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Dinamarca quer se tornar primeiro país com agricultura 100% orgânica

Políticas governamentais de incentivo para dobrar a produção até 2020 em relação a 2007 é primeiro passo para atingir a meta.Blog do Mesquita,Ambiente & Ecologia,Dinamarca,Alimentos,Agricultura,Agricultura Orgânica.JPG

Com objetivo de tornar sua agricultura 100% orgânica, há 20 anos a Dinamarca adotou uma política ambiciosa para se transformar no primeiro país do mundo a atingir esta meta.

Nesse sentido, o país nórdico vem implementando políticas específicas para estimular a mudança pelos agricultores ao mesmo tempo em que busca incentivar os consumidores a incluir cada vez mais os produtos orgânicos em sua dieta.

O primeiro passo para atingir esta meta é dobrar a superfície agrícola até 2020 em relação ao que existia no país em 2007. O orçamento reservado para o projeto é de € 53 milhões, que deve ser aplicado essencialmente na ampliação de subsídios e inventivos aos produtores de alimentos orgânicos.

A política adotada pelo governo dinamarquês já tem impactado o consumo das famílias. Atualmente, mais da metade da população compra pelo menos uma vez por semana produtos orgânicos.

Em entrevista concedida a Radio France Internacional, a responsável pelas questões de ecologia no Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, Kirsten Lund Jensen, afirmou que não é de hoje que os produtos orgânicos podem ser encontrados além dos comércios especializados.

“Na Dinamarca, podemos encontrá-los facilmente em supermercados do tipo ‘atacadão’. No início, os produtores ficaram com medo da desvalorização dos produtos. Mas se quisermos ampliar de verdade um setor, é preciso ter volume. Não podemos ficar num mercado de nicho”, explicou a especialista. “Então, massivamente, os agricultores foram transformando suas produções em orgânicas e isso permitiu baixar os preços aos consumidores”

Paul Holmbeck, diretor de estratégias da Organic Denmark, a maior associação dinamarquesa de produtores e distribuidores de orgânicos conta como o preço dos produtos orgânicos caiu no país. “Quando são comprados em grande quantidade, eles custam apenas 20% a mais do que os não-orgânicos. É o menor índice encontrado na Europa. De 30 a 50% do leites, ovos, farinha e flocos de aveia vendidos na Dinamarca são orgânicos, além de muitos tipos de legumes”, afirma Holmbeck.

“O nosso maior desafio continua sendo a carne e os laticínios, que, quando são orgânicos, ainda custam 50% a mais. Criar animais em boas condições, dar-lhes espaço, proteger a natureza, tudo isso tem um custo. Mas o consumidor dinamarquês, hoje, está disposto a pagar esse preço”, comenta o diretor.

A população dinamarquesa está bem próxima de atingir o índice de 60% dos ingredientes orgânicos em refeições servidas nas cantinas das escolas, hospitais e outros estabelecimentos públicos. Em Copenhague, a porcentagem chega a 90%. Em comparação a outros países europeus, na França, por exemplo, a taxa não passa de 1,4%

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Polí

Como a Dinamarca virou referência no combate ao desperdício alimentar

Comida não deve virar lixo: “Esbanjamento deixa todos mais pobres”, afirma ministro dinamarquês.Vegetais em mau estado, mas ainda consumíveis

Entre estratégias adotadas estão áreas antidesperdício nos supermercados e convocação de consumidores a combate aos “UFOs”.

Copenhague está assumindo papel pioneiro num movimento que combina duas grandes preferências nacionais: fazer bem ao meio ambiente e poupar dinheiro. Em setembro próximo, o “reino verde” criará um fundo de incentivo a projetos contra o desperdício de alimentos, com uma verba de 5 milhões de coroas dinamarquesas (670 mil euros).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Comida é amor. Quando jogamos comida fora, estamos jogando fora amor”, afirma a ativista Selina Juul, de 36 anos. O trabalho da ONG Stop Wasting Food (Chega de desperdiçar comida), fundada por ela, contribuiu para que a Dinamarca alcançasse um marco histórico: reduzir seu desperdício de alimentos em um terço em relação a 2010.

Batatas feias e combate aos “UFOs”

Cada vez mais supermercados do país mantêm “stop food waste areas”, onde são vendidos, a preços módicos, gêneros alimentícios cujo prazo de validade está prestes a se esgotar. Ou batatas “feias”, mas que ainda servem perfeitamente para fazer uma salada.

Ativista antidesperdício Selina Juul é ícone na Dinamarca
Ativista antidesperdício Selina Juul é ícone na Dinamarca

E essa é apenas uma entre muitas abordagens eficazes. Com um app, a startup Too Good To Go mostra a gente faminta o caminho até refeições que antes não poderiam mais ser vendidas. A partir de uma lista de restaurantes e padarias que estão prestes a fechar, os usuários têm a chance de passar pelos locais e, com sorte, sair com um recipiente cheio de alimentos a preços reduzidos.

Mas o combate ao lixo supérfluo começa na própria geladeira. Assim, Juul apela aos cidadãos que evitem os “UFOs” (unidentifiable frozen object: objeto congelado não identificável).

“Um de cada dois dinamarqueses tem um ‘UFO’ no congelador. Por isso iniciamos uma campanha incentivando os consumidores a, uma vez por mês, comerem os seus ‘UFOs'”, afirma.

Instrumento para a paz mundial

O fato de o país de 5,7 milhões de habitantes ter mais iniciativas contra o desperdício de gêneros alimentícios do que qualquer outro país europeu se deve, em grande parte, à organização Stop Wasting Food.

Sua fundadora, Selina Juul, já se tornou uma espécie de ícone nacional: em 2016 ela recebeu o Womenomics Influencer Award, dedicado a dinamarquesas cuja atividade no mundo dos negócios é considerada modelo. E foi incluída no Who’s Who da Dinamarca e nomeada Dinamarquesa do Ano em 2014.

Armada de avental verde e de uma paixão irresistível por alimentos, Juul conseguiu entusiasmar milhões de dinamarqueses. “Trata-se de uma iniciativa bottom-up – de baixo para cima”, comenta à DW. “Nós mobilizamos as pessoas, e elas mobilizam a indústria e os supermercados, cantinas e restaurantes.”

“É como uma espiral: a coisa cresce, cresce e cresce”, descreve a ativista. Ela e seu grupo querem agora começar a atuar em outros países. Seu sonho é que o cuidado com os alimentos venha a se transformar num instrumento para a paz mundial.

“Quando o assunto é desperdício de alimentos, todos estão de acordo, sejam ricos ou pobres, de esquerda ou de direita, não importando a cor da pele, nação ou religião. Comida é realmente algo que une os seres humanos.” E Juul reforça: “Comida é amor.”

Também na Holanda se realizam projetos para evitar perda de alimentos, como o Taste the waste

Também na Holanda se realizam projetos para evitar perda de alimentos, como o “Taste the waste”

Perigo para o meio ambiente

Mas o desperdício de alimentos igualmente ameaça o meio ambiente: a agricultura é responsável por quase um quarto das emissões globais de gases-estufa, ocupa mais de um terço da terra cultivável e consome 70% da água potável do mundo.

Diante do esperado crescimento da população mundial para 9,6 bilhões, até 2050, coloca-se a questão de como alimentar todas essas bocas. A redução do desperdício alimentar é a conclusão lógica.

“Na verdade, lixo não é lixo”, lembra Selina Juul. “Reduzi-lo é a chave para a sobrevivência futura da civilização humana.” O trabalho dela conta com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo a agência da ONU, um terço dos alimentos produzidos em todo o planeta ou se estraga ou é jogado fora. Além de um prejuízo equivalente a 850 bilhões de euros, isso também representa 8% das emissões totais de gases responsáveis pelo efeito-estufa, o equivalente a um país de grande porte. A FAO condena esse “excesso numa época em que quase 1 bilhão de pessoas passam fome”.

Selina Juul (c.) e Andrew Steer (último à dir.) durante Global Green Growth Forum em Copenhague

Selina Juul (c.) e Andrew Steer (último à dir.) durante Global Green Growth Forum em Copenhague

“O que se mede também se pode gerir”

Para Andrew Steer, presidente e diretor executivo do World Resources Institute, “não há simplesmente motivo para tanta comida assim se perder”. Juntamente com diversas instituições da ONU, ONGs e a União Europeia, seu instituto estabeleceu um padrão para medir o desperdício de gêneros alimentícios: o Food Loss and Waste Protocol.

“No momento, a produção alimentar é muito destrutiva”, aponta Steer. O World Resources Institute desenvolveu o “protocolo de perda e desperdício de comida” seguindo raciocínio de que “o que se mede também pode ser gerido”.

“É exatamente como com o protocolo dos gases-estufa, dez anos atrás: para termos sucesso na redução do desperdício alimentar, temos que seguir uma abordagem sistêmica.”

O instituto encabeçado por Steer conseguiu convencer dessa filosofia instituições de peso. Entre seus parceiros está o Consumer Goods Forum, uma associação reunindo mais de 400 dos maiores produtores e negociantes de bens de consumo de 70 países, reunindo um faturamento total de 2,5 trilhões de euros.

Além disso, a Organização Mundial dos Agricultores (WFO) e vários Estados apoiam a meta de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, que visa cortar pela metade o desperdício de comida até 2030, assim como reduzir a perda de gêneros alimentícios em escala mundial.

A Dinamarca também participa dessas coalizões. “Desperdício deixa todo o mundo mais pobre”, resume o ministro do Exterior Kristian Jensen. No Global Green Growth Forum (3GF) de junho último, em Copenhague, ele se mostrou convencido que essa “nova aliança forte entre atores estatais e privados encontrará uma resposta eficaz ao desafio global do desperdício alimentar”.
DW

Oito lições de combate à corrupção que a Dinamarca pode dar ao Brasil

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)Dinamarca lidera ranking de países menos corruptos do mundo
Image copyright Flavia Milhorance

Desde que o índice foi criado, em 1995, o país está nas primeiras posições – em que estão as nações vistas como menos corruptas. Nos últimos cinco anos, só não esteve no primeiro lugar em 2011, que ficou com a Nova Zelândia. Esse é o segundo ano consecutivo em que está sozinha no topo.

O Brasil foi um dos países que registrou a maior queda no ranking neste ano: caiu sete posições, para o 76º lugar. A ONG liga a queda ao escândalo da Petrobras.

O Índice de Percepção de Corrupção é baseado em entrevistas com especialistas – em geral, membros de instituições internacionais como bancos e fóruns globais – que avaliam a corrupção no setor público de cada país.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na raiz do bom desempenho dinamarquês estão iniciativas de meados do século 17, quando a Dinamarca perdia parte de seu reinado para a Suécia e via que era preciso ter uma administração mais eficiente para coletar impostos e financiar batalhas em curso.

Numa época em que a nobreza gozava de vários privilégios, o rei Frederik 3º proibiu que se recebessem ou oferecessem propinas e presentes, sob pena até de morte. E instituiu regras para contratar servidores públicos com base em mérito, não no título. A partir de então, novas medidas foram sendo instituídas período a período.

Peter Varga, coordenador regional da Transparência Internacional para Europa e Ásia Central, alerta, entretanto, que “países que estão no topo do ranking naturalmente não estão livres de corrupção”, pondera

Casos envolvendo empresas e políticos vez ou outra ganham destaque na Dinamarca. Há dois anos, a empresa dinamarquesa Maersk foi apontada na Operação Lava Jato como possível autora de pagamento de propinas a ex-executivos da Petrobras. E a falta de controle nos financiamentos de campanha é bastante criticada.

“Entretanto, neles isto é uma exceção, não a regra”, complementa o representante da Transparência Internacional.

Embora não esteja imune ao problema, a Dinamarca traz alguns bons exemplos que podem servir de inspiração para se combater a corrupção em países como o Brasil. Confira:

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)Político Peder Udengaard vai embora a pé após conversa com a BBC Brasil
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1) Menos regalias para políticos

O político Peder Udengaard é membro reeleito do conselho municipal (o equivalente a um vereador) de Aarhus, segunda maior cidade da Dinamarca, com cerca de 300 mil habitantes. Vive numa zona de classe média no centro e não possui carro, por isso vai a pé ao trabalho. Recebe um salário de 10 mil coroas dinamarquesas (R$ 6 mil) para horário parcial, complementados com atividades na direção de uma orquestra.

O único benefício que recebe é um cartão para táxi, que só pode ser usado quando participa de eventos oficiais. A entrevista concedida à BBC Brasil na prefeitura, por exemplo, não estava nesta lista. Duas vezes ao ano, a prefeitura promove eventos fora da cidade e, aí sim, pode-se gastar com deslocamento e alimentação. Presentes precisam ser tornados públicos e repassados a entidades civis.

“Essas regras independem do cargo, pode ser do mais baixo ao mais alto”, explica Udengaard. “Se eu tivesse filhos, iriam para a escola pública; encontro meu eleitorado no supermercado, na rua, no banco. Não tenho mais benefícios do que qualquer cidadão. Se quisesse enriquecer ou ter privilégios, não seria político”, completa.

Nos últimos anos, o primeiro-ministro Lars Løkke Rasmussen foi acusado em algumas ocasiões de ter usado dinheiro público para pagar contas em restaurantes, táxis, aviões, hotéis e até roupas em cargos como prefeito, ministro e presidente da organização Global Green Growth Institute (GGGI), que recebe recursos do governo.

Confirmaram-se roupas pagas pelo seu partido, Venstre, e passagens pela GGGI, episódios duramente criticados.

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)Peder Udengaard tem mandato, mas mantém uma vida sem regalias.
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2) Pouco espaço para indicar cargos

Tentar beneficiar-se do setor público não é tarefa fácil na Dinamarca. Um dos motivos é que, quando o político é eleito, a equipe que trabalhará com ele é a mesma da gestão anterior. Além disso, o profissional que não reportar um ato ilícito é demitido.

“Receber incentivos econômicos seria difícil, porque os funcionários não estão interessados em acobertá-los”, afirma Peder Udengaard, garantindo nunca ter sido informado de algum caso ilícito na prefeitura de Aarhus.

“Regras claras sobre conflitos de interesse, códigos de ética e declaração patrimonial são muito importantes”, comenta Peter Varga, destacando que elas geralmente são consideradas eficientes em países no topo dos rankings de corrupção, mas ressaltando que mesmo na Dinamarca a tentação de se aceitar propinas ou exercer influência indevida é geralmente mais forte quanto mais perto se está do centro tomador de decisões políticas.

(Foto: Flavia Milhorance/BBC Brasil)Na Dinamarca, político eleito precisa trabalhar com os mesmos funcionários da gestão anterior – Image copyright Flavia Milhorance

3) Transparência ampla

A Dinamarca também é considerada a nação mais transparente no ranking “2016 Best Countries” (“Melhores países 2016”), da Universidade da Pensilvânia, dos Estados Unidos.

Os sites dos governos, de todas as instâncias, costumam ser bem munidos de dados sobre gastos de políticos, salários, investimentos por áreas etc. E qualquer cidadão pode requerer informações que não estejam lá.

No Brasil, especialistas concordam que a transparência vem avançando. Fernanda Odilla de Figueiredo, pesquisadora sobre corrupção do Brazil Institute no King’s College, de Londres, elogia a Lei de Acesso à Informação e os portais de transparência, mas cobra acesso irrestrito:

“Em 2013, informações sobre viagens internacionais do presidente e do vice-presidente da República foram reclassificadas e só poderão ser acessadas depois que eles deixarem o poder, e no ano passado o governo de São Paulo decretou sigilo de determinados dados”, critica.

(Foto: Flávia Milhorance/BBC Brasil)Transparência e polícia valorizada ajudam país a obter status de “mais honesto”
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4) Polícia confiável e preparada

Raramente, casos de corrupção envolvem a polícia dinamarquesa. A confiança na instituição é considerada muito alta, segundo o relatório 2015-2016 de competitividade global do Fórum Econômico Mundial.

“A polícia goza de alto nível de confiança. Ser um policial geralmente é considerado uma posição relativamente de status. Isto faz jovens considerarem a carreira”, acrescenta o especialista em segurança, Adam Diderichsen, professor da Universidade de Aalborg.

Diderichsen também explica que boas condições de trabalho agregam à qualidade do serviço. Após terminar o ensino médio, policiais recebem pelo menos dois anos de treinamento.

A cultura policial dinamarquesa dá ênfase a meios não coercitivos: eles usam armas, mas estão menos propensos a empregá-las do que em países fora da Escandinávia. Em geral, segundo o especialista, recebem um “bom salário de classe média, especialmente se for levado em conta a generosa aposentadoria”.

5) Baixa impunidade

O código criminal da Dinamarca proíbe propina ativa ou passiva, abuso de poder público, peculato, fraude, lavagem de dinheiro e suborno.

Em 2013, o Parlamento adotou emendas para fortalecer a prevenção, investigação e indiciamento de crimes econômicos. As penas hoje vão de multa a prisão de seis anos. Elas não são consideradas tão rígidas. Mesmo assim, são aplicadas e cumpridas.

Para a Transparência Internacional, o motivo são as instituições fortes e independentes de Justiça. Já segundo o especialista em corrupção Gert Tinggaard Svendsen, professor da Universidade de Aarhus, há mais do que isso.

“As leis não são tão duras, o que é duro é o mecanismo de punição. A tolerância à ilegalidade na Dinamarca é baixíssima não só com relação às instituições, mas até com indivíduos do convívio que infringem normas das mais simples”, diz.
Flávia Milhorance/BBC

Shakespeare, aquecimento global e o Reino da Dinamarca

O Reino da Dinamarca
por Theófilo Silva ¹

Neste momento em que toda a humanidade tem os olhos voltados para este pequeno e rico país: a Dinamarca – espécie de sociedade ideal que atingiu todos os índices de prosperidade almejados pelas outras nações-, devemos fazer uma reflexão sobre o seu passado.

Shakespeare imortalizou a Dinamarca em Hamlet, quando disse “há algo de podre no reino da Dinamarca”. Daí pra frente, essas palavras viraram um lugar comum todas as vezes que alguém sentiu o cheiro de corrupção em sua família, empresa, Estado…

Por mais que o Bardo de Stratford, naquele momento, estivesse falando de sua Inglaterra natal, a Dinamarca era mesmo um pobre e corrupto país que merecia verdadeiramente ser chamada de podre.

A Dinamarca situa-se na chamada península Escandinávia, o conceito é vago; mas Suécia, Noruega e num certo sentido, a Finlândia e os seus aparentados, a Islândia formam um “padrão escandinavo” em qualidade de vida, quase sem par no resto do mundo. Ordeiros, pacíficos, generosos, brilhantes, ricos ostentam todas as conquistas – as objetivas, pelo menos- que todos nós almejamos.

Mas não foi sempre assim. Cercados de gelo por todos os lados e com um sol que brilha partes do ano até a meia noite – esse povo, chamado no passado de Vikings, formaram as hordas mais cruéis da cristandade. Hábeis navegadores, entre os séculos IX e X – é possível que Erik, o viking tenha chegado à América séculos antes de Colombo – chegaram às costas da Europa devastando tudo que encontraram.

Durante um curto período, os Vikings governaram a Inglaterra. Aí, no século XI, parte do continente europeu se fortalece e a Escandinávia entra num processo de profunda estagnação, com Noruega, Suécia e Dinamarca se fundindo e se separando até assumirem a forma atual que conhecemos.

Até os anos de 1920, a Dinamarca e seus vizinhos não passavam de um imenso pântano gelado. Os filmes dos anos 80, Pelle, o Conquistador e a Festa de Babete nos dão um panorama do que era a Escandinávia até quatro gerações atrás. Um povo pobre, atrasado e quase sem esperança. Já hoje!

Pergunto: o que é que a Escandinávia tem que o Brasil não tem? Por que é que esta nação “abençoada por Deus” riquíssima em recursos naturais, clima favorável, não acaba com a miséria. Por mais que avanços tenham ocorrido, ainda se morre de fome no Brasil. O nosso índice de violência é igual ao de países em guerra. O número de favelados do Rio de janeiro e São Paulo superam a população escandinava. O que fazer para mudar isso? Dizem que a resposta é educação e mais educação. Sim, mas não é só isso. Algo mais forte se impõe.

Precisamos de um choque de moralidade. O problema do Brasil, por enquanto, é um só: Impunidade. Somos uma sociedade corrupta. Eu declaro aqui em alto e bom som: enquanto as Cortes Superiores do Brasil não colocarem os grandes e notórios corruptos na cadeia, o Brasil não mudará. Precisamos de exemplos, precisamos de um corrupto condenado e preso. Como os EUA fazem. Se um corrupto notório for preso, os outros ficarão intimidados. O STF precisa nos dar um corrupto de presente neste natal. Um corrupto embalado e condenado atrás das grades. Seria o primeiro passo para sonharmos com a prosperidade escandinava e para homenagearmos a cúpula do meio ambiente na Dinamarca, que não é mais podre, o Brasil é que é.

Theófilo Silva é Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador do blog do Moreno


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Brasil – Da série “Acorda Brasil” – Lula “tá de olho na boutique dela”

O apedeuta do planalto, o grande chefe dos tupiniquins, finge que não tá nem aí com o bode que ele mesmo diz que não colocou na sala.

Na verdade sua (dele) excelência, “só pensa naquilo”. Aquilo, no caso é o  – argh! – imoral terceiro mandato.

Leiam o que escreve hoje, a esse respeito, o jornalista Carlos Chagas na Tribuna da Imprensa:

Um estranho telegrama
BRASÍLIA – No último dia 17 o presidente Lula enviou ao primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, o seguinte telegrama: “Recebi com especial satisfação a notícia da vitória de Vossa Excelência no pleito eleitoral realizado dia 13 de novembro. Sei que se trata da terceira vez que o povo dinamarquês confia a Vossa Excelência a elevada tarefa de conduzir o governo da Dinamarca, fato que demonstra o sucesso de sua administração.

Antecipo a satisfação que terei de dar continuidade aos profícuos entendimentos que tivemos quando da visita de Vossa Excelência ao Brasil, em abril deste ano, bem como por ocasião de minha visita à Dinamarca em setembro último, da qual guardo as melhores recordações. Estou certo de que nosso trabalho assinala a elevação do relacionamento entre nossos países a novos patamares de excelência.

Peço-lhe receber, juntamente com minhas sinceras felicitações, os votos de sucesso e de felicidade pessoal, que estendo a todo o povo dinamarquês. Mais alta estima. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil.”

Trata-se de mensagem protocolar, em resposta a um comunicado do primeiro-ministro reeleito pela terceira vez, mas, convenhamos, que hora mais desastrada para elogiar a permanência de um governante em função do sucesso administrativo.

Pelos comentários anteriores do presidente Lula, Anders Rasmussen é mais um a integrar a lista encabeçada por Margaret Thatcher, John Major, Tony Blair, Felipe Gonzalez, Helmut Kholl, François Mitterrand e quantos mais que permaneceram à frente de governos por longos períodos, sem restrições diante de um bom desempenho administrativo. Entenda quem entender, mas se o ponto central das reeleições reside na capacidade do governante, abre-se larga avenida para a aplicação do princípio em qualquer sistema de governo, parlamentarista ou presidencialista…