Gilmar Mendes: Impeachment faria bem

Celso Bandeira de Melo Jurista Blog do MesquitaO jurista Celso Bandeira de Mello, um dos mais respeitados do País, está estarrecido com as atitudes recentes de dois ministros do Supremo Tribunal Federal: Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa.

Ambos, na sua visão, estão desmoralizando o Poder Judiciário e mereceriam até sofrer processos de impeachment. “Serviria de alerta a comportamentos extravagantes numa suprema corte”, diz ele.

Bandeira de Mello, no entanto, duvida que iniciativas nessa direção prosperem. “A chance seria de um em um zilhão, porque, infelizmente, quem governo o Brasil ainda é a grande mídia conservadora”.

A prova concreta seria o julgamento da Ação Penal 470, onde o comportamento dos ministros foi pautado pela agenda e pelos interesses políticos desses grupos.

“O STF foi apenas a longa manus dos meios de comunicação”, diz ele. Como um pedido de impeachment teria que transitar pelo Senado, a chance seria remotíssima.

Bandeira de Mello ficou chocado com atitudes recentes dos dois ministros mais polêmicos do STF. No caso de Gilmar, o que o incomodou foi a contestação da vaquinha feita por militantes do PT a réus como José Genoino e Delúbio Soares.

“Uma das primeiras coisas que um juiz aprende é que só se fala nos autos, até para que opiniões publicadas não comprometam a isenção, a sobriedade e a equidistância em julgamentos futuros”, afirma. “Gilmar não apenas fala, mas age como um político”.

O jurista diz ainda que, ao enviar uma carta irônica ao senador Eduardo Suplicy, sugerindo que o PT devolvesse R$ 100 milhões ao País, Gilmar “desbordou”.

“Agiu muito mal e de maneira muito distante do que se espera de um juiz”.

Em tese, ele deveria até ser declarado suspeito no julgamento dos embargos infringentes, em que estarão sendo julgados direitos de réus como o próprio Delúbio.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Sobre Joaquim Barbosa, Bandeira de Mello diz ser mais “indulgente”, até porque a própria mídia estaria a cobrar uma definição sobre se ele seguirá ou não por um caminho político. Mas afirma que ele não é juiz.

“Seu comportamento é de evidente perseguição a alguns réus, especialmente ao ex-ministro José Dirceu”, afirma.

Segundo Bandeira de Mello, ao revogar uma decisão anterior de Ricardo Lewandowski e ignorar a recomendação do Ministério Público para que José Dirceu pudesse trabalhar, Barbosa agiu “de maneira muito estranha para um magistrado”.

“Como pode um juiz, presidente de uma suprema corte, suprimir direitos e garantias de um cidadão brasileiro?”, questiona.

Bandeira de Mello avalia que Barbosa se encantou pelos elogios de parte da grande imprensa, que o trata como herói. “A grande imprensa no Brasil representa os interesses mais conservadores e tem ainda o papel de domesticadora das classes populares”, afirma.

Embora diga nunca ter presenciado uma degradação institucional tão profunda no Brasil, com a desmoralização completa do Poder Judiciário – mais “no meio jurídico do que na mídia” –, ele aposta que o País poderá sair do atoleiro. “Tudo dependerá das próximas nomeações”.

Bandeira de Mello afirma que a presidente Dilma Rousseff acertou na escolha dos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso.

Diz ainda que outros que já estiveram no STF, mas votavam de modo conservador, como Cezar Peluso, eram juízes – o que não seria o caso, segundo Bandeira de Mello, dos “políticos” Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa.

“Com nomeações acertadas no futuro, o supremo poderá restaurar sua dignidade”, diz o jurista.

Mensalão: Para calar Gilmar, basta que o PT acenda a luz

foto-ministro-gilmar-mendes-perfilNum instante em que os rivais do PT estão ocupados com outros assuntos — o PSDB procura uma gruta para esconder o Eduardo Azeredo e o PSB se esforça para decifrar Marina Silva—, São Pedro e o ministro Gilmar Mendes assumiram o comando da oposição.

Um regula as chuvas. O outro distribui raios que os partam.

Nesta sexta-feira (14), Gilmar trovejou por meio de uma carta enviada a Eduardo Suplicy.

O senador petista endereçara ao ministro do STF um ofício cobrando explicações sobre as suspeitas de Gilmar, que enxergara indícios de “lavagem de dinheiro” nas vaquinhas do mensalão.

“Não sou contrário à solidariedade a apenados”, anotou Gilmar na resposta a Suplicy. “Ao contrário, tenho certeza de que Vossa Excelência liderará o ressarcimento ao erário público das vultosas cifras desviadas – esse, sim, deveria ser imediatamente providenciado. Quem sabe o ex-tesoureiro Delúbio Soares, com a competência arrecadatória que demonstrou –R$ 600.000,00 em um único dia, verdadeiro e inédito prodígio!—, possa emprestar tal ‘expertise’ à recuperação de pelo menos parte dos R$ 100 milhões subtraídos dos cofres públicos.”

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Gilmar escreveu a Suplicy antes de saber que a vaquinha de José Dirceu, último presidiário a inaugurar uma coleta na internet, já amealhou R$ 225,7 mil em apenas 48 horas. Antes dele, José Genoino e Delúbio Soares haviam recolhido cerca de R$ 1,7 milhão. Quer dizer: a solidariedade petista está na bica de ultrapassar a barreira dos R$ 2 milhões.

O PT precisa calar Gilmar Mendes rapidamente.

Sob pena de cometer uma enorme injustiça com a natureza. O sucesso das vaquinhas companheiras é a prova da existência do gene altruísta.

Até aqui, imaginava-se que os espermatozóides generosos, capazes de fazer sacrifícios pelo próximo, sempre chegavam atrás. Dava-se de barato que apenas as células egoístas conseguiam fecundar os óvulos.

O PT não pode permitir que as suspeitas de Gilmar Mendes, claramente um espermatozóide que deu errado, desestimulem as pesquisas científicas para descobrir por que o útero do petismo gera seres tão especiais, tão abnegados, tão solidários.

Na carta a Suplicy, o próprio líder da oposição indicou o que o PT deve fazer para desmoralizá-lo: “Urge tornar públicos todos os dados relativos às doações que favoreceram próceres condenados pela Justiça brasileira, para serem submetidos a escrutínio da Receita Federal e do Ministério Público.”

É simples assim: para silenciar Gilmar Mendes basta que o PT acenda a luz. Ao interruptor, senhores. Rápido!
blog Josias de Souza

Eleições 2014: Marina Silva e a “Rede” que começa com ares de “balaio de gatos”.

Marina Silva Rede de Sustentabilidade Partidos Políticos Blog do Mesquita 01E a ‘Rede’ de Dona Marina Silva? Hein?

A ex-senadora parece não compreender que os 20 milhões de votos que obteve na última eleição presidencial, foram mais para firmar um protesto do eleitor que apoiar sua (dela) candidatura.

Ao longo de toda sua atuação na política a senhora Marina Silva nunca deixou claro “a que veio”. Em política, desde Péricles na Grécia, o que não começa sensato não adquire sensatez por mais repetitivo que seja o discurso. E o discurso assim elaborado se esgota rápido.

É no mínimo indignação seletiva, a declaração de que o partido não aceitará ‘doações da indústria de bebidas, mas estará aberto às doações de banqueiros’.

Faz parte do blá, blá, blá politiqueiro o falar um monte de clichês bobos. Espanto, e muito, me causa comprovar que há uma trupe aparentemente alfabetizada deslumbrada com essas falácias.

Agora, o ajuntamento de Dona Marina já começa no mínimo estranho:
1. Convida Suplicy e Heloísa Helena. Menos para tecer uma rede e mais para trançar balaio de gatos.
2. Rede já remete ao imaginário que é para pescar peixinhos e tubarões.
3. Ao declarar que não será oposição nem situação, adota, a meu sentir a estratégia oportunista do “murismo” característico do partido do Renan e do Sarney.

Dilma, Aécio, Marina, Alckmin, o outro lá de Pernambuco, talvez Lula – cruz credo, … Que república.

Ps. Para não dizer que não tenho senso de humor, mas esse negócio de rede está mais para supermercado. Ou a ideia é essa?


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Petista se opõe a Lula e defende prévias

Líder do governo Dilma, Vaccarezza diz que estatuto do PT obriga a realização de primárias quando há dois ou mais pré-candidatos.

Enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prega internamente que o PT evite realizar prévias para as eleições municipais de 2012, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou ontem que o estatuto da sigla prevê a realização de consulta primária quando a legenda tiver mais de um nome para a disputa.

À noite, em evento em São Paulo, Lula defendeu a tradição do PT de realizar prévias para definir candidatos.

“Eu que propus a criação de prévias no PT”, disse o ex-presidente, ao chegar ao Clube Monte Líbano, na zona sul da capital, onde foi homenageado pelo setor imobiliário como personalidade do ano.

No entanto, como o Estado mostrou ontem, Lula já está trabalhando para evitar as prévias na escolha dos candidatos petistas nas disputas de 2012.

O ex-presidente avalia que o modelo com voto dos filiados deixa sequelas na disputa e mais atrapalha do que ajuda o partido na campanha eleitoral.

Para Vaccarezza, Lula tem agido em busca de uma “melhor solução” ao pregar o acordo na escolha das candidaturas, mas lembrou que o próprio ex-presidente disputou prévias em 2002.

“Se tiver dois candidatos, o estatuto define que vai haver prévias”, disse Vaccarezza. “O Lula está defendendo uma melhor solução para o partido, que seria chegarmos a um acordo. Mas ele mesmo já disputou prévias.”

Para Vaccarezza, ainda é cedo para definir o nome do PT para a sucessão da Prefeitura. Lula, por sua vez, já defendeu publicamente a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad.

O ex-presidente acredita que um nome novo na disputa terá mais chance de reconduzir o PT ao governo municipal – o partido venceu as eleições em 1988 e 2000.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A hoje senadora Marta Suplicy já pôs seu nome à disposição do partido, assim como os deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto e o senador Eduardo Suplicy, que na semana passada também saiu em defesa das prévias no PT.

Além desses pré-candidatos, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, é defendido por setores do PT como melhor opção para a Prefeitura.

A avaliação é de que, em eventuais prévias, Mercadante seria o favorito.

Mas o ministro não se colocou publicamente na disputa e, antes de tomar uma decisão, pretende consultar a presidente Dilma Rousseff e Lula.

Conciliação.

Enquanto busca consenso dentro do PT para as eleições, o ex-presidente ouviu de empresários do setor imobiliário, como Romeu Chap Chap, uma proposta de “conciliação nacional” e reconhecimento dos “feitos heroicos” dos governos passados – do regime militar às gestões de Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula.

No evento de ontem à noite, o petista discursou por 20 minutos, agradeceu a homenagem e afirmou que, ao assumir o governo, o País tinha um crescimento econômico limitado.

“Há mais de 25 anos, o Brasil estava preparado para não crescer.”

E destacou o bom momento da construção civil:
“As chances foram criadas para quem quer construir e quiser vender”.

Daiene Cardoso, Gustavo Uribe e Roldão Arruda/O Estado de S.Paulo

Orestes Quércia, a morte e a morte da memória

Millor Fernandes tem razão. Na morte é a única oportunidade em que todos falam bem de nós. Ou algo assim.

Vejam o caso do notório Orestes Quércia, recém falecido.

Tanto no velório, como agora na missa de 7º Dia, o mínimo que amigos (?) desafetos e opositores contumazes propuseram nas loas desfiadas ao “decujus’, foi a canonização.

Fico imaginando o necrológio de Zé Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério, “et caterva”!

O Editor


Sobre a missa de Quércia e ‘canonização dos mortos’

O brasileiro nasce e cresce sob a pele de homem. Mas fenece como santo.

Entre nós, a morte é de uma eficácia promocional hedionda.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

A morte lava biografias. Os cemitérios do país são hortas de virtudes.

O morto com defeitos é uma utopia. Tome-se o exemplo de Orestes Quércia.

Celebrou-se em São Paulo uma missa em memória do ex-governador paulista.

Deu-se nesta quarta (5), na Catedral da Sé. A lista de políticos que foram cultuar o morto impressiona pela diversidade.

Lá estavam José Serra e Geraldo Alckmin, do PSDB –partido nascido de dissidência que largou o PMDB por suposta aversão aos métodos de Quércia.

Lá estava Michel Temer, com quem Quércia travou nos últimos anos de sua existência renhida disputa pelo controle do PMDB-SP.

Lá estava Gilberto Kassab, um ‘demo’ que ronda o espólio de Quércia e achega-se ao PMDB de Temer com ganas de neogovernista.

Lá estava Eduardo Suplicy, cujo partido, o PT, um dia chegou a considerar-se a antítese da política à moda Quércia.

Lá estava, por último, Paulo Maluf. Entre todas, talvez, a única presença sincera. Unia-o a Quércia pelo menos afinidade de estilos.

A morte não parece guiar-se por critérios lógicos. Ela canoniza a todos, sem distinção. Ela perdoa as fraquezas, purifica as nódoas.

Por sorte, a morte é democrática. Ela se distribui igualitariamente. Cedo ou tarde o pó une todo mundo na santidade dos túmulos.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Marina Silva e a mágica de governar sem conchavos

[…]”Tá legal.
Eu aceito o argumento
Mas não me altere a realidade tanto assim”[…]

Parafraseando Paulinho da Viola, até acredito que se deva dar um crédito de ingenuidade ecológica à amazônica candidata. Acontece, tem sempre um acontece no meio do caminho, que considerando o modelo atual de se fazer política no Brasil, do toma-lá-dá-cá, praticado por todos os partidos é quase impossível não haver alianças. Inclusive as mais espúrias. Como pensar em governar com lisura, sem acordos ou loteamento de cargos, tendo a reboque Sarneys, Renans, Barbalhos, Quércias e outras indeléveis personas da mais rasteira politicagem? Fica muito difícil ao eleitor menos informado – a maioria – conhecer os meandros do funcionamento do Congresso Nacional, a ponto de saber distinguir o que são alianças, como instrumento legítimo de governo, dos conchavos que são a perversão da política.
O Editor


‘É possível governar sem troca de favores’, diz Marina Silva. Ela voltou a dizer que, se eleita, se juntará ao ‘melhor’ dos outros partidos.
E mais[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]
‘Quero governar com os melhores do PT e do PSDB
– ‘Sou a única que precisa do eleitor’, diz Marina Silva
Marina defende atuação de Dilma na ditadura e critica rótulo de ‘terrorista’

A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (29) que, se eleita, quer construir uma base aliada que não seja pautada pela troca de favores. Ela concedeu entrevista ao programa “Vanguardão”, na Rádio Auri-Verde, de Bauru, no interior de São Paulo.

Questionada sobre como administraria a relação com os aliados e como lidaria com a troca de favores, ela afirmou:

“Eu acho que é possível governar sem troca de favores. Isso tem que acabar. Ninguém governa sozinho, mas quem disse que as pessoas só se juntam por troca de favores. O eleitor que vota não é por troca de favores.

Eu conheço no Congresso quem vota sem troca de favores. Eu posso citar nomes, tem o Eduardo Suplicy, o Pedro Simon, a Heloisa Helena. Eu mesma nunca votei por troca de favores.”

Depois, ao falar sobre qual seria sua primeira ação como presidente, respondeu que seria implantar suas promessas de campanha. “Iria olhar para o Congresso e construir uma base que não seja criada com troca de favores.”

Marina voltou a dizer que gostaria de fazer alianças com os partidos dos adversários na disputa, PT e PSDB.

“É preciso se juntar aos melhores para governar o país. Os melhores do PT, PSDB, PMDB. Existem pessoas em todos os partidos. Tem que ter disposição para dialogar, convencer e mostrar que não é o dono da verdade. Precisa do apoio e das ideias dessas pessoas.

A candidata do PV disse ainda que, ao contrário dos adversários, se ela for eleita, o responsável será o eleitor. “Que o eleitor brasileiro me ajude a chegar [à Presidência]. Meus concorrentes, se chegarem, vão achar que ganharam pelas alianças, pela estrutura, tempo de TV. Eu só teria um segmento. O homem, a mulher, o jovem, a criança, o empresário, o trabalhador brasileiro.”

Marina destacou a origem humilde e disse que conhece desde “as filas do serviço de saúde onde já foi atendida como indigente” até “os melhores hospitais do Brasil”. “Só quem conhece com profundidade a vida do povo será capaz de respeitar os avanços, mantendo o Bolsa Família e encarando os novos desafios.”

Em Bauru, Marina ainda vai inaugurar uma Casa de Marina, espécie de comitê domiciliares onde militantes distribuem material de campanha da candidata para outros eleitores. A candidata também participa de um comício na cidade de Bauru na parte da noite.

G1

Suplicy critica Lula em relação à Cuba

Suplicy repudia posicionamento de Lula sobre Cuba

Raul Jungmann protocola no Planalto a carta dos ‘dissidentes’

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Em discurso feito na tribuna do Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou de Lula posições mais firmes e coerentes sobre a falta de demcocracia em Cuba.

Para Suplicy, o “respeito” que Lula devota aos irmãos Raúl e Fidel Castro não deveria impedi-lo de lembrar aos amigos cubanos alguns valores básicos.

Por exemplo: a necessidade de observar os direitos humanos e a conveniência de valorizar as liberdades democráticas, sobretudo a liberdade de expressão.

O senador petista lembrou que, em 1998, numa visita que fez a Cuba, o então papa João Paulo Segundo não se furtara a mencionar o essencial.

Segundo Suplicy, o papa defendera o fim do embargo dos EUA à ilha. Mas também mencionara que Cuba deveria render-se à liberdade e ao pluralismo político.

Em entrevista concedida à Associated Press, Lula comparou os presos políticos de Cuba aos criminosos comuns de São Paulo. E condenou a greve de fome.

Em seu discurso, Suplicy cuidou de recordar ao presidente que há enorme diferença entre os presos de consciência de Cuba e os bandidos paulistas. Acrescentou:

“Gostaria que Lula se recordasse de algumas das pessoas da história que fizeram greve de fome para alcançar um objetivo importante na história dos povos”.

Suplicy mencionou o líder indiano Mahatma Gandhi. Citou também o ícone sul-africano Nelson Mandela.

Também nesta quarta (10), o deputado Raul Jungmann protocolou no Planalto a carta que Lula negara ter recebido na visita que fizera a Cuba, em 23 de fevereiro.

No texto, os opositores do regime de Havana pedem a Lula que interceda junto aos irmãos castro em favor da liberação dos presos políticos de Cuba.

Lula queixara-se de que os autores da carta deram-na por entregue sem ao menos tê-la protocolado. Agora, já não pode alegar a ausência de protocolo.

A exemplo de Suplicy, Jungmann também refutou os últimos comentários do presidente: “Lula e a ministra Dilma [Rousseff] foram presos políticos…”

“…Por isso mesmo o presidente não poderia nivelar prisioneiros de consciência com sequestradores, assassinos e estupradores, que são pessoas que cometeram crimes…”

“…Isso não tem o menor cabimento. Os prisioneiros de Cuba estão na cadeia porque lutam pela democracia e pela liberdade”.

Mais cedo, Jungmann tentará aprovar na comissão de Relações Exteriores da Câmara uma moção lamentando a morte de Orlando Zapata Tamayo.

Preso em Cuba, Tamayo fenecera horas antes da chegada de Lula a Cuba, depois de 85 dias de uma infrutífera greve de fome.

Representantes do consórcio governistas manobraram para impedir que a moção fosse aprovada.

“É lamentável que a base do governo se recuse a enxergar o flagrante desrespeito aos direitos humanos em Cuba”, disse Jungmann.

De resto, as derradeiras declarações de Lula ecoaram também em Cuba. Mereceram comentários do jornalista e sociólogo Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias.

Fariñas disse que Lula é “cúmplice da tirania dos Castro“. Mais: afirmou que Lula esqueceu o próprio passado.

blog do Josias de Souza

Senadores solidários com Eduardo Azeredo

De Adriana Mendes, de O Globo:

O presidente da Comissão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), durante a reunião da comissão na manhã desta quinta-feira recebeu a solidariedade dos colegas Cristovam Buarque (PDT-DF), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) , Paulo Duque (PMDB-RJ), Heráclito Fortes (DEM-PI), Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

Azeredo é acusado de montar um esquema de desvio de dinheiro público, quando era governador de Minas Gerais e concorria à reeleição, o inquérito é conhecido como o “mensalão mineiro”. O caso está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Joaquim Barbosa, relator do inquérito no Supremo, votou na quarta-feira pela abertura de ação penal contra o senador tucano.

(Comentário meu: Por que a onda de solidariedade a Azeredo?

Por que ele é um cara simpático?

Por que os senadores examinaram todas as provas e evidências colhidas pela polícia e o Ministério Público e concluíram que ele é inocente no caso do mensalão mineiro?

Por que ele é senador como os outros que lhe prestaram solidariedade?

Por que o “eu não sabia” dele está valendo menos que o “eu não sabia” de Lula?

Por que todos os políticos ou a maioria deles se vale de Caixa 2 e, portanto, não é justo que só Azeredo pague a conta?

Por que? Por que?)

Sarney ‘consegue’ na justiça censura ao jornal O Estado de São Paulo

Contra a censura. Sempre! Antes que Cháves!

Como bem disse o Senador Pedro Simon: “Getúlio saiu da vida pra entrar na história.Sarney sai da história pra cair na vida.”

O juiz deveria no mínimo, em consonância com o Código de Processo Civil — Art.135,I (suspeição de parcialidade do juiz) — , se declarar impedido para julgar a ação.

O tempora. O mores!

O editor

Senadores repudiam censura ao Estado no caso Sarney

Parlamentares avaliam que decisão agrava a situação do presidente do Senado sobre denúncias

BRASÍLIA – A decisão judicial que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney foi repudiada por senadores. Na avaliação dos parlamentares, o caminho adotado pela família Sarney de censurar o jornal só agrava a situação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mergulhado em denúncias de nepotismo, envolvimento em atos secretos e desvio de verbas da Petrobrás. “O homem da transição democrática agora comete um ato da ditadura. Ele perdeu seu último argumento. Isso é terrível. O presidente Sarney tem de renunciar”, disse Pedro Simon (PMDB-RS).

Veja também:

Justiça censura ‘Estado’ e proíbe informações sobre Sarney
Juiz que determinou censura é próximo de Sarney e Agaciel
Entidades da área de imprensa denunciam ‘censura prévia’
Nas páginas do Estadão, a luta contra a censura
Censura não intimidou em 68 e jornal foi apreendido

Na sexta-feira, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, pôs o Estado sob censura. Em liminar, ele impede o jornal de publicar as conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, que mostram, entre outras coisas, Fernando Sarney discutindo com o pai a contratação do namorado da neta do senador por meio de ato secreto no Senado.

Para o petista Eduardo Suplicy (SP), a decisão da Justiça fere princípios constitucionais. “A Constituição assegura a liberdade de imprensa, sobretudo àqueles diálogos gravados com autorização judicial. É um direito da população ser informada pela imprensa sobre diálogos que ferem a ética”, disse.

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) considera “inadequado” o caminho encontrado pelo clã dos Sarney. A situação política do senador, segundo ele, se complica ainda mais com a censura imposta pela Justiça ao Estado. “Isso agrava a situação dele. Não vejo o Senado votando mais. Não vai mais funcionar”, afirmou. “Esse caminho pela Justiça é um retrocesso terrível e injustificável. O Estado já viveu essa situação em plena ditadura, mas hoje isso não pode acontecer, a não ser que o Sarney se considere um homem incomum, como diz o presidente Lula”, afirmou.

Juiz convive com Sarney

Desembargador Dácio Vieira Casamento da filha de Agaciel Maia

Desembargador Dácio Vieira; sua mulher Angela; a mulher de Agaciel, Sanzia; José Sarney; Agaciel Maia; e o senador Renan Calheiros no casamento da filha de Agaciel. (Foto: Reprodução)

Neste sábado, o Estado revelou que o desembargador Dácio Vieira é do convívio social do senador José Sarney e do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia. O registro está numa foto do dia 10 de junho: Vieira, Sarney e Agaciel aparecem juntos no casamento da filha do ex-diretor . O desembargador trabalhou na Gráfica do Senado durante o período em que Agaciel foi diretor deste departamento. É também ex-consultor jurídico do Senado. “O fato (censura), por ser inexplicável, suscita essas dúvidas: por que o desembargador esteve no casamento da filha do Agaciel?”, indagou Jarbas.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também condenou o caminho adotado pela família Sarney para tentar abafar a onda de denúncias. “O que o presidente Sarney deveria fazer é dar suas razões e se defender. O que ele não deveria é tentar censurar o Estado e o restante da imprensa”, disse. “Isso vai prejudicá-lo ainda mais.”

Seu colega de partido Álvaro Dias (PR) avalia que o episódio deve intensificar ainda mais a pressão contra Sarney dentro do Senado. “Em vez de aplacar os ânimos, isso vai exacerbar mais a crise, já que o presidente Sarney lançou mão de um expediente autoritário”, afirmou. “Isso é deplorável. É um retrocesso imperdoável. São resquícios autoritários. Desta maneira, voltaremos aos tempos da publicação de versos de Camões”, disse, referindo-se ao período em que o Estado, sob censura da ditadura militar, publicava poemas de Camões ou uma receita no lugar das reportagens proibidas.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) também faz a mesma referência. “Quando eu era deputado estadual, ia à banca esperar o Estado para ver receita de bolo e poemas. Não esperava que algo parecido fosse acontecer novamente. É uma coisa ridícula, sem sentido”, afirmou. “O Senado vive um caos.”

Decisão deve ser revista

Na opinião de Eduardo Suplicy, a Justiça deve rever a censura imposta ao jornal, não só por causa dos preceitos constitucionais, como também pela relação próxima entre o juiz que concedeu a liminar e o presidente José Sarney. “Avalio que isso deve ocorrer porque há essa relação próxima do juiz com a família do senador”, disse.

O líder do PMDB e aliado de Sarney, Renan Calheiros (PMDB-AL), não quis comentar a decisão judicial que colocou o Estado sob censura. O senador apenas reafirmou que o presidente do Senado não cogita renunciar ao cargo nos próximos dias. “O presidente Sarney está firme. Não interessa ao governo, nem ao partido, a sua saída. Isso só interessa à oposição”, disse.

Desafeto de Renan, Jarbas Vasconcelos disse que ficou impossível fazer qualquer previsão sobre o que vai acontecer no Senado nesta semana, quando os senadores retornam do recesso parlamentar. “É imprevisível. A gente pode ir para um impasse”, avaliou. Ele aposta, porém, que a situação de Sarney pode mudar internamente depois do recuo do presidente Lula de dar apoio público ao peemedebista. “Foi o presidente Lula quem salvou o Sarney até agora”, disse Jarbas.

Estadão – Leandro Colon

Senadores indicaram Agaciel Maia a Sarney

Senadores indicaram Agaciel a Sarney

Em política, as coisas nunca são o que parecem. A primeira indicação de Agaciel Maia à direção-geral do Senado, em 1996, chegou as mãos de José Sarney em documento assinado por senadores, incluindo líderes de bancada.

Foi quando o então diretor-geral Alexandre Dupeyrat saiu para assumir um cargo no governo de Minas Gerais. Agaciel Maia era diretor da Gráfica do Senado e foi indicado a Sarney pelos senadores.

Líderes da época

Em 1996, eram líderes de bancada no Senado, entre outros, Eduardo Suplicy e José Eduardo Dutra (SE), no PT, e Roberto Freire (PPS-PE).

Elogios

Em 2003, na segunda presidência de Sarney, Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tião Viana (PT-AC) elogiaram por escrito a recondução de Agaciel.

Coluna Claudio Humberto