O “mensalão” tucano

O Mensalão Tucano será julgado pelo STF no dia…

A CPI do Cachoeira já foi arquivada pela manipulação de conveniências entre PT e PSDB.

Um mínimo de consciência política e os Tupiniquins já estariam nas ruas há muito tempo.

Quem assistiu ao midiático julgamento do mensalão do PT ninho de inovadoras teses de domínio de fato e condenações baseadas em percepções sensoriais, o “mensalão tucano” será ainda mais surpreendente por ter em abundância aquilo que muita falta fez no caso de agora: provas.
José Mesquita – Editor


Se houvesse um mínimo de esclarecimento político neste país, o povo já estaria nas ruas há muito tempo, lutando contra esse golpe deslavado.

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de Carta Capital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los.

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucana expõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por Carta Capital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja e Época foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado.

Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.
Mino Carta/Carta Capital 

Eleições 2010: José Serra e o misterioso Paulo Preto

José Serra: “Ele [Paulo Preto] é totalmente inocente”

“Eu não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factóide criado para que vocês (imprensa) fiquem perguntando”. José Serra

Vejam bem esta foto. Na frente dos trabalhadores, três personagens de uma estranha história.

No debate da Band, Dilma mencionou Paulo Preto (na foto a esquerda). José Serra interrogado após o debate pelos jornalistas afirmou não conhecer a pessoa. A batata quente concerne Rodoanel, propina, caixa 2 e outras maracutaias.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

José Anibal (na foto a direita) o conhece bem. Ele afirmou a Revista Istoé que Paulo Preto teria sumido para Europa, mas o homem esta aqui. Qual é o mistério que rodeia esses personagens, ao ponto de Serra negar a evidência e pretender que não o conhece?

Uma primeira explicação chegou agora pouco. Na Folha, Paulo Preto (entrevistado hoje no jornal) jogou no ar uma frase: “”Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro”.

Bingo! José Serra recuperou a memória e reconheceu Paulo Preto. De repente o conhece tão bem, que se permite atestar com veemência “Ele é totalmente inocente”.

Quem é o desconhecido e agora inocente conhecido de José Serra? Porque tanto mistério?

A seguir algumas dicas que esclarecem uma das tantas caras do candidato tucano, a que mais procura esconder dos holofotes.

Três revistas se interessaram no personagem com certa antecipação. Época e Veja, esta última insuspeita de qualquer conivência com o lulopetismo, o denominou o homem bomba. Em 14 de maio 2010, a Veja.com publicou uma matéria explosiva que ligava Paulo Preto a propina recebida em ligação com as obras do Rodoanel. A Época também. Em 14 de agosto 2010, na Revista Istoé, Eduardo Jorge, vice presidente do PSDB afirma que Paulo Preto fugiu com R$ 4 milhões da campanha.

As matérias foram reproduzidas aqui no blog. Quando saiu a declaração de Eduardo Jorge, estranhei. Porque sair a público e lançar tamanha acusação contra o agora “totalmente inocente” Paulo Preto?

Não seria uma maneira de procurar afastar o assunto propina, do PSDB? Como reagiria o “bode expiatório”? Aceitará assumir sozinho?

Leiam a seguir às diferentes matérias publicadas sobre o “totalmente honesto” desconhecido de José Serra.

Os próximos debates permitirão seguramente que o candidato tucano recupere prontamente a memória.
->> mais no blog do Favre

O ‘homem-bomba’ do tucano Aloysio Nunes

14 de maio de 2010

Por Fernando Mello e Marina Dias – VEJA.COM

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Eleições 2010: Eleitor não se interessa por escândalos. Dilma sobe, Serra desce

Cartum de Clayton

Parece, até aqui, que está consolidado a premissa de que o eleitorado, em sua maioria, não dá a menor importância para os sucessivos escândalos que rondam a periferia da candidata Dilma Rousseff. É provável que o denuncismo da mídia comprometida não tenha a credibilidade que as vestais jornalísticas imaginam ter.

Também blogs e twitter, com postagens descaradamente parciais e partidárias, de ambos os lados, não são capazes, por falta de argumentos que não somente o iracundo ódio ideológico de influenciarem os habitantes eleitores das redes sociais. As urnas dirão o grau de influência desses canais no resultado final da eleição.

O Editor


O Datafolha, Dilma, Serra e a teoria do ‘buraco negro’

Saiu mais um Datafolha. A principal novidade da pesquisa é que ela não traz novidades.

Registra um quadro de densa estabilidade na disputa pelos votos que elegerão o sucessor de Lula.

Comparando-se com a sondagem da semana passada, apenas Dilma Rousseff oscilou. Para o alto: de 50% foi a 51%.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O movimento ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais –para baixo ou para cima.

José Serra manteve-se no mesmo patamar: 27%. Marina Silva, com seus 11%, tampouco se mexeu.

Consolida-se a impressão de que o eleitorado dá de ombros para os escândalos que Serra se esforça para grudar na imagem de sua rival.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se a eleição fosse hoje, Dilma prevaleceria sobre ele no primeiro turno. Beliscaria 57% dos votos válidos.

O brasileiro parece enxergar o ‘Fiscogate’ e o ‘Erenicegate’ como buracos negros, aqueles furos no universo em que a matéria desaparece.

Autoconvertido em Stephen Hawking da campanha, Serra apresenta suas teorias sobre os buracos negros da eleição.

Num instante em que a platéia já parecia não entender a teoria do buraco do fisco, o físico-candidato a convida para acompanhar o buraco do lobby.

Agora, além daquilo que não se interessou em saber, o eleitor vai ignorar a outra coisa que não se preocupa em conhecer.

Os pesquisadores do Datafolha aferiram o impacto do caso da violação do sigilo fiscal dos tucanos.

A maioria dos entrevistados (57%) disse ter tomado conhecimento do tema. Mas, desse total, apenas 12% consideram-se bem informados.

Não há muita gente disposta a debater os ataques ao IR do Eduardo Jorge e da Verônica Serra no intervalo entre o café da manhã e Passione, a novela noturna.

Num derradeiro esforço, a oposição alega que a candidatura da Dilma é, em si mesma, um buraco negro.

Coisa de efeitos devastadores, capaz de implodir o Sol e empurrar para dentro do buraco o eleitor, a mesa do café e o Toni Ramos.

A bugrada não escuta. Quem ouve não presta atenção. Quem se interessa acha que nada tem a ver com o seu café com leite.

Para usar expressão cara ao Serra, tudo termina em ‘tititi’.

Aliás, tomado pela irritação que exibiu na entrevista à apresentadora Marcia Peltier, os buracos negros já não interessam nem ao Serra.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Receita quis abafar a violação do sigilo fiscal de Verônica Serra

A falta de apuração, e conseqüente punição dos responsáveis, dos graves fatos que envolvem a quebra de sigilo fiscal de diversas pessoas, inclusive da filha de José Serra, projetam um avanço do aparelhamento partidário das instituições republicanas.

A permanecer a inércia da sociedade, os tentáculos de um estado Leviatã, se estenderão ao quintal de cada um dos brasileiros.

Fazer uso da mão pesada do Estado para afrontar direitos consagrados na Constituição Federal é caminho para o estabelecimento de ditaduras.
O Editor


Receita tentou abafar caso da violação do sigilo fiscal

Em meio ao discurso de que não havia irregularidade, governo já sabia que a procuração usada para violar dados de Verônica era falsa[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O comando da Receita Federal suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma Rousseff (PT).

Em meio ao discurso oficial de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa.

Os novos documentos da investigação, a que o Estado teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado.

A prova da suspeita da Receita está em um documento que mostra que, na tarde de terça-feira, a comissão de inquérito decidiu encaminhar o caso ao Ministério Público Federal. Ou seja, antes de a filha de Serra e o cartório afirmarem que o documento era falso, o que desmente o discurso e a entrevista dada ao Estado pelo secretário-geral da Receita, Otacílio Cartaxo.

Num documento obtido pelo Estado, com data de terça-feira, a comissão de investigação levanta suspeitas sobre Antônio Carlos Atella Ferreira, autor da procuração utilizada para retirar os dados fiscais de Verônica Serra em uma agência da Receita em Santo André.

No ofício, Ferreira é tratado como pessoa “supostamente” autorizada a retirar os documentos da filha de Serra. A comissão levantou informações sobre ele e cita que tem quatro CPFs em “diversos municípios”.

Diante da suspeita, a comissão pede que a procuração seja enviada à Procuradoria da República para “confirmação de autenticidade”. O documento da comissão, tratado como “ata de deliberação”, registra o horário das 17h de terça. A Receita descobriu pouco antes, às 13h42, que Ferreira era dono de quatro CPFs.

Na noite daquele mesmo dia, quando o portal estadão.com.br revelou, com exclusividade, o episódio, o Ministério da Fazenda e a Receita procuraram a imprensa, inclusive o Estado, para informar que não havia irregularidade e os dados de Verônica foram consultados mediante requisição autorizada e assinada por ela. O discurso foi compartilhado pelo primeiro escalão do governo durante toda a manhã de ontem, incluindo o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

“A Receita vai comprovar que a filha de Serra pediu o acesso aos dados”, anunciou Jucá na Comissão de Constituição e Justiça, falando como porta-voz do Planalto. “A Receita é confiável e toda a curiosidade será explicada”, disse o próprio presidente Lula, com base em informações da Receita que garantiam a autenticidade da procuração. Mantega também chegou à Fazenda dizendo que “tudo seria esclarecido”.

Os documentos obtidos pelo Estado mostram ainda que, além de já suspeitar da violação do sigilo, a Receita descobrira havia pelo menos 10 dias que os dados fiscais da filha de Serra haviam sido invadidos ilegalmente.

Mais exatamente às 17h59 do dia 20 de agosto, quando Eduardo Nogueira Dias, membro da comissão de investigação, consultou o histórico dos acessos aos dados de Verônica. Naquele dia, ele descobriu que as declarações de renda dela foram acessadas às 16h59 de 30 de setembro de 2009 por meio da senha da servidora Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, lotada em Santo André.

Ou seja, quando deram uma entrevista coletiva, convocada às pressas na sexta-feira passada, Cartaxo e o corregedor-geral, Antônio Carlos da Costa D” Avila, já tinham conhecimento do acesso aos dados fiscais de Verônica. Na sexta, Cartaxo e D” Avila anunciaram uma versão que até agora não se sustenta nos autos da investigação. Afirmaram que a Receita descobriu a existência de um esquema de venda de dados fiscais mediante “encomenda” e “pagamento de propina”.

Leandro Colon/O Estado de S.Paulo

PT, Receita Federal, cidadania e segurança jurídica

Brasil: da série ” o tamanho do buraco”!
Alguém, mesmo um néscio, esperava que o PT assumisse a culpa do vazamento dos dados da Receita Federal, ou que o PSDB deixasse de acusar o PT pela gritante violação à Constituição Federal? Claro que enquanto perdurar a, digamos, ‘apuração rigorosa dos fatos’, vale o preceito constitucional da presunção da inocência. O fato do sigilo de várias pessoas, não necessariamente ligadas ao PSDB ou mesmo ao mundo político, não é, a priori, um atestado de inocência ao Partido dos Trabalhadores, pegue inúmeras vezes usando de artifícios não muito republicanos, para encurralar adversários. O fato é um só: toda quebra de sigilo, fiscal, bancário, telefônico, sem mandato judicial é crime! O Brasil caminhou a duras penas para construir uma, ainda, frágil democracia. A não punição, na forma mais dura que a lei permitir, produzirá danos irreparáveis no tecido social, tripudiando sobre a cidadania e colocando em risco a essencial segurança jurídica.
O Editor


Usurpação de cidadania

De todos os casos cabulosos ocorridos no governo Luiz Inácio da Silva, o da quebra indiscriminada de sigilo fiscal na delegacia da Receita Federal em Mauá é o mais angustiante.

De Waldomiro Diniz à arquitetura de dossiês na Casa Civil na Presidência da República para atrapalhar o trabalho da CPI dos Cartões Corporativos; das urdiduras da direção do PT envolvendo empréstimos fraudulentos e desvios de recursos em empresas públicas (mensalão), à quebra do sigilo bancário de uma testemunha das andanças do ministro da Fazenda em uma casa de lobby de Brasília, todos tiveram objetivos específicos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pretendiam algo: Waldomiro, o homem encarregado pelo então chefe da Casa Civil, José Dirceu, de organizar as relações com o Congresso, cobrava propina de um bicheiro.

O dossiê com os gastos da Presidência quando ocupada por Fernando Henrique Cardoso pretendia (e conseguiu) inibir a atuação dos oposicionistas na comissão parlamentar de inquérito criada para elucidar as razões do aumento nos gastos dos cartões corporativos do governo todo e também para pedir acesso às despesas secretas da Presidência.

Os empréstimos simulados visavam a “lavar” dinheiro que financiava as campanhas eleitorais dos partidos aliados e mantê-los, por esse método, como integrantes da base parlamentar governista.

A quebra do sigilo do caseiro Francenildo Santos Costa na Caixa Econômica Federal deu-se com a finalidade de tentar desmoralizá-lo como a testemunha que desmentia o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no caso da casa de lobby. Palocci negou no Congresso e em pronunciamento que frequentasse a tal casa e Francenildo, caseiro do local, atestava que o via sempre por lá.

Os personagens eram conhecidos e os episódios por mais nebulosos que fossem eram compreendidos. Dava para entender sobre o que versavam. Era corrupção e/ou política.

Agora, o que assusta é inexistência de uma motivação específica claramente definida, a amplitude das ações, a multiplicidade de alvos e a tentativa do governo de abafar o caso dando a ele uma conotação de futrica eleitoral.

Evidente que Dilma Rousseff sabe do que se trata quando ouve dizer que 140 pessoas tiveram o sigilo fiscal violado numa delegacia da Receita em cidade das cercanias de São Paulo.

Sabe que estamos diante de algo que pode ser qualquer coisa, menos o que alega: mero factoide, “prova do desespero” da oposição.

Como “mãe do povo”, coordenadora do governo e responsável por tudo de maravilhoso que há no Brasil, Dilma deveria ser a primeira – depois do presidente Lula – a se preocupar com o fato de 140 cidadãos terem tido sua segurança institucional violada numa dependência do Estado.

No lugar disso, só faz repetir o mantra da candidata ofendida. Pode ser conveniente, mas não é um acinte?

Assim como soa a provocação ao discernimento alheio a proteção da Receita Federal aos investigados e a tentativa de “vender” a versão fantasiosa sobre a venda de sigilo no mercado negro de informações.

A atitude do governo alimenta a suspeita de dolo. Natural seria que as autoridades se levantassem em defesa da preservação dos direitos e garantias individuais.

Nesta altura, embora seja relevante, não é realmente o mais importante a filiação partidária dos agredidos.

Eduardo Jorge, Ana Maria Braga, Ricardo Sérgio, a família dona das Casas Bahia, tanto faz.

Foram eles, mas poderia ser qualquer um de nós. Quem, aliás, garante que não seremos os próximos a constar de um rol de pessoas vilipendiadas nas mãos de um Estado leviano?

A questão vai muito além do ato eleitoral, é um caso grave de insegurança institucional, pois não se sabe de onde vem isso, aonde vai parar, quem são os responsáveis, como agem e o que pretendem com essa manipulação que cassa a cidadania e espalha insegurança.

Dora Kramer/O Estado de S. Paulo

Eleições 2010: Roberto Jefferson diz que não conhece José Serra

O tenor do mensalão, o inefável Roberto Jefferson, atual presidente do PTB e aliado de primeira hora da candidatura de José Serra, candidamente confessa que só conhece o tucano ‘ de ouvir falar’.
Uáu!
Com um vice brandindo um tacape maluco, e um aliado mensaleiro desse tipo, fica difícil Serra vencer.
Uáu!
O Editor


Pelo Twitter, Roberto Jefferson diz que só conhece Serra de ‘ouvir falar’

Presidente do PTB critica tucano por não reunir partidos coligados.
‘Sem unidade das oposições ninguém, nem Cristo, venceria’, escreveu.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse nesta quinta-feira (19), por meio de sua página no Twitter, que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, é responsável pela “dispersão” dos partidos coligados de oposição. “[Ele] Nunca nos reuniu.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nas mensagens postadas em seu perfil na rede de microblogging, Jefferson diz que quando vai a São Paulo conversa com lideranças tucanas, como Sergio Guerra (presidente do PSDB), Eduardo Jorge (vice-presidente do partido) e o deputado Marcio Fortes (PSDB-RJ). “E para aí. Nunca conversei com o Serra”, escreveu.

Jefferson diz que teve apenas dois encontros com o candidato tucano. “Eu encontrei com o Serra duas vezes. Uma na convenção do PTB. Outra na casa do Geraldo Alckmin“, escreveu.

Ele critica também a suposta falta de união entre os aliados do PSDB: “Sem unidade das oposições ninguém, nem Cristo, venceria.”

O presidente do PTB diz ainda que seu apoio ao tucano se deve ao candidato do partido ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Eu apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar.”

Apesar das críticas, Jefferson diz que Serra ainda pode vencer as eleições, apesar de todas as pesquisas eleitorais colocarem a petista Dilma Rousseff em vantagem na preferência do eleitorado. “Se o Serra quiser virar o jogo , ele vira. Dá tempo.”

Roberto Jefferson também teceu críticas à campanha de Serra. Dirigindo-se ao publicitário Luiz Gonzalez, responsável pelos programas eleitorais do tucano, ele questionou o uso de uma favela cenográfica na propaganda do candidato e o uso do apelido “Zé”. “Se o Gonzalez ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela ‘fake’, nem o bobajol do Zé”, postou.

O G1 entrou em contato com a assessoria de José Serra e aguarda retorno. O candidato tucano cumpriu agenda pela manhã no Rio de Janeiro.

Campanha petista

Jefferson atacou também a campanha da candidata Dilma Rousseff. “Dilma vai sendo vendida no horário eleitoral como um Lula sem barba e com dez dedos”, escreveu o presidente do PTB em seu Twitter.

G1

Eleições 2010: Índio, o vice de Serra, desce a borduna em Dilma Rousseff

É lamentável ver o PSDB ter que se sujeitar aos tacapes verbais do vice de Serra, que só tem contribuído para derrubar a candidatura tucana. Serra poderia ter procurado aliado mais equilibrado. O Índio acha mesmo que a Dilma irá responder alguma coisa sobre a possível ligação do PT com as FARC? Nunquinha! Pra complicar mais ainda o calvário do PSDB, a Folha de São Paulo publica na coluna ‘Painel’, que Paulo Preto — até há pouco tesoureiro da campanha de Serra — entrará com queixa-crime contra os tucanos Eduardo Jorge, José Aníbal e Evandro Losacco, tesoureiro-adjunto do PSDB, pela acusação de ter desaparecido com os R$ 4 milhões da campanha do Serra.
O Editor


Índio bate em Dilma por MST e Farc em debate de vices

O deputado Índio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência da República, manteve a posição de guerrilha verbal contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, questionando sua relação com o MST e com a guerrilha colombiana Farc em debate de vices nesta terça-feira em São Paulo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O deputado lembrou que em abril Dilma colocou o boné com logo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Recentemente, o fundador do MST, João Pedro Stédile, disse em entrevista à Reuters, que o Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se a petista vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso o tucano José Serra seja o escolhido.

“Esse governo foi frouxo com as invasões de terra”, afirmou Índio.

O vice de Dilma, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), declarou não haver objeções em relação aos movimentos sociais. “Eles são bem-vindos para nossa campanha, desde que nos limites da lei”, afirmou.

“O que está fora da lei não estará, não será tolerado pela nossa coligação”, disse.

Segundo Temer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegui “pacificar os movimentos sociais”. “O trânsito já não para mais em Brasília. Vamos para as eleições com todos os setores sociais tranquilizados.”

Indio também voltou à carga na acusação de ligação do PT com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc).

“Até agora a Dilma não respondeu se vê ligação entre as Farc e as drogas”, afirmou.

“A Dilma tem que explicar por que o PT é ligado às Farc”, disse. “A questão é: o PT tem ligação com as Farc, que têm ligação com o narcotráfico”, acrescentou.

Reuters

Eleições 2010: Novamente a chatice da denúncia de dossiês

Novamente a campanha eleitoral é inundada com as insuportáveis denúncias de fabricação de dossiê contra candidatos. É uma chatice só. Só se ouve a denúncia, mas nunca se consegue colocar os olhos sobre um desses documentos.

Essa história remete ao falecido ACM ao qual sempre se imputava a propriedade de explosivos dossiês sobre seus (dele) adversários, mas cujo conteúdo ninguém jamais pôs os olhos.

Se eles existem, conforme denunciam os supostos alvos das arapongas – é feminino mesmo, pois é uma ave pertencente à família Cotingidae, gênero Procnias -, que sejam exibidos.

Candidato que não tem nada de sujo em seu (dele) passado, não deveria temer a elaboração dos dossiês.

Fica parecendo que denunciar a elaboração de dossiês por parte de adversários não passa de estratégia de marketing. “Falem mal, mas falem de mim!”

Simples assim!

O Editor


‘Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais’

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Delegado conta que aloprados planejavam mesmo espionar aliados e o ex-governador José Serra.

Na semana passada, VEJA revelou a existência de um grupo que se reunia dentro do comitê eleitoral do PT, em Brasília, com a missão de espionar adversários e integrantes do próprio partido.

A notícia estremeceu as relações até então amigáveis entre os principais atores ligados à campanha presidencial. O PSDB anunciou que pretende convocar para depor no Congresso os personagens que tentaram montar uma rede de espionagem onde funciona o comitê de comunicação da pré-campanha da ex-ministra Dilma Rousseff.

“Haverá um acirramento”, avisou Eduardo Jorge, vice-presidente executivo dos tucanos. Já os petistas correm em sentido oposto, tentando pôr um ponto final à discussão. “Não fomos nós que colocamos esse assunto absurdo em pauta. Esse tipo de debate não interessa ao país”, afirma o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Na sexta-feira passada, em entrevista a VEJA, o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa revelou detalhes que ajudam a dimensionar com maior exatidão o que se planejou nos subterrâneos do comitê petista – forçando uma intervenção direta do comando da campanha com ordens expressas de parar com tudo.

Apontado como o chefe do grupo de espionagem, o policial garante que sua atuação se restringiu a uma reunião de planejamento. O que foi proposto, segundo ele, era inaceitável.

Em carta a VEJA, ele reafirmou que divergia “cabalmente quanto à metodologia e ao direcionamento dos trabalhos a ser ali executados”. O comitê petista queria identificar um suposto membro da cúpula da campanha que estaria vazando informações estratégicas.

Para isso, era necessário reunir os extratos telefônicos e rastrear com quem cada um deles conversava. Acreditava que por meio do cruzamento de números o traidor seria facilmente identificado.

A outra missão era ainda mais explosiva: monitorar o ex-governador José Serra, candidato à Presidência pelo PSDB, e o deputado tucano Marcelo Itagiba, seus familiares e amigos. Os aloprados do comitê queriam saber tudo o que os dois faziam e falavam.

No início de abril, ainda distante do atual clima de euforia com o resultado das pesquisas eleitorais, havia uma disputa interna pelo controle da campanha. De um lado, o ex-prefeito Fernando Pimentel, coordenador e amigo de Dilma. Do outro, um grupo do PT de São Paulo ligado ao vice-presidente do partido, o deputado Rui Falcão.

Onézimo Sousa conta que foi convidado para uma conversa com Pimentel, na área reservada de um restaurante tradicional de Brasília. No local marcado, não encontrou o coordenador da campanha, mas um representante do comitê, o jornalista Luiz Lanzetta.

Responsável pela parte de comunicação da campanha, Lanzetta explicou ao delegado que o objetivo deles era montar um grupo de espionagem. Não haveria contrato, e o pagamento – 1,6 milhão de reais, o equivalente a 160 000 por mês – seria feito pelo empresário Benedito de Oliveira Neto, um prestador de serviços que enriqueceu durante o governo Lula e estava presente à reunião, da qual participou também o ínclito, reto e vertical ex-jornalista e agora escritor Amaury Ribeiro.

O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para es-pionar adversários e petistas rivais?

Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury (Ribeiro), o Benedito (de Oliveira, responsável pela parte financeira) e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou. Havia problemas de metodologia e direcionamento do trabalho que eles queriam.

Como assim?

Primeiro, queriam que a gente identificasse a origem de vazamentos que estavam acontecendo dentro do comitê. Havia a suspeita de que um dos coordenadores da campanha estaria sabotando o trabalho da equipe. Depois, queriam investigações sobre o governador José Serra e o deputado Marcelo Itagiba.

Que tipo de investigação?

Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais. O Lanzetta disse que eles precisavam saber tudo o que eles faziam e falavam. Grampos telefônicos…

Pediram ao senhor para grampear os telefones do ex-governador Serra?

Explicitamente, não. Mas, quando me disseram que queriam saber tudo o que se falava, ficou implícita a intenção. Ninguém é capaz de saber tudo o que se fala sobre alguém sem ouvir suas conversas. Respondendo objetivamente, é claro que eles queriam grampear o telefone do ex-governador.

Disseram exatamente que tipo de informação interessava?

Tudo o que pudesse ser usado contra ele na campanha, principalmente coisas da vida pessoal. Esse é o problema do direcionamento que eu te disse. O material não era para informação apenas. Era para ser usado na campanha. Na hora, adverti que aquilo ia acabar virando um novo escândalo dos aloprados.

Quem fez essa proposta?

Fui convidado para um encontro com Fernando Pimentel. Chegando lá no restaurante, estava o Luiz Lanzetta, que eu não conhecia, mas que se apresentou como representante do prefeito.

Ele pediu para investigar os petistas também?

Disse que estava preocupado, que tinha ocorrido uma reunião entre os seis coordenadores da campanha e que tudo o que havia sido discutido foi parar nos jornais. Havia alguém vazando informações, e ele queria saber quem era. Suspeitava do Rui Falcão.

O ex-prefeito Fernando Pimentel informou que não conhece o delegado e que Luiz Lanzetta não fala em seu nome. O jornalista, que continua trabalhando no comitê da campanha, disse que “fez uma bobagem” ao tentar criar um grupo que tinha como objetivo apenas evitar ataques dos adversários.

Policarpo Junior e Daniel Pereira/Veja