Egito: a revolução religiosa do Faraó Aquenáton

O faraó que acabou com 2 mil deuses e instaurou o monoteísmo no Egito

Aquenáton e sua mulher, Nefertiti
Casado com a famosa rainha Nefertiti, Aquenáton também era conhecido com Amenhotep IV Direito de imagemGETTY IMAGES

Desde o início de seu reinado, o faraó Aquenáton e sua mulher Nefertiti decidiram desafiar todo o sistema religioso do Antigo Egito. Dispostos a sacudir as bases de sua sociedade, eles criaram ideias que levariam o império à beira do abismo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O casal começou a reinar durante os anos dourados da civilização egípcia, por volta de 1.353 a. C., quando o império era o mais rico e poderoso do mundo —as colheitas eram abundantes, a população, bem alimentada, os templos e palácios reais estavam cheios de tesouros e o exército obtia inúmeras vitórias contra todos os inimigos. Todos acreditavam que o sucesso vinha por conseguirem manter os deuses felizes.

Foi então que Aquenáton chegou ao trono com o ímpeto de modificar uma religião de 1,5 mil anos de idade.

Somente o sol

A ideia era revolucionária: pela primeira vez na história, um faraó queria substituir o panteão de deuses egípcios por uma única divindade — o deus Sol, ou Atón, o criador de todos.

A proposta era considerada uma heresia. Mas como o faraó era considerado um deus na terra, tinha poderes ilimitados para modificar o que quisesse. Ele decretou que os 2 mil deuses que eram adorados no Egito havia mais de um milênio estavam extintos. Suas aparências humanas e animalescas foram substituídas pela forma abstrata do Sol e de seus raios.

O sol no trono de Tutancâmon, que talvez tenha sido refeito para Aquenatón
O sol era o único deus necessário para nova religião – Direito de imagemGETTY IMAGES

Para os poderosos sacerdores tradicionais, que haviam dedicado suas vidas inteiras aos deuses antigos, a mudança de doutrina era uma catástrofe. Eles praticamente haviam governado o Egito, agora eram dispensáveis — e formavam um grupo perigoso de inimigos para Aquenáton.

No quinto ano de seu reinado, o faraó decidiu que deixaria a cidade de Tebas e se instalaria ao norte do rio Nilo.

Lúxor
Lúxor, à beira do rio Nilo, foi construída sobre as ruínas de Tebas
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Rumo ao futuro

Àquela altura, era evidente que Aquenáton queria romper com o passado. Ele deu a Nefertiti igualdade de poderes e o título de Grande Esposa Real. Juntos eles viajam 320 quilômetros e mandaram construir uma cidade no local onde hoje fica o município de Amarna.

Sobre uma rocha que ainda existe nas colinas da região, está escrita uma proclamação pública composta por Aquenáton que explica o motivo que o levou a escolher precisamente aquele lugar. Ele teria sido comandado pelo próprio deus Sol, que o mandava edificar ali.

A comunicação teria sido feita por meio de um sinal: a região é cercada de colinas, e em certas épocas do ano o Sol se põe entre elas, criando a forma do hieróglifo do horizonte. Aquenáton interpretou isso como um sinal.

Sol se pondo entre colinas e formando o símbolo do horizonte
Sol se pondo entre colinas e formando o símbolo do horizonte

Horizonte de Atón

Millhares de pessoas de Tebas foram trazidas para construir, decorar e administrar a nova capital, que chegou a ter população de 50 mil pessoas.

A cidade tinha poços, árvores e jardins florescendo no meio do deserto. Casas, palácios e templos ao deus único foram criados em tempo recorde.

O local foi batizado de Ajetatón —horizonte de Aton— e se tornou o novo coração político e religioso do império, e o centro de um novo culto.

Não só a capital e a religião mudaram. A revolução iniciada pelo casal real trouxe outras novidades: nos costumes.

Retrato da família real
Gravuras que retratam a vida íntima da família real eram uma novidade
Retrato da família real
Pela primeira vez a família real era retratada demonstrando afeto
Direito de imagemGETTY IMAGES

Gravuras cheias de detalhes encontradas em Amarna mostram momentos íntimos da vida da família real, como Aquenáton e Nefertiti abraçando suas filhas. Até então, nenhuma família real egípcia havia sito retratada em demonstrações de carinho.

São obras espontâneas e cheias de vida se comparadas com a arte egípcia anterior, que tende a ser mais estática e monumental.

As estátuas do faraó que ainda existem possuem as mesmas qualidades. A sua postura, de pé, com os braços cruzados sustentando insígnias reais, é comum. Mas sua fisionomia é completamente diferente da dos soberanos que vieram antes e depois, que costumam ter semblantes fortes e viris.

Aquenáton, ao contrário, tem um rosto comprido, com um nariz grande que aponta para sua barba. Seus inusitados lábios carnudos, seus quadris largos e sua barriga um pouco proeminente remetem a uma sensualidade feminina.

Estátua de Akenatón
Não restaram muitas estátuas do faraó – Direito de imagemGETTY IMAGES

Oração ao ar livre

A arquitetura do período também demonstra um desejo de romper com o passado. Os templos tradicionalmente fechados se afunilavam, com o piso levemente levantado e o teto caído, e pouquíssima entrada de luz.

O culto ao Sol trouxe santuários ao ar livre, algo que nunca havia sido feito em grande escala.

Estátua de Aquenatón e Nefertiti
O casal real começou a acreditar que era divino – Direito de imagemGETTY IMAGES

Em certo momento, os únicos fiéis autorizados a entrar nos templos eram o faraó e sua mulher. A partir de textos encontrados nos dias de hoje, os estudiosos teorizam que Aquenáton e Nefertiti passaram a acreditar que somente eles podiam se comunicar com Aton. O faraó seria filho de Deus e Nefertiti também seria divina – os súditos deveriam adorá-los.

Foi o ápice de sua revolução religiosa.

Queda

No entanto, as coisas começaram a desandar. Os súditos não haviam de fato abandonado a adoração aos outros deuses, então Aquenáton ordenou que todas as imagens dos deuses antigos fossem destruídas, especialmente as do deus maior do panteão, Amon-Rá.

Também mandou seus soldados apagarem a memória de todos os deuses em suas terras. No fim de seu reinado, sua revolução se enfraqueceu – como ele se recusava a sair da nova cidade, era visto como fraco e o império como vunerável a invasões.

Tábuas de escrita do período
Tábuas de argila encontradas em Amarna revelam a natureza do problema enfrentado pelo faraó

Tábuas de argila encontradas em Amarna mostram o estado em que se encontrava o império. Uma delas foi enviada pelo governante de um dos países vizinhos protegidos pelo faraó. Ele pedia que o Egito enviasse tropas para ajudá-lo a manter os hititas, inimigos do império, sob controle.

“Já pedi, mas não fui respondido. Não me enviaram a ajuda de que preciso”, se queixava o governante. Aquenáton nunca enviou tropas e o Estado vizinho caiu nas mãos dos hititas — o exército estava tão ocupado em missões de perseguição religiosa que o Egito perdeu territórios, poder, posses e status no continente.

Muitas tragédias

Nas paredes do túmulo de Aquenáton está gravado o drama da família.

Escultura do rosto de AquenatónMortes na família enfraqueceram Aquenatón ainda mais
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Apesar de estar muito danificada, é possível ver uma cena de luto. Umas das princesas morreu e seus pais aparecem chorando – algo sem precedentes, já que as famílias reais jamais demonstravam emoções em público.

Outras evidências indicam que Aquenáton perdeu mais de uma filha, provavelmente por causa da peste, que arrasava a região na época.

Epidemias do tipo podiam matar até 40% da população, e, como era faraó, Aquenáton era considerado pessoalmente responsável pela desgraça. Para os súditos, a catástrofe era resultado de uma ofensa feita aos antigos deuses.

No pico da crise, a rainha Nefertiti morreu e o soberano perdeu a mulher que o havia acompanhado desde o princípio.

Busto de NefertitiNefertiti era conhecida por sua beleza e por suas qualidades como governante – Direito de imagemGETTY IMAGES

Paraíso perdido

O paraíso de Aquenáton estava à beira do colapso. O Egito estava perdendo sua riqueza e poder.

Treze anos depois da fundação de sua cidade, Aquenáton morrreu. Há quem acredite que ele tenha sido assassinado para que seu reinado terminasse.

A cidade foi abandonada e, mais tarde, sistematicamente destruída e apagada dos registros. Também foram esquecidos o culto à Atón e o próprio Aquenáton, que durante muito tempo só foi lembrado por ser, segundo indicam os registros, o pai do grande Tutancâmon, seu sucessor.

Máscara mortuária de Tutankamón
Tutancâmon é o mais famoso dos 170 faraós que se estima terem governado o Egito – Direito de imagemGETTY IMAGES

Foi Tutancâmon quem resgatou os antigos deuses e restaurou o poder e a prosperidade do Egito. Os sacerdotes voltaram a ter seu antigo poder, e a vida voltou à normalidade.

Nenhum outro faraó egípcio voltou a tentar mudar a ordem estabelecida e desafiar a religião tradicional. Os que vieram após Aquenáton se esforçaram por destruir todos os registros de seu culto herege.

Suas estátuas foram derrubadas e as pedras dos templos usadas como material para a construção de novos prédios. As rochas esculpidas foram escondidas que ninguém voltasse a vê-las.

Isso acabou preservando-as para a posteridade: na década de 1920, elas começaram a reaparecer. Muito do que sabemos de Aquenáton e do culto a Atón vem delas.

Ruínas da cidade
Ruínas da cidade que foi o sonho de Aquenáton e Nefertiti se encontram próximas à cidade de Amarna – Direito de imagemGETTY IMAGES

BBC

Egito: Arqueólogos descobrem cidade de 7 mil anos

Cidade residencial e cemitério datados de 5316 a.C. são encontrados nas proximidades de Abidos, na província de Sohag. Novidade pode ajudar a recuperar o turismo no país.

Seti-Tempel in Abydos (picture-alliance/Arved Gintenreiter)O templo do faraó Seti I, pai de Ramsés II, em Abidos, no Egito

Não se trata de uma única escultura ou tumba. Arqueólogos egípcios anunciaram nesta quarta-feira (23/11) a descoberta de partes do que pode ter sido uma verdadeira cidade residencial do Egito antigo, datada de 5.316 antes de Cristo.

Os vestígios foram encontrados a cerca de 400 metros ao sul do templo do faraó Seti 1º, em Abidos, na província de Sohag, a 390 quilômetros ao sul do Cairo. Abidos é uma das mais antigas cidades egípcias e que teria sido capital na era pré-dinástica e nas primeiras quatro dinastias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Na cidade há um enorme cemitério, com pelo menos 15 túmulos grandes, diversos objetos decorativos de cerâmicas ou de uso cotidiano e estruturas que provavelmente serviam de moradia para quem vivia lá, possivelmente pessoas encarregadas da construção de cemitérios da família real em Abidos.

“O tamanho desses túmulos é maior do que os encontrados em Abidos, datados da primeira Dinastia. Isso leva a crer que as pessoas sepultadas no local pertenciam a uma hierarquia social muito alta”, afirmou o ministro das Antiguidades do Egito, Mahmoud Afifi.

O chefe da missão arqueológica, Yasser Mahmoud Hussein, disse que “os túmulos (com forma de mastaba) são únicos em seu estilo arquitetônico, já que contêm mais de um nível, e alguns chegam a ter até quatro”.

Afifi destacou a importância da descoberta, já que é possível que os objetos encontrados revelem novas informações sobre a história da cidade de Abidos.

Além de ampliar os conhecimentos sobre a civilização egípcia, a cidade recém-descoberta pode ajudar a aumentar o turismo no país.

Em 2010, o Egito recebeu cerca de 14,7 milhões de turistas. Após a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, em 2011, o turismo no país começou a cair drasticamente. No ano passado, um ataque terrorista matou 224 turistas que sobrevoavam o Mar Vermelho a bordo de um avião russo, reforçando a imagem de insegurança do país.

Nos primeiros três meses de 2016, o Egito recebeu apenas 1,2 milhão de turistas. No mesmo período de 2015, esse número chegava a 2,2 milhões. As autoridades egípcias esperam que a novidade dê um novo rumo a essas estatísticas.

O novo Canal de Suez: a obra faraônica que o Egito fez em um ano

É uma obra faraônica concluída em apenas um ano. Trata-se do novo Canal de Suez, no Egito, que, após testes, será inaugurado oficialmente no dia 6 de agosto. A obra é considerada essencial para o comércio regional e global.

Reuters
O teste no novo canal foi realizado sob um forte esquema de segurança, com helicópteros e navios militares

A construção da nova via, que passa ao lado da maior parte do canal original, começou há menos de um ano.

A rota de 72 km permite a navegação em dois sentidos de barcos de grande porte.

Vários navios com contêineres de todo o mundo, escoltados por helicópteros e embarcações militares, passaram pelo canal desde o último sábado como parte desse ensaio.

O esquema de segurança tem suas razões, segundo autoridades egípcias.

A península do Sinai, nas imediações do canal, é uma região com atividade intensa de grupos islâmicos extremistas. Os militantes mataram centenas de civis desde o golpe militar que derrubou o presidente Mohammed Morsi em 2013.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Estímulo ao comércio

O canal de Suez original, inaugurado há quase 150 anos, une os mares Mediterrâneo e Vermelho.

Canal de Suez,Egito,Blog do Mesquita

O atual presidente do Egito, Abdel Fattah al Sisi, afirma que a expansão de uma das rotas de navegacão comercial mais importantes do mundo dará forte impulso à economia do país.

Pelo canal de Suez passa atualmente 7% do comércio mundial baseado em navegação.

A via é ainda uma das principais fontes de recursos para o Egito.

Estima-se que a construção do novo canal tenha custado US$ 8,5 bilhões. As obras – realizadas em regime de 24 horas – ficaram a cargo das Forças Armadas.

A passagem será inaugurada em 6 de agosto, exatamente um ano depois do começo dos trabalhos, seguindo a meta ambiciosa do presidente Al Sisi.

O chefe da Autoridade do Canal de Suez, almirante Mohab Mameesh, disse que o projeto significa um “renascimento” para o Egito.

Mas há quem critique a ideia. Alguns especialistas questionam os lucros projetados pelo governo e dizem que o dinheiro poderia ter sido gasto em demandas mais urgentes.

“É, sobretudo, um projeto patriótico, e isso é muito difícil de quantificar”, afirmou à BBC o analista financeiro britânico Angus Blair, baseado no Cairo.

No último final de semana, o almirante Mameesh anunciou planos de construir outro canal mais próximo de Port Said, no Mediterrâneo.

A estimativa é que esse projeto consuma US$ 60 milhões, com extensão de 9,5 km, segundo a agência de notícias Reuters.

Sete sugestões de visitas para a trupe de senadores liderada por Aécio

Aécio Neves Blog do Mesquita Personalidades - Políticos - LulaO PSDB é craque em vexames internacionais. Quando FHC era presidente da República e Celso Lafer nosso ministro das Relações Exteriores, o país tirou os sapatos para entrar nos EUA.

O episódio deixou claro o quanto éramos subservientes e o quanto o governo não se dava ao respeito em nível internacional.

Liderados pelo candidato derrotado à presidência Aécio Neves, o PSDB e seus aliados fizeram o país pagar outro mico. Alguns senadores foram à Venezuela denunciar que o país vizinho é uma “ditadura”. Desceram no aeroporto por uma porta, deram uma volta de van pela cidade, fizeram cara de sérios para sair no Jornal Nacional, e voltaram pela outra porta. E uma viagem custeada com dinheiro público.

Este blogue, porém, achou que a iniciativa merece repeteco. E decidiu fazer uma lista de outros lugares pelo mundo para os senadores demo-tucanos visitarem. Mas dessa vez, detalhe, provavelmente não iriam aparecer no JN.

1 – Guantánamo: Os EUA mantêm em condições subhumanas e expostos a comprovadas sessões de tortura supostos prisioneiros de guerra sem que eles tenham direito à defesa. O governo estadunidense se recusa a tratar o assunto de forma democrática e já sofreu pressão internacional até mesmo do Vaticano, que pediu uma “solução humanitária adequada”. Nunca Aécio ou o PSDB foram aos EUA pressionar Clinton, Bush, Obama ou quem quer que seja.

2 – Palestina: com os territórios de Gaza e da Cisjordânia ocupados desde 1967, o povo palestino sofre com a restrição de direitos básicos e milhares de pessoas e crianças já foram assassinados neste período. A chacina choca a comunidade internacional e Aécio nunca fez um discurso condenando o fato. Sequer postou um tuíte em solidariedade quando a mais sangrenta operação militar israelense na última década deixou 2.205 palestinos mortos.

3 – Síria: Hoje é na Síria que se vive uma das catástrofes humanas mais eloquentes. Calcula-se em 4 milhões o número de pessoas que fogem ou fugiram do país numa guerra que foi insuflada pela chamada comunidade internacional. Ao invés de tentar buscar soluções para isso, a Europa deixa que as pessoas se afoguem no Mediterrâneo. Aécio e sua trupe poderiam ir para os portos da Itália e pressionar os países europeus a darem tratamento humanitário àqueles seres humanos.

4 – Haiti: O país que já era um dos mais pobres do continente foi arrasado por um grande terremoto em 2010 e hoje busca quase sem apoio nenhum sua reconstrução. Ao invés de buscar soluções e fazer, inclusive, as críticas que o governo brasileiro merece neste caso por integrar as tropas de paz da ONU que estão no país, a trupe de senadores faz coro e recebe para o diálogo os líderes do Revoltados on Line que recentemente agrediram um haitiano que trabalhava num posto de gasolina de Canoas, Rio Grande do Sul. A agressão não mereceu uma menção sequer do dileto senador tucano.

5 – Egito: Já que o problema de Aécio e sua trupe é com a falta de democracia na Venezuela, o Egito seria um lugar perfeito para a visita. O país viveu um golpe de Estado e centenas de pessoas que atuavam no então governo eleito ou estão condenadas à morte ou foram executadas. Entre elas, o ex-presidente Mohamed Mursi. Seria o caso de Aécio e seus amigos irem à Praça Tahir e pedir o fim do golpe.

6 – México: 43 estudantes foram assassinados na cidade de Ayotzinapa em setembro de 2014, num dos atos mais bárbaros de que se tem notícia no continente. As investigações estão sendo realizadas sem nenhum tipo de seriedade e as punições provavelmente não ocorrerão. O país, aliás, tem 26 mil cidadãos desaparecidos, segundo registros oficiais. Qual foi a ação da trupe de Aécio neste episódio?

7 – Periferia de SP: O Brasil é um dos países onde se mata mais jovens no mundo. Boa parte deles são negros e pobres, moram nas periferias das grandes cidades, em especial de São Paulo, e são executados pela polícia. Como se trata de um estado governado pelo PSDB, seria altamente eficiente um protesto do grupo de Aécio, até porque ele também conta com o senador Aloysio Nunes. Mas até hoje nem um post em rede social sequer sobre o tema. Ao contrário, a trupe de Aécio quer diminuir a maioridade penal para colocar mais jovens na cadeia.

Como a Globo não acompanharia essas visitas, a Fórum se compromete a fazê-lo.

A Venezuela tem seus problemas, mas querer transformar o país no centro dos problemas do mundo é muita patetice até para a trupe do Aécio.
Blog do Rovai

Tópicos do dia – 24/06/2012

13:42:37
Egito: eleições apontam para mais um Estado teocrático?

Islamita ganha eleição no Egito, e os palestinos comemoram
A Junta Militar respeitou as pesquisas. Seu chefe, marechal Hussein Tantawi, anunciou neste domingo a vitória do candidato da Irmandade Muçulmana Mohammed Mursi nas eleições presidenciais.

“O marechal Hussein Tantawi parabeniza o doutor Mohammed Mursi por conquistar a presidência da república”, afirmou a rede de televisão estatal, fazendo com que milhares de egípcios lotassem a famosa praça Tahrir, no centro do Cairo, onde se concentraram as manifestações da chamada Primavera Árabe.

Militantes comemoraram a vitória de Mursi, agitando bandeiras e cartazes do líder islâmico. Segundo as agências de notícias France Press e Associated Press, “Deus é o maior” e “abaixo o regime militar” eram alguns dos slogans entoados pelos manifestantes, enquanto fogos de artifício eram lançados, depois que a comissão eleitoral declarou formalmente o candidato da Irmandade Muçulmana como vencedor.

A vitória de Mursi também foi comemorada pelos palestinos em Gaza, e o movimento islamita Hamas afirmou que era um “momento histórico”, porque o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak colaborava com Israel no bloqueio de Gaza.

Agora, os palestinos estão otimistas de que o novo líder egípcio vai melhorar as relações com o empobrecido território de.Gaza, que tem uma faixa de 15 km de fronteira com o Egito no deserto do Sinai.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

13:51:31
Julgamento do mensalão só depende de Lewandowski, o ministro do Supremo que é amigo pessoal de Lula

Segundo o repórter Tiago Rogero, da Agência Estado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou  que acredita na conclusão do julgamento do processo do mensalão ainda no mês de agosto. O cronograma prevê o início do julgamento no primeiro dia do mês, desde que o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, libere a tempo os documentos para votação. Ayres Britto disse não teme nenhum tipo de atraso.
“É possível que o julgamento termine no próprio mês de agosto, se tudo correr normalmente e dentro do cronograma que estabelecemos. Aquele calendário estabelecido já levou em consideração a complexidade do caso”, disse o ministro.

A prorrogação do STF prevê sessões diárias da Côrte, de cinco horas, entre 1 e 14 de agosto, para ouvir a acusação do Ministério Público Federal e as defesas dos 38 acusados de envolvimento no principal escândalo de corrupção do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir do dia 15 começarão a ser revelados os votos dos ministros.

Ayres Britto tem motivos para estar animado, porque  o ministro-revisor Ricardo Lewandowski, que é amigo íntimo de Lula,  reafirmou que concluirá seu voto até o final deste mês, pois em julho o Supremo entra em recesso e os ministros não têm a dignidade cívica de fazer uma exceção e trabalhar extraordinariamente nesse período.
Se Lewandowski não concluir o voto em junho, só o fará em agosto, o que atrasará a votação. Mas espera-se que ele conclua. E  lembremos que no final de agosto Cezar Peluso deixa o Supremo, por completar 70 anos. Ou seja, o prazo fatal para julgar o mensalão é 30 de agosto. E depois, em outubro, quem sai é o próprio Ayres Britto, ficando o STF com apenas 9 ministros, se até lá não for nomeado o substituto de Peluso.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

14:52:49
Cavendish: pau que nasce torto…

O empresário Fernando Cavendish será julgado amanhã na CVM, num caso antigo.
O inquérito CVM 13/2005 investiga operações de “dólar futuro” do dono da Delta em sete pregões da BM&F, em 2003.

14:56:50
Ex-funcionária processa o FBI por ter sido perseguida por ser ‘sexy’.

Ex-funcionária do FBI (polícia federal americana) no estado do Novo México e cantora profissional, Erika Bonilla entrou com um processo contra o órgão, alegando que sofreu assédio e discriminação, porque vários de seus ex-colegas tinham inveja de sua aparência sexy e de sua carreira como cantora latina, segundo a emissora de TV “ABC News”.
G1

15:01:55
Ministério da Fazenda multa Banco Rural que financiou o mensalão.

O Ministério da Fazenda manteve uma multa de R$ 1,6 milhão aplicada ao Banco Rural por ocultar as evidências de lavagem de dinheiro nas transações do mensalão. A condenação administrativa, imposta em primeira instância pelo Banco Central, atingiu ainda dois ex-diretores do banco que são réus no processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Os ex-dirigentes José Roberto Salgado e Ayanna Tenório Tôrres de Jesus foram multados e proibidos de ocupar cargos de direção em instituições financeiras.
Folha.com


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Egito: entre a ditadura militar e a ditadura islâmica

Ninguém sabe qual das duas será a pior. Democracia plena, nem pensar?

A situação do Egito é cada vez mais grave e caótica. E não adianta acenar com a possibilidade de uma abertura democrática, porque a tal da primavera árabe não tem nada a ver com desenvolvimento político propriamente dito. Basta dizer que as manifestações agora são convocadas pelos islamitas radical, evidenciando o forte componente religioso desse movimento.

O correspondente da Folha no Cairo, Marcelo Ninio, afirma que a promessa de antecipar a eleição presidencial para o primeiro semestre de 2012 e de realizar um referendo sobre a transferência imediata do poder provisório para os civis não foi suficiente para acalmar as centenas de milhares de manifestantes que ocupam a Praça Tharir, no centro da capital, há cinco dias.

Milhares de pessoas permanecem no local para exigir a saída dos militares do governo, apesar da promessa do marechal Hussein Tantaui de entregar o poder a um presidente eleito em 2012.

Como se sabe, a junta militar assumiu o poder no Egito em 11 de fevereiro, substituindo o presidente Hosni Mubarak, deposto após uma rebelião popular que teve como epicentro a mesma Praça Tahrir, no Cairo.

Sob intensa pressão de protestos nas ruas, o chefe da junta militar egípcia pela primeira fez um pronunciamento à nação, na noite de terça-feira. Deu o ar de sua graça para prometer transferir até julho o poder a um presidente civil e até fazer uma oferta condicional para um fim imediato do regime militar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Não adiantou nada. Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria radicais islamitas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Na sexta-feira, mais de 50 mil egípcios compareceram à praça Tahrir para pressionar a junta militar a apressar a transferência do poder para um governo civil, depois de o gabinete interino apresentar uma proposta constitucional que reafirma o poder das Forças Armadas. A partir daí, a praça ficou permanentemente ocupada, em meio a insistentes boatos de que o Exército iria expulsar pela força os manifestantes.

O Egito era o país árabe mais ocidentalizado. Suas forças armadas são profissionais e muito bem equipadas. A economia está destroçada. O índice de referência da bolsa local vem caindo progressivamente, a libra egípcia registrou sua menor cotação frente ao dólar desde janeiro de 2005 e o turismo sofre uma crise sem precedentes nas últimas décadas.

Nesse quadro, o país corre o risco de um retrocesso político. Pode sofrer um golpe militar pela força das armas ou um golpe político pela força das urnas, que leve os radicais islâmicos ao poder. Quanto à abertura democrática, é apenas um sonho da imprensa ocidental, que romanceou a primavera árabe sem perceber o tenebroso inverno que se aproxima.

Carlos Newton/Tibuna da Imprensa

Twitter: Inglaterra quer censurar redes sociais

Ouço daqui os ruídos de Cromwell, Thomas Moore e Locke, entre outros, revirando-se na tumba com o avanço do Estado Fascista na velha Albion.

Justiça britânica pune com quatro anos de cadeia, jovens que usaram o Twitter para apoiar recentes distúrbios.

Sem emprego, economia em baixa, sem perspectivas à vista o que resta aos jovens senão protestar?

O governo quer autorização para censurar redes sociais.

Igualzinho a Cháves, Fidel, Hu Jintao, Mubarack, Kadafi… Querem tirar o sofá da sala.

Contra a censura. Sempre!

PS. Acusar as redes sociais de indutoras de rebeliões, além de uma estupidez patente do desconhecimento tecnológico, bem como é uma manobra para desviar a atenção da verdade dos fatos.

Já está provado, ver exemplos recentes no Irã, Egito, Líbia e agora na Síria, que tecnologia se combate com tecnologia, e não com polícia.

Dependessem as revoluções das ações das redes sociais a Revolução Francesa de 1789 ainda estaria aos pés da Bastilha.


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Redes sociais, ditaduras e liberdade de expressão

Os recentes acontecimentos na Tunísia e no Egito, além de porem fim a ditaduras hereditárias, vieram demonstrar a importância das mídias sociais como instrumento relevante na mobilização das massas a revelia da censura impostas pelos déspotas.

Nesse contexto, as novas tecnologias, notadamente celulares e internet, tornam obsoletas as truculentas tentativas das ditaduras de impor censura.

Redes sociais como o Twitter e o Facebook estão cada vez mais burlando o autoritarismo dos Estados com governos assentados no autoritarismo.

A geração que cresceu com essas novas mídias, faz fotos dos protestos nas ruas, grava declarações e testemunhos dos manifestantes, e posta tudo no Facebook e/ou Twitter, tornando obsoleto o cerceamento a informação imposto pelos ditadores de plantão.

Segundo a empresa de pesquisas comScore, dos estimados 2 bilhões de internauta em todo o mundo, 72% participam de alguma rede social.

Para se ter idéia do tamanho da “encrenca” armada contra os ditadores e demais “donos oficiais da verdade”, somente o Facebook tem 596 milhões de usuários, os quais compartilham mensalmente 30 bilhões de notícias, fotos, links e vídeos.

O Editor


Censura: USA Hillary anuncia US$ 25 milhões para ajudar internautas a driblar censura

Dias depois de Facebook e Twitter ajudarem a mobilizar manifestantes no Egito, os Estados Unidos anunciaram uma nova política para a liberdade na internet, injetando mais US$ 25 milhões este ano para ajudar cyber dissidentes a burlar a censura on-line.

Na Universidade George Washington, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que os EUA vão aumentar seus apelos por direitos humanos e democracia.

Na semana passada, o governo americano já havia lançado posts no Twitter em árabe e farsi, e agora vai mirar também em internautas em China, Rússia e Índia.

Hillary sugeriu que governantes repressores poderiam ter o mesmo destino de Hosni Mubarak.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

– A História nos mostra que a repressão lança as sementes para a revolução – disse Hillary.

– Aqueles que ergueram barreiras contra a liberdade na internet vão acabar se vendo encurralados. Vão enfrentar o dilema do ditador, e terão que escolher entre deixar as paredes caírem ou pagar o preço para mantê-las de pé.

Esse preço, segundo ela, tanto pode ser a opressão maior quanto se fechar a novas ideias econômicas e políticas.

Em seu segundo grande discurso sobre internet, Hillary disse que as manifestações mobilizadas pela rede em Egito, Tunísia e Irã mostram que os governos não podem escolher que liberdades oferecer aos cidadãos.

Os US$ 25 milhões vão se somar aos US$ 20 milhões já destinados a tecnologias, ferramentas e treinamento para derrubar barreiras impostas por governos repressores.

Segundo Hillary, os EUA veem a liberdade na internet como um direito, embora lide com as consequências, como o vazamento de documentos pelo grupo WikiLeaks.

Ela defendeu a busca de um código de conduta, sem limitar a liberdade.

– O Irã não é terrível porque as autoridades usaram o Facebook para capturar membros da oposição.

É terrível porque seu governo rotineiramente viola os direitos de seu povo.

O Globo

Mubarak, Facebook e Twitter

Manifestantes contra Mubarak em frente a "pichação social"

Como o Facebook e o Twitter ajudaram a derrubar o presidente do Egito

Para especialistas, redes sociais tiveram papel essencial na saída de Mubarak do poder no país e saem do episódio com imagem fortalecida.

Com a saída de Hosni Mubarak da presidência do Egito na sexta-feira (14/2), analistas e alguns manifestantes locais afirmaram que o político ainda estaria no poder se não fosse pela força dos sites de redes sociais.

Após 18 dias de protestos tumultuados e recusas de deixar uma posição que ocupava havia cerca de 30 anos, Mubarak entregou o poder para líderes militares do país no fim de semana.

Durante um período de agitação em que o regime do ex-presidente desconectou o Egito da Internet por vários dias, sites de redes sociais como Facebook e Twitter serviram como ferramentas essenciais para as pessoas que queriam derrubar o ditador.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou o papel da tecnologia nessa mudança e elogiou os cidadãos egípcios que usaram “sua criatividade, talento e tecnologia para clamar por um governo que representasse suas esperanças e não seus medos.”

“Eu certamente penso que ele (Mubarak) não teria saído da presidência se não fosse pelas ferramentas de redes sociais”, disse o analista principal da empresa Current Analysis, Brad Shimmin.

“Penso que eles queriam que todas as atenções fossem desviadas dessa revolta, mas as tentativas de bloquear o acesso à Internet falharam.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Por causa disso, Mubarak e seu regime sentiram que eles não tinham outra alternativa a não ser sair do poder.”

Olho no Facebook

Quando os egípcios que queriam Mubarak fora do poder começaram a se mobilizar, eles se viraram para as redes sociais, mais especificamente o Facebook.

Há cerca de três anos, um ativista egípcio iniciou uma página do movimento de 6 de abril no site criado por Mark Zuckerberg para apoiar os trabalhadores em greve no país. Desde então, a página já conseguiu reunir mais de 60 mil membros preocupados com problemas como liberdade de expressão, a economia ruim do país e frustração com o governo.

Além disso, ativistas daquele país também criaram uma página no Facebook para o ativista e blogueiro Khaled Said, que teria sido espancado até a morte pela polícia local no ano passado.

O que é especialmente interessante sobre isso é que os ativistas egípcios não estavam simplesmente buscando que as pessoas “curtissem” suas páginas de protesto ou dar a elas um lugar para expor suas frustrações. Eles usaram os sites de redes sociais para engajar as pessoas – para motivá-las a entrar em ação, não apenas online, mas no mundo real.

De alguma maneira, os egípcios parecem ter sido influenciados pelo participação de Obama nas redes sociais. O atual presidente norte-americano usou com sucesso sites de redes sociais, como Facebook, YouTube e Twitter, para ajudar sua campanha presidencial em 2008. E os membros de sua equipe sabiam que não era suficiente que seus eleitores simplesmente “curtissem” sua página no Facebook ou seguissem seus tweets de campanha. Eles precisavam usar as mídias sociais para estimular ações reais no mundo real.

E é isso o que fizeram os líderes manifestantes no Egito. Eles reuniram pessoas para protestar usando Twitter e mensagens de texto. Eles clamaram por ação em páginas do Facebook.

“As redes sociais claramente têm sido um catalisador e um acelerador”, disse o analista da Gartner, Ray Valdes. “Claramente, eles pensam que o Facebook teve um papel. Existem pessoas de todas as classes sociais nas ruas demonstrando isso e elas estão carregando cartazes em referência ao Facebook.”

Já o analista da Forrester, Augie Ray, alega que, apesar de as redes sociais não terem sido a base para essa revolução no Egito, foram sim uma parte essencial de sua infraestrutura.

“As mídias sociais não foram a faísca que criou essa revolução egípcia, mas uma vez que essa descarga elétrica chegou aos canais sociais, a habilidade de se comunicar em tempo real e alcançar grandes números de pessoas sem nenhum custo foi sem dúvida um fator significativo que contribuiu para que as demonstrações egípcias se espalhassem e fossem mantidas”, disse Ray.

“Páginas do Facebook foram usadas para informar e criar insatisfação. O Twitter foi usado para coordenar esforços e o YouTube ajudou a espalhar a palavra.”

Essa força causou muitas perturbações ao governo de Mubarak.

“É preciso dizer que o governo do Egito claramente temeu como essas ferramentas estavam sendo usadas baseado em suas ações para bloquear o acesso (à Internet)”, explica Ray. “E é importante não deixar passar o papel das mídias sociais em fornecer suporte no mundo todo.”

Shimmin também notou que os eventos no Egito terão um efeito imediato na imagem das redes sociais.

“Esse não é mais apenas um lugar para compartilhar fotos de bêbados em uma festa”, disse. “É um meio de se comunicar de uma maneira que você não podia antes e que dá às pessoas um senso de solidariedade

Por IDG News Service/EUA

Egito e o declínio do extremismo

‘O extremismo está em declínio’, diz historiador

O historiador e cientista político francês Jean-Pierre Filiu, professor visitante na Universidade Columbia, em Nova York, afirma que vitória de revoluções pacíficas e democráticas em países árabes como Egito e Tunísia é a derrota da al-Qaeda e do movimento jihadista.

“É uma catástrofe para a al-Qaeda. Todas as coisas pelas quais os manifestantes lutam são anátema para os jihadistas: eleições livres, transparência, poder para o povo”, diz Filiu, autor dos livros “O apocalipse do Islã” e “As fronteiras da jihad” (Editora Fayard).

Para o historiador, especialista em jihadismo, a ideia de que o Oriente Médio é refém da alternativa entre as últimas ditaduras e regimes extremistas islâmicos é completamente equivocada. Segundo ele, o extremismo está em declínio.

Filiu acredita que a “pedagogia do pluralismo” de uma coalizão será benéfica para a Irmandade Muçulmana. “Ser minoria faz muito bem à cabeça e ao coração de gente que é um pouco rígida”, diz.

Professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Filiu, de 49 anos, viveu durante 20 anos no Oriente Médio. Em Nova York, ele trabalha no seu próximo livro, “A revolução árabe: 10 lições sobre o levante democrático”, e atende com um sorriso de alívio os alunos.

“Quando esses meninos me procuravam, eu sentia tanta pena deles, iam passar 20 anos com Mubarak, com a polícia secreta, o medo; agora eles participam da festa nas ruas do Egito.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A outra diferença é que seus colegas não torcem mais o nariz quando Filiu manda os alunos pesquisarem no Facebook.

O que o senhor espera ver no Oriente Médio nas próximas semana e meses? O senhor acredita que o exemplo dado pelo Egito tenha ressonância e se repita em outros países da região rapidamente?

O que acontece sempre que você está diante de um momento histórico é que nada do passado pode ser usado para interpretar ou analisar o que é radicalmente novo. Não acredito em efeito dominó. A comparação com a queda do Muro de Berlim em 1989 não é válida, porque ali havia um comando central, a União Soviética, e o fato de que a União Soviética estava se desmantelando levou mecanicamente à liberação de todos aqueles países.

No caso atual, temos a sociedade civil confrontando o regime, com uma coragem incrível, e temos um processo de emulação. As duas revoluções, na Tunísia, e no Egito, têm um enorme poder de emulação porque o medo foi derrotado, e o povo descobriu que aquilo com o que sonhava é possível.

São eventos de uma magnitude tal que serão sentidos em toda a região, mas isso não significa que a cada semana, ou a cada mês outro regime cairá. O que é certo é que se trata de uma nova era, e nesta nova era os governantes sabem que o tempo de impunidade absoluta acabou.

Olhando para o futuro, o senhor vê candidatos a presidente surgindo com força, como Amr Moussa, que anunciou sua renúncia da presidência da Liga Árabe ou o prêmio Nobel Mohamed ElBaradei? O senhor acha que os partidos de oposição conseguirão se organizar a tempo para a eleição?

Não devemos olhar para isso com olhos do passado. A era dos líderes salvadores terminou. Esses jovens não querem um líder, um modelo.

Mas alguém terá que assumir o poder, não?

Este problema é nosso, não deles. Nosso problema, nossa ansiedade, é ver alguém no lugar de Mubarak. Os egípcios não estão nem aí. Eles não fizeram esta revolução para substituir um Mubarak por outro. Se não entendermos esta mensagem, estaremos interpretando o movimento de uma maneira totalmente errada.

Se houver pressa em chegar a uma conclusão de que agora é ElBaradei ou Moussa, corre-se o risco de cair nos mesmos erros do passado. Temos que entender que essa geração é jovem não apenas porque usa o Facebook ou o Twitter, ela é jovem porque não quer um pai que diga a ela o que é certo e o que é errado. A questão mais importante, para eles, certamente não é ter um líder.

Tudo tem que ser reconstruído. Vai levar muito tempo, não se constrói um partido político ou um sindicato num piscar de olhos, nem mesmo uma ONG. Eles querem imediatamente o fim do estado de emergência, que gera vulnerabilidade a todos.

Mas não estão correndo para encontrar um salvador. Eles estão sendo muito maduros, querem antes desmanchar esse aparelho de repressão. Para eles, o mais importante é a eleição para o Parlamento, não o voto para presidente. É fascinante ver como essa pressa vem de fora, não de dentro do Egito.

Um dos motivos pelos quais os países ocidentais têm pressa é o medo que o extremismo cresça no Oriente Médio. Mas o senhor escreveu que a vitória de movimentos pacíficos na região vai desestabilizar a al-Qaeda, certo?
Fernanda Godoy/O Globo

É uma catástrofe para a al-Qaeda. Em primeiro lugar, porque o movimento pela democracia é um sucesso, e eles são um fracasso. O que a al-Qaeda conseguiu em 20 anos? Nada. Pior do que nada: conseguiu guerra civil no Iraque, guerra civil no Paquistão, ocupação prolongada no Afeganistão.

Do outro lado, um movimento pacífico, sem motivação islâmica, sem bandeira verde, e, em menos de um mês, o ditador caiu. Em segundo lugar, todas as coisas pelas quais os manifestantes lutam são anátema para os jihadistas: eleições livres, transparência, responsabilidade dos governantes, poder para o povo. A al-Qaeda está tão chocada que não consegue dizer uma palavra, e, quando diz algo, é terrível.

O braço iraquiano da al-Qaeda divulgou um comunicado no dia 8 de fevereiro insultando os manifestantes egípcios, por “adorar os ídolos podres do patriotismo e da democracia infiel”. Eles não podem estar mais fora de contato com a realidade. Eles sempre disseram que esses regimes não importavam, que eles tinham que atacar o inimigo distante, o World Trade Center, para desestabilizar o Egito ou outros países.

E aqui temos uma revolução feita pelo povo, genuinamente local, dizendo ao Ocidente: “Não interfiram, não estamos pedindo sua ajuda.” Esse movimento tem um grande potencial para amizade e até aliança com o Ocidente. Ele é o oposto do jihadismo, e funcionou. Mas não dou a al-Qaeda por terminada, eles mostraram capacidade de se renovar muitas vezes.

Depois do sucesso da revolução, se esses governos eleitos livremente trouxerem melhores condições de vida às pessoas, o extremismo ficará mais debilitado?

Precisamos prestar atenção em duas coisas: o jihadismo está em alerta e vai aproveitar qualquer oportunidade para se relançar. A oportunidade para eles é a repressão, é um banho de sangue. Eles podem tentar provocações, como o assassinato de um líder de um movimento democrático que provocasse uma dinâmica de confronto. Agora é o momento de deter esse tipo de provocação contra-revolucionária, porque isso poderia abrir um ciclo de violência que poderia botar o processo democrático em risco.

E a Irmandade Muçulmana?

A Irmandade Muçulmana sabe que tem que ser uma aliada da coalizão. A questão não é apenas paz versus violência. A questão é a pedagogia do pluralismo. Ser minoria faz muito bem à cabeça e ao coração de gente que é um pouco rígida. Numa coalizão você tem que negociar e se dá conta de que não é o dono da verdade.

Abaixo da superfície, a Irmandade é muito diversificada, e, no momento em que entrar numa coalizão, a diversidade dessas cores vai aparecer. É claro que haverá tensões, mas, se o processo evoluir bem, essa tendência democrática dominará a radical. O modelo é a Turquia, que obteve sucesso nessa processo.

Por que o senhor acha que ouvimos, durante os 18 dias de protestos, tantas expressões de preocupação e de medo no Ocidente, e não tantas de esperança? Na sexta-feira, o chanceler de Portugal, Luís Amado, disse na ONU que a Europa deveria se preparar para um Egito islamizado, e aceitar isso sem medo.

A ideia de que a alternativa é entre autoritarismo e islamização é completamente errada. Já estamos no pós-Islã. Mas como estamos sempre atrasados, muitas pessoas estão dizendo, com boas intenções, que, afinal de contas, a islamização não é tão má, mas essa não é a questão! Acabou! O problema do debate sobre o Islã no Ocidente é tão marcado por clichês e preconceitos. As pessoas misturam tudo: o véu, a política, sharia, tudo. No mundo muçulmano, as pessoas querem ter mais Islã em suas vidas: comida islâmica, banco islâmico, um monte de coisas, mas isso não significa que queiram um governo islâmico.

Foi positivo para o movimento que a vitória não tenha dependido de ajuda externa?

Claro. A atitude ideal para quem está de fora é uma neutralidade benevolente, mas tem que ser benevolente.

E talvez a contribuição mais importante do Ocidente tenha sido pressionar o Exército para que não houvesse uma repressão violenta, não?

Sim, e a mesma coisa aconteceu na Tunísia. Mas isso não é interferência, é abrir o campo das possibilidades. Não é mandar um avião para retirar Mubarak, como já aconteceu no passado. De qualquer forma, estamos no amanhecer de algo muito diferente. Seja graças aos EUA ou não, para esses ditadores o jogo acabou.

O fato de que essa geração tem acesso à mídia ocidental, de que as pessoas tenham ficado felizes com a cobertura, tenham beijado e agradecido a repórteres de emissoras americanas nas ruas, isso muda algo na relação com o Ocidente?

O ambiente é muito positivo, porque houve neutralidade e houve empatia. Em segundo lugar, porque houve um eco do que foi mostrado no Ocidente pela mídia, que fez um trabalho maravilhoso. Mas não somos o centro do mundo. O que a mídia ocidental fez é o que a Al Jazeera vem fazendo há dez anos.

Os herois das ruas árabes, os que são festejados e protegidos pelos manifestantes são os repórteres da Al Jazeera. São eles que estão na vanguarda. Mas o potencial para amizade é enorme. Hospitalidade é a chave para esses países. O conceito de xenofobia é totalmente estranho à essa civilização, é uma cultura da generosidade.

O senhor acha que a Argélia é agora o país mais vulnerável?

Acho que a Argélia é a chave para muitas questões, porque foi na Argélia que parte dos sonhos que vemos hoje foi enterrada com um banho de sangue. A ideia de alternativa entre ditadura e islamização vem da suspensão do processo eleitoral na Argélia, em janeiro de 1999. Argélia é a chave para mostrar que outro futuro é possível, diferente dessa alternativa terrível. É isso o que os manifestantes na Argélia estão dizendo.

Mas, quando um regime é capaz de sobreviver quase intocado a um pesadelo desses, é claro que ele tem muita capacidade de se regenerar e cooptar. O Iêmen vai ter que se ajustar, e o presidente já disse que não vai concorrer de novo. A ideia de transmissão de poder de pai para filho acabou em todos os lugares.

Na Jordânia, a demanda principal é ter um primeiro-ministro escolhido pelo Parlamento, não pelo rei. E a Líbia está ansiosa, mas é um país tão opaco, nunca se sabe. Mas, com certeza, entre e o Egito e a Tunísia, eles não estão conseguindo dormir.

Fernanda Godoy/O Globo