre os rumos que deverá imprimir ao seu (dela) governo, herdado do companheiro Lula.
O Editor


Lunetas novas?
Fernando Henrique Cardoso ¹

A abertura da economia no início dos anos 1990, depois das crises do petróleo e ainda em meio ao longo processo inflacionário que se seguiu, não desencalhou o barco de nossa economia. Os mares do mundo batiam no casco, mas ele continuava adernado. Só depois de controlarmos a inflação, quando eu ainda era ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, e depois que saneamos os ralos que corroíam as finanças públicas e levantamos as âncoras que nos mantinham estagnados – com a atração de capital privado para setores antes monopolizados pelo Estado – é que o navio começou a andar. No começo timidamente, usufruindo as benesses de uma base agrícola poderosa e de uma indústria criada no passado.

Com a volta dos capitais e dos investimentos, começamos a navegar com maior desenvoltura. Por exemplo: em 1995, havia montadoras de veículos somente em São Paulo e Minas; em 2002, não só estas tinham aumentado a produção, como também outras se haviam espalhado pelo País, no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Goiás e na Bahia. Outro exemplo: em 1995, a Petrobrás não chegava a produzir 700 mil barris/dia; em 2002, ultrapassou 1,5 milhão de barris. E assim por diante, sem esquecer a expansão das telecomunicações, da indústria aeronáutica ou mesmo da indústria naval, que começou a tomar ímpeto em 1999 com a encomenda pela Petrobrás de 22 navios.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Daí em diante nossa economia não parou de crescer, apesar das crises financeiras, que só deixaram de nos golpear em 1996 e em 2000. No período presidencial seguinte, o crescimento se acelerou. Não apenas porque o barco se tornou mais potente, uma vez mantido o rumo anteriormente traçado, mas também porque as águas do mar se encheram, pela bonança internacional entre 2003 e 2008. Junto com o crescimento deu-se a redução da pobreza. O efeito estabilizador do Plano Real reduziu a proporção de pobres de 40% para cerca de 30% da população total. No período presidencial seguinte, nova redução, para aproximadamente 20%. A redução da pobreza não foi resultado automático do crescimento. Políticas também foram adotadas com esse fim. Exemplo: o aumento real do salário mínimo, de 48% entre 1995 e 2002 e de 60% nos oito anos posteriores.

Em mares de almirante, com vento a favor, todos os barcos passaram a andar com velocidades maiores. Medido pelo aumento da renda per capita, andamos relativamente para trás: ocupávamos a 68.ª posição no mundo, na década anterior, e nesta retrocedemos à 72.ª.

Mas o atual comandante do barco, embriagado pelos êxitos, confundiu-se: atribuiu a si o aumento do nível das águas. Pior, conseguiu convencer os marinheiros de que fazia milagre e se tornou “mito”. Agora, mais grisalho e quase aposentado, deixa o leme para uma companheira fiel. E será ela quem precisará usar lunetas para ver mais longe. Haverá tempestades ou bonança? Em qualquer caso, como anda o casco do navio? Que fazer para repará-lo? Ou para melhorar o desempenho do navio? Poderá continuar avançando sozinha ou dará a mão aos demais marinheiros? E as máquinas, seguirão a todo vapor sem algum ajuste ou será melhor evitar que a pressão as faça estourar? Acirrará ânimos e seguirá em frente até bater nalgum rochedo ou será previdente e ouvirá outras vozes que não sejam as das estrelas? São questões cujas respostas estão em aberto.

E há outras perguntas, de ordem estratégica, que precisarão ser respondidas. Para começar, como será o mundo dos próximos 20 anos? Tudo indica que nele as economias emergentes, e especialmente as dos Brics, ocuparão maior espaço. Mas qual desses países crescerá mais depressa? China e Índia são, neste caso, nossos competidores mais diretos, embora haja também complementaridades entre nossas economias. Estaremos condenados a, pouco a pouco, voltar à condição de provedores de alimentos e de matérias-primas para os países-monstros, que têm territórios com pouca possibilidade de expansão agrícola? Não necessariamente. Mas para evitar esse destino teremos de definir políticas que aumentem a nossa capacidade de inovar e competir. Não só na área fiscal, não só na tributária e na trabalhista, mas também na de educação, ciência e tecnologia. Sem isso será difícil ter uma indústria globalmente competitiva.

Em 2030 deveremos ter uma população em idade ativa da ordem de 150 milhões de pessoas. Sem uma indústria com musculatura e cérebro para enfrentar a competição global será impossível gerar empregos na qualidade e quantidade que necessitamos. Sem os empregos e a renda necessários o País corre o risco de se tornar “velho” antes de ficar rico. Precisamos aproveitar a nossa janela de “oportunidade demográfica”, que se fechará a partir de 2030, para dar um salto em nossa capacidade de produção de riquezas. E para melhor distribuí-las também. E isso depende mais de uma verdadeira revolução educacional que da expansão do Bolsa-Família e outros programas assistenciais.

Como compatibilizar as necessárias taxas de crescimento da economia com os indispensáveis requisitos de respeito ao meio ambiente, de combate ao aquecimento global, e assim por diante? Estaremos dispostos a pensar com maior profundidade sobre como conservar uma matriz energética que utiliza fontes renováveis? Neste contexto, e atentos às questões de custos para o País, introduziremos maior racionalidade na discussão do pré-sal ou continuaremos a fingir que se trata de um Fla-Flu entre “patriotas” e “entreguistas”?

Por fim, nunca é demais lembrar: que papel o Brasil desempenhará no mundo, continuaremos indiferentes diante de vários autoritarismos e desrespeitos aos direitos humanos ou nos comprometeremos crescentemente com formas democráticas de convívio? Quem viver verá. No entretempo, é melhor manter um otimismo cauteloso e, sem embarcar em ufanismos enganosos, acreditar que a vitalidade dos brasileiros (vista uma vez mais na reafirmação democrática do pluralismo eleitoral recente) nos levará a melhores rumos.

¹ Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República
blog do Noblat

Eleições 2010: Serra diz na França o que não teve coragem de dizer aqui

Para alguns Serra ao dizer lá fora o que não teve coragem de dizer aqui durante a campanha, demonstra além de desonestidade intelectual uma indelével falta de caráter.

Tivesse o tucano tido a coragem de fazer esse discurso durante a campanha e o resultado das urnas poderia ter sido diferente.

É uma evidente demonstração de prepotência e oportunismo. Fica a impressão que Serra jamais foi oposição. Ficou na posição de magoado por não ter sido o ‘poste’ escolhido.

O choro é livre. Mas aos vencidos convém exibir comedimento e dignidade.
O Editor


A coragem é uma qualidade fugidia. Costuma ausentar-se exatamente nos momentos em que é mais necessária.

Tome-se o exemplo de José Serra. Em campanha, revelou-se mais Lula do que a própria Dilma Rousseff.

Chegou mesmo a declarar, numa entrevista radiofônica, que Lula estava “acima do bem e do mal”.

Derrotado, Serra preonunciou o discurso do “até logo”, trancou-se em seus rancores e voou para a França.

Fez uma palestra na aprazível Biarritz, onde se realiza um seminário sobre as relações América Latina–União Europeia.

De repente, tomado de coragem inaudita, Serra revelou-se Serra. Esqueceu Deus e pôs-se a desancar Lula.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Disse que o presidente, cuja administração ele prometia continuar, comanda “um governo populista de direita na área econômica”.

Para esse Serra genuíno, personagem que Nelson Rodrigues chamaria de Serra “escocês legítimo”, Lula pratica um “populismo cambial”.

Pior: não tem um modelo econômico definido. Sob Lula, disse ele, o Brasil está “fechado ao exterior” e passa por “um processo claro de desindustrialização”.

Aprofundou temas que ignorara na propaganda eleitoral e apenas roçara nos debates televisivos: o baixo investimento público e o excesso de tributação.

Como que a justificar-se, Serra declarou que, durante a campanha, não pôde expor tais ideias do jeito que gostaria!?!?!.

Pronunciou uma frase desconexa: “A democracia não é apenas ganhar as eleições, é governar democraticamente”.

A certa altura, vergastou a política externa de Lula. Afirmou que o Brasil uniu-se “a ditaduras como o Irã”.

Nesse ponto da palestra, Serra viveu o seu momento Hugo Chávez. Uma voz ergueu-se na platéia.

Membro da Fundação Zapata, do México, um dos presentes gritou para Serra a frase que o rei de Espanha, Juan Carlos, dirigiu a Chávez em 2008, no Chile:

“Por que não te calas?”, sapecou o mexicano. Faz todo o sentido.

Se faltou coragem a Serra no Brasil, melhor que se autoconcedesse uma quarentena de covardia, usufruindo do silencio também no estrangeiro.

“Agora”, diria o infante, “Inês é morta“.

blog do Josias de Sousa

Eleições 2010: as oposições e os adjetivos inúteis

O articulista do texto abaixo, a par o refinamento vernacular e educação dialética ambivalentemente exposta, ao criticar, e condenar com justa razão, os impropérios com os quais o chefe dos Tupiniquins vocifera contra a oposição, esquece (?) de também descer o malho nos iracundos Arthur Virgílio e ACM Neto, que da tribuna do congresso ameaçaram aplicar surra física no presidente da república.

E quando o ‘ariano’ Jorge Bornhausen, ex PFL e atual DEM, disse com todas as letras, referindo-se ao PT que: “Felizmente nos veremos livres dessa ‘raça’ por pelo menos 30 anos” estava correto?

Essa oposição “generosa” da qual se jactam tucanos de alta plumagem foi somente para “marcar território” para Aécio Neves.

Convém lembrar que enquanto o governo Lula lutava em todos as áreas para conseguir trazer as olimpíadas e a copa do mundo para o Brasil, a ‘generosa’ oposição sempre se manifestou contra.

Basta consultar os anais do congresso.
O Editor


Uma das peculiaridades do Brasil, além da inevitável jaboticaba, é que aqui nem o governo e nem a oposição sabem exatamente o que significa ser oposição, e qual o seu verdadeiro papel institucional num regime democrático.

A “soi disant” oposição, formada basicamente pelo PSDB,o DEM e o PPS, passou quatro e depois mais quatro anos brincando de esconde-esconde com as suas próprias convicções, se é que tinha algumas, e até mesmo com as suas próprias realizações,como se se envergonhasse de ter eliminado a inflação, de ter privatizado velhos e ineficientes elefantes brancos, de ter saneado o sistema bancário, de ter estabelecido regras civilizadas de responsabilidade fiscal – enfim, de ter plantado as sementes de uma estabilidade econômica sólida e sustentável e com ela os fundamentos para a modernização do País.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Deixando-se acuar covardemente pela avassaladora popularidade do presidente da República, a oposição, nas duas tentativas que fez de substitui-lo no governo, se acomodou à agenda que interessava a ele e ao seu partido, de tal forma que, em 2006, seu candidato, Geraldo Alckmin, não se constrangeu em usar um macacão cheio de logotipos de estatais para mostrar que não pretendia privatizá-las, e na tentativa deste ano, José Serra chegou a ensaiar um anódino pós-lulismo, colocando a imagem do presidente em seu horário eleitoral.

Além disso, encaixou o golpe da propaganda governista que transformou as concessões de exploração de petróleo em privatizações, e acabou tentando devolver ao governo a acusação de “privatizador”, transformando esquizofrenicamente uma virtude em pecado.

Essa é a parte que cabe à oposição.

No que diz respeito ao governo, o presidente Lula não se cansou de maltratar a oposição durante a campanha eleitoral, chegando quase a lhe negar a legitimidade, ao chamá-la de “turma do contra”, ao pedir a “extirpação” de um dos partidos que a compõem, e a chamar o futuro governador eleito de São Paulo de “aquele sujeito”,entre outras delicadezas.

No dia em que a presidente eleita,ao lado dele, deu a sua primeira entrevista coletiva – por sinal tranqüila, ponderada e civilizada, muito longe dos arranques quase apopléticos da campanha eleitoral- Lula não perdeu a chance de reiterar a sua estranha forma de encarar o papel da oposição numa democracia.

Ele pediu para ela um tratamento melhor daquele que deram a ele durante os oitos anos de seu governo.Pela estranha noção de democracia do presidente, considerando aquilo que de fato aconteceu durante os oito anos,só a unanimidade lhe serve.

“Contra mim,não tem problema, podem continuar raivosos, do jeito que sempre foram.Mas a partir de 1º de janeiro, que eles olhassem um pouco mais para o Brasil, que eles torcessem para que o Brasil desse certo”.

Além de ser uma acusação sobre cuja gravidade o presidente parece não ter refletido- dizer que a oposição torce para o Brasil dar errado é uma figura de retórica irresponsável e desmedida, como foram muitas das falas do presidente ao longo dos oito anos – é muito irônico que venham da boca do patrono de um partido que votou contra rigorosamente todas as propostas que colocaram o País nos trilhos, desde o Plano Real até o Proer, sem falar da recusa em votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral na eleição que marcou o fim da ditadura, e em homologar a Constituição de 1988.

O Brasil tem muito a aprender para chegar à plenitude da democracia, até que um presidente deixe de chamar a oposição de “raivosa” e que um dos mais destacados líderes dessa oposição, o vitorioso senador eleito Aécio Neves, deixe de prometer uma “oposição responsável e generosa”.

Uma democracia de verdade não precisa ser condicionada por adjetivos inúteis.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Twitter: crime de racismo contra nordestino investigado pelo Ministério Público

Ministério Público prepara laudo sobre suspeita de racismo no Twitter

Estudante de Direito teria postado mensagens contra nordestinos.

Caso foi repassado a uma procuradora federal de Justiça.

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo recebeu nesta quinta-feira (4) os documentos enviados pela seccional de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil e pela procuradora regional Janice Ascari sobre mensagens contra nordestinos publicadas no Twitter.

O caso foi passado à procuradora federal Melissa Garcia Blagitz de Abreu e Silva. A equipe técnica responsável por crimes na internet do MPF vai agora formular um laudo sobre o caso para enviar à procuradora federal.

O documento deve ficar pronto na próxima semana, segundo a assessoria de imprensa do MPF.[ad#Retangulos – Direita]

O caso começou no domingo, após a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República. Alguns usuários contrários postaram mensagens ofensivas a nordestinos.

Entre as mais republicadas estava a de uma jovem identificada como Mayara Petruso, estudante de Direito, que chegou a figurar na lista de assuntos mais comentados do Twitter.

Agora, a procuradora Melissa de Abreu e Silva pode decidir se o MPF investiga o caso, se o repassa à Polícia Federal ou se o arquiva.

O presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, pediu que a autora das mensagens responda pelos crimes de racismo e de incitação pública ao crime de homicídio.

O presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso, divulgou uma nota de repúdio às “declarações atribuídas à estudante de Direito” Mayara Petruso nesta quinta-feira.

“Não podemos tolerar atitudes xenofóbicas, racistas, preconceituosas e intolerantes nas redes sociais.

Insultar ou pedir a morte, de quem quer que seja, receberá nosso repúdio, especialmente vindo de uma estudante de Direito que, ao invés de buscar a paz social; por divergência política incitou outras pessoas ao ódio, cujo alvo foram os nossos irmãos do Nordeste”, afirmou.

D’Urso pediu que o caso sirva de exemplo “aos demais usuários dos sites de relacionamentos, para que tenham responsabilidade sobre as opiniões que expressam e o que escrevem”.

O G1 tentou entrar em contato com Mayara Petruso durante a quarta e a quinta-feira, sem sucesso.

Marília Juste/G1

Presidente do Bradesco: “Dilma não precisa de propostas grandiosas”

Entrevista: Presidente do Bradesco diz que Lula é uma ‘reserva de valor’

Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco: “O Brasil tem hoje uma situação que permite trabalhar com demandas e prioridades que não sejam espetaculares”

Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco: “O Brasil tem hoje uma situação que permite trabalhar com demandas e prioridades que não sejam espetaculares”

No comando do Bradesco, segundo maior banco privado do país, o executivo Luiz Carlos Trabuco Cappi é de opinião que a presidente eleita Dilma Rousseff não precisará de “propostas grandiosas” na área econômica para manter o país em ciclo de crescimento. Para ele, existe uma “agenda virtuosa” prioritária, já em andamento, que inclui combater os gargalos da infraestrutura, as obras do PAC e a exploração do pré-sal. “O Brasil tem hoje uma situação que permite trabalhar com demandas e prioridades que não sejam espetaculares.”

Trabuco, que ascendeu à presidência do Bradesco em março do ano passado, na segunda metade do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acredita que Dilma não poderá abrir mão de “um conselho do presidente Lula”, que, em sua opinião, “representa uma reserva de valor do Brasil”.

Trabuco acredita, entretanto, que o fato de Dilma ter participado do governo Lula desde o início, de “seu núcleo duro”, a credencia para ocupar a Presidência.

“Foi uma escola de graduação e pós-graduação para conhecer com profundidade os meandros do governo, as pessoas e a composição partidária que dá sustentação.” A seguir, a entrevista:[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Valor: Qual o senhor acredita que será a tônica do governo da presidente Dilma Rousseff na área econômica?

Luiz Carlos Trabuco Cappi: A nossa expectativa é a continuidade do modelo estabilidade econômica, crescimento e mobilidade social. O lastro é o tripé câmbio flutuante, meta de inflação e disciplina fiscal. Em algumas áreas, há demandas geradas pela nova realidade, o que deve endereçar uma reordenação. O petróleo é um exemplo. O novo governo vai tocar a exploração do pré-sal, que tem um grande valor estratégico para o Brasil. A preocupação deve ser agregar valor social, com a criação de empregos e distribuição de renda. O momento é oportuno. Estamos iniciando uma fase de bônus demográfico que vai fazer com que, nas próximas décadas, o Brasil tenha mais gente trabalhando e produzindo que na inatividade. Ou seja, milhões de pessoas consumindo. O desdobramento é o estímulo ao espírito empreendedor, com o surgimento de milhares de novas empresas no Brasil. As condições são semelhantes às dos Estados Unidos no pós-guerra.

Valor: E qual o senhor gostaria que fosse a tônica? Aspectos que o senhor considera importantes e que não vê como prioritários para a futura presidente.

Trabuco: O alongamento dos prazos da economia vem sendo uma das características positivas da economia brasileira. Seria importante avançar, criando mais estímulos para a poupança de longo prazo. Associado ao mercado de capitais, uma mexida na tributação, seria o caminho para aumentar as taxas de investimento da economia. O BNDES cumpre um papel estratégico na economia brasileira, foi fundamental no momento da crise, mas não pode arcar sozinho com a responsabilidade de financiar o investimento das empresas.

Valor: O senhor acredita que haverá mudanças de orientação em relação ao governo Lula? Quais?

Trabuco: O mote da campanha que elegeu a presidente Dilma define bem: mudou e vai continuar mudando. Mudanças pontuais, de reorientação, vão acontecer. O Brasil está crescendo, é preciso garantir energia abundante. O projeto Minha Casa, Minha tem um forte impacto econômico e social, é preciso olhar para a questão urbana e os investimentos em saneamento. São problemas positivos, cujas soluções virão para modernizar o Brasil. Mais pessoas estão usando avião, será preciso dotar os aeroportos de condições para receber esse aumento. Mais carros continuarão sendo produzidos, o que torna necessário trabalhar a mobilidade urbana.

“Não dá para abrir mão de um conselho do Lula, que, depois de oito anos de governo, sai com a popularidade que ele sai”

Valor: Em sua opinião a presidente deveria adotar um ajuste fiscal na largada do governo ou não vê necessidade disso?

Trabuco: A ideia parece ser focar no tamanho da dívida pública em relação ao PIB. É interessante, cria a expectativa de uma política de superávits primários sucessivos, com consequências na política monetária. Em nossa opinião, é importante não ser muito ambicioso, sendo pragmático, operando com os instrumentos que o governo tem. É como ir cortando a unha sem movimento brusco, para não ferir o dedo. A mensagem deve ser clara, equilibrar as contas, olhando principalmente os gastos correntes. Não pensamos em propostas de impacto.

Valor: O senhor vê necessidade de elevação da Selic em 2011? Em que momento? Ou o senhor acredita que a inflação vai convergir para o centro da meta com a taxa atual?

Trabuco: Essa discussão permeia as análises dos economistas de forma permanente. Acreditamos que o Copom tem uma meta a cumprir e, por ora, faltando uma reunião para acabar o calendário 2010, não vemos grandes mudanças. Vamos aguardar, até porque existe uma predisposição de maior rigidez em relação aos gastos. E o ritmo de expansão do crédito deverá diminuir um pouco.

Valor: Em sua opinião o país precisa de reformas estruturais – tributária, trabalhista, por exemplo – urgentes ou pode prescindir delas devido ao cenário de crescimento que se espera para os próximos anos?

Trabuco: Cada coisa ao seu tempo. O problema das propostas grandiosas é que elas geram expectativas desproporcionais aos efeitos práticos do dia seguinte. Da mesma forma, é muito difícil administrar frustrações quando elas não são aprovadas. O Brasil tem hoje uma situação que permite trabalhar com demandas e prioridades que não sejam espetaculares. Vamos trabalhar nos gargalos da infraestrutura, vamos olhar para atender aos objetivos do PAC, a exploração do pré-sal é fundamental, temos a Copa e as Olimpíadas. Essa agenda é virtuosa, de trabalho concreto, e já está em andamento. Agora, é inevitável que, mais cedo ou mais tarde, o país tenha a necessidade de iniciar uma discussão sobre o modelo previdenciário, levando em conta as futuras gerações. O paradigma é a nova demografia, com pessoas vivendo cada vez mais. Outra questão importante, fundamental para a competitividade das empresas brasileiras, é o encargo trabalhista. Não podemos ser vulneráveis do ponto de vista da competição global.

Valor: Qual o seu prognóstico para o país em termos de taxa de crescimento, inflação, juros e câmbio com a nova presidente?

Trabuco: Não tenho a virtude dos economistas, que conseguem encontrar projeção para tudo, a partir de cálculos e modelos econométricos. É uma arte que respeito e admiro. Mas não é preciso ser oráculo para dizer que as condições gerais, enquanto tendência, não indicam solavancos. O crescimento vai continuar, um pouco menor que neste ano, mas num ritmo que as pessoas vão se sentir confiantes. Teremos a inflação dentro da meta, portanto, juros comportados. E o câmbio vai flutuar de acordo com o fluxo, que, dadas as condições positivas da nossa economia, tende a ser positivo. Medidas pontuais, administrativas, devem ser uma tônica nesse campo.

Valor: A questão cambial está no centro das discussões do momento, aqui e lá fora. O Brasil precisa conter a valorização do real? Por que?

Trabuco: O Brasil tem passado sem sustos por essa fase de ajuste cambial global. Devemos isso aos bons fundamentos da economia. Temos reservas que apontam para US$ 300 bilhões. Isso tem seu custo, mas também tem seu benefício, que não é desprezível. O ministro Guido Mantega [Fazenda] tem atuado de forma extraordinária com a expectativa dos agentes econômicos, fazendo o diagnóstico preciso do problema, sinalizando tendências e também adotando medidas pontuais. É importante. Na questão da capacidade exportadora brasileira muita coisa pode ser feita, um pouco na área tributária, outro tanto no custo trabalhista, combate a práticas desleais de comércio, estímulo ao financiamento, o governo está fazendo e vai continuar trabalhando, pois as coisas não vão se resolver sozinhas.

Valor: O que foi feito até agora lhe parece acertado?

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Eleições 2010: Racista do Twitter é alvo de representação criminal pela OAB


A estudante paulistas de Direito, Mayara Petruso - Racista do Twitter

Universitária de SP que iniciou ofensas deverá responder por crime de racismo

A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.

No domingo à noite, usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região.

A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques.

Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

– São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão.

Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? — diz Mariano.

Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.

– Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal.

São ofensas que atingem a todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado — completa Mariano, para quem o nível agressivo da campanha pela internet este ano, apesar de não justificar os ataques, pode tê-los estimulado.

No domingo, usuários do Twitter insatisfeitos com a vitória de Dilma começaram a postar frases como “Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil” e “Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral”.

Como reação, outros usuários passaram a gerar uma onda de mensagens com “#orgulhodesernordestino”, hashtag que ficou entre os primeiros lugares no ranking mundial de temas mais citados no Twitter.

Alessandra Duarte/O Globo