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Como a Coréia do Sul está se preparando para a era da sustentabilidade

A Coréia do Sul recicla noventa e cinco por cento de seu desperdício de alimentos, um contraste marcante com a taxa sombria na cidade de Nova York.
Caixas automatizadas, fazendas na cobertura e cultivo subterrâneo de cogumelos ajudam a limpar a bagunça.

Lixo é novo. Durante o século XIX, Nova York estava suja, mas grande parte de seu lixo consistia em sobras, restos e outros itens para reutilização. O assado de domingo se tornou o hash de segunda-feira; O pão de segunda-feira se tornou pudim de pão de quarta-feira. Porcos vagavam pelas ruas, comendo alface e rabanete velhos. As “crianças suadas” iam de casa em casa, coletando restos de comida que eles vendiam aos agricultores como fertilizantes e ração animal. Ossos se tornaram cola. A graxa velha foi transformada em velas de sebo ou misturada com cinzas para fazer sabão. Embalagens descartáveis ​​eram quase inexistentes.

Em quase todas as décadas do século XIX, a população da cidade dobrou. Nova York começou a despejar seu excesso no Oceano Atlântico. Em 1895, George Waring, um ex-oficial militar, tornou-se comissário de saneamento. “Vassoura do coronel Waring. . . salvou mais vidas do que um esquadrão de médicos ”, escreveu o reformista social e jornalista Jacob Riis, do homem que vestia os trabalhadores do saneamento em ternos brancos. Waring fez com que as famílias e empresas de Nova York separassem o lixo e as cinzas de alimentos; ele desviou o esterco para uso como fertilizante. O desperdício de alimentos foi transformado em sabão, graxa ou composto ou transportado para fazendas de porcos em Nova Jersey. Algumas das cinzas se tornaram blocos de concreto. Alguns foram para expandir a área de cobertura da Ilha Rikers. Três anos após sua nomeação, Waring morreu de febre amarela. Seu programa de classificação continuou até a Primeira Guerra Mundial, quando foi abandonada por causa de escassez de mão-de-obra e material. Em 1918, a cidade estava novamente despejando resíduos no oceano. Ou depositá-lo em aterros sanitários.

A história do lixo de Nova York não mudou tanto no século passado quanto você pode imaginar, já que agora temos a tecnologia para imprimir em 3D uma Yoda bebê ou para dirigir um carro com óleo vegetal antigo. Papel e plástico são separados, mas a reciclagem de orgânicos – desperdício de alimentos, lixo de quintal, praticamente qualquer coisa que apodrece – permanece voluntária, mesmo que esse material represente cerca de um terço do lixo de Nova York. Todos os resíduos orgânicos da cidade, com exceção de cinco por cento, são destinados a aterros sanitários.

Os resíduos orgânicos não cheiram mal quando são enviados para aterros; torna-se um veneno climático. Sim, fomos educados repetidamente na importância da reciclagem – por amigos, por inimigos piedosos, e até por “wall-e”. Mas a reciclagem de produtos orgânicos é sem dúvida mais importante do que a de plástico, metal ou papel. A compostagem transforma resíduos orgânicos brutos em uma substância semelhante a húmus que enriquece o solo e melhora a captura de carbono. Nos aterros sanitários, sem oxigênio, os orgânicos em decomposição liberam metano, um gás de efeito estufa cujos efeitos do aquecimento, a longo prazo, são cinquenta e seis vezes os do CO2. Os Estados Unidos têm maiores emissões de aterros do que qualquer outro país, o equivalente a trinta e sete milhões de carros na estrada a cada ano.

Em abril passado, a legislatura do Estado de Nova York promulgou leis exigindo que grandes empresas e instituições reciclassem seu desperdício de alimentos, mas a cidade de Nova York está isenta das novas regras. Em 2013, quando Michael Bloomberg estava em seu último ano como prefeito de Nova York, ele instituiu um programa de reciclagem de orgânicos, que, segundo as autoridades, pode se tornar obrigatório em alguns anos. Bill de Blasio, que era o defensor público na época, apoiou essa visão, mas como prefeito não conseguiu financiar.

Como os lados da rua são reservados exclusivamente para carros, não há espaço para lixeiras. Em vez disso, a cada noite aparece um muro baixo de sacos de lixo empilhados, como se deixados por elfos malignos. Às vezes, há sacos de kaiser e frutas estragadas. Uma gosma cor de caramelo escorre pela calçada. Caminhando pelo aterro do lixo na outra noite, assustando os ratos que duspararam pelo meio-fio e pelo ralo de esgoto.

O ativismo de Kim remonta aos anos oitenta, quando estudou nutrição e cultura alimentar na universidade. Ela se envolveu nos movimentos estudantis pró-democracia e foi uma líder em campanha pela igualdade de direitos para as mulheres. K.Z.W.M.N. foi formada, em 1997, a partir de uma rede de trinta e uma organizações de base. “Nosso trabalho principal é defender mudanças nas políticas governamentais, nas leis”, disse Kim. “Também temos muitos programas destinados a educar o público.” K.Z.W.M.N. foi fundamental para promover a proibição de Seul em sacolas plásticas, que entrou em vigor no final de 2018.

Durante a infância de Kim, a cidade que agora é uma paisagem de arranha-céus e arranha-céus era em grande parte terras agrícolas. “Após a Guerra da Coréia, o desperdício de alimentos não foi um problema – as pessoas estavam passando fome”, disse ela. “Levamos nossos restos de comida para fora e os demos às vacas e porcos.”

Em 1995, a Coréia do Sul substituiu seu imposto fixo pela disposição de resíduos por um novo sistema. Os materiais de reciclagem foram recolhidos gratuitamente, mas para todos os outros lixos a cidade impôs uma taxa, que foi calculada medindo-se o tamanho e o número de sacolas. Em 2006, era ilegal enviar resíduos alimentares para aterros e lixões; os cidadãos eram obrigados a separá-lo.

As novas políticas de resíduos foram apoiadas com doações para a então nascente indústria de reciclagem. Essas medidas levaram a uma redução no desperdício de alimentos, por pessoa, de cerca de um quarto de libra por dia – o peso de um Big Mac e batatas fritas ou duas toranjas. O país estima que o benefício econômico dessas políticas seja, ao longo dos anos, em bilhões de dólares.

Os moradores de Seul podem comprar sacolas biodegradáveis designadas para seus restos de comida, que são descartados em lixeiras automatizadas, geralmente situadas na área de estacionamento de um prédio de apartamentos. As caixas pesam e cobram por quilo de lixo orgânico. Na Energy Zero House, um complexo de apartamentos modelo em Seul, uma mulher magra vestindo roupas escuras demonstrou como a caixa de compostagem “inteligente” funcionava.

A lixeira parecia uma lavadora de roupas industrial com um top verde-azulado alegre e tinha instruções de uso em coreano e inglês. Ela acenou com um pequeno cartão, que parecia meu cartão de pontos de supermercado, na frente de um scanner. A tampa se abriu de uma maneira lenta, suave e um pouco estranha. Entrou o desperdício. Um peso registrado em vermelho L.E.D. Então a tampa abaixou, com indiferença robótica semelhante. Perto havia um cartucho separado para óleo de cozinha usado. Uma estrutura de treliça arrumada cobria a área, como um ponto de ônibus. Para uma família de Seul, o custo da reciclagem de sucata de alimentos é de cerca de seis dólares por mês.

 

Lixão tóxico: ferro-velho de primeiro mundo no Gana coloca milhares em risco de câncer

 Gana se tornou um dos maiores depósitos de lixo do mundo para lixo eletrônico, criando uma indústria mortal que colocou milhares em risco.

O ferro-velho de eletrônicos perto da capital do Gana, Accra, deixou a região circundante contaminada com toxinas perigosas que poluíram o meio ambiente e criaram sérios problemas de saúde para os moradores.

Segundo uma estimativa, cerca de 200.000 toneladas dos eletrônicos descartados do mundo chegam a uma favela em Accra – o peso equivalente a mais de mil baleias azuis.

O enorme depósito de lixo é a principal fonte de renda para muitos trabalhadores, que escolhem montanhas de eletrônicos descartados e os derretem em metais como ferro e latão.

O processo de extração é altamente perigoso, liberando toxinas no ar que estão ligadas a uma série de problemas ambientais e de saúde sérios, incluindo dores crônicas, natimortos, poluição generalizada e danos à cadeia alimentar.

Os trabalhadores explicaram que sofrem de uma série de doenças, respirando a fumaça dos incêndios usados para queimar os aparelhos eletrônicose que causa dores no peito – e também dores de cabeça debilitantes.

Um estudo realizado por grupos de redes ambientais, o IPEN e a Rede de Ação da Basiléia, constatou que a exposição a longo prazo a vapores perigosos pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo câncer ou danos aos sistemas imunológico e neurológico. Jindrich Petrlik, co-autor de um estudo ambiental, disse que não há sinais de que a situação esteja melhorando.

O crescimento do ferro-velho e a quantidade de lixo eletrônico … estão aumentando ano a ano; portanto, se nada for feito, o problema será maior e uma população maior poderá ser afetada pela contaminação geral do local e de seus arredores.

Os pesquisadores também descobriram que as toxinas mortais já entraram na cadeia alimentar. Galinhas que se alimentam perto do solo altamente contaminado em torno do lixão maciço absorveram o lixo em seus sistemas – expondo os humanos que os comem, ou seus ovos, a sérios riscos à saúde. Os poluentes também foram detectados no leite materno, o que significa que as toxinas estão sendo repassadas aos filhos dos trabalhadores.

Enfrentando problemas ambientais e de saúde que poderiam facilmente se estender por gerações, os habitantes locais disseram a que estavam desesperados por uma solução. Infelizmente, não há sinal de que o despejo maciço esteja indo a lugar algum.

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Impactos ambientais na floresta amazônica está mudando a dispersão das plantas

Novas pesquisas constatam que o impacto ambiental nas florestas tropicais vai além da perda de espécies e inclui uma mudança em direção a sementes menores e um aumento na proporção de árvores dispersas pelos animais, afetando o funcionamento do ecossistema. Os resultados são publicados no jornal da British Ecological Society, Journal of Ecology.

O estudo analisou áreas da Amazônia brasileira com níveis variados de atividades como extração de madeira ou queima. Os pesquisadores descobriram que não apenas a presenaça humana reduziu a diversidade geral de árvores, como também aumentou a proporção de árvores com sementes dispersas pelos animais, em oposição a outros mecanismos como o vento.

Esse impacto também levou a uma mudança significativa em direção a espécies de sementes pequenas, com maior probabilidade de serem dispersadas por animais menores, como pássaros e morcegos. Não está claro se essas árvores podem suportar animais maiores que comem frutas, especializados em plantas de sementes grandes e importantes para a dispersão das sementes.

Os pesquisadores observaram efeitos semelhantes em florestas secundárias (re-cultivadas) se recuperação de derrubadas desmatadas. As florestas secundárias mais antigas tinham plantas funcionalmente semelhantes às florestas primárias mais fortemente perturbadas.

O Dr. Joseph Hawes, principal autor do estudo, disse: “Estudos anteriores em florestas tropicais perturbadas freqüentemente descobriram que as comunidades vegetais têm mais probabilidade de depender de sementes dispersas pelo vento e de outros mecanismos abióticos, em vez de animais que comem frutas. Por outro lado, nosso estudo constatou que a perturbação levou a comunidades de árvores nas quais uma proporção maior de espécies e indivíduos depende da dispersão animal. ”

Provavelmente, existem várias razões para essa mudança. Incêndios florestais e exploração seletiva afetam desproporcionalmente certas espécies de árvores, o que pode influenciar os padrões de dispersão. A caça também pode reduzir a dispersão de sementes por grandes pássaros e mamíferos, deixando animais menores dispersarem sementes menores.

Sobre as implicações de uma mudança para espécies de árvores de sementes menores, o Dr. Hawes acrescentou: “As espécies de árvores de sementes menores estão se tornando mais prevalentes em florestas fortemente perturbadas pela atividade humana. Como espécies de árvores com sementes maiores também são frequentemente aquelas com densidades de madeira mais altas, essas mudanças na composição da floresta podem ter implicações a longo prazo para o armazenamento de carbono e a sensibilidade à seca das florestas tropicais.”Amazônia,Queimadas,Brasil,Meio Ambiente,Blog do Mesquita

O professor Jos Barlow, co-autor, disse: “Isso destaca o papel especialmente importante desempenhado pelos animais de grande porte que comem animais na Amazônia e ajuda a sublinhar a necessidade de evitar a perda desses animais e ajudar a incentivar sua recuperação em seres humanos modificados. florestas.”

A Dra. Ima Vieira, coautora, disse: “A maioria das restaurações florestais se concentra na vegetação, mas também precisamos considerar a fauna em projetos de restauração por causa de suas importantes interações mutualísticas com as plantas. Nosso estudo fornece mais evidências de que a fauna é essencial para restaurar ecossistemas ricos em biodiversidade na Amazônia. ”

A Dra. Joice Ferreira, coautora, afirmou: “Evitar a perda e a degradação das florestas deve ser uma prioridade nas políticas públicas, pois a interrupção das interações planta-animal pode levar a efeitos catastróficos em cascata. No Brasil, metas ambiciosas de restauração foram propostas (12 milhões de hectares até 2030). Desconsiderar o papel das interações bióticas pode minar o sucesso de tais esforços. ”

As florestas tropicais são de fundamental importância para a biodiversidade global, a regulação do clima e os meios de subsistência humanos, mas estão cada vez mais ameaçadas pelos impactos humanos. Atualmente, 80% das paisagens de florestas tropicais existem em um estado modificado, como floresta primária degradada ou floresta secundária em recuperação.

“Pressão da expansão agrícola, incluindo criação de gado e agricultura mecanizada, por exemplo. soja, é alta no leste da Amazônia, mas essa pressão não é uniforme e algumas áreas são mais afetadas que outras. Este também é o caso de pressões como as de plantações de silvicultura, extração seletiva e incêndio. ” disse o Dr. Hawes.Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita

Os traços funcionais das espécies são componentes importantes de um ecossistema e podem apoiar processos ecológicos importantes, mesmo quando a riqueza de espécies é reduzida. Comparado a outros traços de plantas, como área foliar e densidade da madeira, os traços reprodutivos são relativamente pouco estudados, apesar de sua importância para as relações mutualísticas e do papel no recrutamento de novas árvores.

Neste estudo, os pesquisadores pesquisaram 230 parcelas florestais em duas regiões da Amazônia Oriental Brasileira. As parcelas cobriam um gradiente de perturbação nas florestas, de floresta primária não perturbada a floresta que havia sido derrubada, queimada ou derrubada e queimada. No total, os pesquisadores registraram 26.533 caules de árvores vivas de 846 espécies de árvores.

Usando herbários e literatura de pesquisa, os pesquisadores compilaram informações sobre características de frutos e sementes, como tamanho, tipo, forma e método de dispersão para cada espécie.

O estudo se concentrou nas mudanças nas comunidades vegetais, em vez de nas comunidades animais nas florestas humanas impactadas. Os pesquisadores alertam que o isolamento dessas relações específicas a distúrbios provavelmente será difícil devido aos múltiplos fatores de mudança nas paisagens modificadas pelo homem.

Fora do método de dispersão de sementes, os pesquisadores não consideraram outros fatores que podem influenciar o sucesso do recrutamento de plantas. Isso foi limitado por uma escassez de informações sobre o que constitui a dispersão eficaz de sementes por diferentes espécies animais.

O Dr. Hawes disse: “Um dos próximos passos para entender os impactos ecológicos a longo prazo dos distúrbios humanos nas florestas tropicais é criar um banco de dados abrangente para as características das plantas, incluindo medidas como o tamanho das sementes que foram incluídas em nosso estudo. Contribuímos com nossos dados para o TRY Plant Trait Database, um esforço de pesquisa global para compilar e fornecer acesso livre e aberto aos dados de características da planta.”Amazônia,Desmatamento,Grilagem,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecocologia,Fauna,Flora,Pecuária,Biodiversidade,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita (6)

O professor Jos Barlow disse: “Grande parte do trabalho foi financiado por uma bolsa do conselho de pesquisa brasileiro para professores visitantes e destaca a importância da colaboração científica de longo prazo para orientar o manejo florestal na Amazônia”.

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Reconversão pode ajudar a mitigar as mudanças climáticas

Um novo estudo mostrou que a reconversão pode ajudar a mitigar as mudanças climáticas, oferecendo uma gama diversificada de benefícios ao meio ambiente, com impactos regionais variados.

Pesquisa liderada pela Universidade de Sussex e publicada na revista Philosophical Transactions da Royal Society B, fornece uma avaliação global do potencial de re-silagem trófica para ajudar a mitigar as mudanças climáticas.

A reconversão trófica restaura espécies perdidas aos ecossistemas, que podem ter influências em cascata sobre toda a cadeia alimentar. Isso normalmente significa reintroduzir grandes herbívoros (por exemplo, elefantes) e predadores de topo (por exemplo, lobos), ou espécies conhecidas por projetar habitats mais diversos e complexos e beneficiar a biodiversidade (por exemplo, castores).

Mas a reintrodução de espécies não apenas influencia o ambiente local, mas também o clima. Animais, particularmente megaherbívoros (como elefantes) e grandes ruminantes (como bisões e gado) produzem metano – um gás de efeito estufa. Os grandes herbívoros também comem grandes quantidades de vegetação, o que pode impedir o crescimento de árvores. Isso impede que as árvores capturem carbono, mas, por outro lado, também pode impedir que as árvores reduzam o albedo no extremo norte e atenua o aquecimento. Os grandes herbívoros também distribuem grandes árvores semeadas que são particularmente boas na captura de carbono.

A influência dos grandes herbívoros também depende em parte dos efeitos de grandes predadores. Quanto maiores os predadores presentes, maiores as espécies de herbívoros regularmente no menu. Porém, devido às extinções passadas, as espécies sobreviventes que podem ser reintroduzidas são limitadas e isso altera o número e o tipo de herbívoros grandes que têm maior probabilidade de atingir densidades relativamente altas e, portanto, têm maior impacto em seu ambiente.

De acordo com esta nova pesquisa, todas essas relações de interação significam que a aplicação de re-silagem trófica em diferentes partes do mundo terá resultados diferentes para a mitigação climática.

O Dr. Chris Sandom, professor sênior de biologia da Universidade de Sussex, disse: “A principal coisa a lembrar aqui é que a natureza é complexa e precisa ser complexa.

“A reutilização trófica visa restaurar a natureza, incluindo sua complexidade, e depois permitir que ela siga seu próprio caminho. Esse caminho será diferente dependendo do tempo, local e chance. Mas a boa notícia é que isso também trará uma diversidade de resultados. A diversidade é boa porque as necessidades das pessoas e da natureza também são diversas.

No estudo, o Dr. Chris Sandom e colegas da Austrália, América, Dinamarca e Suécia avaliaram cenários em várias regiões do mundo para determinar onde a restauração de espécies que ainda existem hoje poderia ajudar a mitigar as mudanças climáticas.

Em algumas partes do mundo, como Europa e América do Norte, a maioria dos grandes predadores (leões) e herbívoros (elefantes) foi extinta. No entanto, com o retorno de populações saudáveis ​​de lobos, o número de herbívoros grandes restantes, como o cervo, pode ser reduzido, permitindo uma maior oportunidade de crescimento da vegetação e proporcionando efeitos mitigadores sobre as mudanças climáticas.

Owen Middleton, estudante de doutorado da Universidade de Sussex e co-autor do estudo, disse: “As extinções passadas significam que apenas uma pequena fração das espécies presentes na América do Norte e do Sul, Europa e Austrália pode ser reintroduzida em projetos de re-criação. Se todas as espécies disponíveis fossem reintroduzidas nesses locais, é provável que os predadores exerçam mais controle sobre os herbívoros do que no passado. Isso provavelmente resultaria em mais árvores crescendo com benefícios de mitigação das mudanças climáticas.

“Na África e na Ásia, onde a extinção foi menos severa, os megaherbívoros provavelmente seriam mais dominantes. Nas savanas, isso pode parar o crescimento das árvores, reduzindo o potencial de mitigação do clima, mas seria importante para a biodiversidade. É necessária uma análise regional para explorar os detalhes. ”

“Mas essas são estimativas simples de um sistema complexo. Pesquisas futuras devem se concentrar em estudos de caso regionais, que incluem a viabilidade social e ecológica da reintrodução de espécies, bem como como isso poderia ajudar com o clima e outras emergências. ”

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China proibirá plástico não biodegradável

País asiático quer reduzir o uso de produtos como talheres e sacolas descartáveis em 30% até 2025. Plano prevê proibições escalonadas em hotéis, restaurantes e serviços de entrega do comércio eletrônico em áreas urbanas.

    
Mais de 31 toneladas de plástico são usadas diariamente na China, sendo que 74% não são processadas adequadamente. Mais de 31 toneladas de plástico são usadas diariamente na China. Destas, 74% não são processadas corretamente.

As autoridades chinesas aprovaram nesta segunda-feira (20/01) um plano para reduzir drasticamente a utilização de plástico não biodegradável nas principais cidades do país, que inclui também as sacolas plásticas, em um período de cinco anos.

Segundo o Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente e a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o órgão chinês encarregado do planejamento econômico, a proibição deve ser válida para grande parte das áreas urbanas e comunidades costeiras desenvolvidas do país.

Também será proibida a produção e venda de talheres e pratos descartáveis. Os canudos de plástico deverão ser banidos dos restaurantes até o final deste ano. A intenção do governo é reduzir o uso dos produtos de plástico descartável em 30%, até 2025.

Os hotéis de categoria superior serão proibidos de fornecer gratuitamente esses produtos a seus clientes até o final de 2022, podendo apenas vendê-los. Em 2025, essa medida passará a valer para todos os tipos de estabelecimentos como hotéis de categorias simples e hospedarias.

A partir de 2022, os serviços de entrega a domicílio nas principais províncias do país não poderão mais usar embalagens de plástico ou sacolas não biodegradáveis. A medida passará a valer para todas as empresas de comércio eletrônico no país em 2025.

Segundo a ONU, mais de 31 toneladas de plástico são utilizadas diariamente na China, sendo que 74% desse total não são processadas adequadamente. Dos dez rios que transportam mais de 90% do plástico para os oceanos, seis correm parcial ou totalmente através do país.

Como evitar o consumo de plástico?

As medidas para reduzir a poluição na China vêm após décadas de crescimento econômico rápido, com um aumento exponencial de produtos em embalagens plásticas que geram enormes quantidades de lixo. Dados do Banco Mundial afirmam que, em 2017, a China produziu 210 milhões de toneladas de lixo, que poderiam chegar a 500 toneladas por ano até 2030.

Em 2018, a China proibiu a importação de resíduos de plástico não industriais, uma decisão que gerou impacto global, uma vez que o país era o principal importador de plástico para reciclagem, vindo de países mais ricos.

As importações e exportações mundiais de resíduos de plástico dispararam em 1993, aumentando em 800% até 2016. Em 1992, a China recebeu cerca de 106 milhões de toneladas de resíduos de plástico, o que representava em torno de 50% das importações mundiais.

RC/lusa/afp

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Aquecimento global: 7 gráficos que mostram em que ponto estamos

As geleiras do mar Ártico diminuíram nos últimos anos

As mudanças climáticas devem causar grandes transformações em todo o mundo: o nível do mar vai subir, a produção de alimentos pode cair e algumas espécies talvez sejam extintas.A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que o mundo precisa limitar o aumento da temperatura média global a menos de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais.Mas, de acordo com os cientistas, cumprir a meta de 1,5 °C exige “mudanças rápidas, de longo alcance e sem precedentes” em todos os aspectos da sociedade.

Afinal, o quão quente o mundo está e o que pode ser feito?

1. O mundo está mais quente

O planeta está agora quase um grau mais quente do que estava antes do processo de industrialização, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Como a temperatura dos anos se compara com a média do séc. 20

Os 20 anos mais quentes foram registrados nos últimos 22 anos, sendo que 2015 a 2018 ocupam os quatro primeiros lugares do ranking, diz a OMM.

Se essa tendência continuar, as temperaturas poderão subir entre 3ºC e 5ºC até 2100.

Um grau pode não parecer muito, mas, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), se os países não tomarem uma atitude, o mundo enfrentará mudanças catastróficas — o nível do mar vai subir, a temperatura e a acidez dos oceanos vão aumentar e a nossa capacidade de cultivar alimentos como arroz, milho e trigo estaria ameaçada.

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2. 2019 bateu todos os recordes

Quase 400 temperaturas recordes foram registradas no Hemisfério Norte durante o verão de 2019.

Os recordes foram alcançados em 29 países entre 1º de maio e 30 de agosto. Um terço das temperaturas mais altas de todos os tempos foi registrada na Alemanha, seguida por França e Holanda.

Esses recordes europeus foram registrados em meio a ondas de calor em todo o continente que provocaram um aumento nas temperaturas médias em junho e julho.

Durante o período indicado no mapa abaixo (de maio a agosto de 2019), os pontos amarelos mostram onde e quando um recorde de calor foi quebrado, o rosa indica os lugares mais quentes naquele mês, e o vermelho escuro representa os locais mais quentes desde o início dos registros.

As temperaturas mais altas destas regiões

Datas

Fonte: Robert A. Rohde/Berkeley Earth. Mapa criado em Carto

Mais de 30 recordes foram registrados nos EUA, de acordo com os dados do Berkeley Earth. No Japão, onde 11 pessoas morreram em decorrência da onda de calor no verão, foram quebrados 10 recordes de temperatura.

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3. Não estamos no caminho de atingir as metas de mudança climática

Se somarmos todas as promessas para reduzir emissões de gases que provocam efeito estufa pelos países que assinaram o Acordo de Paris, o mundo ainda esquentaria em mais de 3°C até o fim deste século.

Gráfico média de aquecimento global
Nos últimos três anos, climatologistas mudaram a definição do que acreditam ser o limite “seguro” da mudança climática.

Por décadas, pesquisadores argumentaram que o aumento da temperatura global devia ser mantido abaixo de 2°C até o fim deste século para evitar consequências mais graves.

Os países que assinaram o acordo de Paris se comprometeram a manter as temperaturas “bem abaixo dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais e a buscar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C”.

Mas a comunidade científica concorda agora que, na verdade, precisamos manter os aumentos de temperatura abaixo de 1,5°C.

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4. Os maiores emissores são a China e os EUA

Os países que emitem mais gases de efeito estufa são, de longe, a China e os EUA. Juntos, eles são responsáveis por mais de 40% do total global de emissões, de acordo com dados de 2017 do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia e da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL).

Gráfico emissores de CO2

A conduta ambiental dos EUA mudou sob o governo de Donald Trump, que adotou uma política pró-combustíveis fósseis.

Depois de tomar posse, o presidente americano anunciou a retirada do país do Acordo de Paris.

Na ocasião, Trump disse que queria negociar um novo acordo “justo” que não prejudicasse empresas e trabalhadores americanos.

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5. As áreas urbanas são particularmente ameaçadas

Quase todas as cidades — 95% delas — que enfrentam riscos climáticos graves estão na África ou na Ásia, segundo um relatório da Verisk Maplecroft, consultoria de estratégia e risco.

E o risco é maior para cidades com crescimento mais rápido, incluindo megacidades como Lagos, na Nigéria, e Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Cerca de 84 das 100 cidades que mais crescem no mundo enfrentam riscos “extremos” de aumento das temperaturas e de fenômenos climáticos extremos.

Cidades em rápida expansão enfrentam piores riscos climáticos
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6. Gelo do Ártico também está ameaçado

A extensão do gelo do mar do Ártico diminuiu nos últimos anos. Em 2012, chegou ao nível mais baixo já registrado.

Gráfico gelo no Ártico

As geleiras vêm diminuindo há décadas, com a aceleração do derretimento desde o início dos anos 2000, de acordo com o Comitê de Auditoria Ambiental do Parlamento do Reino Unido.

O Oceano Ártico pode ficar sem gelo no verão antes de 2050, a menos que as emissões sejam reduzidas, acrescenta o comitê.

A extensão do gelo do mar Ártico em 2019 foi a segunda menor já registrada por satélite, empatando com a de 2007 e 2016.

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7. Todo mundo pode fazer algo para ajudar

Enquanto os governos precisam fomentar grandes mudanças, indivíduos também podem fazer sua parte.

Os cientistas dizem que todos nós temos de adotar “mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes” no nosso estilo de vida, a fim de evitar danos mais severos ao clima.

O IPCC recomenda uma redução no consumo de carne, leite, queijo e manteiga; comer mais alimentos sazonais de origem local — e desperdiçar menos; dirigir carros elétricos, mas caminhar ou pedalar distâncias curtas; pegar trens e ônibus em vez de aviões; substituir viagens de negócios por videoconferências; usar varal em vez de máquina de secar roupa; aprimorar o isolamento térmico das casas; exigir bens de consumo com baixo teor de carbono.

Mas a maneira mais eficaz de se reduzir o próprio impacto ambiental no planeta é mudar a dieta, com menos menos carne — de acordo com estudos recentes.

Gráfico mostra impacto dos alimentos

Cientistas dizem que devemos consumir menos carne por causa das emissões de carbono que essa indústria produz, entre outros impactos ambientais negativos.

Um estudo recente publicado na revista científica Science destacou uma enorme variação no impacto ambiental na produção de um mesmo alimento.

O gado de corte criado em terras desmatadas, por exemplo, produz 12 vezes mais emissões de gases de efeito estufa que o criado em pastagens naturais.

Em resumo, o estudo mostra que mesmo a carne com o menor impacto ambiental ainda gera mais emissões de gases de efeito estufa do que o cultivo de hortaliças e cereais de maneira sustentável.

Mas, além de alterar nossas dietas, a pesquisa indica ser preciso mudar radicalmente as práticas agrícolas para beneficiar o meio ambiente.

Por Nassos Stylianou, Clara Guibourg, Daniel Dunford, Lucy Rodgers, David Brown e Paul Rincon.

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A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO QUER COMPRAR OS JOVENS QUE LUTAM PELO CLIMA

O CEO da BP, Bob Dudley, à esquerda, e o economista-chefe Spencer Dale falam durante uma sessão no One Young World Summit, em Londres, em 23 de outubro de 2019. Imagem: Facundo Arrizabalaga/EPA-EFE/Shutterstock

NO MESMO DIA em que a ativista climática Greta Thunberg, 16 anos, fez um discurso emocionante na Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas em setembro, no qual criticou os representantes por “roubar meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, os arquitetos da crise climática receberam participantes jovens selecionados da cúpula para jantar.

CEOs de empresas de combustíveis fósseis, como a BP, Royal Dutch Shell e Equinor da Noruega estavam participando do encontro anual da Iniciativa Climática de Petróleo e Gás em Nova York, a OGCI, que incluiu líderes do setor que afirmam estar comprometidos em tomar ações “práticas” sobre as mudanças climáticas. Na agenda do almoço estava “explorar opções de engajamento de longo prazo” com jovens nos quais a indústria podia confiar. A Student Energy, uma organização sem fins lucrativos com sede em Alberta, perto da região de extração de areia betuminosa do Canadá, ajudou a organizar o evento, que incluiu tempo para que os estudantes interrogassem os CEOs sobre sua inação na mudança climática.

As perguntas dos estudantes podem ter sido difíceis, mas o evento foi ótimo para a indústria de combustíveis fósseis. Longe estão os dias em que os CEOs questionavam abertamente a existência das mudanças climáticas. Hoje, os líderes do setor estão fingindo uma sensação de urgência climática, enquanto levam adiante propostas de ação que permitirão às empresas continuar colhendo produtos emissores de carbono no futuro. Submeter-se a um grupo de estudantes céticos foi uma oportunidade para os executivos de petróleo e gás aumentarem sua credibilidade em uma época em que muitos jovens ativistas só interagiam com eles se cartazes e piquetes estivessem envolvidos.

Jovens ativistas dizem que estão vendo mais desse uso dos jovens à medida que o movimento climático global da juventude ganha impulso, inclusive na conferência anual da ONU sobre o clima, conhecida como COP 25, realizada em Madri no início de dezembro. Com a “juventude” se tornando sinônimo de ação climática, empresas e políticos estão usando cada vez mais os jovens para mostrarem uma postura séria sobre o clima.

“Existe um perigoso uso simbólico da juventude em benefício de uma imagem pública.”

“O uso da juventude nas campanhas está se tornando cada vez mais evidente”, disse Eilidh Robb, 24 anos, membro da Youth Climate Coalition do Reino Unido, que se envolveu em pressionar a ONU a adotar uma política de conflito de interesses que impeça que representantes da indústria de combustíveis fósseis exerçam influência na COP. “Existe um verdadeiro perigoso uso simbólico da juventude em benefício de uma imagem pública”.

O encontro da OGCI foi um exemplo particularmente flagrante de disso. A OGCI forneceu financiamento à Student Energy, e a diretora de negócios da OGCI, Rhea Hamilton, faz parte do conselho de administração do grupo. Entre os “parceiros” listados no relatório anual de 2018 da Student Energy estão a Royal Dutch Shell e a Suncor, um dos maiores produtores de areia betuminosa do Canadá. As empresas de combustíveis fósseis têm repetidamente financiado a conferência anual da organização.

Embora os líderes da Student Energy muitas vezes ecoem os pontos de discussão de ativistas como Thunberg, os membros do grupo – uma rede que alega incluir 40 mil jovens – são em grande parte pessoas que desejam trabalhar no setor de energia.

A Student Energy está entre os grupos de jovens com status de observador na COP 25, o que significa que seus membros podem ter acesso a espaços de negociação, conversar com as partes envolvidas e participar de eventos. Espera-se que sua presença nas negociações internacionais da ONU sobre o clima cresça. O relatório de 2018 da Student Energy observou que o grupo havia visto um aumento de 73% nos seus comitês filiados em atividade. No próximo ano, a BP se comprometeu a enviar 50 representantes da Student Energy para a COP26. O financiamento dobraria o tamanho da delegação usual do grupo, de acordo com um comunicado da BP. Em um espaço de conferência que serve como um campo de batalha de ideias sobre como lidar com a crise climática, a BP aparentemente vê a presença da Student Energy como benéfica para a corporação.

Mas os financiadores da Student Energy, algumas das empresas com maior responsabilidade na crise climática, não mostram sinais de desaceleração. O portfólio de produção da Suncor, que inclui principalmente a extração de areia betuminosa, é a que mais consome carbono entre as 100 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo, e a empresa pressionou por novos oleodutos que permitiriam continuar aumentando a produção. A Shell, a 11ª maior emissora de gases de efeito estufa do mundo entre as empresas de petróleo e gás, deve aumentar sua produção de combustíveis fósseis em 38% até 2030. A BP, a 14ª maior emissora, aumentará a produção em 20%.

As projeções das empresas são contrárias às medidas que os cientistas afirmam serem necessárias para cumprir a meta da ONU de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 45% até 2030. O objetivo da COP é avançar em direção a esse objetivo.

Adler disse ao Intercept que a Student Energy participou do evento da OGCI para desafiar o setor de petróleo e gás cara a cara. Ela disse que a organização segue princípios rígidos de parceria que impedem os financiadores de exercer influência sobre as atividades do grupo. Uma grande proporção dos membros da organização deseja trabalhar no setor de energias renováveis, não em uma empresa de combustíveis fósseis, acrescentou ela, e no próximo ano eles estarão diversificando significativamente suas fontes de financiamento. Quanto ao financiamento da BP para a COP26, Adler disse que a Student Energy não aceitou oficialmente o dinheiro. “Estamos verificando o que isso é de fato, as implicações disso e se eles são o parceiro certo.”

Para Taylor Billings, porta-voz da organização sem fins lucrativos Corporate Accountability, não é surpresa que o setor esteja buscando um movimento juvenil para colaborar. Como ela disse, “se as zebras estivessem liderando a marcha, as empresas de combustíveis fósseis e os governos do norte do mundo estariam escalando os muros para entrar no zoológico”.

Juventude nas Nações Unidas

A ONU fez pouco para eliminar as oportunidades de uso da juventude como massa de manobra em suas conferências. Desde 2015, o órgão governamental internacional realiza anualmente o Concurso Global de Vídeos Juvenis, no qual os participantes enviam curtas-metragens destacando as ações climáticas. O prêmio deste ano: uma viagem com tudo pago para a COP 25.

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Jovens representantes do SustainUS durante uma ação na COP 25 em 4 de dezembro de 2019. O grupo tem sido uma voz importante dos jovens contra a influência corporativa nas discussões sobre o clima.
Foto: Cortesia de David Tong

Mas, ao lado de várias agências da ONU que patrocinam o projeto, estava a Fundação BNP Paribas, financiada por um banco que gastou mais de 50 bilhões de dólares em investimentos em combustíveis fósseis entre 2016 e 2018. Em resposta, 29 organizações climáticas que trabalham com jovens enviaram uma carta aos organizadores da ONU no projeto.

“Esse tipo de captura corporativa de uma iniciativa de empoderamento dos jovens não é apenas decepcionante, mas também criminosa”, dizia a carta, observando que o BNP Paribas é o quinto maior financiador de combustíveis fósseis da Europa. As organizações pediram à ONU que “imediatamente encerre sua parceria com o BNP Paribas para garantir que o envolvimento dos jovens permaneça livre da influência de grandes poluidores e financiadores”.

“Não sejam responsáveis pela corrupção de nossa coragem e ação”, pediram os autores.

A ONU desconsiderou a carta. “Compartilhamos suas opiniões sobre a necessidade de descarbonizar o mundo e, para esse fim, também descarbonizamos portfólios de investimentos de instituições financeiras o mais rápido possível”, disse Niclas Svenningsen, gerente de Ação Global do Clima da ONU. No entanto, ele acrescentou: “Acreditamos que também é importante abrir o diálogo e ver como as partes interessadas de diferentes setores estão fazendo a transição de seus modelos de negócios.”

Para muitos, foi uma resposta típica. Quando se trata da captura indevida dos jovens, “o maior e mais flagrante exemplo são as Nações Unidas”, disse Jonathan Palash-Mizner, co-coordenador de 17 anos da Extinction Rebellion Youth US, que está na COP 25. Ele disse que os espaços para jovens na ONU costumam parecer uma “mesa das crianças”, com os participantes com pouco poder de decisão.

Enquanto isso, “você entra em qualquer negociação e todo negociador invocará Greta Thunberg”, disse Sarah Dobson, 23 anos, membro da Youth Climate Coalition do Reino Unido. “É vergonhoso porque eles não farão jus a essa visão.”

Youth strikers to stage sit-in at un climate talks during the Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change -COP25 on day 6, in December 6, 2019 in Madrid, Spain. (Photo by Rita Franca/NurPhoto via Getty Images)

Jovens grevistas protestam durante a COP25, em 6 de dezembro de 2019.
Foto: Rita Franca/NurPhoto via Getty Images

Dobson está envolvida em um esforço juvenil de longa data para expulsar conflitos de interesse da COP. O braço oficial da juventude da ONU, a YOUNGO, impede que seus comitês locais façam parcerias com empresas “que estão em conflito com os interesses dos jovens”. O grupo pressionou por anos por uma política que manteria qualquer um que trabalhasse para uma empresa de combustíveis fósseis fora das futuras conferências climáticas e exigiria divulgação de reuniões entre a indústria de combustíveis fósseis e os países em negociação ou funcionários da ONU.

Eles apontam para a Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco, que afirma que as partes “precisam estar alertas a qualquer esforço da indústria do tabaco para minar ou subverter os esforços de controle do tabaco” e devem proteger o acordo de “interesses comerciais e outros na indústria do tabaco”.

A YOUNGO voltou a defender uma política de conflito de interesses em uma reunião da ONU em junho, onde foram discutidas a logística da COP – mas com os EUA, a União Europeia e outros representantes globais do hemisfério norte que rejeitando a ideia, eles perderam.

“Políticos e CEOs estão fazendo parecer que uma ação real está acontecendo quando, na verdade, quase nada está sendo feito além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas.”

Assim, quando a COP 25 começou em Madri no início de dezembro, uma série de representantes da indústria de combustíveis fósseis percorreu os corredores ao lado dos negociadores que decidirão o formato do mais importante acordo internacional sobre o clima. Os líderes da BP, Shell, Total e Suncor receberam credenciamento para participar da conferência por meio da International Emissions Trading Association, líder do setor, que tem status de observadora. Outras delegações convidaram representantes da Chevron, Petrobrás e outras empresas de combustíveis fósseis. Enquanto isso, entre os patrocinadores da COP 25 estava a empresa de serviços públicos Endesa, o maior emissor de carbono da Espanha.

A indústria de combustíveis fósseis tentou obstruir um forte acordo climático desde que a ONU começou a negociar a questão nos anos 90. Este ano, as associações comerciais da indústria intervieram mais em uma seção do acordo conhecida como Artigo 6, que inclui regras para esquemas de comércio de emissões. No geral, os sistemas internacionais de comércio de carbono falharam em reduzir significativamente as emissões onde foram implementadas. Ao invés de simplesmente forçar cortes por meio de regulamentações, os mercados permitem que as empresas invistam em projetos de compensação climática que, em muitos casos, mostraram ter pouco impacto climático real.

A forma dos mercados fará uma enorme diferença em quanto a indústria de combustíveis fósseis terá que pagar. Na COP, como Dobson colocou, “as empresas estão literalmente em todo lugar”.

Empresas de combustíveis fósseis #FazemOFuturo

A uso da juventude em causas se proliferou além dos encontros climáticos da ONU.

Robb mencionou a reunião do primeiro-ministro canadense Justin Trudeau com Thunberg em setembro, realizada antes de participar de uma marcha das Sextas-feiras Pelo Futuro liderada por jovens, onde foi criticado pelos canadenses que o rotularam de criminoso climático. Trudeau se esforçou muito para se mostrar sério sobre o clima, mas no ano passado seu governo comprou o oleoduto Trans Mountain proposto por Kinder Morgan, um projeto-chave altamente contestado e intensivo em carbono para manter rentável o setor de areia betuminosa do Canadá.

Canadian Prime Minister Justin Trudeau speaks Swedish environmental activist Greta Thunberg in Montreal on Friday, Sept. 27, 2019. (Ryan Remiorz/The Canadian Press via AP)

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau fala com a ativista ambiental sueca Greta Thunberg em Montreal, em 27 de setembro de 2019.
Foto: Ryan Remiorz/Imprensa canadense via AP

Obviamente, os exemplos mais perturbadores do uso dos jovens como massa de manobra envolvem a indústria de combustíveis fósseis. Este ano, a BP patrocinou a conferência anual One Young World, às vezes chamada de “Davos Jovem”, e pagou para que 30 estudantes focados em questões de energia de baixo carbono pudessem participar do evento. No evento de outubro, o CEO da BP e seu economista-chefe se revezaram no palco. “Mas espere, sou economista-chefe da BP, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo. O que a BP está fazendo aqui? Não somos parte do problema? Na verdade, eu realmente acredito que não somos”, disse o economista Spencer Dale. “Empresas como a BP podem ser, e realmente precisam ser, parte da solução.”

A Shell lançou uma campanha intitulada #MaketheFuture (#FaçaOFuturo), sugerindo que está construindo um futuro melhor em vez de destruí-lo. A campanha promove a Shell como uma impulsionadora da tecnologia de baixa emissão de carbono e apresenta imagens de jovens, bem como publicações nas redes sociais sobre o financiamento da empresa para programas de engenharia e ciências para jovens.

Até a CO2 Coalition da extrema direita, financiada pelo dinheiro dos combustíveis fósseis dos irmãos Koch e liderada por ex-conselheiros de Trump que afirmam que as emissões de CO2 são boas para a Terra, está tentando recrutar jovens. Depois de se esforçar para atrair apoio de jovens funcionários republicanos, o grupo teria procurado estudantes nos campi de faculdades na tentativa de “alcançá-los um pouco mais cedo”.

“Eles têm dinheiro praticamente infinito para gastar e tentar mudar o círculo eleitoral mais resistente à sua agenda”, disse Julian Brave NoiseCat, 26 anos, e vice-presidente do think tank progressista Data for Progress.

Adler disse que, até recentemente, era apenas a indústria de combustíveis fósseis que demonstrava interesse em financiar a programação do grupo. “A realidade é que havia bem poucos tipos de organizações interessadas na juventude até cerca de um ano atrás”, disse.

Quando a COP 25 terminou, com questões-chave não resolvidas, Thunberg foi nomeado Pessoa do Ano da revista Time. Em um discurso na ONU no mesmo dia, ela fez referência à maneira como empresas e políticos cooptaram suas palavras. “Essas frases são tudo em que as pessoas se concentram. Eles não se lembram dos fatos, das próprias razões pelas quais digo essas coisas em primeiro lugar”, disse ela. “Eu ainda acredito que o maior perigo não é a inação – o perigo real é quando políticos e CEOs estão fazendo parecer que uma ação real está acontecendo quando, de fato, quase nada está sendo feito além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas”.

O que está em jogo, disse Dobson, é a diluição de um movimento juvenil vigoroso. “As empresas captam nossas imagens, pegam os símbolos de nosso movimento e as usam para validar suas próprias atividades, desrespeitando completamente o esforço que colocamos na construção desse movimento popular”, disse ela. “Isso dá a ilusão de que os jovens venderam seus valores para apoiar as atividades de negócios horríveis”.

Tradução: Maíra Santos

Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita

Amazônia está sob ataque

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia cresceu 30%, com quase 10.000 km² desmatados – o equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol, segundo dados do Prodes, medido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A destruição que se intensificou em 2019 é resultado de uma política antiambiental que estimula atividades predatórias, como queimadas, desmatamento e garimpo em áreas protegidas, e aumenta ainda mais a violência contra os povos que vivem e dependem da floresta.

Nosso futuro e a possibilidade de vida no planeta estão sendo destruídos junto com a floresta

A Amazônia é vital para combater a emergência climática que bate à nossa porta. Esta é uma batalha que não podemos nos dar ao luxo de perder.

Enquanto a Amazônia é devastada, o governo não só ignora sua responsabilidade em garantir a proteção da floresta, como também estimula mais destruição.Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03
Elencamos aqui as reais medidas que devem ser tomadas para evitar ainda mais fogo na floresta e salvar a Amazônia da destruição:

  1. Reverter o desmonte das políticas ambientais e garantir a capacidade do Estado brasileiro em combater os crimes ambientais

  2. Implementar políticas de combate e mitigação das mudanças climáticas, de proteção à biodiversidade e de criação e implementação de áreas protegidas
  3. Fortalecer iniciativas que levam à redução do desmatamento, como é o caso da Moratória da Soja na Amazônia e de outros compromissos que visam excluir desmatamento de cadeias produtivas
  4. Retomar a demarcação das Terras Indígenas e garantir o respeito dos direitos constitucionais dos povos indígenas
  5. Fim da grilagem de terras, da exploração ilegal de madeira, da mineração e autorizações de queimadas, especialmente em áreas protegidas e terras indígenas 
  6. Nenhuma nova hidrelétrica e fim da exploração de petróleo na Amazônia 
  7. Garantir um processo de licenciamento ambiental efetivo para todos os projetos de infraestrutura que proteja as pessoas e o meio ambiente
  8. Garantir a transparência das informações produzidas pelas instituições brasileiras para controle social
  9. Restaurar a participação da sociedade nos processos políticos
  10. Garantir um ambiente seguro para ativistas e lideranças comunitárias no Brasil

Amazônia,Desmatamento,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecologia,Fauna,Flora,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita 06

TODOS PELA AMAZÔNIA

Sem floresta, sem vida. Sem floresta, sem água. Sem floresta, sem comida. Sem floresta, sem futuro.

A Amazônia é o coração pulsante do nosso planeta, vital para regular o clima global e garantir o futuro da vida na Terra. A floresta também é lar de milhares de pessoas, incluindo diversos povos indígenas e comunidades tradicionais, além de abrigo para incontáveis espécies de animais e plantas, algumas ainda desconhecidas pela ciência.

A importância da maior floresta tropical do mundo é reconhecida no mundo todo, porém, neste exato momento, ela corre um grave perigo. O desmatamento já destruiu quase 20% da Amazônia e responde por cerca de metade das emissões de gases de efeito estufa pelo Brasil.

Em vez de fortalecer medidas de proteção à floresta e garantir nosso futuro, o governo está liderando um verdadeiro desmonte da política ambiental brasileira, enfraquecendo os órgãos de combate aos crimes contra a natureza e premiando aqueles que destroem o meio ambiente. Como resultado, estamos vendo a floresta virar fumaça com grandes queimadas e os índices de desmatamento dispararam.Amazônia,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita,Alter do Chão,Brasil,Pará

Não há mais tempo a perder. Grandes marcas globais (como Nestlé, Mondellez e Unilever) se comprometeram a tirar o desmatamento de suas cadeias produtivas para salvar o clima, mas dez anos depois, quase nada foi feito. Diante da emergência climática em que nos encontramos, proteger a Amazônia não é mais uma opção, é uma necessidade urgente. Empresas e governos precisam agir para salvar as florestas, nosso clima e nosso futuro. Este é um manifesto e um movimento. Cada assinatura representa mais um elo na corrente. Juntos, formaremos uma rede de proteção à floresta e seus povos.

Precisamos de você e de todo mundo. Agora mais do que nunca.

Faça parte desse movimento. #TodosPelaAmazônia

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O que o Brasil tem a fazer pelo Clima?

Enquanto a sociedade sai às ruas e exige ações para conter a emergência climática, governantes se reúnem em Madrid para decidir questões cruciais para o futuro da humanidade

Julia Ueamura, 16 anos, na Greve do Clima em São Paulo, no Largo da Batata, em 29/11/2019.
© Christian Braga / Greenpeace

O Brasil e o mundo voltaram a se manifestar para cobrar de governo e empresas ações para combater a emergência climática. A Greve Global pelo Clima, convocada pelos jovens do movimento “Sextas pelo Futuro” (Fridays for Future), ocorreu em 2.400 cidades, em 157 países. A data escolhida teve como objetivo também fazer uma cobrança direta aos representantes dos países que se reúnem a partir desta segunda na Conferência das Partes pelo Clima (COP-25), em Madrid. O evento, que acontece de 2 a 13 de dezembro, tem como objetivo discutir o Acordo de Paris, que prevê que os países limitem as emissões de gases de efeito estufa para conter o aumento da temperatura terrestre e, por consequência, as alterações climáticas.

Em todos os continentes, o movimento da juventude pelo clima vem anunciando: “Não há mais tempo a perder!”. Porém, o que tudo indica é que muitos governantes não estão comprometidos o suficiente. O caso brasileiro é um dos mais alarmantes: o governo Bolsonaro já apresenta a maior taxa de desmatamento desde 1998, com uma alta de 29,5%.

Além dos números concretos que comprovam o aumento do desmatamento no governo atual, o governo de Jair Bolsonaro insiste em fazer falsas e criminosas acusações contra organizações ambientais. Nesse balaio, nem o ator de Titanic, Leonardo DiCaprio ficou de fora da culpabilização do governo – DiCaprio foi acusado de financiar os incêndios na Amazônia. Em vez de resolver a questão, o governo passa a acusar a todos por sua incapacidade de lidar com a agenda socioambiental brasileira, em meio a perseguições e acusações que não devem ser admitidas. O resultado é a incapacidade de se encontrar os responsáveis e de achar solução para os diversos crimes ambientais ocorridos neste ano, como o derramamento de óleo na costa brasileira e o desmatamento na Amazônia, que é hoje responsável pelo maior volume de emissões do Brasil.

A esperança vem das ruas, de jovens e crianças que terão seu futuro ainda mais comprometido se grandes empresas e governantes não assumirem e cumprirem compromissos para conter o aumento da temperatura global e evitar o colapso. Hoje o mundo é em média 0,87 grau mais quente que nos níveis pré-industriais. Se o aumento da temperatura continuar na velocidade dos últimos anos, poderá chegar a 1,5 grau entre 2030 e 2052, muito antes do final do século (o Acordo de Paris tem como objetivo conter a temperatura global em 2 graus, preferencialmente em 1,5°, até 2100) com grandes impactos para a humanidade, que já são sentidos por muitos brasileiros.

O governo de Jair Bolsonaro chega à COP em Madrid com a imagem já deteriorada na agenda internacional e com ações pouco condizentes com as necessidades do Acordo do qual que é signatário. Apesar do Brasil ter sua assinatura no Acordo, está cada vez mais longe de cumprir até mesmo as metas menos ambiciosas assumidas.

Nas ruas ou onde quer que nossas vozes possam chegar, estamos cobrando

No Largo da Batata, um dos espaços públicos que os moradores paulistanos costumam ocupar para protestar por direitos que lhes são negados, ou então para que as reivindicações coletivas cheguem aos tomadores de decisão, Mateus Santos, de 13 anos, caminhava com uma placa na mão: “crise climática”. No discurso e na ação, ele reivindicava por uma mudança conjunta e em todas as esferas da sociedade. A juventude que tem sido a voz a gritar mais alto no movimento em defesa do Clima não apenas cobra, mas age, e Mateus é prova disso.

Mateus Chahim Santos, 13 anos, na segunda Greve do Clima em São Paulo, no Largo da Batata.
©Christian Braga / Greenpeace Brasil

Muitas das coisas que a gente conhece hoje no mundo e muito da forma como a sociedade vive, tudo pode acabar por conta de uma revanche que a natureza já está dando na gente. Precisamos tanto mudar hábitos básicos como também cobrar o governo por suas responsabilidades diante da crise climática. Eu estou desenvolvendo um site para mostrar o quanto cada ser humano pode contribuir mudando coisas simples do dia a dia como, por exemplo, usar menos água, comer menos carne e priorizar o transporte público. Sem esquecer, é claro, da importância de mudarmos nossa matriz energética, que hoje é extremamente impactante e poluente”, disse Mateus.

E tem sido assim os encontros que temos tido desde que a Greve Global pelo Clima começou a ganhar corpo aqui no Brasil. Temos encontrado e convivido com jovens que estão revisitando  hábitos e práticas já impostas pela sociedade, que têm se conectado com os impactos no clima mundial e que escolheram não deixar de olhar para as consequências dessas escolhas.

Ao mesmo tempo em que São Paulo fazia um protesto político-cultural em que o diálogo sobre a questão climática ganhou inclusive o primeiro olhar de muitos que apenas passavam por ali, jovens de outras cidades tomaram a frente de ações para que a data ficasse marcada também em outras regiões do país como Brasília, Rio de Janeiro e Manaus.

No espaço de microfone aberto aos diversos representantes da sociedade civil, manifestaram-se artistas, ambientalistas, indígenas, jovens e crianças. “Essa pressão é importantíssima e, no caso especial do Brasil, ela vem em tom de denúncia diante dos desmandos da agenda socioambiental do atual governo. Por isso, precisamos manter o olhar firme e a voz alta para denunciar caso mentiras, inverdades e falácias forem ditas durante a COP. A sociedade e principalmente os jovens estão de parabéns pela atitude. Continuemos cobrando de governos, mas também das empresas brasileiras que estão muito acomodadas e que têm falhado ao não assumir metas de redução de emissões”, disse Carlos Rittl, coordenador do Observatório do Clima, durante sua fala no evento.

No Rio de Janeiro, o protesto foi feito em forma de artivismo, que é quando a arte se torna uma aliada da transmissão da mensagem que se quer passar. No dia em que a sociedade se rendia ao fervor da sede de consumo, apelidado de Black Friday, as jovens Ana Gil e a Nayara Almeida, do Fridays For Future Rio de Janeiro, fizeram da Greve Global um jeito criativo e direto de criticar o incentivo a um sistema que se baseia na exploração desenfreada dos recursos naturais do planeta e na exploração de mão de obra. Elas usaram caixas de papelão com dizeres como “Adquira já um planeta pra chamar de seu”. A proposta foi uma forma de ironizar o dia em que o comércio investe em descontos para aumentar as vendas.